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20 anos de incompreensão

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.07.17

870503-4653110-Chinese_President_Xi_Jinping_inspec(Créditos: AP, Hong Kong)

 

Completaram-se 20 anos sobre a transferência de soberania de Hong Kong e dos Novos Territórios do Reino Unido (R.U.) para a República Popular da China (R.P.C.). A data foi assinalada com a visita do Presidente Xi Jinping e a tomada de posse do novo executivo liderado por Carrie Lam.

No entanto, o que fica destes dias, para além do extraordinário espectáculo de fogo de artifício que iluminou as águas de Victoria Harbour e os céus de Central, Causeway Bay e Wanchai, e da exibição de força do Exército de Libertação Popular foram os discursos, as entrevistas e as manifestações.

Se é certo que a vida continua, que Hong Kong continua a ser uma cidade trepidante, belíssima e atraente, que continua a haver liberdade de imprensa, não será menos verdade que muita coisa mudou. As duas décadas que passaram foram marcadas por muitos altos e baixos, por epidemias, também por instabilidade na economia e uma relação conturbada entre as forças locais, a sua sociedade civil e Beijing.

A somar a isto, os vários casos de corrupção ao mais alto nível que têm vindo a ser julgados pelos tribunais, a inabilidade política e impreparação de que deram mostra os sucessivos chefes do executivo, o atraso na reforma eleitoral e a forma incompetente como se lidou com os sentimentos do povo de Hong Kong, ajudaram a criar a ideia de que a integração da antiga colónia britânica na R.P.C. não está a ser o sucesso que se tem vindo a apregoar.

Isso ficou mais evidente quando nos últimos dias muitos milhares foram para as ruas pedir maior autonomia, mais democracia e a libertação do Nobel da Paz, o que teve como resposta um endurecimento do discurso oficial tanto em Beijing como em Hong Kong. Na capital chinesa, Li Kang, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros veio dizer, com a habitual falta de tacto político, que a Declaração Conjunta Sino-Britânica é um "documento histórico" que "já não tem significado prático", acrescentando que o R.U. não tem qualquer poder de supervisionamento ou de fiscalização sobre o que se passa em Hong Kong depois da transferência de soberania.

É evidente que as declarações sino-britânica, sobre Hong Kong, e sino-portuguesa, sobre Macau, que conduziram, respectivamente, às transferências de soberania e de administração, são instrumentos de direito internacional, destinados a vigorar durante um período de 50 anos e que, como tal, não podem ser ignorados e objecto de tamanho agravo.

As disparatadas declarações do porta-voz do M.N.E. chinês foram depois completadas com as afirmações de Xi Jinping e Carrie Lam sobre a existência de uma "linha vermelha", apesar de tudo compreensível, que não poderá ser ultrapassada em Hong Kong, mas em que o tom deixou no ar a pairar um sentimento de ameaça sobre o futuro.

A aproximação e integração de Hong Kong na R.P.C., mas também a de Macau, têm sido feitas a um ritmo acelerado, e nos dois lados em claro prejuízo da qualidade de vida e das liberdades dos seus residentes, multiplicando-se os sinais de um crescente autoritarismo dos poderes políticos e judiciais dessas regiões, com consequências imediatas na interpretação de textos legais, na liberdade de circulação das pessoas e no exercício de direitos de manifestação. A especulação imobiliária, a carestia de vida, a má qualidade do ar e uma absoluta falta de jeito para a resolução dos problemas locais, contribuíram para o crescimento de sentimentos anti-Beijing e o aparecimento de focos de independentismo que, muitas vezes não correspondendo a genuínos sentimentos de independência, surgem como atitudes de rebeldia e desafio à autoridade do poder central e ao servilismo dos dirigentes locais perante aquele.

As respostas que foram dadas, muitas vezes despropositadas, ajudaram a um cada vez maior radicalismo do chamado movimento democrático e à alienação de uma boa parte do apoio das novas gerações, cada vez mais desconfiadas das intenções de Beijing e temendo que a antecipação do final do período de transição signifique o fim das suas aspirações de auto-governo e de mais democracia.

A demonstração de meios militares que Beijing resolveu fazer no passado fim-de-semana no quartel de Shek Kong, com uma exibição ostensiva de meios aéreos e mísseis, terá agora continuação com a anunciada visita à Região do moderníssimo avião de combate J-20 e do porta-aviões Liaoning, que participarão nos exercícios militares das celebrações do handover.

Por outro lado, a rapidez com que o Presidente chinês passou por Hong Kong, o aparato do anel de segurança, as ruas fechadas, os visitantes impedidos de entrar em Hong Kong dias antes da sua chegada (como aconteceu com um activista referenciado de Macau que pretendia ir a uma consulta médica de rotina e foi obrigado a regressar), as prisões de 26 activistas ainda antes da chegada da comitiva presidencial, levaram alguns a dizer que a visita não serviu para nada, do ponto de vista dos interesses de Hong Kong.

Pode ser que o facto do novo governo ser liderado por uma mulher traga mais bom senso, outra sensibilidade para as questões locais e uma outra forma de lidar com os assuntos que preocupam a sociedade de Hong Kong, amaciando o tom dos avisos de Beijing. Mas por agora a esperança é pouca e a desconfiança muita.

O último governador de Hong Kong, Chris Patten, recordava há dias um episódio ocorrido pouco antes de 1 de Julho de 1997, numa visita a um centro de saúde mental, quando um dos doentes aí internado se lhe dirigiu, com uma desarmante lucidez, questionando-o como era possível que a mais antiga democracia do mundo fosse entregar a antiga colónia a um dos últimos e o maior estado socialista do mundo sem consultar a população de Hong Kong.

Os últimos 20 anos não foram de molde a inspirar um aumento de confiança dos "hongkongers" no que chega de Beijing. Também a forma como a intervenção do poder central é vista não é igual entre todos os residentes, pois convém não esquecer que muitos são residentes recentes educados num outro espírito e que chegaram do outro lado da fronteira.

O outro lado onde, como ainda há pouco mais de uma semana pude comprovar quando estive em Shenzhen – a zona económica especial que faz fronteira a norte com os Novos Territórios, e que no espaço de três décadas se transformou de uma aldeia de pescadores numa metrópole moderna de mais de 11 milhões de habitantes e com mais de uma dezena de linhas de metropolitano –, a censura continua a imperar, mesmo quando em causa está a transmissão de uma emissão de rotina da CNN no moderno hotel de uma das mais prestigiadas cadeias internacionais. No intervalo dos programas que estavam a ir para o ar, sempre que surgia o anúncio da cobertura que aquela estação televisiva iria fazer das cerimónias dos 20 anos da transferência de soberania de Hong Kong e da programação especial alusiva ao evento, a emissão era cortada e só retomava no final do anúncio. Agora os anúncios também estão em causa. Já não se trata só de censurar o programa no dia em que for para o ar.

Esta preocupação com o controlo, tão típica de regimes autoritários e estados policiais, recebeu esta manhã honras de primeira página no South China Morning Post que destacou declarações de Carrie Lam. A nova chefe do executivo de Hong Kong avisou da necessidade de se fazer mais para "se ensinar os novos sobre a China", e que isso não podia ser rotulado como "lavagem ao cérebro", declarações que vêm no seguimento, aliás, do que afirmou o Presidente Xi Jinping no sentido de ser feita uma "interpretação correcta" do princípio "um país, dois sistemas" e de que o "amor pela história e cultura da China são vitais". Sobre estes dois pontos ninguém tem dúvidas.

O problema estará só em saber até que ponto a população de Hong Kong se predisporá a aceitar uma interpretação e uma visão impostas a partir de Beijing, mais limitadoras do que aquilo que lhes foi prometido e aparentemente garantido pela Declaração Sino-Britânica e a Lei Básica de Hong Kong. A ver vamos.

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Hemingway na minha Hong Kong

por Sérgio de Almeida Correia, em 15.02.16

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Apesar de ser um admirador da obra de Hemingway e do personagem que o mito criou atrás do nome, desconhecia de todo o episódio da passagem do escritor e jornalista por Hong Kong entre 22 de Fevereiro e Abril de 1941, numa altura em que a II Guerra tomava conta da Europa e o conflito sino-japonês continuava a endurecer.

Aproveitando o facto de se comemorarem os 75 anos da chegada a Victoria Harbour do clipper da Pan Am que transportou o escritor, Stuart Heaver publicou na edição de ontem do Post Magazine, suplemento do South China Morning Post, um magnífico trabalho sobre essa visita com o sugestivo título de "The importance of being Ernest".

Ao longo do texto, cuja leitura recomendo a quem consiga ter acesso ao jornal, Heaver percorre os lugares, muitos deles ainda hoje existentes, por onde passou o escritor e a, ao tempo, sua mulher, a também jornalista Martha Gellhorn, com quem se havia casado em Cuba em Novembro de 1940, a tal ponto que a viagem à Ásia foi descrita como a sua "lua-de-mel."

Hemingway já era ao tempo uma celebridade em razão das suas crónicas de guerra e da publicação de "For whom the bell tolls", cuja primeira publicação ocorrera em Outubro de 1940, depois de ter sido escrito em passagens por Cuba, Key West e o Idaho, em 1939.

Depois do desembarque, que fora anunciado nas páginas da imprensa local com grande destaque nas semanas anteriores, Hemingway e Martha deslocaram-se de Kai Tak, onde existia o velho aeroporto, para a ilha usando o Star Ferry e hospedando-se depois no famoso Hong Kong Hotel, em Pedder Street. O Hong Kong Hotel foi o primeiro hotel de luxo da cidade e depois de diversas vicissitudes acabaria por ser demolido em 1952.

O texto do SCMP aproveita o testemunho de Peter Moreira, que foi um dos grandes jornalistas do Post e autor de um livro publicado em 2006 onde é recordada a passagem do casal Hemingway/Hagellhorn pela Ásia cujo título é "Hemingway on the China front". Por aí se fica a saber o que terá sido essa jornada do casal por estas paragens, onde hoje de novo me encontro, e no modo como essa experiência terá sido vivida. Hemingway em nada defraudou as expectativas e tudo o que o tornou famoso, no bom e no mau sentido, repetiu-se em Hong Kong nas semanas seguintes.

Ao chegar ao hotel onde se alojou, Hemingway tomou conta do seu bar, o The Grips, onde se rodeou de um grupo de habituais frequentadores, sempre prontos a contarem novas histórias, a divertirem-se e a ingerirem quantidades industriais de álcool das mais diversas origens. O estado de espírito do escritor era tal que a um jornalista que quis entrevistá-lo aconselhou "drink up, drink up, I am in the money".

Enquanto Hemingway bebia galões no The Grips e ia "socializando", relata-nos Heaver, Martha foi tomar o pulso à cidade, já então sob a pesada influência do conflito sino-japonês e acabou a visitar mercados, bordéis, casas de ópio e a inteirar-se das condições dos refugiados que demandavam a colónia britânica. Na altura, entre as companhias do escritor estavam Emily Hahn, famosa pela aventura extraconjugal com o capitão Charles Boxer, distinto linguista que colaborava com os serviços secretos ingleses e cuja mulher fora evacuada em Junho, mas também alguns poderosos tycoons locais a quem Hemingway se referiu como YT e CK, um oficial superior da polícia de HK, diplomatas, as tripulações de folga da CNAC e um judeu polaco conhecido como Morris "Two Gun" Cohen, que foi general no Kuomintang e guarda-costas de Chiang Kai-chek. Cohen foi o grande companheiro de Hemingway em Hong Kong e aquele que o apresentou a Madame Sun. De acordo com o relato de Heaver, baseado num escrito de Martha, foi Hemingway quem introduziu o Bloody Mary em Hong Kong e o escritor, em carta para um amigo, terá escrito que, com a possível excepção do exército japonês, ter-se-á ficado a dever-se a essa bebida a responsabilidade pela queda de Hong Kong.

Durante os meses que permaneceram pela região, ao que rezam as crónicas, Hemingway também funcionou como espião, recolhendo informações para o seu país, em especial para Henry Morgenthau, que era o Secretário do Tesouro, a partir de fontes tão fidedignas como Cohen e Boxer.

A Martha Gellhorn não era dada a mesma atenção, apesar da sua mulher já ser uma autora reconhecida no seu país, pois tinha publicado dois romances, era correspondente do Collier's Magazine e, entretanto, já estivera em reportagem na Alemanha, efectuara a cobertura da Guerra Civil espanhola e testemunhara a ocupação da Finlândia pela União Soviética. Como recorda Heaver, 75 anos depois a sua descrição de Hong Kong ainda se mantém actual: "To newcomers, Hong Kong seems like a combination of Times Square on New Year's eve, the subway at five-tirthy in the afternoon, a three alarm fire, a public auction and a country fair".

O trabalho de Heaver está repleto de episódios e relata histórias tão interessantes como a do encontro em Chungking com o Generalíssimo Chiang-Kai-chek, em 14 de Abril, no dia seguinte à assinatura do pacto de não-agressão entre Estaline e o Japão, quando aquele num evidente sinal de respeito para com os visitantes retirou a placa da sua dentadura para receber o escritor, ou do encontro entre Martha e a senhora Chiang. Sobre esse encontro Martha referiu que o Generalíssimo parecia embalsamado, que Chiang era "still a beauty and famous vamp" e que esta, em resposta a um comentário de Martha, escandalizada com o facto de haver leprosos nas ruas, lhe disse que "China had a great culture when your ancestors where living in trees and painting themselves blue".

O casal ainda se encontrou com Zhou Enlai (também romanizado como Chu En-Lai), que viria a ser em 1949 o primeiro primeiro-ministro da República Popular da China, encontro que aconteceu na sequência de uma abordagem clandestina feita num mercado e de quem Hemingway, que teve de explicar à mulher de quem se tratava, disse ter sido "the one really good man we'd met in China".

Martha ainda viajaria para Singapura, pela Birmânia e a Indonésia, mas a estadia pelas paragens orientais deteriorou de tal forma as relações do casal que aquela acabaria por publicar um livro (Travels with myself and another) de onde ressalta a forma como passou a referir-se ao seu ex-marido: "UC", isto é, "the unwilling company". Note-se que Martha tinha 32 anos e era uma mulher de uma grande beleza, um espírito liberal e independente, mas nada disso terá sido suficientemente forte para prender o escritor e manter acesa a chama do encontro no Sloppy's Joe Bar, em Key West (Florida), por alturas do Natal de 1936, quando conheceu Hemingway.

Para o escritor, e do que resulta do excelente trabalho de Heaver e dos relatos de Moreira, impossíveis de aqui reproduzir na íntegra, Hong Kong foi uma cidade que o seduziu e que se deixou seduzir por ele, espantado com os glamorosos jantares e corridas em Happy Valley, para onde o cônsul norte-americano Addison Southard fazia questão de convidar o casal e ser o anfitrião. De acordo com o texto do Post, o escritor terá ficado impressionado com a quantidade de mulheres que os "500 milionários" de Hong Kong recrutavam do outro lado da fronteira.

Depois da estadia no Hong Kong Hotel, com Martha farta dos rebentamentos de panchões, o casal mudou-se para o Repulse Bay Hotel, no lado sul da ilha, local onde hoje existe um conjunto de apartamentos, mas em que se teve o cuidado de preservar a fachada do velho hotel, ainda existem os locais com os nomes de então, como o Verandah Restaurant e o Bamboo Bar. Depois de uma renovação em 2009 existe uma placa recordando a passagem de Hemingway por lá.

Após o regresso da China, Hemingway instalou-se sozinho no Peninsula Hotel, especulando-se sobre se terá sido mesmo verdade que foi aí que o escritor dormiu com três prostitutas ao mesmo tempo. Sobre esse facto, Heaver menciona a descrição feita pelo autor em Islands in the Stream, texto póstumo publicado em 1970, mas não há certezas sobre isso.

Em 6 de Maio, Hemingway partiu de Hong Kong rumo a Manila, onde certamente terá continuado a sua aventura. Nunca mais voltaria à Ásia. Como escreve Heaver, a sua partida foi também o fim da lua-de-mel com Martha, para quem o casamento "was just too boring" e que acabaria por se desfazer no regresso a Londres. Martha, de acordo com o relato de Heaver, foi a única mulher que deixou o escritor e esse facto terá sido algo que este nunca lhe perdoou.

O documento que Heaver deixou ontem nas páginas do Post Magazine é um trabalho notável pela quantidade de informação e de referências que aí se lêem, ajudando a iluminar essa parte esquecida, porventura escondida, da vida do escritor.

Ter a sorte, apesar de muitas vicissitudes recentes, de poder continuar a ser um homem livre e um viajante, percorrendo textos e locais como os descritos, deixa-me com uma vontade especial de regressar em breve a Repulse Bay. E certamente que quando voltar a passar por Pedder Street ou a tomar um copo no Peninsula, que continua a ser um local de culto da cidade, não deixarei de recordar as páginas de Heaver e de aqui trazer algumas fotos desses locais por onde Hemingway passou e que agora fiquei a conhecer, repartindo com os leitores do DO o que aqui e ali vou vendo e aprendendo.  

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Visto de Macau

por Sérgio de Almeida Correia, em 12.01.16

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Livros, editores, combate político, democracia e direitos humanos nunca foram coisas que dessem dinheiro. A não ser para alguns.

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Uma lição

por Sérgio de Almeida Correia, em 19.06.15

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Em Pequim ainda devem estar a pensar se o que aconteceu ontem em Hong Kong, no Legislative Council (Legco), com a votação do pacote de medidas preparado pelo Governo de C.Y. Leung, através da Secretária Carrie Lam, tendente a uma pseudo-reforma democrática das leis eleitorais, resultou de um guião mau preparado, de dificuldades de comunicação ou da pura e simples má qualidade dos actores que a China escolheu para defender os seus interesses naquela Região Administrativa Especial.

De há muito que se sabia qual é que seria, previsivelmente, o sentido de voto dos deputados: de um lado estariam os pró-Pequim, sempre prontos a apoiarem todas as indicações que lhes chegassem da "Mãe-Pátria", do outro os hongkongers do campo democrático (Pan-democrats), que depois das manifestações de rua do ano passado, que tantos incómodos causaram, já tinham anunciado que iriam votar contra e bloquear a reforma semi-democrática que lhes era oferecida.

Para quem não acompanhou o início da discussão, convirá esclarecer que à semelhança do que acontece em Macau só uma parte dos membros do Legco é que é eleita por sufrágio directo. Dos seus membros há trinta que são eleitos por sufrágio indirecto. De acordo com a Lei Básica de Hong Kong, texto para-constitucional da Região, hoje vista como a Magna Carta dos seus cidadãos, o artigo 68.º estatui como objectivo último a eleição por sufrágio universal de todos os membros do Legco, havendo idêntico artigo para a eleição do Chefe do Executivo. O que o Governo de Hong Kong preparou, de acordo com as directivas de Pequim, foi um pacote de reformas que previa, entre outras coisas, um sufrágio universal condicionado para a escolha do próximo Chefe do Executivo, que terá lugar em 2017. Condicionado porque o princípio "one man, one vote" iria depender de um esquema de pré-aprovação, por parte de Pequim, dos candidatos que se apresentassem a sufrágio, com o seu número limitado a três. Importa também referir que o número de forças políticas representado no Legco é elevado (16), dividindo-se entre os dois campos (Pró-Pequim e Pan-democratas) e que dos Independentes há 8 pró-Pequim e 3 que não alinham com nenhum dos lados e procuram manter-se equidistantes, pelo menos em teoria.

Os democratas sempre rejeitaram reformas mitigadas, muitas vezes recordando que existia um compromisso político e legal que devia ser respeitado e que a introdução de uma democracia com regras distorcidas, que não contemplasse a eleição directa e por sufrágio universal, sem condicionamentos de qualquer ordem, do próximo Chefe do Executivo, seria uma violação das garantias constitucionais da Região e da palavra de Pequim. Alguns ainda argumentaram que apesar dos constrangimentos introduzidos sempre seria preferível uma eleição em que todos os cidadãos participassem - coisa que nunca aconteceu no tempo da administração colonial - com candidatos pré-escolhidos, do que a continuação do actual esquema que, pelos vistos, também não tem dado bons resultados, tantos e tão graves têm sido os problemas ocorridos em Hong Kong, quer numa perspectiva política, com sucessivos casos de corrupção envolvendo os mais altos dirigentes escolhidos com o aval da China, quer numa perspectiva estritamente económica.

A aprovação do pacote de medidas estava, em todo o caso, dependente de uma maioria de 2/3, que só seria atingível com votos do campo democrático. Logo, o risco à partida já era grande se os 27 deputados do campo Pan-Democrático votassem. Mas o que aconteceu foi que momentos antes da votação, 31 dos membros apoiantes do governo de Hong Kong, alegando o atraso de um dos seus (Lau Wong-fat) para a votação, ao que parece retido em razão do congestionado trânsito da cidade, abandonaram o hemiciclo confiando que a votação iria ser adiada, logo aí revelando desconhecimento do regimento do Legco. Sucedeu que a votação não era passível de adiamento e a seguir teve lugar o chumbo da proposta do governo de Hong Kong. A votação registou 28 votos contra, 27 votos do lado democrático complementados com mais um voto de um membro pró-Pequim, oito a favor e nenhuma abstenção. 

Para lá da ignorância e falta de coordenação que as forças pró-Pequim revelaram, para o governo de Hong Kong e para Pequim o resultado, como escrevia esta manhã o South China Morning Post, foi um fiasco. Mas mais importante do que a risada geral que provocou  -  "Alliance chairman Andrew Leung Kwan-yuen said he went to Beijing's liason office yesterday afternoon with several party colleagues to tell a deputy director what happened. Meanwhile, according to Liberal Party sources, senior liaison office officials called party leader Vincent Fung Kang at about 1pm yesterday to praise its lawmakers." (SCMP) -, é saber que consequências podem daqui resultar. Para Hong Kong, para Macau e para a própria China.

O campo político da Hong Kong há muito que está extremado, não havendo sinais que permitam pensar que daqui para a frente vai ser diferente. O impasse deverá continuar, salvo se alguém tiver o bom senso de propor uma solução transitória que salve a face das duas partes e permita o recomeço do diálogo, eventualmente assente noutras bases e novos compromissos. Em todo o caso, um endurecimento das posições de Pequim e uma revisão daquela que tem sido a sua política em relação a Hong Kong não será de excluir. 

Para a China, numa perspectiva interna, as consequências serão nenhumas. A não ser em relação àquilo que já era conhecido. Isto é, a confirmação de que existe dificuldade em aceitar as regras do jogo democrático e confiar a gestão de Hong Kong ao seu povo. E se é assim em Hong Kong, é natural que os democratas de um lado e do outro lado dos Novos Territórios tenham razões para continuar apreensivos, tanto mais que Pequim já veio ridiculamente criticar os Pan-democratas por estarem, imagine-se, a obstruir o desenvolvimento democrático de Hong Kong.

Quanto a Macau, as consequências podem também ser nenhumas. O que aconteceu em Hong Kong poderá, quando muito, tornar mais medrosa, mais acomodada e mais subserviente uma governação - e refiro-me à última década - que tem dado constantes mostras de fraqueza, obediência, falta de arrojo e de visão estratégica. E, ao mesmo tempo, acalmar as hostes democráticas locais, mantendo-as na expectativa sobre o que se irá passar em Hong Kong antes de decidirem avançar com novas formas de pressão e renovadas exigências, no que só revelarão bom senso.

Há, ainda, uma outra conclusão a extrair. E esta diz respeito a todos, quer estejam em Hong Kong, em Macau, na China, em Portugal ou em qualquer outro lado: o recurso aos yes-men para garantir a permanência no poder e concretizar políticas, além de revelar a pouca inteligência de quem os escolhe, é sempre um risco muito grande. A idiotia, como a verdade, vem sempre à superfície e, normalmente, sob as formas menos esperadas e mais caricatas. 

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O Pai Natal veio ver as iluminações

por Sérgio de Almeida Correia, em 09.12.14

B4WjO6rCcAAStXb.jpg_large.jpegO homem está em Hong Kong. Que irão fazer? Pintar a parede?

 

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Eu se fosse aos tipos agora é que não saía da rua

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.10.14

scmp_29jan14_ns_cy5_40622477.jpg"Democracy would see poor people dominate Hong Kong vote" - C. Y. Leung

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Uma boa chuvada

por Sérgio de Almeida Correia, em 15.10.14

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O cardeal Joseph  Zen Zekiun, bispo emérito de Hong Kong, em declarações ao Ponto Final, teme que a coisa descambe numa espécie de Tiananmen, queixando-se da estupidez. Espero que não tenha razão e que os seus receios não passem disso mesmo. Em todo o caso, para já, está tudo mais apimentado. Face ao radicalismo de que os dois lados têm dados provas e ao elevado nível de insensatez que por aí anda, não se avistam soluções que desbloqueiem a situação. Uma boa chuvada seria o ideal para mandar a malta para casa. Enquanto uns podiam aproveitar para refrescar as ideias, os outros repensariam a estratégia. Assim, como as coisas estão, ninguém se irá safar de cara lavada, embora Pequim talvez devesse começar por mandar recolher o Chefe do Executivo C.Y. Leung, cujas condições de continuidade se tornaram insustentáveis depois do escândalo revelado a semana passada. O combate à corrupção em Hong Kong ou em Macau não pode ser diferente daquilo que se passa em Pequim, Xangai ou Cantão. E, no mínimo, seria um sinal de compromisso perante o futuro.

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Mais um mau serviço do general

por Sérgio de Almeida Correia, em 13.10.14

 

Hong-Kong-proteste.jpgDe há muito se sabia que as diferenças entre Chris Patten e Rocha Vieira eram grandes, de certo modo confirmando a diferença de estatuto entre Hong Kong e Macau. E essas diferenças tornaram-se mais visíveis depois do fim dos respectivos mandatos como governadores daqueles antigos territórios, ou seja, quando estes regressaram à administração chinesa, respectivamente, em 1997 e 1999. O que se seguiu, relativamente à vida de cada um, é público. Um foi para Comissário Europeu, sendo-lhe atribuído o pelouro das relações exteriores, depois Chairman do BBC Trust e Chancellor of the University of Oxford. O outro tratou de proteger-se dos escândalos da sua governação, designadamente da forma como procedeu à constituição da Fundação Jorge Álvares, aproveitou para promover o BPP, foi jogar golfe e tratar de comendas e medalhas para as Ordens Honoríficas. E, pelo caminho, passou a integrar o Conselho de Supervisão da EDP devido, segundo o próprio, à sua ligação à China e a Macau, órgão onde ainda hoje se mantém.

A propósito das exigências de mais democracia e sobre o complexo momento que se está a viver em Hong Kong, depois de ter dito que a China está a violar compromissos assumidos antes de 1997 e ter apelado à responsabilidade e sentido de honra da antiga potência colonial, Patten veio reafirmar que o que está em causa se insere dentro da esfera de autonomia de Hong Kong. Por seu turno, Rocha Vieira, que não é tido nem achado na questão de Hong Kong, saiu a terreiro para criticar o movimento. Para o ex-governador de Macau o movimento "Occupy Central" "has undermined the prosperity and stability of Hong Kong and seriously damaged the interests of people". Os interesses de que povo, perguntar-se-á?

Não sei se o facto da ligação de Rocha Vieira à China continuar a traduzir-se no recebimento de uma tença de várias dezenas de milhares de euros, a acrescentar à sua choruda reforma, o obriga a sair a terreiro para se pronunciar sobre o que se está a passar em Hong Kong. De qualquer modo, não lhe teria ficado mal, depois do que andou a fazer por Macau, nomeadamente em matéria de defesa dos valores democráticos, transparência política e liberdade de imprensa, onde tentou silenciar a imprensa livre e não submissa, dando e cortando subsídios ao sabor das circunstâncias com a inestimável ajuda dos afilhados e serventuários, tivesse ficado calado.

Pessoalmente interpreto as declarações proferidas por Rocha Vieira sobre "Occupy Central", mais do que qualquer genuína preocupação com o futuro de Hong Kong ou das suas gentes, como mais um sinal da estável ligação que mantém à China. Neste caso através da China Three Gorges e da lubrificação regular da sua conta bancária por parte da "privatizada" EDP. Quanto mais não fosse por essa razão, à falta de outra que a sua fraca memória não lhe permitisse recordar, seria bom que o senhor general tivesse pensado que quaisquer declarações que proferisse sobre o assunto seriam sempre vistas como um favor a quem lhe continua a pagar. A Xinhua, que nestas coisas não brinca, não perdeu tempo em colocar-lhe o microfone à frente e já se encarregou de dar o destaque devido às suas declarações, entretanto também referidas pela TDM.

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A cada um a sua lei

por Sérgio de Almeida Correia, em 10.10.14

20120704_51b0c6b5a8d395e33407t8R02hzlJ5VQ.jpgEm 2012 muita gente se interrogou sobre se Leung Chun-ying seria digno de confiança. Em causa estava na altura a realização de um conjunto de obras ilegais nas suas casas do Peak. Depois da assunção de responsabilidades e de um pedido de desculpas o assunto morreu. Mas hoje volta a ser pertinente colocar a mesma questão e a resposta mais óbvia parece ser "não, não pode confiar".

Os movimentos desencadeados em Hong Kong em torno da escolha do futuro Chefe do Executivo daquela poderosa Região Administrativa Especial da RPC, no sentido da escolha por sufrágio universal e directo já em 2017, agudizaram-se a partir do momento em que foi conhecida a decisão de 31 de Agosto do Congresso Nacional Popular que determinou que a escolha dos candidatos a sucessores de C. Y. Leung ocorresse no seio do Comité de Eleição em termos idênticos aos verificados em 2012, isto é, sendo aquele órgão escolhido e controlado por Pequim a determinar quem seriam os candidatos que poderiam depois apresentar-se à eleição.

Esta decisão foi vista por largos milhares de pessoas como um grave desvio à letra e ao espírito do artigo 45.º, n.º 2, da Lei Básica de Hong Kong. Recorde-se que este normativo estatui que o objectivo último é a escolha do Chefe do Executivo de HK através do sufrágio universal por parte de um comité escolhido de acordo com as regras democráticas.  Nada mais se dizendo, a única forma que Pequim encontrou para obviar à apresentação de candidaturas saídas dos movimentos e partidos democratas que se lhe opõem foi a de tirar com uma mão o que aparentemente dava com a outra. Ou seja, o que Pequim disse foi que para haver sufrágio universal em 2017 o número e o nome dos candidatos seria previamente aprovado pelo órgão da sua confiança, devendo os três candidatos (número máximo) que viessem a ser aprovados obter o consenso de mais de 50% dos membros do Comité de Eleição.

Se em Maio, Junho e Julho a cena política já estava quente, e não apenas pela impiedosa canícula e humidade, tendo-se os campos extremado após o anúncio do movimento "Occupy Central" e a manifestação pró-Pequim de 17 de Agosto, que trouxe para as ruas centenas de milhares de pessoas, como que a dizer que em Hong Kong não havia só oposição mas também apoio na rua às intenções de Pequim, o final de Setembro colocou as autoridades locais perante novos desafios. A ocupação e paralisação de vastas zonas do centro nevrálgico de Hong Kong por movimentos cívicos e de estudantes veio chamar ainda mais a atenção internacional para a situação da antiga colónia britânica.

Durante algumas semanas, em virtude de ter andado por outras paragens, foi-me impossível acompanhar ao vivo e em directo o que se ia passando, ficando limitado ao que surgia nos jornais e nos ecrãs das televisões por onde passava, e era divulgado via Internet, mormente através de blogues e redes sociais. Apesar disso, creio que qualquer observador externo, que não acompanhasse a realidade local, sem dificuldade perceberia o que se estava a passar e perguntaria até quando as autoridades chinesas estariam dispostas a permitir o caos numa das mais importantes praças financeiras do mundo, numa das cidades mais belas e mais visitadas da Ásia.

Aos poucos foi possível perceber que o movimento desencadeado estava dependente de frágeis lideranças e de uma estratégia que, para além de reclamar o cumprimento de promessas e do artigo 45.º da Lei Básica, fosse mais do que a simples decisão de ocupação pacífica do centro da cidade. Muitos apontaram-lhe falta de consistência política. No entanto, e depois de um período em que o cansaço se começou a tornar evidente nos manifestantes, nas autoridades e em vastos sectores da população, as revelações do passado dia 8, do Sidney Morning Herald, voltaram a colocar a população em polvorosa e podem funcionar como um novo impulso para um reagrupar de forças e um endurecimento do movimento "Occupy Central" contra Pequim e a protecção que tem sido conferida à sua gente em Hong Kong.

Em causa está o recebimento por parte do Chefe do Executivo de Hong Kong de cerca de 4 milhões de libras, cerca de 50 milhões de dólares de Hong Kong, em dois pagamentos que lhe foram efectuados pelos australianos da UGL. De acordo com o que entretanto foi conhecido, C. Y. Leung dois dias antes de se demitir da DTZ, a entidade para a qual trabalhava e de que era director antes de se tornar Chefe do Executivo de HK, assinou um contrato secreto para ser "referee and adviser" do grupo australiano e para prevenir que formasse e/ou se associasse a uma empresa ou grupo rival contra os seus antigos patrões. Sabendo-se que já em Novembro de 2011 C. Y. Leung apresentara a sua candidatura à corrida para Chefe do Executivo, duvida-se da bondade dos argumentos invocados para os pagamentos, tanto mais que estes só viriam a ocorrer em 2012 e 2013, já em pleno mandato. Fosse para pagamento de comissões, tráfico de influências ou corrupção pura e dura, como parece ser, visto que em 2012 e 2013 havia a certeza de que ele não estava a desempenhar funções para terceiros concorrentes mas a exercer um cargo político em Hong Kong, certo é que este caso segue-se ao de Rafael Hui Si-yuan, outro membro do executivo de Hong Kong caído em desgraça devido às suas relações com os dois irmãos da poderosa Sun Hung Kai Properties, cujos contornos têm tanto de rocambolesco quanto de grave.

Se em Macau a sociedade civil é praticamente inexistente, reconhecidamente fraca e tudo - com excepção dos casinos e do que estes envolvem - funciona numa escala ínfima face ao que se passa em Hong Kong, não deixa de ser preocupante para as autoridades chinesas que, num momento em que na RPC o Partido Comunista e o seu líder máximo desenvolvem um combate sem quartel contra a corrupção (na melhor tradição maoísta designado por "Linha de Massas"), que já levou ao afastamento de mais de 70.000 membros do Partido, não sendo sequer poupados os seus mais altos dirigentes e a elite empresarial, nas duas regiões do delta do Rio das Pérolas se sucedam casos de corrupção envolvendo figuras do establishment, milionários, empresários conhecidos e membros dos executivos locais, em ambos os casos desafiados por jovens muito novos e estudantes - em Hong Kong um dos dirigentes do movimento tem apenas 17 anos e esteve detido durante 46 horas.

As reacções a que até agora temos assistido, que rapidamente vão da tolerância ao uso da força - bastonadas, gás pimenta e gás lacrimogéneo já foram utilizados pelas forças de segurança de Hong Kong -, com o arrastar da contestação de rua e a consequente degradação da imagem de confiança, estabilidade e segurança de Hong Kong, não permitem a ninguém com um mínimo de seriedade prever o que se vai passar a seguir. Tudo é possível.

Um endurecimento das posições de Pequim e o uso indiscriminado da força aumentará a desconfiança da população de Hong Kong, dos observadores externos e dos investidores. Por outro lado, a aceitação nas actuais circunstâncias das exigências dos manifestantes transmitiria sempre uma imagem de fraqueza que retiraria face às autoridades chinesas e poderia constituir um desafio aos movimentos, sistematicamente silenciados e desvalorizados, que no interior da China clamam por mais liberdade e democracia. Qualquer que seja o desfecho, que estou convencido ocorrerá muito em breve, talvez não mais que algumas semanas, nada voltará a ser como dantes.

Do outro lado do estreito da Formosa, apesar dos mais recentes desenvolvimentos nas relações com Taipé, são muitos milhões os olhos que observam o que se vai passando em Hong Kong. Deste lado do delta também. Não é só a confiança em C. Y. Leung e a protecção que a RPC tem dado a alguns sectores corruptos da elite empresarial e política de Hong Kong que suscita interrogações. Torna-se por isso legítimo aos cidadãos de Hong Kong perguntar até que ponto a RPC é confiável. A resposta só poderá ser dada pelas autoridades chinesas e vai depender da forma como se processar a escolha do próximo Chefe do Executivo. O que agora está em cima da mesa também não se resume a um punhado de dólares. E dificilmente estes seriam alguma vez suficientes para comprarem o que se receia ver restringido ou perder e que continua a ser preservado - até quando? - num modestíssimo 5.º andar da Austin Avenue: o direito a escolher. A liberdade.

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25 anos depois

por Sérgio de Almeida Correia, em 04.06.14

O exemplo só pode ser recordado ser for conhecido. 25 anos depois volta a ser 4 de Junho. Aqui no Delito também. E como para se conhecer e recordar é preciso antes preservar, em Hong Kong foi recentemente inaugurado um museu dedicado aos acontecimentos da Praça da Paz Celestial. Porque enquanto se espera pela verdade não convém ficar de braços cruzados. O silêncio pode ser sepulcral, mas a memória vive e reproduz-se através de actos concretos.

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