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A ementa

por José António Abreu, em 10.04.15

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A pedido do Pedro Correia.

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Jornalista durante duas horas

por José António Abreu, em 09.04.15

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Rui Moreira surge apenas para almoçar e é mais alto do que parece na TV. José Alberto Carvalho está na plateia desde o início e é mais baixo do que parece na TV. Na mesa, Nuno Garoupa afiança que «o Porto é o início desta saída de Lisboa», Pedro Magalhães fala no «lado escuro e no lado claro da tecnologia» e David Lopes debruça-se sobre uma das frases expostas nas paredes (Login, logo existo?) enquanto ao seu lado, muito adequadamente, os outros dois usam os smartphones pousados sobre a mesa. No que me diz respeito, não sei bem o que estou aqui a fazer.

 

A culpa é do Pedro Correia. Contactado para saber se o Delito gostaria de estar presente na conferência de imprensa de apresentação do quarto encontro da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), a realizar no Porto no dia 12 de Junho, perguntou-me se estaria disposto a ir. Nos breves e inconsequentes devaneios que em adolescente tive com a profissão de jornalista entravam mais visões de Cary Grant em His Girl Friday (e de súbito apetece-me falar sobre Rosalind Russell mas vou resistir ou não escrevo mais nada sobre a conferência) e de Robert Redford em Os Homens do Presidente (também havia Dustin Hoffman mas eu identificava-me mais com o gajo giro) do que de almas penadas, precárias e mal pagas sentadas em cadeiras desconfortáveis recolhendo informação previamente formatada para lhes evitar esforços cerebrais e – mais inconveniente – assomos de curiosidade. Ainda assim, respondi-lhe que iria. Afinal, respeito o trabalho e as ideias de Nuno Garoupa, de quem li O Governo da Justiça, e de Pedro Magalhães, que costumava ler no Margens de Erro (notícia em primeira mão: ele promete reactivá-lo antes das legislativas). Além disso, haveria almoço.

 

E lá fui então hoje assistir à conferência de imprensa na Casa da Música, no preciso dia em que se iniciam as comemorações dos seus dez anos de actividade (uma «feliz coincidência», segundo David Lopes, da Comissão Executiva da FFMS). O tema do Quarto Encontro da Fundação (o primeiro fora de Lisboa – daí a frase de Garoupa) é: Admirável Mundo Novo: o Futuro Chegou Cedo Demais? Como seria de esperar, no pequeno auditório do espaço CiberMúsica (ciber, estão a ver? Tudo é pensado ao mínimo detalhe) houve referências a Aldous Huxley, que, graças a tecnologias outrora impensáveis mas hoje banais, surgiu mesmo no ecrã (evidentemente, havia um ecrã), no excerto de uma entrevista de 1958. Infelizmente (até a tecnologia comprovada tende a falhar nos momentos mais inconvenientes), a qualidade sonora correspondia mais a uma entrevista efectuada nos tempos da grafonola, quase nada se entendendo, mas Pedro Magalhães prometeu que os problemas estarão resolvidos no encontro, a realizar na maior e – todos o sabem – acusticamente perfeita sala Suggia. Por sorte ou competência (em Portugal, costuma ser a primeira; neste caso, é possível que seja a segunda), na documentação em papel (esse meio obsoleto) a frase lê-se sem problemas e até se encontra traduzida: O que eu acho é que não devemos ser apanhados de surpresa pelo avanço da nossa tecnologia. Isto aconteceu vezes sem conta na História com o avanço tecnológico, que por sua vez muda as condições sociais, e de repente as pessoas encontram-se em situações que não anteciparam e a fazer todo tipo de coisas que, afinal, nunca quiseram fazer. Ou seja, por muito que eu ande para aqui a divagar, o tema é sério e actual. Genericamente, o encontro será constituído por quatro blocos, versando sobre:

- A «pegada digital» que deixamos online, as questões dos comportamentos e da privacidade;

- As consequências das evoluções tecnológicas nas áreas da bioengenharia, da cibernética, da inteligência artificial e da sensorização da realidade;

- Os efeitos na sociedade (e, desde logo, no mercado de trabalho) das mudanças na produção de bens e serviços decorrentes de avanços nos sistemas de informação, na automação e na impressão 3D;

- As implicações das novas tecnologias na cidadania e nos sistemas políticos.

Entre os participantes, contam-se pessoas como David Brin (autor, entre outros, dos livros The Transparent Society e The Postman – o qual, na transposição para o cinema, permitiu novo tour de force a Kevin Costner, sem dúvida um dos melhores actores inexpressivos da história de Hollywood), Evgeny Morozov (redactor da New Republic e autor de livros como To Save Everything Click Here: The Folly of Technological Solutionism), Tyler Cowen (economista, colaborador dos principais jornais americanos e autor do blogue Marginal Revolution), Bruce Sterling (crítico, colaborador da Wired e autor de vários livros, entre os quais alguns dos mais importantes romances de ficção científica das últimas décadas) e, suponho que para demonstrar que a tecnologia não é tema exclusivo do género masculino, cinco – ou seis, que falta anunciar um nome – mulheres (em vinte participantes). Por exemplo, Ellen Jorgenson, directora executiva do Genspace, um laboratório dedicado à promoção da ciência e do acesso dos cidadãos à biotecnologia (aqui numa Ted Talk, apresentando o Genspace). Quem estiver interessado («não é cedo demais para marcar lugar no futuro», alertou David Lopes, usando mais uma das frases publicitárias) pode consultar o programa no site oficial. A inscrição custa 15 euros mas inclui almoço, servido no parque de estacionamento subterrâneo da Casa da Música (Lopes garante que a tecnologia o transformará num local onde os comensais poderão sentir-se na serra ou em frente ao mar mas eu, que conheço o local e também já estive em serras e junto ao mar, permaneço céptico). Extra programa, será possivel assistir à gravação da emissão da semana do Governo Sombra. Quem não quiser – ou não puder – estar presente poderá seguir as intervenções via streaming e a TVI24 providenciará ampla cobertura, sendo José Alberto Carvalho uma espécie de «mestre de cerimónias» do encontro (novamente, David Lopes dixit). 

 

E pronto. Acho que é tudo. Ah, não, também por lá encontrei colaboradores de outros blogues. São detestáveis. Mas o almoço estava óptimo.

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