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A utilidade das filas

por José Maria Gui Pimentel, em 04.03.15

Volto a um tema que já aqui abordei: a estranha teimosia das filas. No caso, referia-me a filas em restaurantes, mas o mesmo fenómeno estende-se a outros estabelecimentos comerciais e parece (-me), pelo menos em Lisboa, estar mesmo a aumentar.

Voltei a 'tropeçar' neste tema ao ler um texto recentemente publicado no New York Times, da autoria de Tyler Cowen, um dos autores do blog de economia Marginal Revolution. Neste artigo, Cowen tenta reabilitar o estatuto da espera em filas, argumentando que estas são, em última análise, vantajosas para os consumidores (como um todo). 

Especificamente, o autor sugere que, em muitos casos, os retalhistas usam as filas para segmentar os consumidores, entre aqueles que não se importam de pagar mais (e saltar a fila) e aqueles com menos poder de compra, mas muitas vezes também com um menor custo de oportunidade do tempo, que não se importam de esperar. Em concreto, a existência de filas dispensa investimento no alargamento do espaço, o que por seu lado permite não aumentar os preços. Mesmo que esta segmentação seja pouco exequível em muitos casos (não me lembro de ver um restaurante com 'primeira classe', por exemplo), a existência de filas poderá continuar a ser vantajosa, uma vez que os clientes mais predispostos a esperar tenderão a ser aqueles com mais actividade nas redes sociais, sendo, portanto, muito valiosos para os retalhistas. Ora, sem a possibilidade do recurso a filas, estes consumidores ficariam fora do mercado.

Mas não é tudo. Partindo desta linha de raciocínio, Cowen aproxima-se das hipóteses já exploradas Gary Becker num paper antigo. Por um lado, a possibilidade de a existência de filas ter, em si mesma, valor para os retalhistas, por se traduzir publicidade gratuita. Por outro lado, a possibilidade de as mesmas filas conferirem também utilidade aos consumidores, a quem o serviço parecerá mais valioso e exclusivo. 

Finalmente, Cowen destaca ainda dois factos que importa ter em conta no fenómeno do (aparente) aumento do recurso a filas no mundo capitalista. Por um lado, a espera é cada vez mais tolerável, dada a profusão de smartphones e outras distracções. Por outro lado, e pelo menos por enquanto, é muito raro ver filas no acesso a bens ou serviços essenciais.

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