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Pós-eleitoral (3)

por Pedro Correia, em 27.05.14

1. Primeira decisão pós-eleitoral do PCP: o anúncio da sexta moção de censura a este governo. Uma decisão que Passos Coelho agradece: fragilizado nas urnas domingo à noite, robustecido no Parlamento daqui a uns dias, graças à boleia comunista. Destinada sobretudo a obscurecer ainda mais o frágil triunfo do PS. Há coisas que nunca mudam na esquerda portuguesa.

 

2. Espantam-se alguns com a débil expressão eleitoral do Partido Socialista. Falta acrescentar que seria ainda mais estreita sem o oportuno empurrãozinho que lhe deu António Capucho. Nem quero imaginar o que seria de António José Seguro sem este apoio.

 

3. Ou muito me engano ou virão aí alterações à anacrónica lei eleitoral que concede todo o poder de composição e ordenamento das listas aos directórios partidários e nenhum aos cidadãos. Acossado, o chamado "arco da governação" vai tentar enfim aproximar eleitos de eleitores - embora o tiro, já tardio, possa sair-lhe pela culatra.

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Ler os outros

por Pedro Correia, em 27.05.14

Pedro Magalhães: «PSD e CDS têm, em conjunto, menos 12,4% que nas anteriores europeias (quando estavam na oposição).»

 

Paulo Gorjão: «O PS ganhou mas é um partido cada vez mais intranquilo e que pressente um desaire em 2015.»

 

Rodrigo Adão da Fonseca: «A vitória de António José Seguro foi tão colossal que hoje ligamos a televisão e só dá António Costa, regressado de Alcácer-Quibir.»

 

Vital Moreira: «A decepcionante escassez  da vitória numas eleições em que tudo lhe era favorável deixa pouca margem ao PS para uma vitória robusta nas legislativas.»

 

Sofia Loureiro dos Santos: «Temos que acabar de vez com esta pseudo política pseudo humana e pseudo simpática de pseudo corações em pseudo líderes.»

 

Paulo Pedroso: «É patético que o PS pense que pode, a partir desta base e neste contexto, fazer uma campanha assente na reivindicação de uma maioria absoluta.»

 

Luís Novaes Tito: «António José Seguro teve a coragem de avançar quando todos se esconderam e preferiram calcular as suas vidinhas futuras, fugindo às responsabilidades de suceder na oposição a um desaire eleitoral.»

 

João Pedro Pimenta: «As consequências imediatas parecem estar a atingir, antes de mais, o PS. Quando é que um partido vencedor registou tal convulsão interna?»

 

Luís Naves: «Os partidos profissionais de poder tiveram resultados miseráveis.»

 

Maria João Marques: «Apetece perguntar ao PSD e ao CDS: de que vos (e nos) valem os fracos resultados do PS, se perderem o juízo?»

 

Mr. Brown: «Esta luta taco a taco entre PSD+CDS e PS só é possível por um motivo: não há quem apareça a colocar no mapa um novo partido de direita.»

 

Rui Albuquerque: «Os 7% de votos na lista de Marinho Pinto são um protesto contra o sistema político e aquilo que os eleitores entendem ser a corrupção da classe política.»

 

Porfírio Silva: «Não vale a pena querer substituir a luta política pela tentação de mudar de povo.»

 

Joana Lopes: «O Bloco bem pode arrumar as ideias e a casa, rapidamente e em força.»

 

Filipe Nunes Vicente: «Rui Tavares perdeu o lugar de eurodeputado, o Bloco perdeu dois. Mais uma ou duas uniões de esquerda e o PCP fica com bar aberto.»

 

João Rodrigues: «As acusações de populismo, a palavra preferida de certas elites, e de eurocepticismo valem bem a tarefa para uma esquerda que não anda a dormir e que sabe que não há mais tempo a comprar.»

 

João Gonçalves: «Tudo somado, entrámos no pântano que Guterres, em Dezembro de 2001, pretendeu evitar com a sua lúcida demissão.»

 

José Gabriel: «A abstenção como total demissão de intervir – e não ignoro que muitos dos que se abstêm têm plena consciência disto e não procuram desculpas, pois que a sua decisão é pensada – é uma ilusão.»

 

António Pais: «Quem não avançar agora, exigindo uma clarificação e submetendo aos militantes dos respectivos partidos (e por arrasto aos restantes cidadãos) o seu projecto, é tão cobarde como os actuais chefes.»

 

(actualizado)

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Frases de 2014 (14)

por Pedro Correia, em 26.05.14

«Este Governo acabou.»

António José Seguro, ontem à noite

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Brevíssimas

por Pedro Correia, em 26.05.14

O Bloco, com liderança bicéfala, perde duplamente.

Seguro teve um triunfo esmagador. Na projecção do socialista Oliveira e Costa.

Marinho Pinto começou a ganhar o lugar na Europa no dia em que venceu Moura Guedes na TVI.

O PCP, coerente como sempre, vai manter a letra J. Jerónimo dará lugar a João, não tarda muito.

Passos e Portas não irão coligados em 2015. A Aliança Portugal (parte 2) é pequena de mais para nela caberem ambos.

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Noite eleitoral (4)

por Pedro Correia, em 25.05.14

1. Seguro salientou várias vezes, no discurso desta noite, que as europeias foram ganhas pelo PS. Cada vez que dizia isto conseguia diminuir um pouco mais a dimensão do seu exíguo triunfo eleitoral. Qual será a necessidade de sublinhar aquilo que parece óbvio?

 

2. José Sócrates apareceu pouco na campanha socialista, mas foi quanto bastou para ser de mais. O PS só ganha em afastar-se da herança socrática se tiver sérias ambições de assumir o governo em 2015.

 

3. Já antes desta derrota o Governo dava claros sinais de desgaste. O escrutínio de hoje torna imperiosa uma remodelação governamental. Quanto mais depressa o primeiro-ministro a fizer mais poderá beneficiar com isso.

 

4. Quem tem razões para sorrir é o Presidente da República, assumido adepto de uma "grande coligação" à moda alemã ou austríaca. O Bloco Central vai fazendo a sua marcha, com uma cadência lenta mas irreversível. Não está ainda inscrito nas urnas, mas já parece escrito nos astros.

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Noite eleitoral (3)

por Pedro Correia, em 25.05.14

1. A enorme taxa de abstenção não permite fazer extrapolações dos resultados desta noite para uma eventual eleição legislativa. A participação eleitoral e a motivação dos votantes é muito superior em legislativas. Só por um monumental erro de gestão política da actual maioria esta legislatura chegará ao fim antes da data prevista.

 

2. João Ferreira, com boa imagem e um discurso populista de esquerda contra o euro, fez nesta campanha o tirocínio para substituir Jerónimo de Sousa como secretário-geral do PCP. Passou no teste.

 

3. A vitória de Seguro, embora menos folgada do que algumas sondagens previam, é suficiente para manter a sua liderança incontestada. Na perspectiva do PSD, esta pode até ser uma das melhores notícias da noite.

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Noite eleitoral (2)

por Pedro Correia, em 25.05.14

1. Rui Tavares surgiu em defesa aberta da quadratura do círculo: fracturou ainda mais a esquerda em nome da unidade da esquerda. No entanto, a última coisa de que a esquerda necessita é de mais um partido: pelo menos nove que se reclamam desta área política concorreram à eleição de hoje. Não admira, portanto, que a Livre papoila tivesse murchado nesta sua noite de estreia eleitoral.

 

2. O Bloco apela, como mais ninguém, à ética da responsabilidade. Mas esta lógica só parece funcionar para os outros. Intramuros, os bloquistas continuam sem retirar as devidas ilações das sucessivas derrotas que vêm sofrendo nas urnas. Será que o farão agora, quando foram a única força política de esquerda a recuar nas urnas, com menos de metade da votação conseguida em 2009 e só com um terço do número de eleitos nesse ano?

 

3. É evidente que a CDU capitalizou o essencial do voto de protesto. Que só surpreende por ficar aquém do que quase todos previam após três anos de duríssimas medidas de austeridade impostas pelo memorando de entendimento. Falta aos comunistas dar o passo seguinte: como transformar o protesto em contributo para uma futura maioria governamental? Basta perguntarem aos camaradas espanhóis, que já puseram isso em prática na Andaluzia.

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Noite eleitoral (1)

por Pedro Correia, em 25.05.14

1. Castigo pesado da coligação no Governo. O pior resultado de que há memória para o PSD em coligação com o CDS. Fica bem evidente que certas somas apenas servem para subtrair: repetir em legislativas a fruste coligação eleitoral das europeias será mais um erro político a somar a tantos outros. Resta ao centro-direita procurar captar parte dos seus eleitores tradicionais que desta vez optaram pela abstenção.

 

2. "Reconciliámo-nos com o País", declarou o cabeça de lista do PS, Francisco Assis. Com um sorriso nada triunfalista, o que é prova de saudável prudência. Os socialistas venceram. Mas, muito aquém dos 44% conquistados por Ferro Rodrigues nas europeias de 2004, estão longe de convencer boa parte do eleitorado. E não conseguiram criar nenhuma onda avassaladora que lhes permita reclamar legislativas antecipadas. Cada coisa a seu tempo.

 

3. A CDU combateu com êxito a tendência abstencionista, mobilizando o seu eleitorado. Obtém um dos melhores resultados de sempre em europeias, consolida-se como terceira força política e quebra a dinâmica de vitória do PS, cumprindo assim o seu principal desígnio estratégico numa eleição que potencia o voto de protesto como nenhuma outra.

 

4. O BE afunda-se. E não pode culpar os jornalistas: teve muito mais cobertura mediática do que o MPT, que ficou claramente à sua frente. Deve antes culpar-se a si próprio. Por ser Bloco só de nome (teve duas dissidências, pela esquerda e pela direita). Pela liderança bicéfala que escolheu como se padecesse de crise de identidade. E por funcionar como cópia do PCP, esgotando-se em acções de protesto. O original é sempre preferível à cópia: só Alfredo Barroso parece ter-se convencido do contrário.

 

5. Em noite de europeias, há comentadores residentes nas pantalhas que não fazem ideia quantos deputados tem o Parlamento Europeu. Alguns, estranhamente, até parecem fazer gala nisso. Espero que as televisões se lembrem deles na próxima vez em que decidirem fazer uma daquelas reportagens de rua com perguntas de algibeira destinadas a provar que o povo é ignorante...

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Um dos vencedores da noite

por Pedro Correia, em 25.05.14

 

António Marinho Pinto -- sem dinheiro, sem estrutura de apoio, sem máquina de campanha, quase sem cobertura jornalística, com uma sigla partidária ignorada até há dias por quase todos os portugueses -- ultrapassa o Bloco de Esquerda, que dispôs de amplos holofotes mediáticos. É eleito eurodeputado, como aqui previ a 26 de Janeiro, e pode até ver o MPT eleger um segundo representante para o Parlamento Europeu.

Mais que nunca, este resultado comprova que o quadro político português está pronto a ser reorganizado. Só precisa mesmo de alguém com talento oratório e comprovada capacidade de mostrar alguma diferença para mobilizar um importante fragmento da legião de descontentes, fartos de promessas traídas e das palavras já gastas pelo uso.

Dir-se-á que isso é negativo por representar o triunfo do populismo. Muito mais negativo é haver quase dois terços de eleitores que não reconhecem mérito suficiente a 16 forças eleitorais para confiarem o voto a qualquer delas.

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E depois de votar

por Patrícia Reis, em 25.05.14

 

O  meu filho mais velho votou hoje pela primeira. Consciente do que fazia. Informado. A escola onde votámos estava vazia. A abstenção parece que vai vencer, mais uma vez, estas eleições. É muito triste. Depois pergunto-me: será que a minha avó sabe exactamente o que faz um deputado europeu? Que responsabilidades tem? Que diferença faz? Talvez não. Como ela, existirão muitos, digo eu. Culpa dos partidos e, mea culpa solidária com quem é da profissão, dos jornalistas. Os americanos aprenderam o sistema político que têm com uma série televisiva, "Os Homens do Presidente". Os europeus também agradeceram essa oportunidade. Cá quem explica o quê? Neste dias, apesar de me saber longe das redacções, penso que gostaria de voltar ao jornalismo. É um sentimento que dura um nanosegundo. Vejo os jornais e tenho pena. Vejo os jornais na televisão - começam com o Palito (um caso triste, claro, mas há destes todos os dias no CM e no JN) e depois as malas dos jogadores do país vizinho. As grelhas televisivas são iguais, é a contra-programação e o serviço público está nas mãos de comentadores que, há anos, vivem disso: comentar. À saída da escola onde votámos estavam dois bombeiros, um homem, uma mulher. Tinham uma maca e estavam a fazer um peditório para os Bombeiros de Moscavide. Eu tirei uma nota do bolso. A maca estava cheia de moedas. Tive vergonha de ter uma nota para dar. É triste? Sim, é a minha tristeza. 

 

(Sérgio, desculpa repetir a tua imagem, mas é tão certeira que não resisto)

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Eu queria reflectir!

por Helena Sacadura Cabral, em 24.05.14

Eles mandam reflectir. Eu queria reflectir. Mas não tem sido possível porque não tenho feito outra coisa que não seja "topar" com espanhóis que me perguntam onde ficam os Jerónimos e os pasteis de Belém.
Eu queria reflectir mas meti-me no carro e não passei da segunda velocidade tal a fila de trânsito que reflectia a quantidade de vizinhos que aqui se encontram.
Eu queria reflectir e por isso decidi ir à Basílica da Estrela para encontrar algum sossego. Mas nem aí pude faze-lo porque o corrupio de visitantes não deu tréguas ao meu esforço.
Eu queria reflectir mas a família decidiu que era na minha casa que se jantava e via o jogo. Assim tive que me pôr à cozinha, para dar de comer a dois jovens que não sei onde armazenam o que ingerem, mas sei que comem muito.
Eu queria reflectir mas depois do jogo vai ser difícil porque a minha malta deve querer ir ver o povo nas ruas e eu tenho que, antes, arrumar a cozinha.
Eu queria reflectir...mas sou o reflexo da fadiga que provocam sempre estes dias de reflexão!

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Somos uns epitetólogos*

por Helena Sacadura Cabral, em 15.04.14


Os que me conhecem sabem que não alinho em partidarites, sejam elas de que natureza forem. Não posso, não consigo. Só tenho uma cabeça e só por ela me guio, embora goste muito de ouvir opiniões diferentes das minhas.

Mudo muito? No básico, pouco. Mas no olhar que lanço sobre o mundo que me rodeia mudo sempre que reconheço aos outros a capacidade de me convencerem. Não tenho qualquer pejo em me declarar errada e dar conta pública disso - se for o caso -, porque duvido que alguém se mantenha inalterável ao longo dos anos.

Mas procuro sempre não qualificar, não apelidar, não fazer juízos de valor sobre o adversário, que tento não considerar um inimigo. Enfim, sou o que se apelida de uma pessoa educada. Aprendi isso ao longo da vida com a diversidade ideológica que caracterizou sempre a família onde nasci. Do lado materno nove irmãos, do lado paterno doze. Tudo gente que pensava por si e deu exemplo de respeito pelas cabeças dos outros.

Lembrei-me disto a propósito dos quarenta anos da revolução de Abril. Muitos já nasceram depois dela e por isso o que sabem é o que lhes transmitem os seus, o ensino ou a investigação. Os restantes, que a viveram, continuam, quatro décadas depois, a usar, para qualificar os que não pensam como eles, termos cujo significado já pertence à história da carochinha.

De facto, quem em 1974 tivesse 20 anos, terá agora 60. Haverá alguma lógica em epítetar estas pessoas pelo que eram na sua juventude? Será que em quatro dezenas de anos não teremos todos mudado muitíssimo?

Fico sempre muito impressionada quando leio a opinião de gente que ocupou cargos de responsabilidade, qualificar da forma mais deselegante, quem não pensa do mesmo modo. Mas se alguém quer levar o outro a mudar de opinião, será pela agressão verbal que o conseguirá?

Vamos entrar numa campanha europeia que devia ser esclarecedora daquilo que está em causa para Portugal e para a Europa. Já estão todos engalfinhados a fazer propaganda para... as legislativas. E depois, admiram-se da abstenção!

Os portugueses podem não ser os mais instruídos da Europa, podem não ser muito politizados, podem até ser instrumento partidário. Mas a maioria deles tem um enorme bom senso e sabe o que quer. Sabe castigar e sabe louvar. Basta que pensemos neles e no país, muito antes de pensar na ambição política. E isto vale tanto para o governo como para a oposição.

Ah! e sejam educados, por favor. Dêem um exemplo de civilidade e de cidadania!


*Não sei se a palavra existe. Mas se Assunção Esteves cria eu também posso fazê-lo!

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Elementar matemática política

por Pedro Correia, em 14.04.14

coligações que subtraem em vez de somar.

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Vale tudo

por Sérgio de Almeida Correia, em 06.03.14

Mas isto é sério? E se o Francisco Assis lhe respondesse na mesma moeda, "twitando"? É assim que se deve tratar a política? É assim que se debatem ideias e se apresentam projectos?

Espero que o gajo não esteja a pirar com o convívio e que tudo não tenha passado de um mau momento. Para vender na feira da ladra também é preciso aprender primeiro algumas coisas antes de se estender o pano. Nem todos os eleitores são mentecaptos.

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Estarão a pensar o mesmo que eu?

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.01.14

 A sondagem relativa a Portugal é da Aximage e saiu no Jornal de Negócios. A outra é do El Pais e reflecte a situação em Espanha. Ambas dizem respeito ao mesmo tema, isto é, as europeias. Mas se esses resultados se confirmassem dos dois lados da fronteira, há um partido em que aqueles seriam de muito difícil digestão para os seus militantes, e em que aposto que a situação se tornaria deveras complicada para a sua liderança. Qual será o partido? 

 

 

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Quanto mais fala menos diz

por João Carvalho, em 15.07.09

Ainda sobre as duplas candidaturas, Sócrates sentiu-se obrigado a dizer que as candidaturas de Ana Gomes e Elisa Ferreira ao Parlamento Europeu foram «uma afirmação superior» – seja lá o que isso for – mas que as duas polémicas candidaturas actuais às autárquicas constituem «a prioridade política» de ambas. Chama-se a isto falar sem dizer nada. Vejamos.

 

1. Explicar que a escolha daquelas duas figuras para eurodeputadas foi «uma afirmação superior» inferioriza certamente muitas outras figuras destacadas do PS. A menos que não as haja.

2. Aceitar que Ana Gomes e Elisa Ferreira são candidatas a duas autarquias com as eleições autárquicas à vista só pode ser «a prioridade política» das duas. Por muita imaginação que houvesse, ninguém descortinaria coisa diferente.

3. Fazer-se esquecido para não dizer se elas ficam como simples vereadoras se não obtiverem maiorias é insistir na visão oblíqua de que somos todos parvos. Começa a ser maçador ter de ouvir permanentemente afirmações enviezadas como se de grandes declarações se tratasse.

 

Em suma: Sócrates pode continuar a dizer o que muito bem entender; como sempre acontece quando os assuntos são muito incómodos, quanto mais fala, mais se enterra.

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Inesperadamente, Sócrates quis esfriar a polémica fora do PS e abriu a polémica dentro do partido: impediu as candidaturas duplas às legislativas e às autárquicas, estragou o sonho de alguns candidatos socialistas e salvou os seus pares já com lugar assegurado no Parlamento Europeu (PE) e que levam em frente as suas candidaturas a autarcas.

Não admira que alguns candidatos duplos do PS estejam a protestar e que outros estejam felizes. Entre os que não cabem em si de contentes estão, por exemplo, Elisa Ferreira, candidata ao Porto, e Ana Gomes, candidata a Sintra, ambas já com assento garantido no PE: a primeira nem encontra palavras para descrever a sua satisfação; a segunda vai dizendo que concorda com a decisão para pôr cobro aos dichotes lançados pela oposição.

Ana Gomes até diz mais: «Neste momento, sou candidata apenas à câmara municipal e, se for eleita, é na câmara que fico; se não for eleita, é no PE que fico em exclusividade». Claro que sim: ela não é também candidata às legislativas, os outros dois cargos à escolha são exercidos em exclusividade e um deles já está no papo. Mas não é bem como ela diz: perder a presidência da câmara de Sintra não é perder a câmara, só que Ana Gomes está visto que desistirá de ser vereadora para ser eurodeputada.

Conclusão: Sócrates acaba com os candidatos duplos, mas não tem mão nos candidatos ambíguos. A única vantagem que retira é a de todos eles lhe mostrarem os dentes. Uns a sorrir, outros a rosnar.

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Europeias (50)

por Pedro Correia, em 15.06.09

 

O PSD VOLTA A SER PPD

 

A vitória eleitoral de Manuela Ferreira Leite, por interposto candidato, esteve longe de ser o passeio triunfal que alguns, sentados de camarote, vislumbraram na blogosfera. A prova? Vinte e quatro horas depois do escrutínio, quem representou o PSD no debate pós-eleitoral da RTP foi Pedro Santana Lopes. Precisamente o maior derrotado nas eleições internas de 2008 - o homem contra quem Ferreira Leite e cavaquistas, enojados, andavam a clamar desde 2004, verbalmente e por escrito. Há regressos que dizem tudo sobre um programa - e sobre a capacidade de regeneração de um partido que ambiciona voltar às luzes e aos lustres dos grandes dias.

 

ADENDA: Com este texto concluo um conjunto de cem postais sobre as europeias iniciado em 14 de Abril e subdividido em três séries: Europeias (50), Vencedores (30) e Derrotados (20). Daqui a algum tempo inicio outra, intitulada Legislativas.

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Derrotados (20)

por Pedro Correia, em 15.06.09

 

ABSTENÇÃO: UM ESPECTRO NA EUROPA

 

Um espectro percorre a Europa. Mas não é o espectro do comunismo de que falava o velho Marx. Nem sequer o dos socialistas, que respondem à crise – a todas as crises – com o aumento do peso do Estado. Nem o dos ‘neoliberais’, esses tigres de papel que tremem ao primeiro abalo de uma bolsa de valores. O espectro que percorre a Europa é o da demissão cívica, que atingiu nestas eleições níveis gigantescos um pouco por todo o continente, desacreditando esse farol da democracia que se chama União Europeia. De Paris a Praga, de Madrid a Riga, de Lisboa a Haia, a maioria dos eleitores virou costas às urnas, acabando por votar com os pés.
O que nos disseram esses militantes da abstenção sobre o fabuloso ‘projecto europeu’, maravilha fatal da nossa idade? Que lhes é indiferente se o Parlamento se reúne em Bruxelas ou Estrasburgo, se a Comissão perde ou não poderes perante a eurocâmara, se a Turquia entra ou faz que entra, se o Tratado de Lisboa não passa de uma miragem no horizonte, se a Europa funciona a uma ou duas velocidades, se o pacto de estabilidade serve mais para divergir do que para convergir ou se a imortal frase ‘porreiro, pá’ vai sendo repetida em redor de Durão Barroso, servindo-lhe de mote num segundo mandato.
Ninguém quer saber – nem na Grécia, onde o voto obrigatório não evitou que 40% dos eleitores pecassem por falta de comparência às urnas. Os gregos parecem portugueses: decretam normas que depois não são aplicadas nem sequer merecem uma suave sanção. Por lá, como por cá, nada mais relativo do que aquilo que é ‘obrigatório’...
Em 30 anos de votações, esta foi a que contou com menos eleitores, facto que deve fazer reflectir todas as cabeças pensantes no espaço europeu: a prazo, tamanha vaga abstencionista ameaça fazer ruir a democracia representativa à escala do continente.
Como despertar um novo fôlego de cidadania na UE?  As grandes caminhadas arrancam com pequenos passos. Nada melhor, para inverter este ciclo, do que começar por respeitar a vontade dos povos – esses mesmos, os que são consultados em sucessivos referendos até o veredicto que emitem se coadunar com as teses eurocratas. Se no Outono o Tratado de Lisboa voltar a ser chumbado no referendo irlandês, chumbe-se de vez o tratado – não se chumbe a Irlanda.
Publicado no DN

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Vencedores (30)

por Pedro Correia, em 14.06.09

 

Os resultados eleitorais, esbatendo o bipartidarismo em Portugal, reforçam o papel do Presidente da República no eixo central da política portuguesa. Não por acaso, e como aqui se previu há um mês, no rescaldo imediato do escrutínio Aníbal Cavaco Silva vetou as alterações à lei do financiamento dos partidos, indiferente ao facto de ter merecido aprovação quase unânime na Assembleia da República. O poder - e refiro-me ao poder que conta, não às suas máscaras inseridas em mecanismos de propaganda - mede-se por estes gestos. O desfecho das europeias dá-me ainda mais motivos para manter o que escrevi a 25 de Janeiro: este vai ser o primeiro ano que porá verdadeiramente à prova Cavaco Silva enquanto Presidente da República. Um ano em que as questões de fundo pesarão mais do que as questões de forma.

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Derrotados (19)

por Pedro Correia, em 13.06.09

MAIORIA ABSOLUTA

 

José Sócrates confundiu mandato para governar com permissão para o autoritarismo.

 

Asfixiou o debate interno no partido.

Divorciou-se da ala esquerda protagonizada por Manuel Alegre.

Permitiu que figuras como Augusto Santos Silva e Vital Moreira rompessem pontes de diálogo com os partidos à esquerda, procurando por todos os meios desqualificar os adversários políticos.

Rasgou promessas eleitorais, como a do referendo europeu e a da garantia de que não subiria os impostos.

Transformou cada sessão parlamentar, mês após mês, num ajuste de contas com os seus antecessores no Governo.

Elaborou, em Setembro de 2008, o orçamento para este ano sem fazer a mínima ideia da profundidade da crise económica.

Cometeu o erro supremo de hostilizar o Presidente da República em questões como o estatuto dos Açores.

Confundiu o acto de governar com acções de propaganda em sessões contínuas.

Permaneceu indiferente aos sinais de profundo desagrado que lhe chegavam dos mais diversos sectores da sociedade portuguesa.

Esqueceu-se, enfim, que a política é a arte do possível.

 

Tudo devido à maioria absoluta de que dispôs no Parlamento. Não a repetirá.

 

Imagem: interior do Palácio de Versalhes

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Derrotados (18)

por Pedro Correia, em 13.06.09

BLOCO CENTRAL

 

Nas europeias de 2004, PS e PSD (este coligado com o CDS) somaram 77,8% dos votos. Nestas eleições, a percentagem obtida pelos dois partidos encolheu quase vinte pontos: obtiveram apenas 58,3%. O que significa isto? Que o bloco central de que tanto se falou nos últimos meses tem hoje muito menos condições de vingar no País do que tinha há cinco anos. À esquerda e à direita, desenvolvem-se maiorias aritméticas consistentes e alternativas. Resta ver se algumas destas maiorias aritméticas se transforma em maioria parlamentar. O facto é que a expressão 'bloco central' parece agora mais fora de moda que nunca - a tal ponto que ninguém voltou a mencioná-la desde a noite de 7 de Junho. Enfim, um indício de sanidade na vida política portuguesa.

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Derrotados (17)

por Pedro Correia, em 13.06.09

 

 

Dizia-se dantes que a direita francesa era a mais estúpida do mundo. Bem pode hoje dizer-se o mesmo da esquerda francesa, que ainda não conseguiu recuperar da derrota claríssima infligida por Nicolas Sarkozy a Ségolène Royal nas presidenciais de Maio de 2007, em que praticamente só Ana Gomes, confundindo desejos com realidades, vaticinava a vitória da candidata socialista. Depois disso, Ségolène e Martine Aubry envolveram-se numa luta fratricida para tomar as rédeas do partido do falecido François Mitterrand que a segunda ganharia por um punhado de votos. Os eleitores, cada vez mais enfastiados com estas guerras de Alecrim e Manjerona, penalizaram duramente o PSF.

"De nada servirá minimizar a amplitude da nossa derrota apontando outros períodos mais dolorosos da nossa história", reconheceu Aubry, numa lúcida autocrítica que não teve paralelo em todos os derrotados nestas europeias. Fica-lhe bem esta humildade: afinal os socialistas ficaram 12 pontos percentuais abaixo da UMP de Sarkozy e tiveram apenas mais 0,2% do que os ecologistas de Daniel Cohn-Bendit: uns humilhantes 16,48%. Um autêntico naufrágio, na justa definição de Les Ecos. E o segundo pior resultado de sempre dos socialistas franceses em 30 anos de eleições europeias.

Et maintenant? Não custa adivinhar que Aubry e Royal prosseguirão a sua contenda pessoal, continuando a dar todo o palco ao casal Sarkozy-Carla Bruni, pronto a amealhar novas vitórias. La France a la gauche plus bête du monde.

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Vencedores (29)

por Pedro Correia, em 12.06.09

 

A vitória da direita um pouco por toda a UE garante a recondução como presidente da Comissão Europeia de José Manuel Durão Barroso, que acaba assim por ser um dos triunfadores destas europeias. Confortado com os votos antecipados do PSD de Manuela Ferreira Leite, do PP de Mariano Rajoy (Espanha), do Partido Conservador de David Cameron (Reino Unido), do Povo da Liberdade de Silvio Berlusconi (Itália), da CDU de Angela Merkel (Alemanha), da UMP de Nicolas Sarkozy (França) e da Plataforma Cívica de Donald Tusk (Polónia), entre muitos outros.

Alguém aí falou em onda conservadora? Pois é isso mesmo. E Barroso faz surf nela.

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Derrotados (16)

por Pedro Correia, em 12.06.09

 

A arrogância sai derrotada deste escrutínio europeu. Uma arrogância bem expressa nestes 20 segundos de declarações de Vital Moreira à Antena 1, no passado dia 1, sobre o seu rival Paulo Rangel em que procurava justificar a sua incompreensível falta de acordo para um frente-a-frente televisivo:

"Eu é que não estou disposto, perante a incapacidade do líder da lista do PSD em ter o povo consigo, a dar-lhe uma boleia na televisão. Se ele quiser falar para os cidadãos, que vá à procura dos cidadãos e que atraia os cidadãos. Agora utilizar-me como lebre e utilizar a televisão para ir ao encontro dos cidadãos, não conte comigo. Não estou para fazer fretes."

Seis dias depois, o País percebeu quem tinha afinal "incapacidade em ter o povo consigo". E talvez Vital Moreira tenha aprendido, embora tarde de mais, que a arrogância é sempre má conselheira. Na política como na vida.

 

A minha vénia à Joana Lopes, a quem pedi emprestado o som da Antena 1.

 

ADENDA. A arrogância, como já referi aqui, parece ter-se apossado também de alguns blogues socialistas, incapazes de lidar com a realidade. Só isso explica que haja quem se insurja contra a  "tolice" dos eleitores, parecendo dar-lhes uma reprimenda por terem votado como votaram. Excessos de zelo que em nada beneficiam o PS: só o prejudicam.

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Europeias (49)

por Pedro Correia, em 12.06.09

 

EU NÃO DIZIA?

 

Como aqui previ, ainda antes de as urnas terem fechado, não tardaram as análises preocupadas, designadamente em blogues que muito prezo, com o crescimento do voto da 'extrema-esquerda'. Leia-se, a título de exemplo, o que escrevem João Maria Porto, Tiago Moreira Ramalho, Filipe de Arede Nunes, Maria João Marques, Rodrigo Adão da Fonseca, Nuno Pombo e André Azevedo Alves.

Como se isso não dissesse praticamente tudo sobre a oposição de 'direita', quase inexistente em Portugal.

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Europeias (48)

por Pedro Correia, em 12.06.09

 

A QUARTA DERROTA DE SÓCRATES

 

José Sócrates tem coleccionado mais derrotas do que vitórias. Perdeu as autárquicas em Outubro de 2005, ganhas pelo PSD de Marques Mendes. Perdeu duplamente as presidenciais de Janeiro de 2006 - o seu candidato, Mário Soares, foi copiosamente derrotado por Cavaco Silva e Manuel Alegre. Perdeu as regionais da Madeira em Maio de 2007 - em termos eleitorais e também por falta de comparência, pois nem se dignou participar numa só acção de campanha dos seus camaradas socialistas no Funchal. E acaba de perder as eleições europeias para o PSD de Manuela Ferreira Leite, vendo o PS relegado para a pior votação de sempre em números absolutos. Além das legislativas de 2005, venceu apenas as regionais açorianas, por interposto Carlos César, e as eleições intercalares de Lisboa, por interposto António Costa.

Com esta quarta derrota em quatro anos, o seu saldo eleitoral torna-se claramente negativo.

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Derrotados (15)

por Pedro Correia, em 11.06.09

 

Mário Soares envolveu-se a fundo na campanha europeia, comparecendo no comício de encerramento do PS em Lisboa e mobilizando alguns antigos líderes europeus - incluindo o ex-chanceler alemão Gehrard Schröder, actual assalariado de Vladimir Putin - numa frente anti-Durão Barroso que se revelou um monumental fiasco.

Soares não acerta uma desde a sua malograda campanha presidencial de 2006. Andava há anos, por exemplo, a prognosticar com tão aparente convicção uma imparável maré eleitoral de esquerda por toda a Europa que alguns chegaram mesmo a acreditar no que dizia.

Percebo a decepção desta boa gente. Aliás, a avaliar por isto, parece que ele próprio também acreditava...

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Vencedores (28)

por Pedro Correia, em 11.06.09

Paulo Rangel

 

Deixas criar às portas o inimigo

Por ires buscar outro de tão longe,

Por quem se despovoe o Reino antigo,

Se enfraqueça e se vá deitando a longe!

Buscas o incerto e incógnito perigo,

Por que a fama te exalte e te lisonje,

Chamando-te senhor, com larga cópia,

Da Índia, Pérsia, Arábia e de Etiópia!

 

Os Lusíadas, Canto IV

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Derrotados (14)

por Pedro Correia, em 11.06.09

 

O multimilionário Declan Ganley ganhou notoriedade política ao liderar com êxito a campanha pelo 'não' na Irlanda ao Tratado de Lisboa. Não lhe bastou este sucesso no país natal: nas europeias lançou uma espécie de franchise eleitoral em vários países (Portugal incluído), sob o rótulo Libertas, para formar um grupo parlamentar em Bruxelas. Não conseguiu eleger um só deputado, o que até tem lógica: o que vale para um país, sob a bandeira do nacionalismo, não vale para os restantes. Uma lição para outros milionários com ambições políticas: o dinheiro não compra tudo.

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Derrotados (13)

por Pedro Correia, em 11.06.09

 

 

Gordon Brown perdeu estrondosamente as eleições no Reino Unido. É um sério sinal vermelho dos britânicos ao poder trabalhista, imensamente desgastado. A crise económica, com resultados desastrosos nas ilhas britânicas, já traçou o destino do herdeiro de Tony Blair, que viu o seu partido relegado para a terceira posição, 12 pontos percentuais atrás dos conservadores de David Cameron e - suprema humilhação - abaixo do partido eurocéptico UKIP. O orgulhoso Labour que tantas vitórias coleccionou na última década e meia vale hoje só 15,3% no Reino Unido.
Fico a olhar as imagens de Brown, precocemente envelhecido, com uma desolação imensa estampada no rosto, mas ainda assim agarrado ao umbral da porta do número 10 de Downing Street. Sempre me impressionou a falta de lucidez dos políticos que, como certos cantores decadentes, teimam em arrastar-se no palco, incapazes de perceber que o seu tempo passou de vez.

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Derrotados (12)

por Pedro Correia, em 11.06.09

 

Pior do que a arrogância de um vencedor, só a arrogância de um derrotado. Aconteceu em Madrid, com Rodríguez Zapatero, justamente penalizado pelos eleitores do seu país, que o responsabilizam pela existência de mais de quatro milhões de desempregados quando há 16 meses garantia que não haveria crise económica em Espanha. Confirmado o desaire nas urnas que só ele não anteviu, o chefe do Executivo espanhol não se dignou sequer comparecer perantes os jornalistas na noite das eleições, que confirmaram a derrota do seu Partido Socialista, a quatro pontos percentuais de distância do Partido Popular. Um silêncio que diz tudo sobre o desempenho deste governante, incapaz de honrar promessas e também de cumprir as regras da mais elementar etiqueta política. Comparado com Zapatero, José Sócrates faz figura de estadista.

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Derrotados (11)

por Pedro Correia, em 10.06.09

 

A democracia representativa fez marcha-atrás nestas europeias, em que se registou a mais baixa taxa de participação eleitoral de sempre. Um facto que deve fazer pensar todos os políticos: a Europa não se constrói sem votos. Como ensinava Tácito há vinte séculos, "para aqueles que só ambicionam o poder não há meio caminho entre o cume e o precipício".

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Vencedores (27)

por Pedro Correia, em 10.06.09

 

DAVID CAMERON (Reino Unido)

 

Partido Conservador: 27,7% (25 eurodeputados)

Partido da Independência do Reino Unido (eurocéptico): 16,5% (13 eurodeputados)

Abstenção: 66,73% (61,48% em 2004)

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Efeito boomerang

por Teresa Ribeiro, em 10.06.09

Não fossem as várias empresas de sondagens terem repetido à exaustão que o PSD iria perder estas eleições, nunca a tímida vitória do PSD teria o impacto que teve. Os social-democratas bem podem agradecer-lhes.

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Derrotados (10)

por Pedro Correia, em 10.06.09

 

Ana Gomes escreveu aqui, no dia 28 de Maio, que Paulo Rangel é o "mais refinado exemplo de hipocrisia, inconsistência de convicções, oportunismo político e argumentação enganosa".

Ana Gomes escreveu aqui, no dia 29 de Maio, que Paulo Rangel tem "total falta de autoridade moral e de credibilidade política".

No domingo, a lista liderada por Paulo Rangel ganhou as europeias e a lista em que Ana Gomes se integrava foi derrotada por decisão soberana dos eleitores. Esperei em vão que no seu blogue, Causa Nossa, a eurodeputada socialista endereçasse os parabéns ao seu antagonista que dias antes, durante a campanha, criticara em termos tão duros.

Esperei em vão.

Em política, pior do que perder é não saber perder. Ana Gomes não soube.

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Ler (especial eleições)

por Pedro Correia, em 10.06.09

Eleições: notas. Do Henrique Raposo, no Clube das Repúblicas Mortas.

Só umas notas. De Luciano Amaral, n' O Insurgente.

Notas sobre as europeias. De José Costa e Silva, no Lóbi do Chá.

Quatro nótulas avulsas sobre as 'europeias'. Do Miguel Castelo-Branco, no Combustões.

Europeias. De Bruno Vieira Amaral, n' O Cachimbo de Magritte.

Europeias: BE. Do Daniel Oliveira, no Arrastão.

Resultados dos partidos no governo. De Gabriel Silva, no Blasfémias.

Sobre saber vencer e saber perder. Do Afonso Azevedo Neves, no 31 da Armada.

O resultado das europeias e o PS. De João Gomes de Almeida, no Risco Contínuo.

Rescaldo eleitoral-PS. De António de Almeida, no Direito de Opinião.

Derrota em duas frentes. De José Medeiros Ferreira, no Bicho Carpinteiro.

Eleições no eucaliptal. Do Rui Bebiano, n' A Terceira Noite.

Emoções básicas (58). Do Luís Naves, no Corta-Fitas.

A formiga e a cigarra. Do Tomás Vasques, no Hoje Há Conquilhas.

Lição para as legislativas. De Bernardo Pires de Lima, na União de Facto.

As europeias de Cavaco. Do Paulo Pinto Mascarenhas, no ABC do PPM.

Corta palavra. Do Luís Novaes Tito, n' A Barbearia do Sr. Luís.

Adivinham-se tempos difíceis. Do António Figueira, no 5 Dias.

Sinais muito preocupantes. Do Eduardo Pitta, no Da Literatura.

"Por uma maioria de esquerda". De José Simões, no Der Terrorist.

A maioria silenciosa volta a atacar. Do André Carvalho, na Geração Rasca.

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Vencedores (26)

por Pedro Correia, em 10.06.09

HELLE THORNING-SCHMIDT (Dinamarca)

 

Partido Social-Democrata: 20,9% (quatro eurodeputados)

Partido Liberal: 19,6% (três eurodeputados)

Abstenção: 40,48% (52,11% em 2004)

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Vencedores (25)

por Pedro Correia, em 10.06.09

MIRCEA GEOANA (Roménia)

 

Aliança sociais-democratas/conservadores: 30,82% (11 eurodeputados)

Partido Democrático Liberal: 29,75% (dez eurodeputados)

Abstenção: 73,6% (70,53% em 2007)

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Vencedores (24)

por Pedro Correia, em 10.06.09

JANEZ JANSA (Eslovénia)

 

Partido Democrático da Eslovénia (centro-direita): 26,92% (dois eurodeputados)

Partido Social-Democrata: 18,45% (dois eurodeputados)

Abstenção: 71,75% (71,65% em 2004)

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Vencedores (23)

por Pedro Correia, em 10.06.09

JOSEPH MUSCAT (Malta)

 

Partido Trabalhista: 54,77% (três eurodeputados)

Partido Nacionalista: 40,49% (dois eurodeputados)

Abstenção: 21,19% (17,61% em 2004)

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Derrotados (9)

por Pedro Correia, em 09.06.09

 

 

O Tratado de Lisboa. O crescimento evidente das forças centrífugas nestas europeias enterrou de vez a reforma institucional, confirmando que Bruxelas pretendeu dar o passo maior que o pé ao fazer aprovar em petit comité, na cimeira de Lisboa, um documento à revelia da vontade real dos povos. Só falta mesmo o Partido Conservador chegar ao poder em Londres e concretizar aquilo que os trabalhistas deviam ter posto em prática: um referendo sobre o tratado. O referendo que também nos foi negado apesar de constar das promessas eleitorais feitas em 2005 por socialistas e sociais-democratas.

Na hora em que alguns já festejam um fim de ciclo, confundindo europeias com legislativas e a abstenção de Junho com a abstenção de Outubro, convém sublinhar: nada distingue o discurso europeu do PS e do PSD. Nada mesmo.

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Vencedores (22)

por Pedro Correia, em 09.06.09

 JYRKI KATAINEN (Finlândia)

 

Partido da Coligação Nacional (conservador): 23,2% (três eurodeputados)

Partido do Centro: 19% (três eurodeputados)

Abstenção: 59,6% (61,57% em 2004)

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Derrotados (8)

por Pedro Correia, em 09.06.09

 

Alguns blogues socialistas, muito frequentados pela rapaziada que presta assessoria a José Sócrates e aos seus ministros e adjuntos. Blogues como este, que dias antes das eleições europeias publicava posts do mais fino gosto sobre o cabeça de lista do PSD e depois do escrutínio, procurando descortinar motivos para a pesada derrota socialista, que jamais haviam imaginado, congeminou justificações realmente delirantes. Um exemplo: "Votar Bloco de Esquerda é votar PSD."

Estes blogues baixaram desde domingo o tom da habitual insolência dirigida a quem não pensa como eles, mas vê-se que não aprenderam nada com o desaire: o culto devoto que dedicam ao chefe impede-os de perceber o que se passa à volta. Como se o País fosse relativo e só o partido fosse real.

De quantas derrotas mais precisarão para perceberem que Portugal não é o Rato?

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Vencedores (21)

por Pedro Correia, em 09.06.09

SILVIO BERLUSCONI (Itália)

 

Povo da Liberdade (conservador): 35,25% (29 eurodeputados)

Partido Democrático (centro-esquerda): 26,14% (22 eurodeputados)

Abstenção: 33,54% (29,28% em 2004)

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Vencedores (20)

por Pedro Correia, em 09.06.09

SANDRA KALNIETE (Letónia)

 

União Cívica: 24,32% (dois eurodeputados)

Centro de Harmonia (minoria russa): 19,54% (dois eurodeputados)

Abstenção: 47,44% (59,66% em 2004)

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Vencedores (19)

por Pedro Correia, em 09.06.09

 

 

EDGAR SAVISAAR (Estónia)

 

Partido do Centro (liberal): 26,07% (dois eurodeputados)

Indrek Tarand (candidato independente): 25,81% (um eurodeputado)

Abstenção: 56,8% (73,17% em 2004)

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Vencedores (18)

por Pedro Correia, em 09.06.09

ROBERT FICO (Eslováquia)

 

SMER (esquerda): 32,1% (cinco eurodeputados)

SDKU (liberais): 16,98% (dois eurodeputados)

Abstenção: 80,96% (83% em 2004)

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Vencedores (17)

por Pedro Correia, em 09.06.09

MONA SAHLIN (Suécia)

 

Partido Social-Democrata: 24,6% (cinco eurodeputados)

Partido Moderado (centro-direita): 18,8% (quatro eurodeputados)

Abstenção: 56,2% (62,15% em 2004)

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Duas ou três notas

por Paulo Gorjão, em 08.06.09

Não tinha intenção de escrever sobre os resultados eleitorais de ontem, mas vejo por aí uns patrulheiros que querem condicionar o que se pode escrever no day after das eleições, motivo que me leva a reagir.

1. O resultado do PSD não me surpreende. Já aqui escrevi que estas eram as eleições mais favoráveis ao PSD. Confirmou-se. 

2. No PSD há dois vencedores. Manuela Ferreira Leite, naturalmente, porque foi quem delineou a estratégia, em parte contra a opinião dos seus pares. Paulo Rangel porque foi ele quem, no terreno, a executou de forma eficaz e eficiente. 

3. Isto dito, convém manter os pés bem assentes no chão. A maioria dos votos que o PS perde não foi para o PSD. Ou seja, o PSD continua a revelar dificuldade em captar o voto dos descontentes.

4. Dito de outra maneira, cuidado com as ilacções. Mais de 60% dos portugueses optou por não votar. Não foram para a praia, não foram de férias. Não votaram, ponto. Quem quiser perceber...

5. A única surpresa, para mim, foi a dimensão da derrota do PS. Já esperava que parte dos eleitores votasse com os pés, nas mais diversas formas. Mesmo assim, surpreende-me o mau resultado do PS.

6. Termino com uma nota sobre a suposta derrota que Pedro Passos Coelho terá sofrido ontem. Não é por nada, mas acho que estão a ver mal o filme. Em toda a linha. Depois falamos.

[Adenda]

Parece que anda no ar uma algazarra silenciosa de teor conspirativo sobre quem foi o grande vencedor de ontem, i.e. Ferreira Leite ou Rangel. Aparentemente, quem salienta o papel de Rangel, em primeiro lugar, quer desvalorizar Ferreira Leite. (Não sei se, uma vez mais, isto tem a pegada sinistra dos Passos Coelhistas...) Pela minha parte podem estar descansados porque dou, com muito gosto, o caneco por inteiro a Ferreira Leite. Se não percebem, faço um desenho.

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