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Descubra as diferenças

por Pedro Correia, em 15.09.17

 

Ministro da Economia, 13 de Setembro:

«Governo não se deve envolver directamente nem trazer para a praça pública as questões internas da Autoeuropa.»

 

Ministro dos Negócios Estrangeiros, 21 de Julho:

«Entendo muito bem o que está a ocorrer na PT. Se eu fosse trabalhador da PT, se calhar, também estava a fazer greve.»

 

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A greve boa e as greves más

por Pedro Correia, em 11.09.17

 

Ministro da Saúde avisa enfermeiros:

«Greve terá consequências disciplinares.»

 

Ministra da Justiça avisa magistrados:

«Não se começa uma negociação apontando para a bomba atómica.»

 

Secretária-geral adjunta do PS critica greve na Autoeuropa:

«Choca-me que não seja possível que os sindicatos possam dialogar com a comissão de trabalhadores e com a administração.»

 

Ministro dos Negócios Estrangeiros incentiva greve na PT:

«Se fosse trabalhador da PT também estava a fazer greve.»

 

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As saudades que eu já tinha...

por Teresa Ribeiro, em 02.12.15

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... e eles também, destas andanças. Fica, enfim, reposta a normalidade.

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À custa de todos nós

por Pedro Correia, em 26.06.15

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O Metropolitano de Lisboa está hoje todo o dia parado, devido a mais uma "greve dos trabalhadores". É a oitava que se realiza este ano, que ainda nem vai a meio - atingimos portanto uma média superior a mais de uma por mês.

Oito dias de greve, que paralisam este imprescindível serviço de transportes públicos da capital, porquê? Não por questões de carácter laboral: os funcionários do Metro têm um nível salarial muito acima da média nacional, regalias de que nenhum outro trabalhador dispõe, vínculos contratuais sólidos, estabilidade profissional e uma carreira bem definida.

O motivo destas greves é protestar contra a subconcessão do Metro a entidades privadas - uma decisão já assumida pelo Governo, com plena legitimidade, tanto mais que constava do seu programa eleitoral, sufragado em 2011.

Dizem os sindicatos do sector que as paralisações se destinam a "defender o serviço público". Mas, por amarga ironia, cada greve constitui um argumento suplementar contra a estatização dos transportes urbanos junto das centenas de milhares de portugueses que os utilizam. Porque são eles - em larga medida pertencentes aos segmentos mais desfavorecidos da população - os principais afectados por estas paralisações.

Direi mesmo mais: são os únicos. As direcções das empresas até beneficiam, pois poupam em custos de energia e pagamentos de salários. E o Governo vê o seu argumentário reforçado: nas empresas privadas de transportes não existem greves. Essas sim, defendem os desfavorecidos.

 

Só na Área Metropolitana de Lisboa, 43% dos residentes utiliza regularmente os transportes públicos. Mas, em vez de servirem a população, empresas como o Metro servem interesses políticos - em estreita convergência com o Partido Comunista, que encontra hoje no segmento dos transportes urbanos o seu principal reduto de apoio sindical. Hipocritamente, dizem defender os mais pobres enquanto lhes negam o direito constitucional ao transporte. Roubando-lhes dias que foram antecipadamente pagos no momento da aquisição dos passes sociais. Abusando da posição dominante, num arremedo de darwinismo social.

Hoje todos nós - e somos, só os utentes do Metro, quase meio milhão por dia - tivemos de inventar meios alternativos para nos deslocarmos rumo ao local de trabalho, ao centro de emprego ou ao centro de saúde. Sem carro ou sem gasolina para o pagar. Sem dinheiro para gastar em táxis. Com passes tornados inúteis pelo oitava vez em 2015.

 

Em 2014, as três empresas públicas de transportes que servem a capital (Metro, Transtejo e Carris) apresentaram um défice de natureza operacional superior a 110 milhões de euros - quantia paga pelo Orçamento do Estado, ou seja pelos contribuintes. Muitos deles pagam três vezes estes prejuízos: através dos impostos, dos títulos de transporte adquiridos por antecipação e dos meios alternativos que têm de inventar para deslocações nos dias como hoje.

Indiferente a tudo isto, a casta sindical já planeia novas paralisações. Aniquilando o transporte público enquanto proclama defendê-lo. À custa de todos nós.

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As greves do metro na óptica do utilizador

por Marta Spínola, em 18.06.15

Agora que já passei por diversas greves de metro - há mais de dez anos que o utilizo diariamente -, desde as só até às dez às de 24 horas, de quando havia uma de vez em quando até às regulares, posso dizer com propriedade: façam greves para aí, já contorno de forma relativamente simples a questão.

Já sei que é um direito, que nem sempre se percebe para o que ou para quem são e isso nem importa muito porque, lá está, as pessoas têm direito e podem fazer greve.

Muito bem, mas para quem usa no dia a dia, para quem tem de chegar a algum lado e depende do metro para isso, não é imediata a solidariedade e a compreensão. Somos assim, pronto, não é por mal. Isto também é pouco relevante para os números da greve, deixem-nos ter este amor/ódio por elas e desabafar redes sociais e blogues fora.

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Na semana passada foi a greve dos aeroportos alemães a anunciar o cancelamento de voos. Esta semana é a greve de 3 (três) dias dos pilotos  de uma organização chamada “Vereinigung Cockpit” (VC), ou seja, o sindicato respectivo. O resultado são só 3800 (três mil e oitocentos) voos cancelados. A razão da greve, que começa na quarta e terminará sexta-feira, de maneira a que o fim-de-semana seja de arromba, foi a falta de entendimento sobre uma questão tão "corriqueira", imagine-se, como aumentos salariais. E como se isso não bastasse para indispor os passageiros que optaram por viajar nessa companhia aérea, o número de chamadas telefónicas deu-lhes cabo do sistema. Como há dias se soube que os lucros ficaram aquém das expectativas, não havendo perspectiva de a curto prazo serem despedidos alguns dos seus 118.000 trabalhadores - uma ninharia - , dir-se-ia tratar-se de uma companhia aérea da Europa do sul.

Aos que em Portugal pugnam por mais alterações à lei da greve, e que em pleno século XXI ainda se queixam do defunto Conselho da Revolução, ficaria bem que agora dissessem uma palavra sobre o assunto. Quanto mais não fosse, por exemplo, para defenderem uma aproximação da lei da greve nacional, sei lá, à lei colombiana. Todos os que ficaram, e ficarão, em terra compreenderiam a oportunidade da intervenção. E a necessidade de se aumentar esses tesos dos pilotos alemães.

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Das copiosas greves dos transportes

por Teresa Ribeiro, em 11.12.13

Não posso respeitar os grevistas cujo poder negocial depende essencialmente dos transtornos que provocam na vida dos outros e que não hesitam em jogar por sistema com esse factor de pressão. Isso já não é o exercício de um direito, é falta de civismo e de solidariedade para com os outros trabalhadores. Dia 19 há mais uma greve a somar a um rol impressionante

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a tal da greve

por Patrícia Reis, em 28.06.13

A questão é a de saber se fiz greve. Perguntaram-me várias vezes.

Dá-me vontade de sorrir e pouco mais.

Explico: há quase 17 anos que tenho uma empresa, nunca deixei de pagar subsídios de férias, os empregados têm sete semanas para gozar e, em caso de gravidez, seis meses em casa pagos pela empresa e depois, conforme a lei, têm mais seis meses para sair cedo e entrar mais tarde.

Não têm horário, portanto se ligarem para lá às nove da manhã, o mais certo é estar deserto.

Se ligarem às nove da noite, a conversa talvez seja outra.

Temos frigorífico e partilhamos refeições.

Mesmo os que estão a recibo verde têm direito a subsídio de férias e de natal. Nunca fugi ao fisco. Nunca deixei de pagar nada. Não tenho uma dívida, é certo que também não tenho uma fortuna sorridente à minha espera. Vivo sem qualquer tranquilidade, sem conseguir projectar o que estaremos a fazer. Às vezes, não sabemos o que vamos fazer no dia seguinte.

Bato às portas, vou a concursos, faço relações públicas (sou péssima!) e não posso dizer que faça de comercial por não ter jeito e nunca ter contratado ninguém dessa área. Posso dizer que os clientes que temos ficam connosco. Sabem que não falhamos, mesmo que as horas de sono sejam poucas. Sabem que os nossos orçamento são um quarto dos orçamentos de outros ateliers, de agências de comunicação, de publicidade, etc e tal.

Sabem que não chegamos atrasados e que, apesar do contrato com Nossa Senhora (ela não faz design, nós não fazemos milagres), temos tido sorte e levado a carta a Garcia.

Durante quase 13 anos tivemos a revista mais premiada da Europa, a Egoísta, mas a quantidade de coisas que já fizemos é brutal e é um orgulho imenso. Quero lá saber da lei se calha a ter de despedir alguém: dou o que posso, dou para lá da lei se for o caso e possível, dou computador e, até já aconteceu, voltar a contratar a mesma pessoa.

Portanto, não. Não fiz greve.

Porque não tenho um patrão, só o meu rosto do outro lado do espelho e conheço uma quantidade de gente que se queixa, que se queixa muito mas que não vejo trabalhar. Sim, há uma diferença enorme entre trabalhar e ter um emprego.

E não, não tenho fins-de-semana e 21 dias de férias, tenho o que posso, quando posso e muitas vezes sem subsídio.

Optei por ter uma empresa por causa dos horários flexíveis, para educar os meus filhos de outra forma.

Agora estão grandes, a crise é mais que muita e eu trabalho que nem uma louca. Há coisas que me dão imenso gozo, outras são uma grande seca. Fazer greve não posso. O que posso dizer é  estão à vontade para perguntar às três pessoas que trabalham comigo se, por mero acaso, querem ir para outro lado. Por favor, perguntem. Eu já sei a resposta. E não, não fizeram greve.

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Então, o homem

por Patrícia Reis, em 27.06.13

Então, o homem, no café, cigarro pronto para ser aceso, lá fora, disse-me

 

- Sabe, a menina, não posso aderir à greve. Votei nestes gajos. Tem de existir uma certa coerência.

 

E eu, muito rápida, muito parva:

 

- Acha que sim? Pois, eu sei sempre achei que coerente uma vida inteira é um acto de estupidez, temos o direito a mudar de ideias.

 

O homem olhou-me. Calado. Depois sorriu, ou pareceu-me ver um qualquer sorriso, e saiu.

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 17.06.13

«Ninguém discute a legitimidade da greve [dos professores], mesmo em dia de real prejuízo para os escolares, embora se lamente que tenha sido necessário criar reféns tão alheios ao conflito. Poucos contestam o imenso capital de queixa acumulado por estes e outros actores contra os efeitos da política restritiva da escola pública. Mas o que os sindicatos não conseguirão será atrair, em vez de repelir, o cidadão para a sua causa. Com efeitos impossíveis de prever para o desprestígio da sua luta.»

Correia de Campos, no Público

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Uma gestão desastrosa.

por Luís Menezes Leitão, em 17.06.13

 

Não me lembro de ter assistido a uma gestão mais desastrosa de uma greve como a que foi realizada pelo Governo. Desde o início ignorou o descontentamente existente na classe dos professores, julgando que tinha instrumentos à sua disposição para minimizar os efeitos da greve. Primeiro surgiu uma artilharia de comentadores, a tentar convencer a opinião pública de que a greve era ilícita ou imoral, tentando assim desmobilizar os professores. Depois o Governo ameaçou com a requisição civil, contando que o Tribunal Arbitral decretasse serviços mínimos, apesar de o ensino não estar legalmente tipificado como um dos sectores em que é possível essa designação. Perante a recusa do Tribunal Arbitral em decretar esses serviços mínimos, o Primeiro-Ministro ameaça alterar a lei, fazendo lembrar o Ministro da Guerra de Salazar, Santos Costa, que quando era acusado de estar a violar a lei, respondia que a lei estava na ponta da sua caneta.

 

Impossibilitado de decretar serviços mínimos, Nuno Crato lembrou-se então de convocar todos os professores para a vigilância, levando assim a que cada grevista tivesse nove suplentes. Mas mesmo com esta medida, a greve teve impacto e inúmeros alunos ficaram sem exames. O resultado foi pior de que se ninguém tivesse feito exame, levando a um enorme protesto dos alunos. Imagine-se como se sentirão alunos que viram os seus colegas com exame realizado, enquanto que eles não o puderam fazer, tendo necessariamente que fazer um diferente, o qual pode ser mais fácil ou mais difícil, discriminando uns estudantes em relação a outros.

 

Uma conclusão: para se ser Ministro da Educação não basta ter escrito um livro sobre o eduquês, por muito correcto que o livro seja. É necessário ter capacidade de gestão política, o que tem faltado totalmente a este Governo.

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Greve dos professores portugueses

por jpt, em 04.06.13

 

Leio, estremunhado, que os professores portugueses ameaçam fazer greve nos próximos dias. E com isso afectando o processo final de avaliações e talvez até os próprios exames finais. Preocupo-me um pouco com a minha filha, empenhadíssima na conclusão da sua 6ª classe, e com viagem para férias em Portugal já marcada para o logo depois dessas provas finais. Espero que a sua concentração, tão organizada, e as suas férias, tão merecidas, não sejam prejudicadas pelas lutas sindicais dos seus professores.

 

A este propósito leio também umas choraminguices das confederações de pais. Que, sim Senhor, os professores têm toda a razão, a culpa "disto tudo" é do(s) governo(s), que a greve é justa, que o direito à greve é fundamental, mas ... por favor stôres não prejudiquem os nossos petizes, coitadinhos, deêm-lhes as notas e façam-lhes os exames, não lhes questionem o direito à educação. Que coisa! As greves são para serem feitas quando doem mais, para potenciar os seus efeitos de pressão. Quando doem aos patrões/empregadores e aos consumidores/utentes. Com limites claro, da racionalidade económica (sobrevivência organizacional), política (a das boas modalidades do regime) e, em última análise, do interesse nacional. Objectivamente nada disso está em causa com um hipotético atraso dos exames por via de uma greve.

 

Os professores consideram que devem fazer uma greve (por razões que desconheço, sendo que até tenho um longínquo apreço pelo actual ministro)? Façam-na. Como deve ser. Quando atrapalha mais. E quanto aos paizinhos: ou são contra os motivos da greve, e contestam-na. Ou aceitam-nos, e deixam-se de choradinhos.

 

(é claro que não haverá greve aos exames, é bluff para as primeiras páginas dos jornais. Ainda bem para a Carolina. Que não mereceria esta confusão. Mas que, com toda a certeza, não veria os seus (sacrossantos) direitos postos em causa caso ela viesse a ser realizada).

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Frases de 2013 (18)

por Pedro Correia, em 31.05.13

«Esta é uma greve geral para mudar de política, mudar de governo e promover eleições antecipadas.»

Arménio Carlos, hoje, anunciando a convocação de uma greve geral

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Tortos direitos

por João Campos, em 21.12.12

Parece que a CP vai fazer greve no Natal e no Ano Novo, algo que só será notícia para quem tenha andado muito distraído durante este ano. Seria certamente interessante comparar o calendário das greves de 2012 da CP com o calendário civil, e tomar nota de quantas greves coincidiram - puro acaso, certamente - com feriados, fins de semana prolongados e festividades avulsas. Para 2013, antes de se tentar fazer ver aos trabalhadores da CP o transtorno que causam a milhares de pessoas, talvez fosse boa ideia explicar-lhes a diferença entre os conceitos de "greve" e "férias", que pelos vistos estão muito confusos naquelas cabecinhas.

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Nem pense nisso, senhor primeiro-ministro

por Rui Rocha, em 15.11.12

O senhor primeiro-ministro elogiou ontem, dia de greve geral, os que tiveram coragem para trabalhar. E acabo de o ver, num das televisões generalistas, a sublinhar o papel dos que ontem decidiram não fazer greve. O propósito é claro. Trata-se de separar os portugueses entre grevistas e não grevistas. Entre aqueles que estão empenhados em contribuir para um futuro melhor para o país e aqueles cujo comportamento, implicitamente rotulado de nocivo, deve ser tolerado porque, para além do mais, não existe outro remédio. Entre, em suma, aqueles que estão com o senhor primeiro-ministro e os que não estão. Pretende, portanto, o senhor primeiro-ministro colar-se a todos os muitíssimos que decidiram trabalhar. Mais, quer apropriar-se do dia de trabalho de todos esses tantos. Ora, é importante que fique claro, para meu sossego, que o meu dia de trabalho de ontem não é do senhor primeiro-ministro. É das minhas convicções, das minhas esperanças, das minhas dúvidas, das minhas lealdades, dos meus medos, do meu passado, do meu presente e do meu futuro. E da minha entidade patronal, a quem o vendi por preço que considero minimamente aceitável, à falta de melhor oferta. E já agora, para tudo dizer, por preço algum o cederia ao senhor primeiro-ministro para que dele fizesse uso político. Mais, o meu dia de trabalho de ontem valeu o que a minha entidade patronal paga por ele. Mas não vale mais do que o dia de greve daqueles que a decidiram fazer. Nestes casos, o que está certo é termos a liberdade de fazer escolhas. Mas nunca é certo que tenhamos feito as escolhas mais correctas, aquelas que melhor defendem os nossos interesses ou os do nosso país. A liberdade, disse-o Pessoa, está também em ter um livro para ler e não o fazer. Até hoje nunca fiz greve. Mas sei que isso só é uma liberdade porque existe um livro onde o direito à greve está inscrito. Por tudo isto, convém que o senhor primeiro-ministro não se aproprie das decisões que tomo em nome da minha liberdade pessoal e intransmissível. Dei-lhe, é certo, o meu voto em 2011. E sei que as regras democráticas não me permitem recuperá-lo com efeitos retroactivos apesar do uso que lhe tem dado. O meu dia de trabalho de ontem, todavia, não é seu.

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A greve afinal não foi geral.

por Luís Menezes Leitão, em 14.11.12
Ao contrário do que se julgava, a greve afinal não foi geral. É que o Presidente da República não fez greve. Efectivamente Cavaco Silva trabalhou intensamente, recebendo o Presidente da Colômbia e até explicou as razões da sua não adesão à greve. Segundo afirmou Cavaco Silva: “O direito à greve dos trabalhadores está consagrado na nossa Constituição e deve ser respeitado. Mas apesar da greve, da minha parte não deixei de trabalhar reunindo com o senhor Presidente da República da Colômbia e fazendo o possível para com o fortalecimento das relações entre os dois países contribuir para que, no futuro, o crescimento do produto seja mais elevado (...) e que o desemprego seja menor do que aquilo que o INE hoje anunciou”. Já estou muito mais tranquilo. Parece que havia a possibilidade de o Presidente da República ter decidido não trabalhar hoje e deixar de receber o Presidente da Colômbia. Imagine-se o que seria o Presidente da Colômbia chegar a Portugal e dizerem-lhe que o Presidente da República não o recebia pois tinha decidido aderir à greve geral da CGTP. Mas afinal não seria original. Há trinta e sete anos, como documentam as imagens abaixo, tivemos em Portugal um Governo em greve. Uma greve presidencial teria seguramente muito menos impacto.



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A igualdade vai dar-nos muito trabalho

por Rui Rocha, em 09.07.12

Parece que os médicos convocaram uma greve para quarta e quinta-feira. A justificação que apresentam relaciona-se com um conjunto de reivindicações que incluem o novo regime de trabalho das quarenta horas semanais e a respectiva grelha salarial. Mais tarde ou mais cedo, as partes vão acabar por sentar-se à mesa das negociações. Em nome do princípio da igualdade, e atendendo às matérias em causa, imagino que os trabalhadores do sector privado  serão chamados para participar na discussão. Pela minha parte, confesso que não me dá grande jeito. Mas, por amor à Constituição, estou disponível para fazer um sacrifício. Só peço que não marquem nada para 5ª feira (já tenho reuniões agendadas) e para 6ª à tarde (tenho uma consulta marcada e da última vez demorei quatro horas a ser atendido). 

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Domesticar Manifestações, for Dummies

por André Couto, em 12.04.12

"Estas manifestações são planeadas, coordenadas e têm um objectivo. (...) Continuar a ouvir, em 2012, falar de PSP como força de repressão é uma coisa que eu acho que deve fazer pensar todos. Uma força de segurança, num estado democrático, não é uma força de repressão, é uma força que garante o direito dos cidadãos, (...) e é uma força que garante a ordem democrática.", Miguel Macedo, Ministro da Administração Interna, Audição Parlamentar no âmbito da actuação policial durante as manifestações do dia da Greve Geral de 22 de Março.


Assusto-me quando assisto a intervenções que artisticamente questionam o direito à manifestação, com o argumento de que a força serviu para assegurar o Estado de Direito, como se fossem setentas pessoas pô-lo em questão e não a forma, amplamente documentada, como as forças da autoridade agiram. Uma força de segurança, num estado democrático, é, ou não, uma força de repressão, consoante a forma como age e sentimento que transmite às pessoas, e não pelas perniciosas declarações de um Ministro que tenta formatar mentalidades, distorcendo a realidade daqueles factos.

Quando diz, com fito pejorativo, que "estas manifestações são planeadas, coordenadas e têm um objectivo", como se o planeamento, a coordenação e a objectividade não fossem três ingredientes intrínsecos ao próprio exercício da manifestação e do direito de organização, o Ministro da Administração Interna questiona todo este direito, que não é por acaso que aparece blindado na nossa Lei Fundamental, ainda que as décadas actuem como amnésia em muitas mentes.

Em 2012, perigoso não são setenta jovens a manifestar-se, perigosos são uma polícia que agiu com intuitos repressivos e um Ministro que questiona habilmente este histórico direito que nos assiste. Se não tivemos, até hoje, problemas com manifestações em Portugal, porquê muscular a actuação policial? Impedir a livre e pacífica manifestação não é o caminho, em vez de manter a calma, coloca em questão a paz social.

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Imagem que marca (1)

por André Couto, em 29.03.12


29M - Huelga General

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Pronto, o fracasso subiu-lhe à cabeça

por Rui Rocha, em 28.03.12



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Não esqueçam.

por André Couto, em 23.03.12

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A imagem que mil palavras não apagam.

por Luís Menezes Leitão, em 23.03.12

 

É curioso que a língua inglesa utilize para designar a fotografia a expressão "snapshot", que nos dá a sensação simultânea de um tiro e de uma captura. Porque de facto quem tirou esta fotografia deu um tiro certeiro na imagem de Portugal em todo o mundo. Bem pode o Governo protestar que nada tem a ver com a Grécia, que a greve geral não conseguiu os objectivos visados, e que o povo apoia na sua esmagadora maioria o programa de ajustamento. Toda esta argumentação, por muito certa que esteja, se evapora perante uma imagem com esta brutalidade. O que aqui se vê é uma mulher indefesa, além do mais jornalista, a ser barbaramente agredida sem qualquer necessidade. E embora a imagem represente apenas um segundo de um dia que teve vinte e quatro horas, é esse instante que vai perdurar na memória desse dia, estragando completamente a imagem de Portugal no mundo.

 

Parece que a PSP fez um comunicado em que, para além das habituais "averiguações" pede aos jornalistas que estejam correctamente identificados e se coloquem devidamente no terreno. E que tal propor também aos agentes um curso sobre direitos humanos? É que mais uma meia dúzia de imagens destas e bem podem os nossos governantes andar pelo mundo todo a dizer que Portugal não é a Grécia. Provavelmente responder-lhe-ão: pois não, é o Chile de Pinochet.

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Do deplorável caso de ontem, que conhece impressionante ilustração no El País, mais do que as palavras de quem acusa, valem as imagens de uma fotojornalista a ser selvaticamente agredida e de manifestantes a serem barbaramente golpeados pelas costas.

 

Ainda que provocada, o que não parece ter sido o caso, a Polícia não se pode comportar como um puto na idade do armário, a rebentar de testosterona, e ver cada impropério ou palavra de ordem como uma luta de galos. É para o evitar que é investida da possibilidade de uso da força e demais poderes que a lei lhe confere. Assim começará a importação do caos das ruas gregas para as portuguesas, não pelo lado do indignado Povo mas pelas mãos da Autoridade, a que agride de gravata e a que decide de bastão.

 

(Por lapso não fiz o upload da fotografia que faz prova do que afirmo, fica agora o acrescento.)

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Semear ventos

por Pedro Correia, em 22.03.12

Um eterno secretário-geral de um partido que se proclama "dos trabalhadores" mas no qual os trabalhadores jamais votam apressou-se a marcar presença no prime time televisivo da greve da CGTP, à meia-noite, falando com a autoridade política que os seus zero vírgula qualquer coisa obtidos nas urnas lhe conferem: «É preciso fazer tantas greves gerais quantas forem necessárias até derrubar o Governo. (...) É preciso que este governo tenha que morrer.»

Felizmente nenhum assalariado português, esteja ou não esteja em greve, se revê nesta linguagem bélica de quem diz representar "a classe operária e os restantes trabalhadores" e é incapaz de aceitar os mecanismos elementares da democracia representativa. No sistema democrático que felizmente é o nosso, há adversários políticos e não inimigos, como a alusão à "morte", com o seu simbolismo carregado de ódio, deixaria entender. Quanto ao facto de greves sucessivas poderem contribuir para o derrube de governos escolhidos nas urnas, basta lembrar os trágicos resultados do Chile de 1973 que deviam funcionar como alerta para quem gosta de semear ventos ansiando por tempestades.

A história pode sempre repetir-se - e, ao contrário do que escreveu Marx, não necessariamente como farsa.

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A casta está outra vez em greve

por Teresa Ribeiro, em 21.02.12

Há anos que me perguntava por que diabo não se divulgavam os privilégios e as tabelas salariais dos trabalhadores das empresas de transportes públicos. É que ao fim de décadas de reivindicações constantes eu desconfiava que há muito a luta destes trabalhadores tinha deixado de ser justa e que as suas sucessivas greves eram sobretudo manifestações abusivas de poder, tanto por parte das centrais sindicais, que só no sector público o têm, como por parte dos trabalhadores, que sabem que cada uma das suas paralisações paralisa também o país.

Há muito que adivinhava que o impacto público da divulgação das tabelas salariais e regalias desta casta, que de cada vez que entra em greve lixa a vida aos outros trabalhadores, seria enorme. Custou esta informação chegar aos jornais (ver hoje manchete do DN), talvez porque discutir os direitos dos trabalhadores é tabu. Fizeram mal. Se há reivindicações que devem ser bem escrutinadas são as dos sectores que podem, como este, chantagear as empresas que lhes pagam com o dinheiro dos contribuintes.

Começassem estas informações a constar mais cedo e talvez se tivesse evitado o descalabro. Mas faltou tudo nesta história: ética, competência e coragem. Agora bem podem limpar as mãos à parede. Está a acabar-se a mama. Pelo menos assim o espero.

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A minha ironia

por Ana Lima, em 25.11.11

Depois de ver o post do jaa apeteceu-me falar da "minha ironia". É que hoje também foi um dia bastante produtivo. Fiquei a trabalhar em casa e o dia até rendeu bastante, mesmo descontando o tempo em que tive que interromper para fazer de mãe e "dona de casa" uma vez que as minhas filhas, como não tiveram escola por causa da greve, estavam comigo. 

Por contingências pessoais, esta funcionária pública que sou viu-se, este ano, a ganhar menos e a trabalhar mais por ter decidido mudar de local de trabalho abraçando um novo desafio, que só com muita força de vontade se leva a bom porto. E um relatório a entregar segunda-feira obriga-me a um esforço extra. Sabia, portanto, que não poderia perder um dia de trabalho nesta altura. 

Mas vamos lá à ironia: a primeira coisa que fiz de manhã foi telefonar para o sítio onde trabalho a avisar que faria greve para registarem a respectiva falta. Pois é. Já ouvi e li os argumentos que demonstram que não serve de nada, que prejudica mais o país que outra coisa. Compreendo e respeito os que não fizeram greve. Muitos assim decidiram porque o dinheiro lhes faz falta ou porque sabem que é um ponto negativo a mais que o patrão invocará em caso de contas de deve e haver. Foi com muitas dúvidas que decidi aderir, tal como o tinha feito há um ano atrás. Podem argumentar que assim não vale. Fazer greve e trabalhar não é verdadeiramente greve. As minhas filhas também não compreenderam. Na realidade não só não prejudiquei como beneficiei o Estado pois além do dinheiro que poupou, nem a água e a luz consumi.

Mas digo-vos: o dinheiro perdido é compensado por este sentimento de que, mesmo no meio das contradições e desconhecendo quais os números reais, estou no lado certo das estatísticas. 

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Ironias

por José António Abreu, em 24.11.11

Juro que não fiz de propósito mas hoje, dia de greve geral, foi também o dia em que mais trabalhei esta semana.

 

(Ah, um sofá...)

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Boa ideia

por João Carvalho, em 24.11.11

 

Quinta-feira: «Serviço perturbado». O aviso devia informar que se trata de um "serviço em greve", mas a ideia foi confundir a Troika, as agências de rating e os mercados. Uma perturbação não causa aquela má impressão de uma greve...

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I am

por Laura Ramos, em 24.11.11

 

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As fronteiras da liberdade

por Pedro Correia, em 24.11.11

 

Em dia de greve geral suscita-se a questão: como vamos em matéria de direitos laborais por esse mundo fora? O melhor é consultar o relatório anual da Confederação Internacional de Sindicatos: nenhuma organização está tão bem informada nesta matéria.

O documento fica aqui, à consideração de quem o quiser consultar. Por mim, tomo a liberdade de citar alguns exemplos:

 

Bielorrússia: «Os sindicalistas têm sido detidos e demitidos.»

 

China: «Restrições maciças à liberdade de associação e ao direito à greve.»

 

Coreia do Norte: «Na prática, os direitos sindicais não existem.»

 

Cuba: «A lei não reconhece especificamente o direito à negociação colectiva nem o direito à greve.»

 

Irão: «Os sindicatos são severamente condicionados e as greves estão proibidas.»

 

Síria: «A negociação colectiva quase não existe e é praticamente impossível convocar uma greve legal.»

 

Vietname: «O Governo continua a reprimir os sindicatos independentes.»

 

Zimbábue: «Trabalhadores da administração pública não têm o direito de formar sindicatos nem gozam do direito à greve.»

 

ADENDA: faz agora um ano, neste blogue, escrevi isto.

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E que tal um balde de água fria?

por Laura Ramos, em 23.11.11


Para viver de sonhos chegaram-me as últimas legislaturas.

Eis no que deu.

Eis quem pagou.

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Sindicatos inadaptados

por João Carvalho, em 25.11.10

Claro que há muitos casos dramáticos que as esgotadas políticas sociais abandonam e é evidente que muitos desses casos começarão a tornar-se trágicos em breve. Por isto e por muitos outros motivos já mais que diagnosticados, parece muito provável que os números das greves e das manifestações de protesto venham a ser cada vez mais baixos. Porém, alguém acha realmente que as pessoas não abominam este Governo, desçam elas à rua ou não?

O mundo mudou. Os partidos é que nem por isso: têm-se oposto genericamente às reformas e agudizam fórmulas obsoletas de actuação. Só os partidos? Não: os sindicatos também cristalizaram. Os velhos líderes sindicais não têm imaginação para encontrar modelos de actuação ajustados às novas realidades. Nem sequer conseguem repensar os padrões ultrapassados por que se regem.

No entanto, mesmo sem imaginação e incapazes de pensar no actual mundo reinvindicativo e de debate de soluções, nas expectativas de bem-estar geral e nos objectivos que deviam ser as grandes causas da actualidade, os sindicatos — ainda tão agarrados à velha luta de classes como a extrema esquerda ao sonho da caduca luta armada — mesmo assim, podiam sacudir o pó e refrescar uma ou duas ideias.

Mal vão as sociedades se os dinossauros sindicais continuarem apostados na defesa inglória (porque a economia não se contorna) dos postos de trabalho e permanecerem cegos para os que querem trabalhar e não conseguem, para os que foram despedidos e nunca mais arranjarão trabalho e para a mancha indigna de tudo o que constitui a nova exclusão social.

Hoje, em Portugal, se a finalidade sindical comezinha é ter gente nas ruas para ganhar guerras de números com significado duvidoso, o mínimo é abrir o cofre das colectas, arregaçar as mangas, pegar em caixinhas tipo take-away e distribuir arroz de frango. Muitos terão já dificuldade em sair do seu refúgio incerto, mas não faltarão multidões a arrastar-se penosamente para arranjar a refeição do dia.

Se os sindicatos vivem dos números que trazem à rua, uma comidinha resolve isso e ajuda a matar alguma fome a muitos esqueletos adiados. Mas aproveitem para pensar na readaptação que tarda, porque deve haver um modo de contrariar o distanciamento crescente entre o trabalho e o sindicalismo. Sob pena de os próprios sindicatos também se transformarem rapidamente em esqueletos do passado.

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Dolorosas evidências

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.11.10

"A greve geral é hoje e, feita como foi, acaba hoje", escreveu Manuel Queiroz, no i. Melhor só o cartoon do Bandeira.

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