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Jornalismo ZEN.

por Luís Menezes Leitão, em 03.07.17

Confesso que não tenho paciência nenhuma para assistir a políticos travestidos de comentadores. O comentário pressupõe distanciamento sobre o que se comenta, o que alguém envolvido no combate político manifestamente não tem. Mas em Portugal entrou na moda os políticos com ar mais senatorial vestirem o fato de comentadores. Foi assim sucessivamente com Marcelo Rebelo de Sousa, António Vitorino, José Sócrates, Marques Mendes, Santana Lopes e Francisco Louçã. Claro que os mesmos pretendem convencer-nos de que a sua carreira política terminou, e que por isso estão à vontade para comentar, mas tal é completamente falso. Marcelo Rebelo de Sousa construiu laboriosamente a sua campanha presidencial na televisão e José Sócrates, se o tivessem deixado, também o teria feito.

 

Mas o que me choca mais não são esses espaços de verdadeira propaganda política, que as televisões permitem, e que já se sabe que esses políticos aproveitarão no seu próprio interesse. O que me preocupa é a figura do jornalista ali presente que, ou faz de ponto, ou assiste passivamente a autênticas manipulações sem fazer a mínima correcção ou esclarecimento ou sequer uma simples pergunta. Com a honrosa excepção de José Rodrigues dos Santos, que muita polémica deu, os jornalistas alinham pacificamente nestas verdadeiras operações de propaganda.

 

Vem isto a propósito do momento ZEN de Francisco Louçã, em que ele resolveu comparar as questões de Assunção Cristas no parlamento sobre o combate aos fogos com declarações anteriores da mesma de que, como pessoa de fé, aguardaria pela chuva. O problema é que essas declarações de Assunção Cristas, proferidas em 21 de Fevereiro de 2012, eram relativas à seca e não aos fogos, que não se verificam no pico do Inverno. Quem referiu que a chuva poderia combater os fogos foi Catarina Martins, mas sobre ela obviamente que Louçã não abre a boca.

 

Não me espanta nada que Louçã use o seu espaço televisivo para operações de manipulação, uma vez que nunca esperei dele outra coisa. O que me espanta é que esteja uma jornalista presente a permitir esta operação sem um único comentário ou questão ao entrevistado. É com este tipo de jornalismo ZEN que a comunicação social vai perdendo credibilidade.

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 26.08.16

«As coisas correram pessimamente ao Governo durante o mês de Agosto. Pelo caso da GALP e pela forma muito amadora como pareceu ser tratada a escolha da administração da Caixa Geral de Depósitos e depois a sugestão de uma proposta de lei para favorecer pessoas especificamente - isso é uma coisa que não se faz. (...) A economia está estagnada. (...) Era preciso haver melhores notícias para os salários, para as pessoas, para o investimento, para o emprego.»

Francisco Louçã, na SIC Notícias

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Profetas da nossa terra (71)

por Pedro Correia, em 21.07.16

«Acho que Marcelo Rebelo de Sousa já desistiu de ser Presidente da República.»

Francisco Louçã, Março de 2003

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Frases de 2016 (19)

por Pedro Correia, em 26.02.16

«Não é possivel ter democracia com liberdade de circulação de capitais.»

Francisco Louçã

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Sobre o manifesto (9)

por Pedro Correia, em 24.03.14

- O que acha do manifesto dos 70, que agora são 74 ou 75, fora os 74 estrangeiros?

- Há que falar verdade: sou contra a reestruturação da dívida.

- Porquê?

- Se queremos ser economicamente independentes, então temos de nos conter dentro dos limites do que podemos pagar.

- Mas devemos ser nós a mandar no nosso País!

- Quem manda é quem paga e nós não mandamos nada. Este foi um princípio por que sempre me guiei. Até na educação dos meus filhos. E pode crer: a situação não se resolve em dois ou três anos. Para se chegar a bom termo, para que estes sacrifícios valham a pena, é preciso que não sejam desperdiçados em manobras políticas talvez convenientes mas intoleráveis.

- Muitos de nós temos a esperança de que os nossos credores acabem por perdoar uma parte substancial da dívida pública portuguesa.

- Que não se criem ilusões, porque nada pior do que expectativas frustradas que alimentam a revolta.

 - O dinheiro há-de vir sempre de algum lado...

- Nós estamos em ruptura financeira e quem o encobrir não está a falar verdade aos portugueses.

- Mas...

- E digo mais: tudo será inútil se, na ânsia de falsos louros, ao primeiro sinal positivo se recuar no rumo traçado.

- No entanto Francisco Louçã diz que...

- Louçã? Imagina-o eleito primeiro-ministro? Eu não quero imaginá-lo nessas funções.

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Ex-Bloco

por Gui Abreu de Lima, em 18.04.13

"As pessoas quando passam pelo Governo seguram a carteira."

 

Francisco Louçã, TVi24

(há minutos, sobre as medidas que nos esperam)

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Vamos brincar à demagogiazinha

por Pedro Correia, em 10.11.12

Não sei se havia pobres na convenção do Bloco de Esquerda que hoje elegeu uma liderança bicéfala (ou paritária, em politiquês correcto). Mas, segundo os relatos da imprensa, não faltaram vaias à presidente do Banco Alimentar contra a Fome, um dos organismos que mais tem socorrido os pobres em Portugal - não com palavras mas com actos concretos, generosos, solidários. Os verdadeiros pobres, os de carne e osso - não os pobres dos discursos destinados a aliviar boas consciências e a desempoeirar a ideologia - sabem a que porta hão-de bater quando precisam. E o Banco Alimentar contra a Fome é uma delas.

"Sei que nos chamam radicais por querermos correr com a 'troika' desde o dia zero. E agora quando vemos uma senhora do movimento nacional feminino [Isabel Jonet] a brincar à caridadezinha o que lhe vão chamar?", disse Francisco Louçã na sua última intervenção como líder do Bloco, numa das tiradas mais demagógicas que alguma vez lhe ouvi e em nada condizente com o seu recente discurso de renúncia como deputado à Assembleia da República.

É demasiado fácil, para um político tão bem-falante como Louçã, fazer demagogia com alguém que não se distingue pelo dom da palavra mas pela dádiva do seu exemplo. Seis minutos de declarações inábeis, num debate em directo na televisão, não podem apagar 20 anos de serviço à causa pública. "Aproveitar onde sobra para distribuir onde falta" num país onde um quinto da população vive abaixo do rendimento mínimo é o lema do Banco Alimentar, distinguido em 2005 - por unanimidade - com o Prémio Direitos Humanos da Assembleia da República.

Nessa altura, não consta que Louçã e os seus pares tivessem assobiado Isabel Jonet.

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A elegante despedida de Louçã

por Pedro Correia, em 25.10.12

Acompanhei o percurso de Francisco Louçã desde os primeiros passos que deu como deputado, era eu repórter parlamentar, e bem cedo percebi que estava perante um político que marcaria as legislaturas seguintes. Assim foi. O coordenador do Bloco de Esquerda, que em breve cessará estas funções, distinguiu-se como uma das vozes mais qualificadas da Assembleia da República, adversário temível de cinco primeiros-ministros (de António Guterres a Pedro Passos Coelho) e um hábil cultor do verbo parlamentar ao longo de 1012 intervenções - ao nível dos melhores tribunos que já desfilaram pelo púlpito de São Bento. Não é necessário ser simpatizante do BE para reconhecer esta evidência.

Treze anos depois da estreia, Louçã decidiu hoje pôr termo à sua vida parlamentar com uma inesperada declaração aos jornalistas, no estilo contundente a que nos habituou mas com um traço de emoção que costuma estar ausente das suas intervenções públicas.

"Quero deixar cristalinamente claro, sobretudo hoje, que não cedo em nenhum momento, nem um milímetro que seja, a qualquer populismo antiparlamentar. E por isso quero afirmar-vos a minha verdade: encontrei neste parlamento homens e mulheres extraordinários, adversários extraordinários. E eu respeito os meus adversários que são fiéis ao seu programa e ao mandato pelo qual foram eleitos. Por isso mesmo reafirmo convictamente que quem quer beneficiar do populismo que grasse na sociedade para ter algumas vantagens terá sempre a minha frontal oposição. É um crime antidemocrático deixar diminuir ou deixar corroer o pluralismo político - e nunca podem contar comigo para isso", afirmou.

Palavras importantes. Por expressarem uma confiança inabalável na instituição parlamentar e uma recusa intransigente da demagogia rasteira que ameaça minar a democracia representativa nos mais diversos recantos da Europa, já tão esquecida das lições das duas grandes guerras.

Não sei se o Louçã de 1999 teria falado assim. Mas é importante que o Louçã de 2012 se pronuncie desta forma no momento em que se despede do Parlamento, renunciando às funções de deputado para que foi cinco vezes eleito. Com palavras de apreço pelos adversários num momento em que faltam gestos de civilidade na crispada política portuguesa. Palavras que deviam generalizar-se, agora e sempre, contra o espírito de trincheira que nos impede de reconhecer mérito a quantos não pensam como nós.

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Análise.

por Luís M. Jorge, em 07.05.12

Tó Zé Seguro venceu em França, e Francisco Louçã obteve um excelente resultado na Grécia.

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Louçã inova...

por Helena Sacadura Cabral, em 08.04.12

O coordenador do BE, Francisco Louçã, exigiu ontem eleições legislativas antecipadas caso o País venha a precisar de um “novo empréstimo” externo.

 

De facto eleições seriam o que mais precisaríamos no momento....

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Será que Louçã é povo?!

por Helena Sacadura Cabral, em 17.03.12

“Da Lusoponte às incompatibilidades, aos favorecimentos, às privatizações, a todos os negócios, o povo perde sempre” , disse Francisco Louçã.

Mas será que Francisco Louçã, primo do Ministro das Finanças, Vitor Gaspar, é povo?!

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Louçã, o Rei Momo de 2012

por Rui Rocha, em 05.02.12

A tradição já não é o que era. Já se sabia. Agora o que não se esperava é que Jardim, candidato natural a rei de todos os carnavais, fosse destronado no Entrudo de 2012 por Francisco Louçã. Todavia, esta frase permite entronizá-lo como Rei Momo indiscutível dos carnavais deste ano:  “A existência de uma tolerância de ponto, de um dia em que não se trabalha no Carnaval, é um direito das pessoas, não é um baile, é um direito das pessoas fazerem o que querem, é um dia em que não são obrigadas a trabalhar de graça pela força do Governo”. Não se trata do acto revolucionário de exigir o respeito pelos direitos adquiridos. Não. Agora entramos numa fase mais avançada da luta. A do respeito pelas tolerâncias adquiridas. A tolerância é um direito. Se tudo correr bem, a expectativa, mesmo a mais carecida de protecção, vai tornar-se um dia um direito potestativo. No mínimo, será protestativo. Saliente-se, entretanto, que o Carnaval não é um baile. Registado. Não sei bem o que será. Mas, qualquer mente progressista, com um lenço tipo Arafat ao pescoço, estará em condições de afirmar que é uma manifestação cultural. O Estado paga 50.000.000 por ano para subsidiar filmes que são vistos por 2.000 pessoas? Então o Carnaval, cultural como só ele, também deve ser subsidiado. Para quê? Para investir em carros alegóricos, pagar aos cabeçudos e dar umas mamas novas (que não sejam PIP) às gajas despidas que vão nos cortejos a bater o dente. Mas, a vertigem destrambelhada continua:  o Carnaval é um dia para as pessoas fazerem o que querem. Por exemplo, Louçã quer armar-se em patarata com pose e pretensão moralista. Pode. É Carnaval. Ninguém leva a mal. O problema não está no que faz nesse dia, mas no que diz ao longo do resto do ano. Entretanto, para o final está reservado o melhor: as pessoas são obrigadas a trabalhar de graça pelo Governo. Claro que alguém que não pretenda andar disfarçado de palhaço responderá que as pessoas têm um salário mensal. E que, se é assim, cada uma delas que vai ao Carnaval está a obrigar quem lhes paga a que o faça sem a contrapartida natural: o trabalho. Aliás, como o David Levy refere, por cada dia de tolerância, o Estado paga 700.000 dias de salário para nada receber em troca. 700.000 dias de salário para financiar o Carnaval de Ovar, de Loulé, do Funchal e do CaraçasMaisVelho. A menos que me queiram convencer que 1 dia de trabalho de 700.000 funcionários públicos não tem utilidade, a conta sai baratinha. Ainda veremos alguém decretar Carnaval todo o ano para estimular a economia. Ou me engano muito, ou será Louçã. 

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Bloco: é hora de virar a página

por Pedro Correia, em 22.06.11

 

O Bloco de Esquerda foi arrasado nestas legislativas: perdeu metade do grupo parlamentar - incluindo o líder da bancada, José Manuel Pureza - e metade dos votos expressos na eleição de 2009. Deveria ser motivo para uma análise exaustiva das causas que levaram ao fracasso de uma força eleitoral em que tantos viam um factor fundamental de renovação da esquerda portuguesa. E não faltam vozes a reclamar esse debate, incluindo as do Daniel Oliveira e da Joana Amaral Dias. Hoje, em entrevista ao i, Miguel Portas deu um passo em frente, admitindo que "o tempo dos fundadores [do BE] enquanto dirigentes de primeira linha está esgotado".

Estranhamente, porém, a direcção do Bloco resiste em fazer uma autocrítica à altura dos acontecimentos - como se a esmagadora maioria dos dirigentes do partido se conformasse com esta hecatombe eleitoral, como se ela se inscrevesse na ordem natural das coisas, parecendo fora de hipótese a convocação de uma convenção extraordinária, sob o caricato pretexto de que ocorreu uma há poucas semanas. Como se as reuniões extraordinárias não devessem acontecer precisamente quando se produzem circunstâncias extraordinárias e como se o pano de fundo político em que ocorreu a convenção anterior não se tivesse alterado substancialmente.

O BE enfrenta um dilema estratégico que terá de solucionar a curto prazo. Sem implantação autárquica, com escassas ramificações no mundo sindical, tendo visto esgotada a agenda de "costumes" que utilizou para agitar a sociedade portuguesa na última década, tem agora de responder seriamente à seguinte pergunta: pretende contribuir ou não para uma alternativa de governo em Portugal?

 

Nos últimos meses, como aqui oportunamente assinalei, o BE cometeu erros lapidares. Que devem ser dissecados sem ambiguidade de qualquer espécie.

Eis os principais:

- Abdicou de uma candidatura própria à Presidência da República, apostando tudo em Manuel Alegre com o objectivo óbvio de dividir os socialistas. Falhou estrondosamente nesta estratégia.

- Para tentar corrigir o erro anterior, cometeu outro: mal os votos das presidenciais tinham sido contabilizados, avançou com uma moção de censura ao governo socialista na Assembleia da República. Tudo soava a falso nesta moção: semanas antes, bloquistas e socialistas tinham descido juntos o Chiado no apoio a Alegre. Chamei-lhe, logo na altura, o maior tiro de pólvora seca do ano político português. Creio não me ter enganado.

- Fracassada a aposta presidencial e votada à irrelevância a moção de censura, o Bloco ensaiou nova fuga em frente copiando a intransigência do PCP quando Portugal recebeu a delegação da União Europeia, do Banco Central Europeu e do FMI. Os comunistas recusaram uma audiência com esta delegação e os bloquistas adoptaram a mesmíssima atitude, sem sequer uma divergência de pormenor. Em clara dissonância com boa parte do seu eleitorado, que não se confunde - nem nunca se confundiu - com o do PCP. "A última coisa de que o sistema português precisa é de um segundo partido comunista", escrevi aqui a 27 de Abril, criticando a posição do Bloco. Louçã demorou quase dois meses a reconhecer o erro. Miguel Portas, na excelente entrevista concedida ao Nuno Ramos de Almeida, vai hoje mais longe, apontando na direcção correcta: "A nossa decisão foi culturalmente arrogante e sobrestimou a capacidade de indignação da sociedade portuguesa e subestimou o medo em que a sociedade mergulhou com os níveis de desemprego e insegurança que a atingiram."

 

O Bloco não pode cometer o erro dos partidos tradicionais, que se fecham sobre si mesmos nos momentos do desaire. O aparelho bloquista, numa reacção instintiva, recusa debater com a profundidade que a situação exige a derrocada eleitoral do dia 5. Mas há um problema de fundo que o BE tem de resolver: ou se contenta em ser uma cópia do PCP, o que o condena à extinção a curto prazo, ou se assume como parceiro de soluções governativas à esquerda, o que implica fatalmente um diálogo com o PS. Esta tem vindo a ser a solução defendida por uma corrente de opinião minoritária do Bloco e ficou notavelmente expressa num texto de Rui Tavares divulgado no Público, a 7 de Junho, sob o título Período de reflexão. Tavares, veterano compagnon de route do BE, acaba de romper com o partido que representava até agora no Parlamento Europeu, como deputado independente. Isto não invalida - antes reforça - o interesse pela leitura daquele artigo. Aconselho que o leiam: merece reflexão de todos quantos se interessam por política, seja qual for o quadrante em que se situam.

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Legislativas (22)

por Pedro Correia, em 06.06.11

 

A DESCER

 

José Sócrates. Os portugueses fartaram-se de José Sócrates, das suas contínuas promessas por cumprir, do défice monstruoso, dos 700 mil desempregados, da pesada herança que deixa ao sucessor no palácio de São Bento. Esta legislativa, como era de antever, funcionou como um plebiscito ao homem que encabeçava o Governo desde 2005. O veredicto das urnas foi claro: o pior resultado do PS dos últimos 24 anos. Deixando sem margem de manobra o homem que ainda há bem pouco tinha recebido uma votação esmagadora no mais inútil e mais patético dos congressos do seu partido.

 

Francisco Louçã. Dir-se-ia que estas eleições seriam ideais para capitalizar os votos de descontentamento no Bloco de Esquerda. Nada disso aconteceu: os bloquistas sofrem uma pesada derrota que os faz reduzir para metade o grupo parlamentar eleito em 2009. Consequência directa dos clamorosos erros estratégicos do Bloco que foram sendo cometidos nos últimos meses e que mereceram aqui diversas críticas. O erro principal foi a tentativa de copiar o Partido Comunista, esgotando-se numa força de mera oposição, sem propor qualquer solução governativa. Louçã é o rosto da derrota eleitoral do BE.

 

Ferro Rodrigues. Regressado de Paris, foi o maior trunfo de Sócrates na elaboração das listas eleitorais. Cabeça-de-lista do partido da rosa, teve um discurso errático durante a campanha, em que destacou como um dos principais defensores de uma solução de bloco central - repetindo, aliás, um apelo que já fizera em 2009. Conduziu o partido a uma pesada derrota na capital, frente ao PSD encabeçado por Fernando Nobre, e perde assim margem de manobra para influenciar um cenário de sucessão nas hostes socialistas.

 

Participação eleitoral. Apesar da profunda crise em que o País mergulhou, com um cenário iminente de bancarrota, demasiados eleitores portugueses continuam divorciados das urnas. Estas foram, aliás, as legislativas menos participadas em quase quatro décadas de regime democrático: 41% dos inscritos recusaram votar. Esta questão faz suscitar outra, cada vez mais premente, sobre a profunda desactualização dos cadernos eleitorais. A percentagem oficial corresponderá à percentagem real?

 

Sondagens. Foi vergonhosa a tentativa de manipulação dos eleitores através de sucessivas sondagens que apontavam para "empates técnicos". Nunca houve tantas sondagens numa campanha e nunca as sondagens falharam tanto. Os resultados das urnas demonstraram que não podia haver situações de efectivo empate técnico a tão poucos dias do exercício do voto. Aqui está um tema de urgente reflexão por parte dos responsáveis das empresas de sondagens e por parte dos responsáveis editoriais que as divulgam.

 

Pequenos partidos. Alternativas? Que alternativas? Os pequenos partidos continuam sem mobilizar os portugueses. Não há justificação para que muitos deles, que nunca conseguiram eleger ninguém ao longo de sucessivas eleições legislativas e autárquicas, continuem a receber apoios do Estado, nomeadamente na realização de tempos de antena eleitorais. A lei deve ser revista nesta matéria fazendo depender esses apoios de números mínimos de votos obtidos nas urnas.

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Pequenos gestos

por Pedro Correia, em 05.06.11

José Sócrates e Paulo Portas saudaram publicamente o vencedor da noite, Pedro Passos Coelho. Outros dois líderes partidários, Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa, não o fizeram - pelo menos que eu tivesse ouvido em directo nas televisões. Há pequenos gestos que dizem muito sobre o espírito democrático dos políticos e sobre a forma como encaram o veredicto popular expresso nas urnas.

 

ADENDA: Leitor atento avisa-me, nesta caixa de comentários, que Louçã também dirigiu palavras de parabéns ao vencedor. Fica feita a rectificação.

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Avivar a memória (2)

por Pedro Correia, em 03.06.11

 

O que escrevi sobre Francisco Louçã:

 

13 de Agosto de 2009: «[É] um dirigente político que nunca foge da polémica. Concorde-se ou não com o que defende, há um mérito que lhe deve ser reconhecido: nunca se refugia nas meias palavras nem nas meias-tintas. Um atributo cada vez mais raro na cena política portuguesa.»

 

11 de Fevereiro de 2011: «A segunda - e decisiva - estocada foi dada ontem [a Manuel Alegre] por Francisco Louçã ao anunciar no Parlamento a primeira moção de censura pós-presidenciais ao Governo socialista, deitando por terra toda a estratégia de convergência das esquerdas que Alegre tentara construir nos últimos dois anos como plataforma para a sua candidatura presidencial. Por mero tacticismo político.»

 

12 de Maio de 2011: «Bloco e PCP convergem hoje no essencial: são do contra. Contra o Governo socialista, contra a alternativa à direita, contra a intervenção do FMI em Portugal, contra o memorando de entendimento com a União Europeia, contra o programa de privatizações, contra o pagamento da dívida pública sem uma renegociação imediata.»

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Efeito do debate?

por José Maria Gui Pimentel, em 23.05.11

Estava curioso para ver esta sondagem, a 5ª das 8 programadas pelo Público. É certo que parte da amostra foi recolhida antes do debate. É também certo que se trata de uma sondagem, com todas as suas limitações. Mas creio que não será abusivo dizer que sugere o efeito do debate de sexta-feira. As evoluções do PS e do CDS parecem-me, assim, naturais. Já as perdas do BE e, sobretudo, desse paradigma da constância que é o PCP parecem-me reflexo de alguma volatilidade inerente à amostra (que suponho ser variável). Até porque Louçã teve um bom desempenho nos debates, e esteve bem no final da pré-campanha, por exemplo, ao levantar o tema da reestruturação da dívida (que, de resto, é uma sugestão bastante razoável, ao contrário do que Sócrates quer fazer parecer). 

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O grande mistério

por José Maria Gui Pimentel, em 21.05.11

 

A postura do Bloco de Esquerda nos últimos meses é para mim de difícil compreensão. Estas eleições deveriam oferecer ao partido uma margem de progressão nunca antes obtida. Nunca poderia prever que o Bloco estivesse em risco de ficar abaixo do resultado obtido em 2009.

O cenário pré-eleitoral era o seguinte: de um lado o PCP, com uma massa de votantes absolutamente rígida e, em muitos casos, com um ódio visceral ao BE (como antes ao PCTP-MRPP); de outro um PS, que, depois de seis anos no governo (particularmente depois deste último ano), mais do que nunca, havia perdido a sua imagem de partido “socialista”. Estavam, por conseguinte, em campo todas as condições para que o BE se sentisse seguro para fazer uma incursão na área socialista, sem medo de ver o seu espaço à esquerda roubado pelo PCP.

Todavia, Louçã, noutras alturas tão arguto, optou pela estratégia oposta: acantonou-se na extrema-esquerda, quase sobrepondo-se ao PCP (ainda gostava de saber porque é que ninguém perguntou ainda a Louçã o que diferencia o BE do PCP – sim, a Louçã, pois o PCP está, para o bem e para o mal, quieto há 37 anos). Esta conduta é incompreensível, pois impossibilita o crescimento do partido. Louçã deveria saber que os votantes de extrema-esquerda em Portugal são em número limitado (embora até seja de admitir que possam ter crescido um pouco com a crise), e o facto de, até agora, terem chegado para dividir com o PCP em fatias de tamanho razoável já é, por si só, algo sem comparação a nível europeu.

Esta conduta permitiu a Sócrates – sempre atento a estas coisas – explorar o espaço deixado livre à sua esquerda, ao mesmo tempo que mantinha o PSD colado à direita, acusando-o de radicalismo.

Para esta estratégia infrutífera do BE encontro apenas três explicações possíveis. A mais provável prende-se com o trauma Manuel Alegre, que ainda deve fazer Louçã acordar durante a noite com suores frios. A colagem ao PS foi aqui, de facto, prejudicial ao BE. Todavia, a situação actual é diferente. Não se trata de uma aliança ao PS, mas antes de seduzir a sua ala esquerda, deixando o discurso radical, que transmite uma ideia fatal em que muitos portugueses de esquerda ainda se recusam a embarcar: irresponsabilidade.

O ponto de inflexão na conduta do BE terá sido talvez a recusa em negociar com a troika. Louçã poderia perfeitamente ter-se encontrado com os negociadores, isso não o obrigaria a aceitar o memorando. Porventura dar-lhe-ia, agora, até mais autoridade para o criticar, ao mesmo tempo que permitia traçar algumas diferenças em relação ao PCP. Carvalho da Silva, por exemplo, reuniu com a troika. E não me parece que tenha perdido com isso reputação.

Uma explicação alternativa prende-se com aquela fobia inveterada à governação que muitos identificam ao BE e o consequente medo de poder ser visto pelos eleitores como fazendo parte do chamado “arco da governação”. Com efeito, não traria apenas vantagens ao BE sair da sua actual posição confortável de partido de protesto.

A última explicação que encontro é bem mais lisonjeira para Louçã, porém menos provável. Terá Louçã, na verdade, percebido o potencial de uma aproximação ao centro, apenas tendo decidido não a fazer porque o seu núcleo duro não está disposto a afastar-se do radicalismo que defende apenas com objectivos eleitorais? Talvez, mas nesse caso regressamos à ideia inicial: o que distingue o BE do PCP?

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Legislativas (10)

por Pedro Correia, em 20.05.11

  

 

DEBATE PAULO PORTAS-FRANCISCO LOUÇÃ

 

Francisco Louçã e Paulo Portas protagonizaram esta noite, na SIC, o mais equilibrado dos debates televisivos desta campanha. Foi um debate em que ficaram evidentes as clivagens ideológicas mas sem crispações pessoais. O presidente do CDS-PP e o coordenador do Bloco de Esquerda, ambos com longa experiência em televisão, souberam dirigir-se aos seus eleitorados específicos - jovens, desempregados e pensionistas sociais, no caso de Louçã; idosos, agricultores e portugueses da classe média-baixa, no caso de Portas. Louçã foi hábil ao associar por duas vezes o seu antagonista ao primeiro-ministro. "O seu programa é hoje o do engenheiro Sócrates", acusou o bloquista, lembrando que Portas apoiou o memorando assinado entre o Governo e o triunvirato composto por membros da Comissão Europeia, FMI e Banco Central Europeu. "O responsável pela situação a que Portugal chegou chama-se José Sócrates", demarcou-se Portas, acentuando que aprovou o memorando por absoluta falta de alternativa: "Uma declaração de insolvência do Estado português significava que Portugal era posto fora do euro e que o dinheiro das pessoas ficava a valer metade."

Portas aproveitou o início do frente-a-frente para detalhar algumas das medidas que propõe aos eleitores. Nomeadamente a concessão de um crédito fiscal às empresas que contratem novos trabalhadores neste tempo de recessão e a obrigação de as universidades avisarem os alunos para os índices de emprego dos seus cursos. Louçã também foi capaz de descer ao concreto, advogando a "criação de emprego com o impulso do Estado" na ferrovia de proximidade, em novas redes de lares de terceira idade e na reabilitação urbana. Trocaram argumentos fortes em questões como o emprego, o rendimento mínimo e a renegociação da dívida externa portuguesa. Portas aproveitou para criticar Louçã por ter recusado uma audiência com os membros do triunvirato que se deslocaram a Lisboa: "As suas ideias, deixou-as nas mãos de José Sócrates. Porque teve medo de perder votos para o Partido Comunista." Louçã deu-lhe o troco, acusando-o de "conseguir votos" à custa da diabolização dos beneficiários do rendimento mínimo, "degradando a cultura da solidariedade". E, tal como fizera no debate com Paulo Portas, voltou a mencionar o ex-ministro democrata-cristão Bagão Félix entre os que defendem a renegociação da dívida. Sem esquecer outras personalidades distantes da sua área ideológica que já exprimiram a mesma tese, como Pedro Ferraz da Costa e "o seu antigo primeiro-ministro, Santana Lopes". Palavras ditas olhando Portas com um sorriso irónico.

O presidente do CDS, mais contido do que é habitual, não hesitou em mencionar áreas de convergência com o Bloco: "Ambos votámos a favor da prescrição da unidose", acentuou. Também ele defende a "Caixa Geral de Depósitos pública", estando nesta matéria mais próximo de Louçã do que do PSD. Não deixou, aliás, de marcar distâncias em relação a Passos Coelho num cenário de uma coligação pós-eleitoral PSD-CDS. Passos só a aceita se os sociais-democratas forem os mais votados, Portas defende-a mesmo que o PS fique em primeiro nas urnas mas os dois partidos mais à direita consigam formar maioria aritmética no Parlamento.

"Os indecisos têm que votar. Eles farão a força da democracia", concluiu Louçã. Portas pareceu de acordo. Não restavam dúvidas: este debate serviu aos dois.

 

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FRASES

Louçã - «A criação de emprego tem que puxar pela economia no seu todo.»

Portas - «O primeiro-ministro que ainda nos governa tinha prometido criar 150 mil postos de trabalho.»

Louçã - «Todas as medidas que afundam a economia criam desemprego.»

Portas - «O senhor não pode enganar-se com quem está aqui. Não está aqui ninguém que congelou pensões.»

Louçã - «Paulo Portas é o único português, junto com o engenheiro Sócrates, que acha razoável pagar 30 milhões em juros.»

Portas - «O doutor Francisco Louçã não foi capaz de falar nem com o FMI, nem com o BCE, nem com a UE. Quando o meu país está à beira da insolvência, eu não fico quieto.»

Louçã - «O doutor Paulo Portas tem muito pouco respeito pelos adversários. Não me acuse de ficar quieto.»

Portas - «A renegociação da dívida não é solução.» 

 

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ADENDA

Por curiosidade, recordo o que escrevi sobre o debate Paulo Portas-Francisco Louçã da campanha legislativa de 2009.

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Legislativas (9)

por Pedro Correia, em 17.05.11

               

 

DEBATE PEDRO PASSOS COELHO-FRANCISCO LOUÇÃ

 

Foi um bom debate: Francisco Louçã e Pedro Passos Coelho olharam-se de frente, ouviram com atenção o que o outro dizia sem atropelarem discursos, evitaram o recurso a frases feitas. Respeitaram-se mutuamente, o que tem muito a ver com as expectativas geradas pelas últimas sondagens aos partidos que ambos lideram. A Passos Coelho interessava dar algum palco a Louçã, que segundo os mais recentes estudos de opinião tem visto fugir votos para o PS. O coordenador do BE tinha uma preocupação simétrica: interessa-lhe progredir eleitoralmente à custa dos socialistas, o que o inibe de transformar o PSD em adversário principal.

Neste aspecto, a estratégia de ambos foi bem sucedida. Louçã evitou acantonar-se na esquerda mais radical: um socialista da ala esquerda poderia subscrever sem reserva tudo quanto disse neste debate travado na TVI, sob moderação de Judite Sousa. Por seu turno, o presidente do PSD - apostado em pescar votos à sua esquerda - mostrou-se, algo surpreendentemente, de acordo com os bloquistas em pelo menos cinco matérias: na possibilidade de renegociação da taxa de juro do empréstimo da Comissão Europeia a Portugal, na necessidade de evitar que os reformados sejam penalizados por este acordo, nas críticas à banca por ter concedido demasiado crédito à habitação na última década, nas vantagens de haver um orçamento de Estado de base zero e na urgência de pôr o País a crescer.

Louçã esteve, no entanto, mais acutilante e objectivo do que o seu interlocutor. Passos Coelho continua a revelar alguns defeitos centrais nestes debates: gasta demasiadas palavras para dizer coisas que deviam ser ditas de forma mais simples (hoje lá voltou ao jargão tecnocrático, falando em spread e benchmark) e falta conteúdo social ao seu discurso. Diminuir a dívida do Estado é um objectivo fundamental, mas o voto dos eleitores joga-se em questões relacionadas com o quotidiano directo e concreto. Num país com 700 mil desempregados, a omissão deste tema no discurso do líder do principal partido da oposição é quase inexplicável. Tal como é o combate que hoje decidiu fazer ao programa Novas Oportunidades: ao abrir tantas frentes de ataque, acaba por não se concentrar no essencial.

O coordenador do Bloco de Esquerda marcou pontos ao confrontar Passos com o caso da Madeira, onde o PSD governa desde sempre com maioria absoluta: o Jornal da Madeira, "uma folha de propaganda do Governo" de Alberto João Jardim, "tem um défice acumulado de 50 milhões de euros". Por outro lado, acentuou, o Governo Regional "atribuiu a uma empresa do secretário-geral do PSD Madeira o aterro da baía do Funchal, obra de 40 milhões de euros" . As questões da Madeira perturbam sempre os líderes nacionais do partido laranja. Passos virou a agulha de imediato: "José Sócrates, em seis anos, duplicou o passivo das despesas públicas, que representa praticamente dois terços do dinheiro que pedimos emprestado ao exterior."

Louçã também marcou pontos ao invocar, em socorro do combate ao memorando assinado com a Comissão Europeia e o FMI, a opinião de Bagão Félix, um homem situado num quadrante político muito diferente do Bloco. O seu ponto fraco, tal como ocorreu em anteriores debates, relaciona-se com a dificuldade em explicar com precisão como renegociaria a dívida pública portuguesa.

Do lado de Passos, os melhores momentos ocorreram na primeira metade deste frente-a-frente, quando utilizou palavras duras para caracterizar o desempenho do Executivo socialista: "O Governo conduziu o País a uma penúria absoluta." Palavras que muitos portugueses certamente subscrevem. Resta-lhe recorrer com mais frequência a esta linguagem sem rodeios para concretizar o objectivo que enunciou: "O PSD tem a obrigação de ganhar estas eleições."

 

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FRASES

Passos - «O País precisa de se livrar de um governo que foi incompetente e irresponsável.»

Louçã - «Este ano e no próximo ano Portugal será o único país do mundo a empobrecer.»

Passos - «Precisamos de pôr a economia a crescer.»

Louçã - «O PSD é o campeão das despesas do Estado gordo.»

Passos - «[Louçã] dá a sensação que gostaria de mudar de sociedade. Eu esforço-me por mudar a sociedade.»

Louçã - «Nas questões que afectam a vida das pessoas, não podemos viver no toca-e-foge.»

 

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ADENDA

Por curiosidade, recordo o que escrevi sobre o debate Manuela Ferreira Leite-Francisco Louçã da campanha legislativa de 2009.

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Legislativas (5)

por Pedro Correia, em 12.05.11

 

 

DEBATE JERÓNIMO DE SOUSA-FRANCISCO LOUÇÃ

 

Debate? Que debate? Quem teve a paciência de escutar até ao fim o frente-a-frente desta noite, na RTP, entre Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa certamente não descortinou qualquer motivo de fundo para o PCP e o Bloco de Esquerda se apresentarem em listas separadas a estas eleições. É certo que o secretário-geral comunista, há uns dias, disse numa entrevista desconhecer qual é a ideologia do BE. Mas ao ser desafiado pelo jornalista Vítor Gonçalves a reeditar estas dúvidas, Jerónimo preferiu chutar para canto. Ninguém diria que estes dois partidos já estiveram envolvidos em acesos despique verbais. Ninguém diria que houve até uma época em que o Avante! mimoseava os bloquistas com farpas bem aguçadas.

Esse tempo, pelos vistos, passou. Bloco e PCP convergem hoje no essencial: são do contra. Contra o Governo socialista, contra a alternativa à direita, contra a intervenção do FMI em Portugal, contra o memorando de entendimento com a União Europeia, contra o programa de privatizações, contra o pagamento da dívida pública sem uma renegociação imediata. O moderador do debate bem tentou encontrar algumas divergências dignas de nota entre eles, mas o resultado foi quase nulo. Jerónimo ainda mencionou a política europeia, distanciando-se do "federalismo" do Bloco. E - ao contrário de Louçã - não considera "questão tabu" a possibilidade de Portugal dizer adeus ao euro para regressar ao escudo. Há ainda uma questão de estilo: "Nós não fulanizamos", disse o secretário-geral comunista. Com Sócrates ou sem Sócrates, o PS estará sempre na mira das críticas do PCP. A tal ponto que Jerónimo foi incapaz de manifestar qualquer preferência entre um governo liderado pelos socialistas e um Executivo de maioria social-democrata.

Eis um dos nós cegos da política portuguesa: enquanto à direita a política de alianças é clara, à esquerda o PS está condenado a mirar-se ao espelho. O PCP só admite "coligar-se" com um partido fantasma: Os Verdes. E o Bloco parece hoje apenas apostado em duplicar o histórico papel de consciência crítica desempenhado pelos comunistas na democracia portuguesa, evitando qualquer aproximação aos socialistas com vista à construção de alternativas de governo.

Esta noite, de qualquer modo, Louçã mostrou-se um pouco mais acutilante ao procurar transformar o frente-a-frente numa espécie de prolongamento do debate da noite anterior com o secretário-geral socialista. Insistiu em denunciar a falta de transparência do PS na questão da taxa social única, antecipando que os socialistas preparam uma "alteração drástica" à actual contribuição das entidades patronais para a segurança social. E foi capaz de descer um pouco mais ao concreto na questão da dívida, propondo um "fundo de resgate" que prevê a criação de um imposto das mais-valias urbanísticas e um imposto sobre as transacções da Bolsa. A emissão de títulos europeus de dívida é outra solução proposta pelo Bloco. Jerónimo foi mais vago: este frente-a-frente confirmou que a economia não é o seu forte. Esteve melhor na intervenção final, marcada por um toque pessoal, raro nos comunistas: "Eu vivo melhor do que os meus pais e pensava que as minhas filhas iriam viver melhor que eu."

Nesse momento, o secretário-geral do PCP falou por milhões de pessoas. A maioria dos portugueses pensava o mesmo que ele. A realidade, infelizmente, vai-nos demonstrando o contrário dia após dia.

 

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FRASES

Louçã - «Esta troika é a junção dos maiores gastadores da economia portuguesa. Propõe o programa mais recessivo da democracia portuguesa.»

Jerónimo - «Foi o Governo que se deitou abaixo. Não havia razão institucional para que o Governo se demitisse.»

Louçã - «O PS arrastou o País para uma crise gravíssima nos últimos anos, particularmente no último ano. E faltou à verdade aos portugueses.»

Jerónimo - «PS, PSD e CDS têm um programa comum.»

Louçã - «Portugal deve pagar a sua dívida em função da sua economia.»

Jerónimo - «Portugal não estava preparado para essa integração [no euro]. Perdemos competitividade, soberania e maleabilidade monetária.»

 

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ADENDA

Por curiosidade, recordo o que escrevi sobre o debate Francisco Louçã-Jerónimo de Sousa da campanha legislativa de 2009.

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Legislativas (4)

por Pedro Correia, em 12.05.11

         

 

DEBATE JOSÉ SÓCRATES-FRANCISCO LOUÇÃ

 

Pode a mesma receita funcionar duas vezes para vencer o mesmo adversário num frente-a-frente televisivo? Pode. José Sócrates demonstrou-o esta noite ao suplantar Francisco Louçã num debate na SIC. E bastou-lhe, para o efeito, reeditar a estratégia que já pusera em prática no confronto com o coordenador do Bloco de Esquerda para as legislativas de 2009. Na falta do programa eleitoral do Bloco, que ainda não foi divulgado, recorreu à moção estratégica que Louçã levou à recente convenção bloquista para traçar dele a imagem de um dirigente radical, associando-o ao adjectivo "irresponsável". De papel em riste, o secretário-geral dos socialistas leu dois trechos desta moção: "O problema de Portugal é a sua burguesia" e "o objectivo do socialismo é derrotar os donos de Portugal". Embalado, Sócrates resumiu a seu modo os principais desígnios programáticos do Bloco: "Nacionalizar e não pagar a dívida".

Foi em torno da controversa questão do pagamento da pesada dívida externa portuguesa que decorreu quase toda a segunda parte do frente-a-frente, com Sócrates a refutar a tese da "renegociação" defendida por Louçã: "O País pagaria um preço em miséria, desemprego e falências." O coordenador do BE, por seu turno, invocou como argumento de autoridade uma revista "burguesa": a Economist, que não hesita em advogar a reestruturação da dívida de países como a Grécia e Portugal. Mas nesta fase do frente-a-frente - muito bem conduzido por Clara de Sousa, que se confirma como a melhor moderadora de debates políticos na televisão portuguesa - a capacidade de iniciativa pertencia a Sócrates: o líder socialista acusou Louçã de "ser a muleta da direita" e considerar o PS como "adversário principal". Ao ouvi-los agora em Maio, ninguém diria que apenas há quatro meses andavam irmanados no apoio à candidatura presidencial de Manuel Alegre...

Louçã ainda o aconselhou a "voltar a Portugal". Mas era já patente que tropeçara nas artimanhas retóricas do seu antagonista, repetindo o erro cometido há menos de dois anos. E no entanto quem assistisse apenas aos primeiros 20 minutos não teria a menor dúvida em proclamar o líder bloquista como vencedor. Louçã chegou com a lição bem estudada, confrontando Sócrates com uma carta dirigida pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, ao FMI em que prometia"conseguir uma grande redução da contribuição patronal para a segurança social". O dirigente socialista foi pouco convincente nesta fase do debate em que ouviu Louçã traçar um retrato negro destes últimos anos da sua prestação governativa: atacar os abonos de família, congelar pensões, reduzir os salários, "ir ao bolso da classe média". Sem meias palavras, o bloquista apontou o dedo acusador ao primeiro-ministro, que continua a ser incapaz de reconhecer um erro:"O senhor é o campeão do aumento do IVA". Acusou-o ainda de ser responsável por "mais cem mil desempregados" a curto prazo e não se esqueceu de anotar que, segundo estimativas oficiais, "Portugal será no próximo ano o único país da Europa em recessão".

Palavras fortes? Seguramente. Sócrates mereceu escutá-las? Sem qualquer dúvida. Mas um debate televisivo é como uma partida de futebol: não adianta chegar a meio com vantagem se na etapa complementar deixamos o adversário dar a volta ao jogo. Foi isso que sucedeu. E Louçã só pode queixar-se de si próprio.

 

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FRASES

Louçã - «O que nos trouxe aqui? Sucessivos erros, sobretudo no último ano.»

Sócrates - «Ha um erro que nunca cometi: o de não agir, o de não fazer.»

Louçã - «Temos uma crise económica gravíssima e uma crise social gravíssima.»

Sócrates - «O senhor é um dos responsáveis por esta crise política que prejudicou o País de forma irreparável na sua reputação.»

Louçã - «Isto não é um combate de boxe. Era preferível não haver sucessivas interrupções.»

Sócrates - «Há um bocado o Francisco Louçã disse que esteve a ler o programa do PS. Eu quero fazer aqui um ponto de ordem...»

Louçã - «Não vai mostrar uma pastinha, não? A mesma graça dita duas vezes não tem graça...»

Sócrates - «Não. Mas o senhor ainda não tem programa. Não acho leal vir para os debates sem programa.»

Louçã - «Sócrates diz uma coisa e faz outra.»

Sócrates  - «O FMI veio para Portugal pela sua mão, não pela minha.»

Louçã - «Senhor engenheiro, quero convidá-lo a voltar a Portugal.»

 

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ADENDA

Por curiosidade, recordo o que escrevi sobre o debate Francisco Louçã-José Sócrates da campanha legislativa de 2009.

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Carta aberta a Francisco Louçã

por Rui Rocha, em 14.02.11

Caro Dr. Louçã,

A sua recente intervenção política revela uma vertigem. Não é propriamente uma surpresa, reconheça-se. Trata-se, sobretudo, de uma aceleração em direcção a um abismo que sempre se adivinhou no seu percurso político. Em rigor, este até não seria, em condições normais, um assunto com demasiada importância. Em democracia, o suicídio político é uma decisão livre que cada um pode tomar quando e como muito bem lhe aprouver. E creio até que não existe, neste particular, qualquer impedimento ético a que, tomada por si tal decisão, um vasto conjunto de almas caridosas o apoiassem por via de eutanásia. O problema, Dr. Louçã, é que o Senhor está empenhado em promover um suicídio colectivo. No Sábado passado, teve Vª Exa. a indistinta lata de afirmar que “Portugal é hoje um país mais desigual do que o Egipto”. Ora, isso é uma profunda falta de respeito para com os portugueses. O Senhor tem todo o direito de cavalgar a demagogia a Trotsky ou a galope. Mas, não lhe podemos admitir que compare uma democracia que, apesar de tudo, é a nossa realidade, com uma ditadura. Nem que cuspa no seu tom ressabiado sobre uma construção colectiva que, com todos os defeitos que possa ter, lhe permite a si dizer as maiores barbaridades. Muito menos se pode calar o protesto veemente contra um discurso cujo resultado final é cavar um fosso intransponível entre portugueses. O que o Senhor quer sei eu. O seu projecto político alicerça-se na exploração da perturbação social, da revolta, do conflito de gerações e, no limite, da irresponsabilidade e do ressentimento social. E isso, Dr. Louçã, precisamente porque não somos o Egipto, não lhe podemos admitir. A situação em que estamos resolve-se com os portugueses unidos em torno de um projecto de futuro. Mas, não tem solução a partir do dia em que nos voltarmos uns contra os outros. Por isso lhe digo, Dr. Louçã, que Portugal não pode enveredar pelo seu caminho sem retorno. E, se o que Vª. Exa. pretende é suicidar-se politicamente, então temos que exigir-lhe que vá morrer longe e sozinho.

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Alegre nunca esteve tão só

por Pedro Correia, em 11.02.11

 

Como escrevi antes do escrutínio presidencial, Manuel Alegre terminou esta segunda corrida a Belém ainda mais isolado do que na primeira apesar de contar agora com o apoio oficial do Partido Socialista e do Bloco de Esquerda. A primeira estocada foi-lhe dada por José Sócrates na própria noite eleitoral ao declarar que os eleitores haviam optado pela "estabilidade política": uma tentativa canhestra de reaproximação a Cavaco Silva lançando para cima dos ombros de Alegre o labéu da "instabilidade". A segunda - e decisiva - estocada foi-lhe dada ontem por Francisco Louçã ao anunciar no Parlamento a primeira moção de censura pós-presidenciais ao Governo socialista, deitando por terra toda a estratégia de convergência das esquerdas que Alegre tentara construir nos últimos dois anos como plataforma para a sua candidatura presidencial. Por mero tacticismo político, apenas com o objectivo de medir forças com o PCP em radicalismo de esquerda, o líder do BE acaba de dizer aos portugueses, escassos 18 dias após a contagem dos votos, que a candidatura de Alegre não teve o menor significado político nem deixou rasto de qualquer espécie. Convém não abusar da perda de memória: o Louçã que anuncia a moção contra o Governo é o mesmo que há três semanas surgia com destacados dirigentes socialistas nos comícios do candidato apoiado simultaneamente pelo PS e pelo Bloco.

Alegre, de facto, nunca esteve tão só.

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Stand-up comedy contest (2)

por Paulo Gorjão, em 25.09.09

Não tresleia as minhas palavras, se faz favor. A única coisa que contestei é a sua "autorização pelo soberano". O resto, sendo um tema interessante de discussão, não foi alvo da minha atenção no texto que refere.

O seu argumento de autorização pelo soberano, em bom rigor, permite tudo, na medida em que o critério que estabelece é "um número suficiente de mandatos". O seu coração, porém, falou mais alto...

 

P.S. -- Leio, entretanto, que Lima poderá continuar em Belém. Mau sinal.

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Por falar em 'desprivatização'

por João Carvalho, em 25.09.09

O Bloco de Esquerda continua a velar pela boa disposição das hostes. A propósito de Educação, Francisco Louçã acabou de defender que seja uma agência independente a proceder à avaliação dos professores. Mais precisamente, uma agência independente nomeada pelo Governo.

A ideia de Louçã é engraçada. E acho que assenta numa base não menos engraçada: a desprivatização da independência.

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Stand-up comedy contest

por Paulo Gorjão, em 24.09.09

O PS está cheio de brincalhões. Podemos discutir se o sentido de humor é especialmente sofisticado, mas o que não se pode negar é que há uns quantos humoristas no PS. Exemplos? Mário Soares e Ana Gomes já tinham dado um ar da sua graça quando falaram no BE. Mas como um trio é melhor do que um duo, eis que entra em cena José Medeiros Ferreira...

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Legislativas (32)

por Pedro Correia, em 11.09.09

 

DEBATE PAULO PORTAS-FRANCISCO LOUÇÃ

 

Ao contrário do que aconteceu com os restantes oito debates que já vi nesta campanha legislativa, cheguei desta vez ao fim sem uma convicção clara sobre o nome do vencedor. Isto já diz muito sobre uma certa equiparação intelectual entre os líderes do CDS e do Bloco de Esquerda, dois dos dirigentes com maior destreza mental e maior capacidade de comunicação de toda a nossa classe política. Foi um debate extremado: não tanto pelo facto de estarmos perante os líderes dos partidos que se situam nos pólos mais extremos do hemiciclo de São Bento como pelo elementar motivo de que a ideologia esteve esta noite muito em foco na RTP. De um lado, estava alguém assumidamente de direita; do outro, estava alguém assumidamente de esquerda. A política portuguesa, tão cheia de meias-tintas, ganha com este contraste de propostas, que no debate foi bem evidenciado em matérias tão diversas como as nacionalizações, a criminalidade, a imigração ou o código do trabalho. Louçã defende um reforço do papel do Estado na vida económica e nas áreas sociais (saúde, educação, segurança social). Portas defende uma redução da carga fiscal, reservando ao Estado um papel supletivo enquanto aponta as empresas como principal fonte capaz de produzir riqueza. "As empresas criam emprego. Mas também desemprego", replica o coordenador do BE. "Uma coisa é falar, outra é fazer", sustenta Portas, lembrando a sua acção, enquanto titular da pasta da Defesa do Governo PSD/CDS, para salvar as Oficinas Gerais de Material Aeronáutico.

Foi um debate acalorado, sem pontos mortos, perante uma moderadora (Judite Sousa) quase inexistente, entre dois políticos que levavam as respectivas lições bem estudadas. Louçã terá surpreendido alguns ao invocar a Igreja Católica em abono das suas teses de integração social dos imigrantes: "Uma política de imigração sensata não pode ter preconceitos racistas." Portas lembrou algumas medidas de carácter social tomadas por Bagão Félix, ministro do CDS, no Executivo de centro-direita: 14º mês para os pensionistas, 13º mês para os beneficiários do abono de família, convergência entre as pensões e o salário mínimo.

Houve alguns pontos de acordo. Sobre a necessidade de reforçar os efectivos policiais, por exemplo, embora com ressalvas de parte a parte. "Precisamos de uma sociedade mais segura, não de uma sociedade mais vigiada", advogou Louçã. "Há um problema sério de segurança nas áreas metropolitanas de Lisboa, Porto e Setúbal", alertou Portas.

Existem boas razões para votar em qualquer neles? Sem dúvida, por mais que os estados-maiores dos dois principais partidos, embalados pela "indústria das sondagens" (Portas dixit), tentem reforçar a ideia de uma bipolarização muito mais aparente que real. Poderá haver um problema de ingovernabilidade após 27 de Setembro, como alguns sustentam? "Ingovernabilidade há agora. Com o código do trabalho, o desemprego, a fractura social, a violência social contra as pessoas", concluiu o líder do Bloco. E é difícil não lhe dar razão.

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Uma dúvida

por Paulo Gorjão, em 10.09.09

Como é que estas imagens foram parar ao Correio da Manhã/Sapo? Mais: não há aqui questões/problemas de ordem deontológica?

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Legislativas (29)

por Pedro Correia, em 08.09.09

 

DEBATE JOSÉ SÓCRATES-FRANCISCO LOUÇÃ

 

Há pequenas frases que dizem tudo. Um político pode ficar amarrado a elas para sempre. Aconteceu hoje à noite com José Sócrates, na RTP, no mais acalorado debate até agora realizado nas televisões durante esta pré-campanha para as legislativas. Francisco Louçã, o seu antagonista, acabara de dizer que foi "socialista laico e republicano toda a vida" quando o líder do PS lhe replicou nestes termos: "Eu sempre me filiei no socialismo democrático. Nunca tive outra família política."

Sabendo-se que Sócrates esteve filiado no PPD de Francisco Sá Carneiro - grande rival do PS de Mário Soares - logo após o 25 de Abril de 1974, esta frase confirma que Sócrates tem uma relação difícil com a realidade. "Volte a pôr os pés na terra", atirou-lhe Louçã. Tinha razão para falar assim: o país do primeiro-ministro é o país da propaganda, das previsões não concretizadas, dos promessas desmentidas pelos factos.

Dito isto, há que sublinhar o seguinte: Sócrates levou a melhor neste debate ao enredar o líder do Bloco de Esquerda na estratégia que levava bem estudada. A maior parte deste frente-a-frente foi preenchida não com a análise detalhada destes quatro anos e meio de governo socialista dotados de maioria absoluta mas a analisar o programa eleitoral do Bloco. Sócrates forçou Louçã a jogar à defesa, encurtando-lhe a margem de manobra. Enquanto o homem forte do BE se justificava das acusações do primeiro-ministro, que lhe colava os rótulos de "extremista" e "radical", iam decorrendo preciosos minutos. Para se debater o programa do Bloco, não se debateu o País.

Louçã percebeu ainda a tempo que estava a perder o debate, que até lhe tinha começado bem com a sua devastadora invocação de casos como a entrega da GALP a Américo Amorim ou do terminal de contentores de Alcântara à empresa construtora de Jorge Coelho sem concurso público. Nessa altura foi o chefe do Governo quem se viu remetido a posições defensivas, recorrendo a truques de retórica já estafada.

"Candidato-me para vencer a direita", disse o socialista.

"Candidato-me para vencer a crise", retorquiu-lhe o bloquista.

Foi então que Sócrates abriu o programa eleitoral do seu adversário e começou a questionar a política fiscal do Bloco, o amplo programa de nacionalizações do Bloco, o "ataque à classe média" supostamente protagonizado pelo Bloco, "a estratégia clássica da esquerda radical" defendida por Louçã. Acenos evidentes aos eleitores da classe média que têm vindo a a ser atraídos pelo BE, como as últimas europeias demonstraram.

O líder bloquista invocou precisamente a derrota do PS nas europeias para referir que "Manuel Alegre, sozinho, teve mais votos" que os socialistas neste último escrutínio. Namoro evidente à ala esquerda do partido que tem governado Portugal em 11 dos últimos 14 anos. De Bloco Central ninguém falou. Mas é cada vez mais perceptível que essa é uma solução governativa que está a ser equacionada por dirigentes do PS e do PSD. Não foi o próprio Sócrates que neste debate, lembrando a sua própria experiência de militante, acentuou que os dois partidos integram a mesma "família politica"?

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Legislativas (27)

por Pedro Correia, em 06.09.09

  

DEBATE MANUELA FERREIRA LEITE-FRANCISCO LOUÇÃ

 

O jogo das expectativas também conta para a avaliação das prestações dos políticos nos debates. Manuela Ferreira Leite beneficiou de algum modo desse factor no frente-a-frente que hoje a opôs a Francisco Louçã na TVI. As expectativas gerais, para o desempenho desta estreante em debates, eram mais baixas. Daí talvez a sensação de que a líder do PSD não tenha estado tão mal como alguns previam. Feito este intróito, há que dizer que algumas das suas fragilidades ficaram bem patentes esta noite. Dou apenas um exemplo: enquanto o seu antagonista, provando que tinha feito o trabalho de casa, conhecia bem o programa eleitoral social-democrata, ela jamais demonstrou ter lido uma só linha do programa bloquista. O que, aliás, proporcionou a Louçã uma das frases da noite: "Está a fugir do seu programa como o diabo da cruz". Dir-se-á que é uma questão de pormenor. Não é, para quem ambiciona ter responsabilidades governativas.

Ferreira Leite, acossada por Louçã, jogou demasiado à defesa, gastando preciosos minutos a tentar desfazer imputações do líder do Bloco. "Nunca pus em causa o Serviço Nacional de Saúde"; "Nunca quis privatizar a segurança social"; "Nunca defendi que devem ser despedidos 150 mil funcionários públicos". Na segurança social, terá surpreendido alguns ao elogiar a reforma feita pelo Governo socialista, que "resolveu o problema iminente da ruptura" do sistema.

Num confronto entre economistas, ficaram evidentes as diferenças entre um PSD que quer diminuir o peso do Estado na sociedade e um BE assumidamente estatizante. "Estamos a empobrecer por causa de um sistema económico que não está a gerar riqueza", disse Ferreira Leite. "Não faz nenhum sentido, de certeza absoluta, privatizar bens essenciais", afirmou Louçã. Neste capítulo, a líder do PSD marcou pontos ao evocar as 300 mil pequenas e médias empresas portuguesas, nas quais "assenta o essencial do nosso sistema produtivo". Mas o bloquista foi mais convincente na questão do desemprego ao lembrar os cerca de cem mil desempregados que não constam das estatísticas oficiais por terem desistido de bater à porta dos inúteis centros de emprego.

É cada vez mais óbvio que o BE está a disputar ao PCP protagonismo nas questões laborais. Mas os célebres temas 'fracturantes' permanecem no discurso bloquista. E aqui foram mais evidentes que nunca as divergências entre os dois políticos. O estatista Louçã, nestas matérias, advoga o Estado mínimo, com frases grandilonquentes como esta: "O Estado não dita o amor de uma pessoa." Já Ferreira Leite assume posições mais próximas da direita conservadora do que da social-democracia clássica. Maria José Nogueira Pinto, candidata número 4 do PSD por Lisboa, certamente aplaude a sua recusa categórica em legalizar os casamentos homossexuais. Mas tenho dúvidas se muitos eleitores do centro, de cujo voto Ferreira Leite tanto necessitará no dia 27, se revêem neste discurso. Coube-lhe aqui, de qualquer modo, a sua melhor tirada neste frente-a-frente: "Eu defendo o casamento mas não imponho o casamento. Francisco Louçã não defende o casamento, mas impõe o casamento."

Dito isto, há um lapso que a presidente do PSD tem de corrigir com urgência: a sua tendência em 'privatizar' o programa social-democrata. Esta noite ouvimo-la falar várias vezes no "meu [seu] programa", referindo-se às propostas eleitorais do partido. Ora, salvo melhor opinião, o programa não é dela: é do PSD. E, até prova em contrário, ela não se confunde com o partido. Embora alguns dos seus acólitos por vezes pareçam esquecer-se disso.

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Legislativas (24)

por Pedro Correia, em 03.09.09

  

DEBATE JERÓNIMO DE SOUSA-FRANCISCO LOUÇÃ

 

O que separa o Bloco de Esquerda do Partido Comunista? Quem não sabia, ficou a saber o mesmo após o debate desta noite na SIC: Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa enfrentaram-se com a amenidade de dois cavalheiros britânicos, num clube qualquer, à hora do chá das cinco. Trocaram algumas amabilidades, pintaram um quadro negro do País e procuraram atrair os votos dos tradicionais eleitores do PS cavalgando a crise económica. Louçã, sem gravata, estava francamente mais à vontade. Jerónimo, de gravata vermelha, parecia ligeiramente embaraçado e com alguma vontade de sair dali.

Convergiram boa parte do tempo. A propósito da luta dos professores contra o Governo, da crítica às situações de pobreza que persistem em Portugal e até dos chocantes acontecimentos de hoje na TVI (que ambos criticaram). Desta vez, ao contrário do debate de ontem entre Portas e Sócrates, praticamente nenhum deles recorreu ao direito à réplica: não era necessário.

Noutros tempos, Jerónimo atirou-se à tendência "socialdemocratizante" do BE: não voltou a repetir a acusação com Louçã à sua frente. Noutros tempos, Louçã denunciou o "ataque mais sectário de sempre", dirigido ao Bloco pelo Partido Comunista: não voltou a repetir a acusação com Jerónimo à sua frente. "A nossa disputa eleitoral não é com o PCP - é com o PS e com o PSD", assegurou Louçã. "Os nossos adversários são a política de direita e os seus executantes", garantiu Jerónimo.

Os momentos mais surpreendentes ocorreram com os rasgados elogios do secretário-geral do PCP à política económica do ex-presidente norte-americano Franklin Roosevelt e do líder do Bloco de Esquerda à construção da Ponte 25 de Abril - a obra mais emblemática do regime de Salazar.

Louçã, mais articulado e com melhor linguagem corporal, venceu claramente este debate em que namorou simultaneamente socialistas e comunistas ao fazer uma clara "homenagem" a Manuel Alegre e ao recordar que o seu avô, anarco-sindicalista, participou no congresso fundador do PCP. Jerónimo ouviu e calou.

Sobre alianças com o PS, nova convergência: nem um nem outro querem ouvir falar do assunto. O que conta, para ambos, é roubar votos a José Sócrates - e vão consegui-lo a 27 de Setembro.

 

Algumas frases:

 

Louçã - "Tenho orgulho num país que tem os professores que tem."

Jerónimo - "Nenhuma reforma destas [da educação] pode ser feita contra os professores."

Louçã - "José Sócrates tem obrigação de dizer se quer Maria de Lurdes Rodrigues como ministra da Educação."

Jerónimo - "É preciso uma ruptura com esta política profundamente injusta."

Louçã - "José Sócrates e Manuela Ferreira Leite são parte do problema, não são parte da solução."

Jerónimo - "Somos necessários à democracia."

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Melhores deputados do ano

por Pedro Correia, em 13.08.09

  

 

1. FRANCISCO LOUÇà(BE)

 

Foi o deputado mais incómodo na hora de fazer oposição a José Sócrates. Acutilante, de verbo fácil e expressivo, com um discurso bem estruturado, Francisco Louçã fez marcação cerrada ao Governo socialista pela esquerda, confrontando-o com dados concretos sempre com a lição bem estudada. Várias vezes o primeiro-ministro se irritou com ele. Nenhum outro deputado conseguiu produzir este efeito com tanta frequência, trazendo à superfície a pior das características de Sócrates: a arrogância desmedida. Pontos a favor de Louçã, um dirigente político que nunca foge da polémica. Concorde-se ou não com o que defende, há um mérito que lhe deve ser reconhecido: nunca se refugia nas meias palavras nem nas meias-tintas. Um atributo cada vez mais raro na cena política portuguesa.

 

Memória: há um ano foi esta a minha escolha.

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Pois

por Pedro Correia, em 04.08.09

"Nunca se deve odiar os adversários."

Francisco Louçã, no debate com blogues na Casa do Alentejo

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O folhetim do convite

por João Carvalho, em 30.07.09

Primeiro, foi Francisco Louçã a divulgar o "assédio" do PS a Joana Amaral Dias. A bloquista tinha ficado calada.

Depois, foi o porta-voz do PS a desmentir com veemência que José Sócrates a tivesse tentado fosse com o que fosse, o que só serviu para sabermos que Sócrates não o tinha feito pessoalmente, mas sem sabermos se alguém o fizera por conta própria ou em nome do PS ou do secretário-geral socialista. Joana manteve-se em silêncio.

A seguir, pareceu que o convite poderia ter partido dos socialistas de Coimbra. Joana continuou de boca fechada.

Hojeas notícias dizem que a abordagem foi feita pelo secretário de Estado das Obras Públicas, que nega tê-lo feito em nome do PS ou estar mandatado pelo seu secretário-geral e também nega ter oferecido cargos aliciantes, ficando por saber-se que convite teria ele feito se tudo não passou de uma iniciativa pessoal. Joana conserva o caso em segredo.

Assim, resta desejar a Joana Amaral Dias que recupere da grave rouquidão e esperar que não seja gripe A. E não se preocupe que não ficará mal na fotografia, porque o fotógrafo tinha mais que fazer e já se foi embora.

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Manobra de dissuasão

por Paulo Gorjão, em 26.07.09

Joana Amaral Dias poderia ter sido convidada pelo PS, recusar o convite e encerrar o assunto em privado e em silêncio. Entendeu, por razões que não interessa para o caso, comunicar o sucedido a Francisco Louçã. Este, por sua vez, poderia ter ficado a saber do sucedido e nada dizer em público. Entendeu, todavia, criar um caso político. E é aqui que o caso se torna interessante: por que motivo Louçã decidiu amplificar e dar um impacto político ao convite?

Dissuasão, pura e dura. Louçã entendeu responder de forma desproporcional, de modo a incutir um custo, ou a expectativa de um custo, de tal forma elevado que obrigue o PS a pensar duas vezes antes de voltar a abordar alguém do BE.

Ironicamente, a reacção de Louçã revela também fraqueza. Algo surpreendentemente ficámos a saber que o líder do BE receia as investidas do PS nas suas águas. Louçã receia eventuais deserções nas fileiras. Quem diria?

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Promessas e reedições

por João Carvalho, em 25.07.09

Numa espécie de reedição pouco imaginativa do que fez antes, Sócrates prometeu resolver na próxima legislatura a situação dos 25 mil jovens desempregados que não têm direito ao  subsídio. Ora, se as promessas de Sócrates são o que se sabe, as promessas de emprego, essas, já começam a parecer uma fixação.

Quem está pouco contente com as ofertas de emprego de José Sócrates é Francisco Louçã, que o acusou de tráfico de influências por ter oferecido a Joana Amaral Dias um elevado cargo institucional se esta apoiasse as listas socialistas. Só que esta oferta de emprego especial tem mais que se lhe diga: a própria convidada já teve anteriores dificuldades para resistir às tentações recebidas de fora e nunca se sabe se não estaria disposta a reeditar o seu afastamento do BE. Talvez Louçã estivesse mais a avisá-la do que a falar para Sócrates.

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Por falar em seriedade

por Jorge Assunção, em 05.07.09

João Galamba, no Jugular, acusa Francisco Louçã de recorrer à demagogia, isto porque o líder do Bloco acusou "o Governo de ter rasgado a sua principal promessa eleitoral: a criação de 150 mil empregos". Ora, eu concordo com boa parte do argumentário utilizado por João Galamba, só não cheguei a perceber é se este não considera que o mesmo problema se coloca para a então promessa de José Sócrates. É que o actual primeiro-ministro, em campanha, andou a prometer o que não estava única e exclusivamente em seu poder cumprir. Por isso, das duas, uma: ou Sócrates "reduz a política a um combate de boxe, onde a razão pouco importa" ou "insulta a inteligência dos portugueses".

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Das europeias às legislativas

por Pedro Correia, em 15.06.09

  

 

1. Um dos textos mais interessantes e estimulantes que li, no rescaldo das eleições europeias, é este de Ana Paula Fitas. Mesmo sem concordar com tudo quanto escreve, considero que abre excelentes pistas de reflexão a justificar uma análise ponderada, à esquerda e à direita. Além de que constitui a melhor interpelação a Francisco Louçã que tenho lido na blogosfera, longe dos habituais lugares-comuns sobre o Bloco de Esquerda debitados por quem sofre de uma irreprimível preguiça na hora de pensar.

 

2. Pacheco Pereira, no estilo muito próprio a que já nos habituou, transforma o seu primeiro artigo de 'análise' do pós-europeias num lamentável estendal de ajustes de contas em que não se vislumbra uma só frase sobre a derrota do PS mas sobram parágrafos sobre as questiúnculas intestinas do PSD. Um revelador quadro - admito que a contre-coeur - do que é realmente hoje este partido que aspira a tornar-se governo daqui a poucos meses.

Pacheco investe contra os habituais ódios de estimação, nomeadamente aquilo a que chama 'jornalismo de rebanho'´. Mas investe sobretudo contra os ex-adversários internos de Manuela Ferreira Leite, escamoteando um relevante pormenor: a escassíssima margem de progressão do PSD nestas europeias exige um partido unido, sem fracturas, nos dois próximos actos eleitorais. Exige um partido com o discurso oposto ao de Pacheco.

Será talvez lamentável, pelo menos na óptica de Pacheco Pereira, mas Ferreira Leite não poderá prescindir de Pedro Passos Coelho na lista de candidatos a deputados (talvez até como cabeça de lista num distrito, quem sabe?) nem de Pedro Santana Lopes à frente da corrida para a mais emblemática autarquia do País. Por um motivo simples: no próximo Outono cada voto conta. O de Pacheco conta tanto como o de outro social-democrata qualquer. A menos que prefira levar mais quatro anos com José Sócrates em São Bento, o que lhe deve dar matéria para trinta e sete novos artigos contra o 'jornalismo de rebanho'.

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