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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 23.07.17

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 Como Pode Fernando Pessoa Mudar a Sua Vidade Carlos Pitella e Jerónimo Pizarro

Lições de vida e poesia

(edição Tinta da China, 2017)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 22.07.17

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 Respirede Rebecca Dennis

Tradução de Natália Fortunato

Auto-ajuda

(edição Arena, 2017)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 21.07.17

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 Enigma - História de uma Mudança de Sexo, de Jan Morris

Tradução de Paulo Faria

Memória

(edição Tinta da China, 2017)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 20.07.17

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 Filhos da América, de Nélida Piñon

Crónicas literárias

(edição Temas e Debates, 2017)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 19.07.17

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 Terra dos Homens, de Antoine de Saint-Exupéry

Tradução de Nuno Lobo Salgueiro

Narrativa autobiográfica

(reedição Nova Vega, 2.ª ed, 2015)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 18.07.17

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 Nota Sobre a Supressão Geral dos Partidos Políticos, de Simone Weil

Prefácio de Júlio Henriques

Tradução de Manuel de Freitas

Ensaio

(edição Antígona, 2017)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 17.07.17

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 A Casa das Tias, de Cristina Almeida Serôdio

Romance

(edição Teorema, 2017)

"A autora escreve de acordo com a ortografia anterior ao Novo Acordo"

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 16.07.17

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 Poemas Quotidianosde António Reis

Prefácio de Fernando J. B. Martinho e posfácio de Joaquim Sapinho

(reedição Tinta da China, 2017)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 15.07.17

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 Debaixo da Pele, de David Machado

Romance

(edição D. Quixote, 2017)

"Este livro segue a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico de 1990"

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 14.07.17

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 Republicanos, Anarquistas e Comunistas no Exílio (1927-1936),

de Cristina Clímaco

História

Prémio Fundação Mário Soares

(edição Colibri, 2017)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 13.07.17

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 A Grande Epopeia dos Judeus no Século XX, de Esther Mucznik

História

(edição A Esfera dos Livros, 2017)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 12.07.17

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 A História da Minha Mulher, de Milán Füst

Introdução e tradução de Ernesto Rodrigues

Romance

(edição Cavalo de Ferro, 2017)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 11.07.17

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 A Maldição do Dinheiro, de Kenneth S. Rogoff

Economia

Tradução de José Santana Pereira

(edição Gradiva, 2017)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 10.07.17

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 Manifesto Contra o Trabalho, obra colectiva do Grupo Krisis

Tradução de José Paulo Vaz

(edição Antígona, 2017)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 09.07.17

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 Ir é o Melhor Remédio - Algarve, de Teresa Conceição

Roteiros de lazer

(edição Guerra & Paz, 2017)

"A presente edição não segue a grafia do novo Acordo Ortográfico"

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 08.07.17

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 A Ameaça Vermelha, de Alberto Gonçalves

Crónicas

(edição Matéria-Prima, 2017)

"Por indicação expressa do autor, o livro segue a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico"

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 07.07.17

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 Cartas de Amor e Guerra, de Mikhail Chichkin

Tradução de António Pescada

Romance

(edição Ítaca, 2017)

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 06.07.17

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 O Casamento, de Nelson Rodrigues

Romance

(edição Tinta da China, 2017)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 05.07.17

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 Carol, de Patricia Highsmith

Tradução de Ana Luísa Amaral

Romance

(edição Relógio d' Água, 2015)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 04.07.17

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O Selvagem da Ópera, de Rubem Fonseca

Romance

(edição Sextante, 2015)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 03.07.17

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Nem Todas as Baleias Voam, de Afonso Cruz

Romance

(edição Companhia das Letras, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 02.07.17

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O Meu Amor Existe, de Margarida Rebelo Pinto

Diário

(edição Clube do Autor, 2016)

"Por vontade expressa da autora, a presente edição não segue as regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990"

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 01.07.17

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Diário de um Dromedário, de Paulo Abrunhosa

Prefácio de Rui Moreira

Posfácios de Paulo Anciães Monteiro e Pedro Abrunhosa

Poemas e epigramas

(reedição Contraponto, 2017)

"A pedido dos herdeiros do autor, esta edição não segue a grafia do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa"

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.06.17

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A Máquina de Fazer Espanhóis, de Valter Hugo Mãe

Prefácio de Caetano Veloso

Romance

(reedição Porto Editora, 19.ª ed, 2017)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.06.17

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Todos os Dias Morrem Deuses, de António Tavares

Romance

(edição D. Quixote, 2017)

"Este livro segue a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico de 1990"

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.06.17

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O Juiz, de Inês David Bastos e Raquel Lito

Biografia de Carlos Alexandre

(edição Planeta, 2017)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.06.17

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A Profecia de João XXIII, de Paulo Loução

Romance

(edição Eranos, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.06.17

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A Guerra Civil em Angola 1975-2002, de Justin Pearce

Prefácio de Rafael Marques

História

(edição Tinta da China, 2017)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 25.06.17

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O Inspector da PIDE que morreu duas vezes, de Gonçalo Pereira Rosa

Prefácio de Francisco Pinto Balsemão

Histórias do jornalismo português

(edição Planeta, 2017)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 24.06.17

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Tarass Bulba - O Cossaco, de Nikolai Gogol

Tradução de Maria Vassilieva e Larissa Shotropa

Conto e novela

(edição E-primatur, 2017)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 23.06.17

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Música para Água Ardente, de Charles Bukowski

Tradução de Rita Carvalho e Guerra

Contos

(edição Antígona, 2015)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 22.06.17

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O Judeu, de Camilo Castelo Branco

Romance

(reedição E-primatur, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 21.06.17

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O Castelo, de Franz Kafka

Tradução de Isabel Castro Silva

Romance

(reedição Ítaca, 2017)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 20.06.17

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A Forma das Ruínas, de Juan Gabriel Vásquez

Tradução de Vasco Gato

Romance

(edição Alfaguara, 2017)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 19.06.17

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     Viagem ao Sonho Americano, de Isabel Lucas

Reportagem literária

(Edição Companhia das Letras, 2017)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 18.06.17

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     Apocalipse, de João de Patmos e D. H. Lawrence

Tradução de Helder Guégués e Diogo Ourique

Religião

(Edição Guerra & Paz, 2017)

"A presente edição não segue a grafia do novo Acordo Ortográfico"

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 17.06.17

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     Primeiro as Senhoras, de Mário Zambujal

Novela

(Reedição Clube do Autor, 6.ª ed, 2017)

"Por vontade exclusiva do autor, a presente edição não segue as regras do Acordo Ortográfico de 1990"

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De Volta dos Livros

por Francisca Prieto, em 16.06.17

Bloomsday é o único feriado literário do mundo. Celebra-se na Irlanda, no dia 16 de Junho, que é o dia do ano que James Joyce escolheu para o desenrolar da narrativa da sua obra Ulisses. A história, famosa por se passar num só dia, segue a vida e os pensamentos de Leopold Bloom das 8 da manhã do dia 16 de Junho de 1904, até à madrugada do dia seguinte.

As celebrações tomam várias formas, desde representações de cenas do livro com roupas da época, leituras, palestras, visitas a lugares referenciados na história ou até mesmo a reprodução do pequeno almoço que Leopold Bloom tomou na manhã de 16 de Junho. Inclui fígado e rins, juntamente com outros ingredientes típicos de um pequeno almoço irlandês frito.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 16.06.17

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    Jornada de África, de Manuel Alegre

Romance

(Reedição D. Quixote, 4.ª ed, 2017)

"Esta edição segue a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico"

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De Volta dos Livros

por Francisca Prieto, em 15.06.17

Definição de Clássico, por Alan Bennett:



"a book everyone is assumed to have read and often thinks they have".

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 15.06.17

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    Os Papas em Portugal, de Ana Cristina Câmara

Bastidores das viagens dos pontífices

(Edição Parsifal, 2017)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 14.06.17

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Lx80 - Lisboa Entra numa Nova Era, de Joana Stichini Vilela e Pedro Fernandes

Memória

(edição D. Quixote, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 13.06.17

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  Santo António, de António Eça de Queiroz

Biografia

(Edição Guerra & Paz, 2015)

"A presente edição não segue a grafia do novo Acordo Ortográfico"

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 12.06.17

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Obra Poética, Volume I, de Ruy Cinatti

Organização de Luís Manuel Gaspar

Prefácio de Joana Matos Farias

(edição Assírio & Alvim, 2016)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 11.06.17

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Tabacaria, de Álvaro de Campos

Poesia

(reedição Guerra & Paz, 2016)

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Dez livros para comprar na Feira

por Pedro Correia, em 10.06.17

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 Livro dez: Santos e Milagres, de Alexandre Borges

Edição Casa das Letras, 2017

287 páginas

 

De múltiplas histórias é feita a História. Para transmiti-las aos contemporâneos não basta o domínios dos factos: é também fundamental ter o dom da narração e um perfeito conhecimento deste nosso idioma, sedimentado ao longo de séculos. Importa ainda revelar alguma adesão emocional ao tema que se aborda, característica sem a qual a narração se torna árida e estéril.

Alexandre Borges – investigador, argumentista, licenciado em Filosofia – supera com distinção todas as provas atrás descritas neste seu mais recente livro, Santos e Milagres. Uma obra que, logo na capa, assume perante os leitores o solene compromisso de lhes proporcionar “uma história portuguesa de Deus”. E cumpre a promessa: aqui desfilam figuras em destaque ao longo de vinte séculos de cristianismo – todas de algum modo ligadas a este pedaço de chão no recanto mais ocidental da Europa hoje chamado Portugal, que só ascendeu à independência devido à íntima ligação entre o trono e o altar. Um elo que sempre nos serviu de senha de identidade.

Por estas páginas passam remotos protagonistas, alguns provavelmente mais lenda que facto: São Manços, São Torpes, São Vítor, São Vicente (hoje padroeiro da diocese de Lisboa), São Martinho de Dume, São Frutuoso, Santa Senhorinha, São Geraldo. Não faltam os santos nascidos ou radicados neste reino já independente: Santo António, a Rainha Santa Isabel, o Santo Condestável. Sem esquecer São Teotónio, conselheiro espiritual de D. Afonso Henriques: “Se um foi o primeiro rei de Portugal, o outro foi o primeiro santo. Nasceram portucalenses, morreram portugueses. Poder temporal e poder espiritual. A espada e a cruz que fundaram um dos mais antigos estados-nação do mundo.”

Dos últimos séculos, destacam-se São João de Deus, São Gonçalo Garcia (luso-indiano mártir em Nagasáqui), São João de Brito e – no capítulo final, intitulado “O Tempo de Agora” – os videntes de Fátima, dois dos quais acabam de ser elevados aos altares pelo Papa Francisco.

É um livro que sente o que descreve – e de poucos podemos hoje garantir o mesmo de forma tão categórica. Sem intuitos de catequização ou proselitismo. Dirigindo-se em simultâneo a leitores que acreditam ou duvidam, como fica evidente nas seguintes palavras do capítulo final que bem podiam aplicar-se a quem procurar esta obra: “Fátima não é dogma de fé. Muitos católicos não acreditam em Fátima – e muitos não católicos acreditam em Fátima. (…) Visitam o santuário todos os anos cinco milhões de peregrinos, oriundos de toda a parte. Católicos e de outras confissões. Crentes e ateus. Só cada um deles sabe o que o traz ali.”

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Dez livros para comprar na Feira

por Pedro Correia, em 09.06.17

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 Livro nove: Ao Largo da Vida, de Rainer Maria Rilke

Tradução de Isabel Castro Silva

Edição Ítaca, 2017

117 páginas

 

O que mais impressiona nesta obra de estreia em prosa do grande escritor de expressão germânica nascido no Império Austro-Húngaro é a plena maturidade do seu conteúdo, dado à estampa em 1898, quando o autor mal completara 22 anos. Ao Largo da Vida – pequeno volume de “novelas e esboços” em que apenas um dos textos se poderá considerar novela e os restantes são contos, aliás magníficos – propicia-nos personagens confrontadas com a dor, a doença, o luto, a velhice e a morte. Temas que se esperariam de um livro redigido por alguém com uma idade bastante mais avançada.

Seria talvez a sua sensibilidade poética a falar por ele: Rainer Maria Rilke foi acima de tudo um poeta, mesmo quando escrevia em prosa, como esta obra até agora inédita no mercado editorial português bem demonstra. De resto, a tradução merece elogio por respeitar o mais possível a musicalidade da escrita – sempre complexa, por mais simples que pareça.

Diz-se que o poeta não só sente: também pressente. Pressentiria o ainda tão jovem Rilke – falecido em 1926, com apenas 51 anos – que metade da sua vida estava já quase cumprida no momento em que escrevia estes “esboços” marcados por uma mágoa tão serena e luminosa?

A pergunta faz sentido ao lermos Festa em Família, onde somos introduzidos numa velha casa onde quase todas as cadeiras estão associadas a um óbito. Ou ao conhecermos a amargura de uma mãe servindo talvez a última chávena de chá ao filho acamado devido a uma grave doença cardíaca. Ou ao acompanharmos a revolta interior de um jovem de pernas paralisadas que passa os seus dias a talhar imagens da Virgem Maria com o rosto de uma inacessível mulher terrena. Ou ao lermos esse conto simplesmente intitulado O Menino Jesus que é uma das mais ternas, tristes e tocantes histórias de Natal que jamais alguém escreveu.

A melhor homenagem que pode prestar-se a este livro é considerá-lo uma via de comunicação directa com a poesia de Rilke. Aliás podiam servir-lhe de epígrafe estes versos dele que Jorge de Sena tão bem transpôs para português: “Que fazes tu, poeta? Diz! — Eu canto. / Mas o mortal e monstruoso espanto / Como o suportas? — Canto. / E o que nome não tem, tu podes tanto / Que o possas nomear, poeta? — Canto.”

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Dez livros para comprar na Feira

por Pedro Correia, em 08.06.17

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 Livro oito: Prantos, Amores e Outros Desvarios, de Teolinda Gersão

Edição Porto Editora, 2016

140 páginas

 

O conto volta a estar na moda entre nós? Se for assim, todos quantos apreciamos este género literário devemos congratular-nos. A satisfação redobra ao verificarmos que esta aposta das editoras distingue obras de indiscutível qualidade. Falei de uma há dias, falo desta hoje. São 14 histórias em que Teolinda Gersão se confirma como uma exímia cultora da ficção em formato curto. Sem uma palavra em excesso, com pleno domínio da técnica da escrita e uma gama larga de registos estilísticos que nunca deixa de surpreender o leitor.

“O que Teolinda faz é escrever a vida”, sublinha Maria Alzira Seixo, leitora atenta desta ficcionista que se estreou em 1981 com a publicação do romance O Silêncio, logo distinguido com o Prémio do Pen Club. É uma síntese certeira desta obra que nunca se compraz com a excelência formal ou o culto narcísico de quem tão bem domina o idioma: a prosa de Teolinda Gersão faz questão de nos conduzir a temas e variações da natureza humana, confrontando-nos com situações emblemáticas da nossa fragilidade existencial. Situações quase sem referências cronológicas ou geográficas, como se pudessem ocorrer em qualquer lugar e em épocas imprecisas das últimas décadas, despojadas de afectos na razão inversa da acumulação de bens materiais.

Alguns destes contos são autênticas peças de filigrana. “O Meu Semelhante” – delicioso preâmbulo à luta de classes num condomínio fechado, repassado de terna ironia. “Uma Tarde de Verão” – reencontro entre dois antigos amantes confrontados com a irreversível erosão do tempo no mesmo cenário de outrora. “As mimosas” – magoado exercício de nostalgia, com as flores simbolizando a frágil e fugaz matéria de que são feitos os sonhos. Ou a magistral autenticidade que emana de histórias escritas na primeira pessoa do singular, como “Pranto da Mãe Mentirosa” e “A Mulher Cabra e a Mulher Peixe”.

"É tudo um equívoco, nunca deixamos de estar sós. A vida não é fácil, nem feliz." Palavras de uma personagem que Teolinda aqui nos traz. Podemos escutar nela os ecos mais profundos da nossa própria voz.

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Dez livros para comprar na Feira

por Pedro Correia, em 07.06.17

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 Livro sete: 1933 Foi um Mau Ano, de John Fante

Tradução de José Remelhe

Edição Alfaguara, 2017

109 páginas

 

1933 foi o ano da subida de Hitler ao poder na Alemanha. Foi também o ano em que os Estados Unidos mergulharam ainda mais fundo na Grande Depressão, responsável por atirar milhões de americanos para o desemprego.

Um péssimo ano, portanto.

É o ano a que John Fante (1909-1983) regressa em pensamento quase meio século depois, lembrando a penúria vivida no Colorado, numa família de imigrantes oriundos da aldeia italiana de Torricella Peligna, situada nos confins do Abruzzo. O texto póstumo agora editado em português pela Alfaguara destinava-se aparentemente a um romance de grande fôlego, para sempre interrompido por grave doença do escritor. Fante, cego desde 1978, ocupou os últimos anos a ditar textos à mulher – incluindo este, impresso dois anos após o seu falecimento.

Nunca saberemos como seria esse romance que só ficou em projecto. Mas enquanto leitores teremos ganho com a troca: esta é uma excelente novela situada numa América de chocantes assimetrias sociais, com a pobreza a resvalar em ondas convulsas para a miséria.

É uma novela profundamente autobiográfica. Sem mudar o nome da aldeia de origem da família do protagonista – Dominic Molise, alter ego do autor – nem alterar a profissão do pai, um pedreiro que a depressão condenou à inactividade e procurava sustentar a mulher, a mãe viúva e os filhos com apostas numa mesa de bilhar. Dominic, o mais velho dos quatro irmãos, está prestes a fazer 18 anos e sonha ser um astro do basebol na Califórnia, imitando um Babe Ruth ou um Lou Gehrig.

“Sonhadores, éramos uma casa de sonhadores. A Avó sonhava com a sua casa na longínqua Abruzzi. O meu pai sonhava com não ter dívidas e assentar tijolo com o filho ao seu lado. A minha mãe sonhava com a sua recomensa divina: um marido feliz que não fugisse. A minha irmã Clara sonhava em tornar-se freira e o meu irmãozinho Frederick mal podia esperar para crescer e tornar-se um cowboy. Quando fechei os olhos, consegui ouvir o zumbido de sonhos que percorriam a casa, e então adormeci.”

Uma escrita exemplar, sugestiva e comovente do princípio ao fim.

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O segredo da simplicidade

por Sérgio de Almeida Correia, em 07.06.17

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"Ninguém é imune aos efeitos do poder, ninguém! Isso é doença da juventude que o tempo cura. Quem resiste ao canto de sereia do poder é porque não se aproximou dele o suficiente para o ouvir com clareza"

 

"O poder é mal compreendido, amigo Vieira. As pessoas acham que os homens só se vendem por um poder superlativo, o dos grandes estadistas, das celebridades, quando a maioria não resiste sequer à oportunidade de ser sádico por uns instantes. Ter alguém à nossa mercê. Consegue imaginar o que isto representa para quem nunca teve nada, pessoas incapazes de se furtarem  através da imaginação, do sonho, à sua realidade miserável? Homens que não conhecem o amor, a entrega ao outro, a cedência voluntária do domínio? "

 

Há uns meses, na sequência de um evento em que participei, tive o ensejo de poder conhecer e conversar com o autor. Na altura, por múltiplas razões que não vêm ao caso, ainda não tinha podido pôr os olhos sobre o seu último trabalho, o que me deixou relativamente constrangido nesse encontro. Dar de caras com o autor num evento literário, com ele tomar uma refeição e nada ter para comentar sobre o seu livro porque ainda não se leu, é sempre um momento de angústia para leitor que se preze.

Nas últimas semanas pude corrigir essa lacuna, depois de uma breve mas gratificante viagem pelo paraíso para onde o Bruno me conduziu. Não tenho a pretensão do majestático porque se muitos olhos leram o mesmo, poucos seguem o mesmo percurso. É como quando seguimos sentados à janela de um comboio: quem vai atrás de mim ou está sentado no banco imediatamente à minha frente dificilmente verá o que eu vejo. E fá-lo-á sempre com outros olhos. As linhas que conduzem os meus olhos podem convergir por momentos com as que chegam de outros, mas cada uma segue depois o seu caminho. E nunca se interceptam.

Com a leitura passa-se igual fenómeno. A beleza dos grandes espaços, a profundidade de uma vista desafogada, a lavagem do espírito pela leitura está na facilidade com que se alcança a distância vendo-se tudo com olhos de ver. E, no entanto, aquilo que vejo e construo é tão irrepetível quanto o tempo. Quando a leitura se perde na generosidade da escrita, fluindo página a página, entre imagens e pensamentos, por simples factos, reflectindo episódios da vida de todos os dias, personagens que de uma forma ou de outra sempre povoam a infância, ou podiam ter povoado, noutro lugar e noutro tempo, então existe um denominador comum, aquele que marcará sempre a diferença entre o bom e o menos bom, entre o que me acolhe e me conforta e aquilo que me afasta de um livro ou de um autor. Refiro-me à simplicidade, verdadeiro segredo da grandeza de um texto, da construção de um poema, da perenidade de um livro.

Nunca estive em Novo Redondo. Nunca estarei em Novo Redondo. Novo Redondo já não existe. Existe um outro lugar no tempo presente. E apesar de tudo fui a Novo Redondo. Há um lugar que foi Novo Redondo, há o Barreiro, como há o 27 de Maio em Luanda, toda aquela gente, o BMX (sempre sonhei ter uma), a família complicada, de "hierarquias confusas, obediências, silêncios, recriminações", como há outros espaços de deambulação na escrita do autor, que de repente me recordo de ter percorrido com ele, espaços onde "o sentido vertebral do dever" se confunde com a galhofa e a amizade cimentada pelo pontapés numa bola e os momentos de recolhimento perante a imagem perturbadora de uma "labareda de alegria e vivacidade".

Até quando descia a alameda da minha faculdade e percorria iguais caminhos, sentando-me nos mesmos cafés, discutindo os filmes de sempre, entre humor e risos, enquanto saboreava a imperial. Na passagem pelos arquivos, na reconstituição do percurso processual do João Jorge, na via-sacra das secretarias judiciais, onde o papel se confunde com o pó, até ao reencontro com o ofício que a Anabela, reproduzindo umas das mais vergonhosas expressões da nossa burocracia, que se repete exaustivamente nas mais diversas circunstâncias sem que quem a utilize se dê conta da sua falta de sentido, pirosismo e incorrecção ("somos a informar"), comunica a localização do processo.

Como escreve o Bruno, quando se sabe que "[c]ada homem está pendurado num fio", quando se tem a consciência de que "o abismo pode abrir-se por baixo dele a qualquer momento" e, muitas vezes, só numa morgue é que um cidadão como o João Jorge pode, enfim, recuperar a dignidade, acaba por ser reconfortante sentir, porque de um sentimento se trata, que "a memória é um bem dos poderosos". E este torna-se o valor mais importante do livro, a sua taluda. Uma taluda ao alcance de qualquer um e que se completa com o rigor de uma escrita simples, directa, cristalina, em português "pré-acordo" e com a chancela da Quetzal.

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