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"O FMI? Não tem que enganar."

por Rui Rocha, em 06.04.16

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O bom trabalho na justiça.

por Luís Menezes Leitão, em 07.01.16

 

Não há nada que eu mais goste do que ver relatórios de pseudo-especialistas, normalmente feitos por encomenda, a dizer disparates sobre coisas de que não conhecem absolutamente nada. Este relatório louva pura e simplesmente o facto de a justiça portuguesa ter passado a ter o nível do terceiro mundo, com elevadíssimas custas judiciais, processos sem quaisquer regras, execuções encerradas sem se conseguir cobrar absolutamente nada, e tribunais a 100 km das populações. Convenientemente omite o colapso do citius, que deixou o país dois meses sem tribunais. Se é este o tipo de justiça de que o FMI gosta, bem podem limpar as mãos à parede. Não é seguramente a justiça de um país desenvolvido no quadro da União europeia. Nos bons velhos tempos, quem apresentasse um relatório destes, enfiava umas orelhas de burro e ia para o canto da sala de aula. Hoje, porém, o direito ao disparate é livre e a propaganda do mesmo também. Se todo o país está triste com o resultado das reformas da justiça, ao menos que o FMI fique satisfeito. Afinal foi seguramente em sua intenção que este desastre foi realizado.

 

Publicado também no Lei e Ordem.

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Póquer grego

por Rui Herbon, em 25.06.15

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Cumpriram-se cem anos desde que as nações da Europa foram para a guerra porque os planos dos estados maiores não coincidiam com os dos governos e políticos. Cada um ia por sua conta. Os políticos não entendiam o que os militares tramavam, e quando quiseram deter a marcha para a loucura que foi a Grande Guerra já era tarde. Durante quatro anos os governos dependeram da sorte dos seus exércitos, até que a Conferência de Paris, em 1919, construiu uma nova Europa sobre milhões de mortos. Começava um período de confrontações e de mudanças que desenharam novas fronteiras sobre as cinzas dos impérios caídos.

 

Salvando todas as distâncias e mudando os países e os seus actores, poder-se-ia afirmar que o mundo da política e o dos mercados, da finança e dos agentes económicos perderam o contacto. A Europa e a Grécia esticam a corda das suas relações até ao ponto de se contemplar a possibilidade da segunda abandonar a zona euro. O BCE, o FMI e a Comissão Europeia - a troika - são quem detém a iniciativa, sob o controlo à distância do governo alemão, dos bancos europeus e dos investidores que pretendem logicamente recuperar as suas aplicações na Grécia. Um jogo muito perigoso. A ruptura seria um desastre para os gregos, mas a Europa não sairia ilesa. A maioria dos gregos quer permanecer na zona euro, mas o governo de Tsipras pede ajuda a Merkel para que os salve sem fazer as reformas imprescindíveis no país. Levamos muitos meses de negociações tensas em que por vezes, de parte a parte, se recorreu a linguagem de taberna.

 

Têm sido os dados e números esgrimidos pelas autoridades monetárias e financeiras a ditar as decisões políticas. Mas do que a Grécia precisa, depois de um resgate financeiro, é de um resgate económico. Claro que a eleição de um governo de esquerda socialista tornou mais complicada a relação com a troika. O governo helénico pede mais euros para não entrar em bancarrota; a Europa contrapõe que só se Atenas apresentar reformas credíveis que, na prática, terão efeitos negativos na vida da população. É este o nó górdio. Do lado europeu fala-se com a linguagem da austeridade; do grego com uma certa petulância ideológica que não apresenta um indício de reformismo. É perigoso jogar com linguagens distintas simplificando conceitos e mesclando situações. Podem o euro e a Europa seguir em frente deixando cair a Grécia? Ninguém sabe. Mas a própria chanceler alemã já advertiu que se o euro cair, cai a Europa.

 

Convém também recordar que uma das razões para a criação da Aliança Atlântica, em 1949, foi a incapacidade do Reino Unido e da França para defenderem a segurança da Grécia e da Turquia, numa altura em que diversos países europeus (Checoslováquia, Polónia, Hungria) caíam sob o controlo da União Soviética de Estaline. A doutrina Truman nasceu precisamente para defender a zona de influência ocidental definida na Conferência de Yalta. Os encontros de Tsipras com Putin contém uma mensagem inequívoca, ainda que neste momento a Rússia não esteja em condições de prestar ajuda a ninguém. Mas convém contemplar a crise grega também de um ponto de vista geopolítico.

 

Há que encontrar uma saída para a crise através de acordos de longo prazo. A confiança é tão frágil, e os planos da Grécia para reestruturar a sua dívida tão pouco convincentes, que esta partida de póquer pode acabar com o triunfo do forte e a humilhação do fraco, que buscaria alianças alternativas. Aos gregos, em qualquer caso, esperam-lhes tempos míseros, porque há muitos anos que o país vivia num delírio financeiro que contemplava inclusive o completo falseamento das contas nacionais. Mas não devemos esquecer que por vezes um problema menor é a acendalha para um grande incêndio. Como há cem anos.

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Ó p'ra ela a virar esquerdalha!

por Teresa Ribeiro, em 23.01.15

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A Lagarde a fazer a apologia da distribuição da riqueza é... comovente. Fica-lhe tão bem como a gola de Vison que levou para Davos.

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E as reformas, pá?

por Rui Herbon, em 03.06.14

Ainda que costume reputar-se o FMI como um organismo criado para fomentar o avanço do liberalismo mais radical, o certo é que as suas intervenções nos países que o solicitam (por vezes omite-se ou esquece-se que o fundo só entra onde é chamado) têm sempre uma forte carga estatizante. A sua missão original, quando ainda vigoravam as taxas de câmbio fixadas em Bretton Woods, era relentar o processo de ajustamento dos países com graves desequilíbrios externos oferecendo-lhes empréstimos mais suaves em moedas fortes; actualmente, quando já não existem taxas de câmbio fixas, é relentar o processo de ajustamento de países com intensos desequilíbrios internos oferecendo-lhes créditos igualmente suaves e promovendo a adopção de políticas keynesianas de esbanjamento. 

 

Fazendo gala desta tradição, o FMI publicou há pouco as conclusões preliminares da sua última avaliação sobre a economia alemã. A principal recomendação voltou a ser que a Alemanha deve incrementar o investimento público em infra-estruturas (mais um exemplo do ultra-liberalismo do fundo) para impulsionar a sua procura interna e, com ela, as importações do resto da debilitada Zona Euro. Segundo parece, o vício dos alemães é a poupança, o que impossibilita que os países periféricos cresçam pela via exportadora. A nossa única esperança é pois, segundo os economistas do fundo, que os alemães sejam invadidos por um tresloucado impulso gastador e que parte do pilim desembolsado aterre nas economias do sul. 

 

Certamente a correcção dos desequilíbrios dentro da Zona Euro requer uma redução do superávit alemão e do défice dos periféricos. Mas essa correcção não pode conseguir-se de qualquer forma e a qualquer preço: não deve o governo germânico obrigar os seus cidadãos a consumir qualquer coisa que seja fabricada nos periféricos; pelo contrário, esses países devem esforçar-se por converter economias viciadas no cimento e na dívida em economias capazes de gerar bens transaccionáveis com procura internacional. O sul da Europa não devia procurar mendicante os subsídios no norte, mas ambicionar o dinamismo interno que lhe permita gerar riqueza. Não é algo impossível: desde o início do programa de ajustamento as nossas exportações aumentaram significativamente e o défice da nossa balança comercial tem vindo a reduzir-se. E isso não ocorreu porque os consumidores dos outros países tenham sido obrigados a comprar massivamente as nossas mercadorias, mas porque os empresários portugueses conseguiram encontrar novos mercados para os seus produtos (os tradicionais e os novos e inovadores).

  

O inimigo da recuperação europeia jamais foi a exagerada austeridade alemã, mas a prodigalidade dos periféricos cujos governos têm tentado perpetuar por todos os meios ao seu alcance — e quando não são eles lá estão as respectivas constituições a assegurar o statu quo. Em vez de baixar impostos libertando rendimento disponível para famílias e empresas, os governos do sul aumentaram-nos até níveis inimagináveis para assim consolidarem o seu idolatrado Estado; longe de cortar os gastos públicos para deixarem de fagocitar a nossa escassa poupança interna no financiamento do seu monstruoso défice, os governos do sul reduziram o orçamento o mínimo indispensável para evitar uma eminente bancarrota e continuar a gastar sem controlo; longe de liberalizar a economia para não obstaculizar o engenho empresarial, limitaram-se a retocar alguns pontos da legislação laboral com a esperança de que uma certa deflação salarial permita manter todas as restantes regulações; longe de fazer recair as perdas das entidades financeiras sobre os seus accionistas e credores através de um justo bail-in, optaram por socializar as perdas através de um desonesto bailout.

 

Resumindo: uma despropositada política económica destinada a travar o rápido reajustamento interno necessário para corrigir os nossos desequilíbrios externos, que contou não só com o apoio das instituições europeias e dos governos que a aplicaram, como com o aplauso entusiasta do supostamente liberal FMI. Mas sim, o nosso problema é que Merkel não gasta o suficiente em estradas.

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O período de nojo ainda foi mais curto do que o de Sócrates

por Sérgio de Almeida Correia, em 01.03.14

Será que a senhora leu a carta de despedida?

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Subir Lall garante que FMI não quer descer salários.

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O bom, o mau e o vilão

por Helena Sacadura Cabral, em 18.06.13
"À la mi-mars, un étrange incident retenait l’attention de la presse financière : la Troïka, la force d’intervention chargée d’expliquer aux pays en difficulté de la zone euro ce qui est attendu d’eux en échange d’un plan de sauvetage financier, se clivait. Cette tripartite composée de la Commission européenne, de la Banque centrale européenne (BCE) et du Fonds monétaire international (FMI) laissait en présence deux camps antagonistes composés, d’un côté du FMI, de la BCE et de l’Allemagne, et de l’autre, de la seule Commission européenne. On lisait dans le Financial Times en date du 17 mars, ces propos étonnants : « Arrivé à ce point […] la Commission [européenne] avait perdu toute crédibilité à Berlin ».
La publication, le 20 mai, par le FMI, d’un rapport d’évaluation de la politique adoptée durant deux ans à l’égard de la Grèce (*), constitue un second épisode de la guerre intestine qui déchire désormais la Troïka. Témoignage de la profondeur du fossé qui s’est creusé, la réaction violente d’Olli Rehn, économiste en chef de la Commission européenne, exprimant son « désaccord fondamental » avec les conclusions du rapport.
Bien que recourant aux euphémismes d’usage, les reproches qu’adresse le FMI à la Commission européenne sont en effet dévastateurs : incompétence, amateurisme et, plus sérieusement encore, complicité de deux poids lourds jouant contre leur propre camp, tirant parti du rapport de force en leur faveur pour faire payer les pots cassés, non seulement par la Grèce, mais aussi par les pays situés en-dehors d’un axe Berlin-Paris, et par le contribuable européen en général et ceci, au bénéfice exclusif des établissements financiers.
Ce qu’affirme le rapport du FMI pour qui sait lire entre les lignes, c’est que l’Allemagne et la France laissèrent pourrir la situation pour permettre à leurs banques de récupérer les prêts « accordés à la Grèce », l’ardoise étant réglée par la Banque centrale européenne devenue « banque de défaisance » ou « bad bank » comme disent plus crûment les Anglo-Saxons, c’est-à-dire, réglée à l’arrivée par le contribuable européen. Pour que le mistigri puisse ainsi être passé, le FMI a dû contrevenir à ses principes en avançant des fonds à un emprunteur incapable de jamais les rembourser. La justification de la Commission européenne : un « risque systémique exceptionnel », autrement dit, d’effondrement global qui, comme le note amèrement le rapport : « … continua semble-t-il d’être invoqué à chaque réexamen de la question, en dépit du fait que le risque de contagion se réduisait à mesure que la dette souveraine grecque migrait du secteur privé vers le secteur public ».
Selon la Banque des règlements internationaux, au 1er octobre 2010, le bilan des banques allemandes était grevé de dette publique grecque à hauteur de 19,2 milliards d’euros, celui des banques françaises à hauteur de 14,4 milliards et, secteur commercial et public confondus, de 50,6 milliards d’euros pour l’Allemagne, et de 67 milliards pour la France, représentant, à elles seules, 58,1% du total. Le temps passé en tergiversations, interprété par une opinion publique distraite comme une simple marque d’amateurisme de la Commission européenne, avait en réalité pour but de permettre aux banques allemandes et françaises de se délester de ces actifs dévalorisés auprès de la BCE.
Plus de deux ans ont été perdus avant que n’intervienne la restructuration de la dette grecque en février 2012, affirme le FMI. Piqué au vif, Olli Rehn ne peut s’empêcher de rejeter le blâme adressé à la Commission européenne sur l’axe Berlin-Paris, déclarant : « Je n’ai pas le souvenir que Dominique Strauss-Kahn ait appelé de ses vœux en début de période une restructuration de la dette grecque, je me souviens distinctement par contre de Christine Lagarde y étant opposée ». L’époque dont il parle, c’est l’année 2010 : Dominique Strauss-Kahn était alors à la tête du FMI, Christine Lagarde était ministre française de l’économie, des finances et de l’emploi.
Visée dans ce récent rapport du FMI, pourquoi l’Allemagne avait-elle alors conclu à la mi-mars, dans l’affaire de Chypre, une alliance avec celui qui la montre aujourd’hui du doigt ? Parce que l’Allemagne imagine que sa tactique est passée inaperçue et que les commentateurs se contenteront, à l’instar de ce qu’ils font depuis plusieurs années, d’expliquer le comportement de l’Allemagne comme conséquence du seul souci de Mme Merkel de se retrouver à la tête du gouvernement qui résultera des élections législatives du mois de septembre.
Qu’émerge-t-il de tout cela ? L’image d’un axe Berlin-Paris faisant marcher la zone euro au son de sa propre musique, sans grand souci des quinze autres nations qui la composent. La Grèce se trouve bien entendu au premier rang de celles-ci, victime expiatoire toute désignée en raison de ses crimes : exonération criante des grosses et des moyennes fortunes de toute logique fiscale, secteur étatique pléthorique et généreusement rémunéré, enfin, désinvolture non sans arrière-pensées dans la production des statistiques économiques du pays.
Le jeu « perso » de l’Allemagne et de la France aura coûté très cher aux autres membres de la zone euro, et mis le Fonds monétaire international en contravention avec ses propres principes, lequel vient de le signaler au monde entier, tout en rappelant discrètement aux deux intéressées qu’il n’était pas dupe de ce qui s’était passé…"
( in LE MONDE, La « troïka » à hue et à dia, lundi 17 – mardi 18 juin 2013  par Paul Jorion )

(*) Greece : Ex Post Evaluation of Exceptional Access under the 2010 Stand-By Arrangement InternationalIMF Country Report No. 13/156, June 2013
Nota: Em http://www.timtimnotibet.blogspot.pt

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Os súbditos do FMI.

por Luís Menezes Leitão, em 19.01.13

 

Já começam a irritar sinceramente estes ataques constantes do FMI à soberania nacional. O país não quer a transferência da TSU dos trabalhadores para os patrões e manifestou-se em 15 de Setembro contra essa medida? Pois o FMI não quer saber das manifestações e continua a insistir nela. O Tribunal Constitucional pode eventualmente considerar inconstitucional o próximo Orçamento. Pois o FMI exige ao Governo que esteja a postos para tornear o acórdão do Tribunal Constitucional. O país já percebeu que Vítor Gaspar falha sistematicamente todas as previsões orçamentais e só tem agravado a recessão? Pois o FMI exige a continuação do programa de ajustamento.

 

Só por piada é que alguém pode chamar a isto "ajuda" externa. O país alienou a sua soberania a uma instituição externa, a quem o Governo obedece docilmente, mesmo quando as medidas propostas arrasam completamente o país. O problema é que não é o FMI que vai a eleições. No final deste programa de ajustamento o país estará pior do que a Grécia: exangue e sem qualquer solução de Governo. Não haverá ninguém com bom senso para evitar este desastre?

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Austeridade vs Reforma

por José Maria Gui Pimentel, em 18.01.13
Ouvia há pouco uma peça noticiosa que retratava a suposta incoerência de um dos autores do polémico relatório do FMI. Este "técnico", que há poucos meses se havia manifestado veementemente contra as medidas de austeridade aplicadas na Europa, vinha agora, despudoradamente, argumentava a reportagem da TVI, defender precisamente mais austeridade.

Não é assim.

O que o relatório do FMI defende não é austeridade: é reforma do Estado. Embora o efeito de ambas no curto-prazo seja o mesmo -- recessão -- não são de todo a mesma coisa. Austeridade são as medidas temporárias que o Governo entende tomar para fazer face a um ciclo adverso; disto são exemplo os "brutais" aumentos de impostos, ou os cortes nos subsídios (se se admitir que são temporários). Já Reforma são as medidas de reestruturação do Estado: permanentes e, mais importante do que isso, inevitáveis. Isto porque se toma essas medidas com a noção de que o Estado, tal como está, é insustentável. 

Sendo esta Reforma inevitável, deve sem dúvida  haver uma discussão séria e detalhada sobre como a levar a cabo. Mas "pintá-la" como um aperto de cinto temporário e evitável é ignorância ou, pior, pura desonestidade intelectual*.

*A não ser que se acredite, com a extrema-esquerda, que existe um método indolor de reestruturar o Estado (atacando o "grande capital", etc...). Nesse caso é apenas ignorância. 

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Passos Coelho e a Bíblia.

por Luís Menezes Leitão, em 18.01.13

 

Passos Coelho disse há dias que o relatório do FMI não era a sua Bíblia, mas acaba de citar a verdadeira Bíblia quando diz que o actual Estado Social tem pés de barro. Aqui temos o capítulo II do Livro de Daniel sobre o sonho do Rei da Babilónia Nabucodonozor.

 

No seu sonho, o Rei viu uma grande estátua. "A cabeça dessa estátua era de ouro fino; o peito e os braços de prata; o ventre e as coxas de bronze; as pernas de ferro; e os pés em parte de ferro e em parte de barro. Estavas vendo isto, quando uma pedra foi cortada, sem auxílio de mãos, a qual feriu a estátua nos pés de ferro e de barro, e os esmiuçou.  Então foi juntamente esmiuçado o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, os quais se fizeram como a pragana das eiras no estio, e o vento os levou, e não se podia achar nenhum vestígio deles; a pedra, porém, que feriu a estátua se tornou uma grande montanha, e encheu toda a terra".


Adivinhem qual a interpretação que o Profeta Daniel dá ao sonho do Rei:

"Tu, ó rei, és rei de reis, a quem o Deus do céu tem dado o reino, o poder, a força e a glória; e em cuja mão ele entregou os filhos dos homens, onde quer que habitem, os animais do campo e as aves do céu, e te fez reinar sobre todos eles; tu és a cabeça de ouro.

Depois de ti se levantará outro reino, inferior ao teu; e um terceiro reino, de bronze, o qual terá domínio sobre toda a terra.

E haverá um quarto reino, forte como ferro, porquanto o ferro esmiúça e quebra tudo; como o ferro quebra todas as coisas, assim ele quebrantará e esmiuçará.

Quanto ao que viste dos pés e dos dedos, em parte de barro de oleiro, e em parte de ferro, isso será um reino dividido; contudo haverá nele alguma coisa da firmeza do ferro, pois que viste o ferro misturado com barro de lodo.

E como os dedos dos pés eram em parte de ferro e em parte de barro, assim por uma parte o reino será forte, e por outra será frágil.

Quanto ao que viste do ferro misturado com barro de lodo, misturar-se-ão pelo casamento; mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro não se mistura com o barro.

Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; nem passará a soberania deste reino a outro povo; mas esmiuçará e consumirá todos esses reinos, e subsistirá para sempre.

Porquanto viste que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro, o grande Deus faz saber ao rei o que há de suceder no futuro. Certo é o sonho, e fiel a sua interpretação".


Analisando este texto bíblico a conclusão parece-me evidente. O Governo de Passos Coelho é a estátua que está assente numa coligação de pés de ferro e de barro. Como o ferro não se mistura com o barro, a estátua cairá à primeira pedrada que surgir, com o desfazer da coligação e o fim do Governo. E prevejo que a pedra que for atirada, se calhar já nas autárquicas, dará origem a um novo Governo que terminará com a passagem da soberania deste reino a outro povo. Afinal de contas o destino deste Governo já está profetizado no trecho da Bíblia que Passos Coelho citou.

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Pardon my portuguese

por Pedro Correia, em 12.01.13

Insuspeito de me identificar com o PCP, devo no entanto prestar homenagem aos comunistas: só eles reagiram ao facto de o Fundo Monetário Internacional ter elaborado um relatório sobre Portugal que chegou ao nosso País sem uma tradução em português. Como se fizesse parte dos deveres constitucionais cá da pátria dominar o idioma do Tio Sam. "Os deputados da República [Portuguesa] têm como língua de trabalho o português", declarou o comunista Manuel Tiago na Assembleia da República, lembrando o óbvio, que por vezes parece esquecido. Poderia ter até acrescentado que o artigo 11º, nº 3, da nossa lei fundamental especifica que "a língua oficial é o Português". Porque um país como o nosso, com uma identidade cultural sedimentada há nove séculos, não pode ser confundido com uma empresa exportadora ou uma companhia aérea.

Acresce a isto o facto de Portugal ser desde 1960 membro do FMI e seu contribuinte líquido, o que bastaria para exigirmos ser tratados com a devida consideração.

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As ordens do FMI.

por Luís Menezes Leitão, em 09.01.13

Através do Jornal de Negócios chegam notíficas frescas sobre o que é que quem efectivamente governa o país exige aos tugas cá do bairro. Aí vão:

 

FMI diz que chegou a hora das reformas "inteligentes"

 

Função Pública volta a ser a mais visada no corte de quatro mil milhões

 

FMI sugere cortes até 20% nas pensões e subida da idade da reforma

 

Subsídio de desemprego continua demasiado longo e elevado

 

Cortes na Função Pública devem atingir salários mais baixos e serem permanentes

 

Dois anos na mobilidade especial pode conduzir ao despedimento 

 

FMI admite dispensa de 50 mil entre professores e pessoal auxiliar

 

Governo tem margem para voltar a subir taxas moderadoras na Saúde

 

FMI sugere delegação de competências de ensino nos privados

 

FMI aponta baterias a forças militares e polícias portugueses

 

Gosto especialmente da última parte em que o FMI aponta as baterias às forças militares portuguesas. E a nossa tropa fica-se? Contra o FMI, marchar, marchar.

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Este país não é para crianças

por Leonor Barros, em 19.07.12

Um texto breve. Uma resposta curta. Uma ou duas frases e teriam respondido ao que era pedido. Quando adolescentes entre os 15 e 17 anos foram questionados sobre como gostariam que os pais agissem perante eles, correram rios de tinta e as respostas alongaram-se em lamentos, aspirações e confissões. Embora conviva numa base diária com adolescentes dessa idade e sinta que muitos deles o que desejam ardentemente são minutos de atenção exclusiva, alguém que se sente ao lado deles e ali fique, explicando, ouvindo, ali apenas para eles numa súplica velada de atenção, os textos apanharam-me de surpresa. Eram sinceros, sentidos e um grito de desespero por aquilo a que todas as crianças e jovens devem ter direito: alguém que os ouça, um ombro, alguém que os faça sentir menos sós na selva contemporânea de umbiguismo, obsessão pelo sucesso profissional e horários desumanos que retiram tempo ao que nos deve ser verdadeiramente importante com todo o valor do mundo mas sem custo que se lhe possa atribuir.

E vem esta conversa a propósito desta proposta do FMI. Ao que parece, 'os dados mostram que Portugal já é o País onde as mães mais trabalham a tempo inteiro e também o que tem mais casais com filhos empregados'. A natalidade está a decrescer e os apoios a quem tem filhos são praticamente nulos. Tendo em conta a situação actual, configura-se que para muitas mães esta possibilidade de ter contrapartidas para regressar ao mercado de trabalho antes do tempo consagrado na lei não seja sequer uma opção mas uma inevitabilidade. Se as crianças clamam por atenção, imagine-se com uma medida deste calibre. O melhor é deixá-las logo na maternidade, se ainda restar alguma por aí, e regressar no dia seguinte, dois dias depois talvez, ao trabalho. E livrem-se de ter partos complicados e outros contratempos. Que maçada essas coisas de mulheres. Tirem as vossas conclusões quanto ao trabalho destes senhores sobre o nosso país.

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Tarde piaram...

por Helena Sacadura Cabral, em 17.07.12


"Nos três países da zona euro com programas suportados por financiamento da União Europeia e do FMI, o ajustamento está a prosseguir, mas a recente deterioração do clima político e económico na Grécia serve de aviso para a possibilidade de se estar a dar início a uma ‘fadiga do ajustamento', o que é uma ameaça à continuidade da implementação dos programas".

 

O que surpreende é que só agora o FMI tenha acordado para uma realidade destas, para a qual a maioria dos economistas já tinha alertado!

E não se tenha qualquer dúvida que o risco será ainda maior se eventuais medidas adicionais de austeridade  vierem a ser tomadas pelo lado da receita fiscal, nomeadamente impostos sobre o rendimento, seja de trabalho ou de capital.

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FMI impõe austeridade

por Helena Sacadura Cabral, em 16.06.12

O FMI pede ao governo espanhol de Mariano Rajoy que reduza os salários dos funcionários públicos, aumente o IVA e acelere as privatizações.

Onde é que eu já ouvi isto? Ando mesmo desmemoriada...

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Ai Christine, ai!

por Helena Sacadura Cabral, em 31.05.12

 

A Directora Geral do FMI, Christine Lagarde, tem um vencimento anual de 372 mil euros livres de impostos, a que se somam mais de 66 mil euros de despesas de representação.

No final de cada ano Christine arrecada 438 mil euros e não paga qualquer taxa ao Estado. A ser verdade, é natural que os gregos não a entendam. E as crianças africanas ainda menos...

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Uma pergunta muito simples

por Pedro Correia, em 19.05.11

Porque tarda o Governo em disponibilizar aos portugueses a tradução oficial do memorando que assinou com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional?

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Legislativas (7)

por Pedro Correia, em 16.05.11

 

UM HOMEM DE PALAVRA

 

Prometeu que não governaria com o FMI, de Dominique Strauss-Kahn. Porque mudou de ideias?

Para defender o estado social. Porque a oposição chumbou o PEC IV.

Agora está disponível para governar com o FMI. Porquê?
Para defender o estado social. Porque a oposição chumbou o PEC IV.

Já disse que não é pessoa para virar a cara à luta. O que o faz correr?

Defender o estado social. Porque a oposição chumbou o PEC IV.

O que o distingue fundamentalmente dos partidos à sua direita, que também subscreveram o memorando com a Comissão Europeia e o FMI?

A defesa do estado social. Eles chumbaram o PEC IV.

Se voltar a vencer as eleições qual será a sua prioridade?

A defesa do estado social. Porque a oposição chumbou o PEC IV.

Do que mais se orgulha de ter feito nestes seis anos?

Da defesa do estado social. E do PEC IV, que a oposição chumbou.

Admite ter cometido algum erro?

Dei o meu melhor. Na defesa do estado social. Até a oposição ter chumbado o PEC IV.

Já pensou o que irá dizer à senhora Merkel quando voltar a estar com ela?

Digo-lhe que defendi o estado social. E que a oposição chumbou o PEC IV.

Tem horas que me diga?

Defendo o estado social. A oposição chumbou o PEC IV.

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Uma pergunta muito simples

por Pedro Correia, em 05.05.11

Depois disto, que constitui um autêntico programa de Governo, ainda poderemos considerar Portugal um país soberano?

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Manso é a tua tia, pá

por Pedro Correia, em 05.05.11

Na hora de anunciar as alegadas "boas notícias" (uma das quais, sobre a Caixa Geral de Depósitos, logo desmentida pelos factos), ele apareceu a "falar ao País" em directo, no intervalo de um jogo de futebol. Na hora de confirmar as más notícias, mandou outro falar por ele. Uma atitude que o define. Ainda melhor do que já sabíamos.

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Uma pergunta muito simples

por Pedro Correia, em 04.05.11

 

Como é que um primeiro-ministro que faz hoje um mês jurava aos portugueses que não governaria com o FMI por isso ser contrário aos interesses nacionais se congratula agora, em comunicação ao País, por ter celebrado um "bom acordo" com o FMI?

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Acreditem

por João Carvalho, em 27.04.11

Para aqueles que ainda não acreditam que é com trabalho que isto lá vai, o recente período de cinco feriados permitiu comprová-lo amplamente. Vejam só. Enquanto a maioria dos portugueses folgou dias a fio como a cigarra, um pequeno grupo de estrangeiros do FMI ocupou o Ministério das Finanças a trabalhar como a formiga e, num abrir-e-fechar-de-olhos, aumentou rapidamente o nosso défice. Acreditam agora?

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O segundo partido comunista

por Pedro Correia, em 27.04.11

 

PCP e Bloco de Esquerda recusaram qualquer encontro com a delegação europeia composta por membros do Fundo Monetário Internacional, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu que se encontra em Lisboa a avaliar as condições do resgate financeiro a Portugal. Ao contrário do que fizeram os restantes partidos parlamentares, as associações patronais, as confederações sindicais (incluindo a CGTP-Intersindical) e diversas personalidades, como Boaventura Sousa Santos, coordenador do Observatório da Justiça. Os dois partidos da esquerda radical portuguesa perderam uma oportunidade irrepetível de dizer olhos nos olhos, cara a cara, tudo quanto pensam destes técnicos financeiros e quais as soluções que preconizam para retirar Portugal da situação de quase bancarrota em que vivemos, com o colapso iminente das finanças públicas. Agiram ambos sem qualquer sentido de responsabilidade, preocupados apenas em garantir a habitual vozearia de rua e de telejornal.

Que o PCP assim proceda, é normal. Os comunistas portugueses sempre foram profundamente eurocépticos, combateram desde o início a integração de Portugal na CEE, contestaram Maastricht, a diluição das fronteiras, a transferência de competências para a Comissão Europeia e a adopção da moeda única. São internacionalistas de cartilha mas profundamente nacionalistas na prática, utilizando uma retórica semelhante à dos partidos da direita populista e xenófoba que também não quer "os estrangeiros" a perturbar a sacrossanta "soberania nacional": ainda há dias um dirigente comunista comparava, no Avante!, qualquer político português que dialogue com o FMI a uma "espécie de Miguel de Vasconcelos dos dias de hoje".

Quando o BE procede exactamente como o PCP, pelo contrário, está a trair o espírito de cidadania europeia que parecia animá-lo desde a fundação, no final da década de 90: uma das principais diferenças programáticas entre comunistas e bloquistas residia na relação com a Europa. Mas também aqui o Bloco tem vindo a tropeçar no próprio pé - na sequência da fracassada tentativa de apropriação da candidatura presidencial de Manuel Alegre e do monumental tiro de pólvora seca que foi a moção de censura apresentada em Fevereiro contra o Governo socialista. O Bloco, que devia assumir-se como o parceiro de coligação natural com o PS para possibilitar maiorias parlamentares de esquerda, segue afinal uma estratégia de bunker, decalcada do PCP, que se esgota na gritaria contra todos os governos sem ter jamais a pretensão de influenciar qualquer solução governativa: ser um partido de protesto é quanto lhe basta.

A última coisa de que o sistema português precisa é de um segundo partido comunista, apenas um pouco mais citadino e com vestuário de marca. Se for por essa via, o Bloco torna-se um partido inútil - e não admira que as sondagens estejam a castigá-lo. Convém recordar que o PCP já tem um apêndice - o dito partido Os Verdes, que merece figurar no Guinness Book por existir há quase 30 anos sem nunca ter concorrido isoladamente a uma eleição. Por mim, confesso, custar-me-ia ver um dia Francisco Louçã e Luís Fazenda no lugar de Heloísa Apolónia a trautear o hino da CDU.

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Uma pergunta muito simples

por Pedro Correia, em 21.04.11

BE e PCP recusaram encontrar-se com a delegação do FMI, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu que se encontra em Lisboa: qual destes dois partidos ganha o campeonato do radicalismo de esquerda?

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De tanga e de papo para o ar

por Pedro Correia, em 20.04.11

A pretexto da Páscoa, o Governo laico e socialista deu tolerância de ponto aos funcionários públicos esta quinta-feira, véspera de feriado e a quatro dias de outro feriado. O mesmo Governo que institui o regime de salários em atraso ao Exército e que procura anular o défice adiando pagamentos, o que deixa os serviços em ruptura.

Conclusão: durante cinco dias, o vasto País estatal vai manter-se paralisado. Entretanto, os funcionários da CP - empresa pública à beira do colapso financeiro - anunciaram já que estarão em greve  na Sexta-Feira Santa, no domingo de Páscoa e na segunda-feira, 25 de Abril.

Não há concidências: nem com o FMI à perna o terceiro país com produtividade mais baixa da OCDE e que lidera a percentagem de abandono escolar precoce na União Europeia ganha juízo. E ainda há quem procure convencer-nos que a culpa de Portugal estar de tanga, à mercê da caridade alheia, é dos deputados finlandeses e dos contribuintes alemães...

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Leilões, dívida e intervenção externa

por Rui Rocha, em 12.01.11

Desta vez, safámo-nos. Trata-se de uma boa notícia. Na óptica da sobrevivência ao dia de hoje. Neste momento, o país está envolvido num jogo com regras algo estranhas. Periodicamente, leiloamos o destino. Visto do lado dos investidores, é um play-off com tantas mãos quantas as vezes que Portugal for ao mercado. Visto do nosso lado, temos um mata-mata. A cada mão, uma derrota pesada implica a consequência da eliminação. O problema adicional é que qualquer que seja o resultado, estamos sempre a perder. A única coisa que varia é a gravidade do efeito. Que depende da dimensão da derrota. Na melhor das hipóteses, continuaremos a empobrecer sozinhos. Por mais uns dias, ou por uns meses. Ou, em virtude de uma conjugação improvável de factores, por mais tempo. Sim, porque não vale a pena mistificar a situação. Pagar juros da dívida a 7% ou a 6% implica directamente uma degradação duradoura da nossa situação. A velocidade a que esta ocorre é que é variável. Tal como referiu Francisco Assis, nada de essencial está resolvido. O que importa perceber é que as variáveis essenciais que compõem o número da besta da economia portuguesa são os seguintes: i) previsão de crescimento 2011: -1,3% (BP); ii) previsão de inflação 2011: >2% (BP); iii) juros da dívida a 10 anos: 6,8%. Uma execução orçamental competente poderá manter-nos com mais ou menos sofrimento no purgatório. Uma execução orçamental em linha com a que ocorreu em 2010 far-nos-á mergulhar nas profundezas.  Entretanto, começa a ganhar alguma força uma corrente que acusa aqueles que fazem uma análise objectiva da situação de quererem que as coisas corram mal ao país. É evidente que há quem o deseje. Mas, neste caso, tal argumento pretende apenas paralisar a responsabilização de quem nos trouxe até aqui. E acusa-se até certas pessoas de, contra o interesse do país, pretenderem forçar uma intervenção externa (aqui incluída a insuspeita Teodora Cardoso). Qualquer situação é evidentemente passível de análises oportunistas. É evidente também que a intervenção do FMI, ou outra equivalente, será sempre negativa por certificar um falhanço da gestão do país e implicará decisões discutíveis e dolorosas. Que não oferecem sequer a garantia de sucesso. O que está em causa, todavia, é determinar, do ponto de vista da análise de risco e probabilidade, em que exacto ponto o custo da intervenção passa a ser menor que o custo da não intervenção. Se esse ponto for ultrapassado, não se deve hesitar em pedir ajuda. A decisão terá sempre que incluir a participação do Governo. E este é, em minha opinião, um dos dramas da situação. Pessoalmente, não reconheço ao Governo competência para gerir o país, nem isenção para fundamentar essa decisão na racionalidade. Lamento, mas o histórico recente da governação não é culpa minha. E leva-me a concluir que Sócrates privilegiará o seu interesse pessoal sobre o do país, como já fez no passado. Posto isto, termino referindo dois pontos que me parecem importantes:

- O oportunismo dos que estão fora do poder é criticável mas, é inócuo do ponto de vista dos interesses colectivos. O FMI não fará qualquer intervenção em Portugal por meia dúzia de ovelhas tresmalhadas clamarem por isso. O eventual oportunismo do Governo, a acontecer, terá graves consequências para o país. A irresponsabilidade de uns define-os. A daqueles que estão no poder, para lá disso, penaliza-nos;

- Corre também uma teoria que coloca a crise da dívida portuguesa no contexto de um movimento global de ataque ao Euro, sendo o nosso país uma peça que nada fez para merecer tamanha injustiça e nada pode fazer para a paralisar. Tendo um fundo de verdade, esta tese tem consequências absolutamente perversas. A sua consequência última é cruzarmos os braços. Única decisão sensata quando nada depende de nós. Ao contrário, parece-me evidente que podíamos ter feito melhor. E que não o tendo feito, devemos esforçar-nos agora ainda mais. O que inclui os que têm o poder político e os que não o têm. Estes últimos tornando-se, pelo menos, mais exigentes.

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FMI: o final da linha

por Paulo Gorjão, em 09.01.11

Numa longa entrevista ao Diário de Notícias, Pedro Passos Coelho deixou bem claro que, naquilo que depender de si, o recurso ao FEEF e ao FMI será o fim da linha para o Governo. Será “um falhanço político grande e grave do Governo”, o que no actual quadro parlamentar e com os bloqueios que o caracterizam terá como consequência previsível e inevitável a realização de eleições legislativas antecipadas.
A leitura do líder do PSD está em linha com a própria avaliação do Presidente da República que recentemente também interpretou o recurso pelo Governo ao FEEF/FMI como um sinal de inequívoco fracasso.
Naturalmente, estas afirmações elevam a fasquia, na medida em que estimulam o Governo a resistir à pressão externa e interna muito para além do que seria desejável de um ponto de vista racional e abstracto. Mais do que uma questão de imagem ou de prestígio, a questão passou a assumir contornos de sobrevivência. E em tempos de desespero não se limpam armas…
Mas estas declarações de Aníbal Cavaco Silva e de Pedro Passos Coelho revelam também que os dois estão absolutamente convencidos que, independentemente da sua vontade, José Sócrates não será capaz de resistir e que o recurso ao FEEF/FMI é apenas e tão só uma questão de tempo.

 

[Adenda]
Paulo Portas junta-se a Passos Coelho e Cavaco Silva.

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