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Os garotos

por Rui Herbon, em 03.07.15

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Os países não podem ser governados em estado de permanente excitação. É possível adoptar a estratégia da fuga para a frente a curto prazo, com gestos, slogans e propaganda que satisfaçam num momento concreto a maioria dos cidadãos, mas nem as grandes revoluções se conseguiram instalar na retórica da política-ficção de modo indefinido. Fazer política à margem da realidade é uma farsa inaceitável. Não é sério celebrar eleições em Fevereiro (que sufragaram uma política que, por ser contrária à defendida pela generalidade dos países da União, que nunca a aceitariam, implicava o incumprimento e a saída do euro) e convocar um referendo em Julho, a correr, porque o governo eleito não tem coragem para tomar decisões (a democracia, dizia Max Weber, é um instrumento para escolher os encarregados de adoptar as decisões supostamente justas e definir contra-pesos para limitar os seus excessos) e nem sequer soube gerir os problemas que afectavam muito dolorosamente a maioria dos gregos (a economia estava a crescer antes da tomada de posse do governo do Syriza).

 

Há dias Alexis Tsipras aceitava o núcleo duro das exigências dos credores. Poucos dias antes tinha abandonado as negociações e convocado, à noite e sem avisar ninguém, um referendo. Não se entende como, apesar de querer negociar, continua a apoiar o «Não» no referendo, cuja pergunta está totalmente ultrapassada, pois refere-se a documentos que, não tendo havido acordo até terça-feira passada, deixam de estar em vigor; e os seus ministros, à falta de argumentos, continuam a usar a demagogia: «campanha de terror contra a Grécia», «conspiração para derrubar um governo de esquerda» e por aí fora. Resumindo: a culpa é dos outros. Sempre que se empreende uma política baseada na ficção, alheia às leis vigentes e à realidade palpável, responsabiliza-se o suposto adversário ou inimigo pelos males pátrios. É essa a táctica secular de ditadores e populistas de meia-tigela (que são sempre aprendizes dos primeiros).

 

Os plebiscitos precipitados são jogos com cartas marcadas. Putin (oh, o amigo Putin) fê-lo na Crimeia, e Tsipras quer transferir para os gregos uma responsabilidade que é sua. A leviandade tem um preço demasiado elevado em política, que não é um jogo para garotos.

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Grexit: façam as vossas apostas

por Rui Rocha, em 22.06.15

Aposto num acordo entre a Grécia e a Troi... er, e as Instituições. E vosselências, que dizem?

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