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Um editorial não é uma crónica. Convém que os membros da direcção de um jornal sejam os primeiros a não estabelecer confusões entre os dois géneros jornalísticos. Com clareza e rigor.

A crónica reflecte uma visão pessoal, necessariamente muito subjectiva e de preferência original sobre um tema qualquer à escolha do autor. Pode ser até sobre o bei de Tunes, para evocar o clássico exemplo de Eça de Queirós, quando era afectado por uma súbita crise de inspiração ou vogava num deserto de ideias. "Em Tunes há sempre um bei; arrasei-o", confessou o escritor, com óbvia ironia, em carta a Pinheiro Chagas.

O editorial, pelo contrário, reflecte a posição do próprio jornal. Não é escrito na primeira pessoa do singular e abarca uma gama mais reduzida de temas - debruçando-se de preferência sobre um dos assuntos dominantes da actualidade noticiosa do dia.

 

No editorial de hoje do El País podemos ler a posição do mais influente periódico espanhol sobre a rede de corrupção que afecta o PP madrileno. O editorial do Guardian pronuncia-se em termos críticos sobre a convocação de eleições legislativas antecipadas no Reino Unido, ontem anunciada por Theresa May. O editorial do Washington Post emite um forte juízo crítico sobre o recente referendo turco, ganho tangencialmente por Erdogan.

Por cá, nas direcções de jornais, há quem confunda editorial com crónica. Escrevendo sobre irrelevâncias na primeira pessoa do singular, confundindo opinião própria com opinião do jornal. Exemplo? Aqui vai um, também de hoje: «Como tantos outros portugueses, quando viajo numa estrada com três faixas tenho uma tendência quase irresistível para seguir pela do meio. Viajar na faixa central coaduna-se com a velocidade moderada a que conduzo e permite-me manter as opções em aberto.» Começa assim o editorial do i, assinado por José Cabrita Saraiva, "subdirector executivo" (passe a redundância).

Como se estivesse numa conversa de café, a cavaquear entre amigos.

 

Tanto se fala hoje na crise do jornalismo. Pois essa crise começa precisamente em pormenores como este: um membro da direcção de um jornal não fazer a mais remota ideia do que é um editorial. Num país que, noutros tempos, contou com uma Agustina Bessa-Luís, um Vitorino Nemésio, um David Mourão-Ferreira, um Francisco de Sousa Tavares, um Mário Mesquita ou um Vicente Jorge Silva entre os editorialistas da imprensa.

Vai um abismo entre uma época e outra.

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Independente

por Tiago Mota Saraiva, em 31.01.17

(publicado ontem no i)

 

É um qualificativo largamente sobrevalorizado nos dias que correm. Numa qualquer discussão não é invulgar fazer-se uma nota prévia de independência como argumento de autoridade sobre os demais.

No jornalismo actual a independência é uma vaca sagrada. Ainda que a experiência jornalística marcante dos anos 90, homónima do adjectivo, tenha estado longe de ser independente como o seu título sugeria, permanece uma interpretação mitológica do ser independente.

No recente Congresso dos Jornalistas, Pedro Tadeu – director na Global Imagens, colonista no DN e militante do PCP – propôs que os jornalistas registassem uma declaração de interesses. A organização do congresso esqueceu o seu nome e posição no jornalismo, para titular no seu site: “Jornalista do PCP defende registo de interesses”. Mesmo que não estivesse em representação do partido e não se conheça a sua posição sobre o que Tadeu defendeu – sendo, para o caso, pouco relevante titular a sua militância – quem escreveu e quem detinha a direcção editorial do site, não tiveram dúvidas em manter o título. Tendo passado pelo referido congresso históricos militantes de outros partidos em nenhuma outra peça se titulou militâncias.

No jornalismo actual glorifica-se a independência cuidando-se pouco da isenção e da pluralidade. Como leitor, entendo que não devo exigir independência a um jornalista, ainda que possa achar relevante ter uma ideia sobre as suas filiações. Quando leio um artigo sobre o Benfica posso achar relevante saber que o seu autor é do Sporting. Esse dado informa o leitor, mas não qualifica ou desqualifica o artigo. O jornalista deverá procurar escrever de uma forma isenta e registando a diversidade de factos e opiniões que considera relevantes sobre a matéria.

A reivindicação de um jornalismo independente é uma batalha falsa que, em limite, obriga o cidadão-jornalista a uma semi-clandestinidade sobre o que pensa. Não será por acaso que, no momento em que há mais gente a bater com a mão no peito afirmando-se independente, as redacções vão ficando mais pobres de jornalismo e os órgãos de comunicação social menos plurais.

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Da posse

por Bandeira, em 18.11.16

Falho de sentido de posse como sou, nunca senti o edifício do DN como meu. Pelo menos não a magnífica fachada, não a porta giratória, não os painéis do Almada. Essas glórias e a memória delas serão sempre de quem trabalhou lá dentro, na redacção. Eu, que há 34 anos pela primeira vez entrei no edifício como colaborador, usava a entrada das traseiras, que dava para as máquinas e cheirava um pouco a óleo, sempre aberta às madrugadas; e depois dela a escada, com as suas paredes amarelas de fumo e um ar vagamente industrial.

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Os votos da imprensa britânica

por Pedro Correia, em 23.06.16

É curioso avaliar as linhas editoriais dos jornais pelas primeiras páginas da imprensa britânica de hoje. Nos tablóides, o Brexit ganha por maioria absoluta. Com o Sun a soltar um berro patrioteiro, chamando "Dia da Independência" a esta quinta-feira em que 46 milhões de eleitores são chamados a escolher se querem o Reino Unido dentro ou fora da União Europeia.

O Daily Mail, outro diário eurofóbico, estampa em letras garrafais quatro supostas "mentiras" propaladas pelos parceiros comunitários de Londres. E o Daily Express, sem vocação nem paciência para subtilezas, transforma toda a capa num grito de guerra favorável à saída.

Só o Mirror, único tablóide conotado com a esquerda trabalhista, navega na direcção contrária - e com a mesma falta de subtileza. Comparando o Brexit a um gigantesco "salto no escuro" ilustrado da forma possível, com um vertiginoso abismo que poderia servir de ilustração ao Inferno de Dante - que lá no jornal talvez alguém conheça, da selecção brasileira e do campeonato alemão.

 

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Na chamada imprensa "séria", que por vezes se leva demasiado a sério sem justificação para tal, o tom é mais comedido. Mas o espírito de trincheira está lá, embora envolto em rodriguinhos semânticos e gráficos.

O vetusto Times puxa por uma manchete supostamente anódina mas onde o verbo escolhido é precisamente leave [sair], palavra-chave dos eurofóbicos. Opção semelhante à do Guardian, embora enfileirando na facção oposta: no título principal deste diário de centro-esquerda lá surge a palavrinha stay, que funciona como lema da militância eurófila.

Um pouco mais escondido, mas ainda assim em destaque, é o remain que o Independent exibe no segundo título mais destacado da sua capa. Nada a ver com a histeria do Mirror, claro. Mas um leitor atento percebe que também aquele título tão independente prefere afinal manter o reino de Sua Majestade ancorado na União Europeia.

O mais sóbrio e contido é o Financial Times, que tem uma linha editorial pró-Europa mas não confunde jornalismo com militância política. Talvez esteja fora de moda, neste tempo em que a lógica das chamadas "redes sociais" infecta os conteúdos informativos, mas ainda não foi inventado modelo melhor.

Por isso, e sem desprimor para os demais, é a este periódico que tiro o meu chapéu. De coco.

 

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Quiosque do dia

por Pedro Correia, em 12.02.16

Correio da Manhã:

Carros novos aumentam 12,5 por cento

 

i:

Camionistas ameaçam paralisar o País

 

Diário Económico:

Centeno admite mais austeridade

 

Jornal de Negócios:

Furacão financeiro assusta Portugal

 

Diário de Notícias:

Governo vai reforçar contactos para acalmar mercados

 

Público:

Eurogrupo força Portugal a preparar plano B com mais austeridade

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O declínio da imprensa

por José Navarro de Andrade, em 31.12.15

Mesmo no fim do ano aparece um artigo solitariamente lúcido sobe a crise da imprensa. De quem havia de ser senão de João Carlos Barradas?

Clique-se à vontade porque vale a pena, mas para ler há que pagar. Se fosse à borla o artigo não existia - uma lógica simples, não?

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Leitura recomendada

por Pedro Correia, em 28.12.15

Para não acabar de vez com os jornais (e a democracia). Da Alexandra Lucas Coelho, no Público.

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http://expresso.sapo.pt/sociedade/2015-12-10-Jornal-Publico-abre-programa-de-rescisoes-com-trabalhadores

 

Sim, é triste. Fica a pergunta: quando foi a última vez que comprou o Público? Ou outro jornal diário? Porventura estão, como muitos, rendidos ao on-line. O on-line não é negócio para a comunicação social, é um modelo que ultrapassa a possibilidade de angariar publicidade a determinados valores, as vendas são o que são. Tudo isto é triste, tudo isto é fado, canta-se por aí em noites vadias. Como jornalista, sinto que os tempos estão a mudar, a mudar rapidamente e lembro-me de Fernando Dacosta, há dias em Viseu, a dizer que os jornais perderam-se quando deixaram os escritores escapar, quando terminou o fumo e as bebidas. Rimos e eu até acrescentei as relações amorosas ao menu de ingredientes que faziam os jornais numa outra época, uma época em que os jornalistas eram formados por jornalistas mais velhos (muitos deles escritores). E ter a sorte de cruzar o nosso caminho, quando se é muito novo, com Assis Pacheco, Cáceres Monteiro, Afonso Prata, Helena Sanches Osório, Fernando Dacosta, Natália Correia, Vera Lagoa, Maria Antónia Palla, António Mega Ferreira - para dar alguns exemplos - foi um privilégio meu. Hoje ser jornalista continua a ser tão importante quanto era no fim dos anos 80, quando eu comecei, talvez mesmo mais importante. Não lamentem a morte dos jornais, comprem-nos sff.

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Uma perguntinha:

por Rui Rocha, em 01.12.15

Quantos dos que nestes últimos dias lamentaram o encerramento do I e do SOL os compravam com um mínimo de regularidade?

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O fim do Sol e do jornal I

por Patrícia Reis, em 30.11.15

A morte de um jornal é sempre triste. A morte de dois jornais duplica a tristeza? Não. Assusta. Assusta muito. Para os meus colegas de profissão, do jornal I e do Sol, fica a minha solidariedade. O jornalismo precisa de bons profissionais, de seguir o código deontológico, de ser sério. Quando os grupos económicos apostam na comunicação social e falham, a culpa não é dos jornalistas. Disso tenha a certeza.

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Crónica no DN

por Patrícia Reis, em 22.07.15

A avó de Schäuble sabia muito sobre os gregos

por ANA SOUSA DIAS

 

"A minha avó costumava dizer: a benevolência vem antes da devassidão." Isto disse Wolfgang Schäuble e, vinda de quem vinha, a frase tinha tudo para me irritar. A bondade como primeiro passo para a bandalheira, ora aí está o que as minhas avós não me transmitiram e eu nunca ensinarei aos meus netos. Não é que as minhas avós fossem de complacências, nada disso. Ambas foram grandes disciplinadoras, ambas justas, uma católica, a outra mais interessada na leitura do que no Além. Mas confundir benevolência com devassidão, ui, nunca.

Vamos aos clássicos, já que falamos de frases do tempo das avós. Estar morto é o contrário de estar vivo, disse um dia Lili Caneças. Ser bom é o contrário de ser mau, digo eu à boleia do raciocínio. Os rebuçados de mentol que as minhas avós me deram ou o fechar os olhos às tropelias infantis não me levaram ao mundo do crime. Estou mesmo convencida de que a avó Filipa percebia de ginjeira que a casa se esvaziava mal se aproximavam as seis da tarde e o terço da Rádio Renascença, que ela tanto queria partilhar connosco. Não nos ralhava por preferirmos ir para a rua brincar. Fingia que não percebia. Era benevolente.

Schäuble conta que lá em casa eram três irmãos e, quando lutavam, o pai dizia-lhes que o mais forte devia recuar. Isto para dizer que aplicou esse princípio nas negociações com a Grécia. Vejam bem o que está implícito e explícito nesta conversa. Primeiro, "o mais forte", leia-se, a Alemanha, leia-se, ele próprio. Segundo, "recuou", quer dizer, foi ele quem recuou naquela longa noite e não o grego que voltou para casa com um saco de exigências em tudo opostas ao mandato que levava.

Destas coisas de lutas infantis tenho o dobro da experiência do ministro alemão. Lá em casa éramos seis irmãos e o mais forte não era sempre o mesmo. Entre derrotas, vitórias e nem uma coisa nem outra, aprendi muito e serviu-me para a vida. Recuava-se e avançava-se conforme as circunstâncias, a presença das diferentes autoridades, o sistema interno de alianças, a capacidade de persuasão e até as malfadadas botas para o pé chato, armas poderosas nos pés dos mais pequenos. Não saberemos nunca qual de nós foi o mais forte, nem isso interessa para nada.

No livro As Benevolentes (2006), Jonathan Littell faz e desfaz os circuitos sinuosos do poder militar na Alemanha de Hitler, numa extensa narração seca e de cortar a respiração. É uma autópsia do mal destituída de emoções. O autor foi buscar o título aos gregos, os antigos: deusas impiedosas e vingativas a quem chamavam Benevolentes por puro medo de dizer o verdadeiro nome. Ah, talvez seja isso. A avó de Schäuble era perita em mitos gregos.

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Boas notícias

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.03.15

"Todas as notícias são redigidas segundo o português escrito em Portugal e não adoptam o novo Acordo Ortográfico." - aviso para os leitores do Público Brasil

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As melhores capas do dia

por Pedro Correia, em 08.01.15

As melhores primeiras páginas de jornais portugueses, para mim, foram estas duas:

 

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150 anos de 'Diário de Notícias'

por Pedro Correia, em 29.12.14

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O Diário de Notícias celebra hoje 150 anos de existência - número raro ao nível do jornalismo português e do próprio jornalismo europeu - com uma edição de luxo. Para coleccionar. Com textos de António Lobo Antunes, J. Rentes de Carvalho, Nuno Júdice, Gonçalo M. Tavares, Lídia Jorge, Miguel Sousa Tavares, Luísa Costa Gomes, Manuel Alegre, Manuel Villaverde Cabral e Mário de Carvalho, entre vários outros nomes destacados das letras portuguesas.

Tive a honra e o privilégio de trabalhar no DN durante 15 anos - ou seja, dez por cento da vida do matutino da Avenida da Liberdade - como repórter parlamentar, grande repórter, editor, editorialista e membro do Conselho de Redacção. Conheci lá excelentes profissionais e deixei lá muitos amigos, vários dos quais infelizmente já fora dos quadros do jornal, sobretudo na voragem dos dois despedimentos colectivos ali ocorridos - o primeiro em Janeiro de 2009, o segundo em Junho deste ano. Não tenho a menor dúvida: com os profissionais afastados, nas duas ocasiões, formar-se-ia o maior e mais competente elenco jornalístico do conjunto da imprensa portuguesa.

Há experiências que nos marcam para sempre. Integrar a Redacção do DN - cheia de inconfundíveis personagens e repleta de histórias de bastidores que um dia destes tenciono evocar em livro - foi, para mim, uma das mais inesquecíveis. Hoje é dia de dar os parabéns ao director, André Macedo, e a todos quantos participam com ele na complexa e por vezes tão incompreendida missão de produzir informação em papel - atenta, atractiva e actualizada.

Tenho a certeza de que Eduardo Coelho, que fundou o Diário de Notícias em 1864, se orgulharia deste jornal que hoje saiu para as bancas. O aniversário é do histórico matutino, mas quem recebe a prenda é o leitor.

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Lição

por Patrícia Reis, em 19.09.14

32 Feminist Lessons for My Daughter

Posted: 09/16/2014 4:28 pm EDT Updated: 09/16/2014 4:59 pm EDT
MAUREEN SHAW

 

Being a parent has presented me with more challenges than I ever thought possible, both as a human being with finite patience and as a feminist. I struggle with how to raise a girl in a society that is replete with violence, rape apologia, attempts to thwart women's access to healthcare, unequal pay, racism, sexism and a plethora of other social ills.

I want my daughter to be aware of these realities and uphill battles without letting them beat her down or dilute her potential. So what's a list-loving feminist parent to do? Write a list of lessons, of course.

1. Having a vagina isn't a disability. It's a superpower.

2. In that vein, having a period isn't a curse. It makes you uniquely qualified to create and sustain life, if you so choose.

3. Speaking of choice, only you can/should make the choice of if/when you would like to become a parent. Sure, some day I'd like grandbabies, but if -- and only if -- you're ready to make 'em.

4. Your lady parts, while powerful, are not your only defining characteristic. You also have a brain, a sense of humor and a million other qualities that make you awesome.

5. Sex is for pleasure, too. It's not just for baby-making.

6. Safe sex is sexy sex. And by safe, I don't just mean rubberized. By safe, I also mean consensual, comfortable and emotionally safe.

7. It's never OK to judge someone based on perceptions of their outward appearance or identities -- this includes skin color, sexual orientation, gender identity, physical abilities, etc.

8. Knowledge is power. Read, engage in thoughtful discourse, question authority. You'll be a better person for doing so.

9. Be an ally, not a White Knight. Lend an ear, your support and compassion; don't try and "save" someone.

10. Understand that every person has a different story and background, and that each story and background has value.

11. Your jean size is just a number on a tag. It doesn't even begin to define your worth.

12. Neither does your bra size.

13. Love your body for what it can do, not for what it looks like.

14. I don't care if a guy buys you the most expensive dinner -- or jewelry, clothing, what-have-you -- on the planet. You owe him nothing.

15. Laugh and smile as often as possible, even -- hell, especially -- in the face of adversity.

16. Know your financial worth and advocate for yourself. Ask for that promotion, raise, lead on a project; no one else will fight for you.

17. Support other girls and women, don't demean or judge them. We need each other. Believe me.

18. Raise your voice -- but never your fists -- to demand justice for yourself and for others.

19. Vote. Seriously, vote. And not just in presidential elections, but in local and state ones, too.

20. Vote with your wallet, too. Support pro-choice, women-led, women-friendly businesses.

21. Travel whenever possible. Even if you can't physically travel to a far-off locale, read about it. Watch documentaries. Exposure to other cultures is paramount to building tolerance and understanding.

22. Use your [financial, racial, educational] privilege for good. You have resources and a voice that, for various reasons, will be heard louder than others'. It's your duty to use it to help others and to help stem oppression.

23. Having pretty eyes or silky hair is nice. But it's nowhere near as beautiful as having self-confidence and passion.

24. It's OK to like what your friends like -- if you genuinely like it, too. But don't be afraid to stand apart from the crowd and be passionate about something that isn't popular or "cool."

25. Never misconstrue sexual harassment or catcalling for compliments.

26. Yes means yes.

27. Just because you're a female doesn't mean you have to get married and have babies. It's not for everyone, and that's totally OK.

28. Don't apologize for the sake of apologizing. Women tend to say "I'm sorry" for the littlest offenses -- like, standing in a grocery store aisle when someone else wants to walk down it too. It's annoying and unnecessary.

29. Don't be afraid to be "bossy."

30. Have your own bank account. Financial independence is crucial for your well-being.

31. Only date pro-choice guys (if you're into guys). You deserve better than to be in a relationship with someone who thinks it's OK to tell you what you can/should do with your body.

32. This is a big one: never, ever, ever get complacent. You may have the right to vote, access to birth control and the ability to date who you want, but it wasn't always this way. Women fought and died for these rights you currently enjoy. And your generation has its own struggles carved out to fight.

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Passado presente (CCCXCIX)

por Pedro Correia, em 06.09.14

 

Semanário Tal & Qual

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Verão no fim

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.08.14

"Os políticos são maus porque os portugueses não exigem melhor" - João Pereira Coutinho, Jornal de Negócios

 

"Re[c]tificativo: só um terço da derrapagem com despesa de pessoal se deve ao Constitucional" - Jornal de Negócios

 

"Taxas no aeroporto de Lisboa sobem sete vezes desde a privatização" - Diário Económico

 

"Costa abafa negócio de meio milhão"; "Gestor do banco de Portugal compra e vende no BES"; "Silveira Godinho protegido por Carlos Costa"; "Ex-ministro do PSD não assume preço das obrigações"; "Quando comprou já estava na supervisão do BdP"- Correio da Manhã

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Passado presente (CCCXCVI)

por Pedro Correia, em 22.08.14

 

Jornal A Capital

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Destaques de um jornal de referência

por Teresa Ribeiro, em 22.06.14

 

São doze e estão no online da edição de hoje do Diário de Notícias:

 

1 - Mãe do Daniel foi detida

2 - Filhos de Will Smith dormem com cobras na cama

3 - Futebol (Ronaldo)

4 - Futebol

5 - Avó baleada por neto de 16 anos

6 - O que fazer quando os filhos pedem para sair à noite

7 - Futebol

8 - Jornalista grávida de gémeos

9 - Futebol

10 - Futebol

11 - Neandertais: o segredo está nos dentes

12 - Futebol

 

 

Hesitei entre o Ronaldo e o Ronaldo. Mas depois achei mais palpitante a notícia da jornalista que engravidou, de modo que foi aí que cliquei, mas devagarinho para não incomodar os bebés.

"Diário das Festas" não anda a despedir. Anda é a despedir-se.

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O diabo está nos detalhes

por Teresa Ribeiro, em 12.06.14

 

Ontem, no dia em que se soube que o grupo a que pertence o Diário de Notícias ia despedir 160 trabalhadores passei pelo Marquês de Pombal, depois de mais uma visita à Feira do Livro. E o que vejo a cobrir a fachada do edifício do DN? Um animado anúncio, com o slogan "O Diário das Festas", referindo-se às Festas de Lisboa, que agora começaram. Irónico. Mais que irónico, irritante, provocador, obsceno.

Alguém que habita a direcção do grupo pensou no efeito desta bestial dissonância entre o que agora se passa dentro das quatro paredes do edifício e o que a sua fachada anuncia? Talvez sim, talvez não. Em qualquer dos casos revela-se o mesmo: insensibilidade e falta de respeito pelas pessoas. E, note-se, não estamos a falar de uma empresa de lacticínios, mas sim de uma empresa de comunicação. 

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Gente

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.05.14

Um título de jornal: "Itália: 40 mil imigrantes dão à costa em 2014". Fiquei a pensar.

Até nestas pequenas coisas, nos títulos dos jornais, são mal tratados. "Dão à costa", como o petróleo depois dos desastres marítimos, a nafta ou as baleias. Bem sei que alguns chegam já sem vida, vogando à deriva pelo mar, até que alguém os recolha. Mas não serão eles, também, gente como nós?

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A observar o 'Observador'

por Pedro Correia, em 19.05.14

Hoje é um dia importante para o jornalismo português: nasceu o Observador. Depois de tantos anos a ver terminar projectos jornalísticos, é com muito agrado que vejo surgir um. Adaptado aos novos tempos - só em linha, sem papel. E com uma redacção jovem e promissora.

Aqui fica uma palavra de incentivo ao director, David Dinis, aos editores Helena Pereira e João Cândido da Silva, e a outros jornalistas que conheço, como a Liliana Valente e a Sónia Simões (e também à Sara Coelho, nossa colega da blogosfera). Com votos de longa vida e muitas cachas.

Cá estaremos a observar o Observador.

 

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Sobre a arte de titular

por Pedro Correia, em 12.03.14

 

A arte de bem titular está ao alcance de poucos nas redacções de jornais. E é pena: um bom título é fundamental para agarrar o leitor - podendo, em certos casos, agarrá-lo para sempre.

Falo por mim: nunca mais esqueci o título do obituário do Professor Horus, um astrólogo que chegou a estar na moda em Portugal durante as décadas de 70 e 80. Quando morreu, o Diário de Notícias dedicou-lhe um excelente texto necrológico em que revelava facetas desconhecidas da sua biografia, designadamente ter sido praticante amador de pugilismo na juventude. O título era um achado: "O astrólogo que veio do boxe".

Certos títulos fizeram história na imprensa portuguesa. Alguns incorporaram-se até no léxico comum. Eis um deles: "De vitória em vitória até à derrota final", publicado no extinto semanário O Jornal, durante o atribulado mandato de Francisco Pinto Balsemão como primeiro-ministro, num executivo de coligação PSD-CDS, entre 1981 e 1983. Da autoria do chefe de Redacção daquele periódico, Manuel Beça Múrias, desaparecido demasiado cedo. Poucos como ele dominavam tão bem a arte de fazer títulos. Este - que se generalizou ao ponto de se tornar um aforismo dos nossos dias - foi importante também pelo seu carácter premonitório: o governo Balsemão cairia pouco tempo depois.

Hoje predomina a banalidade: muitas peças ficam estragadas com títulos incapazes de ultrapassar o lugar-comum. Quando surge uma excepção a esta regra anoto-a logo, com entusiasmo. Aconteceu-me a 15 de Dezembro, ao ler no El Mundo (em papel, pois na edição em linha lá surgiu um dos habituais títulos deslavados) o obituário de Peter O'Toole: enquanto outros periódicos se rendiam à linguagem formatada, inundada de clichés, o jornal espanhol deslumbrava com uma frase em título que era quase um poema: "Arenas doradas, mirada celeste".

T. E. Lawrence, o Lawrence da Arábia, haveria de gostar.

 

Também aqui

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"Manchetes" sem notícias

por Pedro Correia, em 28.01.14

    

 

    

 

Um dos maiores grupos empresariais portugueses desencadeou hoje uma mega-operação publicitária na imprensa. Não com anúncios nas páginas interiores nem num destacável, mas ocupando grande parte de todas as primeiras páginas dos jornais -- incluindo os desportivos e os gratuitos. Esta campanha ocupa cerca de metade da mancha gráfica de todas as capas, tornando praticamente irrelevantes as manchetes noticiosas: a verdadeira "manchete" acaba por ser o anúncio de uma operadora de telefones móveis.

Dir-se-á que é uma boa notícia para as empresas jornalísticas, que andam carentes de receitas publicitárias. Sem dúvida. Mas é também mais um passo, subtil mas preocupante, nos constrangimentos à liberdade de imprensa -- na linha de outro que já aqui assinalei, em data muito recente.

Porque, no limite, basta um poderoso conglomerado empresarial reservar espaço publicitário em todas as primeiras páginas para suavizar ou anular o impacto das notícias, por mais acutilante que seja o seu conteúdo. O que acabará por constituir uma grave ameaça à liberdade editorial.

Eis um tema que justifica uma reflexão séria em todos os órgãos de informação. E também no conjunto da sociedade portuguesa. Antes que "arrastões" como o de hoje se banalizem e nos habituemos a ver anúncios de telemóveis, gasolineiras, bancos ou marcas de veículos onde só deviam vir notícias. Incomodem quem incomodarem, doam a quem doerem.

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Sinal dos tempos

por Pedro Correia, em 08.01.14

Vejo os títulos da imprensa de hoje nos quiosques. Títulos? Não, título. A manchete é comum: "Millennium apoia as empresas portuguesas". Um título não informativo, mas publicitário. Muda apenas o grafismo, cuidadosamente adaptado a cada periódico. Por aqui se vê a extrema debilidade financeira da nossa imprensa: basta um banco -- qualquer banco -- lançar uma campanha publicitária para todos os diários generalistas lhe cederem o seu espaço mais nobre, que devia estar reservado a notícias e não a anúncios.

Acontecesse isto noutro tempo e não tardariam vozes de indignação a multiplicar-se contra este abastardamento da nobre função de informar. Mas a coisa já passa agora sem o mais leve sussurro crítico, o que é um inequívoco sinal dos tempos.

Compro um exemplar do i - o único diário generalista que ficou à margem desta campanha. É o único que tem, portanto, uma manchete noticiosa: "Portugal sem estratégia para tempestades marítimas". Aqui fica a minha singela homenagem, enquanto leitor, ao jornal que quebrou o monopólio do Millennium neste chuvoso dia do novo ano.

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Bom jornalismo

por Pedro Correia, em 30.12.13

Há uns anos, quando estava em funções o executivo de José Sócrates, sugeri numa das reuniões regulares de planeamento do Diário de Notícias que fizéssemos uma edição anual só com "boas notícias". E expliquei o meu conceito: nenhuma informação deixaria de ser transmitida ao público, mas sempre num ângulo tão positivo quanto possível. Víamos o copo meio cheio, e não meio vazio. Só uma vez por ano, por ocasião do aniversário do matutino fundado a 29 de Dezembro de 1864. Numa época propícia, entre o Natal e o ano novo.

 

Já acreditava nessa altura, como acredito agora, que o efeito acumulado de más notícias provoca um sentimento de exaustão junto dos consumidores de informação. Isto ocorre ainda mais em tempos de crise: procuramos encontrar no fluxo noticioso quotidiano alguma luz que nos permita sair do escuro. Enganam-se aqueles que se empenham em carregar ainda mais nas tintas escuras, julgando ir assim mais ao encontro dos leitores, ouvintes e telespectadores. É um erro semelhante àqueles que, na política, radicalizam em grau crescente as suas propostas, sem perceberem que a crise potencia soluções de moderação da parte dos eleitores, naturalmente descrentes de derrapagens radicais.

 

Na altura, alguns colegas olharam-me como se aquela ideia não tivesse pés nem cabeça. E no entanto continuo convencido de que tinha pernas para andar e poderia constituir um excelente veículo de promoção editorial caso fosse posta em prática da melhor maneira.

Voltei a lembrar-me disto ontem ao ver nas bancas a edição especial do DN em que o jornal assinala o início do seu 150º ano de vida, o que à partida bastaria para justificar aplauso. Acontece que esta edição está à altura das expectativas geradas quando a direcção editorial do matutino decidiu confiar ao presidente do Grupo Oi e da PT Portugal, Zeinal Bava, a condução do jornal por um dia. A ideia tem sido posta em prática por diversos títulos jornalísticos, com resultados irregulares, e o próprio DN já a tinha concretizado em anos anteriores. Mas talvez com menos sucesso do que aconteceu agora.

Gosto de praticamente tudo nesta edição, que constitui peça para coleccionar. Desde a surpreendente e bem conseguida manchete: "País de boas contas não pode ter medo da matemática" à excelente ilustração de Vhils também na capa. Passando pela antevisão de grande fôlego de 2014 aos mais diversos níveis e pela opinião muito diversificada, onde me apetece destacar um artigo de página inteira de Filipe La Féria "escrito em português antigo" pois "no Teatro Politeama nem as bailarinas russas aderiram ao Acordo Ortográfico".

 

Enfim, uma edição de prestígio. Que notabiliza o jornal e a sua longa história, que remonta aos tempos da monarquia constitucional. "O melhor jogador do mundo fala português. Na ciência, nas artes, no desporto e nas empresas temos portugueses a dar cartas. Dizem 'obrigado' quando agradecem os prémios e distinções de que todos os meses chegam notícias e são embaixadores naturais do nosso país, da nossa língua e cultura no mundo", escreve Zeinal Bava no editorial.

Afinal uma outra forma de se fazer a tal edição com notícias pela positiva. Uma boa ideia, como sempre pensei.

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Oi dona, me dá carona?

por Pedro Correia, em 02.11.13

O liberalíssimo Expresso, pioneiro do acordês na imprensa generalista portuguesa, confina todos quantos discordam do desacordo ortográfico a uma espécie de reserva de índios, colando-lhes este gentilíssimo rótulo: "Fulano de Tal escreve de acordo com a antiga ortografia".

Por mim, agradeço este esforço permanente do semanário de colar etiquetas supostamente retrógradas aos seus colaboradores anti-acordistas. É uma forma de sinalizar espaços de qualidade naquele imenso jornal: na minha perspectiva, os textos mais interessantes do Expresso são precisamente estes, saídos das penas recalcitrantes de um Miguel Sousa Tavares, um Pedro Mexia ou um Manuel S. Fonseca.

Falta no entanto ao jornal dirigido por Ricardo Costa sinalizar outros textos, em sentido inverso. Os daqueles que também desrespeitam o desacordo ortográfico não por manterem apego às chamadas consoantes mudas mas por terem passado a uma fase mais evoluída da revolução ortográfica em curso ao suprimirem as próprias consoantes sonoras. É o caso de Clara Ferreira Alves, que na sua crónica da revista demonstra hoje como o convénio de 1990, na sua ânsia de tudo "unificar", só induziu uma diversidade ainda maior de opções ortográficas no nosso idioma.

A Presidência da República, escreve Ferreira Alves, "é um dos melhores empregos deste país". Porquê? Porque "dá direito a morar numa das melhores residências do país, na zona de Belém. Com um staff, umas dezenas de assessores e conselheiros, uns sofríveis redatores(sic) de discursos e uns competentes produtores de fatos(sic) políticos".

O destaque a negro é da minha lavra, com a devida vénia. Não é todos os dias que lemos a expressão "fatos políticos" consagrada por tão caprichosa pluma num jornal de referência. Na sequência dos notabilíssimos vocábulos pato (em vez de paCto), impato (em vez de impaCto) e contato (em vez de contaCto) já consagrados sem direito a errata no Diário da República, ultrapassando em vanguardismo ortográfico a anacrónica protecção que os progenitores da mistela acordística haviam concedido às consoantes sonoras.

Facto vira fato. Este, por sua vez, há-de virar terno. Resta-nos, a todos quantos ainda escrevemos "de acordo com a antiga ortografia" portuguesa, apanhar de vez a boleia brasileira. Perdão: boleia não. Carona. Oi dona, me dá carona?

 

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Resistência activa ao aborto ortográfico (101)

por Pedro Correia, em 01.11.13

 

 

Semanário Notícias de Vouzela

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Resistência activa ao aborto ortográfico (100)

por Pedro Correia, em 31.10.13

 Mensário Jornal das Cortes, de Cortes (Leiria)

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Resistência activa ao aborto ortográfico (99)

por Pedro Correia, em 29.10.13

 

 

Quinzenário O Riachense, de Riachos (Ribatejo) 

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Portugal e o mundo cinco anos depois

por Pedro Correia, em 12.10.13

Não sei se muita gente tem também este hábito: gosto de guardar jornais para mais tarde os confrontar com os efeitos da passagem do tempo.

Esta manhã, por coincidência, peguei num exemplar do Público datado de 12 de Outubro de 2008. Faz hoje precisamente cinco anos. E dei por mim a folheá-lo como se tivesse acabado de adquiri-lo numa banca.

A manchete situa-nos num facto concreto, no tempo e no espaço, que ainda hoje influencia -- e de que maneira -- o nosso quotidiano. Vivíamos as primeiras etapas visíveis da gravíssima crise em que permanecemos mergulhados e os políticos ensaiavam soluções de desfecho incerto. Incluindo a que surge estampada no título principal desta edição: "Europa e EUA nacionalizam bancos para sossegar bolsas".

Era um domingo, véspera de um encontro de emergência dos líderes da zona euro, a decorrer em Paris, enquanto no outro lado do Atlântico a General Motors e a Chrysler estudavam a possibilidade de uma fusão para sobreviver à pior crise do mercado automóvel em década e meia.

A ministra francesa das Finanças, uma tal de Christine Lagarde, admitia que os Estados europeus entrassem "ainda mais no capital dos bancos que se encontrem descapitalizados". Bem sabemos, à escala portuguesa, onde nos conduziu esta via, justificada para travar os cenários de colapso do sistema financeiro...

 

Não foi por falta de aviso para quem sabia interpretar os sinais dos tempos.

Na contracapa, Vasco Pulido Valente punha em causa a prioridade legislativa à agenda de costumes então muito em voga: "Na Assembleia da República, a esquerda e a direita tratam, com toda a seriedade, do casamento de homossexuais. Concordo inteiramente que a lei aprove o casamento de homossexuais. Mas, com o Ocidente à beira da falência, já para não falar de Portugal, essa não parece a prioridade do dia. (...) Talvez não fosse inútil imaginar como acabaria o País se a recessão americana (hoje inevitável) durasse, por exemplo, meia dúzia de anos; se a 'Europa' se desintegrasse ou enfraquecesse; ou se a esquerda e a direita voltassem, por força da necessidade, às nacionalizações de 1975. Compreendo que estas coisas deprimem e que, pelo contrário, o casamento de homossexuais puxa muito mais pela parlapatice."

Pulido Valente, com uma sagacidade imutável, pregava em vão. Porque Portugal parecia imune aos ventos da história. Uma investigação feita pelo jornalista Ricardo Dias Felner ao obscuro mundo das despesas do Estado feitas por ajuste directo, decorrente das alterações à lei da contratação pública, permitia concluir os mais desvairados gastos: "O gabinete de Sócrates reforçou a adega com sete mil euros em garrafas de vinho. O Ministério da Justiça comprou oito carpetes por 22 mil euros." Serviços de restauração, no âmbito de eventos camarários, equivalentes a quase 70 mil euros. Aluguer de "vários autocarros" pelo município de Gondomar: 33.250 euros. Cachê gasto pela câmara de Lagoa aos Da Weasel: 28.200 euros. Actuação de Rui Veloso a convite da autarquia de Elvas: 28.600 euros.

Especificava-se que as garrafas de vinho remetidas ao gabinete do primeiro-ministro eram da marca Quinta do Vale Meão, tinto, colheita de 2006, e destinavam-se a "oferta a entidades estrangeiras".

 

 

No estrangeiro, registava-se a morte de Joerg Haider, líder da direita nacionalista austríaca, ao volante de um veículo em excesso de velocidade. Sarah Palin, candidata à vice-presidência dos Estados Unidos por designação do republicano John McCain, enfrentava acusações de abuso de poder quando exercera funções de governadora do Alasca. O Público concedia-lhe foto a duas colunas, na primeira página. E questionava os leitores em título da página 2, dedicado à campanha eleitoral em curso nos EUA: "Abuso de poder de Palin é ferida mortal para John McCain?"

A imagem de McCain com o candidato democrata Barack Obama permite concluir que o actual inquilino da Casa Branca envelheceu bastante nestes cinco anos. McCain permanece no Senado. De Palin, estrela cadente, pouco ou nada se tem ouvido.

 

Há um anúncio de página inteira em que o Público felicita o primeiro aniversário de um jornal gratuito chamado Sexta. Vivia-se nessa época a febre dos "gratuitos", concebidos à semelhança dos folhetos de supermercado. Uma febre tão efémera quanto nefasta para o verdadeiro jornalismo.

Deste Sexta, confesso, não guardo qualquer memória. Mas a festa de aniversário deve ter sido de arromba. Embora menos dispensiosa do que a passagem de Marco Paulo, um verdadeiro artista português, pelo concelho de Lagoa, a expensas do contribuinte, pela módica quantia de 20.400 euros.

Notícias como esta, lidas à distância de cinco anos, ajudam a explicar o estado a que Portugal chegou.

 

E que mais?

Paulo Bento, na pele de técnico principal do Sporting, insurge-se contra as críticas, queixando-se da "pressão exterior", com o seguinte desabafo: "Toda a gente percebe de futebol menos o treinador". Isto enquanto o Presidente Cavaco Silva, supremo treinador do reino, evocava o "espírito" de Aljubarrota para enfrentar as "adversídades" do presente.

Cinco anos depois, há coisas que não mudam.

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Regresso ao passado (VII)

por Pedro Correia, em 03.08.13

 

Folhear exemplares antigos do Jornal do Fundão, em particular as notícias relacionadas com a actividade dos tribunais, é mergulhar num país com reminiscências camilianas ou aparentado com a ficção de Aquilino.

Destaco duas notícias datadas de há meio século, ambas impressas em 8 de Dezembro de 1963.

 

"Roubou a caixa de esmolas" era o título da primeira. Que passo a transcrever omitindo o apelido da pessoa em causa:

"Américo..., solteiro, de 20 anos de idade, residente em Silvares, foi julgado por ter furtado da caixa de esmolas das Alminhas, daquela freguesia, 86$80 [oitenta e seis escudos e oitenta centavos].

O réu, que era bem comportado, fez aquele furto por se encontrar embriagado. Prevendo a Lei o perdão para casos em que o valor do furto é inferior a 100$00, o Mtmo juiz perguntou ao queixoso se perdoava ao réu. Como todavia respondeu negativamente, o julgamento teve de prosseguir até final. Foi condenado em 15 dias de prisão a 30$ por dia e também a 30$ diários. Em virtude da sua menoridade, de se mostrar arrependido do mal que praticou e do seu bom comportamento, a pena foi-lhe suspensa por três anos se dentro de 20 dias entregar ao Pároco de Silvares aquela quantia de 86$80 e ainda os prejuízos que causou na caixa de esmolas."

 

Eis a segunda notícia, intitulada "E depois do fandango...":

"Foram julgados Joaquim Craveiro e Armando da Silva, jornaleiros, residentes no concelho de Penacova, por se encontrarem acusados de em 8 de Setembro findo, ao anoitecer, terem esperado na serra do Monte Leal, e depois ofendido corporalmente, João Pires, casado, agricultor, do concelho de Abrantes. Passou-se que naquele dia agredido e réus estiveram juntos com mais companheiros numa taberna de Monte Leal, tendo nessa altura o ofendido, já tocado pelo vinho, divertido os assistentes dançando o fandango. Ao anoitecer e quando se dirigia para o local onde trabalhava, o ofendido encontrou, em local ermo, os dois parceiros, tendo o Craveiro dito que tinha a mania de dançar o fandango. O João Pires respondeu-lhe e o Craveiro, que não gostou da resposta, passou a agredi-lo com um pau, só desistindo da agressão quando companheiros do ofendido acudiram aos seus gritos.

Não se provou que o réu Armando da Silva tivesse praticado qualquer agressão, pelo que foi absolvido. O réu Joaquim Craveiro foi condenado a 40 dias de prisão substituída por igual tempo de multa a 10$ diários e em 600$ de indemnização."

 

Hoje as notícias são muito diferentes. E a forma de as redigir também mudou. O que se dirá daqui a meio século daquilo que agora acontece e do modo como é descrito?

 

Imagem: Silvares em 1937, fotografia de Orlando Ribeiro (do arquivo fotográfico de Duarte Belo)

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Regresso ao passado (VI)

por Pedro Correia, em 02.08.13

 

Duas rubricas sempre muito apreciadas no Jornal do Fundão, ao longo das décadas, foram a "vida municipal", que relatava as sessões da câmara, e os ecos dos tribunais, que davam conta dos litígios dirimidos pelas autoridades judiciais. Eram janelas abertas para o país real mesmo em período de implacável censura à imprensa: por ali o leitor vislumbrava retalhos concretos da sociedade portuguesa em geral e da fundanense em particular.

No seu estilo inconfundível, António Paulouro - fundador do jornal em 1946 e seu director durante quase meio século - queixava-se em meados da década de 60 da inutilidade de relatar as sessões da câmara quando as decisões já ali chegavam pré-decididas no gabinete do presidente do município, condenando todo o debate ao fracasso.

Estes alertas do grande jornalista que Paulouro foi faziam a pedagogia política possível num tempo em que a imprensa regional fiel à sua verdadeira missão, como era o caso, assumia a voz da consciência pública quando o poder local democrático mais não era do que uma miragem.

 

Numa edição de Maio de 1955 dou conta das prioridades municipais: abertura de estradas em duas aldeias, reparação da casa mortuária do cemitério de Alpedrinha, autorização para uma esplanada com 18 mesas no Café Nacional e arrendamento do recém-inaugurado bar da piscina. Decidiu-se também "promover o internamento, a expensa do Município, a doentes pobres das seguintes localidades: Fundão, Souto da Casa, Enxabarda, Zebras e Aldeia Nova."

O adjectivo pobre era, aliás, usado sem parcimónia num tempo que era de facto marcado pela pobreza. Na mesma sessão camarária "foi presente um ofício da Junta da Província da Beira Baixa a pedir que se recomende aos médicos o máximo cuidado na escolha das crianças [pobres] que hão-de beneficiar do tratamento hélio-marítimo e a perguntar qual o contingente concelhio." E "foi lido um ofício da Direcção Geral de Saúde a recomendar a conveniência de se elucidarem as populações acerca dos benefícios do abastecimento de água pura".

Mais sugestivas ainda eram as notícias das sessões do Tribunal da Comarca do Fundão. Delas falarei aqui amanhã, no último texto desta série.

 

Imagem: piscina do Fundão, nos anos 50 (do blogue Postais do Fundão)

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Regresso ao passado (V)

por Pedro Correia, em 01.08.13

 

Na manhã da passada sexta-feira desloquei-me ao excelente edifício onde funciona a biblioteca municipal do Fundão, apropriadamente baptizada com o nome de Eugénio de Andrade (natural da Póvoa da Atalaia, uma das freguesias do concelho) para prosseguir a minha pesquisa de notícias relacionadas com familiares meus.

Li o obituário - devidamente destacado - do meu tio-avô António, que foi durante quase meio século funcionário administrativo do Diário de Notícias: ao seu funeral, fiquei a saber, compareceram vários dos nomes mais destacados do corpo redactorial do jornal e até um membro da direcção. Li também o obituário do meu tio-avô José, que emigrou muito jovem para os Estados Unidos, tornando-se proprietário de um resturante em Brooklyn: quando vinha de férias a Portugal, era sempre uma festa para a família e nunca faltavam prendas originais para a garotada. Viajava sempre de barco. Mas, na última viagem, disse à mulher: "Desta vez vamos de avião." Morreu pouco depois de chegar: de algum modo escolheu ficar para sempre no país de onde partira quase meio século antes.

 

Penso no meu tio Zé, figura de referência da minha infância, ao ler esta notícia num exemplar do Jornal do Fundão de 1956 alusivo à belíssima aldeia de Castelo Novo: "Vindo do Brasil no vapor 'Vera Cruz', que chegou a Lisboa no dia 25 de Junho, encontra-se entre nós o sr. prof. José Esteves Carramenha, que há 45 anos não visitava a sua terra natal." Um emigrante também, como o meu tio da América.

Notícias que nos falavam de outro mundo - um mundo em que as viagens eram difíceis e muito dispendiosas, em que cada partida tinha sempre um carácter definitivo. Partia-se para sempre, até demonstração em contrário.

 

Era um mundo onde as pessoas se moviam numa escala muito familiar. Um pequeno mundo reflectido em anúncios como este: "Pombos e galinhas - impurezas de cereais. Vende a Moagem dos Ferreiras". Ou este, do oculista Bonina, na Covilhã: "Se o senhor é um homem cauteloso não se dispensa conhecer a pressão atmosférica. Evitará muitos incómodos. É sempre bom ter em casa um dos nossos barómetros."

Um mundo que se media tantas vezes à distância de uns quantos quintais. E que proporcionava deliciosas notícias como esta, intitulada "Pombo Correio", também numa edição de 1956: "No dia 6 de Maio à tarde foi encontrado pelo sr. X, do Freixial, um pombo correio com uma anilha de borracha e outra de alumínio, com os seguintes dizeres respectivamente: F561 e 390077 Portugal".

Num jornal contemporâneo, é impossível lermos uma notícia com alusões a pombos correios sem ser em sentido figurado. Muita inocência foi-se perdendo pelo caminho.

 

Imagem: centro histórico da aldeia de Castelo Novo

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Regresso ao passado (IV)

por Pedro Correia, em 31.07.13

 

A publicidade é uma das formas mais interessantes de acompanharmos a evolução de uma sociedade através dos jornais. Por exemplo, em 1967 era frequente haver anúncios a televisores e frigoríficos nas páginas do Jornal do Fundão, algo impensável poucos anos antes. E registavam-se já técnicas publicitárias a que hoje estamos muito habituados.

Repare-se nisto, que encontro na edição de 26 de Março de 1967: "Vive no Fundão e tem telefone? (título) Ao atender, que as primeiras palavras sejam Quem tem Butagaz tem tudo".

Falta acrescentar que naquele tempo, por estas bandas, os números de telefone tinham apenas três algarismos (ou dígitos, como hoje diríamos).

 

Eram alguns dos primeiros sinais da acelerada transição de um meio marcadamente agrícola, numa vila ainda cercada de quintas em todo o seu perímetro, para a urbe moderna em que se tornou, embora sem perder as raízes rurais. Já então - recordo-me bem desses tempos da minha infância - quem vinha das aldeias situadas em zonas mais remotas do concelho era facilmente reconhecível, em comparação com as gentes da crescente malha urbana, pela indumentária e pelo tom de pele, muito mais moreno devido à constante exposição ao vento e ao sol. O que de algum modo ainda sucede, nomeadamente às segundas-feiras, quando muitos forasteiros acorrem à concorrida feira municipal, tradição que perdura.

 

Nesse ano de 1967 já o Jornal do Fundão tinha nomes sonantes das letras, das artes e do jornalismo a escrever nas suas páginas - e não apenas ligados à região, como em épocas precedentes sucedia com António José Saraiva (que escrevia regularmente do exílio em Paris), José Hermano Saraiva ou Francisco Rolão Preto, nome histórico do nacional-sindicalismo e da resistência monárquica.

Refiro-me a figuras como José Cardoso Pires, Mário Dionísio, José Gomes Ferreira, José Carlos Vasconcelos e Lauro António. Artur Portela Filho era "enviado especial" do jornal à Jordânia, em plena Guerra dos Seis Dias. Vítor Silva Tavares editava um excelente suplemento cultural - chamado "& etc", predecessor da editora homónima - com um grafismo que pedia meças ao da melhor imprensa com difusão nacional e onde se escrevia sobre filmes como Pierrot le Fou e Blow Up. A palavra "sexo" já surgia em títulos, apesar do olhar sempre vigilante da censura, que mirava com vistas implacáveis um periódico então com fama (e proveito) de simpatias pela oposição democrática.

"Arranjei uma gravurinha do século XIX - uma mãozinha com uma tesoura - que reduzi e apliquei na primeira página, quatro ou cinco vezes nos lugares onde tinha havido cortes. Aprendemos com a censura a ler os sinais gráficos. Tudo poderia constituir mensagem, subliminar, escondida. Era um jogo de gato e rato", lembraria o editor numa entrevista, muitos anos depois.

Marcas de um certo cosmopolitismo nessa Cova da Beira do Portugal de Salazar ainda situada a muitas horas de viagem de Lisboa. Marcas reflectidas no próprio noticiário comum. Na contracapa do jornal, sempre tradicionalmente dedicada à cidade da Covilhã, o destaque era dado - nessa edição de Março de 1967 - a uma "notável palestra do sr. Manuel Mesquita Nunes [provavelmente familiar do nosso Adolfo] sobre os problemas actuais da indústria de lanifícios", numa conferência de rotarismo.

 

Na mesma edição, leio a notícia de que dois primos meus - o alferes miliciano Manuel Correia Saraiva e o furriel miliciano António Eduardo Correia Saraiva - tinham regressado ao Fundão, cumprido o serviço militar no Ultramar. Eram as referências possíveis à guerra que se travava em três frentes africanas muito distantes do rectângulo luso e da qual só chegavam ecos esparsos às páginas dos jornais.

 

Imagem: uma rua do Fundão nos anos 50 (foto Caradisiac)

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Regresso ao passado (I)

por Pedro Correia, em 28.07.13

 

Se há coisa de que sempre gostei foi de consultar jornais antigos. Sou capaz de estar horas esquecidas numa biblioteca ou numa hemeroteca, aprendendo em cada notícia sobre o passado - e, através dele, conseguindo perceber também um pouco melhor o presente.

Sucedeu-me na tarde de quinta-feira, numa consulta à colecção do Jornal do Fundão, em cuja redacção fui muito bem recebido. Pretendia ler, fotocopiar e guardar notícias especificamente relacionadas com a minha família. Houve épocas em que os jornais - particularmente os jornais sedeados em cidades ou vilas da província - eram repositório de acontecimentos que constituíam marcos na vida privada de muitos dos seus assinantes e leitores, tornando-os notícia.

A partir de muitos desses textos é possível reconstituir hoje grande parte do quotidiano das décadas precedentes.

 

 

 

Recolhi várias notícias que de algum modo me diziam respeito. Incluindo a notícia do meu próprio nascimento, que não possuía em nenhum arquivo familiar. Seis linhas apenas, numa coluna do jornal que tinha imensa leitura, sob a epígrafe "notícias pessoais". Uma coluna que registava nascimentos e casamentos, naturalmente. Mas também internamentos hospitalares. Ou alterações de estatuto profissional ("Foi nomeado tesoureiro da Agência Geral de Depósitos em Oliveira de Azeméis o nosso amigo sr. X a quem cumprimentamos e desejamos os melhores êxitos"), ou simples visitas em gozo de licença ou de férias ("cumprimentámos o sr. Y, natural do Alcaide, oficial da Força Aérea em Lunda, que no continente se encontra em visita de alguns dias à família").

E há pormenores deliciosos, que nos remetem para um imaginário nada condizente com os nossos dias e nos falam de um Portugal que há muito deixou de existir.

 

Uma das rubricas fixas destas "notícias pessoais" era a dos pedidos de casamento. Lá vêm dois, registados para os devidos efeitos, na edição da semana em que nasci.

Não resisto a transcrever uma destas notícias (omitindo apelidos):

"Pela srª D. Otelinda... e sr. Aníbal..., solicitador e residente em Anadia, foi pedida em casamento para seu filho sr. dr. Serafim..., Delegado do Procurador da República em Lagos, a srª D. Maria..., gentil filha da srª D. Regina... e do sr. Francisco..., falecido."

Outros hábitos, outros costumes, outra imprensa, até outra linguagem. Outro País.

 

Imagem: avenida principal do Fundão, nos anos 50 (do blogue Postais do Fundão)

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As hóstias estão a fazer-lhe mal

por João André, em 23.07.13

Vão ler. Eu não sei se ria ou se chore. Como esta criatura que já mentiu descaradamente nas páginas do jornal ainda consegue manter a coluna (e a posição de professor, já agora) é que não sei. Vá lá que nunca dei um tostão furado por um número onde ele escreveu. E depois espantem-se que perdem leitores. Tantos bloggers de qualidade por aí e continuam a levar com estes montes de lixo.

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Resistência activa ao aborto ortográfico (94)

por Pedro Correia, em 10.07.13

 

Quinzenário Notícias de Vila Real

 

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Resistência activa ao aborto ortográfico (93)

por Pedro Correia, em 09.07.13

 

Le Monde Diplomatique - edição portuguesa

 

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Resistência activa ao aborto ortográfico (90)

por Pedro Correia, em 28.06.13

 

Quinzenário Imediato, de Paços de Ferreira

 

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Resistência activa ao aborto ortográfico (89)

por Pedro Correia, em 27.06.13

 

Quinzenário AuriNegra, de Coimbra

 

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Resistência activa ao aborto ortográfico (88)

por Pedro Correia, em 26.06.13

 

Semanário Terras da Beira, da Guarda

 

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Resistência activa ao aborto ortográfico (87)

por Pedro Correia, em 25.06.13

 

Semanário Jornal da Beira, de Viseu

 

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Resistência activa ao aborto ortográfico (86)

por Pedro Correia, em 24.06.13

 

Semanário Cardeal Saraiva, de Ponte de Lima

 

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Resistência activa ao aborto ortográfico (85)

por Pedro Correia, em 21.06.13

 

Bissemanário Alto Minho, de Ponte de Lima

 

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Resistência activa ao aborto ortográfico (84)

por Pedro Correia, em 19.06.13

 

Semanário Fonte Nova, de Portalegre

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Resistência activa ao aborto ortográfico (83)

por Pedro Correia, em 18.06.13

 

 

Semanário A Guarda

 

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Resistência activa ao aborto ortográfico (82)

por Pedro Correia, em 17.06.13

 

Semanário Alto Alentejo, de Portalegre

("Todos, neste jornal, discordamos da idiotice plasmada no chamado Acordo Ortográfico, cuja obrigatoriedade de cumprimento consideramos ilegítima", lê-se no editorial da última edição, sob o título "Escrevemos Português de Portugal")

 

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Resistência activa ao aborto ortográfico (67)

por Pedro Correia, em 11.05.13

 

Jornal Sénior

(iniciou a publicação esta semana, tendo na capa uma frase extraordinária de Carmen Dolores, actriz e não atriz: "Sou sempre nova nos meus sonhos")

 

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Vermelho

por João Campos, em 07.03.13

A imprensa portuguesa online aderiu quase em massa a uma campanha publicitária da Vodafone e cobriu hoje os seus portais de vermelho. No caso do Expresso, do Correio da Manhã e do Diário Económico, apenas as partes exteriores dos respectivos sites aparecem a vermelho - mas o Jornal de Notícias, o Diário de Notícias e o Público foram mais longe e decidiram "pintar" as suas páginas principais de vermelho, colocando o texto a preto ou a branco - o que é irrelevante, pois em ambos os casos é praticamente ilegível e quase doloroso para a vista (para além de ser pavoroso de um ponto de vista estético). Que os meios de comunicação portugueses precisem de receitas publicitárias como de pão para a boca não duvido (e esta campanha não terá sido barata), mas não me parece boa política comprometerem a visibilidade dos seus conteúdos noticiosos - que, para todos os efeitos, são aquilo que os leitores procuram. Depois admirem-se. 

 

(não coloco hiperligações por não querer induzir ataques epilépticos aos estimados leitores do Delito)

 

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