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Dentes-de-leão

por João Campos, em 05.10.16

No more kings. Vimes had difficulty in articulating why this should be so, why the concept revolted in his very bones. After all, a good many of the patricians had been as bad as any king. But they were... sort of... bad on equal terms. What set Vimes's teeth on edge was the idea that kings were a different kind of human being. A higher lifeform. Somehow magical. But, huh, there was some magic, at that. Ankh-Morpork still seem to be littered with Royal this and Royal that, little old men who got paid a few pence a week to do a few meaningless chores, like the Master of the King's Keys or the Keeper of the Crown Jewels, even though there were no keys and certainly no jewels. 

Royalty was like dandelions. No matter how many heads you chopped off, the roots were still there underground, waiting to spring up again.

It seemed to be a chronic disease. It was as if even the most intelligent person had this little blank spot in their heads where someone had written: "Kings. What a good idea." Whoever had created humanity had left in a major design flaw. It was its tendecy to bend at the knees. 

Terry PratchettFeet of Clay (1996)

 

Neste 5 de Outubro em que se volta a assinalar com um feriado a Implantação da República (independentemente de poder ser essa ou outra efeméride a merecer o dia de descanso), parece-me apropriado regressar a um autor muito cá de casa: Terry Pratchett. Dizer que as suas sátiras são incomparáveis no género onde situou o mundo secundário de Discworld  - a fantasia literária - seria dizer mesmo muito pouco: é muito provável que no seu auge as sátiras de Pratchett tenham sido incomparáveis, ponto (leia-se Small Gods). Poucos temas dentro e fora do género escaparam ao seu olhar atento e à sua prosa aguçada; sendo britânico, e cultor de um género literário rico em reis e rainhas, seria talvez inevitável que também a monarquia servisse de mote para alguns jogos de palavras, para umas poucas gargalhadas e para uma ou outra reflexão. Como se pode ver por este trecho retirado do décimo-nono livro da série Discworld, no qual o Comandante da Guarda de Ankh-Morpork, Samuel Vimes, se vê a braços com uma série de homicídios e com a possibilidade de a monarquia regressar àquela cidade-estado histórica (ainda não terminei a leitura e tenho evitado spoilers, pelo que para já desconheço se Lorde Vetinari, governador absoluto de Ankh-Morpork, será substituído). E na obra completa podemos encontrar outras passagens sobre o tema, como esta outra, retirada de uma nota de rodapé (as notas de rodapé de Pratchett são famosas) do quarto livro da série, Mort, publicado em 1987, e que talvez ajude a explicar a ciência subjacente ao fenómeno da sucessão: 

 

The only thing known to go faster than ordinary light is monarchy, according to the philosopher Ly Tin Wheedle. He reasoned like this: you can't have more than one king, and tradition demands that there is no gap between kings, so when a king dies the succession must therefore pass to the heir instantaneously. Presumably, he said, there must be some elementary particles – kingons, or possibly queons – that do this job, but of course succession sometimes fails if, in mid-flight, they strike an anti-particle, or republicon. His ambitious plans to use his discovery to send messages, involving the careful torturing of a small king in order to modulate the signal, were never fully expanded because, at that point, the bar closed.

 

Aos leitores, votos de um bom feriado. 

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A Fantasia dos Nossos Tempos Dá Cá Uma Trabalheira

por Francisca Prieto, em 10.05.16

Quando eu era pequena era normal acreditar-se em quase tudo. Acreditavamos no Pai Natal e, em simultâneo, no Menino Jesus, acreditavamos no coelho da Páscoa, no homem do saco, no palhaço Batatinha, no lobo mau, na avózinha, nos glutões do Presto, em fadas e em duendes.

Como não havia cento e tal canais de televisão, muito menos internet, e não se falava ao telefone trezentas vezes ao dia, não havia hipótese de nos virem com caraminholas que trouxessem a angústia da dúvida ao nosso imaginário. Acreditavamos em tudo, piamente, e até muito tarde.

Nos dias que correm, torna-se cada vez mais difícil manter as tradições seculares no que toca a enganar a criançada.

Ora cá em casa, na senda dos ensinamentos do meu pai, o Ratón Pérez é a entidade oficial que toma conta da ocorrência cada vez que um dente de leite resolve dar o ar da sua graça.

No meu tempo a logística era simples: o dente caía, nós deixavamo-lo dentro de um copo de água na mesinha de cabeceira, e o rato lá vinha durante a noite para deixar uma lembrança.

Uma vez a minha irmã Luísa cometeu a heresia de apregoar aos quatro ventos que “isso do Ratón Pérez é uma grande treta” e teve o dissabor de, em vez da habitual lembrança, receber uma pesarosa carta em castelhano, remetida pelo próprio Ratón, a dizer que “si no creía en el, no la podria regalar”. É evidente que, em nossa casa, nunca mais ninguém se atreveu a duvidar da existência do bom e velho Pérez, pelo menos até à chegada da maioridade.

Já eu, que pertenço à geração de mães do novo milénio, vejo-me grega para prolongar o mito. Tive de me adaptar aos novos tempos e arranjar uma data de argumentos para tornar credível o facto de haver um rato se mete à estrada a partir de Espanha com um embrulho às costas.

No século XXI, como é sabido, qualquer actividade tem de ter um interesse económico, senão cheira logo a aldrabice. De maneira que o Ratón Pérez é evidentemente um coleccionador de dentes que só deixa um presente porque está interessado em aumentar o espólio. E é sabido que quando um dente se apresenta em mau estado não há qualquer hipótese de “regalo”.

Como o castelhano não é o forte cá de casa, optou-se por lhe dar uma origem galega, o que, em caso de missiva, fornece alibi perfeito para os portunhólicos pontapés na gramática da língua de Cervantes.

A água do copo tem de ser bebida quase até ao fim porque o pobre rato vem a alta velocidade desde Espanha e chega cá sedento. Por vezes, chego mesmo a ser obrigada a deixar um bocadito de queijo Emmental (que sou forçada a mordiscar lá pela uma da manhã) porque é natural que, à chegada, o amigo Ratón traga uma certa larica.

Isto tem-me dado uma trabalheira, sobretudo quando tenho de puxar pela memória para manter a coerência dos factos, mas o que é certo é que, até à data, nunca dei pelo menor resquício de dúvida face à existência do Ratón Pérez.

Já no Pai Natal ninguém acredita. Que isso de haver um velho gordo puxado num trenó voador por meia dúzia de renas está-se mesmo a ver que é fantasia.

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Lalalândia (2)

por João André, em 12.05.15

Em Bagdad:

 

- Companheiros, amigos, palhaços, fizemos um grande trabalho! Reformámos a Justiça!!

Tradução: não funciona.

- Reformámos a Educação!

Tradução: ninguém sabe o que tem que fazer, nada começa a horas, a escola pública está a desaparecer e a privada a ser subsidiada pior que nunca.

- Reformámos a Saúde!

Tradução: a Médis está a ficar rica fazendo cada vez menos.

- Reformámos a Fiscalidade!

Tradução: espetámos com impostos em tudo o que se mexe na função pública e removemos tanto quanto possível os mesmos às empresas que não passaram a empregar mais por causa disso.

- Reformámos as Forças Armadas e a Administração Pública!

Tradução: quem tem cu tem medo e despedimos aqueles que não metem medo.

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Lalalândia (1)

por João André, em 12.05.15

No médico

 

- Ó sôtôr, tenho aqui umas palpitações e umas dores...

- Ó amigo, isso é da obesidade, não se vê logo?

- Eu? Mas eu só como um bolo ou outro de vez em quando. Só como aquilo que preciso. Sempre no McDonald's...

- McDonald's? Isso não faz mal a ninguém. Mas precisa de perder gordura. Olhe, tome lá este saco de 50 quilos, estes comprimidos e deixe de trabalhar e comece mas é a comer mais Happy Meals. Vai ver que lhe passa.

 

...

 

- Ó sôtôr, eu ando cheio de fome, mas as palpitações pioraram e agora, sempre que tomos os comprimidos, fico cheio de dores de estômago.

- Isso não importa. Reforce a dose que é o que importa. Estou a ver-lhe ainda muito pneu. Aumente a carga para 60 quilos. Durma menos. Largue os sapatos que aumentam o conforto e não o deixam perder peso. E já agora não vá aquele curso que estava a seguir que só se senta e isso faz-lhe mal.

 

...

 

- Outra vez aqui homem? Então que se passa? Ainda não perdeu nada de especial de peso.

- Ó sôtôr, estou cada vez pior. Sinto-me mal, tenho febre, ando cheio de dores e sempre tão irritadiço que até o meu filho já se foi embora. E era ele que me ia trazendo uns trocados para casa agora que o sôtôr me mandou parar de trabalhar. Tem a certeza que isto é preciso?

- Nem tenha dúvida. É uma receita que foi encomendada pelos médicos do Hospital de Frankfurt, pelo Instituto de Medicina Familiar de Berlim e pela Universidade Médica de Bruxelas. Basta ver que os professores de Atenas não concordam para ver que é bom.

- Mas isto faz-me sentir mal.

- Não se preocupe homem. Olhe, para a febre o melhor é andar sem roupas pela rua e tomar banhos gelados. Vai ver que o frio lhe baixa a temperatura. Já agora aumente a carga para 75 quilos. Mal não fará. E comece a cavar o quintal de minha casa. Só lhe faz bem e até me faz um favor.

- Ainda isso? Depois de aumentar o preço da consulta?

- É para seu bem, acredite no que lhe digo...

 

...

 

- Ó sôtôr, sinto-me pessimamente. Não posso com dores de cabeça, o estômago dói-me tanto que estou a cuspir sangue, deve ser úlcera, a minha mulher deixou-me, os dentes estão a apodrecer-me, já não arranjo emprego de jeito, só mesmo a cavar valas, coisa sem jeito nenhum e mal paga, não tenho forças e nem sequer consigo aproveitar nada da vida.

- Mas olhe que se começa a ver a falta de gordura. Já perdeu alguma coisa. Isto ainda não acabou amigo, vai ver que vale a pena. Aguente que ao fim de uns 10 ou 20 anos vai ver como se sente perfeito, sem gordurinha nenhuma.

- Mas e os gregos? Tinham lá umas coisinhas medicinais...

- Fantasias meu caro, não se deixe levar. Aumente a dose dos comprimidos e tome ainda estes. Não são comparticipados mas ajudam mais.

- São para as dores?

- Qual dores, vão aumentá-las, mas isso só o vai ajudar a perder peso mais depressa. E cave tantas valas quanto possível. Não tire férias.

 

...

 

- Boa tarde senhor doutor.

- Sim? Em que posso ajudar?

- Sou filho daquele senhor que o doutor andou a tratar do excesso de peso.

- E então, como vão as coisas?

- Malzinho doutor, malzinho. O meu pai morreu...

- Morreu? Mas como?

- De malnutrição. De dores. De úlcera. Enfim, da cura.

- E qual era o peso?

- XX quilos.

- Está a ver como até perdeu peso? Se quer que lhe diga, o mal foi não ter levado a cura longe o suficiente.

 

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O autor da aclamada série de literatura fantástica A Song of Ice and Fire, adaptada para televisão pela HBO, esteve uma vez mais em Portugal. No dia 18 de Abril decorreu no Teatro Villaret, em Lisboa, a apresentação da antologia O Cavaleiro de Westeros e Outras Histórias. A 19 de Abril teve lugar a ante-estreia do primeiro episódio da segunda temporada de Guerra dos Tronos. E no dia 19, o autor esteve no Porto, numa sessão com os fãs.

 

Aos interessados, deixo aqui as ligações para alguns artigos que escrevi a propósito da visita do autor ao nosso país: a apresentação em Lisboa, as perguntas e respostas e e a minha entrevista com George R. R. Martin sobre a série televisiva Game of Thrones

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The Colour of Magic

por João Campos, em 03.02.12

No início deste ano, defini como resolução para 2012 ler a série Discworld, de Terry Pratchett. Não necessariamente toda, claro – de 1983 até ao presente, Pratchett escreveu um total de 39 livros desta série não-linear e incrivelmente popular*. E apesar do débil estado de saúde do autor – a quem foi diagnosticada Alzheimer – parece que ainda está a tentar concluir e publicar pelo menos mais uma aventura de Discworld.

 

Discworld não obriga a uma leitura dos livros por ordem cronológica. Ao longo dos 39 volumes, Pratchett desenvolveu um sem-número de personagens e múltiplas narrativas que têm lugar naquele mundo plano e circular, assente sobre quatro elefantes gigantescos que vagueiam pelo Universo em cima da carapaça da Great A'Tuin, a tartaruga cósmica. A série inclui histórias de feiticeiros, de bruxas, da polícia da cidade de Ankh-Morpork, do detective Sam Vimes, da mais relevante academia de ensino de feitiçaria de Discworld, a “Unseen University”, entre outros. A minha opção para cumprir este desafio, porém, foi ler a série por ordem cronológica, para melhor acompanhar a evolução do autor e de todo aquele mundo fantástico.

 

Em The Colour of Magic, o primeiro livro da série, a narrativa acompanha três personagens peculiares: Rincewind, um feiticeiro inapto (sabe apenas um único feitiço, por acaso é um dos oito Grandes Feitiços, que se alojou na mente do aprendiz de feiticeiro e desde então tem afugentado – literalmente – qualquer possibilidade de este aprender qualquer outro truque, por mais elementar que seja) com especial aptidão para idiomas e para se meter nos mais loucos sarilhos imagináveis; Twoflower, o primeiro turista de Discworld, que deixou a sua nação remota e o seu aborrecido trabalho de contabilista de seguros para conhecer o mundo a partir da cidade de Ankh-Morpork; e a bagagem de Twoflower. Sim, a bagagem the Twoflower – conhecida apenas por “Luggage” – é também ela uma personagem, consistindo num baú ligeiramente maior que o tamanho médio dos baús, feito de pearwood (uma madeira raríssima e resistente a magia), que se move com dezenas de pequenas e ágeis pernas e segue o seu dono para toda a parte (mesmo para toda a parte). Twoflower quer conhecer o mundo e ver as maravilhas de Discworld, e contrata Rincewind a peso de ouro para ser o seu guia, tarefa que o feiticeiro cumpre num estilo muito peculiar (e sempre divertido). Pelo caminho encontram ladrões, assassinos, heróis, bárbaros, dragões imaginários, dríades, demónios antigos, a Morte, deuses, trolls normais, trolls marinhos, e uma sociedade que quer enviar uma espécie de nave espacial para lá dos limites do mundo (o "Rimfall") para descobrir a resposta a uma das questões que tem intrigado gerações de filósofos e feiticeiros: qual é o sexo de Great A'Tuin?

 

Dono de um sentido de humor extraordinário, na boa tradição do non-sense britânico, Pratchett usa estas personagens e as loucas situações em que se envolvem para parodiar os clichés dos géneros do fantástico. A forma como descreve feiticeiros, bárbaros, heróis, bandidos e donzelas em perigo é hilariante, pegando nos nos estereótipos tradicionais e invertendo-os, apenas para os devolver à narrativa e deixá-la seguir o seu atribulado curso. As descrições são um regalo, e é muito difícil não rir mesmo quando o autor descreve as mais triviais situações e os mais vulgares cenários. Se bem que, com franqueza, se há coisa que as situações e os cenários em Discoworld não são é justamente triviais ou vulgares.

 

Se em circunstâncias normais a série Discworld seria sempre merecedora de leitura – pela imaginação, pela qualidade da escrita e pela sátira –, numa época como esta ainda é mais recomendável. O humor, afinal, ainda está livre de impostos; e ainda que o riso não resolva todos os problemas, sempre ajuda a descontrair. Em Discworld, começando com The Colour of Magic, Pratchett dá aos leitores um stock interminável de gargalhadas.

 

*Em 2003, a BBC realizou uma sondagem ao longo de um ano para apurar qual o livro mais querido dos leitores ingleses. Sem surpresas, a obra vencedora foi The Lord of the Rings, de Tolkien; entre as 100 obras preferidas do público inglês, contam-se cinco de Terry Pratchett (Mort, Good Omens – esta escrita com Neil Gaiman –, Guards! Guards!, Night Watch e The Colour of Magic). Se considerarmos a lista dos 200 livros preferidos dos ingleses, Pratchett figura 15 vezes. Nada mau.

 

(Também aqui, onde doravante me dedicarei unicamente ao Fantástico com regularidade incerta)

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Os Óscares deste ano são os mais desinteressantes de que me lembro. Não vi um único filme dos nomeados - e a verdade é que não existe nenhum na lista que faça realmente questão de ver. 


Valha-me 2012, que graças a vários regressos promete ser um excelente ano cinematográfico. Ridley Scott regressa ao seu melhor género, a ficção científica, e ao universo de Alien com Prometheus, a prequela-que-não-é-uma-prequela da obra-prima de 1979. Cristopher Nolan regressa a Gotham City e ao universo de Batman - o único super-herói que passou bem da banda desenhada para o grande ecrã - com The Dark Knight Rises, o capítulo final da sua trilogia sobre o sombrio alter ego de Bruce Wayne. E, por fim, resta o muito aguardado regresso de Peter Jackson à Terra Média, com a adaptação de The Hobbit, onde poderemos ver como Bilbo Baggings, entre muitas outras aventuras, encontrou o Anel que colocou em marcha os acontecimentos de The Lord of the Rings.

 

O trailer deste dificilmente poderia ser mais prometedor.


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Fantástico

por João Campos, em 21.11.11

Decorreu entre 18 e 20 de Novembro o Fórum Fantástico 2011. Em jeito de resumo (que não fará justiça ao evento), foram três dias de excelentes sessões sobre os géneros do fantástico na literatura, no cinema e na banda desenhada. Entre os convidados estiveram, entre outros, o escritor e cineasta António de Macedo (e é fascinante ouvi-lo, esteja ele no palco entre os oradores ou na plateia, entre o público, a fazer comentários e a colocar questões), o autor espanhol Félix J. Palma, o escritor João Barreiros, Filipe Melo (cuja obra já aqui foi mencionada), e Victor Mesquita, "guru" da banda desenhada portuguesa. As sessões, essas, oscilaram entre o bom e o excelente.

 

Para terem uma ideia melhor do que foi o Fórum Fantástico 2011, podem consultar o blogue oficial.

 

Uma vez mais, o mérito da organização vai para Rogério Ribeiro e Safaa Dib.

 

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Já falta pouco

por João Campos, em 17.10.11

 

Fórum Fantástico 2011. Em breve, mais informações sobre a programação. 

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A Game of Thrones

por João Campos, em 30.09.11

Quem ainda não ouviu falar de A Game of Thrones, do norte-americano George R.R. Martin, irá certamente ouvir em breve, quando a adaptação do romance para série televisiva da HBO estrear por cá em Outubro, no Sy-Fy. Uma excelente adaptação, aliás, como a HBO já nos habituou. Mas deixemos a adaptação para outro dia, e falemos dos livros hoje.

 

A Game of Thrones (na tradução portuguesa, A Guerra dos Tronos), publicado em 1996, é a primeira parte da série A Song of Ice and Fire, que já conta com cinco livros publicados: A Clash of Kings (1998), A Storm of Swords (2000), A Feast For Crows (2005) e A Dance With Dragons (2011). Mais dois estão previstos, The Winds of Winter e A Dream of Spring, apesar de ser impossível fazer qualquer previsão sobre a conclusão e publicação das duas últimas sequelas. Dentro da literatura de fantasia, há muito quem considere A Song of Ice and Fire a melhor série do género desde que Bilbo encontrou o Anel e Frodo teve de resolver o problema. Talvez não seja a melhor série literária do género deste Tolkien - o britânico Philip Pullman, com a trilogia His Dark Materials, é sempre um sério candidato ao segundo lugar -, mas não fica longe, e conseguiu refrescar um género que, ao longo dos anos, usou e abusou das ideias do velho professor inglês. 

 

A verdade é que A Game of Thrones aproxima-se muito mais da nossa História medieval do que das narrativas de fantasia convencionais. George Martin assume ter retirado bastantes ideias de episódios históricos como a Guerra das Rosas, entre outros. Os elementos do fantástico estão presentes, e tornam-se cada vez mais relevantes à medida que a série avança, mas a intriga e os conflitos entre as várias casas nobres e facções políticas e militares do mundo ficcional dos Sete Reinos de Westeros constituem o verdadeiro motor de toda a história, à medida que os apoiantes das grandes casas Stark, Baratheon, Arryn, Tully, Lannister, Tyrell e Martell (e outros, tantos outros), sem esquecer os despojados herdeiros dos Targaryens, se embrenham nas malhas da intriga da capital do reino. E, acrescente-se de passagem, que intriga!

 

A estrutura narrativa é outro dos pontos fortes de A Game of Thrones, com a estrutura por capítulos a abdicar dos narradores de primeira ou terceira pessoa convencionais. Cada capítulo do livro tem como título o nome de uma personagem, e é narrado de acordo com o ponto de vista dessa personagem. Esta estrutura pode parecer estranha ao início, mas revela-se surpreendentemente dinâmica à medida que a história progride, dando protagonismo a vários personagens em localizações distantes. Sem esquecer, claro, que diferentes personagens encaram as situações de formas distintas, e também isso é visível ao longo da narrativa. 

 

Em resumo, A Game of Thrones (e o resto da série) é uma leitura cativante, que certamente não decepcionará quem gostar de uma boa história muito bem contada. Deixo contudo o aviso: George Martin parece retirar particular satisfação de quebrar convenções, e a noção de "plot armor" é praticamente inexistente na sua obra. Dito de outra forma, e em jeito de advertência a potenciais leitores: não se afeiçoem demasiado às personagens, mesmo que (aparentemente) elas sejam protagonistas. É bastante provável que venham a ter alguns dissabores (que, na minha opinião, só melhoram a leitura). 

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Fórum Fantástico 2010

por João Campos, em 10.11.10

 

 

Começa dia 12 de Novembro, sexta-feira, na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Telheiras (Lisboa), o Fórum Fantástico 2010, porventura o mais relevante - e interessante - evento de ficção científica a decorrer por cá. Depois da excelente edição de 2008 e do interregno de 2009, é bom ter o FF de volta. Aos interessados, o programa encontra-se disponível no blogue oficial.

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