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velocidade furiosa 8 (sem Marcelo e afins)

por Patrícia Reis, em 19.04.17

Fomos ao cinema, eram seis da tarde e fomos por ser um compromisso assumido, bilhetes comprados na véspera. Nada de pipocas para não perder a fome para o jantar (argumento do meu filho, eu comprei logo um gelado e uma garrafa de água). Sou uma devota dos filmes de mocinho, filmes de bang bang, filmes com espada e capa, filmes de pancada, com explosões e afins. Depois de sete filmes liderados pelo nunca demais elogiado Vin Diesel (Dom para os amigos), eis que estamos no pináculo da perfeição: carros na neve a deslizar perseguidos por um submarino enquanto no avião um mata todos e ainda leva uma criança sorridente na tal cadeira ovo do costume. Diz-me o meu filho: "A mensagem é sempre a mesma, não se brinca com a família, nada é mais importante." E fico a pensar naquilo e em como conseguiram montar a perseguição pelas ruas de Nova Iorque com carros sem motorista e carros a voar de prédios. Aguardo com impaciência o capítulo 9, o regresso de Cipher, a criança a crescer e, por favor, mais um pouco da maravilhosa Helen Mirren, sim? Muito agradecida.

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A altura mais inalcançável

por António Manuel Venda, em 12.02.17

IMG_0700.JPG

Era a esta altura que eu via tudo na infância. Pelos mesmos canteiros e montados de agora. Lembro-me disso quando uso a máquina fotográfica do telemóvel para guardar momentos de expectativa como estes. Os dois parados. O sóbrio e leal Alfa (nome dado pelo mais velho dos meus quatro filhos), o cão do karaté, como lhe chamo às vezes, pelas nossas lutas a patadas e pontapé, sem magoar, procurando apenas um toque que dê um ponto, e depois outro, tipo uma dança de um cão com um homem que não acredita, em cada um desses momentos, mas só mesmo em cada um desses momentos, que possa ser mais do que um miúdo. O Alfa… E a doce e divertida Lua (nome dado pela minha filha mais velha), a cadela que vê sempre tudo bem mesmo que o mundo tenha aparecido nesse dia com ares de ir desabar de repente nem se imagina para aonde. Aqui, os dois expectantes, sabem que eu preciso de me levantar e de guardar o telemóvel numa das algibeiras das calças de ganga para desatar a correr junto com eles. Sem isso nada feito. Mas sem o meu olhar a esta altura, precisamente a esta, não é possível apanhá-los para a posterioridade (uma qualquer posterioridade) como eles realmente são. Queria conseguir, tantos anos depois, correr na velha e pequenina altura da minha infância. Sempre. Correr sempre. Pelos canteiros e pelos montados. A altura tão distante. Tão inalcançável. A mais inalcançável de todas, ainda que não passe de uns setenta centímetros, nem sei…

 

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estudar

por Patrícia Reis, em 01.05.14

É o nono ano. A gramática? Não é nada parecida com o que estudei e os nomes? É para esquecer. Mais vale dizer que "bacia" também pode ser "anca" e "penico" e depois o miúdo lá entende que é uma qualquer coisa acabada em "minia" ou assim.

Não há nada mais frustrante do que ter de empinar a gramática sem a entender verdadeiramente e depois ver como faz bilharetes na interpretação, na composição, na riqueza de vocabulário. No fim, diz

 

Bom, pode ser que me safe se for sobre os Lusíadas ou sobre o Alto da Barca do Inferno.

 

E depois acrescenta

 

Ainda bem que o Vasco Graça Moura escreveu o livro a explicar os Lusíadas. É pena que já tenha morrido, se fizesse um livro sobre a gramática podia ser que fosse mais fácil.

 

De resto? O costume. O professor que manda para a rua, a professora que considera um determinado comentário insolente. E eu a desvalorizar, a dizer que os professores têm os seus dias e tal, sempre a defender, e o mundo não é justo e as pessoas não são máquinas, blá, blá, blá. Seja. Remate final

 

O pior é quando nos perguntam se queremos ser expulsos.

 

Como? Sem comentários.

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O meu filho mais velho

por António Manuel Venda, em 23.02.14

 

O meu filho mais velho (nove anos) é um autêntico herói para mim. Não por este golo, obviamente, que marcou uma vez em Évora depois de correr o campo de uma ponta à outra com a bola. Mas por tantas coisas que tem feito por mim. Como as irmãs e o irmão. Tantas coisas, às vezes sem darem por isso... Os quatro. Mas hoje quero falar dele... Ajudou-me como eu nunca pensei que pudesse ajudar-me. Eu sozinho com ele, as irmãs (de seis e três anos) e o irmão pequenito (de um ano). Fiquei absolutamente deliciado. E absolutamente convencido de que é mesmo um herói. Para mim. Como os outros três o são. Também para mim. Cada um à sua maneira. Mas ele hoje superou tudo o que se possa imaginar. Apesar da minha debilitada memória, mesmo que viva mais uns cinquenta anos acho que nunca me esquecerei.

 

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...

por Patrícia Reis, em 17.10.13

O meu filho diz - com o ar descontraído de quem tem 14 anos - que vai fazer um trabalho sobre Jose Luis Borges. Conhecendo a criatura, o filho, não me espantaria se tivesse dito:

 

Vou fazer um trabalho sobre Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo.

 

Bom, que é o escritor argentino, eu percebi de imediato. O que não percebi foi a escolha e como é que ele tinha lá chegado. Respondeu-me:

 

Gosto da forma como ele pensa.

 

Mantive o silêncio.

Falaram-me de um video de uma revista semanal que foi fazer um questionário à porta das universidades. Perguntas como: quem é o Presidente da UE? Quem pintou a Mona Lisa? Quem escreveu os Maias? É triste dizer que o video só provoca aquilo a que se costuma designar por "vergonha alheia". Pelo sim, pelo não, perguntei as mesmas coisas ao miúdo cá da casa, ele respondeu tudo direito, desta vez com ar de enfado. Depois perguntei por 3 filósofos e ele respondeu Kant, Aristóteles e Montesquieu. Ok. Tudo bem. Fomos ao hipermercado, carregámos com as coisas para casa, jantámos na cozinha a ouvir o novo disco de Sting e ele perguntou:

 

Como é que sabemos que o amor é mesmo amor?

 

Eu não consegui responder.

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os jornais, mãe

por Patrícia Reis, em 10.08.13

- Então, mãe, está tudo bem?

 

- Está muito calor.

 

- Aqui também, mas a praia é boa.

 

- Ainda bem. Tu estás bem?

 

- Sim, sim, estou feliz... Olha, não compres jornais hoje. 

 

- Eu sei.

 

- Está a morte... está em todo o lado. O Urbano...

 

- Eu sei. 

 

- Não compres. Nem vás à banca. 

 

- Não vou. 

 

- Gosto muito de ti, mamã.

 

- E eu de ti, querido. 

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Galinha o quê?

por Gui Abreu de Lima, em 29.04.13


O meu companheiro seguiu o rasto dos mais velhos. Era um tagarela serão fora, capaz das perguntas mais parvas só para me ouvir praguejar. Bom sentido de humor, das noites queria a risota (fazia-me bem aos brônquios). Agora a sala é um intervalo. Vem beber, o passarinho, e segue onde outros estão de olho num monitor. Desprende-se o petiz da saia, rumo ao ciberespaço. Os filhos são como os pintos, ganham pena e voam. Ingratos.

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Há uns dias falou-se bastante, por aqui, do acordo ortográfico. Pondo de parte, agora, a questão básica da existência do acordo (em relação à qual tenho muitas dúvidas, embora tenda a considerá-lo mais negativo do que positivo), tenho pensado bastante, nos últimos tempos, com o início do ano escolar, na forma como a sociedade em geral e a escola em particular irão lidar com a situação inédita, para muitos de nós, da coexistência simultânea de duas grafias e do surgimento constante de dúvidas concretas na aplicação do acordo.

E se na comunicação social o novo acordo tem penetrado paulatinamente, nas escolas não entendi ainda como será operacionalizada a sua introdução. Os programas, os manuais das diversas disciplinas, a formação dos professores que alterações terão que introduzir?

E em casa? O que vamos nós fazer? Os nossos filhos passarão a escrever de uma maneira e nós, mais avessos à mudança, deliberadamente ou não, de outra? Já são tantas as coisas que nos afastam e agora até a forma como escrevemos?

E os avós, que dão uma ajudinha e para quem, ao longo da vida, não têm visto grandes alterações a este nível? Será que se conseguirão habituar?

Cá para mim já será bom se os miúdos, perante as duas hipóteses, não optarem por uma terceira: a das grafias abreviadas das escritas de mensagens via telemóvel e redes informáticas. 

Estas vão ganhando terreno e entraram já na linguagem verbal. As minhas filhas, por vezes, dizem já: obg, em vez de obrigada; MG em vez de My God; e pior ainda, já não riem, limitando-se a dizer Lol.

Claro que todas estas angústias serão ultrapassadas daqui a algum tempo. Mas, por enquanto, não deixam de me preocupar.

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