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"Um mar de ruínas"

por Pedro Correia, em 12.06.17

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 François Hollande e Benoit Hamon

 

 

«Nada grandioso será alguma vez conseguido sem grandes homens.»

Charles de Gaulle

 

Lembram-se de François Hollande, o indivíduo que segundo alguns arautos lusos proclamavam ruidosamente há cinco anos, iria  revitalizar a débil esquerda europeia?

Hollande, bem avisado, decidiu não se recandidatar ao Eliseu: à beira do fim do mandato inaugurado em 2012, a sua taxa de popularidade entre os franceses era de longe a mais baixa da V República, fundada em 1958 pelo general De Gaulle. O delfinato possível do chefe do Estado cessante foi assegurado pelo medíocre Benoit Hamon, sufragado pelas "primárias" - o último grito da moda Outono-Inverno da saison política parisiense - mas arrasado nas urnas quando deixou de se jogar a feijões e houve eleições a sério: recolheu apenas 6,3% dos votos, ficando na quinta posição entre os candidados à corrida presidencial.

A primeira volta das legislativas francesas acaba de traçar um retrato fidedigno do Partido Socialista Francês, avaliando-se assim o verdadeiro legado político de Hollande: entre 7% e 10%. "Um mar de ruínas", na justa definição do Libération. Com o Presidente Emmanuel Macron a vencer, como se esperava, por intermédio do seu novo partido pós-ideológico, República em Marcha - criado só há 14 meses. Numa prova de que em democracia tudo pode transformar-se.

Há umas semanas, o ex-primeiro-ministro Manuel Valls causou imenso escândalo ao anunciar que o PSF estava morto. Tinha razão, como esta catástrofe eleitoral confirma. Resta aos socialistas franceses encerrar para balanço, imitando o que François Mitterrand fez em 1969, na ressaca do Maio de 68, ao mandar sepultar a defunta SFIO [Secção Francesa da Internacional Operária] num congresso do qual emergiu o Partido Socialista, agora falecido aos 48 anos. Paix à son âme.

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Um problema sem solução

por Sérgio de Almeida Correia, em 20.07.16

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 Antes

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 Depois

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Je vous salue, Daesh

por Diogo Noivo, em 11.02.16

Quando uma acção de violência gera efeitos psicológicos desproporcionados face aos danos materiais que provoca adquire peculiaridades próprias daquilo que se designa por terrorismo. Este preceito, enunciado por Raymond Aron em Paix et guerre entre la nations, deve ser entendido em conjunto com outro: é objectivo declarado de todas as organizações terroristas forçar o Estado a abdicar da sua superioridade política e moral. Por outras palavras, um dos propósitos da acção terrorista é o de obrigar o Estado visado a prescindir dos valores e procedimentos nos quais se funda e, dessa forma, faze-lo descer ao nível de quem comete actos terroristas. A adopção de medidas restritivas de liberdades individuais, bem como descontinuar princípios estruturantes de um Estado de Direito Democrático, jogam directamente a favor daqueles que, através da violência terrorista, procuram alterar o nosso modo de vida.

O Governo de François Hollande tem dado provas inequívocas de não entender isto e tudo o resto. À imposição de um Estado de Emergência, cuja necessidade ainda está por demonstrar, junta-se agora uma revisão constitucional para retirar a nacionalidade a terroristas. Se o princípio é errado e favorece a propaganda jihadista, torna-se preocupante quando a redacção da norma poderá prestar-se a interpretações extensivas, dando ao governo de turno uma discricionariedade tremenda. Ou seja, Hollande cede à pressão psicológica do terror e pouco a pouco vai abrindo mão da superioridade política e moral do Estado. Tudo o que não se deve fazer.

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Um homem normal

por Helena Sacadura Cabral, em 05.12.14

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Se for verdade é para coleccionar. Se não for verdade, tem fortes probabilidades de ser tomado como autêntico. Porque será? Acredito que seja por se tratar de um homem normal!

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Profetas da nossa terra (36)

por Pedro Correia, em 11.06.14

«Vitória de Hollande é uma janela aberta de esperança.»

Mário Soares, 24 de Abril de 2012

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Profetas da nossa terra (32)

por Pedro Correia, em 02.06.14

«François Hollande é a chance de salvação da Europa! Uma salvação que está para além do homem.»

Ana Gomes, 23 de Abril de 2012

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Passos de Hollande

por Pedro Correia, em 02.04.14

«O primeiro objectivo do novo Governo será devolver a força à nossa economia. Quem cria empregos são as empresas - e não há injustiça maior do que o desemprego. Por isso propus o Pacto de Responsabilidade, com menos encargos para as empresas e mais investimento. É um gesto de confiança dirigido a todos os protagonistas económicos e todos os parceiros sociais.»

Excerto de um discurso de Passos Coelho? Não: são palavras de François Hollande, anunciando aos franceses que formaria um novo Governo, liderado por Manuel Valls. Por coincidência ou talvez não, a personalidade mais à direita do Partido Socialista Francês.
"Righting Hollande", observa o Wall Street Journal com manifesta ironia. Antiga "lufada de ar fresco" para Seguro. Antiga "janela de esperança" para Soares. La fenêtre est fermée.

 

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A esquerda caviar

por Rui Rocha, em 12.02.14

A slab of dry-aged rib eye beef, American caviar and salad representing the first lady's garden will be on the four-course menu for the elegant state dinner being given by President Barack Obama for French President Francois Hollande on Tuesday.

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Dois livros

por Helena Sacadura Cabral, em 31.01.14

 

 

Costumo ler dois livros em simultâneo. Há muito que o faço e por isso tornou-se um hábito.

Acabei de ler o "Doutor Glass", de Hjalmar Soderberg que é um belíssimo ensaio sobre a alma humana. Não é recente e foi considerado um livro muito bom. É-o de facto.
E já comecei outro, acabado de sair - tem dias -, intitulado "Jusqu'ici tout va mal", de Cecile Amar, uma especialista em faunos da política e que aqui se ocupa de Hollande, depois de já ter escrito sobre Ségolène Royal e Lionel Jospin.
Porquê este último? Porque, por motivos sentimentais, a França é, para mim, uma espécie de segunda pátria e o seu actual presidente constitui, aos meus olhos e parece que aos dele próprio, um verdadeiro enigma.
Se não, vejamos. A obra obra abre com a frase de Hollande "Vous me demandez qui je suis? Ça, c'est une question terrible...".
Será preciso dizer mais?!

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Uma questão de carácter

por Helena Sacadura Cabral, em 29.01.14
Julgo que sobre o caso Hollande  - sentimental, claro, porque o outro ainda está longe do fim - já tudo se disse. Mas com o assentar da poeira e com alguma frieza, julgo importante que sem personalizarmos muito, façamos algumas considerações sobre o que certas posições revelam do carácter de uma pessoa. 
O divórcio seja ele de um casamento ou de uma união de facto é sempre uma ruptura e esta é, por norma, fonte de dor. Por isso se espera que os seus intervenientes se comportem com a maior dignidade, quer haja ou não filhos. É um problema de respeito mútuo e um tributo aos anos passados em conjunto.
Apesar de Valerie Trierweiller não me ser pessoalmente simpática - confesso que me pareceram sempre de algum exibicionismo os beijos glamourosos dados publicamente a Hollande, em várias ocasiões -, a verdade é que esta mulher foi sujeita a uma humilhação pública tremenda. E um homem que sujeita uma mulher com quem vive há oito anos a esta humilhação terá tudo menos respeito por ela.
Ao que consta em França, deixou-a voltar ao apartamento que ambos haviam alugado em Paris, mas deu-lhe prazo de saída para arranjar casa própria. E parece que terá dado instruções para que, na vinda da Índia, Valerie já não gozasse das prerrogativas de segurança com que para lá foi. A ser verdade, mostra que, ao contrário do que diz, Hollande não é um homem normal. A maioria dos homens normais não se comportam assim, felizmente.
O Presidente francês arrogou-se ser o rei Sol e fazer o que muito bem entendeu. Saíram-lhe algumas contas furadas. Nem ele é rei, nem os franceses são parvos. Esta história, num tempo em que a sua popularidade é baixíssima, vai custar-lhe caro no eleitorado feminino. E eu compreendo, porque se fosse francesa consideraria, depois disto, que o carácter deste homem deixa muito a desejar...

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Imprensa rosa

por Rui Rocha, em 24.01.14

António José Seguro quer sair da forma mais digna possível do divórcio com a política de Hollande.

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O declínio francês

por José António Abreu, em 23.01.14
Aviso prévio: No texto que se segue não será abordada a vida amorosa de qualquer presidente francês, por muito normal que seja este e anormal que seja aquela. Em contrapartida, o texto inclui muitas percentagens.

Durante séculos, o Portugal que se imaginava culto ambicionava ser francês. França era o exemplo e a inspiração. Hoje somos bastante mais influenciados pelo universo anglo-saxónico mas a velha ligação ainda tem consequências. Já mencionei isto no blogue um par de vezes mas repito-o: num debate das últimas eleições presidenciais francesas, Hollande referia a cada cinco minutos como a França perdera terreno para a Alemanha; a certa altura, Sarkozy atirou-lhe: «Mas a Alemanha fez há dez anos aquilo que o senhor ainda recusa que se faça em França.» Bingo. Nem por isso Sarkozy venceu as eleições. E, como seria de esperar, desde a eleição de Hollande a França continuou basicamente a fazer o oposto do que a Alemanha fez há mais de uma dúzia de anos (e do que os países nórdicos fizeram há cerca de uma vintena). Os resultados? Comecemos por um número curioso. Se olharmos apenas para o PIB, pouco mudou. Em 2001, o PIB francês representava 73,6% do PIB alemão. Em 2012 (último ano do qual existem estatísticas razoavelmente definitivas), mantinha-se nos 73,1% (com uma ligeira vantagem de oito décimas para o lado da Alemanha, ambos cresceram cerca de 12% nesses onze anos). Por trás do crescimento quase igual, há no entanto diferenças enormes na evolução da competitividade das duas economias. Tome-se o sector automóvel como exemplo. Em 2001, a Renault tinha acabado de comprar uma posição maioritária na Nissan e o grupo PSA começava a multiplicar gamas. Actualmente, a Renault compensa prejuízos com os lucros da Nissan (e da Dacia) e a PSA procura desesperadamente convencer o grupo chinês Dongfeng de que seria um cônjuge útil e leal. Em 2001, na Alemanha que ainda suportava os custos da reunificação e começava  a reformar as leis laborais e o sistema de segurança social, BMW e Daimler iam-se apercebendo de que teriam de deixar cair a ideia de tornar lucrativas Rover e Chrysler, respectivamente. Hoje, as marcas alemãs dominam a Europa e o objectivo do grupo VAG de atingir o número um mundial em 2018 parece não apenas realista como inevitável. Mas talvez seja preferível que nos concentremos nas estatísticas. Em 2001, a partir de uma população representando 72,0% da população alemã, as exportações francesas de bens e serviços representavam 61,1% das exportações alemãs. Em 2012, tendo a população – que aumentou em França e diminuiu ligeiramente na Alemanha – passado para os 77,4% da população alemã, limitavam-se a 46,8% (se excluirmos os serviços, a evolução é ainda mais reveladora: de 56,6% para 40,4%). No que a volume de exportações diz respeito, Hollande poderá até reclamar um prémio (e, se quiser ser justo, partilhá-lo com o antecessor) pela anedota fonética de ter visto a França ser ultrapassada pela Holanda, um país com 26,4% da população francesa. (Por habitante, a Holanda consegue a proeza de exportar mais do dobro da Alemanha: 47,1 versus 20,4 mil dólares, quedando-se a França pelos 12,3 – e Portugal pelos 7,8.) Sem surpresas, a taxa de desemprego acompanhou estes números. Em 2001, era de 8,2% em França e de 7,9% na Alemanha; em 2012, subira para 10,3% em França e descera para 5,5% na Alemanha. Tudo isto – será conveniente relembrar – quando, em percentagem, o PIB francês subiu sensivelmente o mesmo que o alemão (ou que o holandês) nos onze anos desde o fim do euro. Ou seja, a economia francesa, antes ligeiramente menos competitiva do que a alemã, fechou-se sobre si mesma, derivou para sectores não exportadores e em grande medida apoiou-se no Estado (percentualmente, a despesa pública francesa é a mais elevada da zona Euro; entre 2001 e 2012, subiu de 51,7 para 56,7% do PIB enquanto a alemã desceu de 47,6 para 44,7%). No fundo, salvaguardando a diferença de escala, que a torna too big to fail (escrever isto em inglês é provocação suplementar), a França tem exactamente o mesmo tipo de problemas e a mesma mentalidade vigente que Portugal. Permanecer agarrado à ideia da defesa do Estado Social, em vez de o defender efectiva e realisticamente, dá nisto. E as velhas influências demoram a morrer.

Notas

1. Encontra-se implícito mas, de modo a que não restem dúvidas, acrescente-se que dificilmente se poderá culpar o euro pela totalidade dos problemas franceses. As situações de partida não eram assim tão diferentes.

2. Nas exportações, o problema de Portugal nem foi de ter registado uma queda – no período 2001-2012 desceram de 5,0% para 4,9% das alemãs – mas de serem demasiado baixas logo à partida e não ter conseguido fazê-las subir pelo menos ao ritmo da Holanda.

3. Dos quatro países constantes dos gráficos, França e Portugal foram os únicos que nunca apresentaram receitas superiores às despesas durante os vinte e dois anos considerados e foram também os que mais fizeram crescer a diferença entre umas e outras na sequência da crise de 2008 (ver gráfico abaixo).

4. Certas más-línguas poderiam apontar como factor-chave na diferença de capacidade de reforma entre França e Alemanha o facto de, em 2001 como hoje, a fatia da população dependente do Estado (ver despesa pública em relação ao PIB) ser maior em França. Acrescentariam (as tais más-línguas) que os privados protestam menos, têm sindicatos mais disponíveis para estabelecer compromissos e dificilmente conseguem paralisar o país em que vivem.

5. Hollande promete agora aumentar a competitividade da economia francesa através de um alívio da carga fiscal recaindo sobre as empresas, a ser compensado por cortes de cinquenta mil milhões de euros na despesa pública. Veremos se a medida avança. Prova da falta de juízo que grassa em França (e da importância excessiva das aparências que grassa um pouco por todo o lado) é a intenção de criar uma comissão pública para avaliar se as empresas não estão a abusar da benesse.

6. Como os dados das exportações de vários países revelam e ainda que se desconte o efeito da valorização do euro, o tremendo pessimismo que muitos europeus mostram perante os resultados da globalização é exagerado. Sendo difícil, pode continuar-se competitivo pagando salários altos (mesmo em sectores onde tal pareceria improvável; exemplo: mais de 20% das exportações dinamarquesas de bens vêm do sector agro-pecuário). Já o peso do Estado (e, por conseguinte, das prestações sociais pagas por este) não pode continuar a subir ao ritmo a que subiu nas últimas décadas, até por pressões demográficas que apenas uma gigantesca dose de imaginação permitirá atribuir aos chineses ou ao sistema financeiro.

Fontes: Organização Mundial do Comércio para os dados relativos às exportações, Fundo Monetário Internacional (World Economic Outlook Database, Outubro de 2013) para os restantes.

 

(Clicar nas imagens - e depois uma segunda vez - para aceder a versões maiores. O ano de 1991 foi escolhido para permitir obter um retrato da situação na época imediatamente após a reunificação alemã. A Base do FMI não inclui os dados da despesa e da dívida da Holanda para os anos anteriores a 1995.)

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Ora, François Hollande, como bom socialista e com uma formação académica e política excecionais, antes e depois do seu discurso de vitória, declarou, sem papas na língua, que com a austeridade não se vai a lado nenhum, como se tem visto na Grécia e por todo o lado, incluindo Portugal. É, pois, urgente mudar de paradigma, para pôr termo à crise, como tenho vindo a dizer ao longo destas crónicas, restabelecendo a confiança das pessoas, dos Estados e das instituições europeias, na medida do possível, pondo os mercados na ordem, acabando com os "paraísos fiscais" - como já foi prometido pelo Governo português, mas não cumprido - e restabelecendo o Estado social solidário e o estado de bem-estar para todos. 

 

No DN, em 15 de Maio de 2012, em artigo premonitoriamente intitulado "A Surpresa Hollande". Bem pode dizê-lo.

 

 

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"Estórias de alcova"...

por Helena Sacadura Cabral, em 10.01.14
Finalmente, uma "estória de alcova", não nacional, para aliviar as tensões dos últimos dias.
A grande notícia que está a agitar a França é um artigo de sete páginas, que a revista  Closer acaba de publicar sobre o romance entre Fraçois Hollande e a actriz Julie Gayet, .
O Presidente "lamenta profundamente este atentado contra a sua vida privada, a que tem direito como cidadão", pelo que, embora não desmentindo, declara estar a estudar as respostas adequadas, incluindo as legais".
De acordo com a "Closer", a ligação à actriz é antiga e rumores sobre o caso levaram-na mesmo a apresentar uma queixa, em Março passado, quando o boato se espalhou na internet.
Ilustrada com várias fotografias, a reportagem garante que o Presidente se desloca com frequência ao apartamento ocupado pela actriz, próximo da sua residência oficial. É lá que passa muitas noites, fazendo-se acompanhar nessas deslocações por apenas um guarda-costas, um homem da sua confiança. A suposta relação com Gayet parece não ser, contudo, uma ligação recente.
Hollande está separado de Ségolène Royal, a mãe dos seus quatro filhos, Hollande e mantém oficialmente uma relação com a jornalista Valérie Truerweiler, de 48.
O lado animado da política francesa reside nestas “estórias de alcova”, que têm acompanhado grande parte dos seus governantes e que nem a crise parece enfraquecer ou afectar.
O que me espanta é a capacidade de sedução de Hollande. Ninguém diria...

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La grandeur

por Rui Rocha, em 10.01.14

Os portugueses sofrem de sebastianismo? Pois os franceses têm la grandeur. Que, no fundo, é a nostalgia de Luís XIV. Devemos provavelmente ao General Schwarzkopf  a definição mais lapidar da França e de la grandeur:  ir para uma guerra sem os franceses é como ir caçar sem acordeão.  Quando Churchill afirmou que nunca tantos deveram tanto a tão poucos, a maior parte dos devedores eram franceses. E nenhum deles tinha verdadeira intenção de pagar. Sim, porque la grandeur é também o patriotismo e a resistência de Sartre numa tainada com os amigalhaços enquanto os aliados invadiam a Normandia. La grandeur é a eloquência nas proclamações, a frugalidade nos actos e a míngua dos resultados. O francês médio é um homem destinado a grandes feitos não fosse dar-se o caso de ter as mãos nos bolsos. Liberté, égalité, fraternité é o mote nacional de França. Mas o certo é que os franceses que o gritam chegam à última palavra já bastante cansados. La grandeur é a mediocridade feita parangona, é a visão ampla de pequenos espaços. La grandeur é Hollande e é por isso que Tó Zé Seguro gosta tanto dele. Seguro nasceu na Beira Interior devido a uma lamentável imperfeição da natureza. Se o local de nascimento devesse ser coerente com a índole, Seguro teria nascido na margem esquerda do Sena. E passaria a vida por lá a prometer cenas de esquerda a torto e a direito. La grandeur é uma dimensão escondida que a generalidade dos franceses acredita que tem embora, em geral, não saibamos exactamente onde. No caso de Hollande, todavia, a situação é ligeiramente diferente. À falta de outras evidências que o distingam de um pascácio encartado, e perante a recorrência de certos episódios, devemos  ser humildes: sabemos exactamente onde a única grandeza de Hollande está localizada.

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Nem bom vento nem bom casamento

por Pedro Correia, em 31.10.13

A "lufada de ar fresco" e o "novo ciclo de esperança para a Europa" que prometiam vir de Paris não passaram afinal de miragem para iludir incautos: com 73% de opiniões negativas, François Hollande é o chefe do Estado francês mais impopular desde que há registos. E até já vê a Frente Nacional, de Marine Le Pen, ultrapassar o seu Partido Socialista nas intenções de voto.

Nos dias que correm, o inquilino do Eliseu só pode transmitir más vibrações à son ami Tó Zé no Largo do Rato. Seguro vai ter de encontrar outra fonte de inspiração. Antes que se constipe com tanto ar fresco.

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Crisis? What crisis?

por Luís Menezes Leitão, em 09.06.13

 

Hollande diz que a crise na Europa acabou. Só se for para ele…

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Dupond et Dupond...

por Helena Sacadura Cabral, em 06.05.13

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Frases de 2013 (1)

por Pedro Correia, em 18.01.13

«Os difíceis esforços que Portugal está a fazer estão a dar frutos.»

François Hollande, Presidente francês

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Merkel e Hollande, hoje em Reims, durante as cerimónias de comemoração dos 50 anos de amizade entre França e Alemanha.

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Não perdes pela demora, Angela Merkel

por Rui Rocha, em 14.06.12

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Uma história trivial...

por Helena Sacadura Cabral, em 14.06.12



"Courage à Olivier Falorni qui n'a pas démérité, qui se bat aux côtés des Rochelais depuis tant d'années dans un engagement désintéressé." 


Eis a frase fatal que está a animar "la vie en rose" dos franceses. O que se passa? Um trivialíssimo triângulo de poder.

François Hollande vive hoje com Valérie Trierweiler, depois de ter vivido vários anos com Ségolène Royal, a mãe dos seus quatro filhos e também ela uma mulher da política socialista francesa.

Aquelas palavras, escritas no Twitter por Valérie, são a manifestação do seu apoio público ao adversário eleitoral de Ségolène, a qual, por sua vez, terá o apoio do PS, do Primeiro Ministro e do Chefe de Estado. E são também uma desnecessária gafe. Até porque Hollande, seu companheiro, criticou bastante o seu antecessor, a quem acusava de misturar vida privada e vida política.

Apesar da França ter tido no Eliseu bastantes "histórias de cama", a verdade é que depois de Strauss Kahn esta pedrinha na engrenagem era perfeitamente dispensável.

Trata-se de um erro político de que a primeira vítima é a imagem de um  Presidente coerente e sereno e de que a segunda vítima é a própria Valerie que, a meu ver, se tem evidenciado mais do que o desejável para quem quer compaginar a vida de Primeira Dama com a carreira de jornalista política.

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 19.05.12

«Acabado de tomar posse, encharcado pela cerimónia à chuva, sacudido no meio de uma tempestade no avião e até atingido por um raio, mesmo assim François Hollande não desistiu de levar avante o seu primeiro gesto presidencial: ir a Berlim, cumprimentar a srª Merkel. Adeus, grandeur de la France: o Presidente que a chanceler havia humilhado, recusando-se a recebê-lo quando era apenas candidato presidencial, o primeiro Presidente francês desde a Guerra que não tem pose de galo, o "Presidente normal", assinalava assim a normalidade a que chegámos: a Europa já não conta, só conta a srª Merkel. Quando é preciso falar com a Europa, fala-se com ela. E, quanto mais cedo se lhe mostrar deferência ou vassalagem, tanto melhor para todos. Até para a França.»

Miguel Sousa Tavares, no Expresso

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O aviso do Olimpo

por Helena Sacadura Cabral, em 16.05.12

No Olimpo, os deuses não se entendiam - cá também não - sobre a visita de Hollande a Angela Merkel. Daí, uma acesa discussão em que o grupo mais fracturante fazia as mais terríveis ameaças.
O empossado Presidente da República, consciente da urgência deste encontro, toma o avião. Mas - há sempre esta adversativa quando o Olimpo não está de acordo -, quando a aeronave seguia viagem, um raio imenso abateu-se sobre ela obrigando-a a recuar e voltar ao aeroporto de partida. Está de ver que o grupo fracturante cumprira a promessa...
Finalmente Hollande pôde seguir viagem e, atrasado, mas ainda no próprio dia de ser empossado, cumprimentar a chanceler.
Hoje tentei perceber através da comunicação social qual o resultado de tanta urgência. Só vi banalidades. Que sim, que ambos concordavam em que a Grécia devia manter-se no euro. Que não, que a austeridade estava a impedir o desenvolvimento. Que talvez sim ou talvez não, se tornava necessário trabalhar em conjunto e ouvir as vozes europeias.
E pronto. A Grécia segue para novas eleições, que sim ou que talvez não, resolvam o assunto. E eu continuo sem perceber a urgência do encontro. Defeito meu, certamente, que ando menos acelerada que a França!

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The loser takes it all

por Rui Rocha, em 16.05.12

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O Hollandês voador

por Rui Rocha, em 15.05.12

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O início da era Hollande (3)

por Pedro Correia, em 15.05.12

Viagem a Berlim do recém-empossado Presidente francês começa mal: avião foi forçado a regressar a Paris após ter enfrentado uma fortíssima tempestade.

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Para quê tanto afã?!

por Helena Sacadura Cabral, em 15.05.12



François Hollande tomou posse hoje como PR da França e parte de imediato para a Alemanha para se encontrar com Angela Merkel.

Por muito que Hollande diga que leva na bagagem uma nova era no relacionamento entre os dois países, confesso que me causa um certo incómodo a rapidez com que esta viagem se realiza. É que tanta pressa - no próprio dia da tomada de posse... - configura mais subserviência do que o contrário.

Seguramente que Hollande tem bons conselheiros. Mas neste caso não seria preferível que a chanceler alemã viesse cumprimentar o novo PR no seu país? E não sendo assim, o que é que justifica que esta visita não pudesse ser realizada dentro de dias? Será que é a agenda alemã que continua a comandar a vida na França?

Há algo de verdadeiramente bizarro no afã desta deslocação...

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O início da era Hollande (2)

por Pedro Correia, em 15.05.12

 

«Como é que alguém consegue governar um país que tem duzentas e quarenta seis variedades de queijo?»

Charles de Gaulle

 

Dados macro-económicos da França que François Hollande herda de Nicolas Sarkozy:

- crescimento médio do PIB entre 2009 e 2011: 1,5%

- crescimento do PIB em 2012 (previsão): entre 0,4% e 0,7%

- desemprego: 10,1%

- défice público: 5,2% do PIB

- dívida pública: 83% do PIB

 

Promessas eleitorais de Hollande:

- renegociação do tratado orçamental

- redução em 30% dos salários do Presidente e dos ministros

- equilíbrio orçamental em 2017 (défice zero)

- introdução na Constituição do princípio da concertação social

- concessão do direito de voto aos cidadãos estrangeiros provenientes de países extra-comunitários

- actualização do salário mínimo, indexado ao crescimento do PIB

- criação de 150 mil empregos para jovens: "contratos de geração"

- incentivos fiscais às empresas que contratem pessoas com menos de 30 anos e mantenham nos seus quadros pessoas com mais de 55 anos

- criação de 60 mil postos de trabalho no sector da educação público da educação e cinco mil na justiça durante os próximos cinco anos

- diminuição da idade de reforma para 60 anos quando houver 41,5 anos de descontos

- reforma fiscal: novo escalão de 45% para rendimentos acima de 150 mil euros e de 75% sobre os rendimentos superiores a um milhão de euros por ano

- taxa de IRC de 35% para grandes empresas, 30% para as médias e 15% para as pequenas

- renegociação dos acordos com Bélgica, Suíça e Luxemburgo que permitam cobrar impostos aos exilados fiscais

- reforma bancária, criando um banco público de investimento separado da banca comercial

- maior regulação do sistema bancário

- proibição de envolvimento da banca francesa em paraísos fiscais

- aumento de 15% do imposto sobre os lucros bancários

- congelamento durante três meses dos preços dos combustíveis e do gás

- redução da componente nuclear da produção de energia eléctrica dos actuais 75% para 50%

- manutenção do Estado nos sectores postal, dos transportes e da energia

- redução do preço dos medicamentos e maior comparticipação de genéricos

- redução para metade da taxa do insucesso escolar

- casamento entre pessoas do mesmo sexo, com reconhecimento do direito à adopção

 

Fica o registo. Para dentro de um prazo razoável verificarmos quantas destas promessas foram cumpridas - e em que termos. Cada vez mais os políticos devem ser confrontados entre o que propõem aos eleitores e aquilo que são capazes de concretizar assim que ascendem ao poder.

Publicado também aqui

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O início da era Hollande (1)

por Pedro Correia, em 14.05.12

 

Vinte e quatro anos depois, a França - o país da Europa que pensa mais à esquerda e vota mais à direita - voltou a eleger um presidente socialista. François Hollande derrotou um desgastado Nicolas Sarkozy por escassos três pontos percentuais, inferiores ao que prediziam todas as sondagens.

Sarkozy, que pela sua natureza e pelas suas atitudes tem pouco a ver com os conservadores clássicos, repetiu até à exaustão durante a campanha que durante o seu mandato de cinco anos nunca a França esteve um trimestre em recessão, apesar da crise generalizada na Europa. É verdade. Mas também é certo que o país tem um nível de desemprego preocupante e as taxas oficiais de crescimento não revelam - longe disso - uma economia dinâmica, o que ajuda a dar asas ao discurso demagógico e populista de Marine Le Pen, a dirigente da Frente Nacional que ambiciona liderar a direita francesa.

 

No digno discurso em que reconheceu a derrota, na noite de 6 de Maio, Sarkozy destacou a força das instituições democráticas que permitem uma alternância tranquila no poder. A vitória de Hollande projecta-se para fora das fronteiras da Europa com a força de um símbolo numa região do mundo onde a esquerda tem sido duramente penalizada nas urnas desde que eclodiu a crise dos mercados financeiros.

Para um democrata, nunca é de mais sublinhar a importância destas rotações de poder ditadas pela soberania do voto popular. Num continente onde crescem de modo alarmante as forças extremistas "anti-sistémicas", indiferentes às lições da História bem evidenciadas nas décadas de 20 e 30 do século passado, um democrata convicto tem o dever cívico de proclamar esta sua condição. Que implica a aceitação dos resultados eleitorais, sejam eles quais forem. O exercício do direito de voto torna as sociedades mais fortes contra as investidas de todos quantos pretendem suprimi-lo invocando para esse efeito palavras tão apelativas e tão manipuláveis como povo, pátria, nação ou classe.

 

A economia francesa não está bem. Mas a política mantém-se de boa saúde e recomenda-se. Prova disso foi a grande afluência eleitoral: mais de 80% dos franceses inscritos nos cadernos de recenseamento acorreram às assembleias de voto na segunda volta das presidenciais.

Uma boa notícia para a União Europeia, que está tão carente delas. E uma responsabilidade acrescida para o novo inquilino do Eliseu, que amanhã toma posse. O seu primeiro passo como Presidente é significativo: voa de imediato para Berlim, onde será recebido por Angela Merkel.

A política vive muito de símbolos. Este é tão forte que fala por si. De forma mais expressiva do que todas as torrentes de retórica em que a França sempre foi fértil. Como costumava dizer o general De Gaulle, "nada grandioso será alguma vez conseguido sem grandes homens - e os homens só se engrandecem quando estão determinados nisso".

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O efeito Hollande foi sol de pouca dura

por Rui Rocha, em 14.05.12

Tal como se esperava, logo depois da tomada de posse (que terá lugar amanhã), as temperaturas começarão a baixar, estando previstos, inclusivamente, alguns aguaceiros mais lá para o final da semana:

 

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Chico Buraco de Hollande

por Rui Rocha, em 09.05.12

Os conselheiros de François Hollande afirmam que há buracos no programa do lado da despesa e que existe uma janela de oportunidade para o recuo político.

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O emplastro

por Rui Rocha, em 08.05.12

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Segurollande

por Rui Rocha, em 07.05.12

No fundo, Tó Zé Seguro é apenas mais um português que se vê obrigado a ultrapassar as fronteiras para encontrar o sucesso que lhe tem sido negado dentro de portas.

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Que regras tem este jogo?

por José Navarro de Andrade, em 07.05.12

 

É altura de rever “La Règle du Jeu“ de Jean Renoir. Parece impossível, mas aprende-se muito com o passado. O filme foi estreado em 1939, o ano que hoje sabemos ter sido aquele em que a Europa morreu para o mundo e talvez por isso, pela desvairada ilusão em que todos viviam, literalmente todos, dos comunistas aos fascistas com tudo o que havia pelo meio, suscitou a execração geral.

Porque foi tão odiado então um filme que depois viria ser tão obviamente amado? Porque por exemplo há um estupefacto marquês que a dado passo tem a lucidez e a impotência de dizer: “O que é terrível nesta terra é que todos têm as suas razões”. Tinham, como nesse Outono de 39 se começou a perceber, ou seja, ninguém tinha razão nenhuma porque menos com menos só resulta em mais desgraça.

Rever “La Règle du Jeu” ajuda a desconfiar do poder e da virtude prometida pelo novo senhor que se sentou à mesa no château de França. Quando o marquês do filme se enfada de vez com a confusão instalada no castelo ordena ao criado: “faites cesser cette comédie”, ao que este, sonso e arguto como todos os servos, lhe contesta: “laquelle, Monsieur?”

Vejam como nos pusemos: de boné torcido nas mãos à espera de uma palavra do marquês de Hollande que nos mude o destino, que dele venha um gesto de compreensão e misericórdia com o nosso penar. E enquanto nos prostramos na soleira do portão, negligenciamos que ao fundo do quintal se vai armando uma patuleia de muito má índole. O que sucedeu na Grécia é bem mais feio e decisivo do que as prováveis hesitações do futuro Hollande, porque a barafunda, como se sabe e é patente, grassa sempre das periferias para o miolo.

Serão as ilusões de 39 outra vez? “lequelles, Monsieurs?”

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O efeito Hollande

por Rui Rocha, em 07.05.12

Temperaturas vão subir quase 10 graus em Portugal continental.

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Merkel: derrota em três frentes

por Pedro Correia, em 06.05.12

 

Angela Merkel perdeu hoje em três frentes.

Na frente externa, o seu mais fiel parceiro europeu - Nicolas Sarkozy - foi derrotado por François Hollande nas presidenciais francesas. E a Grécia sai das urnas ainda mais fragmentada e ainda mais ingovernável, com um expressivo voto de protesto que penaliza as duas maiores forças políticas pró-europeias e rejeita novas medidas de austeridade impostas por Berlim.

Na frente interna, a chanceler alemã vê a União Democrata-Cristã recuar nas eleições estaduais de Schleswig-Holstein, onde o seu parceiro de coligação se afunda. Depois das derrotas na Renânia do Norte-Vestefália, Hamburgo, Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Baden-Vutemberga.

São sinais reveladores. Que devem ser lidos com atenção. Em todas as capitais da União Europeia, onde as forças extremistas, nacionalistas e populistas vão ganhando terreno. Não só em Atenas, não só em Paris. Por uma espécie de lenta implosão das famílias políticas tradicionais, incapazes de escutar a voz da rua.

Sinais que devem fazer meditar seriamente os políticos com responsabilidades governativas. Para que a união não se transforme em desunião e o sonho europeu não naufrague. Só ele possibilitou a paz prolongada na Europa, de longe o continente com maiores cicatrizes de guerra. Como a História nos ensina.

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As duas eleições

por Helena Sacadura Cabral, em 06.05.12

 

Hoje houve eleições em dois países europeus. Um, a Grécia, mergulhado numa crise como não há memória, deu ao partido socialista uma derrota da qual vai ser difícil sair. O outro, a França, a caminhar para uma crise cujos contornos são ainda pouco claros, deu ao socialista François Hollande, o seu voto para que ele ponha em prática as sessenta medidas com que se comprometeu.
Nenhuma destas eleições é, hoje, apenas nacional. Elas terão repercussão a nível europeu e até de algum modo a nível mundial. Veremos se a mudança foi, ou não, para melhor...

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Pauvre mec.

por Luís M. Jorge, em 06.05.12

É um triste sinal da velhice, alguém manter a verrina enquanto descuida o estilo e abandona a inteligência. Vasco Pulido Valente dedica a sua crónica de hoje à tentativa frustre e atordoada de persuadir o leitor que Hollande  "não mudará a Europa".  Como se Hollande não tivesse mudado a Europa no próprio minuto em que venceu: bastou-lhe não ser Sarkosy. Nesse minuto, a cumplicidade entre os Governos francês e alemão acabou. Merkel está só. A segunda potência europeia escolheu outro caminho. Nenhuma birra, nenhum azedume altera a realidade.

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Eleições francesas (4)

por Rui Rocha, em 06.05.12

Só um político sem qualidades ganharia por margem tão curta a um adversário tão cheio de defeitos.

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Eleições francesas (3)

por Rui Rocha, em 06.05.12

François Hollande tem tudo para ser um líder de cariz asmático.

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A inabilidade política de António Seguro começa a tornar-se um caso de estudo. O último tiro no pé foi dado com a colagem a Hollande. Ao fazê-lo, Seguro caucionou o entendimento de que o candidato socialista é a esperança para uma Europa melhor e para uma alteração de políticas de que Portugal também sairia beneficiado. Ora, alguém deveria explicar a Seguro que, ao remeter a esperança e a responsabilidade por putativas soluções para um espaço político exterior a Portugal, está a desresponsabilizar Passos Coelho dos insucessos da sua governação. Vejamos. É pouco provável que Hollande esconda por trás daquele olhar vagamente atoleimado dotes de político genial e de ilusionista com a cartola cheia de soluções que colocarão a Europa numa rota de crescimento e prosperidade. E que Portugal vá a reboque. Admitamos todavia que sim. Nesse caso, Passos Coelho poderá sempre dizer que antes de Hollande, o génio, não era possível fazer melhor. Isto é, o êxito de Hollande (escrever êxito e Hollande na mesma frase é de facto arriscado) implicará o insucesso político de Seguro pois ajudará à sobrevivência política de Passos Coelho. Por outro lado, se como tudo indica, o tal olhar de Hollande corresponder a uma predestinação para o fracasso, António José Seguro ficará associado a mais um cidadão residente em França com especialização em filosofia do incumprimento. Ora, já não é fácil carregar a cruz que um certo vendedor de ilusões (que agora abrilhanta os serões das margens do Sena) lhe deixou. Pior seria ficar agora pregado naquela que Hollande se prepara para erigir no Eliseu. É claro que não deve ser fácil exercer de pastor de um rebanho de ovelhas, umas negras, outras tresmalhadas, como as que compõem o grupo parlamentar e o Partido Socialista. A tentação de fugir para lá dos Pirenéus é humana e compreensível. Mas, as escassas hipóteses de sucesso que a roda do destino entendeu reservar a Seguro estão na luta política no espaço nacional e nos assuntos internos. Para aquilo que lhe interessa, de França não vem, em qualquer circunstância, nem bom vento nem bom casamento. Dali, o vento que sopra traz a memória de Sócrates, o fantasma do passado. Por outro lado, o casamento com o futuro de Hollande só pode prejudicá-lo no presente e, sobretudo, no futuro.

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França em tempo de viragem

por Pedro Correia, em 02.05.12

 

Logo à noite os franceses - e milhões de europeus - assistirão ao debate televisivo entre o socialista François Hollande, que na primeira volta das presidenciais venceu por escassa margem (28,6% contra 27,2%), e o conservador Nicolas Sarkozy, inquilino do Palácio do Eliseu desde 2007.

Marine Le Pen já anunciou que não recomenda o voto em nenhum dos candidatos. É uma má notícia sobretudo para Sarkozy, que pretende cativar a esmagadora maioria dos 6,4 milhões de eleitores da Frente Nacional - a grande surpresa da primeira volta, na qual a filha de Jean-Marie Le Pen atingiu os 18%.

 

No escrutínio do próximo domingo está muito mais em jogo do que o próximo titular da presidência francesa: está também em jogo o destino da União Europeia, alicerçada no cimento franco-alemão.

O risco da desagregação da Europa é real. Como nunca o foi desde 1957.
Mas a verdade é que também nunca como agora o discurso anti-europeu foi tão popular em França. De tal maneira que cativou cerca de um terço do eleitorado que foi às urnas no dia 22.

Há muitos anti-europeístas, na esquerda radical e na direita radical - aliás com posições simétricas em diversos domínios.

Uns exigem que Paris rasgue o Tratado de Lisboa, como Jean-Luc Mélenchon, o candidato da Frente de Esquerda (agrupando comunistas e esquerdistas radicais) que, abandonando anteriores teses federalistas, passou a dizer nesta campanha que a União Europeia"deixou de ser a solução para passar a ser o problema".

Outros, como Marine Le Pen, advogam já sem peias o regresso ao franco. Sabendo que uma Europa sem euro deixará de ser Europa.
Mélenchon, de algum modo, já pertence ao passado: no dia 22 obteve um resultado muito aquém do que previam todas as sondagens. O melhor que conseguiu (17%) foi em Saint-Denis - na antiga 'cintura vermelha' de Paris. Nem o enorme desgaste do mandato de Sarkozy nem o facto de neste primeiro escrutínio não estar sequer em jogo o chamado 'voto útil' à esquerda o levaram a ultrapassar uns decepcionantes 11,1% a nível nacional - basta recordar que o comunista Georges Marchais, na primeira volta das presidenciais de 1981, conseguiu 15,35%.
Mas a maior derrota de Mélenchon ocorreu no plano simbólico, ao quedar-se no quarto lugar, muito atrás de Marine Le Pen - ela sim, congregadora do essencial do voto de protesto. E - espantosamente - também a maior beneficiária do voto dos operários franceses: 29% votaram nela (mais um ponto percentual do que Hollande, o segundo candidato preferido pela classe operária). Algo que devia motivar a reflexão de toda a esquerda europeia no momento em que se regista uma inédita taxa de 10,9% de desemprego na zona euro.


O problema maior em França está na direita extremista, que sob a insígnia da Frente Nacional capitaliza também o essencial do discurso anti-europeu, mobilizando os cidadãos "invisíveis" e "esquecidos" dos arrabaldes citadinos e das pequenas comunidades do interior que se sentem excluídos desta construção europeia enquanto contemplam, nostálgicos, as ruínas das fábricas - símbolos da França de outrora. Orgulhosa potência industrial e cultural até há poucos décadas, a velha pátria do general De Gaulle atravessa um período de inegável decadência.

Qualquer dos candidatos, para vencer no domingo, precisa dos votos que agora recaíram na Frente Nacional, cujas propostas merecem a aprovação de 37% dos franceses. Como acentuava há dias o insuspeito Le Monde, «é Marine Le Pen quem conduz esta campanha. São os temas da extrema-direita que estão no centro do debate».
Assim é. Já influenciaram o errático discurso de Sarkozy, que agora defende a suspensão do acordo de Schengen no espaço francês. E até o prudente Hollande começa a lançar sérias prevenções contra a imigração descontrolada.
A contaminação do centro político por franjas radicais é a consequência mais preocupante da crise europeia. Não tenhamos dúvidas: apesar das dificuldades actuais, a União Europeia - parafraseando Churchill - é a pior das configurações políticas excluindo todas as restantes. Mil anos de guerras sangrentas provocadas pela confrontação dos nacionalismos na Europa confirmam esta evidência.

 

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ADENDA: Excertos de alguns dos principais debates presidenciais em França

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Douce France

por José Navarro de Andrade, em 24.04.12

Se a psicanálise ainda estivesse viva as eleições francesas seriam o ponto de rebuçado da catarse política. O que nunca falha é elas conseguirem libertar dois tipos de recalcamentos psíquicos que poderiam ser identificados como o “síndrome Maria Antonieta” e o “complexo salazar”, assim denominados em honra dos seus promotores.

Ainda hoje está por esclarecer se a boutade da princesa austríaca foi jocosa ou mero reflexo da estupidez aristocrática. Ao sugerir brioches a quem reclamava pão, é bem possível que a surpresa dela fosse legítima, vinda de alguém que nunca pisara além dos muros palacianos e simplesmente ignorava qualquer espécie de condição humana que não fosse a dela, a das suas damas de companhia, a dos cavalheiros que as acompanhavam e a dos seus caniches. Viver entre quatro paredes a ler livros pode dar nisto.

Temos então em 2012 Sarkozy o bobo, o populista, o consumado relapso, o patente crápula, o desqualificado aos olhos das mentes mais ilustradas entre a Finisterra e os Urais, o prematuro derrotado, e ei-lo muito pimpão a meio caminho de regressar ao Eliseu. Como pôde o povo escolher tal côdea dura, quando dispunha do tenro brioche Hollande? Como sucedeu tamanho ultraje à inteligência? Só pode ter sido por obra do demo ou do direito universal de voto, o qual como se sabe, equipara a escolha dos parvos à dos ensinados.

Entra em cena Salazar pela direita baixa: será que os franceses não estarão preparados para a democracia? Porque se estivessem outro coq cantaria.

Vá lá que desta vez não houve indícios de hecatombe como em 2002 (Jospin dehors, 2ª volta entre a direita-direita de Chirac e a extrema-direita de Le Pen, pai). Mas ainda assim não faltarão vestais para rasgar as vestes, dado que a loura burra não desmobiliza a votação do zarolho. A imoralidade tomou conta da França, dirão em último recurso, porque é sempre nessa instância que o discurso político resvala para a moralidade. Mas a pergunta que os patrícios da política se resguardam de enfrentar é bem simples: porque razão votam assim os franceses? Ou outra ainda mais comichosa: que cegueira ataca quem faz vida a discorrer sobre política, que não lhe permite compreender resultados historicamente tão consistentes?

Ou será que excepto a realidade está tudo mal? (Mas esta agora é mais complicada).

 

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A nostalgia da grandeza perdida

por Pedro Correia, em 23.04.12

 

Outros dirão provavelmente que o resultado da primeira volta das presidenciais de ontem em França foi bom para a Europa. Não é o meu caso. Quase um terço dos eleitores, que acorreram em grande número às urnas, exprimiram com clareza um voto anti-europeu.

É certo que o peculiar sistema eleitoral francês potencia o voto de protesto na primeira volta. Mas se somarmos os 6,4 milhões de eleitores de Marine Le Pen (que conduziu a Frente Nacional ao seu melhor resultado de sempre) aos quatro milhões de Jean-Luc Mélenchon, representante da Frente das Esquerdas (o equivalente gaulês do Bloco de Esquerda), verificamos que cerca de um em cada três franceses renega o essencial do projecto europeu tal como foi desenhado no último meio século. No todo ou em grande parte, estes eleitores querem que o país abandone o euro, renegue Schengen, rasgue o Tratado de Lisboa. Defendem o "patriotismo" monetário, o proteccionismo económico, o controlo estatal do aparelho produtivo. Renegam a disciplina financeira. Exigem a reforma aos 60 anos e a subida do salário mínimo para os 1700 euros como se vivessem numa ilha, separada do continente, numa irreprimível nostalgia daquelas três gloriosas décadas - entre 1945 e 1975 - em que a França, grande potência industrial e agrícola, era um dos motores da economia mundial, com índices anuais de crescimento do produto interno bruto que ultrapassavam os 5% (mantendo-se nos 5,8% entre 1959 e 1973).

Esses tempos passaram, provavelmente para sempre. Vista de outras parcelas do globo, observada por chineses ou brasileiros, a Europa é hoje um continente em irreprimível declínio. A França deixou de desempenhar o relevante papel cultural que durante séculos assumiu no mundo e não o retomará com bravatas retóricas. Nem François Hollande (28,3%), com o seu socialismo descafeinado, nem Nicolas Sarkozy (27,2%), o mais errático dos conservadores europeus, conseguirão alterar nada de essencial - suceda o que suceder na segunda volta, com os eleitores de Marine a servirem de fiéis da balança.

"A extrema-direita, com quase 20% na França do século XXI, é o resultado da crise económica, política e moral", alertou o candidato centrista François Bayrou, que obteve uns decepcionantes 9,1%. É a voz da razão. Mas cada vez menos querem ouvi-la nos dias que vão correndo, em que tudo serve de pretexto - à esquerda e à direita, com a cumplicidade activa das candidaturas do "sistema" - para enterrar o projecto europeu. Todos teremos a perder com isso. E, como é de prever, só perceberemos tarde de mais.

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ADENDA de 26/4:

Jorge Almeida Fernandes, no Público: «A “questão da Europa”, sempre latente em França, volta a ser central. Note-se que, entre extrema-direita e extrema-esquerda, mais de um terço do eleitorado pôs directamente em causa a Europa.»

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Le fond de l'air est frais

por José Navarro de Andrade, em 23.04.12

 

É só para dar uma noticiazinha de rodapé que parece ter ficado esquecida: voltem a pôr a rolha no champagne, Carla Bruna deverá morar mais 5 anos no Eliseu (e Sarkozy também). Para Portugal isto nem é bom nem é mau, ou alguém ainda se iludirá com a hipótese de Hollande defender uma política europeia para a França (esta frase é assim mesmo) diferente da actual?

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Numa eleição, a insuficiência de argumentos pode ser suprida pelo carisma dos candidatos. Mas nesta eleição defrontam-se Sarkozy e Hollande. Não têm ponta de carisma por onde um eleitor lhes possa pegar. Sarkozy tem defeitos. Hollande não tem qualidades. Sarkozy não agrada. Hollande não convence. Sarkozy não cumpriu as promessas que fez. Hollande faz promessas que não pode cumprir. Perante isto, Hollande vai vencer. As eleições ganham-se ao centro. Para sobreviver na 1ª volta, Sarkozy andou em ziguezague, mas encostado à direita. Em nome dos fins, perdeu o meio. Não o vai recuperar. Criou anticorpos onde Hollande recolhe indiferença. Os anticorpos são insuperáveis. A indiferença admite um voto de olhos fechados. A avaliação que o eleitor comum pode fazer sobre Hollande não é positiva. A que faz sobre Sarkozy é negativa. O voto do mal menor vai prevalecer. O melhor virá no dia seguinte. No momento em que Hollande for confrontado com as suas promessas. Ou tenta cumpri-las e desgraça a França, transformando-a na Lalallande, ou não as cumpre e desgraça-se, transformando-se a si próprio em Ohlalallande. De uma maneira ou de outra, o estado de graça do futuro Presidente de França dura exactamente até à noite de 6 de Maio. Sarkozy não merece tanto.

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