Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Mon ami Muammar

por João Carvalho, em 13.09.11

A Guiné-Bissau ofereceu guarida a Kadhafi. Isto não terá um dedinho de Sócrates?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Maus cheiros de Bissau?

por João Carvalho, em 09.08.10

Não me cheira bem a visita do presidente da Guiné-Bissau ao Irão. Nem me cheira bem que a CPLP se arrisque a cair no descrédito internacional quando for tarde para ver uma estação de balística de longo alcance iraniana nos Bijagós para actuar no Atlântico, ou algo do género.

Devo ser eu a sonhar, claro, e espero estar enganado. Mas lá que não gosto do cheiro, não gosto. Nem sequer gosto da possibilidade de o Irão ajudar "desinteressadamente" a Guiné-Bissau. Não fica tudo muito malcheiroso?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um dia negro para a Guiné-Bissau

por Paulo Gorjão, em 25.06.10

Recentemente tinha aqui alinhado alguns cenários possíveis para a resolução do impasse na Guiné-Bissau. Hoje ficou a saber-se que António Indjai é o novo CEMGFA, apesar do aviso público de última hora dos EUA. Suspeito que acertei e que vamos ter mais episódios de convulsão política e militar. Como diria alguém, só não sei é quando.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Guiné-Bissau: Segundas impressões

por Paulo Gorjão, em 03.04.10

Na troca de pontos de vista que tenho mantido com Luís Naves, basicamente tenho salientado duas coisas: a primeira é o nosso -- o meu, para ser mais correcto -- desconhecimento sobre o que se está a passar. Nós temos um conhecimento geral, grosso modo, mas não temos uma leitura mais fina dos factos. E isto remete-me para o segundo ponto e que é a explicação para o timing do golpe. Ainda não é claro a que se deve o timing imediato. Ainda que a título provisório, julgo que a resposta está na Reforma do Sector de Segurança (RSS) que, por ironia, visa precisamente acabar com as interferências dos militares na política. É o início da implementação da RSS que provavelmente origina o golpe.

Ontem, António Indjai explicou a deposição de José Zamora Induta alegando que o CEMGFA queria "formar um Exército privado". Ora, em visita a Lisboa, no passado dia 22 de Março, Induta anunciou que a implementação da RSS estava para breve. Um das consequências práticas da RSS é a redução do número de militares e, consequentemente, a escolha dos que ficam e dos que passam à reserva. Aparentemente, é aqui que está a explicação para o golpe. É público que Induta e Indjai não são próximos e, muito provavelmente, Induta preparava-se para privilegiar a manutenção de tropas que lhe são -- ou passariam a ser -- fiéis em detrimento dos restantes. Deve ser este o "Exército privado" a que Indjai se referia e foi contra a sua 'eliminação' como player que ele reagiu.

Chegados aqui, uma dúvida: a RSS ainda tem condições para continuar? É público que Indjai tinha reservas quanto à RSS. Sem Induta, em que pé fica a RSS? A meu ver, a RSS continuará, mas o empenho na sua implementação vai mudar. Mudam os vencedores e os vencidos, mas muda também o compromisso relativamente à RSS. Mas, repito, tudo isto não passa ainda de notas soltas a carecer ainda de maior amadurecimento.

P.S. -- Se quiser receber gratuitamente as publicações do IPRIS (sempre em língua inglesa), nomeadamente o boletim sobre os países de língua portuguesa, pode inscrever-se aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Guiné-Bissau: Primeiras impressões

por Paulo Gorjão, em 02.04.10

Numa altura em que ainda escasseia informação segura sobre o que se passou -- e ainda está a passar, apesar da aparente reposição do statu quo ante -- em todo o caso há já alguns dados a emergir que permitem especular e tentar interpretar os acontecimentos de ontem e hoje. Vamos por partes.

1. Aparentemente, assistimos a uma tentativa de golpe de Estado que visava demitir o Primeiro-Ministro, Carlos Gomes Júnior, e o CEMGFA, Zamora Induta.

2. Se no primeiro é claro que o golpe falhou, no segundo continua em aberto o desfecho.

3. O que explica o timing de curto-prazo do golpe? Não sabemos.

4. O que explica o timing de médio e longo-prazo do golpe? Muito provavelmente, a Reforma do Sector de Segurança (RSS).

5. Ou seja, o golpe é muito possivelmente uma resposta à RSS e ao novo equilíbrio de poderes que iria emergir no âmbito das Forças Armadas. Possivelmente, ao abrigo da RSS, Induta estaria a preparar-se para consolidar o seu poder em detrimento de outras facções militares. Daí, possivelmente, a resposta de António Indjai, vice-CEMGFA, ele que assumiu a liderança interina das Forças Armadas e que parece ter sido conjuntamente com Bubo Na Tchuto o líder do golpe.

6. Desconheço se existe um elemento étnico no power play em curso. Existirá, seguramente, mas quão relevante o seu peso é para mim uma incógnita.

7. Tal como não é para mim claro a relação de forças entre Indjai e Na Tchuto e o grau de envolvimento de um e de outro -- e, eventualmente, de terceiros.

8. A RSS parece-me a variável central nestes acontecimentos e desvalorizaria outras de que por vezes se fala, nomeadamente o tráfico de droga.

9. No meio disto tudo, algumas questões: Sem a libertação de Induta, pode dizer-se que o golpe falhou? Assumindo que Induta vai ser libertado, em que pé fica a RSS? Indjai vai continuar no cargo? E a comunidade internacional, nomeadamente a ONU e a UE, mantêm o mesmo nível de empenho no processo?

10. Eis algumas questões ainda a carecer de resposta no meio do turbilhão ainda pouco claro dos acontecimentos em curso.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O drama da Guiné-Bissau

por Pedro Correia, em 12.03.09

 

Cansei-me de ouvir o discurso da nossa responsabilidade histórica perante os morticínios que continuam a cometer-se em África. Três golpes de Estado, um presidente assassinado, três chefes militares abatidos e um primeiro-ministro executado em menos de 35 anos, a Guiné-Bissau em estado de insolvência, uma esperança média de vida baixíssima, o poder nas malhas do narcotráfico internacional - e há ainda quem venha explicar tudo isto com a Conferência de Berlim, de 1885, e a colonização portuguesa. É o caso do João Tunes, uma das pessoas que mais respeito na blogosfera. Os argumentos que invoca merecem-me reflexão. Mas não me convencem. Pela mesma lógica, poderíamos sempre culpabilizar a conferência de Viena, de 1815, que redesenhou o mapa da Europa, como causa da I Guerra Mundial um século depois e as imposições do Tratado de Versalhes, em 1919, como chave de ignição da II Guerra Mundial - e neste caso atenuando desde logo as responsabilidades históricas do impulso totalitário de Adolf Hitler.

Num mundo interdependente, a causa do progresso é a construção de grandes blocos regionais com fronteiras diluídas. João Tunes fala na Conferência de Berlim, mas esquece que os movimentos progressistas que tomaram o poder em África, no final dos anos 50, impuseram como dogma a intocabilidade das fronteiras coloniais, assumindo-as na plenitude. Precisamente na mesma época em que Jean Monnet e outros visionários lançavam os alicerces de uma Europa unida.

A União Europeia como aglutinação voluntária de povos que travaram batalhas milenares é uma causa progressista. A multiplicação de estados "étnicos" nos Balcãs ou a edificação de um País Basco "independente" à força da bomba, tudo em nome do nacionalismo, são causas reaccionárias, que nada deviam ter a ver com a esquerda. Lamento que haja tanta gente de esquerda a dar-lhes caução política, tão equivocada como quando via em Nkrumah ou Sékou Touré, nos anos 60, os estadistas iluminados de uma nova era. Tudo isso era um logro, como aqui já sublinhei.

O drama da Guiné-Bissau não é filho de pai incógnito: tem rostos, tem nomes, tem protagonistas. Quase todos do PAIGC, a força política que durante tanto tempo foi erigida como símbolo da nova África e afinal era apenas uma erupção da África velha. Sei que este é um facto incómodo. Mas é tempo de o deixar escrito com todas as letras.

 

Ler também:

- Guiné-Bissau, um olhar moçambicano. Editorial do jornal Savana, transcrito na Estrada Poeirenta.

Autoria e outros dados (tags, etc)

De vanguarda a retaguarda

por Pedro Correia, em 11.03.09

 

Nos dias que correm, nada como a Guiné-Bissau simboliza tão bem as surpreendentes reviravoltas da História. Arvorada durante anos em bandeira do progresso, a "independência" guineense transformou-se num dos maiores logros do nosso tempo. A causa nacionalista, aliás um conceito reaccionário por excelência, mal disfarçava então os velhos demónios xenófobos e tribalistas que não tardaram a soltar-se mal terminou o 'fardo do homem branco' em África. O percurso da "independência" da Guiné-Bissau, hoje presa das redes de narcotráfico internacional, não podia ser mais trágico. Naturalmente, quem há três décadas enaltecia o PAIGC como vanguarda do progresso histórico não tardou a virar-se para outras causas mais apelativas - e hoje é possível ocorrer algo tão impensável como o Presidente Nino Vieira, antigo herói da guerra da "independência", ser assassinado e literalmente esquartejado como um animal no matadouro sem que o facto suscite uma só linha de comoção em blogues habituadíssimos a comover-se com um único tiro disparado na Palestina ou nos Balcãs. Percebe-se porquê: o drama guineense é um tema incómodo para Portugal. Talvez por isso, o Estado português fez-se representar no funeral de Nino - que era chefe do Estado em funções no momento em que foi morto - apenas pelo secretário de Estado Gomes Cravinho. Não podia ser mais gritante o contraste com a classe política que se acotovelava ontem em Lisboa para cumprimentar o Presidente de Angola ou com a comitiva de sete ministros, seis secretários de Estado e 28 empresários que José Sócrates leva a partir de amanhã a Cabo Verde.

Encerrado o ciclo colonial, a República da Guiné-Bissau deixou de ser uma peça no xadrez geopolítico e uma flor na lapela progressista. É quase como se não existisse, aconteça lá o que acontecer. E existirá mesmo?

Autoria e outros dados (tags, etc)




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D