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Pelos Caminhos de Fátima

por João Pedro Pimenta, em 13.05.17

Estive a ver a chegada do Papa a Fátima e a procissão das velas. Mesmo o mais empedernidos dos descrentes deve ter sentido uma pontinha de comoção ao ver toda aquela alegria e devoção. Não estou em Fátima, com pena minha, mas não estou especialmente treinado para fazer longos percursos em bicicleta em pouco tempo, como me propuseram, e combinações de última hora acabaram por não surtir efeito. Por isso, assisto às cerimónias pela televisão.

 
Todos os anos sucedem-se as peregrinações a pé até Fátima. A esmagadora maioria dos peregrinos segue pela estrada, com todos os perigos que isso acarreta. Mas não têm necessariamente de o fazer.
Têm caminhos alternativos, por troços secundários e mais seguros, tal como acontece como os que vão para Santiago.
Os Caminhos de Fátima são um projecto do Centro Nacional de Cultura e uma ideia original de Helena Vaz da Silva. Pretendem levar os peregrinos em segurança desde o ponto de partida, seja ele qual for, até ao santuário de Fátima. Para já não há muitos albergues e pontos de descansos. Mas há indicações, muitas, que mostram a quem por eles segue a direcção do seu destino. As setas azuis, em fundo branco ou não, indicam o rumo até à Cova da Iria.

 

 
Nas últimas semanas, e com a aproximação do Centenário de Fátima, várias equipas de voluntários, entre os quais o escritor destas linhas, entretiveram-se a desenhar ou redesenhar as setas do caminho. Boa parte do traçado é dividido com o Caminho de Santiago, aproveitado para fins idênticos, indo cada uma na direcção inversa do outro. Assim, as setas azuis "esbarram" nas amarelas.

 

 
Os Caminhos de Fátima dificilmente alcançarão a importância cultural dos de Santiago. Há que recordar que os trajectos até à cidade do Apóstolo vêm desde tempos imemoriais, têm mais de mil anos, e durante séculos foram as únicas vias terrestres a servir esse importantíssimo ponto de peregrinação. Os Caminhos de Fátima nasceram na época do GPS, da net, das autoestradas e do transporte individual, e portanto nunca alcançarão a mesma notoriedade, nem são para já um "clássico" das peregrinações a pé. Mas cumprem o seu propósito, dando aos peregrinos uma segurança que não têm na estrada. Além disso, permitem-lhes conhecer melhor o país, observar mais atentamente a paisagem e descobrir pormenores singulares. No troço que coube à minha equipa, por exemplo, e que começava em Conímbriga, (a mais importante estação arqueológica romana de Portugal), passei por uma aldeia chamada Fonte Coberta que nem consta dos mapas, mas que em tempos acolheu o grão-duque da Toscana Cosme III de Médicis na sua ida para Santiago e o Marechal Soult na sua debandada da 3ª Invasão, por caminhos de floresta onde se praticava motocross, por vales de rios secos e perto de castelos no alto de penhascos aparentemente inacessíveis.
 
Fátima é um ponto de chegada, de fé e de devoção, mas pode ser também um caminho de esforço e de resiliência sem ser um tormento, e sobretudo sem ser um perigo latente que obrigue a caminhar na margem da estrada. Talvez os Caminhos não sejam ainda muito usados nem sejam ainda vistos como a alternativa aos mais conhecidos. Por isso mesmo, este Centenário pode significar não uma oportunidade menos aproveitada mas sim a alavanca para percursos mais seguros e interessantes e que dê  a quem os use uma nova perspectiva do país, até aí escondida pelas "ruas da estrada"e pelo trânsito incessante.

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Ouch!

por Rui Rocha, em 12.05.17

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Paulo Mendes Pinto directo de Fátima

por Patrícia Reis, em 12.05.17

https://www.publico.pt/2017/05/12/culturaipsilon/noticia/o-circo-mediatico-em-fatima-1771948

 

O circo mediático, as televisões, os crentes.

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Como por milagre

por Pedro Correia, em 03.05.17

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Há dias houve um ínfimo mas muito mediático clamor numa fracção da ala bloquista do grupo parlamentar do PS contra a concessão da "tolerância de ponto" decretada pelo Governo aos funcionários públicos a 12 de Maio, dia da chegada do Papa Francisco a Fátima. Pretexto invocado: tal medida fere o princípio da "laicidade do Estado", que andou esquecido na recente Sexta-Feira Santa, feriado obrigatório em Portugal sem um sussurro de indignação daqueles deputados. Como se tal princípio fosse de geometria muito variável. 

Curiosamente, em nenhum momento vi os referidos parlamentares preocupados com uma consequência imediata da mais recente decisão governamental: acentuar a chocante desigualdade registada num país que funciona a duas velocidades - a da administração pública e a da economia privada. Com esta a ter salários mais baixos, jornadas laborais maiores, aposentações mais tardias e sobretudo o espectro do desemprego sempre presente, enquanto vai financiando a primeira, domínio exclusivo das "tolerâncias de ponto".

Devia assim António Costa ter procedido de maneira diferente com alguém que o falecido ex-Presidente Mário Soares afirmava "idolatrar" e a jornalista Teresa de Sousa considera "mais inspirador do que qualquer líder europeu"? Não. Porque este Francisco que está prestes a desembarcar em solo português como peregrino católico não merece menos do que o seu predecessor Bento XVI, que em 2010, quando cá esteve, levou o primeiro-ministro José Sócrates a decretar medida idêntica - alargada aliás à tarde de 11 de Maio em Lisboa e à manhã de 14 de Maio no Porto.

Apesar de eu presumir que alguns deputados socialistas talvez pensem assim, pois em 2013  recusaram subscrever um voto de congratulação da Assembleia da República pela ascensão ao trono de São Pedro do ex-arcebispo de Buenos Aires, primeiro Papa não-europeu em 1200 anos.

Alguns deles, como por milagre, são bem capazes de estar agora com ele em Fátima.

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Desculpem, não resisti

por Rui Rocha, em 22.04.17

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Perdoai-lhes que não sabem o que fazem

por Rui Rocha, em 27.02.17

A Ryanair, por exemplo, tem partidas do Porto para Roma Ciampino às quartas com regresso às segundas. Marcando com antecedência, encontras viagens de ida e volta para duas pessoas por 150 euros. Cinco noites de hotel com mais que razoável conforto na capital italiana saem-te por 450 euros. Estimemos ainda um total de 400 euros para transportes e alimentação. Estamos portanto a falar de um custo total de 1000 euros para duas pessoas para 6 dias e 5 noites em Roma com a possibilidade de visitar o Coliseu, a Fontana de Trevi ou o Fórum Romano. Se fizeres questão, podes ir ao Vaticano no Domingo ver o Papa. Entretanto, leio que estão a pagar 1000 euros por uma noite em saco-cama para dois adultos durante a visita papal a Fátima. Deus me perdoe, mas é preciso ser-se parvo.

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Futebol e Fátima

por Rui Rocha, em 12.07.16

Li por aí que o Professor Marcelo, o mais alto beato da Nação, rezou muitos terços para que a selecção nacional tivesse um bom resultado e que admite ir a Fátima. Ora, há coisas que não percebo. Quer dizer, se eu fosse crente, era capaz de rezar pela saúde e pela felicidade da minha mulher, dos meus filhos ou da humanidade em geral. Pela nossa saúde ou por uma felicidade nossa que não prejudicasse a dos outros. Mas neste caso, rezar pelo sucesso da selecção de Portugal é pedir o insucesso da selecção de França. E parece-me que isto não é assunto em que se deva meter Nossa Senhora de Fátima. Como é que Nossa Senhora de Fátima fica? Qual é o critério de decisão? Favorece os que pedem mais, os que fazem mais barulho? Beneficia os que se portam melhor? Mas como? O Bruno Alves é melhor do que o Payet? Há coisas que pessoas bem formadas não pedem. Muito menos a Nossa Senhora de Fátima. Na verdade, o que Marcelo e os outros como ele querem é tráfico de influências. Que Nossa Senhora mexa uns cordelinhos, que interceda aqui e ali, para beneficiar uns e prejudicar outros. Aliás, se eu fosse Nossa Senhora de Fátima e me aparecesse o Marcelo ou outros como ele com um tercinho na mão e conversa do tipo "ah e tal podias dar aqui um jeito" mandava-os logo foder.

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Postais de Portugal

por Pedro Correia, em 08.11.15

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Fátima, terra de fé no turismo

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Teologia da distância

por José António Abreu, em 13.05.15

Há um tema proibido em qualquer reunião da minha família: as peregrinações a Fátima. Inevitavelmente, com a insídia que caracteriza a maioria dos seus membros – provavelmente similar à que caracteriza a maioria dos membros da maioria das famílias – alguém acaba sempre por aproveitar um instante mais calmo nas conversas cruzadas para o abordar, desde que a tia Amélia e a tia Natalina estejam na sala. A discussão teológica que se segue tem tanto de novo como as cenas mais conhecidas dos velhos filmes portugueses mas, como elas, permite o conforto de verificar a constância de certos comportamentos e, ocasionalmente, que se atinjam momentos de surpreendente profundeza (se alguém parasse um pouco para reflectir sobre eles, o que está longe de ser o caso).

Irmãs do meu pai, a tia Amélia e tia Natalina aproximam-se dos setenta anos de idade. Nasceram ambas na velha casa de Vila Verde, vendida depois da morte dos pais. A tia Amélia é a mais velha. Casou há perto de cinquenta anos com um vendedor de tractores e alfaias agrícolas e mudou-se para Vinhais, distante de sete quilómetros. O meu pai, cinco anos mais novo, acabou por segui-la mas a tia Natalina foi parar mais longe. No casamento de um tio encontrou um rapaz da Marinha Grande e, após muitos lamentos da mãe (o rapaz era simpático e parecia de boas famílias mas a Marinha Grande ficava tão longe), casou-se com ele e mudou-se para lá. Apesar da distância, as duas irmãs mantiveram contacto, nas primeiras décadas através de cartas frequentes e telefonemas raros (as chamadas ficavam caras), ultimamente recorrendo ao telemóvel e ao Facebook, de que são fãs incondicionais.

A tia Amélia teve dois filhos, que – refere-o com um sorriso de orgulho, como se nada na vida ficasse a cargo da sorte e, por conseguinte, o mérito fosse todo seu – nunca lhe causaram preocupações. Já a tia Natalina deu à luz três crianças. Até hoje, duas tiveram apenas as doenças normais para qualquer pessoa mas à outra – a minha prima Cristina – foi diagnosticado um cancro há cerca de doze anos. Desesperada, a tia Natalina prometeu ir a Fátima se o tratamento resultasse. Cristina sobreviveu e a mãe cumpriu a promessa logo no mês de Maio seguinte.

A polémica começou num dia de Natal em que a tia Natalina descrevia novamente o quão andara preocupada e como, apesar de ter ficado com os músculos doridos e os pés cheios de bolhas, sentira uma paz imensa ao chegar ao santuário. Pouco impressionada, a tia Amélia resmungou: «Até parece que fizeste um grande esforço.»

Foi o bastante para iniciar uma discussão que se prolongou durante um par de horas, destruindo completamente o espírito natalício, a qual ainda hoje tem sequelas que seguem um guião mais ou menos fixo: a tia Amélia diz que ir da Marinha Grande a Fátima – «São o quê? Quarenta quilómetros?» – não é grande feito; a tia Natalina responde que lá sabe ela, que nunca andou mais de quinhentos metros de cada vez; a tia Amélia diz que andou, sim senhora, e por caminhos bem mais irregulares, além do que pode não ter ido a pé a Fátima mas conhece muita gente que já foi e dali mesmo, de Vinhais, que fica a uns quatrocentos, e que como todos sabem há pessoas que vão de Bragança e do Minho inteiro e certamente também do Algarve, e que essas é que são peregrinações difíceis; a tia Natalina replica que cada um vai de onde mora, que não tem culpa de morar relativamente perto do santuário, que há pessoas que ainda moram mais perto e não merecem ser apoucadas daquela forma, e que, no fundo, o que conta é a intenção; a tia Amélia responde que se contasse apenas a intenção não era preciso fazer a viagem, que também é necessário algum sacrifício concreto para a promessa valer alguma coisa e que, acima de tudo, é um descaramento e um pecado uma pessoa andar depois a gabar-se de ter feito um grande esforço quando na verdade não fez. Esta acusação tira a tia Natalina do sério e, se ninguém as parar (nesta fase é difícil) ficam para ali durante horas a discutir a importância da distância no valor da promessa enquanto os maridos continuam a jogar sueca ou dominó, fingindo não ouvir. Os restantes elementos da família primeiro divertem-se, depois tentam pará-las, por fim desinteressam-se e iniciam conversas paralelas.

É isto uma e outra vez. Entretanto, a minha prima Cristina confidenciou-me que a mãe, recusando embora admiti-lo para não dar o braço a torcer perante a irmã, já percorreu a pé os trinta e tal quilómetros até Fátima mais duas vezes. Para que a Deus não restem dúvidas acerca do seu empenho. Prometi a Cristina manter o segredo mas, a cada nova reunião de família, pergunto-me se não seria mais caridoso - mais cristão, até - deixar escapar a verdade.

 

Também aqui.

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Isto explica muita coisa

por Rui Rocha, em 05.04.14

Enquanto as outras crianças da época jogavam ao eixo ou ao pião, "o Francisco e a Jacinta, durante a sua infância, na sua brincadeira, gostavam de chamar ao sol a candeia de Nosso Senhor e à lua a candeia de Nossa Senhora".

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Imagem de Nossa Senhora de Fátima analisada ao detalhe.

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Não sei se é milagre

por J.M. Coutinho Ribeiro, em 06.03.09

 

O Santuário de Fátima era um dos melhores clientes do BPP, garante o CM. Mas, com a construção da nova Basílica, os capitais foram sendo desmobilizados, razão pela qual o Santuário escapou à crise de liquidez do banco, que traz os clientes à beira de um ataque de fúria. Milagre?

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