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O herói da nova tragédia grega

por Pedro Correia, em 06.05.17

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Eu sei que as memórias andam fracas, mas gostava de saber se alguém ainda se lembra do delírio messiânico que acolheu a vitória eleitoral de Alexis Tsipras na Grécia, em Janeiro de 2015.

Os hossanas tributados durante meses em incontáveis serões televisivos cá no burgo e nas páginas da imprensa portuguesa não deixavam lugar a dúvidas: a "verdadeira esquerda" personificada pelo líder do Syriza iria enfim fazer peito às balas "neoliberais" disparadas de Bruxelas e Berlim proclamando o perdão unilateral da dívida.

"Não pagamos" era a palavra de ordem.

Meninas com pendor anti-sistema confessavam a sua ardorosa admiração pelo efémero ministro grego das Finanças e houve até quem se fizesse fotografar com ele em comícios. Cavalheiros com irrepreensível pedigree revolucionário apressaram-se a produzir epístolas aos indígenas lusos apontado Atenas como a nova capital das luzes europeias. Jornais sempre prontos a deixar-se embalar pelos ventos dominantes derreteram-se de fervor pelo farol helénico, que nos iluminava para o "fim da austeridade".

 

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"A vossa voz anulou a austeridade. A troika é passado", anunciou Tsipras à multidão reunida para ovacioná-lo a 25 de Janeiro de 2015, provocando uma corrente orgástica no rincão luso.

Nem a coligação logo estabelecida entre o Syriza e o Anel, representante da direita nacionalista, fez esmorecer os crentes. Nem sequer o apoio manifestado ao novo Executivo por Marine Le Pen e Nigel Farage, irmãos de fé eurofóbica, abrandou a prosa ditirâmbica daqueles que por cá já anteviam o PS a ser ultrapassado pelo Bloco, equivalente local do novo partido do poder entre os herdeiros espirituais de Sócrates (o genuíno).

Durante grande parte desse ano, enalteceu-se o experimentalismo político, a irresponsabilidade demagógica, o populismo mais rasteiro (incluindo as camisas sem gravata pour épater le bourgeois), a navegação à vista.

Tsipras, o "anti-Passos", era o novo ídolo das massas.

 

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Manuela Ferreira Leite e José Manuel Pureza irmanavam-se no louvor à "devolução da dignidade" do povo grego. "Pela Grécia passa a salvação da Europa", garantia Ana Gomes, insuflada de júbilo. "O Governo grego conseguiu dobrar a Alemanha", entusiasmou-se Freitas do Amaral. "A Alemanha teve de ceder", sorria Nicolau Santos. "A Grécia teve a coragem de resistir às pressões das potências europeias", celebrou André Freire.

"Viva a Grécia", gritou a escritora Hélia Correia ao receber o Prémio Camões. Enquanto o pintor Leonel Moura constatava que "uma parte do sucesso do Syriza deve-se à boa imagem de Tsipras" e do seu ministro das Finanças, por quem "muitas mulheres da Europa" andariam "perdidas de amores". Isabel Moreira, bem ao seu jeito, corroborava.

Boaventura de Sousa Santos, confirmando que de Coimbra também se observa o mundo, vislumbrou ali rasgos de odisseia homérica: "A vitória do Syriza teve o sabor de uma segunda libertação da Europa."

 

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Alguém tem ouvido estas e outras boas almas que se derramavam em cânticos e louvores à "nova Atenas" voltar ao tema?

Certamente não. E provavelmente pelos motivos que surgem enumerados neste artigo do Guardian que nos mostra a verdadeira face da Grécia após dois anos e meio de Executivo Tsipras: mais cortes de pensões (18% até 2019), novos aumentos de impostos, novo pacote de privatizações em marcha, nem vestígio de perdão da dívida.

Tudo isto para travar in extremis  um quarto resgate de emergência e afastar o espectro da bancarrota num país que desde 2009 é incapaz de se financiar nos mercados internacionais e só nos primeiros dois meses de 2015 viu desaparecer cerca de 2,5 mil milhões de euros em depósitos bancários.

Em sete anos, o produto grego caiu 27% - mais do que o ocorrido nos EUA durante a Grande Depressão - e a dívida pública ascendeu a 180% do PIB. O desemprego, agora situado em 23,5%, não dá sinais de queda. Ninguém acredita que daqui a um ano, quando terminar a actual intervenção externa, o país recupere a soberania financeira, hoje hipotecada pelo Banco Central Europeu.

Afinal o Syriza não fazia parte da solução: faz parte do problema.

 

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Outra  greve geral já está marcada na Grécia, desta vez para o dia 17. Mas Tsipras, herói da nova tragédia helénica, resiste firme: continua a não usar gravata.

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Em 2016, com quatro meses de antecedência, o primeiro-ministro britânico convocou um referendo prometido dois anos antes. Perdeu, afirmou que respeitaria a decisão dos britânicos e demitiu-se.

Em 2015, com oito dias de antecedência, o primeiro-ministro grego convocou um referendo nunca antes anunciado. Ganhou, afirmou que respeitaria a decisão dos gregos, fez o oposto e manteve-se no cargo.

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A queda a pique do Syriza

por Pedro Correia, em 30.05.16

Sondagem confirma crepúsculo da ex-nova esperança da esquerda europeia.

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E isto para não chegar a lado nenhum

por Bandeira, em 18.04.16

José Bandeira - Pilos, Messénia, Grécia
Região de Pilos, Messénia, Grécia (Foto José Bandeira) 


Garantir que os gregos não inventaram a democracia como hoje a conhecemos é dizer que os sumérios não inventaram a jante de liga leve. Depois de uns Bushmills dá para aceitar, mas há necessidade? Fiel a mim mesmo, serei pedante e lembrarei que até os romanos, cuja civilização em certa medida se construiu contra a dos gregos (leia a Eneida outra vez, vá), perceberam a relevância do tremendo legado. E se Popper apodou Platão de totalitarista, não deixou de escrever também que a primeira filosofia grega era quase “demasiado boa para ser verdade”.

 

Em Os Cavaleiros, o poeta (muito) cómico Aristófanes arrasa Cléon, o grande demagogo da democracia ateniense. Eleito em acalorada discussão comandante militar, Cléon acabara de chegar de Pilos com mais de trezentos espartanos acorrentados e, sobretudo, humilhados; gente nada habituada a tratos de polé. Eis que a cidade se vê já a vencer a guerra (se quer saber, não a venceu) mas Aristófanes arrasa o seu próprio líder, ao mesmo tempo que retrata os seus conterrâneos, o povão ateniense, com condescendência aristocrática (quase todas as fontes que nos chegaram do período democrático, incluindo Aristófanes, são de certa forma hostis à democracia, quando não admiradoras confessas do regime totalitário em vigor em Esparta). Superando uma ou outra dificuldade – o autor queixa-se de não ter encontrado quem se dispusesse, com receio de represálias, a fazer-lhe uma máscara de Cléon –, a peça foi a concurso no teatro de Dioniso e ganhou o primeiro prémio.

 

O primeiro prémio! Mas então esse Cléon, tratado na aba da Acrópole de corrupto e ladrão por um poeta cómico aplaudido por uma multidão em delírio, perdeu o poder, certo? É claro que não. O mesmo povo que deu o primeiro prémio a Aristófanes colou as costas do seu demagogo ao espaldar da cadeira do poder. Pelos padrões de hoje, tudo perfeitamente normal. Até na parte em que Aristófanes, apesar de um processo ou outro nos tribunais, se permitia usar de liberdade de expressão, uma coisa que a gente se habituou a achar muito recente, muito nossa, muito luxo de primeiro mundo.

 

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De Falcon para Atenas.

por Luís Menezes Leitão, em 16.04.16

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Confesso que achei um exagero evidente quando Passos Coelho determinou que os Ministros só pudessem viajar em classe turística, até porque a TAP tinha a obrigação de disponibilizar a classe executiva gratuitamente. O resultado dessa medida foi que assisti a Ministros irem sentados ao meu lado em aviões para Bruxelas em classe turística, enquanto mais à frente entidades com menos estatuto, como deputados europeus ou governantes regionais viajavam em executiva. 

 

Já acho, porém, um verdadeiro abuso utilizar um Falcon da Força Aérea para viajar até Atenas. Estive em Atenas há poucos meses e sei bem que a Atenas se chega num instante via Frankfurt ou Zurique, e não há necessidade nenhuma em torrar os dinheiros públicos num luxo desta ordem. Não há dúvida que se há coisa que caracteriza um governo de esquerda é o amor ao luxo e o desprezo total pelo controlo dos dinheiros públicos. O novo resgate aproxima-se e ainda vai chegar mais depressa do que o Falcon voa.

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Já não entoam hossanas a Tsipras

por Pedro Correia, em 25.01.16

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Faz hoje um ano, a "verdadeira esquerda" triunfou na Grécia. Alexis Tsipras, líder do Syriza, proclamou em Atenas o fim da austeridade, provocando um coro de hossanas um pouco por toda a Europa.

Poucos pararam para pensar que nenhum líder político soluciona problemas financeiros com retórica inflamada. A razão cedia lugar à emoção, como ficou bem patente no dia seguinte em eufóricas manchetes de periódicos como o Jornal de Notícias e o Público. "Grécia - o princípio do fim da austeridade", anunciava o primeiro, em parangonas. "Grécia vira a página da austeridade e deixa a Europa a fazer contas", bradava o segundo, igualmente em letras garrafais.

 

Um ano depois, o que temos?

A austeridade afinal vigora na Grécia. Mais apertada que nunca, após um terceiro resgate no valor de 86 mil milhões de euros que Tsipras se viu forçado a aceitar para evitar in extremis a bancarrota do país, pondo de lado todas as bravatas que lhe haviam rendido votos e o aplauso acéfalo de pequenas e médias multidões de colunistas.

Doze meses exactos após a vitória eleitoral do Syriza, imitando qualquer social-democrata ou "neoliberal", a esquerda "revolucionária" helénica implora por investimento externo enquanto os gregos apertam cada vez mais o cinto. As pensões de reforma e benefícios sociais estão sujeitas a cortes que podem chegar aos 30%. E o IVA dos restaurantes e dos transportes subiu para 23%.

Intervindo perante os próceres da finança internacional na mais recente reunião do Fórum Económico Mundial em Davos, iniciativa antes diabolizada por servir de cobertura ao "capital especulativo", Tsipras anunciou sem pudor que Atenas "era parte do problema e agora quer fazer parte da solução". E, dando o dito por não dito, fez nova jura de equilíbrio das contas públicas enquanto acedia à tutela do FMI sobre as finanças gregas - algo que há um ano constituía um anátema para a sua base eleitoral de apoio.

Desde então o chefe do Executivo grego enfrentou duas greves gerais, violentas manifestações nas ruasruidosos protestos de um número crescente de cidadãos - incluindo  agricultores e  funcionários públicos - que se sentem  traídos pelas promessas que ficaram por cumprir. Incluindo o fim dos cortes salariais e da vaga de privatizações no país.

 

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Vale a pena recordar o que escreveram e disseram há um ano diversas personalidades que produzem opinião no espaço público português. Para se perceber até que ponto eram irreais as expectativas que depositavam neste resultado eleitoral.

E para se perceber também até que ponto as convicções pessoais, nomeadamente do foro ideológico, perturbam a capacidade de entender a realidade.

 

Ana Gomes: «Pela Grécia passa, antes, a salvação da Europa.»

António Costa: «Vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir na mesma linha.»

Boaventura de Sousa Santos: «A vitória do Syriza teve o sabor de uma segunda libertação da Europa.»

Catarina Martins: «Hoje vira-se uma página na Europa. Hoje começa-se a colocar a austeridade no caixote do lixo.»

Daniel Oliveira: «A vitória do Syriza é a única boa notícia que a Europa pode receber nos próximos meses.»

Freitas do Amaral: «Eles [governo grego] recuaram muito, mas a Alemanha recuou muito mais. (...) Terminou a austeridade pura e dura [na Grécia].»

José Castro Caldas: «A Grécia renasceu hoje. O medo falou e perdeu.»

José Vítor Malheiros: «A Grécia vai ter finalmente um Governo grego, composto por gregos que se preocupam com a vida dos cidadãos gregos.»

Leonel Moura: «Uma parte do sucesso do Syriza deve-se à boa imagem de Tsipras, reforçada agora pela de Varoufakis. Ao que parece muitas mulheres na Europa andam perdidas de amores por estes dois gregos.»

Nicolau Santos: «A Europa vai ter de ceder.»

Pedro Adão e Silva: «É uma transformação importante: deixou de haver uma hegemonia na forma como estava a ser governada a União Europeia.»

Pedro Bacelar de Vasconcelos: «A vitória do Syrisa lavrou a certidão de óbito de uma "política" que recusava admitir alternativas para a quebra da solidariedade europeia.»

Rui Tavares: «Os gregos abrem uma porta para a transformação das políticas da União Europeia.»

Viriato Soromenho-Marques: «A coragem da Grécia rasgou uma brecha no muro da insensatez.»

 

Um ano depois, todos estes ditirambos só podem provocar sorrisos amarelos - por estarem nos antípodas do que aconteceu. Os factos são teimosos, como Lenine nos ensinou.

Durante todo o dia, procurei ouvir novos hossanas a Tsipras. Apenas escutei um silêncio ensurdecedor.

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Treze gráficos

por José António Abreu, em 26.11.15

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Atente-se no gráfico sobre o investimento: até 2003, em Portugal investiu-se sempre mais do que na Irlanda - com muito piores resultados. Não interessa: há quem continue a ver o Estado como o principal dinamizador da economia. Repare-se também no gráfico sobre a despesa pública: após o disparo causado pelo salvamento dos bancos, a Irlanda centrou a correcção nos cortes de despesa e regressou a níveis inferiores a 40% do PIB. Portugal não atinge esse patamar desde a década de 1980; não atinge sequer um nível em torno dos 42% ou 43% - que já seria incrivelmente libertador para a economia - desde a de 1990. Não importa: há quem continue a defender que um Estado pesado não trava o desenvolvimento de uma economia débil. Veja-se o curioso gráfico acerca dos trabalhadores sindicalizados: com um modelo menos apoiado no sector público, a Irlanda consegue apresentar uma percentagem mais elevada. De somenos: o papel dos sindicatos é defender leis laborais rígidas e a manutenção de empresas deficitárias na esfera pública. Analise-se a taxa de mortalidade infantil (um dos justificados orgulhos de Portugal, que afinal a Troika não destruiu): parece que também pode ser garantida por um sistema de saúde em que o Estado chegou a despender anualmente menos 1,5% do PIB (conforme o gráfico sobre os gastos públicos com saúde). Que importa? Os números não dizem tudo; a saúde tem a ver com «pessoas». Mas, a propósito de pessoas, estude-se o gráfico sobre o coeficiente de Gini: com menos dinheiro público, a Irlanda criou uma sociedade mais igualitária (nota adicional: ao contrário do que afirmam muitas vozes, em Portugal não houve aumento da desigualdade com a chegada da Troika mas uma ligeira redução). Vergonhoso, fazer tal referência: o papel do Estado é apoiar quem precisa, sem olhar a custos. Notem-se ainda o saldo das contas públicas, o PIB per capita (indicador de produtividade e justificação de factores tão irrelevantes como o nível salarial), a taxa de desemprego, o nível da poupança (depauperado em Portugal e na Grécia pelo crédito barato e por estímulos públicos errados), o valor dos salários. Irrelevante, uma e outra vez: o modelo de desenvolvimento seguido em Portugal e na Grécia está correcto. Os problemas advêm do euro, da «austeridade» e da Alemanha.

Uma e outra vez, recusamos as evidências e cometemos os mesmos erros. Guterres sabia o que era necessário fazer mas desistiu antes de começar. Durão foi eleito prometendo fazê-lo mas fugiu quando isso se revelou difícil. Sócrates garantiu tudo e o seu oposto e só fez o oposto. Apenas Passos avançou realmente no sentido correcto. Timidamente. Com erros, constrangimentos (incluindo os gerados por facções dentro do PSD e CDS), adiamentos (fatais, num país de tamanha inércia). Enfrentando bloqueios constitucionais e níveis recordes de demagogia (por parte do PS, que levara o país à beira do abismo, mas também de inúmeras vozes com direito a tempo de antena). Obteve resultados ténues (tudo isto demora, exige paciência e capacidade de perseverança) mas encorajadores. Nos próximos meses, Costa e Centeno, agrilhoados às fantasias utópico-revolucionárias de Jerónimo, Catarina e Arménio, inverterão o ciclo. O sector público será novamente privilegiado à custa do privado. O investimento e o emprego (este muito em particular se a CGTP conseguir juntar o reforço da contratação colectiva e a limitação dos recibos verdes ao já programado aumento do salário mínimo) ressentir-se-ão. É verdade que, no imediato, haverá mais dinheiro disponível e tudo parecerá correr melhor. Depois, os problemas regressarão - mais graves, esgotada a acção do BCE e o capital de simpatia conseguido junto dos parceiros europeus, com os investidores cada vez menos predispostos a apostar num país que muda de ideias a cada governo e uma economia mundial que dificilmente escapará a uma crise (basta a FED subir as taxas de juro e os BRICs ressentir-se-ão).

Em Portugal - como na Grécia, como na maioria dos países da América Latina, como até em Itália e em França -, continua a acreditar-se que a riqueza é gerada através da despesa pública, da governação por decreto, da perseguição ao lucro. Acontece desta forma porque os cidadãos temem a mudança e porque dá jeito aos políticos que assim seja: um Estado leve, com menos a distribuir (empregos, contratos, obras, apoios), não liberta apenas a economia; liberta também os eleitores.

Treze gráficos. E podiam ser mais. Mas para quê? Em Portugal, poucos os querem ver, menos ainda os desejam perceber.

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O tamanho não conta

por Pedro Correia, em 06.10.15

Com  36,3% a 25 de Janeiro e  35,5% a 20 de Setembro na Grécia, o Syriza obteve "expressivas vitórias".

Com 38,6% a 4 de Outubro em Portugal, a coligação PSD/CDS "foi derrotada".

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Um perigoso neoliberal

por Pedro Correia, em 03.10.15

Tsipras corta pensões, elimina subsídios e aumenta impostos na Grécia duas semanas após as eleições. Sem um sussurro de protesto dos indignadinhos em Portugal.

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Já só lhe falta usar gravata

por Pedro Correia, em 21.09.15

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A vitória de Alexis Tsipras nas legislativas de ontem na Grécia foi acolhida de forma muito diferente da que ocorreu a 25 de Janeiro, data da eleição anterior. Desta vez não houve manchetes eufóricas, proclamações festivas dos comentadores "isentos" nem a ridícula elevação do dirigente da esquerda radical grega ao estatuto de novo messias capaz de pôr fim às políticas de austeridade na Europa com a sua retórica populista.

Tsipras voltou a vencer - com menos um ponto percentual e menos quatro deputados do que há oito meses - num escrutínio marcado pelo galopante avanço da abstenção: 45% dos eleitores gregos viraram desta vez costas às urnas, quando em Janeiro esta percentagem se tinha quedado nos 34%. E acaba de revalidar a coligação com o partido da direita nacionalista e xenófoba Gregos Independentes que lhe tem servido de bengala. Beneficia do insólito bónus de 50 deputados propiciado pela lei eleitoral helénica ao partido vencedor (que tanto criticou quando estava na oposição) e da irrisória percentagem obtida pela ala fraccionista do Syriza, reunida em torno da Unidade Popular, uma nova formação de extrema-esquerda a que nem o ex-ministro Yanis Varoufakis conseguiu dar alento.

 

Desta vez as rolhas de espumante mantiveram-se nas garrafas. Percebe-se porquê. Tsipras rasgou o "inegociável" Programa de Salónica, que lhe serviu de bússola para se apresentar às urnas há oito meses com proclamações "anti-austeridade" contra uma União Europeia "dominada pela especulação financeira". Desse programa constava a suspensão unilateral do pagamento da dívida grega, o aumento do salário mínimo de 580 para 751 euros, um vasto pacote de nacionalizações, o alargamento dos quadros da administração pública e a redução da carga fiscal, entre outras medidas que chocavam com o Tratado Orçamental subscrito por Atenas.

Sabe-se o que aconteceu depois. A 5 de Julho, a coligação esquerdodireitista convocou um plebiscito-relâmpago que rejeitou as normas de contenção financeira ditadas por Bruxelas. Dias depois, no entanto, o primeiro-ministro aceitou um conjunto de medidas ainda mais severas, que enterravam de vez o programa eleitoral do Syriza. Medidas que incluíram um corte drástico de pensões (entre 30% e 70%), o aumento de impostos como o IVA e um amplo programa de privatizações de empresas estatais.

 

O Tsipras de Setembro nada tem a ver com o Tsipras de Janeiro: confrontado com um iminente cenário de bancarrota e a perspectiva de colapso do sistema financeiro, conduziu a Grécia ao terceiro resgate externo de emergência em cinco anos, recebendo um cheque de 86 mil milhões de euros cuja aplicação será escrutinada até ao último cêntimo pela Comissão Europeia e pelo Banco Central Europeu. Na melhor das hipóteses, resta-lhe ser o Passos Coelho helénico na legislatura que vai seguir-se, forçando os gregos ao maior aperto de cinto de que há memória.

Bastaram oito meses para silenciar os hossanas ao antigo herói da esquerda radical, agora forçado a praticar políticas decalcadas de qualquer cartilha "neoliberal". Já nada me espanta. Nem me surpreenderia até que um dia destes víssemos Tsipras de gravata.

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Obama manobrou para que os países da Zona Euro perdoassem dívida e enviassem mais dinheiro para a Grécia mas recusa-se a ajudar Porto Rico, que acaba de entrar em incumprimento.

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Entretanto, en Karakas (antiga Atenas)

por Rui Rocha, em 04.08.15

- E à esquerda podemos ver as ruínas da zona histórica.

- Parténon?

- Não. Bolsa de Valores.

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Caracas, Grécia

por José António Abreu, em 30.07.15

Atenas impôs um preço máximo para alguns consumíveis vendidos em locais públicos como aeroportos, estações, 'ferrys', hospitais ou escolas para compensar em parte a subida de 10 pontos percentuais do IVA, imposta pelos credores internacionais.

Preços fixados administrativamente são sempre uma óptima ideia. Há-de correr tudo bem.

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Um crime.

por Luís Menezes Leitão, em 29.07.15

A esquerda nacional andava deslumbrada com Tsipras e Varoufakis. Como quando se zangam as comadres, sabem-se as verdades, ficou agora claro o que esses dois andavam a arquitectar desde o início: a saída do euro. Se a medida em si é legítima, parece óbvio que os meios não o eram. Estava em causa fazer um ataque informático à autoridade tributária, apreender as reservas em euros do banco central, que é independente do governo, e se necessário prender o seu governador. Temos aqui medidas ao puro estilo do PREC, que é o que actualmente se vive na Grécia. Isto em política tem um nome: golpe de Estado. E o mesmo é um crime em qualquer país do mundo. O Ministro que chamava terroristas aos seus parceiros do Eurogrupo, afinal comportava-se como um verdadeiro terrorista. Não admira por isso que se multipliquem as acções contra ele na Grécia. Mas se Varoufakis vier a ser preso, já se sabe que iremos ter uma peregrinação internacional de apoiantes a protestar, e a qualificá-lo como preso político. Coisa que nunca aconteceria ao desgraçado do governador do banco central, se por acaso o golpe de Estado tivesse tido sucesso. Como salientava Orwell, há sempre uns mais iguais que outros.

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O factor grego

por Pedro Correia, em 28.07.15

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A errática actuação do executivo de coligação em Atenas formado em Janeiro pelo Syriza e o Anel - partidos com a eurofobia como único traço identitário comum - começa a ter reflexos nas intenções de voto um pouco por toda a Europa. A experiência de poder da chamada esquerda radical, confrontada com a iniludível crueza dos factos, tem decepcionado uma fatia imensa de apoiantes que ainda há seis meses estavam convictos de que havia uma "verdadeira alternativa" ao Tratado Orçamental na eurozona. E nem preciso de evocar aqui as citações que venho enumerando na minha série Grécia Antiga para ilustrar esta diferença abissal entre os doces desejos e a amarga realidade. Basta recomendar a leitura atenta desta excelente reflexão de Jorge Bateira, insuspeito de simpatias pelo pensamento liberal ou conservador.

"Quando convocou o referendo, Tsipras tinha a obrigação de aceitar o repto da direita e dizer ao povo grego que a experiência de longos meses de negociações falhadas o obrigava a concluir que um “não” implicava a provável expulsão de facto do euro através do BCE. O que se seguiu foi penoso e humilhante. Uma pesada derrota para a esquerda que ainda acreditava na mudança da UE por dentro, uma derrota que terá repercussões negativas nos resultados eleitorais do Podemos em Espanha", escreveu aquele economista, na passada sexta-feira, no jornal i.

Tocou no ponto certo - como aliás ficou bem evidente logo dois dias depois, na sondagem divulgada este domingo no El País  sobre as intenções de voto dos espanhóis nas próximas legislativas. Os números demonstram uma queda abrupta do Podemos: dez pontos percentuais num semestre (28,2% em Janeiro, 18,1% em Julho) e mais de três pontos num só mês (em Junho tinham 21,5%).

 

Questões de âmbito interno ajudarão a explicar este recuo da esquerda radical espanhola, que há 14 meses irrompeu na cena política conquistando mais de um milhão de votos nas europeias. Com um líder telegénico, Pablo Iglesias, e um programa que mistura marxismo e populismo em doses bem estudadas, o Podemos prometeu "revolucionar" a política espanhola e pôr fim à "casta" dominada pelas duas maiores famílias ideológicas, a conservadora e a socialista. No início de 2015 chegou a liderar as intenções de voto.

A queda entretanto registada explica-se em grande parte pelo factor grego, que não deixará de ter também repercussões em Portugal. Nada mais natural, atendendo ao desvario estratégico do executivo de Atenas - que, sabe-se agora, chegou a ter preparado um  plano de abandono unilateral da eurozona que despenharia fatalmente a Grécia no caos financeiro.

Um plano que não avançou, por um lado, devido à escassez de reservas monetárias do país e, por outro, devido ao bom-senso revelado por Moscovo e Pequim: em ambas as capitais, Tsipras e o seu ex-protegido Yanis Varoufakis escutaram palavras cheias de realismo político. A Grécia falida não vale um conflito global com o Ocidente. Sobretudo agora, que a Rússia mergulha na recessão e a queda das bolsas chinesas começa a alarmar o planeta financeiro.

 

Entretanto já se anuncia um novo pacote de austeridade ainda antes de entrar em vigor o terceiro resgate de emergência à Grécia. Tornando ainda mais longínqua aquela demagógica proclamação de Tsipras na noite de 25 de Janeiro, enquanto celebrava a vitória eleitoral: "Vamos deixar a austeridade!"

Palavras prontamente desmentidas pelos factos.

Por tudo isto, o factor grego continuará a pesar na opinião europeia. E ajudará a determinar o desfecho das próximas contendas eleitorais no continente - queiram ou não queiram todos quantos ainda há pouco apontavam o Syriza como bóia salvadora.

Alguns já perceberam que andaram a aplaudir meros vendedores de ilusões. E talvez subscrevam agora o diagnóstico certeiro de Jorge Bateira: "A derrota do governo grego foi causada, em última instância, por uma cegueira ideológica que o impediu de perceber o significado do impasse em que caiu e de, a partir daí, mobilizar o povo grego para a aceitação das implicações últimas da recusa da austeridade."

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O cavalo de Tróia do euro.

por Luís Menezes Leitão, em 27.07.15

Há dias escrevi aqui que me parecia que a situação na Grécia tinha atingido uma irracionalidade de tal ordem, que não se sabia o que o governo grego pretendia. O tempo levou a descobrir que, com ou mais ou menos planos rocambolescos, o que ele pretendeu desde o início foi a saída do euro e o regresso ao dracma. Tsipras parece por isso Hamlet, de quem se dizia que estava numa verdadeira loucura, mas havia método nisso ("Though this be madness, yet there is method in't").

 

Efectivamente, Atenas só não saiu do euro porque não teve apoio externo para o fazer. O problema de um país adoptar uma moeda própria é que ninguém a aceita no estrangeiro. Por isso, em ordem a poder manter o pagamento dos bens importados, esse país tem que antes de tudo ter uma reserva grande de divisas. Ora, a Grécia não tinha quaisquer reservas. Correu por isso literalmente seca e meca para as arranjar. Tsipras pediu auxílio aos EUA, à Rússia, à China e até ao Irão, para obter um financiamento que lhe permitisse sair do euro. De todos estes países ouviu um sonoro e terminante não. Pode haver desavenças com a Europa, mas a nenhum destes Estados interessava contribuir para o colapso da zona euro. Por isso Krugman, um dos maiores apoiantes do Grexit, acabou a chamar incompetente ao governo grego.

 

Rejeitado por todos, Tsipras voltou, qual filho pródigo, para os braços do Eurogrupo. Mas voltou sem qualquer convicção, referindo que um dia a batalha vai dar frutos. Parece que estamos assim perante a velha estratégia leninista de dar dois passos atrás para dar um passo em frente.

 

Em qualquer caso, não parece que as feridas tenham ficado minimamente saradas e que Tsipras tenha desistido dos seus intentos. A Grécia é por isso hoje o cavalo de Tróia do euro, de onde os seus soldados estão preparados para sair a qualquer momento, voltando a fazer colapsar a cidadela.

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Frases de 2015 (27)

por Pedro Correia, em 20.07.15

«Sem a Grécia não teríamos nada. Viva a Grécia!»

Hélia Correia, ao receber o Prémio Camões

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Competências sobrestimadas

por Rui Rocha, em 19.07.15

Paizinho Krugman vem agora dizer  que sobrestimou a competência do governo grego. Pelo visto, não passava pela cabeça de Paizinho Krugman que Tsipras & Varoufakis não tivessem um plano de urgência para o caso de as negociações com os credores levarem a resultados inaceitáveis. Pois muito bem. O que eu gostaria realmente de saber é que tipo de plano poderia ser esse, dadas as circunstâncias. É que uma saída do euro e a sua substituição pelo dracma, ou coisa que o valha, pressuporia sempre a existência de reserervas cambiais significativas. E isso é coisa que a Grécia não tem. Ora é surpreendente que Paizinho Krugman (ou Varoufakis), proficientes como são em questões económicas, desconheçam a impossibilidade prática de a Grécia optar por moeda própria nesse cenário. Por isso, das duas uma: ou alguém anda aqui a enganar deliberadamente a opinião pública ou, então, teremos de concluir que não é só a competência do governo grego que tem sido sobrestimada.

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Estava escrito nas estrelas

por Pedro Correia, em 17.07.15

29 de Janeiro: «Os arautos da nova coligação esquerdo-direitista de Atenas só estão unidos na aversão ao estrangeiro. É uma coligação contra naturam, que reúne todos os ingredientes indispensáveis para não funcionar. Porque congrega o pior dos dois hemisférios políticos numa mescla de bravatas populistas e ressentimento ideológico que ameaça acelerar o colapso das finanças públicas num país recém-saído de seis anos de recessão.»

 

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18 de Fevereiro: «Há uma contradição aparentemente insanável entre o que o Syriza proclama e o que o Syriza faz. Enquanto proclama o desejo de manter a Grécia no euro (correspondendo aliás à opinião largamente maioritária no país, cerca de 74%) começa a fazer tudo, e em passo rápido, para que o país abandone o sistema monetário europeu com as primeiras medidas de carácter populista já anunciadas em ruptura com os compromissos assumidos ao receber o fundo de resgate. A intenção, por enquanto inconfessável, parece evidente: apontar mais tarde o dedo acusador às instituições comunitárias, acusando-as de responsabilidade directa na ruptura da Grécia com o euro. Tudo demasiado previsível. Estamos perante rudimentares aprendizes de Maquiavel. Só receio que o povo grego acabe por sofrer ainda mais com isto. E nós com ele.»

 

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21 de Fevereiro: «Os parceiros europeus não deixam lugar a dúvidas: o ajustamento orçamental em Atenas é matéria inegociável. Recapitulemos: o que dizia Alexis Tsipras antes das recentes legislativas, entre bravatas eleiçoeiras sobre "soberania nacional"? Que com ele no governo os credores deixariam de ditar as regras. Mas nada mudou de essencial. Eis os factos. Prejudicam a retórica ideológica dominante nos debates cá do burgo, é certo. Mas têm uma força imparável. Superior a toda a retórica, por mais torrencial que seja.»

 

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23 de Março: «Dois meses depois das legislativas, o Governo de coligação entre a esquerda radical e a direita xenófoba em Atenas não solucionou um só dos problemas existentes e agravou-os todos. A corrida aos depósitos já fez desaparecer 20 mil milhões de euros da banca helénica, as reservas financeiras estão abaixo dos dramáticos níveis históricos registados em Junho de 2012 e os gastos militares permanecem intocáveis, correspondendo a 2,5% do PIB grego, no país europeu da NATO que cativa maior percentagem do seu orçamento às despesas com a defesa. (...) O tempo urge. E nenhum vestígio de praia se vislumbra sob as pedras da calçada.»

 

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6 de Julho: «Que vitória [no plebiscito de 5 de Julho]? Com a economia em derrocada, os bancos falidos, a recessão a regressar em força (após o país ter crescido 0,8% em 2014), a necessidade absoluta de financiamento externo de emergência para fazer face às despesas mais elementares e o espectro de uma saída descontrolada do euro se no próximo dia 20 falhar o pagamento de 3,5 mil milhões de euros ao BCE. E - na melhor das hipóteses - um terceiro resgate a caminho, sujeito ao crivo prévio dos parlamentos nacionais dos restantes países da eurozona, tão respeitáveis como o de Atenas. Pirro era grego. E também ficou célebre pelas vitórias que alcançou.»

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Fábulas

por Ana Vidal, em 16.07.15

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Está tudo nos clássicos. A cigarra grega, que cantou durante anos, alegre e inconsciente, dança agora ao compasso da melodia imposta pelas diligentes e vingativas formigas: um requiem. Esopo avisou, mas quem quer ouvir um velho grego moralista?

 

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Manicómio em autogestão

por Pedro Correia, em 16.07.15

Dez dias depois do referendo que convocou para dizer "não" à austeridade, obtendo quase 62% nas urnas, Alexis Pirro Tsipras fez há minutos aprovar no Parlamento grego um documento que impõe à Grécia um pacote austeritário muito mais severo. Esse pacote, em que o próprio Tsipras diz não acreditar, corresponde à terceira intervenção financeira externa de emergência no país e foi validado por 229 votos favoráveis, com apenas 64 contra e seis abstenções. Resumindo e abreviando: o "não" de 5 de Julho passa a "sim" a 15 de Julho com o aval de 79% dos deputados. O primeiro-ministro obteve mais apoio da oposição do que dos parlamentares que só em teoria apoiam o Governo.

Por estes dias, a Grécia parece um manicómio em autogestão. Como se dizia do velho Portugal revolucionário de 1975.

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 15.07.15

«O Syriza levou a Grécia para uma situação ainda pior do que o país estava há poucos meses.»

Augusto Santos Silva, esta noite, em entrevista à RTP i

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Aplaudem o quê?

por José António Abreu, em 15.07.15

14h39 - Alexis Tsipras é recebido "com aplausos" pelos deputados do Syriza em Atenas - incluindo o presidente do Parlamento, que se absteve na votação do pacote de medidas que foi apresentado em Bruxelas - antes da reunião à porta fechada que antecede as votações do pacote de reformas previsto para esta quarta-feira à noite.

14h46 - A Comissão Europeia espera que a Economia da Grécia caia entre 2% e 4% este ano, agravando a queda do PIB face aos 0,5% que eram previstos em Maio, aquando da divulgação das previsões da Primavera [e, acrescento eu, aos 2,9% positivos que o FMI antecipava em Outubro passado]. A confirmar-se, isto significa o regresso da Grécia à recessão depois de em 2014 a Economia ter avançado uns ligeiros 0,8%. O regresso ao crescimento está agora previsto acontecer apenas em 2017, isto diz a Comissão Europeia, "assumindo que a estabilidade política é restaurada em breve" e que vão sendo retiradas as medidas restritivas impostas sobre o sector bancário.

No Económico.

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Em quatro frases

por José António Abreu, em 14.07.15

O governo grego perdeu porque, na vigésima quinta hora e após cinco meses e meio de um comportamento que, fosse o Syriza de direita, teria levado as mentes bem-pensantes do planeta a despejar sobre ele uma chuva de acusações impregnadas de desprezo e salpicadas de impropérios, renegou todas as promessas que jurara cumprir. O governo alemão perdeu porque não somente foi mais uma vez coagido a manter no euro quem recusa comprometer-se com as regras deste, num processo que tenderá a arrastar a economia alemã para uma lógica terceiro-mundista, como tem de arcar com a imagem de polícia mau. Hollande ganhou porque saiu das negociações como o polícia bom e, mesmo forçado a aceitar o dano colateral (menor) de obrigar Syriza e Grécia a meter o socialismo na gaveta (até ver), atingiu o seu objectivo de conservar o destino da Alemanha preso ao da França. Quanto à União Europeia e, em particular, à Zona Euro, aparentemente ganhou (oxalá), provavelmente perdeu.

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Conversa de surdos

por Teresa Ribeiro, em 14.07.15

- Gregos andaram a perder tempo estes cinco meses. Com aquele palerma a chamar "assassinos" e "nazis" aos credores.

- Isso é lavar roupa suja. Minudências. O que está em causa são coisas muito sérias, incluindo segurança da Europa, desagregação da Europa, as vidas de milhões. E as pessoas continuam entretidas a discutir minudências.

- Gregos já receberam 500 mil milhões e não fizeram reforma mínima do Estado. Podem receber outro tanto e ficará tudo na mesma. Opinião pública alemã está 90% contra eles. O mesmo na Holanda, Finlândia, Eslováquia, etc. Ninguém lhes quer dar mais dinheiro. Eu não quero. Já lhes demos 2 milhões.

- Os políticos não podem decidir só em função dos eleitorados. Políticos têm que fazer pedagogia da cidadania, lutar pela preservação dos valores europeus. É do interesse de todos segurar a Grécia. Os EUA perceberam isso.

- Os EUA? Esses não metem um dólar na Grécia. Se querem salvar os gregos, metam lá o dinheiro deles. Já perdoámos 106 milhões de euros, não serviu de nada. Continuam a ter um Estado falhado, opaco, corrupto e clientelar.

- Que ficará à solta para fazer alianças com inimigos do ocidente. 

- Nada disso, essa chantagem não resulta. Quem quer financiar um Estado caloteiro que não paga o que deve? Não os russos que estão falidos. Nem os chineses, que nunca dão borlas a ninguém.

- A cegueira está na origem de todas as guerras. A humilhação de um povo esteve na origem da última grande guerra.

- Gregos ou mudam de vida ou ficam entregues a si próprios.

-Já mudaram de vida: nos últimos sete anos PIB caiu 25%, salários e pensões baixaram 40%, desemprego atingiu 25%, suicídios foram 10 mil nos últimos 5 anos.

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Saída de sendeiro.

por Luís Menezes Leitão, em 14.07.15

 

Depois de tantas bravatas, referendos, e discursos demagógicos, Tsipras acabou por se render à dura realidade, aceitando para a Grécia condições muito piores do que aquelas que tinha há seis meses. Graças ao Syriza, a Grécia deixou praticamente de ser um Estado soberano, não passando agora de um protectorado europeu, sendo obrigada a criar um fundo com os bens do seu Estado, que fica afecto como garantia aos credores. E o que choca é que esta alternativa é bem capaz de ser a menos má pois, se este acordo não fosse aceite, a Grécia seria obrigada a abandonar o euro, declarar a bancarrota e afundar-se numa inflação galopante.

 

Mas esta terrível situação por que os gregos agora passam, devido à irresponsabilidade do governo que elegeram, deveria servir de lição para os partidos de esquerda que em Portugal defendem políticas semelhantes, como desde sempre o Bloco de Esquerda e agora o PS de António Costa. É que quem quer defender o alívio da austeridade tem que estar preparado desde o início para propor aos eleitores a saída do euro, como aliás já o fazem o PCP e o MRPP. Porque dentro do euro não é possível qualquer fuga às suas regras, nem os outros Estados-membros aceitarão que permaneça no clube quem não as quer cumprir. E perante esta evidência não vale a pena contrapor a soberania nacional, e a vontade democrática do povo expressa num referendo convocado à pressão. É que só é soberano quem não precisa do dinheiro dos outros. Quem precisa, mais vale deixar-se de bravatas disparatadas. Porque corre-se o risco de às entradas de leão se seguirem as saídas de sendeiro. Como foi agora o caso do Syriza.

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Grécia: leituras recomendadas

por Pedro Correia, em 14.07.15

Deutschland über alles: toda a Europa está ocupada. Da Ana Sá Lopes, no i.

O preço. De Vital Moreira, na Causa Nossa (12 e 3).

Uma dúzia de balanços e perspectivas. De João Rodrigues, no Ladrões de Bicicletas.

O que o episódio grego põe à vista. De Miguel Serras Pereira, no Vias de Facto.

Vitórias e derrotas de Tsipras. Na Economia Info.

aGreekment. De António de Almeida, no Aventar.

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Seasons

por Rui Rocha, em 13.07.15

O acordo entre a Grécia e os credores marca o final da Syriza Season. Passos Coelho anunciou, entretanto, o início oficial da Silly Season.

 

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Passado recente e futuro - duas notas

por José António Abreu, em 12.07.15

1. Por motivos históricos, culturais, geopolíticos e, acima de tudo, porque a maioria dos gregos ainda o parece desejar, seria importante que a Grécia permanecesse na Zona Euro. Infelizmente, a acção do governo grego ao longo dos últimos meses tornou-o difícil, se não impossível. Primeiro, porque agravou significativamente a situação económica e financeira do país, fazendo com que este necessite hoje de muito mais dinheiro do que necessitava em Janeiro. Depois porque, sendo já por si difícil acreditar que um governo eleito com base em promessas de aumento de despesa pública levaria a cabo as reformas eternamente adiadas no sentido da liberalização da economia, destruiu todos os laços de confiança que poderiam garantir-lhe boa vontade junto dos governos e das populações dos restantes países europeus. Pior ainda: não é de excluir que, ao fazê-lo, tenha tornado mais difícil para qualquer outro estado-membro obter compreensão e flexibilidade nos próximos anos.

 

2. Na Grécia como noutros países, os riscos ligados às tensões sociais e aos partidos extremistas – quase inevitáveis em tempos de dificuldades económicas – devem ser levados muito a sério. Mas isso não pode significar continuar a adiar os problemas. Ou as economias são reformadas no sentido da auto-sustentabilidade e da diminuição do nível de endividamento, o que significa austeridade, ou a situação acabará por rebentar, no plano financeiro, económico e social, de modo ainda mais grave. Em tempo de Keynesianistas, talvez seja conveniente lembrar Mises: There is no means of avoiding the final collapse of a boom brought about by credit expansion. The alternative is only whether the crisis should come sooner as a result of a voluntary abandonment of further credit expansion, or later as a final and total catastrophe of the currency system involved. Na verdade, pode já ser demasiado tarde.

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Reflexões do dia (1)

por Pedro Correia, em 12.07.15

«A derrota de Tsipras (e, indirectamente, do próprio Estado grego, que viu desmoronar-se o seu já frágil prestígio) marca esta época. Ninguém o definiu melhor do que os seus ministros que se opõem ao acordo com a Europa, qualificando-o de "capitulação" e entendendo que o "não do referendo" se traduziu num "sim humilhante". Praticamente nenhuma das suas metas programáticas se cumpre: não há compromissos para o perdão da dívida; mantém-se a vilipendiada tróica; haverá memorando e avaliações mensais do seu cumprimento; mantém-se a maioria das privatizações; avança a reforma do disparatado sistema de aposentações (que Atenas admite ser "insustentável") e a modernização do IVA. Do seu programa, talvez conserve apenas a resistência em reduzir de forma significativa as despesas militares. Se isso é um grande triunfo para um partido da esquerda radical, só Deus saberá

Editorial de hoje, no El País

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Reflexões do dia (2)

por Pedro Correia, em 12.07.15

«Não será o mago hipnotizador Alexis Tsipras a encontrar o remédio para esta catástrofe na qual a cultura que inventou a filosofia, a tragédia e a democracia caiu devido à irresponsabilidade e ao desvario da sua classe política. E não é refugiando-se no nacionalismo reaccionário (porque será que a Frente Nacional de Marine Le Pen, o fascistóide e eurofóbico Nick Farage do UKIP e os nazis da Aurora Dourada celebram com tanto entusiasmo o referendo grego?) que a Grécia superará a crise de que só ela é responsável.

A magia e o hipnotismo colectivos podem conduzir ao poder qualquer demagogo sem escrúpulos, tanto numa ditadura como numa democracia. Mas os problemas económicos não admitem receitas mágicas nem são susceptíveis aos hipnotizadores. Só há uma receita: a que foi adoptada pelos países que se encontravam à beira da catástrofe, como Portugal, Espanha e Irlanda, agora de novo a crescer, a atrair investimento, a recuperar a confiança e o crédito internacionais. É isto a que, tarde ou cedo, terá de resignar-se o povo grego quando descobrir que por detrás dos magos e das pitonisas a que se rendeu só existe fome de poder, mentiras e vazio.»

Mario Vargas Llosa, hoje, no El País

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"Dr. Brüning assumed office on March 29th, 1930, with a damnosa hereditas in the shape of the Young Plan, which had been negotiated by his predecessors, and the complete absence of any Budget. In view of the continued refusal of the Reichstag to take the financial situation seriously, Dr. Brüning in July, 1930, took the extreme step of advising President von Hindenburg to utilise his power under Article 48 of the Constitution to prorogue the Reichstag. For the subsequent two years the financial policy of Germany has been directed through a series of Emergency Decrees which by means of a system of increased taxation and drastic economy essayed to balance the Budget. Salaries of civil servants were cut to a point of 10 per cent to 13 1/2 per cent, lower than they were during the years 1927-1930, and the salaries of Reichsministers were decreased by 30 per cent. (...) at the beggining of June 1931 the deficit on the Budget was estimated at some £ 47 million. It was at this moment that Dr. Brüning came to London to the Chequers Conference. For some weeks before he had been urgently advised to declare the inability of Germany to meet her Reparations payments even without the ninety days´notice required under the Young Plan. (...) There can be no doubt, however, that both official and public opinion in Germany expected and believed that he would return from England with the approval of the British Government for the declaration of a moratorium, and it was in preparation for this both at home and abroad that President vom Hindenburg´s Manifesto to the German people was issued on June 6th. (...) These burdens of taxation and economy cuts, together with the complete lack of sucess of German´s foreign policy, provided ample grist for the Nazi mills." - John W. Wheeler-Bennett, The German Political Situation - Address given at the Chatham House on June 20th, 1932, International Affairs (Royal Institute of International Affairs 1931-1939), Vol. 11. No. 4 (Jul. 1932), p. 460-472

 

"Debt crises made the major international depression - the world slump of 1929-32 - much more severe and damaged the international political order. The German collapse is a terrifying demonstration of the long-run political as well as economic effect of debt crises. The German central state and the municipalities had borrowed so much that already in 1929 the most conservative and respectable American bankers had become skeptical about German conditions. `The Germans,` J. P. Morgan, Jr., concluded pithily, were fundamentally `second-rate people`, and he stopped his house from lending. (...) In the summer of 1931, a crisis erupted - caused by massive German capital flight and by German fears of political instability. (...) Despite their restraint in the crisis, the foregin banks were blamed for the collapses (a characteristic illustration of the first principle of debt crises: someone else is responsible for them). In 1932 and 1933, it was one of the most appealing parts of the Nazi party´s propaganda campaings that German´s misfortune was the result of a conspiracy of international and Jewish financiers. And after the Nazi seizure of power, the high volume of foreign debt tied into Germany was even used as a weapon of diplomacy. (...) The German case illustrates a second principle of debt crises as well: frozen debt can be used to devastating effect in a sort of blackmail attempt. The more highly indebted a country - and the more hopeless its situation when it comes to repaying debt - the more likely itis to adopt an agressively nationalist stance, and the more likely it is to believe that the fault lies with the creditors, not the debtors: the creditors should be made pay for their past immorality." - Harold James, Deep Red - The International Debt Crisis and Its Historical Precedents, American Scholar, June 1, 1987, pp. 331-341.    

 

Sabe-se o que aconteceu depois. Lausanne não foi a primeira, nem a segunda, nem a última vez que os alemães, a despeito da sua incapacidade, receberam um perdão de dívida. Este acordo mereceu a oposição dos nazis, que queriam a demissão dos negociadores. Esperavam um perdão total da sua dívida e não apenas parcial. Hoje, uma solução que salve o euro, a face da Grécia e dos credores, recolocando os extremistas no seu lugar, parece ser mais premente do que andar a bater no infeliz Tsípras e no Syriza. Mas há quem não veja isso. A Aurora Dourada, Nigel Farage, Mme. Le Pen, os "nacionais-populistas" lusos, todos continuam à espreita de uma oportunidade. Memória curta, para não dizer outra coisa.

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Grécia: leituras recomendadas

por Pedro Correia, em 11.07.15

A vitória da austeridade? De José Guinote, no Vias de Facto.

"Saída ordenada". De Vital Moreira, na Causa Nossa.

A táctica do Syriza. De F. Penim Redondo, no Dote Come.

Guião para ler as horas até domingo. De Francisco Louçã, no Tudo Menos Economia.

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Agora que o governo grego cedeu...

por José António Abreu, em 11.07.15

Já se pode voltar a chamar «Troika» às «Instituições»?

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Insustentabilíssima

por José António Abreu, em 11.07.15

E, claro, após cinco meses e meio em que o governo grego fez questão de piorar a situação das contas do país, aumentada em 53 ou 78 mil milhões de euros, existirão ainda mais motivos para considerar insustentável a dívida da Grécia.

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Os indomáveis

por Pedro Correia, em 11.07.15

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«Sim, cometemos erros nestes cinco meses.»

Alexis Tsipras, esta madrugada, no Parlamento de Atenas

 

O Syriza chegou ao poder em Janeiro, festejado por toda a "verdadeira esquerda europeia". E também por representantes da "verdadeira direita" - a de Marine Le Pen, em França, e de Nick Farage, no Reino Unido.

Em clima de bravatas eurofóbicas, Alexis Tsipras e o seu flamejante ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, prometeram aos gregos aquilo que jamais lhes poderiam dar: um programa expansionista, que aumentava em 11,7 mil milhões de euros a despesa pública.

Foram ovacionados. Lá e .

 

Nesse momento a Grécia tinha acabado de sair de uma profunda recessão: equilibrara o seu saldo primário, apresentava uma leve recuperação económica (o produto cresceu 0,8% em 2014) e segundo as estimativas do Fundo Monetário Internacional o PIB do país aumentaria 2,5% no ano em curso.

Seguiram-se doze cimeiras europeias que não produziram resultados práticos, excepto os quatro meses de extensão do programa de assistência alcançado por Atenas a troco de mera retórica. E seguiram-se novas bravatas, que culminaram no inenarrável referendo plebiscitário de 5 de Julho, em que Tsipras voltou a defraudar os eleitores.

Prometendo-lhes algo que não estava em condições mínimas de lhes dar.

 

Nessa altura a Grécia já se tornara o primeiro país da NATO a suspender pagamentos ao FMI (deixando por transferir 3,5 mil milhões de euros a 30 de Junho).

Nessa altura, sem capacidade de financiamento, já Atenas se vira forçada a impor medidas drásticas de controlo de capitais.

Nessa altura já os bancos gregos estavam fechados compulsivamente após cinco meses de descapitalização contínua: mais de 40 mil milhões em depósitos voaram do sistema financeiro desde que Tsipras tomou posse.

Nessa altura já a maioria dos estabelecimentos exigia o pagamento em dinheiro vivo e pelo menos 20% das caixas multibanco estavam sem liquidez para remunerar os 60 euros diários de levantamento permitidos a cada cidadão.

 

O plebiscito abortou um acordo esboçado com as instituições europeias. Que daria luz verde a um terceiro programa de assistência financeira ao país a troco de reformas que mal ultrapassariam os 7 mil milhões de euros.

A 5 de Julho a maioria dos gregos votou sim. Foi uma vitória de Pirro do primeiro-ministro, como na altura escrevi aqui.

Três dias depois, já com Varoufakis fora de cena, o novo ministro das Finanças, Euclidis Tsakalotos, dirigiu uma carta à Comissão Europeia e ao Banco Central Europeu com um pedido formal de resgate. A troco de cortes estruturais na despesa pública que nunca serão inferiores a 14 mil milhões de euros.

Se antes tivessem procurado alcançar este consenso, a que só agora chegam em situação desesperada, teriam obtido contrapartidas menos duras.

 

O terceiro programa de resgate em cinco anos à Grécia deverá totalizar 53 mil milhões de euros e amarra os cidadãos helénicos a três anos de "austeridade" suplementar.

A mesma "austeridade" que Tsipras, na noite de 25 de Janeiro, afirmou triunfalmente ter terminado na Grécia.

 

As reformas começam quando o dinheiro acaba.

E, sem dinheiro, também as bravatas chegam ao fim.

Falando na longa madrugada de hoje aos deputados, Tsipras reconheceu que a Grécia vive num «ambiente económico de asfixia sem precedentes».

O terceiro pedido de assistência à Grécia em cinco anos foi aprovado no Parlamento de Atenas. Com 251 votos a favor, 32 votos contra, oito abstenções e a ausência de sete parlamentares da ala mais extremista do Syriza. Varoufakis foi um dos que se ausentaram.

Suprema ironia: valeu ao partido maioritário o apoio da Nova Democracia e do Pasok para conseguir luz verde do hemiciclo.

Falta agora a validação do pacote financeiro no Eurogrupo, no Conselho Europeu que reunirá de emergência amanhã e em pelo menos seis parlamentos nacionais, que poderão ratificá-lo ou chumbá-lo. Incluindo o Parlamento alemão.

 

Oiço agora alguns dizer - contra todas as evidências - que os governantes do Syriza "não cederam".

Pois não.

Só cederam no aumento do IVA (subida de 13% para 23% nos restaurantes).

E na questão das pensões (as do regime contributivo ficarão congeladas até 2021).

E no aumento da idade da reforma (dos 65 para os 67 anos).

E nas privatizações, que afinal vão por diante (portos do Pireu e de Salónica e redes de aeroportos regionais, nomeadamente).

E no imposto da propriedade, que será mantido.

E no quadro de mobilidade da função pública, que verá enfim a luz do dia.

E na exigência de condicionarem as reformas à reestruturação da dívida.

E na garantia aos cidadãos gregos que não haveria novas medidas de austeridade.

Mas quase não cederam nos cortes das despesas para as forças armadas. Os generais gregos podem dormir tranquilos no país europeu da NATO que tem maior ratio de militares por habitante e reserva maior fatia do seu orçamento para a defesa: 2,2%, correspondentes a 4,7 mil milhões de euros anuais.

Afinal só terão um corte de 300 milhõezitos nos próximos dois anos...

 

São indomáveis.

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 09.07.15

«O que vimos [na Grécia] foi um referendo trapaceiro. Sem uma verdadeira campanha. Uma pergunta opaca e incompreensível. Um apelo àquilo que não se sabia o que significava, pois do "não ao euro" dos primeiros momentos ao sim de domingo à noite, passando pelo não a umas propostas dos credores que ninguém explicava, [o Syriza]  mudou de direcção três vezes em oito dias. (...) De que democracia falamos? A União Europeia não é, apesar dos seus imensos defeitos, esse espaço pacificado no qual pouco a pouco aprendemos a substituir a eterna lógica do pulso pela negociação e pelo compromisso? Não é, apesar dos seus imensos defeitos, esse lugar de invenção democrática no qual, pela primeira vez desde há séculos, tentamos resolver as nossas diferenças através do diálogo e não da guerra política ou da chantagem? E em virtude de que perversão intelectual podemos ver um acto de 'resistência' nesse confronto perante 18 países, alguns dos quais atravessam situações não menos difíceis do que a Grécia mas nem por isso deixaram de assumir sacrifícios consideráveis para conceder-lhe, em 2012, por exemplo, um perdão da sua dívida no montante de 105 mil milhões de euros, apesar de que também eles terem de prestar contas aos seus povos? Desde domingo, toda a gente se comporta como se o senhor Tsipras fosse o último democrata da eurozona. (...) Os países da Europa Central que atravessaram o inferno dos dois totalitarismos, nazi e comunista, não precisam de receber lições de legitimidade - e muito menos dele [Tsipras].»

Bernard-Henri Lévy, no El País

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Delito de opinião

por Pedro Correia, em 09.07.15

Nove jornalistas gregos que defenderam o voto 'sim' no referendo estão sob investigação do Ministério Público, da entidade estatal que regula a comunicação social e do sindicato dos profissionais da imprensa.

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Semelhança e diferença

por José António Abreu, em 09.07.15

Afinal o governo grego também pretende salvar bancos com dinheiro público. Mas, justiça seja feita, há uma diferença: foi o próprio governo que os conduziu ao limiar da falência.

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Alguém tinha que dizer-lho

por José António Abreu, em 08.07.15

A intervenção de Guy Verhofstadt no Parlamento Europeu esta manhã.

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Senso comum

por Pedro Correia, em 08.07.15

Vital Moreira escreve  aqui sobre o óbvio ululante da Grécia pós-plebiscito. Elementar senso comum que alguns persistem em ignorar, cegos e surdos à realidade circundante.

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Apocalypse now na Grécia.

por Luís Menezes Leitão, em 08.07.15

A princípio pensei que os sucessivos disparates que o governo grego ia fazendo resultavam pura e simplesmente de incompetência, que os gregos iriam pagar muito caro. Depois convenci-me que isto afinal era uma estratégia pensada desde o início para atirar a Grécia para fora do euro. Neste momento, a irracionalidade é de tal ordem que já nem sei o que pensar. Isto só me faz lembrar o diálogo entre o Coronel Kurt e o soldado que o persegue, no Apocalypse Now. O primeiro pergunta: "Are my methods unsound?". Ao que o outro responde: "I don´t see any method at all". E de facto não podemos encontrar qualquer método nisto, entendida a palavra no seu sentido epistemológico grego, methodos (μέθοδος), que significa literalmente "seguir um caminho", de metá (μετά), "a seguir", e hodós (οδός), "caminho". Na verdade, não se compreende minimamente qual o fim que visa o governo da Grécia e qual o caminho que se propõe seguir. O que vemos constantemente são passos erráticos que não se percebe aonde visam conduzir o povo grego.

 

Num dia o governo grego negoceia um acordo no Eurogrupo. No outro dia, logo que recebe uma proposta deste, propõe um referendo sobre a mesma, o qual é votado numa semana, e dá uma esmagadora vitória ao não. Durante a campanha, o Ministro das Finanças Varoufakis, ao mesmo tempo que chama terroristas aos seus parceiros do Eurogrupo, garante que, se o não vencer, consegue um acordo com eles em 24 horas. No dia seguinte à vitória do não, o vencedor Tsipras oferece a cabeça de Varoufakis numa bandeja ao Eurogrupo, substituindo-o pelo mais moderado Tsakalotos, em ordem a conseguir um rápido acordo com os pretensamente derrotados no referendo. 24 horas depois a mensagem é de desespero: a Grécia pede mais 7.000 milhões de euros em 48 horas, sendo pedida uma reunião de emergência do Eurogrupo. Mas o tal Tsakalotos chega a Bruxelas sem uma única proposta concreta, limitando-se a levar umas notas manuscritas em papel de hotel. E para isto obrigou 18 ministros das Finanças europeus a uma reunião urgente em Bruxelas, tendo alguns, como por exemplo o de Portugal e o da Lituânia, tido que se deslocar do outro extremo do continente para nada, e sendo por isso obrigados a marcar outra reunião. A menos que Tsakalotos signifique em grego "saca a tolos", não estou a ver como é que alguém pode esperar que lhe entreguem 7.000 milhões de euros desta maneira.

 

Há dias a saída da Grécia do euro era uma hipótese quase inverosímil. Hoje tornou-se uma probabilidade cada vez mais forte. Tsipras pode ter saído reforçado do referendo mas, como o Coronel Kurt do Apocalypse Now, pode passar a governar um país em cinzas. Porque se a Grécia sair do euro, numa bancarrota descontrolada, é esse o estado em que vai ficar.

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Em 24 horas tinham um acordo, garantiam...

por José António Abreu, em 07.07.15

E, todavia, 48 horas após o referendo surgiram em Bruxelas sem propostas. Amanhã, juram eles agora. Como dizia o advogado interpretado por John Cleese ao gago interpretado por Michael Palin em Um Peixe Chamado Wanda: «Plenty of time.»

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Austeridade.

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A dura realidade

por Pedro Correia, em 07.07.15

«Nervous Greeks will probably pull as much cash as capital controls allow from their accounts. The banks are expected to run out of cash by the middle of the week, if not sooner, and are in such a fragile state that a collapse cannot be far off. Collapse would probably mean the issuance of a national currency to make depositors whole, and that, in turn, might mean the beginning of the end of Greece's euro membership.»

The Economist

 

«No a la política del Gobierno griego de coalición entre la mayoría de izquierda radical y la minoría de derecha más radical aún, unidas por el pegamento del nacionalismo más o menos antieuropeo. Desde que entraron, el país ha retrocedido en todas los parámetros previstos. (...) La petición de voto ha sido una apelación al patriotismo, al rechazo de la humillación, al orgullo de la soberanía herida. La culpa es integra del otro. Como dice Le Pen, el pueblo griego ha votado contra la oligarquía. ¿O no ha sido Le Pen? Los socios están obligados a respetar la decisión de los griegos, pero nadie puede obligarles a hacerlo contra los deseos o intereses de los ciudadanos que representan. Si repitieran la experiencia griega consultando en referéndum a sus ciudadanos, todos sabemos que no habría ningún tipo de acuerdo.»

Felipe González, El País

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Vrumvrum Fakis

por Rui Rocha, em 06.07.15

VAROUFAS.jpg

 

Yanis Varoufakis abandona o Ministério das Finanças, depois de apresentar a demissão. Varoufakis com capacete, preocupado consigo próprio. Acompanha-o a sua mulher, Danai. Sem capacete. Como ela, durante os últimos meses, a Grécia. 

 

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Constatações e cenários (todos maus)

por José António Abreu, em 06.07.15

Blogue_UE_Bandeira.jpg 

1. O referendo na Grécia vincula o governo grego, não os restantes. Os gregos apenas têm legitimidade para decidir sobre o seu próprio orçamento. Não sobre o português, o espanhol, o alemão ou o eslovaco.

 

2. Mostrar solidariedade com a Grécia não é ajudá-la a manter as distorções que sempre lhe caracterizaram a economia (como, de resto, a Portugal). Não é dar-lhe o peixe (ainda que, provisoriamente, algum deva ser dado), é ensiná-la a pescar (como, de resto, a Portugal).

 

3. Se tal sucedesse, nunca mais seria possível convencer qualquer dos governos do Sul da Europa (começando pelo próprio grego) a efectuar reformas com um mínimo de dificuldade. Aberto o precedente, os referendos ou, onde constitucionalmente proibidos (em grande medida porque, colocadas perante a questão de pagar ou não pagar, as pessoas tendem a escolher não pagar), outras formas de manifestação de desagrado tratariam de o garantir. O resultado? A implosão da UE ou a sua transformação numa Venezuela com 500 milhões de pessoas, onde a riqueza hoje produzida seria rapidamente desbaratada. Outros blocos políticos e económicos agradeceriam. De resto, talvez não por acaso todos pressionam (sem que alguém os acuse de ingerência nos assuntos alheios) no sentido da Grécia obter as condições que pretende.

 

4. O incumprimento da Grécia teria efeitos potencialmente perigosos nas contas públicas dos restantes países (através dos fundos de apoio e da eventual necessidade de recapitalizar o BCE) mas ceder a uma chantagem feita por um governo com as políticas do governo grego (i.e., que nunca colocarão a Grécia a crescer de forma sustentada) apenas adia e agrava o problema. Sendo certo que as instituições europeias têm hoje mais instrumentos para lidar com a saída da Grécia do que há alguns anos, não é líquido que cheguem. Ironicamente, o alargamento de prazos de que a Grécia goza facilitará um pouco a tarefa, adiando a conta e distribuindo-a por mais anos. Mas o efeito de contágio não está afastado e este escalonamento não se aplica à dívida (do Estado e dos bancos gregos) ao BCE. Seja como for, se pode defender-se a tese de que teria sido preferível deixar cair a Grécia em 2010 ou 2012, em vez de continuar a emprestar-lhe dinheiro, mais difícil de entender é prosseguir na mesma via, sem existirem indícios que permitam acreditar que, dentro de dois ou três anos, a situação terá evoluído para melhor. Pelo contrário: tudo indica que a bola de neve aumentará de tamanho.

 

5. O próprio corte de 30% na dívida grega, como exigido por Tsipras, também teria custos para os cidadãos dos restantes países e, acima de tudo, feito desta forma, abriria a porta a outros perdões logo que a dívida atingisse patamares considerados «injustos» (imagine-se Iglesias como primeiro-ministro de Espanha, Berlusconi ou similar à frente de Itália, Le Pen na presidência francesa). A dada altura, este cenário confundir-se-ia com o de default total pois entrar-se-ia numa via de insustentabilidade. Chegaria também o momento em que os contribuintes e/ou depositantes seriam chamados a cobrir as perdas decorrentes do accionamento dos famosos CDS, ou seguros contra incumprimento (a dívida de Itália, de Espanha ou de França encontra-se essencialmente em mãos privadas), que têm potencial para arrasar muitas instituições de crédito.

 

6. Perdoar dívida a uns significa aumentar dívida a outros. E, mesmo no caso dos credores serem privados, toda a gente acaba atingida.

 

7. Muitos na esquerda sabem isto. (O governo grego joga com isto.) Mas que melhor forma de tentar fazer implodir o sistema capitalista, mantendo a retórica de que foi ele próprio o causador da queda? (A acontecer - ver-se-á então o que é recuar dezenas de anos em termos de rendimento disponível -, tê-lo-á sido em parte; governos irresponsáveis fizeram o resto.)

  

8. A situação actual valida a posição dos que, um pouco por toda a Europa, receavam que a compatibilidade entre uma moeda assente na responsabilidade (como as do Norte da Europa tendiam a ser) e políticas centradas na demagogia (como as do Sul da Europa quase sempre foram) se revelasse impossível. Poucos terão hoje mais razões para dizer "bem vos dissemos" do que os cépticos que, na Alemanha, contestaram o abandono do marco. A Alemanha cedeu porque desejava apoio político para a reunificação e a França exigia o euro, invejosa que sempre esteve da força do marco e incapaz de perceber o que ele implicava em termos de contas e políticas públicas. Ilusões da França (e de Espanha, Itália, Portugal e Grécia), ingenuidade da Alemanha (e da Holanda, Áustria, Finlândia e - quão estranho é escrevê-lo - Irlanda). Moral da história: por norma, é preferível considerar como correctos os melhores cenários dos pessimistas - e não misturar mundos incompatíveis.

 

(Fotografia: Alamy Alamy / Alamy, recolhida no Bing.) 

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Uma escolha política, orgulhosamente

por João André, em 06.07.15

Discordo em muitos aspectos com o post do Pedro, embora não com tudo.

 

Não vejo a pergunta como absurda: é indiferente qual o acordo concreto que estivesse em cima da mesa ou que dela tivesse sido retirado. O referendo é um acto político em resposta a uma pergunta política. A questão grega é uma questão unicamente política. Nela, a economia e as finanças são detalhes. A pergunta era feita sobre uma proposta específica, mas versava de forma óbvia uma escolha política. Foi a esta pergunta que os gregos deram uma resposta: não aceitamos uma austeridade sem limites imposta externamente de forma cega.


A "propaganda" foi feita dos dois lados. Se o governo fez propaganda maciça pelo "não", a Europa e a oposição grega fizeram-na pelo "sim", inclusivamente ameaçando, aparentemente manipulando sondagens e tentando esconder relatórios. Os gregos não se deixaram enganar. Sabem bem que escolha fizeram. Se é boa ou má isso ver-se-à no futuro, mas estão conscientes do que fizeram.


Poderá ser uma vitória pírrica? Sem dúvida, mas como escrevi, os gregos estavam disso conscientes. Aquilo que valorizam é diferente daquilo que outros povos valorizarão: são mais orgulhosos e cientes da sua independência. Estarão dispostos a mais sacrifícios se forem decididos por si mesmos (ou pelos seus). Nisto são muito mais europeus de leste que ocidentais.


A escolha foi entre uma tortura lenta, longa, sem fim à vista, sem esperança e imposta por fora; e uma tortura eventualmente mais violenta, mais rápida, igualmente sem saber quando chega o fim mas com a esperança de chegar e, importante, escolhida. Quem não compreender isto - e que a escolha deixou há muito de ser económica ou financeira - não compreenderá nunca o resultado de ontem.

 

Correcção: fui alertado para um erro. Na minha versão anterior tinha escrito no último parágrafo que a «escolha deixou há muito de ser política», quando quis obviamente dizer «económica e financeira» como agora está escrito.

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A união dos verdadeiros democratas

por José António Abreu, em 06.07.15

Eurocépticos espalhados pela UE ficaram em júbilo com a rejeição do que Marine Le Pen, a líder do partido de extrema direita francês Frente Nacional, chamou "a oligarquia da União Europeia".

"É um voto "não" de liberdade, de rebelião contra os 'diktats' europeus daqueles que querem impor a moeda única a qualquer preço, através da mais inumana e contraproducente austeridade", afirmou ela em comunicado.

Na Grã-Bretanha, Nigel Farage, líder do partido UK Independence Party, anti-EU, elogiou os eleitores gregos por "desafiarem o bluff da UE".

"O projecto da UE está a morrer. É fantástico ver a coragem do povo grego em face do bullying político e económico de Bruxelas", disse ele.

Eurocépticos na Holanda e na Itália juntaram-se ao coro de satisfação com a derrota da UE. Em Espanha, o líder do partido de extrema-esquerda Podemos, Pablo Iglesias, próximo de Tsipras, tuítou: "Hoje na Grécia, a democracia venceu".

Reuters. Tradução minha.

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Alexis Pirro

por Pedro Correia, em 06.07.15

pirro[1].jpg

Vitória clara de Alexis Tsipras, ufanam-se alguns "analistas" comentando o sufrágio de ontem na Grécia. Num  plebiscito com uma pergunta absurda, que já estava ultrapassada pelos acontecimentos no preciso momento em que foi impressa nos boletins de voto, numa campanha-relâmpago onde não houve tempo para um debate sério e esclarecedor, com os adeptos do "sim" quase remetidos à clandestinidade perante a maciça propaganda governamental favorável ao "não".

Que vitória?

Com a economia em derrocada, os bancos falidos, a recessão a regressar em força (após o país ter crescido 0,8% em 2014), a necessidade absoluta de financiamento externo de emergência para fazer face às despesas mais elementares e o espectro de uma saída descontrolada do euro se no próximo dia 20 falhar o pagamento de 3,5 mil milhões de euros ao Banco Central Europeu. E - na melhor das hipóteses - um terceiro resgate a caminho, sujeito ao crivo prévio dos parlamentos nacionais dos restantes países da eurozona, tão respeitáveis como o de Atenas.

Pirro era grego. E também ficou célebre pelas vitórias que alcançou.

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