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Toma lá bola preta

por Pedro Correia, em 21.02.09

 

I 

Cada vez me convenço mais que a grande maioria dos críticos de cinema não gosta de ver filmes. Só assim se compreende que façam tudo para afugentar ainda mais os espectadores das salas. Um rápido vislumbre por dois jornais permite-me reforçar esta ideia. O Público, diário que se dá ao luxo de ter quatro críticos de cinema, é talvez o caso mais flagrante desta péssima relação entre um filme e quem o vê. Dois destes críticos classificam Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen, com uma estrela – que significa “medíocre”, de acordo com a chave de leitura que o próprio jornal fornece. Mensagem óbvia aos leitores: fujam deste filme, evitem-no, Allen deixou de saber filmar.
É puro disparate, claro. Tal como é absurda a classificação atribuída também por dois dos quatro críticos a O Estranho Caso de Benjamin Button, de David Fincher: uma estrela cada. Mais escandaloso ainda o veredicto a respeito de Quem Quer Ser Bilionário?, de David Boyle: duas bolas pretas (o que significa “mau”), havendo um terceiro crítico que nem se deu ao incómodo de ver a película, talvez para resistir à tentação de dizer bem dela. Avaliando os dez filmes em apreciação, apenas um justifica a ida aos cinemas, segundo o critério deste magnânimo quarteto: Milk, de Gus Van Sant. Interrogo-me qual terá sido o motivo desta excepção à regra…
Um destes críticos, chamado Vasco Câmara, distribui assim as classificações: um filme com quatro estrelas (precisamente Milk, que ainda não vi), outro com três (Valquíria, de Bryan Singer), quatro com uma estrela e uma bola preta, tendo ficado três destas dez longas-metragens por ver. Nada de classificações intermédias, com duas estrelas, por exemplo: há um filme muito bom e tudo o resto é porcaria.

II

Na mesma linha está o Expresso, que já teve a melhor crítica de cinema em Portugal. Quem Quer Ser Bilionário? é contemplado também com bola preta por um tal Vasco Marques. O filme, por acaso, é candidato aos Óscares de Hollywood – talvez seja esse o seu maior pecado aos olhos desta “crítica” que gostaria de proibir os espectadores de verem quase todas as películas que estão em cartaz, sobretudo as que parecem ter obtido mais sucesso nos EUA.

O que escreve o tal Marques? “Boyle nem sequer conhece a distância que permite criar uma verdadeira perspectiva sobre as coisas e limita-se aqui a oferecer-nos o Outro (o Oriente) como travesti do Mesmo (o Ocidente).” Perceberam? Eu também não. Toma lá bola preta. Refiro-me ao pseudo-crítico, não ao filme.

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