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Mariano Gago

por Sérgio de Almeida Correia, em 18.04.15

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(16/5/1948 - 17/4/2015)

Podemos ser enormes sem precisarmos de deixar de ser como somos.

 

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Uma mulher

por Sérgio de Almeida Correia, em 09.03.15

 

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Uma lição

por Pedro Correia, em 13.01.15

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Na gala em Zurique onde ontem Cristiano Ronaldo recebeu a terceira Bola de Ouro da sua carreira (já tinha sido galardoado em 2008 e 2013), perguntaram-lhe qual foi o melhor golo da sua carreira.

Resposta imediata do nosso campeão: «O próximo.»

Nesta resposta percebe-se bem o que leva Ronaldo a superar todos os obstáculos. Em vez de contemplar o passado, como é hábito entre os portugueses, fixa sempre novos objectivos a conquistar no futuro.

Uma lição para todos nós.

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Será isto o que nos espera?

por Sérgio de Almeida Correia, em 06.02.14

Em quaisquer circunstâncias, a indiferença foi sempre um estado de espírito ou uma atitude que me assustou. Somos feitos de matéria, temos vontade, aparentemente pensamos e somos seres capazes de tomarmos decisões, o que nos distinguiria de outras espécies que ocupam o mesmo espaço neste planeta onde habitamos. As imagens do vídeo que aqui trago, divulgado pelo La Reppublica, não devem ser vistas como um mero caso de violência urbana numa cidade que tem fama, injustamente para muitos dos seus cidadãos, de ser um dos locais de acolhimento dos camorristas. O roubo por esticão vulgarizou-se por todo o lado, a falta de segurança não é um exclusivo de Nápoles, a violência faz parte do quotidiano de muitos países, Portugal não foge à regra. Os relatos diários de alguma imprensa confirmam-no. Fosse por isso e não vos traria aqui estas imagens. O que me leva a convocar-vos para as verem é o facto de perante uma cena como a que foi filmada e presenciada por algumas dezenas de pessoas, a única que saiu em defesa da vítima foi, imagine-se, um jovem emigrante. No caso tratou-se de um pedinte de origem africana, aquilo a que muitos entre nós chamam um "sem abrigo". De todos os que ali estavam naquele momento talvez fosse aquele que tinha mais a temer pelas consequências, pela origem, pelo estigma da cor da pele. Porém, foi ele o único que se levantou, que ofereceu resistência, que se indignou, que cumpriu um dever de cidadania sem que esta lhe seja conferida. Para tantos que hoje gritam contra a emigração, contra a presença de estrangeiros, que culpam os outros pela crise, pela falta de empregos, pelos salários baixos, e que insistem em fechar as fronteiras enquanto olham de soslaio e com desdém para os que fogem a um destino de miséria e tentam encontrar na Europa o que lhes foi negado na terra de onde provavelmente nunca teriam querido sair, estas imagens devem obrigar a uma reflexão. Sei que esta não mudará quase nada no nosso dia-a-dia, mas talvez possa ajudar-nos a olhar para alguns que connosco se cruzam com outros olhos. O outro somos nós. A vítima também.    

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Nós o povo

por João André, em 29.01.14

Eis um exemplo que deveríamos importar. Assim de repente consigo pensar logo numa série de nomes que adicionaria a uma petição semelhante, arriscava-me era que depois se tornassem juízes em causa própria.

 

Por outro lado, num mundo dos avatares inventados também é possível imaginar o governo a criar a petição para a expulsão de todos os reformados e desempregados do país.

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O que faria Francisco Sá Carneiro?

por Pedro Correia, em 12.07.13

 

Trataria, desde logo, de clarificar a situação. Abandonando ambiguidades e consensos pastosos, que nada resolvem e tudo complicam.

Apresentaria uma moção de confiança no Parlamento. Que separasse águas e tornasse evidente a legitimidade política do Governo na única sede perante a qual é politicamente responsável à luz do que estipula a nossa lei fundamental: a Assembleia da República.

A política, para ser eficaz, exige clareza.

Um gesto destes perturbaria o tacticismo pessoal de alguns vultos majestáticos ocupados em escrever livros de memórias antes do tempo? Talvez.

Paciência. A democracia é assim.

 

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Pois

por Patrícia Reis, em 02.03.13

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Cavaco devolve 75% do dinheiro da campanha

por Laura Ramos, em 19.02.11

 

Evidentemente que é obrigatório.

Evidentemente que decorre da lei.

Evidentemente que talvez nem merecesse ter destaque.

Mas merece.

Porquê?

 

Simplesmente porque não gastou e podia tê-lo feito.

 

Declarou que o estado da Nação não lhe permitia uma campanha perdulária. E não a fez.

Recomendou aos seus apoiantes, urbi et orbi, uma intransigente contenção nos actos de aplauso e nas reuniões de propaganda, e cumpriu.

Anunciou que não faria outdoors. E não fez.

Escolheu jantares em locais sem brilho, quase inóspitos, a lembrar os tempos da crise de meados de 80 (quando nos afundávamos também num duplo perigo de ruína financeira e de alienação partidária). E arrancou as palmas mais sentidas quando se referiu ao respeito pelos portugueses e à elementar exigência de moralidade nos gastos que era requerida aos poderes públicos (sim, eu vi toda esta insidiosa perseguição ao voto, galopante...).

 

Não há autoridade sem exemplo.

Mas neste caso, infelizmente tão isolado, tivemos uma pequena lição.

Não gostam do termo, ó subalimentados do bom senso?

Pois é... mas isto não é demagogia: - é dinheiro sonante que voltou aos cofres do Estado e não nos vai ser arrancados dos bolsos.

 

- Já agradeceram?

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Decência

por Ana Vidal, em 04.11.10

SERES DECENTES


Fernando Dacosta

Tempo Livre | OUT 2008

 

Quando cumpria o seu segundo mandato, Ramalho Eanes viu ser-lhe apresentada pelo Governo uma lei especialmente congeminada contra si.

 

O texto impedia que o vencimento do Chefe do Estado fosse «acumulado com quaisquer pensões de reforma ou de sobrevivência» públicas que viesse a receber. Sem hesitar, o visado promulgou-o, impedindo-se de auferir a aposentação de militar para a qual descontara durante toda a carreira. O desconforto de tamanha injustiça levou-o, mais tarde, a entregar o caso aos tribunais que, há pouco, se pronunciaram a seu favor. Como consequência, foram-lhe disponibilizadas as importâncias não pagas durante catorze anos, com retroactivos, num total de um milhão e trezentos mil euros. Sem de novo hesitar, o beneficiado decidiu, porém, prescindir do benefício, que o não era pois tratava-se do cumprimento de direitos escamoteados - e não aceitou o dinheiro.


Num país dobrado à pedincha, ao suborno, à corrupção, ao embuste, à traficância, à ganância, Ramalho Eanes ergueu-se e, altivo, desferiu uma esplendorosa bofetada de luva branca no videirismo, no arranjismo que o imergem, nos imergem por todos os lados. As pessoas de bem logo o olharam empolgadas: o seu gesto era-lhes uma luz de conforto, de ânimo em altura de extrema pungência cívica, de dolorosíssimo abandono social. Antes dele só Natália Correia havia tido comportamento afim, quando se negou a subscrever um pedido de pensão por mérito intelectual que a secretaria da Cultura (sob a responsabilidade de Pedro Santana Lopes) acordara, ante a difícil situação económica da escritora, atribuir-lhe. «Não, não peço. Se o Estado português entender que a mereço», justificar-se-ia, «agradeço-a e aceito-a. Mas pedi-la, não. Nunca!»


O silêncio caído sobre o gesto de Eanes (deveria, pelo seu simbolismo, ter aberto telejornais e primeiras páginas de periódicos) explica-se pela nossa recalcada má consciência que não suporta, de tão hipócrita, o espelho de semelhantes comportamentos. “A política tem de ser feita respeitando uma moral, a moral da responsabilidade e, se possível, a moral da convicção”, dirá. Torna-se indispensável “preservar alguns dos valores de outrora, das utopias de outrora”. Quem o conhece não se surpreende com a sua decisão, pois as questões da honra, da integridade, foram-lhe sempre inamovíveis. Por elas, solitário e inteiro, se empenha, se joga, se acrescenta - acrescentando os outros. “Senti a marginalização e tentei viver”, confidenciará, “fora dela. Reagi como tímido, liderando”. O acto do antigo Presidente («cujo carácter e probidade sobrelevam a calamidade moral que por aí se tornou comum», como escreveu numa das suas notáveis crónicas Baptista-Bastos) ganha repercussões salvíficas da nossa corrompida, pervertida ética. Com a sua atitude, Eanes (que recusara já o bastão de Marechal) preservou um nível de dignidade decisivo para continuarmos a respeitar-nos, a acreditar-nos - condição imprescindível ao futuro dos que persistem em ser decentes.

 

Nota: Repesquei esta crónica sobre o General Ramalho Eanes porque me parece importante relembrar atitudes de "seres decentes", nos dias que correm. Habituámo-nos, em tempos, a gozar-lhe a pronúncia ou a desdenhar-lhe a postura militar. Mas, muito mais importantes do que essas minudências, são a dignidade e a verticalidade que sempre demonstrou ter. Sobretudo num país que nos dá, diariamente, sinais de afrontar ou ignorar olimpicamente virtudes tão difíceis de cumprir. É justo evocarmos as honrosas excepções, e é bom que nos fiquem na memória.

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