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Uma data especial!

por Helena Sacadura Cabral, em 27.04.14

Hoje gostaria de ter estado nas celebrações de santificação de João XXIII e de João Paulo II. Pela primeira vez dois Papas são santificados ao mesmo tempo que um Papa e o seu antecessor assistem juntos a tal cerimónia.
A fé é algo que se não discute. Ou se tem ou não se tem. Mas para um crente não ter fé não o dispensa de lutar por ela. Sei do que falo, porque os meus Pais deixaram ao meu critério essa escolha. Por isso, apenas fui baptizada aos 19 anos e de forma muito consciente. A fé não foi, portanto, algo que tenha nascido comigo. É, sim, algo por que luto diariamente, que todos os dias me faz confrontar comigo própria, que guia os meus passos e que, julgo, me torna uma pessoa melhor. Mas percebo quem não tem fé e admiro quem, sem esse suporte, vive a sua vida com a maior dignidade.
Talvez por tudo isto, gostaria muito de ter assistido a estas cerimónias. Mas já me dou por feliz de ter vivido o tempo suficiente para, através da televisão, ter podido assistir a elas neste mês de Abril de tão más recordações.
Eu sei que estas palavras só tocam uma parte daqueles que me lêem. Mas o testemunho também serve para que aqueles que não acreditam possam entender aqueles que crêem.

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Uma Senhora

por Helena Sacadura Cabral, em 15.05.13
 
Tenho a honra e o privilégio de conhecer Maria de Lourdes Modesto, a qual, a seguir à minha avó materna, me ensinou tudo o que sei de cozinha e creio saber alguma coisa.
Foi a olhar os seus programas de televisão e a ler as suas obras que nasceu o amor que nutro pela gastronomia nacional, que considero entre as melhores.
O primeiro dos cinco livros de cozinha que publiquei foi-lhe dedicado e a Bertha Rosa Limpo, ambas grandes nesta matéria.
Hoje um grupo de amigos - eram muitos - entre os quais eu, reunimo-nos no Grémio Literário, para lhe prestar uma homenagem, já há muito devida, porque esta Senhora fez por Portugal o que muitos não fizeram.
A investigação e divulgação da comida portuguesa faz parte da nossa cultura. E é uma pena que os respectivos ministros e secretários de estado nunca se tenham apercebido disso.
Também é de algum modo surpreendente que, desde 2004 - data em que lhe foi atribuída a Comenda da Ordem do Mérito - no 10 de Junho, onde se medalham até pessoas que o não deveriam ser, nunca mais ninguém tenha proposto ao nosso Presidente o nome de Maria de Lourdes Modesto.
Felizmente os amigos não a esquecem, como hoje ficou bem provado com a manifestação do imenso apreço que lhe demonstraram!

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A devida homenagem

por Helena Sacadura Cabral, em 12.01.13

 

Fui hoje ver a exposição sobre a carreira profissional de Nuno Portas. E fiquei emocionada, porque são cinquenta anos de um caminho pessoal muito valioso. Caminho que ele divide por sete etapas. Que começam na Arquitectura e terminam no Urbanismo.

Estas etapas correspondem, decerto, a caminhos e aprendizagens próprias. E quando o visitante olha, percorre ele também, cinco décadas da sua vida.

Sentei-me, a dada altura, a ouvir, num vídeo, o homenageado a explicar o que se pensava serem as casas da década de sessenta/setenta e aquilo que se pensa serem as casas de hoje. É uma narrativa de uma tocante singeleza, que todos podem compreender, mesmo que não sejam profissionais daquela área. Porque, afinal, todos somos seres que vivem na urbe - por isso seres urbanos - e as casas, as ruas, os sítios, condicionam a forma como vivemos.

Nem todos se dão conta, no seu quotidiano, da importância que a Arquitectura tem na vida de todos nós. Fiquei, por isso, muito contente - alguma vez havia de ser -, quando ouvi o actual Secretário de Estado da Cultura referir que este ano de 2013 seria dedicado aquela área.

Não gosto do cartaz que publicita a referida exposição. Tem muito grafismo, o que o torna, a meu ver, pouco apelativo. Mas a exposição merece uma visita atenta e é uma homenagem merecida a Nuno Portas.

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o regresso

por Patrícia Reis, em 28.08.12

Somewhere over the rainbow, já se sabe, estará uma caixa com um tesouro, um duende para nos reconfortar.

Esta canção é para o Manuel António Pina.

 

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Helena Cidade Moura

por Leonor Barros, em 21.07.12

Morreu sexta-feira. Foi responsável pela maior campanha de alfabetização do pós-25 de Abril, ajudando o país a sair das trevas do analfabetismo. A minha homenagem pelo contributo inegável em nos ter tornado menos iletrados.

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Alberto Martins, a homenagem que se impõe

por André Couto, em 20.07.12

 

Terminava a manhã do dia 17 de Abril de 1969 e decorria a inauguração do Edifício das Matemáticas, na Universidade de Coimbra. Alberto Martins, Presidente da Direcção Geral da Associação Académica de Coimbra pede, em nomes dos estudantes, a palavra ao Presidente da República, Américo Thomaz. Ia transmitir o sentimento geral em máximas como: "exigimos diálogo", "educação para todos" e "estudantes no governo da Universidade". A palavra foi-lhe negada, Alberto Martins foi preso pela PIDE e, horas mais tarde, a polícia de choque foi largada sobre os estudantes que faziam uma vigília pacífica de solidariedade para com o dirigente preso. No dia 30 de Abril, o Ministro da Educação Nacional, José Hermano Saraiva, acusou os estudantes de desrespeito, insultos ao Chefe de Estado e do crime de sediação. Concluiu dizendo que a ordem seria restabelecida em Coimbra. E foi, em 25 de Abril de 1974.

A minha homenagem a Alberto Martins e aos anónimos que não se conformaram. É de Homens destes, exemplos de luta pela Liberdade, que é feita a memória e a História de Portugal.

Os outros são páginas negras.

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Orgulho familiar

por Helena Sacadura Cabral, em 17.07.12

 

Os que me lêem sabem a importância que para mim tem a família. E o orgulho que tenho no nome que o meu Pai me legou.

A caricatura acima, reproduzindo o meu tio com Gago Coutinho, faz parte de um conjunto com que o cartoonista António embelezou, pela primeira vez, as paredes de uma estação de metro.

 

Trata-se da Linha Vermelha e da sua extensão até ao Aeroporto. Estão lá muitos outros homens e mulheres retratados, mas permitam-me que hoje seleccione aqui, apenas o irmão de meu Pai, porque ele constitui para todos os meus uma verdadeira referência familiar.

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O quadro de honra

por Helena Sacadura Cabral, em 24.05.12

A ALUMNI, Associação dos Antigos Alunos de Económicas, comemorou ontem o centésimo primeiro ano da criação do ensino desta disciplina, tendo resolvido inaugurar um "quadro de honra" dos seus alunos mais brilhantes.
Fui uma excelente estudante e, por isso, tive a distinção de ser convidada para participar da cerimónia. Aceitei e em boa hora o fiz.
Confesso, sem qualquer ponta de humildade, que me soube muito bem ver o meu nome entre os melhores. E eu, que não sou passadista, comovi-me ao ver desfilar, em projecção, nomes e retratos de pessoas que me marcaram profundamente.
Apraz-me salientar Etelvina Torroaes Valente, a minha primeira chefe no meu debute no mundo laboral, à qual estarei, para sempre, muito grata. 
Depois, os Professores Bento Murteira, Luis Teixeira Pinto, Jacinto Nunes, Silva Lopes, Bento Jesus Caraça, Sedas Nunes e tantos outros que me deixaram a sua forte marca.
O ISCEF - Instituto Superior de Ciencias Económicas e Financeiras - fez de mim alguém que sabe pensar e que ainda tem prazer em estudar. Parece pouco, mas afinal é quase tudo!

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Nesse tempo, cedo demais

por Laura Ramos, em 07.05.12
   Na tomada de posse do IV Governo, reunido na clássica foto da escadaria de S. Bento, com George Bush e com Mário Soares e Almeida Santos

Foi em 7 de Maio, como hoje, que a sua morte súbita transformou para sempre o país e o PSD: Carlos Mota Pinto tinha 48 anos, uma vida intensa de professor na Faculdade de Direito e uma notável biografia política, para quem se dedicou à causa pública e à pátria por pura e dura missão democrática sem nunca perseguir ambições balofas, procurar sinecuras ou ceder à corrupção da pequena grande vidinha do poder.
Foi fundador do PSD, em 1974. Foi Primeiro Ministro de Portugal no 4º Governo Constitucional, por iniciativa presidencial de Ramalho Eanes (76/77). Mas vai sempre regressando à sua Universidade, produzindo incansavelmente, criando uma escola científica perene e ensinando, deixando nos seus alunos aquela inesquecível e cativante marca de grandeza que era a sua abertura (tão rara nesses tempos).
Reemerge depois quando é outra vez mais difícil, nos despojos da derrocada que se segue ao triste período do atentado de Camarate e do inexpressivo mandato de Pinto Balsemão, integrando nessa altura a Troika do PSD (com Eurico de Melo e Nascimento Rodrigues), antes de passar à liderança única do partido. Já exercia então as funções de Vice-Primeiro Ministro do 9º Governo Constitucional (83/85), no célebre Bloco Central, chefiado por Mário Soares. O eterno Mário Soares.
Quantos governos em tão pouco tempo...
Carlos Mota Pinto foi acima de tudo um homem destemido e de consensos. Um trabalhador infatigável e enérgico que acreditou em Portugal e dele teve uma visão maior e construtiva. Um não desistente que desprezou jogadas e desconcertou os carreiristas - os de dentro e os de fora do PSD. Os mesmos que lhe iam, aos poucos, fazendo perder a paciência. Esses mesmos, sim, que deixaram semente e se multiplicaram desde então.
Corria o ano de 1985 e Portugal que éramos teria sido de certeza bem diferente se ele não nos tivesse deixado.

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Requiem, de Tabucchi, maratona de leitura dia 2 na Casa Fernando Pessoa para homenagear o mais português dos escritores italianos.

"Hoje é um dia muito estranho para mim, estou a sonhar mas parece-me ser realidade e tenho de encontrar umas pessoas que só existem na minha lembrança. Hoje é o último domingo de Julho, disse o Cauteleiro Coxo, a cidade está deserta, devem estar quarenta graus à sombra, suponho que seja o dia mais indicado para encontrar pessoas que só existem na lembrança, a sua alma, perdão, o seu Inconsciente, vai ter muito que fazer num dia como este, desejo-lhe bom dia e boa sorte."

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E Depois do Adeus

por Teresa Ribeiro, em 23.09.11

 

... Fica sempre a memória das tuas palavras desafinadas na minha boca de menina. Até sempre, José Niza.

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José Saramago 1922-2010

por José Maria Gui Pimentel, em 19.06.11

"Pensando bem, não há um princípio para as coisas e para as pessoas, tudo o que um dia começou tinha começado antes, a história desta folha de papel, tomemos o exemplo mais próximo das mãos, para ser verdadeira e completa, teria de ir remontando até aos princípios do mundo, de propósito se usou o plural em vez do singular, e ainda assim duvidemos, que esses princípios princípios não foram, somente pontos de passagem, rampas de escorregamento, pobre cabeça a nossa, sujeita a tais puxões, admirável cabeça, apesar de tudo, que por todas as razões é capaz de enlouquecer, menos por essa."

A Jangada de Pedra, 1986

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José Saramago

por Leonor Barros, em 18.06.11

 

Os escritores não morrem. Apenas deixamos de os ver.

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El hombre es el hombre y su circunstancia

por Laura Ramos, em 23.02.11

 

Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento

É meu amigo também

 

Em terras
Em todas as fronteiras
Seja bem vindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também

 

Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram

Traz outro amigo também

 

José Afonso

(02.08.1929 - 23.02.1987)

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Um homem inspirador

por Laura Ramos, em 06.02.11

 

 

A Universidade Católica Portuguesa conferiu a António Barbosa de Melo o grau de doutor honoris causa.

 

Foi na passada sexta feira, no âmbito da celebração do Dia da Universidade, cuja divisa (gosto de reparar nestas coisas) encontrou neste caso sobre que me detenho a sua plenitude expressiva: Veritati (pela, para a Verdade).

Nenhuma palavra, entre milhões de outras, se adequaria mais a este acto.

Nem a este Homem.

 

O destaque só faz sentido por isso e nada mais: pela homenagem à pessoa verdadeiramente desprendida. Avessa a honrarias e prebendas, distanciada dos palcos, distanciada do imediatismo enganoso das aparências e da falsa aura dos heróis do dia, que  teve a distinta lata de se negar a receber uma qualquer medalha num 10 de Junho dos anos 80.

 

Jamais entrou na dança das cadeiras do poder.

E, entre muitas recusas, por vezes respondeu quando o chamaram, porque acreditava na missão maior da coisa pública, na honestidade do Estado, no primado do pensamento sobre as acções avulsas e no pragmatismo incisivo que nasce das Ideias.

 

Sempre viveu com a cabeça no amanhã.
Sempre viu muito mais à frente do que tantos outros que o acompanharam, e que o ultrapassaram no palmarés de distinções e cargos, contrapartidas, sinecuras e flashes.

Ainda hoje assim é: mais novo do que muitos dos mais novos.

 

Raramente conheci uma pessoa tão LIVRE quanto ele.

 

Assisti com orgulho de portuguesa. E com um outro orgulho: o de quem acredita na justiça terrena...

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Seis anos

por Ana Vidal, em 02.07.10

 

 

 

ADEUS, SOPHIA

 

(A Sophia de Mello Breyner Andresen) 

 

Por fim, Sophia

desatados os laços

vencidos os limites

estende-te o mar o seu tapete de ondas

como quem estende os braços

Respondes ao convite?

 

Guardou, só para ti

na tua metade maresia

prodígios, espantos, maravilhas

estranhos como Giocondas


Esperam-te as ilhas

que sonhaste

E esses corcéis que nunca cavalgaste

sacodem já as crinas

em desafio 

 

Segue o teu fio

de praias extasiadas

de manhãs cristalinas

até que se te acabem as areias

e te venham buscar

breves, aladas

as vagas por que anseias

 

Vai, ruma ao Norte

desprende-te do Sul

que a tua sorte

não é daqui, é de outro azul

 

Vai, habitar para sempre o Mar da Poesia 

 

Adeus, Sophia.


 

(2 de Julho de 2004)

 

 

(Nota: Faz hoje precisamente seis anos que Sophia partiu. Acredito que hoje ela seja já, por direito próprio, a verdadeira Menina do Mar.)

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