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Do fanatismo

por Pedro Correia, em 20.07.17

 

Patrão bom é um patrão morto para os arautos da luta de classes mais sectária e extremista? Nem isso, como esta votação no Parlamento bem demonstra.

 

 

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Extremismos

por Diogo Noivo, em 27.05.16

okupasGracia_ElPais.jpg

 

Nas últimas noites, o bairro de Gràcia, em Barcelona, esteve a ferro e fogo. Um grupo de okupas tomou as ruas de assalto, deixando um rasto de destruição e os moradores aterrorizados. Montras de lojas e de sucursais bancárias, supermercados, contentores do lixo, scooters, carros, nada escapou à fúria. A presença de jornalistas em directo do local, também insultados e agredidos, permitiu ouvir as vozes de protesto. “A polícia é terrorista” é das poucas frases que posso reproduzir aqui. O vocabulário era desinibido e pouco exemplar.

 

A razão para tanta destruição, perdão, indignação é inaudita: deixaram de lhes pagar a renda. É verdade, eu também sou do tempo em que os okupas eram uns tipos destemidos que ocupavam imóveis contra a vontade do proprietário, contra as normas da lei, contra as decisões judiciais e contra a polícia. Enfim, sou do tempo em que usar bens pagos era, para os okupas, um vício burguês, uma contradição nos termos. Ser okupa num imóvel que alguém paga era como ser partidário da castidade e decidir viver num prostíbulo.

 

Os antecedentes desta história contam-se em três penadas. O imóvel, uma antiga dependência bancária, foi ocupado em 2011. Dois anos mais tarde, o proprietário, a Catalunya Caixa, fez chegar aos okupas a ordem de despejo. Os okupas protestaram para reivindicar o seu direito a um tecto e a uma vida digna, ou seja, saíram à rua para destruir propriedade pública e privada, para além de expiar frustrações na polícia. Perante a violência e o desrespeito pela lei, o então presidente da câmara municipal de Barcelona, Xavier Trias, decidiu que era chegado o momento de tomar uma decisão. Levantou a cabeça, encheu-se de coragem, assumiu os poderes públicos nele investidos e começou a pagar-lhes a renda. Aqui chegados, não sei se me devo revoltar com os okupas ou se devo aplaudi-los. O município de Barcelona passou então a desembolsar 5.500 € com cadência mensal. O maquiavelismo primário (e alguma benevolência com Trias) poderia ver nesta decisão do Executivo municipal uma estratégia audaz para subverter a identidade okupa. Acontece que a ideologia e os valores okupas são abnegados e irrenunciáveis, mas não há ideias no mundo que se comparem ao conforto de uma casa paga por terceiros.

 

Por razões que os okupas não entendem, a actual presidente de câmara, Alda Colau, considera que a renda de 5.500€ é danosa para o erário público. Por isso, mandou cancelar a transferência mensal. Note-se que não é uma posição de força. A alcaldesa de Barcelona, eleita por uma plataforma local do partido Podemos, distancia-se da violência, mas diz compreender os “manifestantes”.

 

E aqui termina a história, certo? Errado. A CUP (Candidatura d’Unitat Popular), partido anti-sistema de esquerda radical que sustenta o Executivo camarário, é um forte apoiante da causa okupa e, perante a decisão de Colau, vai dizendo entre dentes que o governo municipal pode cair. Abreviando, Barcelona pode ficar sem Executivo municipal porque um grupo de okupas exige que lhes paguem a renda. Mas ainda bem que a Áustria não elegeu um perigoso extremista.

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Os partidos mal educados.

por Luís Menezes Leitão, em 10.03.16

Se há algo que caracteriza as instituições é o respeito pelo cerimonial e pelo formalismo. O Parlamento não é propriamente uma tasca e especialmente uma cerimónia de posse do Presidente da República deve ocorrer com a máxima elevação. Mas parece que, seguindo a influência do Podemos espanhol, que acha que o Parlamento é um lugar para se fazer figuras tristes, o Bloco de Esquerda, o PCP e o seu apêndice PEV decidiram ficar sentados e não aplaudir a tomada de posse do Presidente da República.

 

Trata-se de algo que só é de facto concebível em países como o nosso, em que o respeito pelas instituições anda pelas ruas da amargura. Na América, pode o Congresso ter uma maioria fortemente contrária ao Presidente. Mas quando se ouve o Sergeant at arms anunciar a sua chegada ("Mr. Speaker, the President of the United States") todos os congressistas se levantam em uníssono e aplaudem vigorosamente a chegada do Presidente. Todos sabem distinguir o respeito pelo cargo das discordâncias que tenham em relação à pessoa que o ocupa.

 

Em Portugal, os partidos da extrema-esquerda manifestamente não sabem fazer essa distinção elementar. Por isso não se dão ao respeito, preferindo como criancinhas fazer a sua birrinha no Parlamento. Só que isso é um péssimo indício de uma absoluta falta de sentido de Estado. E assim os portugueses bem podem perguntar como é que estes partidos podem ser sustentáculos de um Governo. Que garantias temos de que à primeira birra o Governo não cairá?

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Aqui escrevem os comunistas puros e duros. Sem punhos de renda, como antes da queda do Muro de Berlim. Com linguagem típica de Guerra Fria. Querem derrubar nas ruas o Governo português, que recusam qualificar de democrático, aplicando a cartilha marxista-leninista sobre "violência revolucionária". Enquanto se enfurecem ao ver as ruas da Ucrânia e da Venezuela encherem-se de protestos do povo, a quem não hesitam em chamar fascista.

 

Sobre Portugal:

«Urge apressar o derrubamento deste governo de máscara democrática que é na prática uma ditadura do capital.»

Sobre a Ucrânia:

«Uma vaga de anticomunismo selvagem varre grande parte da Ucrânia. Na capital e nas cidades da Ucrânia Ocidental, organizações de extrema-direita praticam crimes abjetos, perante a passividade do exército e das polícias. Desde o III Reich nazi que não acontecia algo comparável na Europa. O fascismo exibe na Ucrânia, com arrogância desafiadora, a sua face hedionda.»

Sobre Portugal:

«Anima-me a convicção de que o povo português, ao reencontrar-se com a História, volte em breve a assumir-se como sujeito. O aumento torrencial das lutas sociais e da combatividade das massas reforça a esperança de que os trabalhadores, liderados pela CGTP, se mobilizem para enfrentar e afastar do poder os que hoje os oprimem, roubam e humilham.»

Sobre a Venezuela:

«Uma campanha de desinformação, que envolve os grandes media dos EUA e da União Europeia, transmite diariamente a imagem de uma Venezuela onde a violência se tornou endémica, manifestações pacíficas seriam reprimidas, a escassez de produtos essenciais aumenta, a inflação disparou e a crise económica se aprofunda. Ocultam a realidade. Quem promove a violência é a extrema-direita, quem incendiou lojas da Mision Mercal que vende ao povo mercadorias a preços reduzidos, quem saqueia supermercados é essa oposição neofascista que se apresenta como "democrática".»

Sobre Portugal:

«A demissão deste governo, que há muito já deveria ter ocorrido, torna-se cada dia mais urgente. Não é previsível que Cavaco Silva assuma – como não assumiu outros – o dever constitucional de o fazer. Está nas mãos e na luta do povo realizar essa tarefa essencial de saneamento político e democrático.»

Sobre a Ucrânia:

«Os desmandos e violências em curso dos grupos fascistas são inquietantes. Nas cidades que controlam destruíram estátuas de Lenine, ilegalizaram o Partido das Regiões (que apoiava o Presidente) e o Partido Comunista da Ucrânia e em alguns casos fecharam as suas sedes. É transparente que o fascismo ucraniano exibe o seu rosto hediondo.»

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Os "indignados" são "fascistas"

por Pedro Correia, em 22.02.14

Anadaram anos a proclamar: "Todos na rua". Elogiando, entre exclamações de júbilo, as grandes manifestações populares de "indignados" no Brasil e na Turquia, por exemplo. Já sem falar em Portugal. Porque "é na rua que se consegue mudar a realidade".

No entanto, agora que o povo desceu à rua na Ucrânia já não há gritos de incentivo à insurreição geral. Pelo contrário, reina por ali o temor de que os protestos em Kiev sejam "aproveitados pelas grandes potências para instaurar um regime autoritário piloto na Ucrânia".

Nuns quadrantes, o povo na rua é genuinamente "indignado". Mas na Ucrânia é "fascista". Devia ter ficado em casa em vez de sair à rua. "Quem está a apoiar as milícias fascistas?", interroga-se um temeroso João Labrincha no 5 Dias, que por estes dias está irreconhecível. Chega-se ali ao ponto de haver quem se arrepie por ter visto "manifestantes a dar na polícia" em Kiev. Pela mesma voz que há poucos meses bradava de indignação contra a "força desproporcional" da polícia em Lisboa.

Nas caixas de comentários daquele blogue, vai-se ainda mais longe. Com um horror quase patológico de ver o povo na rua, escreve alguém: "O que se está a passar na Ucrânia faz parte dos objectivos do domínio global por parte do imperialismo. Nada a ver com direitos humanos, democracia ou coisa que se pareça."

Assim se atinge o patamar supremo do cinismo em matéria de opiniões políticas: chamar-se "indignados" a quem protesta nuns países e "fascistas" a quem protesta noutros, consoante conveniências ideológicas ou de trincheira.

Quem assim procede parece que nunca leu Brecht, que tem uns versos aplicáveis à situação actual da Ucrânia: "O povo perdeu a confiança do governo / E só à custa de esforços redobrados / Poderá recuperá-la. Mas não seria / Mais simples para o governo / Dissolver o povo / E eleger outro?"

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Outono quente

por Pedro Correia, em 16.10.13

1. Já existe o canal Parlamento. Ainda não existe o canal Conselho de Ministros. Mas já faltou mais: as fugas de informação cirúrgicas tornam-se generalizadas e ganham a emoção de um relato de futebol. O sentido de Estado parece ter emigrado para parte incerta.

 

2. Difundir informações sem fundamento, causando um inconcebível alarme social, não penaliza só uns: penaliza todos.

 

3. Largar más notícias com abundância pelas manchetes da imprensa e pelos comentadores mais próximos enquanto se gere o silêncio: eis todo um programa de acção.

 

4. Bastam dez pessoas aos berros durante cinco minutos: as redes sociais transmutam a berraria em notícia, validada pelos chamados órgãos "de referência", muitos deles cheios de editoriais contra o "populismo". Meio século depois, nunca Marshall McLuhan esteve tão actual: o meio é a mensagem. Que, pelo efeito de banalização, logo se transforma em massagem.

 

5. Cento e cinquenta mil portugueses trabalham em Angola, nosso principal fornecedor de petróleo. Portugal é o maior parceiro comercial de Luanda. Há 8800 exportadoras portuguesas no mercado angolano, por mais que isso incomode certos aprendizes de feiticeiro. A parceria estratégica, que serve os interesses nacionais, devia ficar à margem da luta partidária. Para não desembocar nisto.

 

6. Taxa sobre produtores de electricidade, anunciada com espavento, vai repercutir-se na bolsa do consumidor. Eduardo Catroga, com notável despudor, já tinha avisado.

 

7. Bastam seis meses para a ambição partidária suplantar o espírito de serviço público? Se não é parece.

 

8. A extrema-esquerda em marcha. Abrindo caminho à extrema-direita: não acreditem que acontece só . Como alertava o PCP quando estava no Governo, em 17 de Junho de 1974, "as formas de luta devem ser cuidadosamente examinadas antes de decididas".

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Democratas da mais fina cepa

por Pedro Correia, em 18.06.12

Algumas reacções ao resultado eleitoral na Grécia:

 

Carlos Vidal, no 5 Dias: «A Nova Democracia hoje parece ter levado o povo grego a um suicídio colectivo para gáudio da untuosa obesa que dirige a Alemanha.»

 

Bruno Carvalho, no 5 Dias: «Apesar de não ser um bom resultado [4,4%], o KKE [partido comunista grego] consegue, em parte, aguentar a chantagem do voto útil no Syriza e dos ataques da imprensa.»

 

Renato Teixeira, no 5 Dias: «É à esquerda que se deve aproveitar o pouco tempo ganho com mais seis semanas de intifada grega.»

 

Tiago Mota Saraiva, no 5 Dias: «Venceu o medo.»

 

Carlos Vidal, no 5 Dias: «Espero que o povo grego ocupe as ruas JÁ, não permita os crápulas da ND tomarem o poder, nem tentarem governar/formar governo. A justiça tem de se sobrepor à “democracia”. Nem que seja a ferro e fogo.»

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A febre dos fenos de fachada radical

por Pedro Correia, em 12.05.12

Além do camarada Carlos Vidal, também o Renato Teixeira necessita com urgência de anti-histamínicos. Consequências desta "Primavera global", com tanto pólen de gramínea pseudo-revolucionária aí à solta.

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A febre dos fenos de fachada radical

por Pedro Correia, em 04.05.12

Todos os anos, pela Primavera, o camarada Carlos Vidal precisa de tomar anti-histamínicos. Desta vez deu-lhe mais forte.

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A extrema-esquerda lava mais branco

por Pedro Correia, em 21.11.11

O Renato Teixeira ficou a espumar de raiva com os resultados eleitorais em Espanha: "Os maiores terroristas do Estado Espanhol estão de regresso ao poder." Comparando fraudulentamente a ditadura de Franco com a actual democracia representativa espanhola que acaba de dar voz aos cidadãos nas urnas. Logo ele, que ainda há poucos dias se tinha insurgido contra a "suspensão da democracia na Grécia".

Não conheço na actual blogosfera portuguesa ninguém que se equivoque tanto nos conceitos políticos: para ele, democracia é ditadura e vice-versa. A baralhação deste radical pequeno-burguês de fachada socialista chega ao ponto de o levar a branquear o totalitarismo nazi, comparando favoravelmente Hitler com o Estado de Israel: "As principais vítimas do holocausto estão prontas para superar o mestre."

Extraordinário, este sucedâneo de Omo da extrema-esquerda, que vai soltando suspiros nostálgicos pelo Muro de Berlim enquanto sonha com a "ocupação das fábricas, das escolas, dos meios de produção e de comunicação", além do inevitável "cerco ao Parlamento", entre visões alucinogéneas do Palácio de Inverno em Petrogrado nos idos de 1917.

Partindo naturalmente do princípio que para um verdadeiro revolucionário "a resposta não está no amor, nos beijinhos ou nos abraços". Essa deriva burguesa fica reservada para os textos e comentários polvilhados de marialvismo esquerdista. O que querem? A velha tradição latina ainda é o que era e a revolução pode sempre esperar.

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Assim está bem

por Pedro Correia, em 22.12.10

Ter a cabeça em Teerão dá nisto: não se perceber nada do que aqui se escreve. Eu vou explicar mais de-va-gar. O termo "consensual", proferido por qualquer outra pessoa, seria um elogio. Mas torna-se insultuoso precisamente por vir do Renato Teixeira. Porque qualquer elogio do Renato Teixeira é sempre pior do que o pior dos insultos.

Acabo de saber que afinal optou pelo insulto: nada de novo debaixo do sol. É muito melhor assim.

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Um assassinato menos reprovável

por Pedro Correia, em 16.06.10

Excerto de um diálogo travado numa caixa de comentários, nada vicentina, do blogue 5 Dias:

 

JDC - O assassinato de uma criança israelita é menos reprovável que o de uma criança palestiniana? Isto significa que o valor da vida de uma criança depende do lado da barricada?

Renato Teixeira - JDC, é inexorável, é triste, mas é mesmo assim.

 

Para que não restem dúvidas: há mesmo quem considere que o valor da vida de uma criança depende do lado da barricada.

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