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Leituras

por Pedro Correia, em 19.03.17

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«As sociedades que não conseguiram adaptar-se aos desafios que enfrentam acabaram por se desmoronar. O planeta está repleto de monumentos a sistemas políticos que desapareceram deixando apenas para trás as suas relíquias. O Parténon em Atenas é um testamento à glória passada da antiga democracia ateniense, que floresceu durante duzentos anos e depois morreu às mãos de Filipe da Macedónia e do seu filho Alexandre, o Grande.»

David RuncimanPolítica (2014), p. 180

Ed. Objectiva, Lisboa, 2016. Tradução de Paulo Ramos

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O livro que não nos deixa mentir

por Pedro Correia, em 16.03.17

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 Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Gonçalves em 1975

 

A História é feita de grandes e pequenos homens. E também é feita de pequenas e grandes frases. Do "Alea jacta est", de Júlio César, ao "Nunca nos renderemos", de Churchill. Sem esquecer o incentivo que em 1640 D. Luísa de Gusmão terá deixado ao marido, o futuro D. João IV, para se unir aos conjurados: “Melhor morrer reinando do que viver servindo.”

Este livro traz-nos uma sugestiva panorâmica da história recente de Portugal, condensada em cerca de 1500 frases proferidas por protagonistas vários desde 1973 até ao final do ano passado. O título diz logo ao que vem: são “43 anos e seis meses de má política”.

É um título controverso, reconheça-se. Porque no fundo aqui nem tudo é mau. E a todo o momento somos confrontados com este paradoxo: temos excelentes frases de péssimos políticos e medíocres declarações de políticos que se notabilizaram por serem mais aptos a mostrar obra do que a falar.

 

Por opção editorial, o livro começa por recolher declarações registadas nos últimos meses do chamado Estado Novo, em 1973. Foi uma decisão acertada, para que se perceba bem como ao longo dos últimos 43 anos tivemos três países muito diferentes, com reflexos inevitáveis no discurso político.

Refiro-me ao país da ditadura, ao país da revolução e ao país da chamada “normalidade democrática”. Que é – felizmente – aquele em que vivemos agora.

 

O país mais antigo era o da censura oficial e o da supressão das liberdades.

Um país repleto de retórica balofa e vazia, muito adjectivada, cheia de gongorismos e salamaleques.

Um país com um chefe do Governo que chamava “conversa” ao monólogo.

Um país com um Presidente da República que no discurso do Ano Novo de 1974 declarou o seguinte: “Com o galopar incessante do tempo, vai encurtando a distância que separa a Humanidade do século XXI, vai ficando cada vez mais distanciado o século XIX e vão sucessivamente desaparecendo da vida aqueles que nele nasceram.”

La Palice não diria melhor…

 

Seguiu-se o país da erupção da liberdade logo ameaçada pelos delírios revolucionários com a sua linguagem de recorte bélico, cheia de verbos como “lutar”, “esmagar” e até “matar”. Este é um período interessantíssimo – para mim o mais fascinante de toda a obra, e não por acaso preenchendo quase um terço do livro.

Um período que exigiu certamente do organizador, Luís Naves, uma exaustiva investigação para apurar com exactidão e rigor quem disse o quê, à margem do boato que com o passar dos anos tantas vezes se torna lenda.

E, sim, é verdade que Otelo Saraiva de Carvalho disse mesmo que talvez tivesse sido melhor “encostar à parede ou mandar para o Campo Pequeno umas centenas ou uns milhares de contra-revolucionários, eliminando-os à nascença”.

Este Robespierre de trazer por casa, quando afirmou isto em Junho de 1975, era o chefe da mais poderosa força armada em Portugal. Por sinal o mesmo Otelo que em Abril de 2011, tendo o frenesim extremista já só como recordação, declarou alto e bom som: “Se soubesse como o País ia ficar, não fazia a revolução.”

 

Eram tempos irrepetíveis.

Tempos em que a Intersindical – com o Partido Comunista no Governo – espalhava a palavra de ordem “Não à greve pela greve”.

Tempos em que o futuro secretário-geral do PCP, Carlos Carvalhas, então secretário de Estado do Trabalho, considerava “verdadeiramente revolucionário” que os portugueses trabalhassem no feriado do 10 de Junho.

Tempos em que o primeiro-ministro pró-comunista Vasco Gonçalves anunciava a intenção de mandar “uma quantidade de gente para um campo de trabalho”.

 

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Não tenho a menor dúvida: este livro será a partir de agora um precioso auxiliar para quem escreve nos jornais, para quem fala nas televisões e nas rádios. Jornalistas, comentadores e decisores políticos, por exemplo, passarão a tê-lo à cabeceira ou na secretária de trabalho.

Andamos bem carecidos de obras como esta, que nos estimulem e revigorem a memória nestes dias da “pós-verdade”, onde milhares de pseudo-sábios garantem não existir qualquer diferença entre facto e treta.

43 Anos e 6 Meses de Má Política é neste aspecto – e muito bem – um livro que rema contra a corrente. Porque se ancora no facto e despreza a treta. Uma triagem que só se tornou possível graças ao olhar atento de um jornalista experiente, habituado a separar as águas, destacando aquilo que realmente se disse ou se escreveu sem dar guarida a mitos, por mais plausíveis que parecessem.

Um exemplo: a célebre frase “Nunca me engano e raramente tenho dúvidas”, atribuída há décadas a Cavaco Silva, afinal é de autor anónimo. Não há registo de que alguma vez Cavaco a tenha proferido.

 

Mas muitas outras aqui desfilam, devidamente comprovadas. Lembrarei algumas, que acabaram por integrar-se na linguagem comum, muito para lá do contexto em que nasceram. "Olhe que não, olhe que não", disse Álvaro Cunhal em 1975. "É só fumaça, o povo é sereno", bradou no mesmo ano Pinheiro de Azevedo, autor de outra frase que tem sido muito citada nas últimas semanas e que talvez por uma questão de decoro não vem incluída nesta antologia.

Esta obra não esquece a “luz ao fundo do túnel” invocada por Mário Soares em 1978 quando solicitou ao FMI o primeiro auxílio de emergência financeira da democracia portuguesa. Nem a necessidade de "apertar o cinto", mencionada também por Soares, em 1984, quando o País estava novamente sob assistência externa. Nem o desbragado optimismo do ministro Braga de Macedo, ministro das Finanças de Cavaco, quando em 1992 anunciou que "Portugal é um oásis".  Ou a platónica garantia dada em inglês pelo recém-empossado primeiro-ministro António Guterres em 1995: "No jobs for the boys." E o que dizer do optimismo socrático do ministro Manuel Pinho ao proclamar urbi et orbi em Outubro de 2006: "A crise acabou"?

 

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Uma segunda edição permitirá certamente colmatar algumas lacunas – poucas – que registei numa leitura atenta.

"Soares é fixe",  que serviu de lema central à vitoriosa campanha presidencial de 1986.

"Esse é um assunto tabu", frase de Cavaco proferida em Outubro de 1994, deixando em aberto o seu futuro como líder do PSD e chefe do Governo. O tabu só seria desfeito só na Primavera seguinte.

Ou a deliciosa rendição de Manuela Ferreira Leite ao diktat de Bruxelas e Berlim: “Quem manda é quem paga.” Isto em Novembro de 2010, quando liderava o PSD e ainda não subscrevia abaixo-assinados para a renegociação da nossa dívida externa, de braço dado com Francisco Louçã.

 

O autor merece parabéns pela quantidade e qualidade do trabalho produzido. Muito mais do que um copioso registo de frases, estamos perante um precioso documento que nos ajuda a perceber melhor quem ao longo de vários ciclos políticos honrou a palavra dada e quem andou a vender gato por lebre.

 

E por falar em previsões, aqui destaco três, igualmente incluídas nestes 43 Anos e 6 Meses de Má Política:

"Vou liderar o PSD nos próximos dez anos", declarou Durão Barroso em Agosto de 1999. Como sabemos, não aguentou sequer metade desse tempo: em Junho de 2002 despediu-se apressadamente da pátria, rumando à presidência da Comissão Europeia sem olhar para trás.

"A minha maior ambição política é não ter ambição nenhuma", assegurou em Outubro de 2003 o actual Presidente da República. Caso para questionarmos onde estaria neste momento o Chefe do Estado se alimentasse alguma ambição…

"Portugal não necessita de nenhuma assistência financeira", afiançou em Janeiro de 2011 o primeiro-ministro José Sócrates. Três meses antes de fazer um apelo quase desesperado às instituições financeiras internacionais para salvarem as nossas contas públicas.

 

Vistas à distância, já quase extinto o calor da polémica, frases como estas ganham um importante carácter documental: deixam de mobilizar o jornalista, passam a interpelar o historiador.

Desde logo porque de previsões falhadas também reza a história. Aqui estão elas, plasmadas neste livro que não nos deixa mentir.

 

Texto que, com pequenas alterações, li ontem na sessão de apresentação do livro, em Lisboa.

 

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43 Anos e 6 Meses de Má Política, de Luís Naves (Contraponto, 2017). 355 páginas.
Classificação: ****

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Leituras

por Pedro Correia, em 26.02.17

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«Aquele que desespera dos acontecimentos é um cobarde, mas aquele que tem esperança na condição humana é um louco

Albert CamusCadernos II (1964), p. 98

Ed. Livros do Brasil. Tradução de António Quadros. Colecção Miniatura, n.º 162

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Leituras

por Pedro Correia, em 07.02.17

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«A vida é uma sombra que caminha; pobre actor que em pleno palco breve instante se contorce e pavoneia, para nunca mais se ouvir; é uma história contada por um parvo, toda ela som e fúria, mas que nada significa

William ShakespeareMacbeth (1623), p. 128

Ed. Relógio d' Água, Lisboa, 2016. Tradução de José Miguel Silva. Colecção Clássicos para Leitores de Hoje, nº. 10

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Leituras

por Pedro Correia, em 05.02.17

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«A presença da Caixa nos mais variados negócios é o espelho das escolhas de sucessivos governos. "O Governo mandava e a Caixa fazia, não tinha outro remédio", diz quem acompanhou o caso. Os negócios mais ruinosos aconteceram no consulado de José Sócrates, que levou os níveis de utilização da Caixa pelo Governo até ao limite. Porque a história do uso e abuso do banco público começa antes.

Além de participações em grandes empresas, que depois eram dadas como sendo privadas, a CGD financiou guerras entre accionistas no BCP, entrou na promoção imobiliária e nas parcerias público-privadas (PPP), lançou-se sozinha no projecto industrial de La Seda, agora falido, e enveredou - na sua área de negócio - por uma expansão ruinosa em Espanha. Isto se os números do banco no país vizinho reflectirem apenas o que lá se passa, o que não merece consenso.

Os empresários e banqueiros tinham na CGD a ferramenta para serem "donos" de empresas quase sem dinheiro. O dinheiro dos depositantes da Caixa entrava nas empresas como capital e como crédito. Para os governos, era uma maneira de controlar os empresários e banqueiros e de prosseguirem as suas estratégias de poder.»

Helena GarridoA Vida e a Morte dos Nossos Bancos, p. 159

Ed. Contraponto, Lisboa, 2016

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Leituras

por Pedro Correia, em 29.01.17

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«Raramente se morre por se ter perdido alguém. Creio que se morre mais frequentemente por alguém que não se teve.»

ColetteGigi (1944), p. 138

Ed. A Sangue Frio, Lisboa, 2012. Tradução de José Saramago

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Leituras

por Pedro Correia, em 21.01.17

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«O homem nasce da mulher e tem / Vida breve. No meio do caminho / Morre o homem nascido da mulher / Que morre para que o homem tenha vida. / A vida é curta, o amor é curto. Só / A morte é que é comprida..

Vinicius de MoraesOrfeu da Conceição (1967), p. 52

Ed. Companhia das Letras, Lisboa, 2016

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Leituras para 2017

por Pedro Correia, em 14.01.17

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Não deixes tudo ao sabor do acaso. Organiza um plano de leitura. Abdica de parte do tempo diário que dedicas a um sem-fim de futilidades. Não espreites mais vídeos de gatinhos nem repliques graçolas alarves nas “redes sociais”. Imagina 2017, no plano cultural, como uma montanha que ambicionas escalar e não como uma ladeira que vais descer.

Elege elevação como palavra de ordem. E nunca esqueças que a leitura será sempre a tua maior aliada neste caminho.

 

Põe de lado uns quantos livros que pretender ler. Coloca-os num lugar acessível, de modo a que consigas espreitar-lhes as capas a todo o momento. Estarão ali, chamando por ti, manhã após manhã, semana após semana.

Canaliza meia hora, todos os dias, do precioso tempo que gastas com aquilo que não interessa para mergulhares numa primeira leitura. Se ela te prender, a meia hora irá ampliar-se quase sem dares por isso. Mas convence-te que terás de concentrar-te nessa meta. Nada se alcança sem um esforço mínimo.

Não escutes aqueles que escutas há anos nas televisões papagueando as mesmas coisas: antes de abrirem a boca já sabes o que irão dizer. Deixa o telemóvel noutra divisão, mostra-lhe que és tu a mandar nele e não ele a dispor de ti. Não caias na tentação de trocar amizades reais por amizades virtuais.

Pensa num livro como um amigo real, disponível a todos os momentos e capaz de te acompanhar nos melhores percursos – aqueles que te abrem horizontes, aqueles que são capazes de fazer de ti uma pessoa com mais cultura, com maior conhecimento, com melhor capacidade de entender os mistérios da vida e desvendar os enigmas do mundo.

 

Organiza uma lista de leituras. Eu já fiz isso, nos primeiros dias do ano. Tenho estes livros à cabeceira, desafiando-me a todo o momento para ir ao encontro deles: O Agente Secreto, de Joseph Conrad, A Cidade e os Cães, de Mario Vargas Llosa, San Camilo, 1936, de Camilo José Cela, O Tio Goriot, de Honoré de Balzac, Batalha Incerta, de John Steinbeck, Revolta na Bounty, de John Barrow, Desconhecidos, de Anita Brookner, O Mundo de Fora, de Jorge Franco, Sartoris, de William Faulkner, Manhattan Transfer, de John dos Passos.

Diz para ti próprio: vou ler mais em 2017. E põe em prática este objectivo. Verás que se concretiza: basta saberes organizar melhor o calendário. A vida é feita de escolhas: prescinde de parte do tempo desperdiçado em irrelevâncias e chegarás ao fim com a certeza de teres aproveitado bem o ano.

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Leituras

por Pedro Correia, em 05.01.17

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«Todo o homem possui um pouco de força, um pouco de esperança, um pouco de amor. Estes tesouros são como sementes plantadas no coração de todos os homens. Mas aquele que as guarda para si próprio vê-las-á secar e morrer, e então que Deus se condoa deste pobre homem, pois ele nada tem, e a sua vida não vale a pena ser vivida. Mas, se ele der aos outros um pouco da força, da esperança e do amor que possui, verá que as suas reservas são inesgotáveis e que a vida é digna de ser vivida.»

Howard FastSpartacus (1951), p. 265

Ed. Publicações Europa-América, 1961. Tradução de H. Silva Letra. Colecção Ontem e Sempre, n.º 3

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Oxalá 2017 também seja assim

por Pedro Correia, em 01.01.17

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Longe vão os anos em que devorava livros atrás de livros e conseguia ler mais de setenta em cada ciclo de 12 meses. Mas para 2016 a minha meta concretizou-se, entre leituras e algumas releituras voluntárias ou obrigatórias.

Não contabilizo os livros que deixei a meio, aqueles de que só li uns quantos capítulos para efeitos de algum trabalho que tivesse entre mãos ou aqueles a que retornei por episódica curiosidade de leitor nostálgico em busca de fragmentos de um tempo que já não volta. Foram 48, no total.

Média de quatro por mês, exactamente como tinha previsto.

 

Os romances dominaram - característica que mantenho desde a adolescência. Mas houve também conto, novela, ensaio, memórias, teatro, os policiais de que nunca abdico.

Algumas obras-primas da literatura que há muito constavam da minha lista de prioridades: Júlio César e Macbeth, de Shakespeare; Lolita, de Nabokov; Diário de uma Criada de Quarto, de Octave Mirbeau, Revolutionary Road, de Richard Yates. O fabuloso Spartacus, de Howard Fast. Estimulantes romances já deste século: Telex de Cuba (Rachel Kushner), O Segredo dos Seus Olhos (Eduardo Sacheri), Cartas por um Sonho (Ángeles Doñate). 

Umas quantas boas surpresas (Butterfield 8, de John O'Hara; Forrest Gump, de Winston Groom; Mãe, de Pearl Buck; Duelo ao Sol, de Niven Busch). E outras quantas decepções (Os Homens e os Outros, de Elio Vittorini; O Carteiro de Pablo Neruda, de Antonio Skármeta; Crash, de J. G. Ballard; O Gato e o Rato, de Günter Grass).

 

Foi um ano que me permitiu visitar ou revisitar Kafka, Steinbeck, Camus, Remarque, Vinicius, Chandler, Simenon, Colette, Daphne du Maurier, Oscar Wilde, Rubem Fonseca.

Ou Eça, Lídia Jorge e Manuel Alegre, entre os portugueses.

 

Gostava que 2017 também fosse um ano assim.

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Leituras

por Pedro Correia, em 31.12.16

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«Quando não se pode dizer nada, os olhares carregam-se de palavras.»

Eduardo SacheriO Segredo dos Seus Olhos (2005), p. 121

Ed. Alfaguara, 2016. Tradução de Vasco Gato

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Leituras

por Pedro Correia, em 26.12.16

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«Os homens livres não podem impedir uma guerra, mas quando a guerra sobrevém podem lutar e lutam mesmo depois de derrotados. Já os homens escravos, os homens de rebanho, não podem fazer isto, de modo que são sempre os homens de rebanho que ganham as batalhas e os homens livres que vencem as guerras.»

John SteinbeckNoite Sem Lua (1942), p. 174

Ed. Ulisseia, Lisboa, 1955. Tradução de Pedro M. Figueiredo. Colecção Sucessos Literários, n.º 5

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Leituras

por Pedro Correia, em 23.12.16

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«Nenhum católico abandona Roma sem consequências.»

John O'HaraButterfield 8 (1935), p. 22

Ed. Ulisseia, 1965. Tradução de Daniel Gonçalves. Colecção Série Literária

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Leituras

por Pedro Correia, em 17.12.16

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«Se não se tem religião na Palestina, duvido que se tenha em qualquer outro lugar. Já não me lembro dos tempos em que vivêssemos sem fé. Na verdade, pouco mais temos para nos amparar

Leon UrisExodus (1958), p. 670

Ed. Publicações Europa-América, 1960. Tradução de Maria Leonor Correia de Matos. Colecção Século XX, n.º 35

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Leituras

por Pedro Correia, em 29.11.16

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«Um homem culpado não costuma colocar a corda no seu próprio pescoço

Daphne du MaurierA Pousada da Jamaica (1936), p. 176

Ed. Círculo de Leitores, 1993. Tradução de Eduardo Saló

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Leituras

por Pedro Correia, em 26.11.16

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«Os covardes morrem muitas vezes antes de morrer. O homem de valor só morre uma vez

William ShakespeareJúlio César (1623), p. 73

Ed. Lello Editores, 2007. Tradução de Domingos Ramos

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Leituras

por Pedro Correia, em 12.11.16

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«Nunca vi dinheiro que não fosse sujo nem ricos que não fossem maus

Octave MirbeauDiário de uma Criada de Quarto (1900), p. 33

Ed. Minerva, 1973. Tradução de Adelino dos Santos Rodrigues. Colecção Minerva de Bolso, n.º 20/21

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Leituras

por Pedro Correia, em 05.11.16

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«O Pessimismo é uma teoria bem consoladora para os que sofrem, porque desindividualiza o sofrimento, alarga-o até o tornar uma lei universal, a lei própria da Vida; portanto lhe tira o carácter pungente de uma injustiça especial, cometida contra o sofredor por um destino inimigo e faccioso! Realmente o nosso mal sobretudo nos amarga quando contemplamos ou imaginamos o bem do nosso vizinho - porque nos sentimos escolhidos e destacados para a Infelicidade, podendo, como ele, ter nascido para a Fortuna. Quem se queixaria de ser coxo - se toda a humanidade coxeasse?»

Eça de QueirósA Cidade e as Serras (1901), p. 182

Ed. Bertrand, 2013. Colecção 11x17, n.º 93

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Leituras

por Pedro Correia, em 15.10.16

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"In 1948, normal domestic issues dominated the presidential campaign. Foreign policy did not become a major point because the Republicans did not choose to make it one, for a very good reason. They were very much a part of the existing policies, and more important, they did not think they needed the issue. Out of power for sixteen years, they were now confident, indeed overconfident, of victory; they felt themselves rich in Democratic scandals, and they overestimated the degree of unhapiness in the country. They also underestimated Truman as a political figure."

David Halberstam, The Best and the Brightest (Penguin, 1972)

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Leituras

por Pedro Correia, em 08.10.16
 

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«Muitas pessoas - é preciso que o saiba  - passam a vida a desejar tapetes preciosos e morrem deitadas nas tábuas do soalho.»

Günter GrassO Gato e o Rato (1961), p. 166

Ed. Publicações Europa-América, 1968. Tradução de Carmen Gonzalez. Colecção Nova Literatura, n.º 2

 

 

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Leituras

por Pedro Correia, em 01.10.16

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«Para um homem civilizado, à parte a simples falta animal de comida, a maior necessidade é o contacto com outros homens.»

Joel Townsley Rogers, A Mão Decepada (1945), p. 77

Ed. Livros do Brasil. Tradução de Elisa Lopes Ribeiro. Colecção Vampiro, n.º 85

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Leituras

por Pedro Correia, em 24.09.16

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«Oferecem-me um salário mais alto do que aquilo que ganho actualmente e agora esse passou a ser um aspecto que não posso desprezar. Há uma certa virtude moral em ser-se materialista»

J. G. BallardCrash (1973), p. 105

Ed. Relógio d'Água, Lisboa, 1996. Tradução de Paulo Faria. Colecção Imaginários

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Leituras

por Pedro Correia, em 17.09.16

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«O objectivo de qualquer artista é aprisionar o movimento, que é a vida, por meios artificiais, e retê-lo de modo a que um século mais tarde, quando um estranho olhar para aquilo, aquilo volte a ganhar o movimento da vida. Dado que o homem é mortal, a única imortalidade que lhe é possível é a de deixar atrás de si qualquer coisa de imortal por se manter em movimento.»

William Faulkner, Entrevistas da Paris Review, p. 79
Ed. Tinta da China, 2010. Tradução de Carlos Vaz Marques

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Leituras

por Pedro Correia, em 05.09.16

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«É estranho que o sentido do tacto, tão infinitamente menos valioso para os homens do que o da vista, se torne em certos momentos críticos o nosso principal, se não o único, meio de acesso à realidade

Vladimir NabokovLolita (1955), p. 315

Ed. Teorema/Público, 2003. Colecção Mil Folhas, nº 37. Tradução de Fernanda Pinto Rodrigues

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Leituras

por Pedro Correia, em 27.08.16

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«A pessoa superior não odeia ninguém. O ódio é, em si mesmo, uma emoção corrosiva e a pessoa superior não desce a tal baixeza

Pearl S. BuckAs Kennedys (1970), p. 250

Ed. Minerva, Lisboa, 1971. Tradução de Fernanda Pinto Rodrigues

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Leituras

por Pedro Correia, em 15.08.16

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«Graças a Deus, toda a vida tem um fim. Senão nós não aguentávamos

Patrick MarberCloser-Quase (1997), p. 130

Ed. Relógio d'Água, Lisboa, 2005. Tradução de João Lourenço e Vera San Payo de Lemos. Colecção Imaginários

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Leituras

por Pedro Correia, em 13.08.16

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«Quantos [homens] houve desde a pré-história? Ninguém sabe. O que se pode supor é que, tal como acontece agora, se bateram uns contra os outros, se mataram uns aos outros, que devem ter lutado contra os vizinhos, os grandes cataclismos cósmicos e as epidemias.

No entanto, todos, mais ou menos, pensaram o seguinte:

- O que é o homem? Quem é o meu vizinho?

Hoje em dia, a etnografia anda à procura dos vestígios desses homens de antigamente, que são, afinal, os nossos avós; nos laboratórios do mundo inteiro a biologia tenta conhecer o homem actual.

No entanto, não conhecemos as pessoas que vivem na porta ao lado, as pessoas com quem nos cruzamos diariamente na rua, com quem trabalhamos lado a lado.»

Georges SimenonCarta Para Minha Mãe (1974), pp. 70/71

Ed. Cotovia, Lisboa, 2001. Tradução de Maria Jorge Vilar de Figueiredo

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Leituras

por Pedro Correia, em 11.08.16

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«É possível que a espécie humana tenha nascido com o instinto do agradecimento.»

Lídia JorgePraça de Londres, p. 82

Ed. Dom Quixote, 2008

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Leituras

por Pedro Correia, em 07.08.16

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«Porque é que tudo se altera sempre quando tudo o que nós queremos, tudo o que alguma vez pedimos a Deus, seja lá ele quem for, era que algumas coisas pudessem continuar na mesma?»

Richard YatesRevolutionary Road (1961), p. 208

Ed. Civilização Editora, Porto, 2009. Tradução de Isabel Baptista

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Leituras

por Pedro Correia, em 03.08.16

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«Um homem que cometeu um crime não terá mais que vinte e cinco por cento de escrúpulos em cometer outro.»

Raymond Chandler, A Dama do Lago (1943), p. 154

Ed. Livros do Brasil. Tradução de Ruth Belger. Colecção Vampiro, n.º 135

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A memória é uma vasta ferida

por Pedro Correia, em 24.07.16

 

"Escucho con mis ojos a los muertos

Y vivo en conversación con los difuntos."

Quevedo

 

O Chico cantautor, sem dimensão de prosador, sem estatura para abraçar a chamada ‘grande literatura’, é um lugar-comum que se vai desfazendo de livro para livro. Que começou a desfazer-se logo na obra literária em que se estreou como romancista – Estorvo (1990). Francisco Buarque de Holanda, o Chico que nos seduziu com tantas canções inesquecíveis desde os anos 60, é hoje um escritor de primeiro plano no Brasil. E é mais que isso: tornou-se um dos autores imprescindíveis da literatura contemporânea de expressão portuguesa. As suas qualidades literárias, patentes em títulos como Benjamim (1995) e Budapeste (2003), são ainda mais evidentes no seu quarto romance: Leite Derramado. Uma obra em que Chico Buarque utiliza toda a requintada técnica de escrita que desenvolveu em décadas de autor de canções, aperfeiçoando-a ao máximo. Cada parágrafo, cada frase, cada jogo de palavras têm uma musicalidade perfeita. O autor de Ópera do Malandro domina o idioma como poucos: com ele, a língua portuguesa atinge uma plasticidade única.

 

Leite Derramado fala-nos do drama de uma sociedade de gente surda, em que ninguém tem tempo ou paciência para escutar a voz de um velho cheio de histórias para contar. Esse velho, já centenário, chama-se Eulálio Montenegro d’ Assumpção e cultiva memórias de um Rio de Janeiro que há muito deixou de existir. Descendente de portugueses, é um vulto da aristocracia carioca de outros tempos cuja biografia só confirma uma frase que costumava ouvir em criança na defunta mansão familiar de Copacabana: “Pai rico, filho nobre, neto pobre.”
É um livro de sombras – contrastando com o proverbial sol do Rio – que nos aponta uma verdade essencial: “A memória é uma vasta ferida.” Um livro sulcado por uma magoada nostalgia ao sabor dos contínuos saltos cronológicos da personagem principal – afinal, num certo sentido, personagem única mergulhada em prolongado monólogo que tem o leitor da obra como interlocutor exclusivo. “Se com a idade a gente dá para repetir certas histórias, não é por demência senil, é porque certas histórias não param de acontecer em nós até o fim da vida.”
 
É um livro que nos transporta ao Rio de Machado de Assis, com quem Chico Buarque estabelece um curioso diálogo literário, como sublinhou o crítico brasileiro Heitor Ferraz: tal como em Memórias Póstumas de Brás Cubas, também aqui "aparentemente não acontece nada" nem "nenhuma narrativa se estabelece como determinante". Chico Buarque encadeia as frases como se fossem um fluxo contínuo de pensamentos desordenados. Mas resistindo sempre às armadilhas da literatice e dos efeitos retóricos: raros romancistas têm um ouvido para a escrita como o autor de Leite Derramado. A voz do velho Eulálio, com uma patine secular, é totalmente credível na sua elegância ultrapassada, com um requinte antigo e fora de moda: já ninguém fala hoje assim num Brasil obcecado pela ‘modernidade’.
“Muitos se detêm para escutar minhas palavras, mesmo que não alcancem seu sentido, mesmo quando o enfisema me sufoca e mais arquejo que falo”, confessa o velho Eulálio, retido numa cama de hospital – o seu último paradeiro. Com ele, morrerá o último vestígio de uma época em que um conjunto de homens de cartola não podia ser confundido com um congresso de mágicos. Mas, paradoxalmente, Eulálio está afinal condenado a sobreviver. Como uma das melhores personagens da moderna literatura da língua portuguesa.
 
............................................................... 
Leite Derramado, de Chico Buarque (Dom Quixote, 2009). 223 páginas.
Classificação: *****

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Leituras

por Pedro Correia, em 03.07.16

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«Um homem não pode conhecer-se completamente enquanto não se souber o que vale a sua mulher.»

Pearl S. Buck, Mãe (1933), p. 120

Ed. Texto Editores, 2007. Tradução de Isabel Risques. Colecção Grandes Autores

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Ler e não ler

por Pedro Correia, em 02.07.16

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Não sei se convosco acontece o mesmo. Comigo há um padrão imutável: em dois meses, Dezembro e Junho, leio tanto como nos restantes. Ou perto disso. É assim de há muito tempo para cá. E ainda não consegui arranjar uma explicação satisfatória. Mas acontece ano após ano.

Será que os dias de maior exposição solar convidam à leitura? Mas, se assim for, essa regra não deve prevalecer também para Julho?

Será que o aconchego natalício favorece a companhia de um bom livro? Mas Janeiro e Fevereiro, meses mais frios, não deveriam impor ainda maior retraimento doméstico?

A verdade é que tudo se repetiu, em obediência a uma regra insólita, neste Junho agora terminado. Pego no caderno onde vou anotando as minhas leituras e verifico que li nove livros completos - sem saltar páginas, sem interrupções, do princípio ao fim. À média de um título diferente de três em três dias, como sucedia nos meus anos de adolescência em que o tempo parecia durar infinitamente mais. Mas em Maio - lá está - tinha sido bem diferente. Aí cada livro demorou-me dez dias: só consegui ler três. Em Abril, outros três.

De todas essas leituras irei dando nota aqui. Adianto que em Junho foram cinco romances, um ensaio, uma memória, uma colectânea de entrevistas e uma peça teatral. Quatro destas obras mereceram-me cinco estrelas, confirmando que 2016 está a ser ano de boa colheita para o leitor voraz que continuo a ser. E sempre sorrio ao recordar o professor de Direito Constitucional quando nos dizia no anfiteatro da faculdade: "Espero que os senhores já tenham lido muito antes de chegar à Universidade. Porque, se não leram até agora, também não lerão. Eu li o essencial até aos 18 anos."

Eu tinha 18 anos à época e nunca mais esqueci a solene advertência do professor Jorge Miranda (que por estes dias costumo encontrar à entrada ou à saída de salas de cinema). Acreditei nele e preparei-me para viver o resto dos meus dias mergulhado numa irremediável e desprezível ignorância.

Sei hoje que quase nunca devemos interpretar uma frase pelo seu inteiro valor facial. Esta é uma das lições que aprendi tanto por experiência própria como enquanto leitor atento. Já nem sei por que ordem. Mas também não interessa. Como assinalou Marguerite Yourcenar, num dos romances da minha vida, "a palavra escrita ensinou-me a escutar a voz humana".

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Leituras

por Pedro Correia, em 25.06.16

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«A América havia sido construída por gente irrequieta, apaixonada por horizontes. Alguns tinham morrido nessa caminhada, a sua carne fora pasto dos coiotes e os seus ossos tinham ficado na grama ou nas correntes geladas; outros tinham continuado. Às vezes paravam porque certo lugar lhes parecia bom, ou porque algum vizinho se tinha estabelecido ali, ou porque houvesse uma nascente de água, ou madeira, às vezes porque o horizonte lhes acenava pela última vez. Se o vento gelado ou um rio havia sido transposto, ou se um dos bois caísse, tossindo umas duas vezes e morrendo, não tinha importância que o colono tivesse ambição ou não: um homem inteligente não valia mais, então, do que um imbecil. Os olhos ansiosos endureciam e a ambição de um, como a falta de iniciativa do outro, produziam o mesmo resultado, isto é, a sobrevivência. Aquela gente remexia na terra para viver - e quando recordava o que tinha feito resultava quase sempre no nascimento de um novo estado.»

Niven Busch, Duelo ao Sol (1944), pp. 237/238

Ed. Publicações Europa-América, 1979. Tradução de HSN. Colecção Livros de Bolso Europa-América, n.º 91

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Leituras

por Pedro Correia, em 18.06.16

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«A arte do pugilista é semelhante à do bailarino. São necessários certos passos e ritmos, e, uma vez aprendidos, são executados naturalmente, sem se pensar verdadeiramente neles.»

Irving Shulman, West Side Story - Amor Sem Barreiras (1961), pp. 122/123

Ed. Publicações Europa-América, 1963. Tradução de H. Silva Letra. Colecção Os Livros das Três Abelhas, n.º 54

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Leituras

por Pedro Correia, em 11.06.16

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«Não se pode imaginar o que é um Inverno em Chicago! Não me refiro àquele frio que te obriga a pôr álcool no radiador do carro antes do arranque: refiro-me àquele frio de enregelar, que nos dá a todo o instante a sensação de sermos um cadáver ambulante. É este o frio do Inverno em Chicago. Talvez isto explique em parte a vida que levam os habitantes desta região: hibernação completa desde Outubro até que venha de novo o calor. Ainda não me habituei a isso e espero não estar aqui o tempo suficiente para criar o hábito.»

John O' Hara, O Amigo Joey (1940), p. 103

Ed. Livros do Brasil, 1961. Tradução de Manuel Marques da Silva. Colecção Miniatura, n.º 124

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Leituras

por Pedro Correia, em 10.06.16

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«Às vezes, quando uma pessoa não tem muito dinheiro, Joe, agarra-se, mais do que nunca, à honestidade - porque só lhe resta mesmo isso. Pelo menos, continua a ser honesta. E, com a honestidade, dá-se uma coisa engraçada; não se pode ser mais ou menos honesto. Não há volta a dar-lhe. Ou se é honesto ou não se é.»

Eric Knight, Lassie (1940), p. 63

Ed. E-Primatur, 2016. Tradução de Miguel Martins

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Leituras

por Pedro Correia, em 21.05.16

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«As palavras são um cheque sem cobertura

Antonio Skarmeta, O Carteiro de Pablo Neruda (1985), p. 65

Ed. Teorema, 2008. Tradução de José Colaço Barreiros. Colecção Biblioteca Sábado

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Leituras

por Pedro Correia, em 15.05.16

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«Confesso que a nova ortografia me confunde um pouco. Por exemplo: o trema, quando se deve usá-lo? E o acento diferencial? Pêra pera, péla pela, pára para, pêlo pelo, pólo polo. Se alguém me perguntar onde eu vou colocar um troço e eu responder "vou pô-lo aqui" as pessoas vão me entender? Só se eu estiver em Portugal. E o acento circunflexo? E o acento agudo?»

Rubem Fonseca, Axilas & Outras Histórias Indecorosas (2011), pp. 135/136

Ed. Sextante, 2012.

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Leituras

por Pedro Correia, em 06.05.16

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«Se não se pode servir no céu, mais vale governar no inferno.»

Rachel Kushner, Telex de Cuba (2008), p. 105

Ed.  Relógio d' Água, 2015. Tradução de Jorge Pereirinha Pires. Colecção Ficções, n.º 244

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Leituras

por Pedro Correia, em 25.04.16

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«Muitos discos estavam proibidos de se transmitir em RCP [Rádio Clube Português]. Algumas largas dezenas!

Somente uns pares de exemplos: O Menino de Sua Mãe, de Fernando Pessoa, Baile de Roda Mandado, do folclore algarvio; Antologia de Música Portuguesa, de Luís Cília; Fomos Feitos em Ceroulas, de José Carlos Ary dos Santos; Tango dos Pequenos-Burgueses, de José Jorge Letria; Ovelha Negra, por Beatriz da Conceição.»

Matos Maia, Aqui Emissora da Liberdade, pp. 173/174

Ed.  Caminho, Lisboa, 1999 (2ª edição)

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Leituras

por Pedro Correia, em 23.04.16

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«O medo fortalece a memória.»

William IrishA Intrusa (1948), p. 114

Ed.  Minerva, 1958. Tradução de Baptista de Carvalho. Colecção XIS nº 84

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Leituras

por Pedro Correia, em 16.04.16

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«No homem existe um velho esquálido que dorme nele há séculos. Nós é que não nos lembramos; é o nosso pai que construiu a arca, o nosso pai operário; trabalhou, embriagou-se, e agora dorme com um sorriso, nu, através dos séculos.»

Elio Vittorini, Os Homens e os Outros (1945), p. 100

Ed.  Europa-América, 1972. Tradução de Elena Ricci Pinto e J. Wilson Pinto. Colecção Livros de Bolso Europa-América, nº 35

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Leituras

por Pedro Correia, em 03.04.16

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«É muito difícil, toda a gente o sabe, vencer os preconceitos das pessoas a quem a educação não alargou o espírito: têm-nos enraizados em si mesmas, como as ervas daninhas nas pedras.»

Charlotte Brontë, A Paixão de Jane Eyre (1847), p. 285

Ed.  Inquérito, 1971. Tradução de Mécia e João Gaspar Simões. Colecção Os Melhores Romances dos Melhores Romancistas

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Leituras

por Pedro Correia, em 02.04.16

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«O que possuiremos nós realmente nesta vida? Porque será que nos desassossegamos tanto por causa daquilo que, quando muito, nos é meramente emprestado por algum tempo; e qual a razão de tanta conversa sobre graus de posse, quando o carácter ilusório da palavra "possuir" significa meramente abraçar o nada?»

Erich Maria Remarque, Uma Noite em Lisboa, pp. 331/332

Ed.  Saída de Emergência, 2016. Tradução de Luís Coimbra

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Liberdade, este bem tão frágil

por Pedro Correia, em 27.03.16

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E em três dias leio um livro de 334 páginas. Um livro que me agarrou desde o primeiro parágrafo e me fez largar tudo quanto lia antes. Ainda por cima um livro que já tinha lido há muito - na década de 80. Regresso aos tempos da adolescência, em que lia compulsivamente, horas a fio. Voltou a suceder-me neste fim de semana alargado, entre a chuva triste e resignada de Sexta-Feira Santa e o esplendor soalheiro da manhã pascal. Com Uma Noite em Lisboa, de Remarque. Um grande escritor é aquele que supera a prova da sua época, seduzindo leitores nascidos já depois das páginas que escreveu. É o caso.

Este romance reedita de algum modo as tragédias gregas - com unidade de espaço, de tempo e de tema. É um romance em que nada "acontece": há só dois interlocutores sentados em torno de uma mesa e tudo se vai desenrolando a partir do fio da memória de um deles em plena II Guerra Mundial. Um romance todo ambientado em Lisboa, embora a nossa capital surja apenas em breves pinceladas descritivas. Mas voltei a senti-lo como um romance português. Devia figurar, por cá, nas aulas de leitura. E nos cursos de escrita criativa.

Eis o parágrafo inicial, que voltou a prender-me como da primeira vez:

«Demorei-me a olhar fixamente para o navio. Profusamente iluminado, o barco aguardava fundeado no Tejo. Embora estivesse em Lisboa há já uma semana, ainda não me habituara à sua iluminação exuberante. Nos países por onde anteriormente passara, à noite as cidades jaziam escuras como minas de carvão e uma lanterna nas trevas era mais temível do que a peste na Idade Média. Eu vinha da Europa do século XX.»

Um romance sobre o maior pesadelo desde sempre ocorrido neste Velho Continente em que Lisboa funciona como porto de chegada ou porta de saída. Um romance sobre noites de chumbo que imaginámos sepultadas para sempre mas que podem regressar, como os fantasmas das histórias de assombração. A liberdade é um bem frágil, volátil e caprichoso: devemos cuidar dela todos os dias. Começando por ler sobre os tempos em que ela mais não era do que um sonho longínquo e feliz.

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Leituras

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.03.16

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As árvores genealógicas das famílias Djugashvili e Alliluyev são fundamentais, logo nas primeiras páginas, para se acompanhar convenientemente o desenrolar da biografia que a historiadora, poetisa e reconhecida biógrafa canadiana Rosemary Sullivan lançou o ano passado com a chancela da Harper-Collins (Nova Iorque) e da Fourth Estate (Londres) sobre a história da vida de Svetlana, a única filha de Estaline nascida do segundo casamento deste com Nadezhda ("Nadia") Alliluyev.

O livro tem a bagatela de pouco mais de 700 páginas, mas a letra não é minúscula e a leitura fácil. O delicioso relato da fuga para o Ocidente num avião da Qantas com destino a Roma, numa altura crucial da Guerra Fria, aproveitando a autorização que conseguira obter para uma deslocação à Índia para levar as cinzas de um seu namorado indiano, com o qual fora impedida de casar, e a reacção inusitada que gerou num alto responsável do Departamento de Estado, Kholer, ex-embaixador na URSS que não queria que a fuga perturbasse o clima de apaziguamento que iniciara com as autoridades de Moscovo durante a sua permanência naquelas paragens, são o suficente para agarrar o leitor.

Uma nota num artigo que li há tempos, um comentário de Simon Sebag Montefiore e duas críticas, uma no New York Times e outra no Independent, mais a atribuição de um prémio no país natal da autora, foram as minhas únicas referências e chamaram-me a atenção para a obra. Ao que por aqueles foi dito e escrito, sendo que o primeiro é um especialista sobre a Rússia, a União Soviética e Estaline, nada tenho, nem me atrevo, a acrescentar. O ideal é, pois, cada um ler e julgar por si o trabalho de Rosemary Sullivan.

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Leituras

por Pedro Correia, em 12.03.16

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«De certa maneira, os mortos são nossa propriedade. Devemos cuidar deles

Yasunari Kawabata, Chá e Amor, p. 69

Ed. Vega/Bibliotex, 2003 (2ª edição). Tradução de Pedro Alvim. Colecção Diário de Notícias

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Leituras

por Pedro Correia, em 27.02.16

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«Os jornalistas evitam o mais possível contrariar os instintos do público

Julio Cortázar, Todos os Fogos o Fogo, p. 138

Ed. Cavalo de Ferro, Lisboa, 2015. Tradução de Alberto Simões

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Leituras

por Pedro Correia, em 23.02.16

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«Que farão as pessoas importantes num cemitério? Dormem, dormem como os outros, tal e qual como as pessoas que não valeram nada. E todos na mesma posição: na horizontal. A eternidade é horizontal

Antonio Tabucchi, O Tempo Envelhece Depressa, pp. 78/79

Ed. D.Quixote, Lisboa, 2013 (4ª edição)

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