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Penso rápido (85)

por Pedro Correia, em 09.08.17

Os 222 milhões de euros pagos pelo Paris Saint-Germain (nome de santo ironicamente patrocinado por um país islâmico) para desviar Neymar do Barcelona cavam ainda mais fundo o fosso que separa o futebol enquanto actividade económica da genuína competição desportiva: deixaram de ser mundos complementares para se tornarem realidades antagónicas.
Este inédito montante adultera os princípios de transparência do mercado desportivo cotado em bolsa e transforma os jogadores em mera mercadoria à mercê dos capitães da fortuna fácil. Desde logo, parece colidir com as normas da concorrência vigentes na União Europeia e as regras de fair play financeiro da UEFA: qualquer resquício de equidade evapora-se de vez quando os Estados começam a investir em força nos clubes - neste caso o do Catar, com base nos seus lucros petrolíferos. E provoca um sério choque inflacionário na indústria do futebol: os preços vão disparar, a espiral da dívida aumentará em flecha, avizinham-se as mais desvairadas loucuras financeiras no horizonte.
Convém entretanto seguir em pormenor a origem e o rasto desta verba astronómica, que faz subir para 700 milhões de euros o orçamento anual do PSG para o futebol. À atenção das autoridades jurisdicionais - do desporto e não só.
Finalmente, está por demonstrar que um único jogador - e desde logo Neymar, com desempenho em campo inferior a Cristiano Ronaldo ou Messi - justifique estas cifras galácticas. O dinheiro pago por ele para o transformar em emblema de um clube sem tradição na alta-roda do futebol duplica o seu justo valor, nada tendo a ver com genuínos "preços de mercado". 
Ao dar este passo, o futebol de alta competição transforma-se num jogo de fortuna e azar - uma espécie de roleta russa para usufruto de caprichos milionários. O desporto, digam o que disserem, nada tem a ver com isto.

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Frases de 2017 (32)

por Pedro Correia, em 08.08.17

«Está tudo doido quando se paga 222 milhões por um jogador.»

José Mourinho, ontem à noite, em entrevista à RTP

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A "obscenidade" das transferências no futebol

por João André, em 07.08.17

Neymar Jr. transferiu-se para o Paris St. Germain pelo valor mais alto da história do futebol: 222 milhões de euros. Com este valor vieram os adjectivos: obsceno, pornográfico, ofensivo, etc. Não se trata apenas dos 222 milhões da transferência, mas também dos 30 milhões líquidos por época, os 38 milhões em pagamentos aos agentes envolvidos (incluindo o pai de Neymar). Assumindo uma taxa de 50%, o custo da transferência será de 112 milhões por ano ao longo de 5 anos (assumindo que o salário se mantém constante, o que nunca é certo).

 

A primeira pergunta que se impõe é: conseguirá o PSG pagar tal investimento sem infringir as regras do Fair Play financeiro da UEFA? Esta pergunta é relevante não apenas de um ponto de vista financeiro mas também moral: se o clube consegue pagar os custos, como dizer que é imoral?

 

 

Também aqui.

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Pornográfico

por Pedro Correia, em 03.08.17
Neymar ruma do Barcelona ao PSG por 222 milhões de euros: a transferência mais cara da história do futebol. Estas cifras milionárias, pornográficas num mundo cheio de carências básicas, já não têm nada a ver com desporto. Temos de chamar-lhe outra coisa, embora eu não saiba ainda bem o quê.

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E em Portugal?

por Pedro Correia, em 02.08.17

A justiça espanhola tem vindo a apertar o cerco à evasão fiscal no futebol, que durante décadas passou impune. Sem poupar sequer os grandes astros da modalidade.

Lionel Messi foi condenado - com sentença já transitada em julgado - por defraudar a administração tributária em 4,1 milhões de euros. Por sua vez, Cristiano Ronaldo está a ser ouvido num inquérito a propósito da suposta fuga ao fisco num valor de 14,7 milhões de euros relativos a direitos de imagem.

Impõe-se a pergunta: quando terá a justiça portuguesa oportunidade ou coragem para investigar todos os contratos dos jogadores de futebol profissional?

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Bola e mais bola e mais bola

por Pedro Correia, em 09.07.17

Quatro canais de televisão especializados em "notícias". Os quatro, sem excepção, passam o serão deste domingo com conversa de café em estúdio a propósito de futebol. Mesmo com o futebol em férias, mesmo com o campeonato parado, mesmo sem a bola a rolar nos relvados.

A RTP, canal público, poderia fazer a diferença. Mas não: segue o mesmo alinhamento dos restantes. Como se não houvesse notícias a sério, no País e no mundo. Como se só lhes interessasse captar o público masculino, cliente-padrão deste bate-boca futebolístico, em horário nobre.

Com políticos a palrar de bola.

E politólogos a cacarejar de bola.

E tudólogos a tagarelar de bola.

Depois há quem se admire por estes canais cada vez mais monotemáticos estarem a perder audiência de mês para mês no cabo. Não sei porque se espantam.

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Um país futebolizado

por Pedro Correia, em 16.05.17

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Vivemos por estes dias mergulhados na futebolização do País. As pantalhas dedicam horas sem fim à conversa de taberna sobre bola transposta para os estúdios televisivos. Os partidos manipulam militantes, tratando-os como membros de claques de futebol. Os debates políticos estão cheios de metáforas associadas ao chamado desporto-rei. E a linguagem mediática imita o pior dos jargões ouvidos nos estádios, anunciando divergências ao som de clarins de guerra.

Há dois aspectos a ter em conta neste fenómeno: um é o factor de identidade tribal potenciado pelos clubes desportivos. Em regra este é um factor positivo: o ser humano necessita de mecanismos de afinidade grupal e quando faltam outros, mais tradicionais, o desporto - ou, no caso português, apenas o futebol - potencia-o como forma de preencher algum vazio deixado pelos restantes (família, igrejas, sindicatos, partidos, academias, etc.)

Outro - muito diferente e claramente negativo - é o da diabolização do antagonista. Este é um fenómeno com ramificações muito diferentes, e algumas bem recentes, influenciadas pela linguagem dicotómica das redes sociais, que tendem a ver tudo a preto e branco, numa réplica do imaginário infantil (cowboys & índios; polícias & ladrões, etc) transfigurado para a idade adulta.

 

O eco que os meios de informação tradicionais fazem do que se publica na Rede, amplificando tudo de forma acrítica e seguidista, vai produzindo cada vez mais estragos.

A crise financeira dos media conduziu nos últimos anos a drásticas alterações de âmbito editorial. A deontologia jornalística manda auscultar todas as partes com interesses atendíveis numa determinada história, obrigando também o jornalista a não eleger uma "verdade" sem pelo menos registar a soma das "verdades" em disputa. Acontece que a urgência de conseguir leitores e audiências tem levado muitos jornais e televisões a "queimar etapas" e a elevar o tom do relato noticioso, desvirtuando-o.

Os adversários tornaram-se inimigos, os desafios transformaram-se em batalhas, os saudáveis confrontos derivaram para devastadoras guerras.

 

Somar a febre do futebol à necessidade imperiosa de estancar quebras de tiragens dos jornais e fugas dos telespectadores para canais temáticos alternativos dá nisto: visões extremadas onde a emoção substitui o raciocínio, toda a moderação é considerada imprestável e o "vencedor" proclamado dos debates é invariavelmente o que berra mais que os outros.

Eis-nos mergulhados num caldo de cultura que nada augura de bom.

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Não se esqueçam de ir descansar

por Sérgio de Almeida Correia, em 14.05.17

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(créditos: António Cotrim, EPA) 

Agora o melhor é irem descansar. Ainda falta a Taça de Portugal e vamos voltar a jogar com aquela equipa que esteve a perder por 3-0 e por 1-0 com os nossos rivais da Segunda Circular e acabou sempre por empatar. Convém ter isso em atenção.

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O clima tóxico do debate futebolístico

por João André, em 18.04.17

Ao ler os comentários desportivos, entre jornais e blogues, descubro que é dominado por um facciosismo clubístico ou sectário (quando intra-clube) que de tão barulhento não deixa espaço para quase nada mais. É um facciosismo que se repete mas bastante amplificado quando passa para as televisões, onde não existem debates, apenas gritos de claques engravatadas. Se eu passar os olhos pelo meu feed do Facebook descubro as mesmas tendências, com posts dedicados a alfinetadas (quando escritos por pessoas educadas), ataques declarados (quando o autor de vê como assertivo) ou mesmo insultos grosseiros.

 

Não é nada de novo. Quem se sentasse à mesa de um café há cerca de 20 anos já o poderia sentir. As conversas eram fortemente tingidas pelas cores clubísticas e envolviam habitualmente um certo nível de oposição aos outros clubes. Isto era normal e saudável, sendo que raramente as discussões atingiam níveis violentos, mesmo que apenas oralmente. Ainda assim os jornais e televsões mantinham posições mais ponderadas, mesmo quando orientados para um clube.

  

 

Também aqui.

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Decálogo eleitoral

por Pedro Correia, em 21.01.17

O Sporting inicia um novo processo eleitoral. Aqui recordo algumas regras básicas, que também podem servir noutras contendas.

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Profetas da nossa terra (74)

por Pedro Correia, em 14.10.16

«Eu aposto que José Eduardo Moniz e Rui Gomes da Silva farão parte da lista de Luís Filipe Vieira. Porque Vieira não entra por aí, numa guerra de sucessão. Vieira não vai arbitrar: mete os dois, não deixa nenhum de fora! Eu aposto no totoloto que estes dois estarão lá: é fatal como o destino!»

Rui Oliveira e Costa (confirmando que acerta tanto nos palpites do futebol como nas sondagens políticas), RTP3, 9 de Outubro

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Mário Wilson

por Sérgio de Almeida Correia, em 04.10.16

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 (1929-2016)

 

"Só nós sentimos assim"

Obrigado, meu capitão.

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Marca leonina

por Pedro Correia, em 27.08.16

Nove jogadores formados pela Academia leonina na primeira convocatória para o apuramento do Mundial 2018.

Nada que surpreenda seja quem for.

O Sporting sempre a contribuir para o prestígio do futebol português.

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O dom da ubiquidade

por Pedro Correia, em 10.08.16

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Já havia a fórmula "dois em um", no mercado dos champôs. Hoje, no reino do futebol, há "um em dois". Sem ilusão de óptica, em qualquer banca ao pé de si. Escolha a versão que mais lhe convier. Ou faça como eu, que não escolhi nenhuma.

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Como se o golo fosse só para nós

por Pedro Correia, em 26.07.16

Aos olhos de um miúdo, não há melhor escola para aprender a ver futebol do que as tardes passadas nos estádios em companhia do pai. Aconteceu comigo. Ainda hoje recordo os nomes de futebolistas antigos que o meu pai ia desfiando enquanto víamos as partidas ao vivo, as histórias que me relatava a propósito dos desafios de outros tempos e as noções tácticas e técnicas do jogo que me ia passando nesses momentos irrepetíveis.

As modas mudam muito, mas certas tradições vão-se mantendo. Para um garoto destes dias, continua a ser emocionante ter a oportunidade de ver ao vivo os jogadores que figuram nas cadernetas de cromos, relíquia que persiste em acompanhar cada menino, temporada após temporada, no decurso das gerações.

 

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Já era assim no meu tempo. Já era assim no tempo daqueles que me antecederam. Ainda hoje recordo a emoção que senti ao conseguir um autógrafo do Jacinto João após um jogo da Taça UEFA contra o Arad da Roménia à saída dos balneários do estádio do Bonfim. Juntei o autógrafo ao cromo do jogador, craque do Vitória de Setúbal, juntamente com o José Maria, o José Mendes, o Guerreiro, o Octávio Machado e o José Torres. E foi com imenso orgulho que o exibi aos colegas da escola.

Além do Sporting, sempre com lugar à parte, outra equipa em destaque nessa caderneta era a da Académica – a equipa dos “estudantes”, como então se dizia. Merecia-me especial admiração, incutida pela arguta pedagogia paterna, por demonstrar que o futebol não era incompatível com os estudos. Com Rui Rodrigues, Rocha, Vítor Campos, José Belo, Gervásio, Manuel António e um tipo que dava nas vistas por ser muito louro. Chamavam-lhe ‘ruço’ e tinha o mesmo apelido que eu. O Artur Correia.

 

Ele e o Rui Rodrigues – um defesa elegante, que cultivava a arte de desarmar sem falta – viriam a decepcionar-me quando se transferiram para o Benfica. Mas fui acompanhando o percurso do ‘ruço’, um lateral de enorme mobilidade, que percorria o corredor direito num constante vaivém e sabia centrar com precisão. Eram dois jogadores que gostaria de ter visto no Sporting.

E acabei mesmo por ver um deles de verde e branco. O Artur, que em 1977 se transferiu para Alvalade. Lá permaneceu três épocas, vencendo a Taça de Portugal em 1978 e sagrando-se campeão nacional em 1980. Um ano de glória, um ano de infortúnio: quatro meses depois do título, jogando já nos Estados Unidos, sofreu um AVC que o afastou para sempre do futebol. Tinha apenas 29 anos. Começava aí uma longa via crucis só agora terminada, quando nos deixou de vez. No ano passado tinham-lhe amputado uma perna – supremo sofrimento para quem, como ele, tão bem jogou futebol.

 

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Artur Correia com a Taça de Portugal conquistada pelo Sporting (1978) 

 

Lembrei-me ontem do meu pai quando soube da notícia da morte do Artur Correia. Porque o último jogo que vi ao vivo com ele, nas bancadas do Estádio Nacional, foi o único em que o Artur marcou com a camisola da nossa selecção. A 1 de Novembro de 1979, num desafio de qualificação para o Campeonato da Europa do ano seguinte.

Recordo-me perfeitamente. Os noruegueses marcaram primeiro, gelando o estádio. A nossa equipa acusou o golo e andou perdida em campo. Até que o Artur pega na bola lá atrás, avança com ela com uma vontade indómita de virar o resultado, ultrapassa todos os adversários e dispara uma bomba a mais de 30 metros da baliza, num remate muito bem colocado. Empatava a partida, a sorte do jogo virava. Viríamos a ganhar 3-1.

Foi um golo do outro mundo: nunca mais o esqueci. Estávamos na curva sul do estádio, um pouco acima da baliza norueguesa. Abracei-me ao meu pai como nos tempos em que ainda colava cromos na caderneta. E ele abraçou-se a mim como se eu fosse ainda o catraio que antes levava pela mão, de jogo em jogo.

Parecia que aquele golo tinha sido marcado só para nós.

 

Iria tornar-me adulto, depois rumei a outras paragens, não regressei com o meu pai ao futebol - nem em pensamento. Até agora, mal soube que o Artur perdera a  última partida no traiçoeiro campeonato da vida.

Voltei a abrir a velha caderneta, desenterrei os autógrafos do pó do arquivo, imaginei-me a falar com uma remota voz infantil. E senti que o Pai me escutava, de polegar erguido, apaziguando todos os meus receios: “Tenho a certeza de que vamos vencer.”

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Profetas da nossa terra (72)

por Pedro Correia, em 25.07.16

«A Alemanha é a grande favorita à vitória final no Europeu.»

Rui Santos, SIC Notícias, 3 de Julho de 2016

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Em política, o que aparece é

por Pedro Correia, em 21.07.16

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Eu gostaria de ver a política imitar o melhor do futebol. Afinal por cá vejo o futebol a imitar o pior da política. Não o futebol jogado, note-se. Refiro-me ao futebol falado. Ultimamente o espaço do comentário futebolístico nas televisões tem sido invadido por dirigentes, treinadores e funcionários de clubes, numa réplica do espaço habitual do comentário político, hoje parasitado por deputados de todos os partidos.

Tanto os comentadores-dirigentes como os comentadores-deputados são parte interessada em tudo quanto comentam. Cada frase que proferem deve ser entendida no contexto das suas ambições pessoais e das suas legítimas expectativas: a meritocracia em Portugal mede-se pelo número de aparições nos ecrãs televisivos, que funcionam como passaporte automático para patamares cada vez mais elevados.

Na política, nada disto é novo. Em 2002, Emídio Rangel convidou Pedro Santana Lopes e José Sócrates para formar um duo de comentadores na RTP: dois anos depois emergiam ambos como líderes dos dois principais partidos, tendo ascendido à chefia do Governo. Em 2007, pela inefável mão de Pacheco Pereira, António Costa iniciou-se como comentador regular da SIC Notícias: estava lançada a sua candidatura à liderança do PS. Em vez de mergulhar no Tejo, como sucedera a Marcelo Rebelo de Sousa em 1989, mergulhou na telepolítica. Terá engolido alguns sapos, mas pelo menos evitou engolir salmonelas.

De resto, o percurso do actual Presidente da República, construído essencialmente nas últimas duas décadas como comentador alternado de um canal privado e do canal público, confirma esta estreita ligação entre a ascensão política e os holofotes televisivos. Mas Marcelo é Marcelo - um caso à parte no plano comunicacional. Ouvi-lo era um hábito irresistível, por mais que discordássemos do seu tom ou do seu estilo.

Algo muito diferente é assistir ao penoso desfile de deputados que marcam os serões televisivos nos canais noticiosos. Com raras excepções, nada mais têm a debitar do que umas solenes vacuidades, confrangedoras na forma e despojadas de conteúdo. Tanto lhes faz, desde que consolidem o território na respectiva trincheira. Podem todos proclamar-se fiéis ao lema dos novos tempos: em política, o que aparece é.

Eu já evito escutá-los - desde logo porque sei tudo quanto dirão ainda antes de abrirem a boca. Mas não cesso de me espantar quando vejo que as televisões abdicam cada vez mais dos seus próprios comentadores para cederem tempo de antena à confraria dos deputados.

Agora está a acontecer algo semelhante no reduto do comentário futebolístico, cada vez mais confiado aos representantes das confrarias dos dirigentes e dos treinadores. Também aqui só quem aparece é. Saiba ou não saiba falar, tenha ou não tenha coisas originais para dizer, saiba distanciar-se ou não de rancores e ódios pessoais que lhe contaminem o discurso.

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O futebol de Trichet e Da Vinci

por João André, em 14.07.16

O Pedro Correia escreveu dois posts sobre o europeu e Portugal e zurziu nas carpideiras portuguesas que se queixaram da qualidade ou beleza do jogo da selecção nacional. Como eu pertenço a este grupo, gostaria de deixar umas linhas sobre o assunto.

 

 

Os meus posts de análise ao jogo da final, ao europeu de Portugal e ao torneio em si.

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O "fascínio" das derrotas

por Pedro Correia, em 13.07.16

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Mesmo com a Taça da Europa já conquistada e exibida em Portugal, e com largos milhares de pessoas apoiando a selecção nas ruas das mais diversas cidades mundiais, de Paris a Díli, não passa um dia sem que as carpideiras de turno surjam nas pantalhas a bramir contra o "futebol feio" praticado pela equipa das quinas no Euro 2016.

Curiosamente, nenhuma dessas carpideiras nos indica qual terá sido o "futebol lindo" observado nos estádios franceses que sirva de modelo a Portugal.

Era bom que elucidassem gente como eu, incapaz de ver tão bem.

 

Na primeira linha dos disparos, o que não é inédito, figura um técnico de futebol: Manuel José.

Há pouco mais de 24 horas, na RTP 3, o português que chegou a brilhar no campeonato egípcio ultrapassou tudo quanto já dissera antes, proferindo esta declaração: "Dizem que jogámos futebol [no Euro 2016], não jogámos à bola. Então eu prefiro que se jogue à bola. Porque no fundo o que o povo quer é isso: ganharmos com qualidade. Se temos qualidade não podemos jogar um futebol medíocre. Quanto melhor jogarmos, aumentam as possibilidades de podermos ganhar. De vez em quando não ganhamos, mas isso é o fascínio que o futebol tem."

 

Admiro a ousadia destes comentadores que falam em nome do "povo", como Manuel José agora fez. Ignoro quem o mandatou como porta-voz dos portugueses, mas declaro desde já que não lhe passei procuração para falar por mim.

Eu, ao contrário dele, não sinto o menor "fascínio" em perder. Foi isso que sucedeu nos campeonatos da Europa durante mais de meio século: fomos perdendo sempre. Ou porque não atingíamos a qualificação para a fase final ou porque sucumbíamos à beira do fim, quase a atingir o objectivo.

Ao contrário do que sucedeu agora. Fascinante, para mim, é ganhar.

 

Quanto ao "futebol medíocre" a que alude Manuel José, lamento desiludi-lo, mas a UEFA não partilha da opinião dele.

Se partilhasse, não teria incluído dois golos portugueses nos cinco que seleccionou com vista à votação em linha que decorre para eleger o melhor do torneio: o de Cristiano Ronaldo contra o País de Gales e o de Éder contra a França.

Presumo que nenhum deles merecerá o voto de Manuel José. Mas garanto-lhe que é retribuído: eu também não votaria nele para seleccionador nacional.

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Futebol e Fátima

por Rui Rocha, em 12.07.16

Li por aí que o Professor Marcelo, o mais alto beato da Nação, rezou muitos terços para que a selecção nacional tivesse um bom resultado e que admite ir a Fátima. Ora, há coisas que não percebo. Quer dizer, se eu fosse crente, era capaz de rezar pela saúde e pela felicidade da minha mulher, dos meus filhos ou da humanidade em geral. Pela nossa saúde ou por uma felicidade nossa que não prejudicasse a dos outros. Mas neste caso, rezar pelo sucesso da selecção de Portugal é pedir o insucesso da selecção de França. E parece-me que isto não é assunto em que se deva meter Nossa Senhora de Fátima. Como é que Nossa Senhora de Fátima fica? Qual é o critério de decisão? Favorece os que pedem mais, os que fazem mais barulho? Beneficia os que se portam melhor? Mas como? O Bruno Alves é melhor do que o Payet? Há coisas que pessoas bem formadas não pedem. Muito menos a Nossa Senhora de Fátima. Na verdade, o que Marcelo e os outros como ele querem é tráfico de influências. Que Nossa Senhora mexa uns cordelinhos, que interceda aqui e ali, para beneficiar uns e prejudicar outros. Aliás, se eu fosse Nossa Senhora de Fátima e me aparecesse o Marcelo ou outros como ele com um tercinho na mão e conversa do tipo "ah e tal podias dar aqui um jeito" mandava-os logo foder.

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Parabéns

por Pedro Correia, em 11.07.16

"Estamos todos de parabéns", tenho ouvido dizer toda a manhã.

Não estamos. De parabéns estão os futebolistas e o seleccionador que levaram Portugal a conquistar o título de campeão da Europa.

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É sempre possível ir mais longe

por Pedro Correia, em 11.07.16

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10 de Julho de 2016: nunca mais nos esqueceremos desta data. Portugal chegou onde muito poucos previam, contrariando todos os profetas da desgraça: somos enfim campeões da Europa. O nosso maior troféu de sempre no futebol sénior a nível de selecções.

Um troféu com que vários de nós sonhávamos há décadas.

Foi com indescritível alegria que vi o nosso capitão Cristiano Ronaldo acabar de erguer o troféu conquistado com tanto suor e tanto sofrimento pela selecção nacional no Stade de France, silenciando a arrogância, a pesporrência e o chauvinismo gaulês.

 

É uma vitória de Portugal, sim. Mas é antes de mais nada a vitória de um grupo de trabalho muito bem comandado por um homem - Fernando Santos - que revelou ambição desde o primeiro instante e soube incuti-la na selecção, que jogou unida como raras vezes a vimos, com uma maturidade táctica inegável e um ânimo que não claudicou quando Cristiano Ronaldo se lesionou gravemente num embate com Payet, iam decorridos apenas 8', e deixou de poder dar o seu contributo para esta final, acabando por ser rendido aos 25'.

As lágrimas que lhe caíam pelo rosto enquanto era retirado em maca integrarão a partir de agora a inapagável iconografia do desporto-rei.

 

Com ele em campo tudo teria sido mais fácil. Mas assim provámos à Europa do futebol - e a alguns comentadores portugueses que nunca deixaram de denegrir a selecção durante toda esta campanha europeia - que a equipa das quinas não é só "o clube do Ronaldo". É muito mais que isso. É uma equipa madura, sólida, solidária. Capaz de chegar mais longe do que qualquer outra.

Que o digam os jogadores franceses, que enfrentaram Rui Patrício - para mim o herói da final, naquela que foi talvez a melhor exibição da sua carreira como guarda-redes da selecção. E uma dupla imbatível de centrais formada por Pepe e José Fonte. E o melhor lateral esquerdo deste Europeu, Raphael Guerreiro, que disparou um petardo à barra da baliza de Lloris aos 108', naquilo que já era um prenúncio do golo português. E um Cédric combativo, que nunca virou a cara à luta. E um William Carvalho que funcionou como primeiro baluarte do nosso dique defensivo. E um João Mário com vocação para brilhar nos melhores palcos europeus. E um Nani que nunca deixou de puxar os colegas para a frente. E um Éder que funcionou afinal como a mais inesperada arma secreta da selecção nacional, marcando aos 109' o golo que levou a França ao tapete e nos poupou ao sofrimento acrescido das grandes penalidades que já muitos antevíamos.

 

Dirão alguns que tivemos sorte, que jogámos feio e jogámos mal: porque haveriam de mudar agora o discurso se não disseram outra coisa durante mais de um mês?

Mas é claramente injusto reduzir a estas palavras e estes rótulos um trabalho iniciado há quase dois anos e que já com Fernando Santos ao leme da selecção registou 14 jogos oficiais - com dez vitórias e quatro empates. Não perdemos uma só partida nesta fase final do Europeu, em que eliminámos a Croácia (uma das selecções apontadas como favoritas antes do torneio), o País de Gales (equipa sensação durante dois terços da prova) e a campeoníssima França, anfitriã e principal candidata à vitória desde o apito inicial do Euro 2016.

Todos os obstáculos foram superados. No momento em que Cristiano Ronaldo ergueu a Taça da Europa perante largos milhares de portugueses em delírio nas bancadas do estádio, estavam vingadas todas as outras ocasiões em que jogámos bem, jogámos bonito - e regressámos a casa sem troféu algum.

Esse tempo acabou de vez.

 

Ficaram também vingadas as nossas derrotas nas meias-finais do Europeu de 1984 e do Euro 2000, e o nosso afastamento do Mundial de 2006, igualmente nas meias-finais. Sempre contra a França. As tradições existem muitas vezes para isto mesmo: para serem quebradas.

O momento é de celebração nacional, com o campeão europeu mais velho de sempre (Ricardo Carvalho) e o mais novo de sempre (Renato Sanches). Enquanto escrevo estas linhas escuto uma sinfonia de buzinas na avenida onde moro e gente a gritar "Nós somos campeões!"

Muitos dos que buzinam e gritam nem se lembraram de pôr este ano bandeirinhas à janela e não deixaram de lançar farpas sarcásticas ao seleccionador, descrentes das nossas possibilidades de vitória. Nada como um triunfo desportivo para apagar memórias e congregar multidões.

Atenção, porém: ninguém merece tanto celebrar como Fernando Santos e os nossos jogadores. Sim, esta vitória é um pouco de todos nós. Mas é sobretudo deles.

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Comentários a quente: Portugal - França

por João André, em 10.07.16

8' - Porrada no Ronaldo. Era falta clara, mas enfim.

10' - Alguém precisa de mudar a roupa interior do Pepe.

14' - Portugal quer embalar mas parece adormecido. Os franceses estão a jogar a outra velocidade.

16' - Acabou o europeu do Ronaldo. Lá se fez o jeito aos franceses.

21' - Ainda está em campo. Se aguentar até ao intervalo talvez venha a agulha. E os primeiros 3 meses da próxima época vão ao lixo. Se se aguentar e contribuir, creio que o Ronaldo se esteja marimbando.

23' - Não aguentou. Há Schadenfreude por esse mundo fora.

28' - Quaresma na teoria faz sentido. Mas para quem vai ele cruzar? Para o João Mário?

33' - O nosso Ronaldo para o resto do jogo terá de ser o Rui Patrício.

34' - Era de facto amarelo para o Cédric. Mas onde está o do Payet?

36' - José Fonte é o nosso Iniesta. Numa frase explicado Portugal neste Europeu.

41' - Tacticamente a equipa está mais equilibrada. Quaresma e Nani estão a esticar a defesa francesa no contra-ataque. O reverso da medalha é que os franceses estão menos cautelosos.

45' - Cabeçada mútua entre Evra e Quaresma. Já vi piadas étnicas começadas por menos.

 

Intervalo: tempo para comer qualquer coisa.

 

51' - Nani: «Toma! Também me pisaram a mim!»

53' - Está na hora da táctica 3x2. Dois jogadores lesionam adversários em sucessão. Primeira falta: deixa passar. Segunda: amarelo. Terceira: vermelho. Isto duas vezes e o jogo passa a ser jogado 9 contra 8. No secundário funcionava.

55' - Umtiti cortou com o nariz... Hmm, isto soa ao início de um livro infantil.

57' - William Carvalho queria ser polícia sinaleiro quando era pequenino.

58' - Só não consigo imaginar William Carvalho em pequeno. O Robin Hood tinha um problema semelhante.

60' - Kingsley Coman entrou. É bom jogador. E tem nome de realizador porno. Esperemos que não nos f...

65 - Quase realizou um. Faltou Viagra ao Griezmann. Felizmente.

68' - Alguém diga ao Quaresma para olhar antes de centrar.

70' - Confesso que tenho já uma entrada pré-escrita com vários palavrões. Deixo que adivinhem que tipo de entrada.

74' - Este Portugal sem Ronaldo é um tigre velho. Grande, ainda bonito, às vezes com mau feitio e capaz de se defender, mas essencialmente sem dentes ou garras...

77' - Há duas versões de Giroud. O Giroud bom e o Giroud mau (isto ainda dá telenovela). Hoje tivemos o Giroud mau. O Deschamps, infelizmente, percebeu isso.

78' - Éder?????? Nãããããããããããããõoooooooooo!!!!!!!!!!

78,5' - Estamos sem ataque que se veja... Porque raio manda o Fernando Santos mais um central francês para o jogo?

80' - Lado bom da lesão do Ronaldo: o João Mário finalmente pode ser visto.

82' - Tacticamente a decisão percebe-se: mandou o Nani para a ala para apoiar o Cédric contra Coman, que Quaresma não andava a ajudar muito. Mas Éder? A senhora da lavandaria aleijou-se?

84' - Bruno Carvalho está a ver este jogo ao som de "Money" dos Pink Floyd.

87' - Éder anda a atrapalhar os franceses. Com a transferência para o Lille, o Fernando Santos deve tê-lo convencido que se naturalizou.

89' - Quaresma demonstra o poder de futebol de rua: estrangula Koscielny e esfrega-lhe a cabeça: «Está tudo bem miúdo, está tudo bem... Mas não digas à tua mãe senão conversamos no fim das aulas.»

91' - Que santo português é São Denis?

93' - Fim do tempo regulamentar. Não sei como, mas os franceses ainda não ganharam.

 

Re-intervalo: E vamos a prolongamento. Porque dois jogos seguidos só com 90 minutos não tem piada.

Para quem tenha curiosidade porque razão me dou ao trabalho (sim, vocês três aí atrás!), isto é porque estou a ver o jogo sozinho. Sem companhia para os comentários da praxe, sofrem os leitores.

 

91' - Eu devia era ir-me deitar. Como se conseguisse adormecer.

93' - Fernando Santos é homem de Fé. Num estádio com nome de santo está a fiar-se nele e nos seus apelidos e em que Éder tenha uma veia de Charisteas.

96' - Estou a ficar tão esgotado como os jogadores. Os comentários tornar-se-ão mais esporádicos. Penso.

104' - O Éder quase marcava. Estou a delirar por causa da ansiedade, só pode ser.

 

Intervalo do prolongamento: É difícil perceber este jogo. A França deveria estar a vencer por uns 4 ou 5 mas Portugal ainda se está a aguentar. Ou os deuses estão connosco ou estão numa de ser mesmo cruéis. Eu inclino-me para o último, depois da lesão do Ronaldo.

Nota extra: depois de revisto, retiro parte do comentário do minuto 8. Não foi realmente falta, penso. Ou poderia ser, mas soft. O que houve, e muito, foi azar.

 

109' - O ÉDER?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?

 

110' - A sério. O Éder? Vou telefonar ao médico que estou mal. Muito mas mesmo muito mal. Mas só depois do fim da alucinação.

112' - Esqueci-me de comentar: o Raphäel Guerreiro demonstrou porque razão era parvoíce ter o Ronaldo a marcar livres.

114' - O William Carvalho fez um pacto com o diabo. É impossível que tanto centro lhe vá parar direitinho.

116' - O Raphäel Guerreiro não tem autorização para estar lesionado. Que vá para ponta-quieta, mas tem de ficar em campo.

119' - Dói-me.

 

122' - EU NÃO ACREDITO!!!!!

 

Fim do jogo. Morri. Até amanhã quando acordar no hospital e me disserem que imaginei.

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Allez, allez

por Teresa Ribeiro, em 10.07.16

Faltam poucos minutos. Nas ruas, quase desertas, o silêncio incha com o calor.  No mini-mercado os empregados, habitualmente palavrosos, fecham-se num mutismo amuado. É que faltam poucos minutos e ainda estão ali. O vizinho do rés-do-chão abreviou o passeio ao cachorro e recolhe-se à pressa. Nem me vê. Em volta os prédios dilatam, cheios de gente. Famílias reunidas em torno da televisão suspendem-se com o coração aos pés, respiração na mão. Ninguém me vê. Só o gato branco, que patrulha a rua em passadas furtivas, me olha expectante, a avaliar se sou um perigo. 

Há cerveja gelada no frigorífico e até champagne. Enchidos, preguinhos, bifanas, coisas de picar. E raparigas de cachecol posto, apesar do calor, e miúdos prontos a alinhar com o pai e o tio e o irmão mais velho nas vocalizações apaixonadas quando a partida começar. Faltam poucos minutos e os principais spots da cidade, de todas as cidades, vilas e lugarejos, estão cheios de gente. Há milhares que nem gostam de bola, mas quem resiste a surfar esta onda que se agiganta? Bora lá!

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O fracasso disfarçado de sucesso

por Pedro Correia, em 09.07.16

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Outras culturas cultivam o sucesso: nós preferimos cultivar o fracasso. Invejamos os bem-sucedidos, enaltecemos os fracassados. Adoramos tecer loas aos derrotados enquanto dedicamos aos vencedores o nosso mais criativo sarcasmo.

 

Nada como o futebol para tornar isto mais evidente. Cristiano Ronaldo e José Mourinho, dois portugueses cheios de vitórias nos currículos e reconhecidos como triunfadores em todo o mundo, encontram permanentes detractores por cá. Gente que nada conquistou na vida transforma-os em vitalícios sacos de pancada. Ou porque singraram nas carreiras que escolheram ou porque não se deixam abater pelas adversidades ou porque sonham somar novos triunfos às suas galerias de troféus. Ou simplesmente porque não debitam um discurso miserabilista nem andam por aí armados em coitadinhos – gente com sucesso fingindo-se fracassada, outro género que cai muito bem por cá.

Enfim, motivos que noutro contexto social e noutro enquadramento cultural os tornariam figuras de referência entre nós servem muitas vezes só para acirrar animosidades contra eles.

 

E eis que um terceiro português já com sucesso no futebol começa a ficar também no centro de todas as polémicas. Chama-se Fernando Santos e leva pela primeira vez a selecção nacional à final de uma grande competição de futebol sénior disputada fora das nossas fronteiras.

Vai ocorrer amanhã em Paris: é uma proeza inédita para Portugal na modalidade desportiva mais apaixonante do planeta.

Sem o dom da palavra de Mourinho, num estilo bastante mais comedido, Santos disse no entanto algumas frases que deixaram muitos compatriotas a ferver. Não de entusiasmo, como seria compreensível, mas de indignação. "Vamos ao Europeu para vencer", declarou a 17 de Maio. "Só volto no dia 11 [a seguir à final] a Portugal e vou ser recebido em festa", disse a 19 de Junho. “Queremos escrever História”, reiterou sem complexos a 5 de Julho.

 

Foi gozado, ridicularizado, acusado de megalomania. Depois a agulha das críticas virou e passaram a chamar-lhe medroso. Os compatriotas, sempre alérgicos aos vencedores, vaticinaram contínuos desaires à equipa nacional que foram sendo contrariados pelos factos. Quando nada mais havia a apontar, disseram que os jogadores portugueses tinham um jogo “feio” e só superavam obstáculos graças à “sorte”.

O comentador de futebol que ocupa mais tempo de antena no País – e que se distinguiu nas críticas à selecção  desde o primeiro dia – chegou ao ponto de justificar a rota de vitórias portuguesas pela sucessão de “fracos adversários” que tivemos pela frente até às meias-finais (Islândia, Áustria, Hungria, Croácia e Polónia) enquanto enaltecia os franceses, nossos antagonistas na final de amanhã. Esquecendo de anotar as “poderosíssimas” selecções que a turma gaulesa tinha deixado pelo caminho: Roménia, Albânia, Irlanda, Suíça, Islândia.

 

Esta pequena amostra já indicia: se vencer amanhã a final de Paris e trouxer para Portugal um troféu que nunca conquistámos, Santos terá contra si a partir desse momento uma poderosa e sonora legião de inimigos prontos a disparar toda a espécie de artilharia verbal contra ele. Se perder, pelo contrário, contará com a suave benevolência dessa legião.

Às vezes parece mesmo que andamos de passo trocado: quem ganha perde, quem é derrotado acaba proclamado vencedor neste país que durante seis décadas celebrou um terceiro lugar como a maior proeza de sempre e que inventou o extraordinário conceito de “vitória moral”. O fracasso disfarçado de sucesso.

 

Eu troco todo o nosso fantástico acervo de vitórias morais, seja lá o que isso for, pela vitória real de amanhã.

Em França, contra os franceses.

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Queimando os últimos cautchus*

por João André, em 08.07.16

Analisando o jogo de ontem, aqui.

Prevendo o jogo de domingo, ali.

 

Vendo as asneiras acumuladas, e são muitas, certamente.

 

* - há quem saiba...

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Jogo, logo existo

por Ana Vidal, em 07.07.16

Alcançada a meta física, chega a hora da metafísica. É o momento grande dos filósofos da bola, um olimpo que não está ao meu alcance. Não deixa de ser uma arte, admito, dizer absolutas vulgaridades durante horas a fio com a pompa e a convicção de quem proclama verdades universais. E, mais sofisticado ainda, com um léxico que não lembraria ao mais hermético dos pessoanos.

 

Fico-me pelo básico, que é o que interessa: Viva Portugal! (ou devo dizer "Portugal allez"?). Só sei que nada sei, mas estou contente. Alguma coisa que nos corra bem.

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O espírito de Marcoussis

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.07.16

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 (foto Reuters)

Uma das coisas que as grandes competições desportivas têm de positivo é o de serem capazes de retirar os atletas, o público e os dirigentes do seu ambiente normal, transportando-os durante algumas semanas para um outro mundo, onde as picardias internas cedem o seu lugar à boa disposição, aos feitos desportivos, a imagens de extrema beleza, ao espírito de grupo que é criado em torno das respectivas selecções nacionais e, não raro, ao convívio e à confraternização com outros adeptos, com os quais em situações normais não se encontrariam. Salvo um ou outro caso pontual, o ambiente pouco saudável do dia-a-dia desportivo interno, feito de manchetes, mentiras e maus fígados é substituído por uma espécie de détente que se prolongará até ao final da competição e ao regresso dos jogadores às suas equipas para prepararem a nova época de competições.

Nenhum de nós pode neste momento dizer qual será o futuro da Selecção Nacional neste Euro 2016, nem com um mínimo de segurança prever quem sucederá à Espanha como campeão europeu. E, tirando um outro adepto mais estouvado e com ânsias de protagonismo, que sempre os há, parece-me ser relativamente consensual que a maioria dos apoiantes da Selecção em terras gaulesas tem-se portado bem, não criando, nem contribuindo para a sua criação, de situações de violência, por natureza alheias ao fenómeno desportivo e do qual devem ser bem separadas. 

Mas para além desse facto gostaria de aqui registar um outro e, ao mesmo tempo, deixar um repto. Refiro-me à forma calorosa como a Selecção e os jogadores têm sido apoiados, e em particular ao modo como os membros de algumas claques de clubes nacionais têm sido capazes de ultrapassar divergências para em conjunto darem o seu contributo no apoio à Selecção Nacional e a todos os seus jogadores. Para isso, também muito tem contribuído o espírito de união, boa disposição e sã camaradagem que os próprios jogadores e o seleccionador nacional se têm encarregado de fazer transpirar, ignorando as tradicionais rivalidades em prol do grupo e de um objectivo comum a todos. 

Gostaria, por isso mesmo, que este ambiente desanuviado pudesse, mesmo depois de finalizado o Euro 2016 e qualquer que venha a ser o resultado final, ser replicado durante as competições internas, isto é, campeonato nacional e taças. Estou certo que todos teríamos a ganhar desportivamente e em matéria de boa disposição.

Não me canso de ver o espírito, sentido de humor, civismo e respeito pelos adversários que irradia de alguns adeptos e das claques, organizadas ou não, de outras equipas. São muitas as imagens que já vimos e ainda mais os vídeos que se multiplicam nas redes sociais dando conta, por exemplo, do comportamento de irlandeses, galeses ou belgas, em que até os poucos excessos em que incorrem são objecto de imediata reparação. Não fossem as atitudes de alguns, poucos, hooligans ingleses, russos, polacos e alemães, no que será a meu ver mais um problema de cultura e civilização do que excesso de álcool, e teríamos tido um campeonato animado e sem casos.

Se as claques tradicionalmente desavindas dos principais clubes nacionais foram capazes de se unir em torno da Selecção Nacional, também seria bom que recolhendo essa experiência fossem capazes de fazê-lo na frente interna em prol de um desporto mais saudável e de uma competição mais equilibrada. Os líderes dessas claques já mostraram que é possível mudar e fazer diferente.

Seria bom que, de igual modo, os dirigentes se mostrassem à altura desse exemplo e que aproveitassem o "espírito de Marcoussis" para trazer alguma serenidade e sensatez ao futebol nacional que dentro em breve começará uma nova temporada. Se o pudessem começar a cultivar desde já, comparecendo juntos ao próximo jogo de Portugal contra o País de Gales, seria óptimo.

Mas se tal não for viável, então que os responsáveis dos principais clubes nacionais aproveitem para prepararem a nova época, começando por moderarem o discurso inflamado, temperarem os ataques directos e indirectos aos adversários de cada vez que têm um microfone ou uma câmara à frente, denunciarem os seus maus representantes em programas desportivos, transmitirem um módico de temperança para dentro das suas agremiações, evitando o falatório alienado, o discurso folclórico e desbragado e o insulto soez nas redes sociais. Contendo-se e contendo os seus subordinados, a começar pelos técnicos das respectivas equipas, convidando-os a falarem menos de assuntos extra-desportivos e do que se passa na casa dos outros, elevando o desporto e fazendo com que este seja um factor de apaziguamento da crispação dos últimos anos, para a qual, infelizmente, muito contribuíram alguns maus jornalistas, empresários desportivos e agentes políticos. Não se trata de uma qualquer lei da rolha ou de agora passarem todos a ser uns anjinhos, nada disso. A crítica, a competição, são essenciais ao desporto. Trata-se sim de encarar o futebol e a rivalidade entre equipas nacionais com outros olhos, ver a competição com outro sentido de lucidez.

Ter um Presidente da República que é adepto confesso do Braga, um Primeiro-Ministro do Benfica e um Presidente da Assembleia da República do Sporting pode não ser mau de todo. Outros serão adeptos do Porto, da Académica ou do Guimarães. Daí não vem mal ao mundo. A pluralidade é saudável. O que é preciso é ver o lado positivo das coisas, e aproveitar a oportunidade para limpar a casa e organizá-la. Se não der para sermos campeões, paciência. Melhores dias virão. Mas ao menos que Marcoussis sirva de inspiração para alguma coisa. Ainda vamos a tempo.

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Ó Pátria sente-se a voz

por José Navarro de Andrade, em 03.07.16

Foi necessário chegar ao 9º penalty para resolver a 2ª Final Autêntica do Euro 2016 entre a Itália e a Alemanha. A 1ª Final Autêntica fora o Itália-Espanha em que o campeão europeu em título acabou derrotado pela Itália. Compreende-se porque tanto demoraram agora os fados a encontrar um vencedor: primeiro porque ninguém merecia ter perdido, mas, sobretudo, porque cada um dos marcadores de penalties tremeu ao ver que tinha pela frente o melhor guarda-redes do mundo, fosse ele Neuer ou Buffon. De modo que 4 rematadores italianos, contra 3 alemães, cederam à responsabilidade cósmica que lhes apertava o coração – como moribundos hão-de ter revisto a vida diante dos olhos nos segundos em que corriam para a bola …
No assim chamado “tempo regulamentar” a titanomaquia ficou filosoficamente indecisa entre o realismo de Maquiavel dos italianos e o determinismo de Schopenhauer que motivava os alemães. Sucedeu isto porque, durante o jogo, os 21 algoritmos de calções que evoluíram em campo mostraram-se incapazes de falhar, mesmo quando o cansaço lhes tolhia os movimentos, provando que o binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo. O 22º jogador foi Buffon, que se comportou com o panache a grandeza de um doge veneziano, fiel depositário do ceptro recebido de Pirlo (o melhor meio campista de sempre da história do futebol) que por sua vez o herdara de Maldini (o melhor defesa esquerdo da história do futebol).
Agora na meia-final, em boa verdade a 3ª Final Autêntica, os alemães enfrentarão das duas uma: ou os anfitriões franceses que têm revelado pouquíssima vontade de serem mansamente cornudos – em futebolês, como é óbvio – como o original Anfitrião de Molière, ou o prolongamento da saga nórdica lavrada em runas de fogo pelos vulcânicos islandeses.
De qualquer modo tudo isto são péssimas notícias para a Pátria, a nossa. Portugal tem que ganhar com veemência e larga margem a Gales. Se fizer mais um daqueles jogos sofridos, manhoso como um lavrador beirão, sonso como uma tia de Cascais e entregue aos azares de uma biqueirada cega, sem estatísticas que ratifiquem a vitória, chegaremos à final como a mais negra e ronhosas das ovelhas de que haverá memória em torneios futebolísticos e seremos execrados por milhões em todo o mundo a rezarem pelo nosso justo esmagamento. Da pele do “orgulhosamente sós” nunca nos conseguimos livrar por completo, é verdade, mas é escusado encasquilharmo-nos ainda mais nela.

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O Europeu dos pequeninos

por João Campos, em 01.07.16

Ouvi muita gente dizer que um Europeu de Futebol alargado a mais equipas - com a qualificação a abrir portas a selecções que em circunstâncias normais (o que quer que isso signifique) não chegariam à fase final - iria tornar o torneio num "passeio" para as equipas maiores, que teriam pela frente adversários teoricamente mais fracos. Entretanto, desde que o Europeu começou vimos a Croácia a classificar-se em primeiro num grupo com a Espanha e a República Checa; Gales a ultrapassar a Espanha e a Rússia; a Islândia e a Hungria a empurrarem Portugal para o terceiro lugar do grupo que todos diziam ser o mais fácil. E a coisa não acabou aí: nos oitavos de final vimos a Islândia a eliminar a Inglaterra e - hoje mesmo - Gales a mandar a favorita Bélgica para casa (e, enfim, temos visto Portugal a tropeçar até à meia-final, uma proeza que parece desafiar vários princípios da física, da biologia e, enfim, da sorte em geral). Não sei o que pensam agora aqueles que diziam que as equipas pequenas enfraqueciam a competição; sei, sim, que tenho gostado mesmo muito de ver as equipas pequenas a fazerem jogos espantosos e a alcançarem resultados inimagináveis há um mês. 

 

(agora é torcer para que a Islândia, certamente a jogar contra duas equipas, consiga a proeza de eliminar a França.)

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Um dos melhores títulos do ano

por Pedro Correia, em 01.07.16

No hay Cristiano sin Quaresma

(Do jornal desportivo espanhol Marca)

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Análise: Portugal - Áustria

por João André, em 20.06.16

Também aqui.

 

Mais um jogo, mais uma oportunidade perdida de vencer. Portugal jogou melhor que contra a Islândia (parcialmente porque os austríacos jogaram mais abertos) e criou suficientes oportunidades, mas continuou a não conseguir concretizar. Cristiano Ronaldo perdeu diversas oportunidades mas, mais que aquelas que falhou, notou-se que não está ao seu melhor do ponto de vista físico. As mudanças de jogadores tiveram alguns pontos positivos mas talvez pudessem ter sido outras. Portugal acaba por ficar quase obrigado a vencer contra a Hungria (líder do grupo) para poder garantir o apuramento.

 

 

 

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Chamem os madeireiros

por João Campos, em 19.06.16

Diziam as más-línguas que a equipa enviada por Portugal ao Euro 2016 era a selecção do empresário Jorge Mendes. Nada mais falso. Como se viu por estes dois jogos, esta é antes a selecção da Portucel.

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Não me foi possível fazero comentário em directo ao jogo aqui. Deixo os comentários (bocas) que ia fazendo no meu Facebook (só a partir do intervalo), com o momento aproximado.

 

Intervalo: Digam à embaixada em Madrid que o cidadão Cristiano Ronaldo está desaparecido. Aquele em França é um impostor.
Ou então é da loja dos 300. Se virmos a etiqueta diz "Crostiano Ranoldo" ao lado de "Neki".

 

50' - Era para isto que se insistia no Quaresma?

70' - Estatisticamente o Ronaldo já devia ter mais golos de livres directos.

77' - Se o Ronaldo tivesse outro neurónio seria o melhor jogador de todos os tempos.

80' - Case in point...

81' - Acho que até o que tem meteu férias.

83' - Jogo fabuloso: André Gomes.
Jogo excelente: William Carvalho.
Jogo muito bom: Raphaël Guerreiro, Ricardo Carvalho.
Jogo bom: Rui Patrício e Nani.

Os outros... Enfim, de sofrível a mau.

88' - Rafa Silva a 2 minutos do final? Deve ser para queimar tempo.

89' - Olha o Éder. Os austríacos estavam de facto a precisar de mais um central.

94' - O João Moutinho deve ter feito um time share daquele espaço no meio campo. E o Fernando Santos é o agente.

 

Fim do jogo - Isto é tudo estratégia. Ganhar o grupo dá Bélgica. Segundo dá Gales ou Eslováquia. "Tou-te a topar..."

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Conclusão

por Sérgio de Almeida Correia, em 18.06.16

O Fernando Santos só vê jogos amigáveis no Estádio da Luz. Os jogos a sério vê no Record e na Porta 10A.

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Análise: Portugal - Islândia

por João André, em 15.06.16

Mais comentários ao Europeu aqui.

 

O jogo de ontem fez-me lembrar frequentemente o único outro que vi até agora de princípio ao fim: o Bélgica-Itália.

 

Uma selecção apresentou-se como equipa, com o seu melhor jogador a não ser mais que uma peça extra e apenas mais um homem no sistema. A outra apresentou-se como uma colecção de indivíduos em que um deles é visto como superior aos outros. A diferença em relação ao outro jogo é que as peças individuais do onze que se apresentou como equipa não têm a mesma qualidade. Por isso o jogo terminou com um empate em vez de uma vitória da equipa em vez da colecção de indivíduos.

 

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Só somos eufóricos frente à TV

por Pedro Correia, em 14.06.16

Portugal estreou-se a empatar no Campeonato da Europa frente à modesta selecção da Islândia, um país com apenas 320 mil habitantes. Mas não é de futebol que vos quero falar: é do comportamento dos portugueses. Achei chocante o contraste entre a ruidosa euforia antes do jogo, perante as câmara televisivas, e depois do jogo, à frente das mesmas câmaras, e o pesado silêncio que se abateu sobre as bancadas durante todo o encontro.
Os jornalistas fartaram-se de repetir até à rouquidão que até parecia estarmos a "jogar em casa", mas ninguém deu por isso tal era o gelo emanado dos nossos compatriotas no estádio de Saint-Étiènne.

Ao ver aquilo, questionei-me: afinal vão ao futebol para quê?

Tudo em flagrante contraste com as escassas dúzias de islandeses, que fizeram a festa e deitaram os foguetes do princípio ao fim, apoiando uma das selecções mais modestas da Europa. Empataram, mas se tivessem perdido continuariam a festejar à mesma.

Até parece que os latinos são eles e não nós.

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Fartinho, fartinho

por João Campos, em 14.06.16

À hora a que escrevo estamos a pouco mais de cinco horas do jogo de Portugal contra a Islândia no Euro 2016, e eu já estou fartinho, fartinho de ouvir falar na selecção.

Pergunto-me se nos outros países (na Islândia, por exemplo) também é assim: o patriotismo alarve, tão ruidoso como inconsequente; os directos televisivos inanes, mal preparados (há pouco, enquanto almoçava, ouvi uma jornalista dizer que a selecção islandesa "estreava-se pela primeira vez num Europeu"), a entrar em restaurantes e talhos e salões de cabeleireiras para mostrar coisa nenhuma, a "entrevistar" quem nada tem para dizer (porque não há nada para dizer!), a ocupar tempo de antena com barulho que disfarça o vazio absoluto. A comunicação social a embandeirar em arco quem, afinal, nunca ganhou coisa alguma. Que comece rápido, e que acabe depressa. 

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Trocadilho fácil.

por Luís Menezes Leitão, em 02.06.16

Depois desta notícia, temos a certeza que no próximo ano Rui Vitória vai ser um verdadeiro Deus no campeonato, já que vai estar entre o Jesus e o Espírito Santo.

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O momento decisivo

por Pedro Correia, em 29.05.16

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Outros dirão, naquele jargão cultivado com tanto esmero pelos especialistas da bola, que Ronaldo "passou ao lado de uma grande partida" e "estava lá mas era como se não estivesse".

Não acreditem.

Ontem à noite, na final da Liga dos Campeões disputada em Milão entre as duas potências futebolísticas de Madrid seguida com calor e paixão nos recantos mais recônditos do planeta, o português guardou-se para o momento decisivo - aquele em que tudo se desenrola em fracções de segundos, aquele em que se comprova com inequívoco rigor quem tem fibra de campeão, aquele em que mais se exige perícia técnica servida por nervos de aço. O momento do penálti que decide um destino, que traça a linha separadora da exígua fronteira entre o sucesso e o fracasso: quem não a transpõe é humilhado na praça pública por multidões de adeptos inconformados, quem a ultrapassa ascende mais um patamar no panteão reservado aos escassos heróis contemporâneos com dimensão global.

Nesse momento decisivo ele estava lá.

Fixou a baliza adversária como se nada mais houvesse para mirar no mundo, tomou balanço, trotou resoluto para a bola e desferiu o golpe fatal com toda a convicção da sua força mental comandando a arte incomparável do seu pé direito. 

Ainda antes de centenas de milhões de gargantas gritarem a mágica palavra golo, já ela se havia tornado realidade na mente daquele homem que foi um pobre menino das ladeiras do Funchal e soube torcer as voltas à vida, construindo uma carreira milionária a pulso. A inevitável inveja alheia só lhe confere motivação acrescida. Porque ele parte sempre à conquista de um novo troféu como se fosse o primeiro que ganha.

É isto que conta: nunca falhar no momento decisivo. Quem ignora que o futebol é uma metáfora do percurso humano tem muito a aprender com Cristiano Ronaldo.

 

Também aqui

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E se fosse consigo?

por Rui Rocha, em 23.05.16

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O suave milagre

por Ana Vidal, em 16.05.16

Eu sei, sou um ET. Não percebo patavina de futebol. O clubismo, para mim, é um absoluto mistério. Nunca consegui entender (e não me considero completamente idiota) o que possa ser esse conceito metafísico que tem por nome "fora de jogo". As imagens pós-jogo dos balneários são qualquer coisa entre um documentário sobre o paleolítico e um filme mexicano de série C.


Mas uma coisa sei, e de uma coisa gosto no futebol: é talvez o único acontecimento colectivo em que, sob a mesma emoção, seja ela a euforia ou o desgosto inconsolável, um nobre dos quatro costados é rigorosamente igual a um calceteiro ou um estivador. Não há diferenças, são irmãos de sangue e esse sangue tem exactamente a mesma cor: a cor do seu clube.

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Bom dia

por Sérgio de Almeida Correia, em 16.05.16

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Enquanto uns atiram bojardas aos pontapés, outros ganham títulos com a cabeça.

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Ilusão (ou o que quiserem)

por António Manuel Venda, em 10.05.16

Vendo as imagens, por vezes parece que José Mourinho canta no título de Claudio Ranieri e do Leicester.

 

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A vitória do Leicester é uma lição extraordinária sobre o sentido da própria existência. Na vida, quando persegues os teus sonhos, quando acreditas que é possível, quando dás tudo o que tens, quando estás disposto a sofrer e a sacrificar-te em nome de um objectivo maior, o mais provável é que tenhas uma enorme decepção. Foi exactamente isso o que aconteceu ao Tottenham.

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Profetas da nossa terra (70)

por Pedro Correia, em 02.05.16

«Sosseguem, benfiquistas, o FC Porto vai travar o Sporting.»

Miguel Sousa Tavares, 26 de Abril de 2016

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Futebol na parede

por Pedro Correia, em 29.04.16

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Lisboa, Liceu D. Filipa de Lencastre

 

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O visionário nos ombros de gigantes

por João André, em 25.03.16

Um comentário à vida de Johan Cruijff. Para ser lido aqui.

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Em grande

por Sérgio de Almeida Correia, em 18.03.16

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"A vitória da equipa comandada por Paulo Fonseca, aliada ao triunfo do Benfica em São Petersburgo diante do Zenit, permitiram ao futebol português recuperar o quinto lugar com que tinha iniciado esta temporada. (...) Caso o contigente luso mantenha o quinto lugar no ranking da UEFA, há a possibilidade do terceiro classificado do campeonato português garantir a presença dire[c]ta no 'play-off' de acesso à Liga dos Campeões na época 2017/2018 (...)" - aqui, no Sapo Desporto 

 

Ganha o Braga, ganham todos. E o Presidente da República continua a sorrir.

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Anões

por Sérgio de Almeida Correia, em 10.03.16

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 (A Bola)

 

"Sou portista. Apesar de ser português, não me interessa até onde o Benfica pode chegar na Liga dos Campeões"

 

André Villas-Boas, treinador de uma equipa milionária, exibindo o seu fair play depois de ter levado uma lição de futebol em São Petesburgo e de ter visto o Benfica aumentar o pecúlio de pontos das equipas nacionais no ranking da UEFA, garantindo a presença de SEIS (6) equipas portuguesas nas competições europeias, na edição 2017/2018.

 

 

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