Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Se eu votasse nas eleições holandesas

por João André, em 14.03.17

Vivo na Holanda, directa (registado como tal) ou indirectamente (registado noutro país mas tendo o domicílio familiar no país) desde Dezembro de 2003. Isto dá-me a possibilidade de conhecer o país um pouco mais que a generalidade dos portugueses e compreender aceitavelmente a sociedade do país. Não me arvoro em especialista. Há coisas nos holandeses que nunca entenderei. Há particularidades de que desgosto profundamente e, confesso, só não estou fora do país porque circunstâncias familiares têm conspirado para que isso não suceda.

 

Isto não quer dizer que a Holanda seja um país mau. Pelo contrário. É ordeiro, com baixos índices de criminalidade, ruas limpas, pessoas essencialmente educadas, muito pouca pobreza, bons sistemas sociais, etc. Se uma pessoa aceita os preceitos sociais (e o clima), o país é excelente para viver e será mesmo dos melhores possíveis. Só acontece que não se coaduna com a minha personalidade.

 

É por isso que nunca pedi a nacionalidade holandesa, apesar de ser capaz de preencher todos os requisitos para tal. Por isso e porque para o fazer teria que perder a nacionalidade portuguesa, algo que não contemplo em favor da holandesa. Se tivesse a nacionalidade, teria amanhã a possibilidade de votar nas eleições holandesas.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

O mundo ao contrário

por João André, em 19.09.16

Só uma perspectiva rápida ao conceito de «ir buscar dinheiro a quem o está a acumular» e fazendo a ressalva inicial (que vai ser ignorada) que estou contra isso: um dos países que os liberais da nossa praça mais admiram, a Holanda já o faz.

 

Na Holanda, o Estado taxa as poupanças dos seus contribuintes privados. Na declaração de impostos, feita online através do sistema de DigiD. Quando a declaração é preenchida online, os montantes existentes em todas as contas na Holanda já estão previamente preenchidos e apenas é necessário confirmá-los.

 

Em relação a taxar as poupanças, o valor a taxar é o montante total que existe nas diversas contas acima de um determinado patamar (que anda por volta dos 21.000 €). Abaixo desse valor o valor não é taxável. Acima dele, o montante extra é passível de ser taxado (por exemplo, quem tenha 25.000 € pagaria imposto sobre 4.000 €). O imposto parte do princípio que o valor tem um retorno anual de 4% e esse retorno fictício é taxável a 30%. Ou seja, se o retorno for inferior (e habitualmente é-o em contas poupança simples), o contribuinte pode pagar mais do que recebe de juros. Aliás, sei por experiência própria que é possível receber de juros apenas uns 30-40% do valor a pagar.

 

Este caso é apenas aplicável aos montantes em investimentos financeiros e, no caso do imobiliário, apenas a segundas habitações. Também se aplica a valores a partir dos 21.000 € (ou o dobro no caso de casais), valor que parece elevado. No entanto, se um indivíduo (ou casal) da classe média não quiser (ou tiver oportunidade) de comprar casa, é relativamente simples atingir tais níveis de poupanças na Holanda.

 

O caso português é diferente, claro está, mas quando alguma direita aponta o dedo a alguma esquerda em questões de sigilo bancário ou de taxar as contas bancárias, talvez fosse bom colocar os olhos num país que, em certos aspectos, foi mais longe no seu socialismo que se poderia esperar. E depois é elogiado pelo seu liberalismo.

 

Conclusão: não gosto de taxas às poupanças (outra coisa é taxar os juros ou retornos de investimento) e considero-o um ataque ao direito de cada um em fazer o que quiser com o dinheiro que ganhou e sobre o qual já pagou impostos. Por outro lado, é irónico ver que alguma esquerda portuguesa parece estar com vontade de seguir as melhores práticas de países ditos "liberais". É o mundo ao contrário.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Mundial no sofá (2)

por João André, em 14.06.14

Imagem The Telegraph 

 

Espanha 1 - Holanda 5

 

Antes de mais a piada má: os novos reis de Espanha e Holanda: Willem Alexander I e Felipe VI. Os holandeses ficaram a dever um golo ao novo monarca espanhol.

 

O óbvio: nunca um campeão do mundo se afundou assim numa partida do mundial seguinte. Foi a derrota mais pesada da Espanha desde que esteve num mundial do Brasil. A única equipa que foi campeã depois de ter perdido de tal forma foi a Alemanha em 1954, contra a Hungria (mas jogou com as reservas nesse jogo).

 

A realidade. É tentador falar em laranja mecânica depois desta vitória, mas foi menos laranja mecânica e mais colapso completo da Espanha. Casillas demonstrou o risco que é um guarda-redes jogar encontros deste tipo sem ter maiores rotinas. Na final da Liga dos Campeões já tinha demonstrado que a falta de rodagem lhe tinha sido nociva. Aqui isso ficou ainda mais claro. Também é tentador falar no fim do tiki-taka, mas isso é simplista. O tiki-taka foi adoptado por ser o sistema que melhor se adequava ao tipo de jogadores que a espanha produz. Com jogadores de 1,70 m, não faz sentido jogar de outra forma. Além disso, quando se tem Xavi, Iniesta, Alonso, Busquets, etc, seria ridículo optar por outras soluções. O problema é que já estão a ficar velhos. Alonso jogou benzinho mas está abaixo do que pode fisicamente. Xavi está talvez a 50% de há 4 anos (dar-lhe-ia um lugar na maior parte das selecções, mas já não é o pivot da Espanha). Iniesta foi o melhor espanhol, mas também ele está pior.

 

A Espanha de há 4 anos, transplantada para Salvador na noite de ontem, não teria sido humilhada. Não teria a superioridade de então, uma vez que a oposição teve 4 anos para se adaptar ao estilo, mas continuaria a ser dominante. Teriam mantido a posse de bola até cansarem os holandeses e depois aproveitariamum erro. Com uma equipa mais cansada, menos sedenta de glória e mais lenta, já não foi possível.

 

Os holandeses jogaram com um sistema excelente para enfrentar a Espanha. Com a Espanha a depender exclusivamente dos laterais para darem largura ao jogo e com os dois médios "ala" a cortarem para dentro, os laterais holandeses puderam subir e enfrentar Azpilicueta e Alba cedo, negando-lhes o espaço para poderem ganhar velocidade. Isto abriu algum espaço junto às laterais que Diego Costa foi utilizando inicialmente (o penalty nasce de um movimento desses) mas apenas até os holandeses se adaptarem a essas movimentações. A solução espanhola teria sido fazer entrar Pedro e - na ausência de Juan Mata - Cazorla, mais cedo para dar largura ao jogo e esticar a defesa holandesa. Não o fizeram e apenas congestionaram o centro do terreno. Sem a capacidade de outrora, não se deram bem com a ausência de espaços e com a defesa musculada dos holandeses.

 

No ataque a Holanda optou por um sistema simples: dar liberdade a van Persie, Robben e Sneijder. Com a Espanha a jogar uma defesa tão adiantada, Robben estava nas suas sete quintas para acelerar. Sneijder não tinha muitos espaços mas ia ocupando Busquets e Alonso. Com o avanço dos laterais, Robben ia caindo para as alas para atrair os centrais e abrir espaços para passes para as costas destes a procurar van Persie. O golo do empate holandês exemplificou isto perfeitamente. Piqué foi atraído para Robben por medo que a sua velocidade causasse estragos nas costas de Azpilicueta e não se apercebeu que se colocou muito mais abaixo do que o resto da defesa, permitindo que van Persie ficasse em jogo para o passe de Blind.

 

Piqué também demonstrou as suas limitações. É um bom defesa, não nos enganemos, mas é um jogador muito propenso a erros. Foi essa a razão para Ferguson o ter deixado sair do Manchester United. No Barcelona ele deu-se bem devido às constantes correcções e incentivos de Puyol, um jogador muito intenso, focado e um verdadeiro líder da defesa. Entre Ramos e Piqué a Espanha não tem líderes e isso viu-se ontem.

 

Como escrevi acima, há a tentação de classificar esta Holanda como um regresso da laranja mecânica, mas isso ignora as lacunas ainda existentes. A verdade é que uma equipa jogando em 4-3-3 (por oposição ao 4-2-3-1) poderá causar-lhes grandes problemas, para isso bastando ter um médio defensivo único que dê cobertura à defesa (e mantenha o olho em Sneijder), laterais e não sejam a única fonte de largura no ataque e alas que não permitam aos laterais ofensivos holandeses que subam. Um simples desenho táctico deste tipo poderia causar muitos problemas aos holandeses. Uma equipa que segue este tipo de desenho é, por exemplo, Portugal.

 

Já a Espanha tem que resistir (e irá fazê-lo) ao canto da sereia de abandonar o tiki-taka. O sistema não deixou de ser bom, apenas deixou de ter à sua disposição o seu expoente máximo: Xavi. A opção terá de passar por trocar o guarda-redes (Casillas continua a ser excepcional, mas não está em forma) dando oportunidade a de Gea; jogar com Cazorla e Pedro e fazer sair Xavi e Costa, dando o lugar de falso 9 a Silva e fazendo Iniesta ir para o meio. Se o fizerem e se conseguirem ultrapassar psicologicamente a humilhação (del Bosque estará já a trabalhar nisso), a Espanha ainda poderá regressar e oferecer-nos um belo duelo no grupo.

 

Diego Costa: é um bom jogador com enorme personalidade e certamente que não estará arrependido. Mas é óbvio que depois de uma época a jogar no sistema de Simeone, não poderá ser a primeira opção para o tiki-taka espanhol. Terá de ser usado como suplente de impacto. Ainda não vimos tudo dele no mundial.

 

Olho no Chile: se conseguirem ter eficácia na concretização terão excelentes hipóteses de vencer o grupo.

 

*- troquei o título. O outro era esquisito.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Políticas da droga

por João André, em 29.07.13

Há em relação à Holanda uma noção sobre as drogas que não é a mais correcta: as drogas leves (Cannabis, no caso concreto) não são legais. As coffee shops, por seu turno, também não. O que há é uma política de tolerância em relação à sua existência. Desde que as quantidades de drogas vendidas sejam reduzidas e a venda ocorra apenas nas coffee shops, as autoridades não intervêm (isto cria a situação curiosa de ser possível comprar e vender drogas sem riscos legais, mas não ser possível cultivar as plantas sem se cometer crime). Este arranjo tornou-se de tal forma corrente que os próprios tribunais decidem habitualmente a favor de acusados quando alguém é detido por venda de cannabis.

 

Uma das cusiosidades deste arranjo ao nível da sociedade é que muitos dos consumidores são estrangeiros (ou residentes ou apenas turistas). Os holandeses vivem num clima de não ligarem a este fruto proibido. Claro que isto motivou bastante o turismo de drogas, especialmente em cidades fronteiriças. A cidade de Maastricht, encostada à Bélgica, a 30 km da Alemanha, a 100 km do Luxemburgo e cerca de 150 km da França, sendo também uma cidade bonita e com bons acessos, é uma das principais vítimas do turismo de drogas. Um dos principais destinos é uma zona fluvial encostada à praça velha da cidade onde existem duas coffee shops construídas em barcos.

 

Ora, há uns anos, a cidade decidiu evitar a aglomeração destas pessoas, as quais causavam um "mau ambiente", limitando a venda de cannabis apenas a residentes na Holanda. Ou seja, os estrangeiros que vão à cidade deixam de poder comprar as suas drogas em ambiente tolerado pela lei. O resultado foi o esperado por qualquer pessoa com imaginação: várias coffee shops fecharam as portas e o influxo de estrangeiros em busca de droga não diminuiu. Isto porque, como seria de esperar, vários residentes (não necessariamente holandeses) passaram a calcorrear a zona oferecendo-se para ir comprar as drogas aos turistas. Além de a decisão não reduzir a entrada de "turistas de droga", teve o condão de os concentrar precisamente numa das mais agradáveis zonas da cidade e de atrair ainda outros residentes que não contribuem para a "atmosfera".

 

O que fizeram então o governo e a câmara? Recuaram na ideia? Adaptaram-na? Claro que não: aumentaram o número de polícias na cidade à medida que a criminalidade reclacionada com drogas foi aumentando e juraram que não se desviariam um milímetro do percurso, com o ministério responsável pela polícia a prometer que apoiaria sempre com reforços quando a cidade o precisasse.

 

O curioso não é a insistência na política nem o destruir de um conceito que tem funcionado (na maior parte da Holanda as coffee shops continuam a poder vender a não residentes). O curioso é que num país tão obcecado por dinheiro, o governo esteja tão disposto a abrir mão de rendimentos (impostos pagos pelas coffee shops) e a pagar o custo disso (mais polícia). Numa altura de crise (quando o dinheiro falta e as drogas se tornam mais atractivas) talvez não fosse má ideia olhar para este caso com mais atenção.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A sucessão de Beatrix

por João André, em 29.01.13

 

Ontem a Rainha Beatrix da Holanda (não gosto da "tradução" de nomes, mesmo de monarcas) comunicou ao país que no dia 30 de Abril, o dia da Rainha, abdicaria do trono em favor do filho mais velho, Willem-Alexander. A razão invocada foi o seu 75º aniversário e os 200 anos da Holanda como país. Nos seus 33 anos de reinado, Beatrix conseguiu construir uma influência determinante para a harmonia do país. Não tendo muitos poderes reais, Beatrix será hoje a mais influente figura política do país. Mesmo no mundo a sua influência não é de desprezar, sendo desde há muito participante assídua das conferências Bilderberg, as quais tiveram como figura fundadora o seu pai. A sua abdicação era já prevista há vários anos (era mesmo um dos tópicos permanentes das previsões de início de ano) e tornou-se ainda mais provável quando o seu filho Friso ficou em coma após ser soterrado por uma avalanche em 2012.

 

A maioria dos holandeses parece estar algo triste com o afastamento da rainha Beatrix. Trata-se de uma monarca popular e geralmente considerada como bastante inteligente. Tais virtudes são ainda mais exaltadas quando colocadas em comparação com as do filho, Willem-Alexander, que é visto como não particularmente inteligente, desinteressante (Máxima, a sua mulher, ter-lhe-à emprestado alguma cor) e como alguém que deixa a população algo indiferente.

 

As minhas impressões pessoais vão no mesmo sentido, mas claro que apenas o futuro o dirá. Seja como for, este episódio de sucessão ilustra bem o anacronismo de um sistema que, em pleno século XXI, continua a deixar que uma pessoa possa decidir sozinha quem será o futuro chefe de estado de um país, baseando-se essencialmente no facto de ser o seu filho mais velho. Esta falta de entusiasmo por Willem-Alexander apenas sublinha o quão caricato é o caso. Não vejo quaisquer mudanças no horizonte próximo, mas talvez uma futura sucessão em Inglaterra comece a trazer estas discussões mais à baila nas monarquias europeias.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O meu país preferido

por João André, em 28.01.13

Cumpri em Dezembro 9 anos a viver na Holanda já sabendo que não chegaria aos 10. Irei começar em Abril uma nova etapa da minha vida profissional que me levará a viver novamente numa Alemanha onde estive pouco depois de terminar o curso. Ao todo passei 10 anos dos 19 da minha vida adulta a viver fora do país onde nasci.

 

Isto de nascer num determinado país tem que se lhe diga. Os holandeses têm uma peculiaridade curiosa: quando lhes é dito que a Holanda é um bom país para viver mas que se gosta mais do país X ou Y (habitualmente o país de origem, como é natural), eles estranham, como se fosse possível preferir outro país que não os Paraísos Baixos. Esta é uma característica que partilham (tal como muitas outras) com muitos estado-unidenses.

 

Analisando os factos esta perplexidade faz sentido. A Holanda (ou os EUA) tem uma qualidade de vida superior à da esmagadora maioria dos países do mundo, os salários permitem vidas relativamente tranquilas a quase toda a população, é comparativamente fácil obter emprego e, quando se está desempregado, há uma boa rede de suporte social. Os serviços públicos e privados funcionam bem e o país está bem estruturado. Os cuidados de saúde e a educação são de qualidade e o acesso a eles é simples. Porque não preferir este país aos outros?

 

Claro que a resposta é sempre simples: é difícil preferir qualquer país àquele onde crescemos simplesmente porque foi a este que nos habituámos. Conhecemos o temperamento das pessoas, por mais ilógico que seja. Sabemos como manobrar pelas vielas dos favores necessários a obter certos serviços mesmo quando não aprovamos tais atitudes. Aceitamos os ruídos, os cheiros e a desorganização mesmo quando não fazem sentido. Conhecêmo-los. Fazem-nos sentir em casa.

 

Notei-o pela primeira vez quando visitei uma amiga em Bruxelas, após dois anos na Holanda. A comparativa desorganização e sujidade da cidade, que a tornam mais desagradável que a cidade média holandesa, fez-me sentir em casa. Ainda hoje ao chegar ao aeroporto de Lisboa só me sinto de facto em casa quando saio porta fora da zona de chegadas e ouço as buzinas e sinto o cheiro a combustível que estão ausentes das assépticas cidades holandesas.

 

No fim de contas, a maior perplexidade não é tanto a holandesa ao saber que continuarei a preferir Portugal para viver. Antes é a minha, por não ver como é que os holandeses não compreendem (mesmo não partilhando) a minha preferência. E, nessa perplexidade, recebo parte das razões para a minha preferência.

Autoria e outros dados (tags, etc)




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D