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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 18.01.17

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O Governo Bilderberg - Do Estado Novo aos Nossos Dias, de Frederico Duarte Carvalho

Investigação

(edição Planeta, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 17.01.17

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O Nadador, de Joakim Zander

Tradução de João Reis

Romance

(edição Suma de Letras, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 16.01.17

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As Aventuras de Augie March, de Saul Bellow

Tradução de Salvato Telles de Menezes

Romance

(reedição Quetzal, 2.ª ed, 2017)

"Este livro mantém a grafia anterior ao Acordo Ortográfico"

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 15.01.17

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Muros, de José Jorge Letria

Ensaio

(edição Guerra & Paz, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 14.01.17

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O Programa Segue Dentro de Momentos, de Júlio Isidro

Prefácio de Baptista-Bastos

Autobiografia

(edição Marcador, 2.ª ed, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 13.01.17

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Diamante do Sul, de Nádia Carnide Pimenta

Romance

(edição Theoria, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 12.01.17

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 Arte e Poder na Era Global, de Alexandre Melo

Ensaio

(edição Documenta, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 11.01.17

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Utopias, de Michael Löwy

Selecção de textos e apresentação de José Neves

Ensaios políticos

(edição Ler Devagar/Unipop, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 10.01.17

 

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Habitarei o Meu Nome, de Saint-John Perse

Selecção e tradução de João Moita

Antologia poética

(edição Assírio & Alvim, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 09.01.17

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Para Viver um Grande Amor, de Vinicius de Moraes

Crónicas e poemas

(edição Companhia das Letras, 2017)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 08.01.17

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Elegias de Duíno, de Rainer Maria Rilke

Tradução de José Miranda Justo

Poesia

(edição Relógio d' Água, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 07.01.17

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Marienbad Eléctrico, de Enrique Vila-Matas

Tradução de Maria Manuel Viana

Novela

(edição Teodolito, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 06.01.17

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As Pupilas do Senhor Reitor, de Júlio Dinis

Romance

(reedição Guerra & Paz, 2017)

"A presente edição não segue a grafia do novo Acordo Ortográfico"

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 05.01.17

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Crise e Crises em Portugal, de Carlos Leone

Ensaio

(edição Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2016)

"Este livro não está redigido segundo o novo Acordo Ortográfico"

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 04.01.17

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Conta-me uma Adivinha, de Tillie Olsen

Prefácio de Diana V. Almeida

Tradução de Manuela Gomes

Contos

(edição Antígona, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 03.01.17

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O Dicionário do Diabo, de Ambrose Bierce

Tradução e apresentação de Manuel Afonso Costa

(edição Sistema Solar, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 02.01.17

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A Escada de Istambul, de Tiago Salazar

Romance

(edição Oficina do Livro, 2016)

"Este livro segue a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico de 1990"

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 01.01.17

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Depois do Fim, de Paulo Moura

Crónicas internacionais

(edição Elsinore, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 31.12.16

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Sensibilidade e Bom Senso, de Jane Austen

Tradução e nota introdutória de Paulo Faria

Romance

(edição Relógio d'Água, 2015)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.12.16

O Homem Que Escrevia Azulejos[1].jpg

 

O Homem que Escrevia Azulejos, de Álvaro Laborinho Lúcio

Romance

(edição Quetzal, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.12.16

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O Tempo dos Assassinos, de Henry Miller

Tradução de José Miranda Justo

Ensaio sobre Rimbaud

(edição Antígona, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.12.16

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Timor - Labirinto da Descolonização, de Paulo Pires

Testemunho histórico

(edição Colibri, 2013)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.12.16

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Benoni, de Alexandre Andrade

Romance

(edição Relógio d' Água, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.12.16

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Textos Escolhidos, de Gonçalo Ribeiro Telles

Selecção de Fernando Santos Pessoa

Prefácio de Guilherme d' Oliveira Martins

(edição Argumentum, 2016)

"A presente edição não segue a grafia do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (AO90)"

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 25.12.16

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Bom Natal, do Papa Francisco

Tradução de Catarina Mourão

Reflexões natalícias

(edição Planeta, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 24.12.16

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João XXI - O Papa Português, de Armando Norte

Biografia

(edição A Esfera dos Livros, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 23.12.16

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Nos Passos de Santo António, de Gonçalo Cadilhe

Uma viagem medieval de Lisboa a Pádua

(edição Clube do Autor, 2016)

"Por vontade expressa do autor, a presente edição não segue a grafia do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa"

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 22.12.16

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A Floresta em Portugal, de Victor Louro

"Um apelo à inquietação cívica"

(edição Gradiva, 2.ª ed, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 21.12.16

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Norma, de Sofi Oksanen

Tradução de Ana Tavoila

Romance

(edição Alfaguara, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 20.12.16

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O Crepúsculo em Itália, de D. H. Lawrence

Tradução de Paulo Faria

Viagens

(edição Tinta da China, 2016)

 

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Balanço das Leituras de 2016

por Francisca Prieto, em 20.12.16

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O ano começou com Butcher’s Crossing de John Williams. Confesso que só me atirei ao livro porque me tinha rendido a Stoner uns meses antes. Stoner é um livro triste, mas lindíssimo, dos que só quem conhece os meandros do coração humano pode escrever.

Burcher’s Crossing é de uma violência atroz. Seria natural tê-lo deixado a meio pelo incómodo que me causou, mas está tão bem escrito que ficamos rendidos pelas páginas fora. É um “livro de rapazes”, à moda dos cowboys americanos, que vai ao fundo da cobiça humana e que nos destrói pelo caminho.

 

Disse-me Um Adivinho, de Ticiano Terzani, foi outra leitura improvável. Não tenho grande paciência para zodíacos, oráculos e afins. Mas foi-me tão recomendado que cedi e acabei por me render. Provavelmente porque o próprio autor era também um céptico relativamente a estas questões e, tendo mudado um ano da sua vida por causa de uma profecia, escreve sempre no fio da navalha da crença. Correspondente na Ásia de um jornal alemão, Ticiano Terzani um dia consulta um adivinho que lhe diz que em 1993 não pode voar, ou que algo de trágico lhe acontecerá. Não sendo crente, encara a profecia como um desafio para ter um ano diferente, pelo que resolve fazer todos os seus trajectos por terra. E é assim que vamos viajando por diferentes países asiáticos, dos quais ficamos a conhecer as entranhas, e entramos no misterioso mundo dos adivinhos orientais, que por vezes soam a charlatões e que, por outras, são verdadeiros magos.

 

Ham on Rye (julgo que “Pão com Fiambre” na versão portuguesa) de Bukowski foi uma das grandes leituras do ano. Já conhecia a versão adulta desbocada de Bukowski, mas nada sabia sobre a sua infância e adolescência. Ham on Rye é uma biografia dos seus verdes anos e uma peça essencial para perceber quem é o autor.

 

A Vida no Campo, de Joel Neto, foi encetado num voo para o Pico. Não podia ter escolhido melhor companhia. Trata-se de um conjunto de deliciosas crónicas de um açoriano que volta a morar nos Açores depois de vários anos em Lisboa. A visão de quem já esteve fora e consegue apreciar todas as pequenas idiossincrasias dos seus conterrâneos.

Muito bem escrito, com um pingar de ternura que não chega a ser lamechas.

 

Doce Carícia de William Boyd é o livro com os mais desadequados título e capa que já vi na vida. Quem passar por um escaparate pensará que se trata de um livro para oferecer à avó. Não sendo um Nobel, é um excelente livro de férias, que conta a história de vida de uma repórter de guerra. Às vezes até nos esquecemos que é ficção.

 

Fecho o balanço do ano com O Meu Nome É Lucy Barton de Elisabeth Strout. Há livros cuja história não consigo reproduzir porque não me fica na memória. Mas fica a sensação que me deixaram. Este é um desses casos, em que é inútil reproduzir a sinopse porque não é disso que se trata. Claro que me lembro que é a história de uma mulher que está numa cama de hospital e cuja mãe, que nunca foi particularmente afectuosa, a vai visitar. Mas nada disto faz adivinhar a ternura que nos invade ao passar de cada página e a vontade que temos de que o livro nunca acabe porque nos está a fazer uma companhia dos diabos.

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 19.12.16

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Tempos Difíceis, de Charles Dickens

Tradução de Daniel Jonas

Romance

(reedição Relógio d' Água, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 18.12.16

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O Nosso Desporto Preferido, de Gonçalo Waddington

Teatro

(edição Abysmo, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 17.12.16

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António Ferro - Um Homem por Amar, de Rita Ferro

Romance

(edição Dom Quixote, 2016)

"Por indicação da autora, este livro não respeita as regras do novo acordo ortográfico"

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 16.12.16

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Ritmos e Visões, de José Gil

Ensaios literários

(edição Relógio d' Água, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 15.12.16

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Sentir, de Cristina Ferreira

Memórias

(edição Contraponto, 2016)

"A pedido da autora, esta edição não segue a grafia do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa"

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 14.12.16

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Poemas Escolhidos, de T. S. Eliot

Tradução de João Almeida Flor, Gualter Cunha e Rui Knopfli

(edição Relógio d' Água, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 13.12.16

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História das Terras e dos Lugares Lendários, de Umberto Eco

Tradução de Eliana Aguiar

Geografia literária

(edição Gradiva, 2.ª ed, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 12.12.16

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Para Aquela que Está Sentada no Escuro à Minha Espera, de António Lobo Antunes

Romance

(edição Dom Quixote, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 11.12.16

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Chegar Novo a Velho, de Manuel Pinto Coelho e Camila Balbi

Receitas

(edição Prime Books, 2016)

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Eduardo Mendoza

Não queria incomodar nem tem feitio para isso. Só queria escrever uma boa história. Escreveu e fez de Los soldados de Cataluña o seu primeiro livro. Para início de conversa, não esteve nada mal. Começou por incomodar a censura franquista, que lhe impôs uma mudança de título – La verdad sobre el caso Savolta, na versão que chegou aos escaparates e que o celebrizou enquanto escritor. Mas, mais importante, esta boa história inaugurou uma nova etapa na literatura espanhola, sendo consensualmente descrita como a primeira novela da Espanha pós-franquista. Em 1975, aos trinta e poucos anos, Eduardo Mendoza consegue com o seu primeiro livro aborrecer o regime – que descreveu o texto como “estúpido e confuso, escrito sem pés nem cabeça” – e provocar uma ruptura no estilo literário espanhol. Tudo isto para quem apenas queria contar uma boa história.
Os anos sucederam-se e os livros também. A ironia fina e certeira, a sobriedade, e a erudição expressa em linguagem simples tornaram-se a marca distintiva da identidade literária de Eduardo Mendoza. Poucas vezes participou em discussões candentes – a reprodução no El País de um discurso sobre a independência da Catalunha é uma das raras e admiráveis excepções. Ao contrário de outros escritores espanhóis, omnipresentes e ferozes no debate político, Mendoza não quis reclamar o estatuto de intelectual público. O que interessa são as histórias e os livros.
Em 2015, quando se assinalaram os 40 anos de La verdad sobre el caso Savolta, a imprensa espanhola dedicou muitas e boas linhas à revisitação de um livro que, segundo o escritor Javier Marías, é um “marco, uma revelação, um grande êxito, uma novidade distinta, e por isso se diz que, na literatura, marcou o início da democracia e a defunção do Franquismo”. Para António Muñoz Molina, “Mendoza não escrevia para submeter a exame as faculdades intelectuais do leitor, nem para lhe mostrar os seus conhecimentos sobre o nouveu roman francês, ou o monólogo interior ou as obscuridades mais difíceis de William Faulkner; não escrevia para doutrinar politicamente o leitor, nem para jactar-se das suas audácias sintácticas e sexuais. Mendonza, como Marsé, embora com recursos muito diferentes, procura a forma de contar, com a maior eficácia possível, uma história que é muito importante para ele, tão importante que decidiu dedicar-lhe um livro longo e complexo que talvez não chegasse a ser publicado”.

 

EduardoMendoza.jpg

 

A obra criou uma ruptura e o autor também. Para Muñoz Molina, Eduardo Mendoza é imune à “arrogância despectiva”, à “postura jactante”, à “desqualificação frívola daquilo de que não se gosta”, vícios predominantes na cultura intelectual espanhola da época, inclusive da anti-franquista. Não é hagiografia. Tive oportunidade de conhecer Eduardo Mendoza na última feira do livro de Madrid. Quando soube desta oportunidade, hesitei. Conhecer pessoalmente alguém que admiramos pode facilmente dar azo a uma decepção descomunal. E, por outro lado, o homem mudou o romance espanhol e eu nunca mudei nada digno de registo. Hesitei, mas lá fui. E ainda bem, porque o gigante é de uma simpatia distendida e desarmante. Falámos dos livros dele, claro. Embora, curiosamente, Mendoza tenha falado deles como entidades independentes, com vida própria, nunca usando o pronome possessivo “meus”. As histórias têm que valer por si. Com alguma vergonha, disse-lhe que comecei a lê-lo pelos livros mais recentes, nomeadamente pela série do detective anónimo, razão pela qual ainda não tinha acabado o Caso Savolta, que aliás levava debaixo do braço. Eduardo Mendoza pede-me o exemplar e na dedicatória da praxe (que muito agradeço e estimo) não refere importância literária ou pessoal do livro, ou mesmo que se trata de um livro. É tão simplesmente uma velha história. Juan Cruz tem razão quando escreve que Eduardo Mendoza é um cavalheiro que não alardeia os seus triunfos nem as suas feridas.
Na semana passada, Eduardo Mendoza foi galardoado com o Prémio Cervantes, habitualmente descrito como o Nobel da Literatura para as letras em espanhol. Tenho quase a certeza que, ao receber o prémio, não dirá que é dele ou dos seus livros, mas sim das histórias que pôde contar.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.11.16

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Tabacaria, de Álvaro de Campos

Poesia

(reedição Guerra & Paz, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.11.16

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Deixar Aleppo, de Manuela Niza Ribeiro

Romance

(edição Althum, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.11.16

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O Tempo dos Assassinos, de Henry Miller

Tradução de José Miranda Justo

Ensaio literário

(edição Antígona, 2016)

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O acaso vira a vida do avesso

por Pedro Correia, em 27.11.16

Herbert L. Matthews com Fidel Castro 

 

E se Adolf Hitler, quando saiu da sua Linz natal para concretizar o sonho de ser pintor, não tivesse chumbado na admissão à academia de belas-artes de Viena? A pergunta, para quem gosta de fazer leituras psicológicas da história universal, tem razão de ser: um Hitler reconhecido como artista pela elite vienense jamais teria precipitado a II Guerra Mundial.
E se James Dean não tivesse desaparecido tragicamente, ao volante de um Porsche prateado, com apenas 24 anos, em 1955? Imaginemo-lo disforme e grotesco como o Brando crepuscular ou destruído pela sida, como aconteceu a Rock Hudson: não sobraria espaço para o mito, só possível porque os deuses o levaram tão jovem para o seu Olimpo.
Uma porta que se fecha na cara, um pouco mais de pressão sobre um pedal: um quase-nada capaz de mudar o mundo. “O acaso é uma parte da realidade. O inesperado acontece nas vidas de todos nós com uma regularidade quase entorpecente.” São palavras de Paul Auster, um dos autores contemporâneos que mais têm sublinhado a importância do acaso na viragem de qualquer vida. Quantas vezes a realidade não supera os mais assombrosos cenários de ficção?


Herbert L. Matthews foi um daqueles homens cujas vidas mudaram para sempre num só dia, que para ele constituiu simultaneamente o apogeu da sua carreira de jornalista e uma data fatídica que jamais o largou. Era um repórter que se distinguira ao serviço do New York Times na Guerra Civil de Espanha e na II Guerra Mundial antes de o instalarem, durante uma década, num gabinete de editorialista. Naquele dia, 17 de Fevereiro de 1957, conseguiu o furo da sua vida: entrevistou Fidel Castro na Sierra Maestra.
Castro liderava um pequeno grupo de guerrilheiros que se opunham à ditadura de Fulgencio Batista mas era praticamente desconhecido fora de Cuba. Foi Matthews quem o transformou num mito ao projectá-lo para a manchete do seu jornal a 24 de Fevereiro, uma semana após ter entrevistado o jovem comandante barbudo que Batista jurara ter morto uns meses antes. Afinal Fidel não só estava vivo como comandava “centenas de homens”, como Matthews garantira na reportagem.
O veterano jornalista, já com 57 anos, deixara-se iludir: Castro tinha apenas 18 homens armados na Sierra Maestra. Mas o mito do resistente hercúleo estava lançado: o furo jornalístico transformou-se no maior veículo de propaganda da “revolução” cubana, que triunfaria menos de dois anos depois – e se transformou numa ditadura mais feroz e muito mais longa do que a de Batista.


Matthews, antes tão louvado pela sua proeza, passou a ser contestado nos Estados Unidos à medida que Castro revelava a sua face de autocrata sem escrúpulos. Considerado um herói em Cuba, país que continuou a visitar quase até à morte, em 1977, recebeu críticas contundentes dos seus próprios colegas, que o consideraram um peão ao serviço do comunismo castrista.

Depois de se reformar do New York Times, em 1967, radicou-se na Europa e na Austrália. Obstinado até ao fim, nunca denunciou o carácter ditatorial da “revolução” nem admitiu ter-se enganado quando assegurou aos leitores que Castro era um democrata genuíno que só pretendia instaurar a democracia na ilha. Em 1969, ainda o considerava “um dos homens mais extraordinários do nosso tempo”, dando razão aos seus críticos: o jornalista que denunciara a ditadura de Batista era incapaz de denunciar a ditadura de Castro.


Outro repórter do New York Times, Anthony De Palma, disseca este caso num livro brilhante, editado em Portugal pela Bizâncio: O Homem que Inventou Fidel. Tese: Matthews tornou-se prisioneiro da sua manchete. Reconhecer os erros do ditador “teria diminuído a sua própria importância” enquanto jornalista que o deu a conhecer ao mundo. Conclusão: por vezes é muito ténue a linha que separa a verdade do mito e mesmo um jornalista experimentado pode cair nas malhas da propaganda.

A vida de Matthews teria sido bem diferente se não tivesse subido à Sierra Maestra naquele dia, escapando à monotonia do trabalho de gabinete em busca, mais do que de uma notícia, do “reconhecimento” que, segundo Hegel, é uma característica inerente à espécie humana.

Sem esse golpe do acaso, perderia uma cacha mundial mas mantinha incólume a sua reputação, que assim foi de algum modo manchada para sempre.

 

Texto reeditado

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.11.16

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Laranja Mecânica, de Anthony Burgess

Tradução de Vasco Gato

Romance

(reedição Alfaguara, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.11.16

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Obra Poética, Volume I, de Ruy Cinatti

Organização de Luís Manuel Gaspar

Prefácio de Joana Matos Farias

(edição Assírio & Alvim, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 25.11.16

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Luís António Verney e a Cultura Luso-Brasileira do Seu Tempo, de vários autores

Coordenação de António Braz Teixeira, Octávio dos Santos e Renato Epifânio

Ensaios literários

(edição MIL / DG Edições, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 24.11.16

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Jogos Africanos, de Jaime Nogueira Pinto

Memória política

(reedição A Esfera dos Livros, 5.ª ed, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 23.11.16

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Orfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes

Teatro

(edição Companhia das Letras, 2016)

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