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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 18.01.16

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Henrique Neto - O Estratega, de Filipa Moreno

Biografia

(edição Gradiva, 2015)

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Presidenciais (22)

por Pedro Correia, em 07.01.16

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Debate Henrique Neto-Paulo de Morais

Não basta ser candidato presidencial: é preciso parecê-lo. Ora Paulo de Morais nunca esteve tão longe de parecer um candidato presidencial do que no confronto da noite passada, na SIC Notícias, com Henrique Neto. Um debate onde as diferenças foram mais de estilo do que de substância. Ambos revelaram sintonia em diversas matérias - da oposição firme ao acordo ortográfico à crítica frontal à permanência da Guiné Equatorial como Estado-membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Mas Morais fez duas declarações que o dissociam claramente do cadeirão presidencial. A primeira visou o antecessor de Passos Coelho no cargo de primeiro-ministro: "Não tenho dúvida nenhuma de que José Sócrates é uma das caras da corrupção em Portugal." Sabendo-se que o antigo chefe do Governo está a contas com a justiça e que compete apenas a esta investigar, no âmbito dos seus poderes soberanos, não faz o menor sentido que um candidato presidencial se pronuncie desta forma sobre o tema.

A segunda foi aparentemente ditada por um irreprimível impulso demagógico: "Se eu for eleito há duas viagens que vou fazer muito rapidamente: uma a Angola, outra ao Brasil. Para explicar quer ao Presidente de Angola quer à Presidente do Brasil que Lisboa vai deixar de ser a máquina de lavar a corrupção destes três países." O candidato parece esquecer-se, desde logo, que só viajaria a Brasília e Luanda se recebesse convite prévio dos seus homólogos.

Num e noutro caso, Neto proferiu declarações sensatas. Sobre Sócrates disse que compete à justiça pronunciar-se. Sobre as visitas presidenciais, elegeria Washington: "Eu faria o contrário. Começaria pelos Estados Unidos. Porque é a maior economia mundial. É de lá que vem a inovação, é de lá que vêm as ideias." 

Se a frontalidade é um atributo, a ponderação é uma virtude. E por vezes, entre tanta afirmação empolgada para encher títulos de jornal, sabe bem escutar frases que parecem derivar apenas do mais elementar senso comum.

 

Vencedor: Henrique Neto

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Frases do debate:

Neto - «Nenhum português bem informado e atento tem dúvidas de que a corrupção é um caso sério em Portugal.»

Morais  - «Alguns casos de corrupção em Portugal são feitos tão às claras que para procurar provas basta ir ao Diário da República

Neto  - «A nossa justiça não tem capacidade para investigar a corrupção.»

Morais - «A justiça não é verdadeiramente independente tal como exige a Constituição.»

 

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O melhor:

- O ex-vice-presidente da Câmara Municipal do Porto proporá, se chegar ao Palácio de Belém, um referendo sobre o acordo ortográfico. E adianta desde já a sua opinião sobre a matéria: "Sou claramente contra."

- "É um escândalo que a Guiné Equatorial esteja na CPLP", diz Henrique Neto. Quem fala assim não é gago.

O pior:

- Paulo de Morais elegeu Manuel de Arriaga como seu modelo de Presidente. Esqueceu-se que Arriaga não completou o mandato, o País viveu em convulsão permanente naqueles anos e o seu magistério presidencial abriu caminho à breve ditadura do general Pimenta de Castro.

- Se perder a eleição, Neto faz-se desde já convidado para comentador na SIC Notícias: "Espero que vocês me convidem algumas vezes a vir aqui, como faziam antes." Deve ser isto a que alguns chamam empreendedorismo...

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Presidenciais (18)

por Pedro Correia, em 06.01.16

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Debate Henrique Neto-Marisa Matias

 

Qualquer político sonharia com um debate assim: ei-lo a expor a sua tese enquanto o suposto opositor passa o tempo a acenar com a cabeça em sinal de aprovação. Aconteceu ontem, na SIC Notícias, com Marisa Matias: a candidata do Bloco de Esquerda ia explanando os seus pontos de vista sobre a situação do País entre proclamações de concordância de Henrique Neto, sentado à sua frente.

"Se o saldo da balança comercial [portuguesa] não se degradou foi porque as pessoas deixaram de ter dinheiro para comer", declarou a eurodeputada. Do outro lado da mesa, Neto anuiu: "De acordo."

"Temos salários e pensões muito baixos, que foram muito atacados no último ano", salientou Marisa. Neto não deixou lugar a dúvidas: "Cem por cento de acordo."

"O trabalho com direitos é uma questão essencial. Temos uma sociedade onde não há trabalho e o que há é precário", observou a candidata. Neto rematou: "Estou de acordo com tudo quanto disse."

Ia o debate a meio e já não restavam dúvidas sobre quem levara a melhor: o empresário da Marinha Grande, cavalheiresco, desistia do confronto preferindo discorrer sobre a macroeconomia neste mundo globalizado. Marisa reconduziu a conversa à escala nacional, mostrando-se mais em sintonia com os eleitores. Pormenor talvez irrelevante: de poderes presidenciais ninguém falou.

 

Vencedora: Marisa Matias

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Frases do debate:

Neto - «Considero a subida do salário mínimo nacional uma vergonha nacional. Porque é pouco, obviamente.»

Marisa  - «Não precisamos de estar zangados com tudo.»

Neto  - «Peço aos portugueses que votaram em Cavaco Silva que não cometam os mesmos erros nesta eleição.»

Marisa - «Há candidatos que se apresentam a estas eleições como se o País lhes devesse alguma coisa.»

 

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O melhor:

- "Tenho a obrigação de defender a minha geração, que não conheceu outra coisa que não seja a austeridade": Marisa Matias procurando mobilizar os eleitores jovens, mais seduzidos pela abstenção.

- Henrique Neto, um industrial com preocupações sociais: "Na minha empresa nunca tive trabalhadores a prazo."

O pior:

- "Os partidos do arco do poder têm destruído o País." A frase do ex-deputado socialista é sonante, mas de um populismo extremo.

- Há um ano, a eurodeputada do BE abraçava Tsipras nos comícios do Syriza. Hoje prefere nem falar da Grécia.

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Presidenciais (16)

por Pedro Correia, em 05.01.16

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Debate Henrique Neto-Maria de Belém

 

Maria de Belém Roseira saiu ontem do estúdio da RTP com o rótulo de "candidata de facção" que lhe foi colado pelo seu oponente neste debate, Henrique Neto. A partir daí não saiu de posições defensivas, procurando contrariar o que o empresário da Marinha Grande lhe dissera.

"Não consigo compreender como é que alguém que foi durante seis anos ministra do PS e foi até há pouco presidente do PS e foi escolhida por uma facção no interior do PS para se opor ao actual secretário-geral se apresenta ao País como candidata independente." Palavras duras de Neto que molestaram o suave discurso da candidata: Belém terminou o confronto verbal com uma frase irritada, à laia de insinuação: "Eu nunca tive nenhum processo por dívidas ao fisco!"

Maria de Belém voltou a gastar preciosos minutos, na intervenção inicial de ontem, a enumerar o seu currículo. Como se reconhecesse que padece de um défice de notoriedade. O próprio moderador do debate, João Adelino Faria, pediu-lhe que abreviasse - e foi certamente um bom conselho.

Ficou patente neste confronto de opiniões que os dois candidatos têm leituras diferentes do texto constitucional. Neto seria um Presidente com perfil interventivo, que não hesitaria em dissolver o Parlamento. Belém, com reiteradas proclamações de louvor à estabilidade, tem uma perspectiva mais minimalista dos poderes presidenciais, defendendo um Chefe do Estado que zele sobretudo pela "cooperação institucional". Mais próxima da interpretação de Cavaco Silva, portanto.

Não é necessariamente um trunfo eleitoral.

 

Vencedor: Henrique Neto

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Frases do debate:

 

Belém - «Desempenhei inúmeros cargos que me deram um conhecimento profundo do País.»

Neto  - «Eu tenho uma longa história de fazer previsões correctas.»

Belém  - «O Presidente da República deve ser um construtor da estabilidade.»

Neto - «Preocupa-me que a política portuguesa tenha outra ética: não vendamos gato por lebre.»

 

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O melhor:

- O empresário, chamando "candidata de facção" à sua opositora, confinou Maria de Belém a um segmento do PS.

- A ex-ministra da Saúde manteve a calma durante quase todo o debate.

O pior:

- "O PS frequentemente mente aos portugueses." Não parece mas a frase foi proferida por Henrique Neto, militante socialista.

- Maria de Belém perdeu a calma na intervenção final. Lançar insinuações para o ar é uma atitude pouco elegante.

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Presidenciais (13)

por Pedro Correia, em 04.01.16

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Debate Henrique Neto-Marcelo Rebelo de Sousa

 

Estes debates decidem-se muitas vezes em função das expectativas. Sendo assim, Henrique Neto pode dar-se por satisfeito pela sua prestação no frente-a-frente de ontem na SIC Notícias que marcou a estreia de Marcelo Rebelo de Sousa nesta série de confrontos a dois nos canais informativos.

Marcelo chegou ao estúdio com um sorriso rasgado e terminou o debate quase irritado com as sucessivas farpas que o empresário da Marinha Grande lhe dirigiu. Neto, em constante piscar de olho ao eleitorado de esquerda, deu até a entender que corre a Belém para evitar a eleição do antigo líder do PSD. Jogando ao ataque, acusou-o de trair os amigos, "fabricar factos políticos" e escrever cartas elogiosas a Marcello Caetano antes do 25 de Abril. "Eu vivi a oposição ao antigo regime. Quando estava a apanhar pancada na avenida principal de Aveiro, o senhor professor escrevia uma carta ao então presidente do Conselho a aconselhá-lo a ser mais duro e a dar mais pancada, provavelmente."

Condicionou Marcelo, que recordou ter viabilizado três orçamentos de António Guterres quando Neto era deputado do PS: "O actual Presidente da República e os barões do partido [PSD] estiveram nessa altura contra mim." O professor chegou até a puxar de credenciais antifascistas: "Tive ficha na PIDE e os meus artigos no Expresso eram cortados pela censura."

A diferença entre ambos, acentuou o candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS, "é que o senhor está zangado e eu não: eu acredito nos portugueses". Neto, que começou o debate de cara muito séria, já então se dava ao luxo de sorrir.

 

Vencedor: Henrique Neto

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Frases do debate:

 

Neto  - «Marcelo Rebelo de Sousa é parte do sistema. Mais talvez do que qualquer outra pessoa, teve um poder enorme neste país, que é o poder da televisão.»

Marcelo - «As pessoas conhecem-me. Sou escrutinado há 40 anos.»

Neto  - «Com as suas qualidades e a sua inteligência, o senhor podia ter mudado o destino do País.»

Marcelo - «Votem no candidato Henrique Neto, votem em qualquer um, mas votem.»

 

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O melhor:

- Henrique Neto aproveitou para pescar votos em várias águas. A seu ver, "a televisão fabrica ministros e Presidentes da República que são, na prática, Berlusconis e José Sócrates."

- Posta em causa a sua isenção como comentador televisivo, o ex-presidente do PSD não hesitou em avivar memórias: "Saí de uma televisão por pressão de um governo do meu partido e [noutra ocasião] o líder do meu partido pediu a minha cabeça."

O pior:

- Marcelo exagerou nos elogios iniciais ao seu opositor, na aparente tentativa - afinal frustrada - de lhe amaciar o discurso.

- O empresário esqueceu-se de pôr algum travão na demagogia: "Eu vejo todos os dias pessoas da classe média, de mão estendida, a pedir envergonhadamente ajuda na rua."

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Presidenciais (9)

por Pedro Correia, em 03.01.16

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Debate Henrique Neto-Sampaio da Nóvoa

 

António Sampaio da Nóvoa foi surpreendido neste seu segundo debate - travado ontem à noite na RTP3 - pela acutilância de Henrique Neto. São ambos independentes, mas têm estilos antagónicos. Nóvoa gaba-se de ter estado "muitos anos no governo de uma grande universidade pública", Neto orgulha-se de ter sido "trabalhador, operário, empresário e dirigente industrial".

O moderador, José Rodrigues dos Santos, começou por questionar a experiência política de ambos. O ex-reitor da Universidade de Lisboa evocou em sua defesa "uma vida dedicada a um combate permanente pelas liberdades". Descendo ao concreto, Neto acusou o jornalista de estar "mal informado", recordando que militou desde os 14 anos em todos os movimentos de combate ao salazarismo, incluindo o MUD Juvenil e a candidatura de Humberto Delgado. E cedo passou da defesa ao ataque: "Nem os candidatos do sistema nem os de fora do sistema têm a minha experiência política, económica e empresarial."

Durante quase todo o frente-a-frente Neto primou pela contundência face ao opositor: "O meu espanto é que, sendo académico, tenha tão pouco sentido crítico em relação àquilo que o rodeia." Nóvoa, desconfortável no terreno do confronto directo, refugiou-se em fórmulas abstractas, como esta: "A experiência política é a história de uma vida."

Às tantas, desabafou: "Eu não estou para ajustar contas com o passado." Como se tivesse a noção de que o debate não lhe estava a correr bem. E assim era, na verdade.

 

Vencedor: Henrique Neto

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Frases do debate:

 

Nóvoa  - «Precisamos de um país mais preparado e mais capaz.»

Neto - «Os portugueses estão cansados de académicos.»

Nóvoa  - «Não ouvi nada do candidato Henrique Neto sobre nenhuma matéria.»

Neto - «O discurso do senhor candidato [Nóvoa] dá para tudo. Faz um conjunto de afirmações que estão fora da realidade das pessoas.»

 

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O melhor:

- Henrique Neto colocou o opositor em posições defensivas, recorrendo com frequência ao sarcasmo: "O senhor candidato não saiu da universidade."

- Sampaio da Nóvoa ensaiou um discurso unitário de esquerda ao qualificar de desastrosas as políticas de austeridade.

O pior:

- O empresário da Marinha Grande aproveitou o debate para fazer publicidade a dois livros que escreveu.

- O ex-reitor da Universidade de Lisboa foi incapaz de dar réplica eficaz às farpas do seu antagonista, que o fustigou reiteradamente pelo seu alegado "vazio de ideias".

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Presidenciais (7)

por Pedro Correia, em 02.01.16

                                        

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Debate Edgar Silva-Henrique Neto

 

Ignoraram-se durante os primeiros cinco minutos. De tal maneira que Henrique Neto nem emitiu os votos de "boa noite" da praxe. No serão de ontem, na TVI 24, o empresário da Marinha Grande e Edgar Silva, membro do Comité Central do Partido Comunista, deixaram transparecer que não pretendem desperdiçar artilharia verbal um com o outro.

Houve uma convergência entre estes dois candidatos à Presidência da República: ambos querem "aprofundar a democracia" e prometem fazê-lo se chegarem ao Palácio de Belém. Mas o ex-padre madeirense foi muito mais vago nesta matéria. Neto, que já se tinha insurgido contra a "democracia de fachada" e saído em defesa de listas eleitorais abertas para legislativas, perguntou-lhe se defende uma alteração do nosso sistema eleitoral. Edgar rodeou o assunto, evitando pronunciar-se sobre o tema.

Visivelmente pouco habituado a debates televisivos, o candidato apoiado pelo PCP deixou certamente vários telespectadores perplexos ao admitir que, enquanto Presidente, viabilizaria o orçamento rectificativo há dias aprovado na Assembleia da República com os votos contrários do seu partido. Isto apesar de expressar "profundas reservas e discordâncias de todo o tipo" perante este documento. Transmitiu a ideia de que não ajuizaria em função da sua consciência - péssimo cartão de visita para um candidato à chefia do Estado.

 

Vencedor: Henrique Neto

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Frases do debate:

 

Edgar - «O que Portugal menos precisa é de um Presidente da República que esteja vinculado a estas políticas que trouxeram maior empobrecimento.»

Neto  - «Os candidatos que estão ligados a partidos têm sempre a tentação de sofrer as influências desses partidos.»

Edgar - «Mais e melhor democracia é o ideário que se coloca como a grande prioridade para Portugal.»

Neto  - «Não é por acaso que metade da população portuguesa deixou de votar.»

 

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O melhor:

- Edgar Silva enumerou um extenso catálogo dos direitos sociais: é uma das mensagens que o seu eleitorado quer ouvir.

- Para aprofundar a democracia, Henrique Neto defendeu a introdução do voto nominal, questionando o seu opositor sobre este tema. Ficou sem resposta.

O pior:

- A linguagem redonda e muito formatada do candidato comunista, nomeadamente quando alude aos "valores de Abril".

- O empresário é filiado no PS mas diz-se "independente dos partidos".

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O léxico dos candidatos (2)

por Pedro Correia, em 11.12.15

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ABORDAGEM

«Às forças políticas exige-se hoje uma nova abordagem da realidade nacional e internacional, mais inovadora e mais responsável.»

CAPAZ

«Não deixarei de lembrar a cada cidadão nacional, no País e no estrangeiro, que enquanto não fizer pelo seu país a parte que lhe cabe nunca saberemos do que Portugal é verdadeiramente capaz.»

CONFIANÇA

«Apesar da actual e difícil situação nacional e internacional, tenho confiança nos portugueses e nas qualidades históricas de que somos portadores.»

ENVOLVER

«É necessário envolver de forma mobilizadora os cidadãos e as instituições democráticas, o que é particularmente importante numa crise depressiva como a actual.»

ERROS

«A actual situação do País, uma das mais graves da sua história, deve-se a um conjunto de factores e dinâmicas internas e externas, mas em primeiro lugar aos erros duma má gestão política.»

EXEMPLO

«Para vencer a crise política e de valores que nos esmaga acredito na pedagogia do exemplo.»

INCIDÊNCIAS

«O País não pode continuar a girar à volta das incidências da política partidária ou das ambições particulares de algumas individualidades políticas.»

ILUSÃO

«Qualquer ideia de pequenos passos de mudança no funcionamento do nosso sistema político constitui uma ilusão que apenas serve para manter o essencial.»

LIMITE

«Se os portugueses me derem a sua confiança, utilizarei até ao limite os poderes constitucionais e promoverei as mudanças necessárias no funcionamento de uma democracia responsável e amplamente participada.»

MUDANÇA

«Com a legitimidade recebida dos portugueses pautarei a minha intervenção política por uma agenda de mudança, que apresentarei em pormenor ao longo da campanha, mas que os portugueses já conhecem das minhas intervenções públicas passadas.»

NENHUM

«Não serei parceiro nem oposição de nenhum governo.»

NOVA

«Aos cidadãos pede-se uma atitude mais exigente e não complacente relativamente ao jogo dos interesses ilegítimos, libertando a sociedade e a economia da promiscuidade entre a política e os negócios, através da transparência e do exercício dum escrutínio atento e activo. É neste quadro que falo de uma nova República.»

TRANSFORMAR

«Em dez anos é possível transformar profundamente Portugal num país de progresso, economicamente viável, orgulhoso do seu trajecto histórico e respeitado no plano internacional.»

UNIDADE

«É necessária a unidade na acção de todos os portugueses, o que não significa esquecer o passado recente e os seus responsáveis.»

 

Do manifesto A minha visão para Portugal, de Henrique Neto

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Caramba, ainda acabo a votar num socialista...

por José António Abreu, em 22.04.15

Sublinhando que ainda não analisou ao pormenor o documento dos economistas escolhidos por António Costa, o ex-empresário e ex-deputado socialista Henrique Neto notou ainda que a preferência do PS pelo aumento do consumo privado, através da reposição mais rápida dos cortes salariais, da diminuição da sobretaxa de IRS e da TSU para os trabalhadores, tem um revés: “conduz quase sempre a um aumento das importações”.

E por isso o candidato independente a Belém tem reticências. “Obviamente não tenho nada contra o aumento das medidas a favor do consumo, mas antes disso é preciso medidas de substituição em certos sectores para não corrermos o risco de desequilibrar a balança comercial”, disse.

Henrique Neto, no Observador.

 

(Desta vez não resisti; passei «setores» a «sectores». Até por estar convencido - sinceramente - de que, ao sair da mente de Henrique Neto e ser atirada - indefesa - para a atmosfera, a palavra vinha com a consoante muda no lugarzinho dela.)

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 29.03.15

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«A candidatura à Presidência de Henrique Neto, socialista, vem colocar perante os olhos dos portugueses o problema que algum PS tenta manter inominável: o tema da corrupção.
Henrique Neto foi sempre claro quando Sócrates era primeiro-ministro: abusava do poder que tinha, não eram claros os motivos das suas decisões económicas, as grandes concessões outorgadas eram penalizadoras para os portugueses, estava a levar o país para a bancarrota. E, sobretudo, tinha trazido para o governo do PS a falta de ética e a discricionariedade.

Passados seis anos prova-se que os alertas de Henrique Neto deveriam ter sido ouvidos. Inclusive, a realidade ultrapassou os seus alertas. A fraude fiscal, o dolo no exercício de funções públicas e a corrupção transformaram Sócrates num arguido preso preventivamente.

Com António José Seguro, independentemente da apreciação política que se faça da sua acção, houve uma matéria em que ele fez um corte com o passado: o projecto político do PS não era a prática política de Sócrates, o PS é um partido em que a ética republicana tem de ser observada em todas as circunstâncias.

Com esta agenda, António José Seguro, que politicamente herdou a bancarrota do governo de Sócrates, colocou o PS vitorioso em todas as sondagens de uma forma sustentada.

António Costa, levado ao colo pela esquerda do PS (e de fora do PS) e pela simpatia de grande parte da opinião publicada controlada pelos editores do costume (que faziam das aparições taralhocas de Mário Soares a agenda política de cada semana), era a fénix que vinha reconstruir o PS na sua “alma ideológica”, com o aplauso dos socratistas, entretanto transformados em tropa de choque da ascensão de Costa. E António Costa, accordingly, baniu do discurso político tudo o que de mal Sócrates fez ao país.
Resultado: passado o tempo da hagiografia, Costa colocou o PS na mesma situação em que António José Seguro o tinha deixado. Com a agravante de, não se afastando da política de Sócrates, não se afasta da corrupção que ele representa.

A corrupção das elites é um tema eleitoral incontornável em 2015.
E, ao contrário do que algum mainstream gostaria, não vai ser uma agenda minoritária de grupúsculos políticos.
Vai ser a agenda principal dos eleitorados de centro-esquerda e centro-direita.


A candidatura de Henrique Neto é bem-vinda.
Vai obrigar o PS enfrentar os seus demónios.»

 

Do nosso leitor Maurício Barra. A propósito deste meu texto.

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Estas coisas têm de ficar escritas

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.03.15

Para se respeitar alguém não é necessário partilhar as mesmas ideias.

Quando alguém com o percurso político, profissional e partidário de Henrique Neto se apresenta como candidato presidencial está no seu legítimo direito. As candidaturas presidenciais são candidaturas individuais e independentes dos partidos e estes têm sido os primeiros a aguardar, com ou sem manobras de bastidores, que os candidatos avancem para depois se posicionarem. Por que razão teria ele de receber a bênção do PS? Por que razão estaria impedido de apresentar a sua candidatura? Gente com a frontalidade e a seriedade de Henrique Neto escasseia em Portugal, mais ainda na política, e o facto da candidatura ser politicamente inoportuna para a direcção do seu partido não autoriza ninguém a tratá-lo com a insolência com que alguns merdosos que sempre viveram à sombra do partido e dos compadrios políticos e empresariais criados à sua sombra a ele se referiram.

Não conheço Henrique Neto de lado nenhum. E não faço à partida tenção de apoiá-lo porque aos setenta e oito anos já não se devia eleger ninguém para cargos tão exigentes como uma Presidência da República (não é o exemplo do actual titular ter transformado o cargo numa espécie de secretariado de uma junta de freguesia mais pomposa que lhe retira dignidade). Mas tenho pena que não apareça por aí um outro Henrique Neto, republicano, com menos quinze anos, socialista e de uma seriedade à prova de bala, e podem ter a certeza que eu votaria nele. Com ou sem a bênção do partido. 

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Frases de 2015 (11)

por Pedro Correia, em 26.03.15

 

«É-me indiferente.»

António Costa, sobre a candidatura presidencial de Henrique Neto

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À porta do congresso

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.11.14

António Costa não será credível no país se não limpar o partido com grande clareza e grande determinação. Sofrerá com os estilhaços do que vier a acontecer com o eng. Sócrates."

Ou compreende isto e aproveita para mudar a política e apresentar novas ideias – e para haver novas ideias é preciso ter dirigentes que não estejam comprometidos com o passado – ou faz uma fusão entre os que vieram do passado e meia-dúzia de caras novas e não será credível no país. É o grande momento de António Costa.

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