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GAMAR PELOS DOIS

por Rui Rocha, em 14.05.17

GAMAR.png

Se um dia alguém perguntar por mim
Diz que vivi p’ra gamar
Antes de ti, só existi
Cansado e sem nada p’ra dar

 

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que voltes a querer
Eu sei que não se gama sozinho
Talvez devagarinho me possam voltar a prender

 

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que voltes a querer
Eu sei que não se gama sozinho
Talvez devagarinho me possam voltar a prender

 

Se o teu coração não quiser ceder
Não sentir paixão, não quiser sofrer
Sem fazer planos do que virá depois
Meu Carlinhos, posso gamar pelos dois

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Portugal está fora do Festival da Eurovisão 2016.

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O tema da austeridade tem polarizado a discussão política em Portugal. Todavia, um outro igualmente relevante tem ficado, estranhamente, na sombra. Na verdade, se não faltam pungentes chamamentos que sublinham a necessidade de fazer frente à Europa para derrotar as políticas austeritárias (é ver os vibrantes discursos de Sampaio da Nóvoa, de António Costa e dos protagonistas à esquerda, em geral), poucas ou nenhumas vozes se levantam para exigir uma mudança à Eurovisão. E se há matéria em que temos sido humilhados, enquanto Nação, ano após ano, é a do Festival da Canção. Ora isto não é, não pode ser, um fatalismo. O desafio é enorme, mas o estado de coisas pode ser mudado. Aqui, como no tema da austeridade, existe um problema técnico que deve ser resolvido. Se é verdade que a própria configuração da Zona Euro e dos mecanismos da moeda única são, por natureza, desfavoráveis aos países periféricos, exigindo-se medidas que contrabalancem as ineficiências estruturais da União Monetária, é igualmente certo que as regras do Festival da Canção são completamente inadequadas à realidade portuguesa. Para melhor percebermos do que aqui se fala, recorro ao enquadramento teórico das vantagens competitivas de Porter: o que determina a capacidade competitiva de um país não é o que o país produz, mas o quão sofisticado e produtivo é esse país a fazer o que faz. Ora, o problema é que nós não somos competitivos a fazer concursos. As coisas são o que são e os concursos não são a nossa praia, lá está, não são a nossa zona de conforto. Urge, portanto, uma proposta política que ponha as pernas a tremer aos senhores da Eurovisão. Uma voz que exija mudança, que ameace partir os dentes aos burocratas do Festival da Canção. Queremos ser felizes, queremos ver as nossas canções cantadas por essa Europa fora, queremos boas pontuações. E queremos vitórias. Deus, como queremos vitórias. É assim imperioso que o Festival da Canção, tal como o conhecemos, seja substituído de imediato por um modelo com regras novas, adequadas à nossa realidade. É preciso que o actual sistema de concurso dê lugar a um outro em que somos absolutamente proficientes e em que temos cabais provas dadas de capacidade competitiva. Falo, naturalmente, de substituir, de forma irrevogável, o concurso pelo ajuste directo.

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Mas para o ano a vitória no Eurofestival não falha. Temos um concorrente com os atributos necessários

e uma já vasta experiência

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As avózinhas que representam a Rússia no Festival da Canção são uma delícia. E a babushka mais baixinha é mesmo um encanto:

 

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O momento alto

por João Campos, em 12.03.11

 

Lordi (Finlândia), Hard Rock Hallelujah, os vencedores da Eurovisão em 2006. Provavelmente, a actuação mais original e a melhor música da história daquele festival (é por estas e por outras que continuo a dizer que devíamos mandar à Europa os Blasted Mechanism). 

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