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Demissões

por Rui Rocha, em 10.07.17

Se bem percebo, o Ministério Público demorou um ano a investigar se os governantes que foram ao Europeu de França à custa da Galp foram ao Europeu de França à custa da Galp.

 

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Facto nacional de 2016

por Pedro Correia, em 06.01.17

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PORTUGAL CONQUISTA EUROPEU DE FUTEBOL

Tínhamos tudo contra nós. Jogávamos em casa da selecção adversária, perante um público maioritariamente hostil e tradicionalmente muito arrogante. Éramos apontados como “patinho feio” em todas as casas de apostas desportivas. Para cúmulo, vimos o nosso melhor jogador – e melhor jogador do mundo – inutilizado a partir do minuto 8 por falta que o árbitro entendeu não assinalar.

Mas soubemos resistir a todas as adversidades. Abdicámos do tradicional futebol-espectáculo que durante décadas nada mais nos propiciou senão umas quantas “vitórias morais” e trouxemos para Portugal  o mais cobiçado troféu até hoje conquistado pelo futebol português: o Campeonato da Europa ao nível de selecções seniores, arrebatado na épica final do Parque dos Príncipes, em Paris.

A conquista do Euro-2016 foi considerada o Facto Nacional do Ano pelo DELITO DE OPINIÃO, numa votação que congregou 27 dos 31 membros deste blogue e em que era possível eleger mais de um tema, como é costume entre nós, ano após ano.

 

Não faltaram desde o início os profetas da desgraça ao nível do comentário desportivo, prontos a vaticinar o desaire da equipa das quinas em geral e do seleccionador Fernando Santos em particular.

Indiferente às aves agoirentas, a selecção trilhou a sua rota ascendente, passo a passo, com persistência, sem nunca perder: 1-1 com a Islândia, 0-0 com a Áustria, 3-3 com a Hungria, 1-0 com a Croácia, 1-1 com a Polónia (vitória no desempate por penáltis), 2-0 com o País de Gales e 1-0 na final de 10 de Julho frente à anfitriã, França.

Cristiano Ronaldo (3), Nani (3), Renato Sanches, Quaresma e Éder marcaram os golos portugueses. Rui Patrício foi designado melhor guarda-redes deste torneio que nos encheu de orgulho e júbilo.

Motivos redobrados para todos festejarmos o maior título de sempre do futebol português. Mesmo aqueles que não costumam ser grandes apreciadores de futebol.

 

Aos 14 votos que recaíram no Euro-2016 seguiram-se cinco nas trapalhadas da Caixa Geral de Depósitos, nas suas diversas versões, que se sucederam ao longo do ano e ainda não terminaram.

O terceiro facto nacional mais mencionado - com quatro votos - foi o sucesso da geringonça, contrariando muitos prognósticos.

Houve ainda referências ao aumento do turismo em Portugal (dois votos), ao processo de "reversões e crescimento" capitaneado pelo Governo, à generalização da oferta da Uber em Lisboa e ao facto de a Câmara Municipal de Mafra ter enterrado a antiga polémica com José Saramago, falecido em 2010.

 

Facto nacional de 2010: crise financeira

Facto nacional de 2011: chegada da troika a Portugal

Facto nacional de 2013: crise política de Julho

Facto nacional de 2014: derrocada do Grupo Espírito Santo

Facto nacional de 2015: acordos parlamentares à esquerda

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Profetas da nossa terra (72)

por Pedro Correia, em 25.07.16

«A Alemanha é a grande favorita à vitória final no Europeu.»

Rui Santos, SIC Notícias, 3 de Julho de 2016

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 13.07.16

«A verdade é que o que venceu o Euro foi um novo modelo nacional. E, nesse sentido, o oposto da realidade pátria.

Uma forma de pensar, de ver, de agir, e obviamente um modo de seleccionar e treinar, que insiste mais na realização objectiva e nos resultados (no fundo, naquilo que está em jogo) do que na "beleza" discutível.

Nalgumas alturas, o ataque foi a melhor defesa. Noutras, a defesa, o melhor ataque. E jogou-se com um fito único, até ao último segundo: passar.

Tudo isso é o contrário dos hábitos nacionais, onde se reproduzia em campo o melhor do futebol de praia, e aquilo de que gostamos, os que nos deleitamos a jogar: mais uma finta, mais um adorno. Como no resto da vida comunitária, o que havia era o desporto como forma superior de poesia. Agora é o romantismo da eficácia, a batalha da produção, a frieza dos deveres, o "realismo".»

Nuno Rogeiro, na Sábado

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O "fascínio" das derrotas

por Pedro Correia, em 13.07.16

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Mesmo com a Taça da Europa já conquistada e exibida em Portugal, e com largos milhares de pessoas apoiando a selecção nas ruas das mais diversas cidades mundiais, de Paris a Díli, não passa um dia sem que as carpideiras de turno surjam nas pantalhas a bramir contra o "futebol feio" praticado pela equipa das quinas no Euro 2016.

Curiosamente, nenhuma dessas carpideiras nos indica qual terá sido o "futebol lindo" observado nos estádios franceses que sirva de modelo a Portugal.

Era bom que elucidassem gente como eu, incapaz de ver tão bem.

 

Na primeira linha dos disparos, o que não é inédito, figura um técnico de futebol: Manuel José.

Há pouco mais de 24 horas, na RTP 3, o português que chegou a brilhar no campeonato egípcio ultrapassou tudo quanto já dissera antes, proferindo esta declaração: "Dizem que jogámos futebol [no Euro 2016], não jogámos à bola. Então eu prefiro que se jogue à bola. Porque no fundo o que o povo quer é isso: ganharmos com qualidade. Se temos qualidade não podemos jogar um futebol medíocre. Quanto melhor jogarmos, aumentam as possibilidades de podermos ganhar. De vez em quando não ganhamos, mas isso é o fascínio que o futebol tem."

 

Admiro a ousadia destes comentadores que falam em nome do "povo", como Manuel José agora fez. Ignoro quem o mandatou como porta-voz dos portugueses, mas declaro desde já que não lhe passei procuração para falar por mim.

Eu, ao contrário dele, não sinto o menor "fascínio" em perder. Foi isso que sucedeu nos campeonatos da Europa durante mais de meio século: fomos perdendo sempre. Ou porque não atingíamos a qualificação para a fase final ou porque sucumbíamos à beira do fim, quase a atingir o objectivo.

Ao contrário do que sucedeu agora. Fascinante, para mim, é ganhar.

 

Quanto ao "futebol medíocre" a que alude Manuel José, lamento desiludi-lo, mas a UEFA não partilha da opinião dele.

Se partilhasse, não teria incluído dois golos portugueses nos cinco que seleccionou com vista à votação em linha que decorre para eleger o melhor do torneio: o de Cristiano Ronaldo contra o País de Gales e o de Éder contra a França.

Presumo que nenhum deles merecerá o voto de Manuel José. Mas garanto-lhe que é retribuído: eu também não votaria nele para seleccionador nacional.

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Eu e Ronaldo

por José António Abreu, em 12.07.16

Informação nº 1: percebendo apenas um pouquinho mais de futebol do que de termodinâmica ou de mulheres, sigo os campeonatos de clubes tão pouco quanto a comunicação social e a decrescente destreza dos meus dedos na manipulação do telecomando televisivo me permitem.

Informação nº 2: a capacidade da minha memória diminuiu tanto nos últimos anos como... caramba, juro que ainda agora tinha uma analogia perfeita.

Avancemos. Não obstante tudo o que está atrás ser 100% verdade (OK, exagerei num ponto: sei o bastante sobre termodinâmica para estar consciente de que dois corpos em fricção causam aumento de temperatura e tendem a gerar trabalho), lembro-me do Cristiano Ronaldo dos tempos do Sporting. Um rapaz muito verde (desculpem, não resisti à piada; caso vos seja insuportável, pensem numa folha em branco) mas já com potencial futebolístico para chegar a estrela. Nos anos seguintes, sem prestar grande atenção mas sem conseguir evitá-lo (como poderia?), fui dando conta do nascimento dessa estrela. Tinha e tem duas facetas: a de jogador excepcional, mescla de talento inato e dedicação maníaca, e a de prima-dona, dentro do relvado (ah, aquelas poses na marcação dos livres, que Sepp Blatter tão bem parodiou, antes de infelizes acontecimentos o afastarem de um cargo que distraídos como eu chegam a pensar ser vitalício) e fora dele (carros, mulheres, declarações variadas, campanhas publicitárias, bling bling de gosto duvidoso, microfones e a tendência para exibir aquele torso de Photoshop, exasperante para qualquer macho humano normal). Mesmo consciente de que a segunda faceta podia estar a chegar-me distorcida pela duvidosa acribia (sim, estou a tentar meter nojo) dos títulos dos jornais e dos rodapés dos noticiários televisivos, ainda assim ela impedia-me de ser um fã de Ronaldo. Achava que ele tinha todo a direito a estar orgulhoso do que alcançara (falsas modéstias são-me tão irritantes como textos nos quais os autores procuram desesperadamente introduzir humor) mas descoroçoava-me que ele mostrasse o orgulho de formas ostentatórias e por vezes agressivas. Para ajudar à minha má-vontade, Ronaldo raramente jogava ao mais alto nível nos encontros da selecção (os únicos em que o via), apesar de todos os outros jogadores parecerem ter sido convocados apenas porque as regras não permitiam que jogasse sozinho (manobras de Blatter, certamente).

E depois chegou anteontem e aquela final no Instituto Entomológico de Paris (achei estranho irem incomodar as traças, confesso). Num encontro em que praticamente não jogou, Ronaldo mostrou-me outro Ronaldo. Mostrou-me uma espécie de Ronaldo dos tempos do Sporting, actualizado para um homem de 31 anos. Um Ronaldo esforçado, sincero, sem poses. Um jogador de equipa, que não desiste e dá o seu melhor, até mesmo quando não o pode fazer dentro do campo. Anteontem, num encontro em que o jogador fora de série não pôde surgir porque levou uma cacetada antes dos dez minutos (Ça Alors!, Par Toutatis! e Mille Sabords!), Ronaldo fez-me respeitá-lo como raramente o conseguira antes.

E pronto. Lamento o anticlimático final piegas mas este texto não passa da nota de arrependimento e apreço de um ex-crítico. As piadas foram só uma tentativa para disfarçar o incómodo.

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Em 2004 choraste, e eu, que nunca chorei com a selecção, tive vontade de chorar contigo. "É tão menininho..." pensava, dizia. Nunca te deixei, segui-te sempre, quis saber sempre mais, ver mais. Saber onde podias chegar. Ano após ano.

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Ontem, quando te vi no chão e depois em lágrimas, pensei "não chores. Não chores, que também choro". Voltaste, porque és o maior e não desistes à primeira, não desististe em 12 anos, nunca viraste a cara a tanta ingratidão que se viu e ouviu, não sei quantos teriam essa capacidade, mas tu tens.

Não deu para continuares, e vieram as lágrimas novamente. Porque vives para todos os jogos, mas aqui entre nós, uma final é uma final, e detestas não estar presente.

Depois o momento de um verdadeiro capitão. E deixa-me dizer já aqui que muitas vezes eu disse: "ser capitão é uma pressão de que ele não precisa", e hoje sei por que nunca deixaste de o ser. Cresceste, amadureceste, sabes ser capitão nos momentos cruciais. Quem me conhece sabe como gosto do capitão da Itália e - detesto admitir isto - vê-lo de costas nos penalties dos colegas, quando se apregoavam um grupo unido, custou-me. Podem ser superstições, crendices, pode ter sido para não dar um grito ao Zaza, mas esse gesto ficou-me. No prolongamento vieste dar ânimo a todos, dentro e fora de campo. Abraços, gritos ou sussurros, o capitão estava ali com eles. O mimado, o birrento (atenção, adoro essas pequenas birras), estava ali a dar de si aos restantes.

Mais lágrimas no golo do Éder. És maravilhoso quando choras de alegria. És o maior, o melhor do mundo mesmo a chorar,quero lá saber. Chorei contigo antes, chorei contigo agora.

Quando levantaste a taça, senti as lágrimas chegarem. Talvez por tudo o que ouvi e li de 2004 para cá, em cada europeu e mundial, sempre a mesma conversa, sempre os mesmos argumentos idiotas e ressabiados. Ou talvez me tenha voltado simplesmente a emocionar com Portugal.

Doze anos, esperei 12 anos para te ver ali, assim. E vi. És o maior, meu ric'menine.

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Só lhe resta o cachecol

por Diogo Noivo, em 12.07.16

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Não é necessário ser-se versado em Weber para entender a importância das convicções e da vontade em política. Importa, no entanto, não confundir convicção e vontade com um apego cego ao poder. Mário Centeno, Ministro das Finanças, ajuda a perceber esta diferença.

O programa económico elaborado por Mário Centeno para o Partido Socialista sofreu mais de 70 alterações, consequências inevitáveis da negociação com o Partido Comunista Português e com o Bloco de Esquerda. O resultado final é uma pálida imagem do estudo inicial. Ainda assim, Centeno aceitou ser ministro. Fosse por uma determinação irrefreável em tutelar a pasta das Finanças, fosse a lendária capacidade de persuasão de António Costa, fosse por sentir o chamamento do serviço público, Mário Centeno mordeu a bala e aceitou implementar um programa que não era o seu.

Mais tarde, na Assembleia da República, o já Ministro Mário Centeno é submetido a uma acareação com o académico Mário Centeno. Um deputado do PSD leva a plenário uma passagem de um livro escrito por Centeno, o académico, onde este defende ideias sobre o emprego absolutamente incompatíveis com o projecto do Governo. O Ministro Centeno desvalorizou, distanciou-se do académico Centeno, e manteve-se no cargo.

A governação prosseguiu, mas os números não batem certo. Exportações, crescimento da economia, confiança dos credores, enfim, tudo corre mal. Demonstra-se que o princípio fundador da actual maioria – acabar com a austeridade e obter crescimento económico – é, no mínimo, falso. Porém, Mário Centeno continua ministro.

Perante as fracas previsões de crescimento da economia portuguesa, o Ministro das Finanças tem um arrebato de consciência e decide por breves instantes abraçar a realidade. Centeno admite então a possibilidade de cortar as projecções de crescimento económico que suportam o Orçamento do Estado. Era algo normal, autorizado pelos números, e não susceptível de gerar polémica. Contudo, foi rapidamente desautorizado pelo Primeiro-Ministro. Mas não há problema. Mário Centeno sente-se em condições para continuar nas Finanças.

Mário Centeno foi-se enredando uma corda da qual dificilmente sairá com módico de verticalidade. Portanto, à falta de êxitos próprios, não lhe resta outro caminho que não seja o de se apropriar de vitórias alheias e apresentar-se no Eurogrupo com o cachecol da selecção nacional. Resta saber se Mário Centeno é consciente da vacuidade política deste numerito. Para além das palmadinhas nas costas, a vitória de Portugal no Europeu de Futebol e o cachecol nada alteram. A economia, o emprego, as exportações, a confiança dos credores e o futuro do país não se decidem entre as quatro linhas.

Os rapazes de Fernando Santos não nos deram pão e circo, mas sim um troféu conseguido com trabalho, cumprindo as regras que todos aceitam, e sem desculpas. Era importante que o Ministro Mário Centeno seguisse o exemplo.

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Futebol e Fátima

por Rui Rocha, em 12.07.16

Li por aí que o Professor Marcelo, o mais alto beato da Nação, rezou muitos terços para que a selecção nacional tivesse um bom resultado e que admite ir a Fátima. Ora, há coisas que não percebo. Quer dizer, se eu fosse crente, era capaz de rezar pela saúde e pela felicidade da minha mulher, dos meus filhos ou da humanidade em geral. Pela nossa saúde ou por uma felicidade nossa que não prejudicasse a dos outros. Mas neste caso, rezar pelo sucesso da selecção de Portugal é pedir o insucesso da selecção de França. E parece-me que isto não é assunto em que se deva meter Nossa Senhora de Fátima. Como é que Nossa Senhora de Fátima fica? Qual é o critério de decisão? Favorece os que pedem mais, os que fazem mais barulho? Beneficia os que se portam melhor? Mas como? O Bruno Alves é melhor do que o Payet? Há coisas que pessoas bem formadas não pedem. Muito menos a Nossa Senhora de Fátima. Na verdade, o que Marcelo e os outros como ele querem é tráfico de influências. Que Nossa Senhora mexa uns cordelinhos, que interceda aqui e ali, para beneficiar uns e prejudicar outros. Aliás, se eu fosse Nossa Senhora de Fátima e me aparecesse o Marcelo ou outros como ele com um tercinho na mão e conversa do tipo "ah e tal podias dar aqui um jeito" mandava-os logo foder.

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Partilho a alegria e acho muito bem que se venha festejar para as ruas: em tempos de individualismo, os momentos de comunhão só podem ser benéficos. O que me confunde é a rapidez com que surgiram as caravanas de veículos. Ainda Ronaldo não começara a coxear pelas escadas acima em direcção à taça e a cacofonia nas ruas do Porto - mais serenas do que numa manhã de São João durante o encontro - já era indescritível (um adjectivo muito útil para os momentos em que não sabemos como descrever as coisas). Honestamente, fica-me a ideia de que antes de Éder desferir aquele rematezito fulminante já centenas de pessoas estavam sentadas dentro dos carros, aguardando no escuro a oportunidade de poderem sair a apitar.

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Tudo está bem quando acaba bem

por Pedro Correia, em 11.07.16

Quatro portugueses no onze ideal da UEFA.

 

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Merci bien, Volkswagen

por José António Abreu, em 11.07.16

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Parabéns

por Pedro Correia, em 11.07.16

"Estamos todos de parabéns", tenho ouvido dizer toda a manhã.

Não estamos. De parabéns estão os futebolistas e o seleccionador que levaram Portugal a conquistar o título de campeão da Europa.

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O que eles escreveram

por Sérgio de Almeida Correia, em 11.07.16

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"Portugal can duly reflect on their greatest ever victory, made all the more remarkable by the fact they could not beat Iceland, Hungary or Austria in the group stages. Their safety-first tactics will not appeal to everyone but nobody could dispute their competitive courage and mental toughness after the jarring challenge that meant their three-times Ballon d’Or winner was unable to influence the game in the way he would have imagined." - Daniel Taylor, The Guardian

 

"The winner always merits their trophy. They didn’t make it to the final by chance. This is the first time a team who finished third in their group finishes as European champions. They didn’t win many games in normal time, but they won the important one. Perhaps there were some other generations in Portuguese football with more talent, but they didn’t win. This team won." - Didier Deschamps, The Guardian

 

"So the one-man team become European champions, defeating the host nation without the one man they apparently could not win without." - The Independent

 

"Having received the ball on the halfway line, Ronaldo was flattened by a clumsy, and reckless, challenge by Payet which went unpunished by referee Mark Clattenburg." - The Independent

 

"Critiqué tout au long de la compétition pour son manque d'ambition offensive, le Portugal a fini par remporter son premier Euro. Le tout grâce à l'entrée du seul véritable attaquant de pointe du groupe : l'attaquant lillois Eder." - FranceFootball  

 

"Admirable esta Portugal que sólo ha ganado un partido en los 90’ minutos, pero que ha sabido salir de situaciones difíciles. El fútbol también es esto." - Alfredo Relaño AS

 

"Cuando saltó Eder al campo, en el Fado brotaron las dudas. Hasta que Luis Loureiro, un chaval portugués nacido en Celorico Beira, me susurró al oído: “Roncero, le han criticado mucho y justo por eso meterá el gol de la victoria. Ya lo verás”. No hace falta que les diga cómo vivieron mis amigos el triunfo final. Paulo lloraba junto a su niño Diego (con cuatro añitos sabe de fútbol como si tuviera 34) y las camisetas de Cristiano, Figo, Futre y Eusebio se fundían en un sentimiento común. Va por todos ellos. ¡Viva Portugal! ¡Viva Cristiano!" - Tomás RonceroAS

 

"Y Santos estuvo inteligente cuando en el 79’ (parecía tarde) dio campo a Éder para pelear con la defensa francesa. Desde el principio se le vio fantástico, aguantando balón, girando, saltando, inquietando. En la prórroga arruinó a Francia con su golazo." - P.P. San MartínAS

 

"Es cierto que Portugal no ha jugado mejor en esta Eurocopa que en torneos anteriores, y que su llegada a la final no significa un chorro de fútbol, pero se han apreciado dos o tres señales de cambio. La primera ha sido su resistencia a la derrota, una virtud que esta vez no ha estado ejemplificada sólo por Cristiano Ronaldo. Todo el equipo le ha acompañado, con el admirable Pepe —uno de los tres mejores jugadores de la Eurocopa— a la cabeza. Tan importante o más ha sido la compañía. Junto a tres veteranos de toda la vida —Rui Patricio, Pepe y Nani—, Cristiano se ha visto rodeado de una imprevista malla de jóvenes jugadores, o sin apenas experiencia en la selección: Cédric, Raphael Guerreiro —el mejor lateral izquierdo del torneo—, William, Danilo, André Gomes, Joao Mario, Adrien Silva y esa dinamo inagotable que es Renato."- Santiago SegurolaAS 

 

"A Saint-Denis, les Bleus ont été dominés par le Portugal de Cristiano Ronaldo, pourtant sorti sur blessure dès la 25e minute de la partie. La Selecçao conjure ainsi « sa » malédiction face aux Tricolores. Elle n’avait plus gagné contre l’équipe de France depuis un match amical disputé au Parc des Princes en 1975… Battue en finale de « son Euro » par la Grèce, en 2004, la sélection lusitanienne réussit ainsi à remporter le premier trophée majeur de son histoire." - Le Monde

 

"È la grande notte dei portoghesi, che qui, nella Parigi multi-etnica, sono noti più che altro per essere ottimi portinai e muratori. Da oggi sono anche i campioni d'Europa. E scusate se è poco." - La Gazzetta dello Sport 

 

"Un destro poderoso. Un fulmine. Il catenacciaro Fernando Santos, perso Ronaldo, ha deciso a 11 minuti dalla fine di mettere dentro un attaccante che nella fase a eliminazione diretta non aveva mai schierato: aveva capito che poteva vincere sfruttando la sua forza, i suoi 188 centimetri. La sua potenza. E ha vinto." -  La Gazzetta dello Sport 

 

"La selección portuguesa se aseguró con el título en la Eurocopa su presencia en la Copa Confederaciones del próximo año en Rusia. Los portugueses acudirán como campeones continentales a un torneo que se celebrará del 17 de junio al 2 de julio en cuatro diferentes ciudades rusas. Además de Portugal, estarán allí Alemania (campeona del mundo), Rusia (anfitriona), Australia (campeona de Asia), Chile (campeón de la Copa América), México (campeón de la Copa Oro) y Nueva Zelanda (campeón de Oceanía). Falta por saberse el representante africano, que saldrá de la próxima Copa de África." - Aritz GabilondoAS

 

"Tras perder a su referente, Portugal, que ya tenía previsto salir a jugar sin correr el más mínimo riesgo, aumentó sus precauciones defensivas mientras que Francia, aferrada a un fútbol metalúrgico a más no poder se estrellaba una y otra vez ante el muro portugués que protegió a la perfección el portero Rui Patricio demostrando que para ganar un partido de fútbol no basta con tener un equipo de decatletas, más preparados para hacer una mudanza o llevar un paso de Semana Santa, hay que tener una idea de juego colectivo, calidad e inteligencia. Y de esto último, Portugal tuvo mucho porque los de Fernando Santos supieron adaptarse al medio y llevar a cabo el plan que les ha servido para llegar a la final. Un plan, que dicho sea de paso, que mata de aburrimiento al más pintado, pero que es tremendamente efectivo." - Aritz Gabilondo, AS

 

"Für manche ist er ein arroganter Fatzke. Für andere ein Held. Nach dieser EM ist er aber auf jeden Fall: POKALNALDO!"- Bild 

 

"Portugal ganó una Eurocopa de forma heroica. Jugando casi todo el partido sin su estrella Cristiano Ronaldo , en campo contrario, logró su primer Euro, el trofeo que el fútbol le debía desde el 2004. Lo hizo con un gol milagroso de Éder en la segunda parte d ela prórroga, la quinta del torneo. Tuvieron todo en contra y supieron resistir como leones. Al final tuvieron la suerte de los campeones, aunque nadie puede negar su lucha. Los lusos ganaron, por primera vez, a Francia en un partido oficial. Esta final vale por las otras tres derrotas. Fue una final sin fútbol como todo el campeonato, pero plena de emoción."- Francesc AguilarMundo Deportivo

 

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É sempre possível ir mais longe

por Pedro Correia, em 11.07.16

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10 de Julho de 2016: nunca mais nos esqueceremos desta data. Portugal chegou onde muito poucos previam, contrariando todos os profetas da desgraça: somos enfim campeões da Europa. O nosso maior troféu de sempre no futebol sénior a nível de selecções.

Um troféu com que vários de nós sonhávamos há décadas.

Foi com indescritível alegria que vi o nosso capitão Cristiano Ronaldo acabar de erguer o troféu conquistado com tanto suor e tanto sofrimento pela selecção nacional no Stade de France, silenciando a arrogância, a pesporrência e o chauvinismo gaulês.

 

É uma vitória de Portugal, sim. Mas é antes de mais nada a vitória de um grupo de trabalho muito bem comandado por um homem - Fernando Santos - que revelou ambição desde o primeiro instante e soube incuti-la na selecção, que jogou unida como raras vezes a vimos, com uma maturidade táctica inegável e um ânimo que não claudicou quando Cristiano Ronaldo se lesionou gravemente num embate com Payet, iam decorridos apenas 8', e deixou de poder dar o seu contributo para esta final, acabando por ser rendido aos 25'.

As lágrimas que lhe caíam pelo rosto enquanto era retirado em maca integrarão a partir de agora a inapagável iconografia do desporto-rei.

 

Com ele em campo tudo teria sido mais fácil. Mas assim provámos à Europa do futebol - e a alguns comentadores portugueses que nunca deixaram de denegrir a selecção durante toda esta campanha europeia - que a equipa das quinas não é só "o clube do Ronaldo". É muito mais que isso. É uma equipa madura, sólida, solidária. Capaz de chegar mais longe do que qualquer outra.

Que o digam os jogadores franceses, que enfrentaram Rui Patrício - para mim o herói da final, naquela que foi talvez a melhor exibição da sua carreira como guarda-redes da selecção. E uma dupla imbatível de centrais formada por Pepe e José Fonte. E o melhor lateral esquerdo deste Europeu, Raphael Guerreiro, que disparou um petardo à barra da baliza de Lloris aos 108', naquilo que já era um prenúncio do golo português. E um Cédric combativo, que nunca virou a cara à luta. E um William Carvalho que funcionou como primeiro baluarte do nosso dique defensivo. E um João Mário com vocação para brilhar nos melhores palcos europeus. E um Nani que nunca deixou de puxar os colegas para a frente. E um Éder que funcionou afinal como a mais inesperada arma secreta da selecção nacional, marcando aos 109' o golo que levou a França ao tapete e nos poupou ao sofrimento acrescido das grandes penalidades que já muitos antevíamos.

 

Dirão alguns que tivemos sorte, que jogámos feio e jogámos mal: porque haveriam de mudar agora o discurso se não disseram outra coisa durante mais de um mês?

Mas é claramente injusto reduzir a estas palavras e estes rótulos um trabalho iniciado há quase dois anos e que já com Fernando Santos ao leme da selecção registou 14 jogos oficiais - com dez vitórias e quatro empates. Não perdemos uma só partida nesta fase final do Europeu, em que eliminámos a Croácia (uma das selecções apontadas como favoritas antes do torneio), o País de Gales (equipa sensação durante dois terços da prova) e a campeoníssima França, anfitriã e principal candidata à vitória desde o apito inicial do Euro 2016.

Todos os obstáculos foram superados. No momento em que Cristiano Ronaldo ergueu a Taça da Europa perante largos milhares de portugueses em delírio nas bancadas do estádio, estavam vingadas todas as outras ocasiões em que jogámos bem, jogámos bonito - e regressámos a casa sem troféu algum.

Esse tempo acabou de vez.

 

Ficaram também vingadas as nossas derrotas nas meias-finais do Europeu de 1984 e do Euro 2000, e o nosso afastamento do Mundial de 2006, igualmente nas meias-finais. Sempre contra a França. As tradições existem muitas vezes para isto mesmo: para serem quebradas.

O momento é de celebração nacional, com o campeão europeu mais velho de sempre (Ricardo Carvalho) e o mais novo de sempre (Renato Sanches). Enquanto escrevo estas linhas escuto uma sinfonia de buzinas na avenida onde moro e gente a gritar "Nós somos campeões!"

Muitos dos que buzinam e gritam nem se lembraram de pôr este ano bandeirinhas à janela e não deixaram de lançar farpas sarcásticas ao seleccionador, descrentes das nossas possibilidades de vitória. Nada como um triunfo desportivo para apagar memórias e congregar multidões.

Atenção, porém: ninguém merece tanto celebrar como Fernando Santos e os nossos jogadores. Sim, esta vitória é um pouco de todos nós. Mas é sobretudo deles.

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E é isto

por João André, em 10.07.16

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A França rende-se

por João Campos, em 10.07.16

... ao Éder. E pronto, é isto.

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Comentários a quente: Portugal - França

por João André, em 10.07.16

8' - Porrada no Ronaldo. Era falta clara, mas enfim.

10' - Alguém precisa de mudar a roupa interior do Pepe.

14' - Portugal quer embalar mas parece adormecido. Os franceses estão a jogar a outra velocidade.

16' - Acabou o europeu do Ronaldo. Lá se fez o jeito aos franceses.

21' - Ainda está em campo. Se aguentar até ao intervalo talvez venha a agulha. E os primeiros 3 meses da próxima época vão ao lixo. Se se aguentar e contribuir, creio que o Ronaldo se esteja marimbando.

23' - Não aguentou. Há Schadenfreude por esse mundo fora.

28' - Quaresma na teoria faz sentido. Mas para quem vai ele cruzar? Para o João Mário?

33' - O nosso Ronaldo para o resto do jogo terá de ser o Rui Patrício.

34' - Era de facto amarelo para o Cédric. Mas onde está o do Payet?

36' - José Fonte é o nosso Iniesta. Numa frase explicado Portugal neste Europeu.

41' - Tacticamente a equipa está mais equilibrada. Quaresma e Nani estão a esticar a defesa francesa no contra-ataque. O reverso da medalha é que os franceses estão menos cautelosos.

45' - Cabeçada mútua entre Evra e Quaresma. Já vi piadas étnicas começadas por menos.

 

Intervalo: tempo para comer qualquer coisa.

 

51' - Nani: «Toma! Também me pisaram a mim!»

53' - Está na hora da táctica 3x2. Dois jogadores lesionam adversários em sucessão. Primeira falta: deixa passar. Segunda: amarelo. Terceira: vermelho. Isto duas vezes e o jogo passa a ser jogado 9 contra 8. No secundário funcionava.

55' - Umtiti cortou com o nariz... Hmm, isto soa ao início de um livro infantil.

57' - William Carvalho queria ser polícia sinaleiro quando era pequenino.

58' - Só não consigo imaginar William Carvalho em pequeno. O Robin Hood tinha um problema semelhante.

60' - Kingsley Coman entrou. É bom jogador. E tem nome de realizador porno. Esperemos que não nos f...

65 - Quase realizou um. Faltou Viagra ao Griezmann. Felizmente.

68' - Alguém diga ao Quaresma para olhar antes de centrar.

70' - Confesso que tenho já uma entrada pré-escrita com vários palavrões. Deixo que adivinhem que tipo de entrada.

74' - Este Portugal sem Ronaldo é um tigre velho. Grande, ainda bonito, às vezes com mau feitio e capaz de se defender, mas essencialmente sem dentes ou garras...

77' - Há duas versões de Giroud. O Giroud bom e o Giroud mau (isto ainda dá telenovela). Hoje tivemos o Giroud mau. O Deschamps, infelizmente, percebeu isso.

78' - Éder?????? Nãããããããããããããõoooooooooo!!!!!!!!!!

78,5' - Estamos sem ataque que se veja... Porque raio manda o Fernando Santos mais um central francês para o jogo?

80' - Lado bom da lesão do Ronaldo: o João Mário finalmente pode ser visto.

82' - Tacticamente a decisão percebe-se: mandou o Nani para a ala para apoiar o Cédric contra Coman, que Quaresma não andava a ajudar muito. Mas Éder? A senhora da lavandaria aleijou-se?

84' - Bruno Carvalho está a ver este jogo ao som de "Money" dos Pink Floyd.

87' - Éder anda a atrapalhar os franceses. Com a transferência para o Lille, o Fernando Santos deve tê-lo convencido que se naturalizou.

89' - Quaresma demonstra o poder de futebol de rua: estrangula Koscielny e esfrega-lhe a cabeça: «Está tudo bem miúdo, está tudo bem... Mas não digas à tua mãe senão conversamos no fim das aulas.»

91' - Que santo português é São Denis?

93' - Fim do tempo regulamentar. Não sei como, mas os franceses ainda não ganharam.

 

Re-intervalo: E vamos a prolongamento. Porque dois jogos seguidos só com 90 minutos não tem piada.

Para quem tenha curiosidade porque razão me dou ao trabalho (sim, vocês três aí atrás!), isto é porque estou a ver o jogo sozinho. Sem companhia para os comentários da praxe, sofrem os leitores.

 

91' - Eu devia era ir-me deitar. Como se conseguisse adormecer.

93' - Fernando Santos é homem de Fé. Num estádio com nome de santo está a fiar-se nele e nos seus apelidos e em que Éder tenha uma veia de Charisteas.

96' - Estou a ficar tão esgotado como os jogadores. Os comentários tornar-se-ão mais esporádicos. Penso.

104' - O Éder quase marcava. Estou a delirar por causa da ansiedade, só pode ser.

 

Intervalo do prolongamento: É difícil perceber este jogo. A França deveria estar a vencer por uns 4 ou 5 mas Portugal ainda se está a aguentar. Ou os deuses estão connosco ou estão numa de ser mesmo cruéis. Eu inclino-me para o último, depois da lesão do Ronaldo.

Nota extra: depois de revisto, retiro parte do comentário do minuto 8. Não foi realmente falta, penso. Ou poderia ser, mas soft. O que houve, e muito, foi azar.

 

109' - O ÉDER?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?

 

110' - A sério. O Éder? Vou telefonar ao médico que estou mal. Muito mas mesmo muito mal. Mas só depois do fim da alucinação.

112' - Esqueci-me de comentar: o Raphäel Guerreiro demonstrou porque razão era parvoíce ter o Ronaldo a marcar livres.

114' - O William Carvalho fez um pacto com o diabo. É impossível que tanto centro lhe vá parar direitinho.

116' - O Raphäel Guerreiro não tem autorização para estar lesionado. Que vá para ponta-quieta, mas tem de ficar em campo.

119' - Dói-me.

 

122' - EU NÃO ACREDITO!!!!!

 

Fim do jogo. Morri. Até amanhã quando acordar no hospital e me disserem que imaginei.

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Allez, allez

por Teresa Ribeiro, em 10.07.16

Faltam poucos minutos. Nas ruas, quase desertas, o silêncio incha com o calor.  No mini-mercado os empregados, habitualmente palavrosos, fecham-se num mutismo amuado. É que faltam poucos minutos e ainda estão ali. O vizinho do rés-do-chão abreviou o passeio ao cachorro e recolhe-se à pressa. Nem me vê. Em volta os prédios dilatam, cheios de gente. Famílias reunidas em torno da televisão suspendem-se com o coração aos pés, respiração na mão. Ninguém me vê. Só o gato branco, que patrulha a rua em passadas furtivas, me olha expectante, a avaliar se sou um perigo. 

Há cerveja gelada no frigorífico e até champagne. Enchidos, preguinhos, bifanas, coisas de picar. E raparigas de cachecol posto, apesar do calor, e miúdos prontos a alinhar com o pai e o tio e o irmão mais velho nas vocalizações apaixonadas quando a partida começar. Faltam poucos minutos e os principais spots da cidade, de todas as cidades, vilas e lugarejos, estão cheios de gente. Há milhares que nem gostam de bola, mas quem resiste a surfar esta onda que se agiganta? Bora lá!

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Oh la la!

por Rui Rocha, em 10.07.16

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"Material" oficial da página da Ágata. 

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O fracasso disfarçado de sucesso

por Pedro Correia, em 09.07.16

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Outras culturas cultivam o sucesso: nós preferimos cultivar o fracasso. Invejamos os bem-sucedidos, enaltecemos os fracassados. Adoramos tecer loas aos derrotados enquanto dedicamos aos vencedores o nosso mais criativo sarcasmo.

 

Nada como o futebol para tornar isto mais evidente. Cristiano Ronaldo e José Mourinho, dois portugueses cheios de vitórias nos currículos e reconhecidos como triunfadores em todo o mundo, encontram permanentes detractores por cá. Gente que nada conquistou na vida transforma-os em vitalícios sacos de pancada. Ou porque singraram nas carreiras que escolheram ou porque não se deixam abater pelas adversidades ou porque sonham somar novos triunfos às suas galerias de troféus. Ou simplesmente porque não debitam um discurso miserabilista nem andam por aí armados em coitadinhos – gente com sucesso fingindo-se fracassada, outro género que cai muito bem por cá.

Enfim, motivos que noutro contexto social e noutro enquadramento cultural os tornariam figuras de referência entre nós servem muitas vezes só para acirrar animosidades contra eles.

 

E eis que um terceiro português já com sucesso no futebol começa a ficar também no centro de todas as polémicas. Chama-se Fernando Santos e leva pela primeira vez a selecção nacional à final de uma grande competição de futebol sénior disputada fora das nossas fronteiras.

Vai ocorrer amanhã em Paris: é uma proeza inédita para Portugal na modalidade desportiva mais apaixonante do planeta.

Sem o dom da palavra de Mourinho, num estilo bastante mais comedido, Santos disse no entanto algumas frases que deixaram muitos compatriotas a ferver. Não de entusiasmo, como seria compreensível, mas de indignação. "Vamos ao Europeu para vencer", declarou a 17 de Maio. "Só volto no dia 11 [a seguir à final] a Portugal e vou ser recebido em festa", disse a 19 de Junho. “Queremos escrever História”, reiterou sem complexos a 5 de Julho.

 

Foi gozado, ridicularizado, acusado de megalomania. Depois a agulha das críticas virou e passaram a chamar-lhe medroso. Os compatriotas, sempre alérgicos aos vencedores, vaticinaram contínuos desaires à equipa nacional que foram sendo contrariados pelos factos. Quando nada mais havia a apontar, disseram que os jogadores portugueses tinham um jogo “feio” e só superavam obstáculos graças à “sorte”.

O comentador de futebol que ocupa mais tempo de antena no País – e que se distinguiu nas críticas à selecção  desde o primeiro dia – chegou ao ponto de justificar a rota de vitórias portuguesas pela sucessão de “fracos adversários” que tivemos pela frente até às meias-finais (Islândia, Áustria, Hungria, Croácia e Polónia) enquanto enaltecia os franceses, nossos antagonistas na final de amanhã. Esquecendo de anotar as “poderosíssimas” selecções que a turma gaulesa tinha deixado pelo caminho: Roménia, Albânia, Irlanda, Suíça, Islândia.

 

Esta pequena amostra já indicia: se vencer amanhã a final de Paris e trouxer para Portugal um troféu que nunca conquistámos, Santos terá contra si a partir desse momento uma poderosa e sonora legião de inimigos prontos a disparar toda a espécie de artilharia verbal contra ele. Se perder, pelo contrário, contará com a suave benevolência dessa legião.

Às vezes parece mesmo que andamos de passo trocado: quem ganha perde, quem é derrotado acaba proclamado vencedor neste país que durante seis décadas celebrou um terceiro lugar como a maior proeza de sempre e que inventou o extraordinário conceito de “vitória moral”. O fracasso disfarçado de sucesso.

 

Eu troco todo o nosso fantástico acervo de vitórias morais, seja lá o que isso for, pela vitória real de amanhã.

Em França, contra os franceses.

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Frases de 2016 (26)

por Pedro Correia, em 08.07.16

«Já avisei a família que só volto no dia 11 e vou ser recebido em festa.»

Fernando Santos, seleccionador nacional de futebol (19 de Junho)

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Queimando os últimos cautchus*

por João André, em 08.07.16

Analisando o jogo de ontem, aqui.

Prevendo o jogo de domingo, ali.

 

Vendo as asneiras acumuladas, e são muitas, certamente.

 

* - há quem saiba...

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O mundo às avessas

por João André, em 07.07.16

Não houve empate? Como? Como é possível? Vão lá colocar o microfone outra vez no lago, isso deu galo. Onde á que já se viu, ganhar um jogo (um jogo ganho no prolongamento conta como empate, não me lixem, eu marco isto à totobola) neste torneio. Marcar golos e não os sofrer? Não sofrer sequer nos minutos finais no caso de uma vitória? O habitual seria sofrer o 2-1 aos 85 minutos e depois rezar aos santinhos todos para nos aguentarmos. Não dá, este coração não aguenta esta falta de sofrimento. Mais um pouco e deixamos de tocar fado e tornamo-nos todos baptistas, não querem lá ver? Da forma como isto vai ainda ganhamos no domingo, com 3-0 sem espinhas, o défice estrutural desaparece, Sousa Tavares, Rita Ferro ou Rodrigues dos Santos ganha o Nobel da Literatura, Durão Barroso é escolhido para secretário geral da ONU e José Sócrates é canonizado pelo Patriarca de Lisboa que passa a ser o novo Papa sem ter de se tornar o bispo de Roma.

 

Ou então perdemos e fica tudo na mesma.

 

Análise mais a sério aqui.

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Acabei de criar

por Rui Rocha, em 07.07.16

Patriota, subscreve, partilha e junta-te a este movimento em defesa do superior interesse nacional:

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Ai que nervos...

por Rui Rocha, em 05.07.16

Faltam já pouco mais de 24 horas para sabermos a resposta à questão fundamental sobre o nosso futuro: Bale-in ou Bale-out?

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O espírito de Marcoussis

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.07.16

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 (foto Reuters)

Uma das coisas que as grandes competições desportivas têm de positivo é o de serem capazes de retirar os atletas, o público e os dirigentes do seu ambiente normal, transportando-os durante algumas semanas para um outro mundo, onde as picardias internas cedem o seu lugar à boa disposição, aos feitos desportivos, a imagens de extrema beleza, ao espírito de grupo que é criado em torno das respectivas selecções nacionais e, não raro, ao convívio e à confraternização com outros adeptos, com os quais em situações normais não se encontrariam. Salvo um ou outro caso pontual, o ambiente pouco saudável do dia-a-dia desportivo interno, feito de manchetes, mentiras e maus fígados é substituído por uma espécie de détente que se prolongará até ao final da competição e ao regresso dos jogadores às suas equipas para prepararem a nova época de competições.

Nenhum de nós pode neste momento dizer qual será o futuro da Selecção Nacional neste Euro 2016, nem com um mínimo de segurança prever quem sucederá à Espanha como campeão europeu. E, tirando um outro adepto mais estouvado e com ânsias de protagonismo, que sempre os há, parece-me ser relativamente consensual que a maioria dos apoiantes da Selecção em terras gaulesas tem-se portado bem, não criando, nem contribuindo para a sua criação, de situações de violência, por natureza alheias ao fenómeno desportivo e do qual devem ser bem separadas. 

Mas para além desse facto gostaria de aqui registar um outro e, ao mesmo tempo, deixar um repto. Refiro-me à forma calorosa como a Selecção e os jogadores têm sido apoiados, e em particular ao modo como os membros de algumas claques de clubes nacionais têm sido capazes de ultrapassar divergências para em conjunto darem o seu contributo no apoio à Selecção Nacional e a todos os seus jogadores. Para isso, também muito tem contribuído o espírito de união, boa disposição e sã camaradagem que os próprios jogadores e o seleccionador nacional se têm encarregado de fazer transpirar, ignorando as tradicionais rivalidades em prol do grupo e de um objectivo comum a todos. 

Gostaria, por isso mesmo, que este ambiente desanuviado pudesse, mesmo depois de finalizado o Euro 2016 e qualquer que venha a ser o resultado final, ser replicado durante as competições internas, isto é, campeonato nacional e taças. Estou certo que todos teríamos a ganhar desportivamente e em matéria de boa disposição.

Não me canso de ver o espírito, sentido de humor, civismo e respeito pelos adversários que irradia de alguns adeptos e das claques, organizadas ou não, de outras equipas. São muitas as imagens que já vimos e ainda mais os vídeos que se multiplicam nas redes sociais dando conta, por exemplo, do comportamento de irlandeses, galeses ou belgas, em que até os poucos excessos em que incorrem são objecto de imediata reparação. Não fossem as atitudes de alguns, poucos, hooligans ingleses, russos, polacos e alemães, no que será a meu ver mais um problema de cultura e civilização do que excesso de álcool, e teríamos tido um campeonato animado e sem casos.

Se as claques tradicionalmente desavindas dos principais clubes nacionais foram capazes de se unir em torno da Selecção Nacional, também seria bom que recolhendo essa experiência fossem capazes de fazê-lo na frente interna em prol de um desporto mais saudável e de uma competição mais equilibrada. Os líderes dessas claques já mostraram que é possível mudar e fazer diferente.

Seria bom que, de igual modo, os dirigentes se mostrassem à altura desse exemplo e que aproveitassem o "espírito de Marcoussis" para trazer alguma serenidade e sensatez ao futebol nacional que dentro em breve começará uma nova temporada. Se o pudessem começar a cultivar desde já, comparecendo juntos ao próximo jogo de Portugal contra o País de Gales, seria óptimo.

Mas se tal não for viável, então que os responsáveis dos principais clubes nacionais aproveitem para prepararem a nova época, começando por moderarem o discurso inflamado, temperarem os ataques directos e indirectos aos adversários de cada vez que têm um microfone ou uma câmara à frente, denunciarem os seus maus representantes em programas desportivos, transmitirem um módico de temperança para dentro das suas agremiações, evitando o falatório alienado, o discurso folclórico e desbragado e o insulto soez nas redes sociais. Contendo-se e contendo os seus subordinados, a começar pelos técnicos das respectivas equipas, convidando-os a falarem menos de assuntos extra-desportivos e do que se passa na casa dos outros, elevando o desporto e fazendo com que este seja um factor de apaziguamento da crispação dos últimos anos, para a qual, infelizmente, muito contribuíram alguns maus jornalistas, empresários desportivos e agentes políticos. Não se trata de uma qualquer lei da rolha ou de agora passarem todos a ser uns anjinhos, nada disso. A crítica, a competição, são essenciais ao desporto. Trata-se sim de encarar o futebol e a rivalidade entre equipas nacionais com outros olhos, ver a competição com outro sentido de lucidez.

Ter um Presidente da República que é adepto confesso do Braga, um Primeiro-Ministro do Benfica e um Presidente da Assembleia da República do Sporting pode não ser mau de todo. Outros serão adeptos do Porto, da Académica ou do Guimarães. Daí não vem mal ao mundo. A pluralidade é saudável. O que é preciso é ver o lado positivo das coisas, e aproveitar a oportunidade para limpar a casa e organizá-la. Se não der para sermos campeões, paciência. Melhores dias virão. Mas ao menos que Marcoussis sirva de inspiração para alguma coisa. Ainda vamos a tempo.

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Ó Pátria sente-se a voz

por José Navarro de Andrade, em 03.07.16

Foi necessário chegar ao 9º penalty para resolver a 2ª Final Autêntica do Euro 2016 entre a Itália e a Alemanha. A 1ª Final Autêntica fora o Itália-Espanha em que o campeão europeu em título acabou derrotado pela Itália. Compreende-se porque tanto demoraram agora os fados a encontrar um vencedor: primeiro porque ninguém merecia ter perdido, mas, sobretudo, porque cada um dos marcadores de penalties tremeu ao ver que tinha pela frente o melhor guarda-redes do mundo, fosse ele Neuer ou Buffon. De modo que 4 rematadores italianos, contra 3 alemães, cederam à responsabilidade cósmica que lhes apertava o coração – como moribundos hão-de ter revisto a vida diante dos olhos nos segundos em que corriam para a bola …
No assim chamado “tempo regulamentar” a titanomaquia ficou filosoficamente indecisa entre o realismo de Maquiavel dos italianos e o determinismo de Schopenhauer que motivava os alemães. Sucedeu isto porque, durante o jogo, os 21 algoritmos de calções que evoluíram em campo mostraram-se incapazes de falhar, mesmo quando o cansaço lhes tolhia os movimentos, provando que o binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo. O 22º jogador foi Buffon, que se comportou com o panache a grandeza de um doge veneziano, fiel depositário do ceptro recebido de Pirlo (o melhor meio campista de sempre da história do futebol) que por sua vez o herdara de Maldini (o melhor defesa esquerdo da história do futebol).
Agora na meia-final, em boa verdade a 3ª Final Autêntica, os alemães enfrentarão das duas uma: ou os anfitriões franceses que têm revelado pouquíssima vontade de serem mansamente cornudos – em futebolês, como é óbvio – como o original Anfitrião de Molière, ou o prolongamento da saga nórdica lavrada em runas de fogo pelos vulcânicos islandeses.
De qualquer modo tudo isto são péssimas notícias para a Pátria, a nossa. Portugal tem que ganhar com veemência e larga margem a Gales. Se fizer mais um daqueles jogos sofridos, manhoso como um lavrador beirão, sonso como uma tia de Cascais e entregue aos azares de uma biqueirada cega, sem estatísticas que ratifiquem a vitória, chegaremos à final como a mais negra e ronhosas das ovelhas de que haverá memória em torneios futebolísticos e seremos execrados por milhões em todo o mundo a rezarem pelo nosso justo esmagamento. Da pele do “orgulhosamente sós” nunca nos conseguimos livrar por completo, é verdade, mas é escusado encasquilharmo-nos ainda mais nela.

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O Europeu dos pequeninos

por João Campos, em 01.07.16

Ouvi muita gente dizer que um Europeu de Futebol alargado a mais equipas - com a qualificação a abrir portas a selecções que em circunstâncias normais (o que quer que isso signifique) não chegariam à fase final - iria tornar o torneio num "passeio" para as equipas maiores, que teriam pela frente adversários teoricamente mais fracos. Entretanto, desde que o Europeu começou vimos a Croácia a classificar-se em primeiro num grupo com a Espanha e a República Checa; Gales a ultrapassar a Espanha e a Rússia; a Islândia e a Hungria a empurrarem Portugal para o terceiro lugar do grupo que todos diziam ser o mais fácil. E a coisa não acabou aí: nos oitavos de final vimos a Islândia a eliminar a Inglaterra e - hoje mesmo - Gales a mandar a favorita Bélgica para casa (e, enfim, temos visto Portugal a tropeçar até à meia-final, uma proeza que parece desafiar vários princípios da física, da biologia e, enfim, da sorte em geral). Não sei o que pensam agora aqueles que diziam que as equipas pequenas enfraqueciam a competição; sei, sim, que tenho gostado mesmo muito de ver as equipas pequenas a fazerem jogos espantosos e a alcançarem resultados inimagináveis há um mês. 

 

(agora é torcer para que a Islândia, certamente a jogar contra duas equipas, consiga a proeza de eliminar a França.)

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Estava escrito

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.06.16

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 Desde que foram convocados que se sabia qual seria o desfecho.

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Análise: Portugal - Croácia

por João André, em 27.06.16

Antes de mais: esta é uma semi-análise dado que não consegui ver a primeira parte. Da mesma forma não fiz qualquer análise do Portugal - Hungria onde só vi os últimos minutos.

 

Quero começar com uma confissão: quando a Croácia beneficiou de um pontapé de canto perto do fim dos 90 minutos, dei por mima  pensar: «marquem pel'amor de tudo o que vos é sagrado». E não era necessariamente um pensamento dirigido a um eventual contra-ataque português.

 

O jogo será definitivamente arquivado com a etiqueta "jogo muito táctico" mas deveria levar coma bolinha vermelha de "aconselhável apenas a pessoas com insónias". Analisar a táctica é simples e complicado. Simples porque pouco houve a analisar. Complicado porque é difícil explicar táctica quando as duas equipas se anularam.

  

 

 

 

Também aqui.

Leitura complementar: um problema chamado Ronaldo.

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Sair da casca

por João Campos, em 26.06.16

Na RTP, promove-se a partida entre a Inglaterra e a Islândia a dizer algo do género (cito de memória): "afinal, a Inglaterra não quer sair do Euro, mas a Islândia é a favor do Brexit." Há dias, durante o jogo que opôs as selecções da Rússia e de Gales, um dos comentadores contou a história de uma actriz pornográfica que teria oferecido a um dos jogadores russos 16 horas de sexo se ele marcasse aos galeses (não marcou, evidentemente, o que só torna a cuscovilhice mais divertida). No mesmo jogo, perante a imagem de um adepto de Gales a chorar, comentou-se que ele (o adepto) ou estaria emocionado pela prestação da equipa, ou talvez tivesse apenas constatado que já não tinha trocos para a cerveja. E estes nem foram casos isolados: nos trechos promocionais dos jogos que transmite têm imperado os trocadilhos (muito secos, admita-se, mas ainda assim), as alusões humorísticas a algum contexto da actualidade, e os comentários durante as partidas têm sido marcados por inúmeras piadas e referências no mínimo invulgares às equipas, aos jogadores, aos treinadores, aos adeptos ou a outra coisa qualquer que passe pela cabeça dos comentadores de serviço.

 

É impressão minha, ou isto do europeu de futebol deu a volta ao miolo da emissora pública? Enfim, se deu, então já não era sem tempo, como se costuma dizer. Nestes dias tão sisudos é salutar ver a RTP a sair da casca e a adquirir sentido de humor. Esperemos que seja para manter, e que não se resuma a um epifenómeno suscitado por um torneio de futebol. 

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Verde-água

por Sérgio de Almeida Correia, em 23.06.16

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(Max Rossi/Reuters)

E lá passámos aos oitavos de final do Euro 2016. Depois de tantos apertos, durante mais três dias, vai ser possível recuperar energias, secar os microfones que foram ao charco e dar algum trabalho aos barbeiros. Após o jogo de ontem com a Hungria, é caso para dizer que o melhor do jogo, tirando aqueles três golos que a Selecção Nacional alcançou em momentos de inspiração de Nani e Ronaldo, foi o apito final do árbitro.

É certo que se tratou de uma qualificação sofrível, alguns dirão "merdosa", tal a forma como foi conseguida por uma selecção que reclama ser uma das melhores do mundo e arredores e ainda surge como a sexta classificada, salvo erro, no ranking da FIFA. De parecido com a forma como esta qualificação foi obtida só estou a ver a vitória da Porsche nas 24 Horas de Le Mans do passado fim-de-semana. Isto é, ao cair do pano, a minutos do fim e na sequência dos percalços dos adversários.

Para quem depois do primeiro jogo, com a habitual cagança, dizia que a Islândia não tinha futebol para estar em França e ia ser corrida na fase de grupos, só apetece dizer que nós nem à Áustria conseguimos ganhar. Convenhamos que com o grupo que nos calhou em sorte, com tantas estrelas no plantel, o senhor engenheiro devia ter feito muito melhor.

O seleccionador nacional e os jogadores terão no próximo sábado, frente à Croácia, uma oportunidade para se redimirem do que fizeram na frase de grupos. A Croácia é uma selecção que joga um belíssimo futebol - a Espanha que o diga -, tem jogadores de uma excelente craveira técnica e tanto é capaz de jogar aberto e com velocidade como esperar por uma jogada de contra-ataque para arrumar com o jogo. Portugal tem atributos que não nos deixam atrás. Daí que seja tentado a dizer que o que irá fazer a diferença no próximo jogo, mais do que a sorte, será a inteligência, o acerto no passe e nas marcações e a confiança na hora do remate.

Penso que Fernando Santos já terá feito todas as experiências necessárias, assim o espero, e neste momento a constituição da equipa não deverá oferecer dúvidas. Rui Patrício, apesar das suas habituais limitações, tem estado bem e não foi ele quem comprometeu, apesar de no jogo com a Hungria me ter parecido que por duas vezes se fez demasiado tarde à bola. Ou não viu a bola partir ou está a precisar de mudar as lentes. De qualquer modo é para continuar. E a defesa que ontem jogou no essencial deverá manter-se. No essencial porque se Eliseu voltar ao banco ninguém se espantará. Ontem, por duas ou três vezes lançou-se no ataque desguarnecendo o seu sector. Quando isso aconteceu procurou recuperar, mas valeu que foi sempre convenientemente dobrado. Eliseu é um poço de força, mas esta não é a maior amiga do talento e da classe. Vieirinha pode fazer muito mais e melhor. Os centrais estiveram num nível superior ao dos jogos anteriores, não obstante as dificuldades que Ricardo Carvalho tem em disfarçar os anos que leva em cada perna.

A exibição de ontem voltou a mostrar as insuficiências da equipa e a falta de inteligência e eficácia no miolo. William Carvalho continua a ser um jogador desengonçado, que tem dificuldade em fazer passes à flor da relva, levantando muitas vezes a bola sem qualquer sentido, no que está bem acompanhado por Pepe. Ambos falham passes e  comprometem sem jogadas sem necessidade e apenas porque não pensam. Carvalho defende melhor do que ataca, o que pode ser um problema quando se precisam de golos como de pão para a boca. André Gomes é um jogador de muita classe, só que também ainda não conseguiu encontrar o equilíbrio. Frente à Hungria voltou a falhar passes mas ficou com o mérito de ter sido o primeiro a fazer um remate digno desse nome à baliza adversária. Pode fazer muito mais e seria bom que o fizesse rapidamente. Moutinho entrou claramente em fase descendente e é hoje a sombra do excelente jogador que foi. Falha passes como se fosse um William Carvalho, falta-lhe pulmão, está lento, sem ritmo. Deve ficar no banco. Renato Sanches já devia ter merecido mais minutos nos jogos anteriores. Perdeu uma bola junto à linha lateral que não podia ter perdido, mas bolas como a que perdeu também já as vimos Ronaldo, Nani, João Mário e Quaresma perderem, não tendo estes sido alvo da chacota que aquele mereceu nas redes sociais. Ontem pediu muitas vezes a bola sem que esta lhe fosse passada, já que João Mário e William Carvalho preferiam jogar entre si e ignorar o companheiro que pedia a bola. Quando pôde, Renato Sanches mostrou que fazia a diferença, quer a atacar quer a defender. Os aplausos de Ronaldo às suas aberturas não levantam dúvidas sobre o seu valor, já que os fora-de-jogo não são da sua responsabilidade. João Mário esteve francamente melhor do que nos jogos anteriores, embora não tenha mostrado ainda ser o jogador que o seu clube apregoa. Danilo foi apenas mais um, enquanto lá na frente Nani, Ronaldo e Quaresma estiveram bem. Ronaldo não jogou pior nem melhor, simplesmente não teve o azar dos jogos anteriores. Concretizou, cumpriu marcou dois golos, não se lhe pode pedir mais. Pareceu estar mais concentrado e isso é bom. Nani dá a ideia de se cansar depressa, havendo momentos em que desaparece do jogo. Quaresma merece a oportunidade de ser titular contra a Croácia paras se ver se rende mais quando os outros também estão frescos. Tanto ele como Renato Sanches criam muitos problemas aos adversários e é um desperdício deixá-los no banco durante a primeira parte dos jogos.

Um ponto que Fernando Santos deverá rever é a marcação de livres. Como há dias era sublinhado numa estatística, Ronaldo não consegue marcar um golo de livre. Ultimamente são mais as vezes que lhe saem mal do que aquelas em que a bola vai à baliza com perigo. Talvez não fosse mau de vez em quando dar oportunidade a outros para marcarem os livres. Podia ser que se perdessem menos bolas para as bancadas.

Vamos, pois, aguardar, fazendo votos de que a exibição verde-água de ontem possa dar lugar a um jogo exuberante, com raça e inteligência. Um jogo vermelho-vivo, cor de fogo, que nos catapulte para os quartos de final. Como se exige e se espera de uma grande equipa que prometeu mundos e fundos aos seus adeptos. 

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A mensagem do Mister

por Rui Rocha, em 22.06.16

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Análise: Portugal - Áustria

por João André, em 20.06.16

Também aqui.

 

Mais um jogo, mais uma oportunidade perdida de vencer. Portugal jogou melhor que contra a Islândia (parcialmente porque os austríacos jogaram mais abertos) e criou suficientes oportunidades, mas continuou a não conseguir concretizar. Cristiano Ronaldo perdeu diversas oportunidades mas, mais que aquelas que falhou, notou-se que não está ao seu melhor do ponto de vista físico. As mudanças de jogadores tiveram alguns pontos positivos mas talvez pudessem ter sido outras. Portugal acaba por ficar quase obrigado a vencer contra a Hungria (líder do grupo) para poder garantir o apuramento.

 

 

 

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Chamem os madeireiros

por João Campos, em 19.06.16

Diziam as más-línguas que a equipa enviada por Portugal ao Euro 2016 era a selecção do empresário Jorge Mendes. Nada mais falso. Como se viu por estes dois jogos, esta é antes a selecção da Portucel.

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Não me foi possível fazero comentário em directo ao jogo aqui. Deixo os comentários (bocas) que ia fazendo no meu Facebook (só a partir do intervalo), com o momento aproximado.

 

Intervalo: Digam à embaixada em Madrid que o cidadão Cristiano Ronaldo está desaparecido. Aquele em França é um impostor.
Ou então é da loja dos 300. Se virmos a etiqueta diz "Crostiano Ranoldo" ao lado de "Neki".

 

50' - Era para isto que se insistia no Quaresma?

70' - Estatisticamente o Ronaldo já devia ter mais golos de livres directos.

77' - Se o Ronaldo tivesse outro neurónio seria o melhor jogador de todos os tempos.

80' - Case in point...

81' - Acho que até o que tem meteu férias.

83' - Jogo fabuloso: André Gomes.
Jogo excelente: William Carvalho.
Jogo muito bom: Raphaël Guerreiro, Ricardo Carvalho.
Jogo bom: Rui Patrício e Nani.

Os outros... Enfim, de sofrível a mau.

88' - Rafa Silva a 2 minutos do final? Deve ser para queimar tempo.

89' - Olha o Éder. Os austríacos estavam de facto a precisar de mais um central.

94' - O João Moutinho deve ter feito um time share daquele espaço no meio campo. E o Fernando Santos é o agente.

 

Fim do jogo - Isto é tudo estratégia. Ganhar o grupo dá Bélgica. Segundo dá Gales ou Eslováquia. "Tou-te a topar..."

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Análise: Portugal - Islândia

por João André, em 15.06.16

Mais comentários ao Europeu aqui.

 

O jogo de ontem fez-me lembrar frequentemente o único outro que vi até agora de princípio ao fim: o Bélgica-Itália.

 

Uma selecção apresentou-se como equipa, com o seu melhor jogador a não ser mais que uma peça extra e apenas mais um homem no sistema. A outra apresentou-se como uma colecção de indivíduos em que um deles é visto como superior aos outros. A diferença em relação ao outro jogo é que as peças individuais do onze que se apresentou como equipa não têm a mesma qualidade. Por isso o jogo terminou com um empate em vez de uma vitória da equipa em vez da colecção de indivíduos.

 

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Prato requentado

por Sérgio de Almeida Correia, em 15.06.16

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"Não fizemos um jogo brilhante mas sim um jogo médio-baixo. Faltou-nos uma melhor decisão no terço final, nos cruzamentos e nas acelerações do jogo. Tínhamos obrigação de fazer mais porque tínhamos de desestabilizar a Islândia jogando [nas] entrelinhas e com acelerações de jogo" - Fernando Santos 

 

O Pedro Correia já aqui referiu a apatia manifestada em Saint-Étienne pelos portugueses que ali se deslocaram para apoiarem a equipa das quinas. Eu acredito que se não tivéssemos a comunicação social que temos, que delira antes dos jogos de cada vez que um técnico ou jogador estrangeiro diz que Portugal é uma equipa muito forte e que os seus jogadores são os melhores do mundo, e que se não se vivesse tanto o jogo virtual, como se fosse o real, fazendo do futebol a panaceia de todas as nossas desgraças, talvez fosse mais fácil ter outra atitude em campo e se tornasse desnecessário o seleccionador nacional vir dizer o óbvio.

Quem em casa já tinha visto correr irlandeses, polacos, galeses, belgas, suíços ou húngaros, só para dar alguns exemplos, estaria seguramente à espera que a Selecção Nacional tivesse entrado no jogo com a Islândia com outra garra, com outra precisão no passe, outro fulgor no remate, não perdendo infantilmente bolas pela linha lateral, não atirando bolas de qualquer maneira para as bancadas, demorando menos tempo a armar o remate na hora da verdade, adornando menos os lances junto à área adversária, jogando mais pela relva e menos pelo ar, discutindo menos as decisões dos árbitros, enfim, não se deixando cair ao mais leve toque e, em especial, não se mostrando fiteiros e afastando-se da imagem de que estão sempre à espera do apito do árbitro para assinalar uma falta muitas vezes inexistente.

Fernando Santos tem a noção dos problemas e das dificuldades, mas parece que não conseguiu transmitir isso aos seus (nossos) jogadores. Em todo o caso, será bom dizê-lo, a equipa é a de todos nós. As escolhas é que são as dele e, pelo que se viu, as de ontem não terão sido todas as mais acertadas. Todos têm momentos menos felizes e esperamos que o de Fernando Santos se tenha esgotado já. Muitos jogadores estiveram abaixo daquilo que é normal, mas de outros todos temos a noção de que não é expectável que possam vir a render mais, seja pela falta de jeito ou pela má época que fizeram, compreendendo-se mal como puderam ter sido primeiras escolhas.

De qualquer modo, nada está perdido. Não se faça do resultado de ontem um drama, já que esta também não é a primeira vez que as coisas não começam tão bem como o desejado. E espera-se que já no próximo sábado se endireitem, que não falte uma voz forte nas bancadas e que o treinador e os jogadores sejam capazes de rectificar o que de mal fizeram no jogo com a Islândia, deixando uma melhor imagem e assumindo um estatuto mais adequado aos seus pergaminhos, às promessas que nos foram feitas e às expectativas que legitimamente todos temos. Quanto mais não seja pelo tempo de antena e espaço nos jornais que lhes tem sido dado. E, por favor, não queiram fazer de Ronaldo o patinho feio. Uma equipa faz-se de onze jogadores e os que começaram o jogo no banco também contam, ainda que as suas tatuagens, os seus tiques ou os penteados que exibem não sejam os mais populares.

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Pré-Visões do Euro 2016 - Portugal (2)

por João André, em 08.01.16

Fazer previsões sobre o desempenho específico de Portugal é naturalmente difícil a pouco menos de 6 meses de distância. As considerações que fiz sobre as outras equipas dirigiram-se a ideias gerais, sem especificar que jogadores serão chamados, quem estará em forma ou lesionado ou se haverá ainda outras circunstâncias que condicionem uma participação. Isto é tão óbvio que não deverá suscitar contestação. Ainda assim tentarei deixar algumas ideias gerais.

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Pré-Visões do Euro 2016 - Portugal (1)

por João André, em 06.01.16

Quando a qualificação começou, o onze inicial de Portugal poderia ser adivinhado pela maioria. Era um onze experiente mas pouco rodado. Paulo Bento é uma criatura de hábitos e gosta de utilizar os jogadores que lhe deram garantias no passado. Como se viu no início, isso não chegou. Uma derrota em casa com a Albânia fez saltar Paulo Bento e chegar Fernando Santos. Na altura (como o indiquei aqui no blogue), achei que era uma má escolha. Não tanto pelas qualidades técnicas mas essencialmente pelo castigo de 8 jogos que pairava sobre Santos. Dei a minha opinião - que reitero agora - que um seleccionador não pode estar fora do banco por demasiado tempo, dado que o seu trabalho enquanto treinador é limitado. Felizmente o castigo foi reduzido para dois jogos e os estragos foram assim mais limitados.

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Por motivos pessoais não me foi possível ir escrevendo a parte relativa a Portugal até agora. Retomo as minhas reflexões com o texto abaixo. Devido à sua extensão será necessário clicar em "Ler mais" para o resto.

 

Portugal chega a este Europeu em condições diferentes das de anos passados. A "geração de ouro" está completamente reformada e apenas um sucedâneo da mesma sobrevive em Ricardo Carvalho. Esta equipa verá Cristiano Ronaldo chegar ao Europeu já com 31 anos, longe dos 19 aquando do seu primeiro, em solo português em 2004. Foi também nesse ano que Portugal chegou mais longe em competições internacionais, com o segundo lugar, marcando o ponto máximo em termos de classificações da selecção portuguesa. Do meu ponto de vista não foi, no entanto, a melhor prestação. Abaixo analiso os últimos 20 anos de Europeus.

 

 

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Pré-Visões do Euro 2016 - Restantes

por João André, em 22.12.15

Depois dos favoritos, dos potenciais e dos chatos chega a vez dos outros, aqueles que vão ao Euro para fazer figura de corpo presente, sonhar com um empate ou até uma vitória e que só em casos excepcionais conseguem mais do que retirar um pontinho às outras equipas. Não quero ser injusto: alguns deles poderiam merecer lugar noutra das listas. A Grécia em 2004 possivelmente cairia aqui. Nada impede que a campanha de uma destas equipas se torne excepcional, mas à partida isso não sucederá.

 

Albânia

Enfrentaram Portugal duas vezes e não me importaria que repetissem a dose em França. Irão provavelmente jogar de forma defensiva, de tracção atrás e tentando os contra-ataques rápidos como no golo que marcaram a Portugal. São, à excepção de um ou outro jogador, excessivamente tenrinhos e provavelmente sofrerão. Estarão felizes de ali estar e isso provavelmente levará a entusiasmo a mais. Lorik Cana tem experiência do futebol italiano e deverá organizar a defesa. No meio-campo veremos o irmão do Síço Granit Xhaka, Taulant, ambos nascidos na Suíça. Estes serão os nomes mais conhecidos da equipa que depende de alguns elementos da diáspora para compensar a falta de experiência. Um dia os albaneses poderão ser um nome de maior peso, mas para já vão essencialmente participar para mostrar a bandeira.

 

Hungria

Esta não é a Aranycsapat dos anos 50. Nem sequer uma das sólidas equipas do passado mais recente. É uma equipa de jogadores que teriam dificuldade em entrar na maioria das outras selecções. No entanto, treinada pelo alemão Bernd Storck, a Hungria ultrapassou estes obstáculos para se qualificar para o Europeu. Não será um sinal de ressurgimento deste país no panorama futebolístico europeu (é justo reconhecer que provavelmente não se teriam qualificado no formato anterior) mas demonstra que o espírito de grupo, a coragem e a sorte também têm o seu lugar (por exemplo no play-off com a Noruega). Os nomes mais conhecidos serão Ádám Bogdán (suplente no Liverpool), Gábor Király (o velhinho guarda-redes), Zoltán Gera (agora com 36 anos, chegou a jogar no Fulham), o capitão Balázs Dzsudzsák (andou pelo PSV, na Holanda) e Ádám Szalai (que fez nome no Mainz na Alemanha). Será difícil avaliar aquilo que pdoerão atingir, mas certamente que um ou dois pontos seriam já razão para alguma satisfação.

 

Irlanda do Norte

Venceram inesperadamente o grupo teoricamente mais fraco, mas também o mais equilibrado. Isso pode não dizer muito da sua qualidade mas garante mentalmente estes irlandeses do norte da ilha são bastante fortes. Também aqui estrelas são poucas ou nenhumas. O nome mais conhecido será Jonny Evans, central formado no Manchester United, durante muito tempo considerado o sucessor de Ferdinand, mas agora despachado para o West Bromwich Albion. Para lá de Evans será possível reconhecer Roy Carrol agora com 38 anos, que em tempos também andou pelo Manchester United (emora não muito a titular). Há depois alguns jogadores a alinhar nas Premier League inglesa e escocesa, com os outros em equipas de menor dimensão. Não os conhecendo bem, corro o risco do estereótipo. Praticarão um futebol à inglesa, durinho, forte, directo e fundamentalmente pouco adequado a um torneio destes. A minha espectativa? 3 derrotas e um goleada. Os adeptos irão no entanto divertir-se.

 

Islândia

Qualificaram-se à frente de República Checa e Turquia no grupo e no entanto coloco-os mais abaixo deles nas minhas expectativas. Isto resulta da sua muito pouca experiência e do futebol pouco adequado a um Euro jogado no Verão. Têm em Guðjohnsen o seu jogador mais conhecido e em Sigurðsson o melhor da actualidade. Em Finnbogason têm um avançado com experiência de melhores ligas (espanhola, holandesa e grega) e depois mais um ou outro em equipas de segunda linha. Do que lhes vi na qualificação, beneficiram de ser uma equipa com entusiasmo, solidária, e beneficiaram da sorte. Esta não estará excluída em França, mas provavelmente será menos importante. Ainda assim, se apanharem o adversário ideal, poderão surepreender alguma equipa.

 

República da irlanda

Mais uma equipa britânica a chegar inesperadamente à fase final. A Irlanda foi, nos tempos de Jack Charlton, uma equipa sólida com alguns bons jogadores que desequilibravam. Hoje em dia tenta manter-se solidária, disciplinada e esforçada, esperando que algum dos jogadores tenha um rasgo de sorte e mude o jogo. Foi assim que surpreenderam a Alemanha e que foram conseguindo ir obtendo uns resultados esforçados que os levaram ao play-off com a Bósnia e Herzegovina, o qual venceram de forma algo surpreendente. Os melhores jogadores serão James McCarthy, Aiden McGeady e Shane Long, sem esquecer os veteranos John O'Shea e Robbie Keane. É uma equipa onde os jogaodres frequentemente têm melhores desempenhos que nos seus clubes e praticam um futebol pouco complicado. Em Martin O'Neil têm também um excelente treinador que os organiza perfeitamente e extrai o máximo daquilo que podem dar. Num grupo com equipas baixas e mais fracas poderão obter um ou outro ponto em resultado do jogo musculado, remates de longe ou bolas paradas. Mais que isso não deverão conseguir.

 

Roménia

Mais uma equipa vinda do mais fraco grupo de qualificação (e que beneficiou do colapso da Grécia). Jogadores conhecidos são poucos: Răzvan Raț (o capitão), Săpunaru (que passou pelo FC Porto), Chiricheș e Torje (que passaram por ligas de peso), e os guarda-redes Tătărușanu (Fiorentina) e Pantilimon (que andou no banco do Manchester City). Há alguns jogadores a emergir nas camadas jovens (incluindo o filho de Gheorghe Hagi), mas é ainda cedo para terem um impacto. Vale-lhes terem ainda Iordănescu como seleccionador e figura tutelar da equipa (foi o responsável pela grande equipa romena dos anos 90) para equilibrar, mas este será um torneio para marcarem presença e (re)ganharem experiência.

 

Em resumo: nenhuma destas equipas é uma imediata candidata e as suas probabilidades serão baixas, mas nas condições ideais - atingido o pico de forma, uma ou duas exibições perfeitas moralizadoras, falta de pressão, sorte, etc - poderão levar a que cheguem longe e, excepcionalmente, vençam o torneio. É também muito provável que uma destas equipas seja a principal desilusão. Mas na maior parte dos casos será divertido vê-las jogar.

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Pré-Visões do Euro 2016 - Chatos

por João André, em 21.12.15

Nesta lista colocarei aquelas equipas que, não sendo candidatas nem tendo sequer a capacidade para, em condições especiais, vencerem a competição, são daquelas que chateiam e, em um ou dois jogos, poderão eliminar favoritos. Nalguns casos será pelo poder das suas estrelas, noutros pelo colectivo. Em qualquer deles serão incómodos caso não impludam (e isso sucederá com alguns deles).

 

Eslováquia

Apesar de ter jogadores conhecidos como Škrtel e Hamšík, a grande força da Eslováquia é o seu colectivo. Deram muitos problemas à Espanha no início da qualificação com a sua capacidade de jogarem compactos e com entreajuda. Têm um conjunto de jogadores secundários com alguma qualidade em Hubočan, Weiss, Kucka, Nemec ou Stoch e podem assustar. Não irão provavelmente muito longe - passar a fase de grupos seria um sucesso - mas farão a vida difícil a alguns adversários.

 

Gales

É uma equipa cujo sucesso depende essencialmente da sua estrela: Gareth Bale. Felizmente para eles, Bale poderá beneficiar muito de Gales ser uma equipa que terá de defender com frequência e atacará essencialmente em velocidade. Bale será quase inigualável na sua capacidade de fazer longos sprints em velocidade e apoiado também em grande força física. A sua capacidade de atirar de distância também ajuda e não é por acaso que marcou 7 dos 10 golos da equipa na qualificação.

A equipa depende muito de uma defesa que defende atrás com a presença sólida se pouco espectacular de Williams e Davies e com Joe Allen e Aaron Ramsey no meio campo. O resto da equipa é medíocre, mas um contra-ataque galês conduzido por Bale poderá descarrilar a campanha de qualquer favorito.

 

República Checa

Mais uma equipa que se apoia na solidez. Tanto que a estrela é o guarda-redes Petr Čech. Dos restantes jogadores ainda se destaca o nome de Tomáš Rosický e poderemos reconhecer Gebre Selassie, Pilař, Kalas ou Necid. A verdade é que é uma equipa que depende enormemente não só das defesas de Čech como na sua voz de comando - dentro e fora do campo. No ataque não ameaçarão (poderão causar problemas em bolas paradas às equipas mais baixas) mas serão difíceis de quebrar defensivamente.

 

Rússia

Talvez alguns colocassem os russos no patamar acima, no de potenciais. A verdade é que os russos têm ainda um futebol excessivamente insular para dar o passo seguinte. Os jogadores ficam demasiado tempo na Rússia e são pouco expostos aos estilos do resto da Europa. Depois da modorra de Capello, Leonard Slutsskí revitalizou a equipa e fez os jogadore mais confiantes e capazes de jogar melhor futebol. Um dos problemas da equipa é o seu relativo envelhecimento: têm jogadores como Ignachevitch, Berezutski (ambos), Chirokov, Denissov, Jirkov ou Kerjakov que estão já nos seus 30 e não viram a sua geração renovada. Por outro lado ainda faltam jogadores mais jovens e só agora jogadores como Tcherichev, Dzagoev, Chtchenikov, Dzíuba (nenhum deles assim tão jovem quanto isso) começam a ter a sua oportunidade.

Em teoria esta seria uma equipa capaz de competir com qualquer adversário, especialmente quando lhe adicionamos Akinfeev, mas até este último sofreu por ter ficado apenas na Rússia: tivesse ele sido exposto a outras escolas e talvez falássemos dele como outro Neuer. É uma equipa com potencial para incomodar muito, mas provavelmente não mais que isso. No final, a veterania de uns e a falta de experiência de outros acabará por falar mais alto.

 

Suécia

Um nome: Zlatan Ibrahimović. Isto basta para que qualquer equipa encare um jogo com os suecos com cuidado. Não haverá muitos jogadores no mundo tão capazes de inventar um golo do absoluto vácuo como Le Zlatan. É também a personalidade mais divertida na competição e uma lufada de ar fresco ver como não se leva a sério a si mesmo.

Infelizmente o resto da equipa é relativamente medíocre, mesmo que relativamente sólida. Possuem os tradicionais centrais altos, forte e lentos, os médios altamente trabalhadores e os jogadores capazes de trabalhar para as estrelas. Quando enfrentarem algumas equipas poderão ser mesmo muito chatos, especialmente se defenderem muito atrás e usarem as bolas paradas (Larsson e Källström são excelentes nisso). E depois têm Zlatan. Poderão ser uma equipa chata de enfrentar, mas com Zlatan valerá sempre a pena ver os seus jogos.

 

Ucrânia

Iármolenko e Konopliánka: os dois extremos que farão a cabeça em água a qualquer adversário. É por eles que passará qualquer potencial sucesso ucraniano em solo francês. Da restante equipa sobram Piatov, Kutcher, Stepanenko, Ribalka e Kravets. Serão o elenco secundário. O plano será simples: dar a bola aos extremos e esperar que eles inventem golos do nada. É simples mas em certos jogos será provavelmente eficaz.

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Pré-Visões do Euro 2016 - Potenciais

por João André, em 20.12.15

Nesta lista escrevo sobre aquelas equipas que, não sendo óbvias candidatas, poderão surpreender e ir longe na competição ou mesmo vencê-la. Seriam surpresas do mesmo tipo que a Dinamarca em 1992 ou a Grécia em 2004 (ou mesmo a Checoslováquia em 1976). São equipas que precisarão de vários factores do seu lado: nenhuma lesão, as estrelas a atingirem os seus picos de forma, elencos secundários sem falhas e até mesmo a jogarem os jogos da sua vida, um sorteio amigo e, extremamente importante, precisarão de sorte. Contudo, se todos estes factores se conjugarem, poderíamos ter um vencedor completamente surpreendente.

 

Áustria

É uma equipa a que não se costuma dar muita atenção, mas de forma injusta. Qualificaram-se como vencedores de um grupo com Rússia, Suécia e Montenegro (sempre incómodas) e são um grupo sólido e solidário no seu jogo. Não têm grande quantidade de estrelas mas jogadores como Fuchs, Prödl, Arnautović, Harnik e Janko são habitualmente incómodos e têm uma estrela capaz de jogar em meia-dúzia de funções diferentes em David Alaba. É improvável que deslumbrem ou que vençam a competição, mas fazem lembrar certamente a Grécia de 2004 (ou até a República Checa no mesmo ano). Pessoalmente preferiria não os enfrentar.

 

Croácia

Antes de mais nada, a razão para os colocar nesta lista: o meio campo Modrić-Rakitić-Kovačić. Se quiséssemos escolher um meio campo de tecncistas capazes de jogar de forma tacticamente sólida, dificilmente precisaríamos de ir mais além que este trio. Há depois alguns outros bons jogadores na equipa, como Ćorluka, Srna, Lovren, Perišić, Badelj, Kalinić ou Mandžukić. Chegaria para a maior parte das equipas. A grande questão é se Ante Čačić, o seleccionador, será capaz de levar este conjunto de jogadores a atingir o seu potencial.

 

Polónia

Em Lewandowski têm provavelmente o melhor ponta de lança do mundo de actualidade. Um jogador que mistura as qualidades de aríete, finalizador, organizador e pit-bull num só jogador. Em Szczęsny, Piszczek, Glik e Błaszczykowski têm um forte elenco de luxo e em Krychowiak uma parede em frente da defesa. Se a Áustria me faz lembrar a Grécia'04, a Polónia tem laivos da Dinamarca'92, especialmente se Szczęsny controlar as suas tendências para gaffes. Caso se aguentem na retaguarda e Lewandowski chegue saudável e em forma, podem ser uma surpresa.

 

Suíça

O que escrevi acima sobre a Áustria poderia escrever de novo sobre a Suíça. Nos últimos anos e especialmente sob a batuta de Ottmar Hitzfeld, a Suíça progrediu de equipa chata para equipa perigosa e com aspirações a mais. Para isso contribuiu muito a entrada da enorme comunidade de descendentes de imigrantes no país e que deram outro cariz à equipa.

Jogadores como Sommer, Bürki, Schär, Inler, Behrami, Xhaka, Frei ou Mehmedi poderiam ter lugar nos plantéis da maior parte das equipas do mundo. Lichtsteiner, Shaqiri, Drmić ou Rodríguez estarão na antecâmara da "classe mundial". Pessoalmente muito gostava de ter alguns destes jogadores a alinhar por Portugal. O ponto fraco poderá ser o seleccionador Vladimir Petković que chegou ao cargo de forma algo controversa e sofre com as comparações com Hitzfeld. Seja como for, são outra Dinamarca'92 em potência (senão mesmo Checoslováquia'76).

Turquia

Esta equipa anda há anos a pedir para nos surpreender. Formam talentos em série e, quando associados aos jogadores formados na diáspora (especialmente alemã) que trazem a disciplina, podem um dia destes explodir. O principal entrave costumam ser a falta de disciplina (que é compensada com uma paixão enorme) e os conflitos que possam surgir entre as facções religiosa e laica na equipa. Contudo, uma equipa com Turan, Çalhanoğlu, Yılmaz, Şahin e uma série de outros guerreiros e guiada por Fatih Terim (talvez o melhor seleccionador na prova) não pode nunca ser desprezada.

 

Em resumo: nenhuma destas equipas é uma imediata candidata e as suas probabilidades serão baixas, mas nas condições ideais - atingido o pico de forma, uma ou duas exibições perfeitas moralizadoras, falta de pressão, sorte, etc - poderão levar a que cheguem longe e, excepcionalmente, vençam o torneio. É também muito provável que uma destas equipas seja a principal desilusão. Mas na maior parte dos casos será divertido vê-las jogar.

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Pré-Visões do Euro 2016 - Bélgica

por João André, em 17.12.15

A Bélgica é no papel uma das mais fortes selecções que estarão presentes em França. Nomes conhecidos não faltam: Courtois, Kompany, Witsel, Hazard, De Bruyne, etc. Todos estes são nomes que dão garantias, mas a segunda linha não deixa de impressionar.Posição por posição, poder-se-ia fazer uma comparação entre Bélgica e Portugal e só sobrariam Ronaldo e um ou outro jogador luso na combinação.

 

2016 afigura-se então como a grande oportunidade belga para ganhar alguma coisa. A Alemanha e a Espanha não estão tão fortes como no passado e os "diabos vermelhos" estão a entrar na fase de maturidade de alguns jogadores e de explosão das estrelas. Depois da semi-desilusão do Mundial (em que foram eliminados pelo génio de Messi), há a sensação que "desta vez é que é". Há no entanto três pequenos engulhos. Avancemos com eles:

  • O treinador Wilmots é respeitado mas há a sensação que lhe falta o extra táctico necessário para vencer uma competição destas. Para as qualificações isso não é um problema. Há pouco tempo para trabalhar e os mecanismos vêm dos clubes. Já antes da fase final há um mês inteiros para preparar a equipa e Wilmots não parece estar ao nível necessário para o fazer.
  • A fricção entre flamengos e valões. Este é curiosamente um aspecto que Wilmots parece ter conseguido fazer desaparecer (ou pelo menos minimizar). Há no entanto o risco que expluda a qualquer momento.
  • À táctica (relacionada com Wilmots mas não só) falta um defesa esquerdo. Isto pode parecer um pequeno pormenor, mas não o é. No papel a estrela é Hazard, só que na sua posição (ala esquerdo "invertido") ele necessita de um lateral que suba e arraste o lateral, de forma a que Hazard possa flectir para o centro. Vertonghen é habitualmente o lateral esquerdo, mas não sendo mau, o seu instinto não é o de subir, o que o atrasa e permite que a defesa se organize. Este pode parecer um aspecto menor, mas nega à Bélgica aquele que poderia ser o seu melhor jogador. É por isso que Wilmots chegou a experimentar Lukaku (um ponta de lança canhoto) a lateral esquerdo durante o jogo com Andorra. Vertonghen deveria ter um ala esquerdo clássico (canhoto) à sua frente, mas com Hazard o jogo fica demasiado afunilado e a influência da estrela é limitada.

 

Noutros aspectos a Bélgica está extremamente bem equilibrada. Courtois é dos melhores guarda-redes do mundo. Em Kompany e Vermaelen (se saudável) têm uma boa dupla. Alderweireld é sólido na defesa e no ataque a lateral direito. Witsel oferece serenidade, posicionamento e passe, Naingolan corre muito e é sólido em tudo. De Bruyne e Hazard oferecem qualidade, assistências, golos e imprevisibilidade. Mertens e Ferreira-Carrasco dão velocidade e irreverência, Januzaj é o joker e Benteke e Lukaku são os pontas de lança que Portugal mataria para ter. Além disso ainda sobram como reservas Fellaini, Mirallas, Lombaerts ou Dembelé entre outros.

 

Correndo tudo bem, com Vertonghen a cumprir o seu papel, Vermaelen saudável, Hazard a funcionar e bom espírito de grupo, a Bélgica será certamente uma das principais candidatas. Pessoalmente colocá-la-ia talvez acima da Alemanha e Espanha. O Verão nos dirá.

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Pré-Visões do Euro 2016 - Inglaterra

por João André, em 16.12.15

Mais uma competição e mais uma vez o famoso ciclo inglês: criar expectativas, ficar lentamente desiludido com a prestação, reconhecer que a qualidade não é suficiente, ficar deprimido com a selecção. Basta ler os jornais ingleses para perceber que a Inglaterra anda há décadas presa a este ciclo. Vivem da glória do Mundial conquistado em casa em 1966 e com a ilusão que a próxima vitória está ao virar da esquina.

 

Isto esteve mais perto de ser realidade durante a geração de Beckham, Gerrard e outros. Foram derrotados apenas com grande esforço por brasileiros e portugueses em 2002 e 2004, respectivamente, e poderiam ter chegado longe. Hoje, com esses jogadores quase todos retirados ou afastados (apenas Rooney ainda está na selecção, tendo sido o menino prodígio em 2004), as expectativas são mais baixas, mas sobem sempre que um ou mais jovens excitantes começam a desabrochar.

 

Em termos de qualidade pura, a Inglaterra nunca está assim tão mal quanto se possa pensar. Na selecção actual tem um bom conjunto de jogadores. Carrick poderia ter jogado por um Barcelona; Rooney não terá chegado aos níveis que os compatriotas esperavam mas é um jogador excelente; Hart é uma guarda-redes com erros clamorosos ocasionais mas também na categoria imediatamente inferior às de Neuer, de Gea ou Courtois; Sterling, Barkley, Kane, Smalling, Stones, Wilshere (quando não lesionado) e Sturridge são simultâneamente altamente promissores e já temíveis. É uma equipa que, vista jogador a jogador, deveria aspirar pelo menos às meias-finais.

 

O problema é que os ingleses acabam sempre por falhar nas fases finais. As razões não são sempre claras, mas há algumas que saltam à vista. Antes de mais a falta de uma pausa de Inverno (quando jogam de forma ainda mais frequente) que não permite aos jogadores descansarem. Isto torna-se ainda mais premente quanto a Inglaterra gosta de jogar em velocidade. Ainda pior fica o cenário quando os torneios têm lugar no Verão, o que torna o jogo rápido e intenso da Inglaterra mais difícil, especialmente considerando que os ingleses gostam pouco de calor quando não numa praia de Tenerife.

 

O estilo de jogo inglês também é excessivamente simples. Não é coincidência que os jogadores europeus de ligas mais tecnicistas tenham sucesso na Premier League (após um período de adaptação ao aspecto mais físico) mas os ingleses tenham dificuldades no continente. Há muita vocação para o ataque rápido, desenfreado e pouco estruturado e para o jogo "mais com o coração que com a cabeça". Isto é motivado e impulsionado pelos adeptos, que querem um jogo emotivo e menosprezam discussões tácticas. É também o resultado de uma formação muito focada na parte física e pouco nas partes técnica e táctica. Tudo junto forma um estereótipo de jogador forte, rápido, com muito coração mas que não compreende o conceito de "pausa" no meio do jogo: parar e ver.

 

Outros aspectos contribuem: há pouca familiarização dos jogadores ingleses com outros estilos (as equipas na Liga dos Campeões têm poucos ingleses e as da Liga Europa consideram a competição exclusivamente como um fardo senão mesmo um castigo); a pressão exercida é excessiva (Peter Schmeichel foi para o Sporting perto do final da carreira porque queria um ambiente mais calmo); há sempre um circo a rodear a equipa (com WAGs, agentes, televisões, etc); a preparação nem sempre é a ideal; etc.

 

Ignorando este último aspecto, debrucemo-nos sobre aspectos tácticos e de jogadores. Antes de mais o maior problema de Roy Hodgson: não existe um onze ideal na sua cabeça. Existem variações do mesmo, mas ainda há muitas experiências a decorrer, especialmente à medida que jogadores jovens vão emergindo. Há jogadores que serão certos, senão no onze, pelo menos lá perto: Hart, Smalling, Jones, Stones, Clyne, Carrick, Wilshere, Henderson, Sterling, Sturridge, Barkley, Rooney. O problema é quais deles estarão aptos (Wilshere por exemplo está mais tempo lesionado que saudável) e como os integrar. Rooney é o principal problema, uma vez que há a sensação que deve jogar mas nas suas possíveis posições há jogadores mais capazes (Sturridge a ponta de lança, Barkley a "10", Sterling ou Oxlade-Chamberlein nas alas, Henderson no meio campo). Isto leva a um certo desequilíbrio táctico que torna difícil criar uma equipa.

 

Além disso, a relativa juventude (e impetuosidade) de muitos dos promissores jogadores que vão sendo integrados (entre eles Eric Dier, formado no Sporting), torna difícil a adopção de um estilo de jogo mais pausado, o qual é habitualmente mais adequado a estas competições. Também limita as opções tácticas, dada a inexperiência destes jogadores não só em relação aos seus colegas mais experientes como em relação aos outros jogadores jovens de outras partes do continente.

 

Num bom dia a Inglaterra será impossível de parar. Se nesse dia não houver lesionados, o sol não brilhar, a temperatura for baixa e a equipa adversária se atemorizar com a impetuosidade, a Inglaterra pode vencer qualquer um. Num torneio destes esse tipo de dia só costuma aparecer uma vez. A Inglaterra terá qualidade suficiente para sair da fase de grupos, mas provavelmente não mais que isso. E a espera e o ciclo repetitivo conitnuarão.

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Pré-Visões do Euro 2016 - França

por João André, em 15.12.15

Antes de mais e sem rodriguinhos: considero a França a mais forte candidata ao título nopróximo europeu. Faço-o com a consciência que podem sair ao fim de três joguinhos sofríveis e terei depois aqui os leitores a ridicularizarem o meu post, mas também o faço "de peito aberto" para que esta opinião possa ser seguida.

 

Em geral as minhas razões: uma equipa muito forte, com mistura jogadores experientes e jovens; um treinador inteligente e pragmático; um torneio em casa, pouco mais de seis meses depois dos ataques em Paris. Pontos fracos: algumas lacunas na equipa; a por vezes excessiva precaução de Deschamps; e a falta de jogos competitivos.

 

Em relação à equipa, veja-se o seguinte elenco: Lloris (dos melhores guarda-redes do mundo), Sagna, Digne, Koscielny, Varane, Sakho, Zouma, Pogba, Schneiderlin, Cabaye, Matuidi, Kondogbia, Payet, Valbuena, Benzema, Griezmann, Giroud, Martial, Lacazette, Fekir, etc. Há pontos fracos: a alternativa a Sagna a defesa direito é fraca; na esquerda é uma escolha entre o inexperiente Digne e o excessivamente experiente Evra. Há dúvidas no meio campo criativo: Payet, Cabaye ou Valbuena podem oferecer essa opção, mas não é óbvio qual deles o fará e sob que forma (mais livre, mais recuado ou mais avançado, respectivamente). Martial (ou Coman) são excitantes mas ainda tenrinhos a este nível. Benzema poderá estar afectado pelas suas tribulações privadas. Giroud oferece outras opções mas não é o mais temível.

 

Há portanto muitas questões a que Deschamps terá encontrar resposta antes do torneio começar. A preparação poderá no entanto ser uma forma de colmatar essas lacunas e a falta de jogos competitivos. Deschamps sabe treinar e é esse o trabalho do seleccionador antes de um torneio começar. Aqui estará em vantagem a relação a treinadores que são figuras paternas ou motivadores (Wilmots na Bélgica, por exemplo). Os franceses também já demonstraram serem capazes de se exceder perante o seu público (Euro 1984, Mundial 1998) e assim que as coisas se afiguram difíceis lá irrompe a marselhesa no estádio, o que é sempre capaz de galvanizar. Associe-se a isto a ressaca dos ataques em Paris e o apoio à selecção francesa atingirá níveis estratoféricos.

 

Um dos maiores problemas é a tendência para a implosão do grupo. Ben Arfa tem vindo a apresentar-se como opção renovada, mas também costuma trazer tensões. O caso Valbuena-Benzema não está esclarecido. Não há um líder natural no grupo, alguém com a voz de comando presente nos anteriores sucessos franceses (Platini em 84, Deschamps em 98/2000). Falta também uma super-estrela (também Platini em 84, Zidane em 2000 mas essencialmente ausente em 98). Esse papel poderá ser reservado a Pogba, mas este parece ser cada vez mais um super-jogador que não se especializa em nada apesar de ser excelente em tudo. Fekir poderá ser a peça que falta ao puzzle, o que será uma surpresa para quem não o conheça (e ainda traz o bónus de estar lesionado parte da época mas em princípio recuperar perfeitamente a tempo de atingir o pico de forma).

 

É difícil prever o desenho táctico de Deschamps porque não sabemos quais os jogaodres que tem em mente (ou vice-versa: sem saber os jogadores não podemos prever a táctica). Na defesa Varane será quase garantido com boas possibilidades de emparceirar com Koscielny. À direita é Digne e à esquerda a ver vamos. No meio campo Pogba é garantido, mas não sabemos em que funções. Poderá ter Matuidi e/ou Kondogbia por parceiros num meio campo musculado ou Cabaye e Valbuena e/ou Payet num meio campo mais técnico e imprevisível. Benzema poderá ter Griezmann ao lado ou a flanqueá-lo. Neste caso será necessário procurar o outro extremo (Martial, Coman ou mesmo Matuidi seriam opções). Onde Fekir cabe não se sabe. Talvez no ataque ou no topo do meio campo. Depende da táctica.

 

Deschamps poderá ter à disposição variações entre 4-3-3, 4-2-3-1 (com extremos clássicos ou invertidos) ou 4-4-2 (com o meio campo em linha ou losango ou mais flexível). Do meio campo para a frente as opções são imensas. Na defesa Deschamps estará a rezar para que alguns dos seus jogadores permaneçam saudáveis. Seja como for, é esta a minha (pre)visão: Deschamps conseguirá escolher uma equipa equilibrada, irá treinar os jogadores correctamente, uma estrela saberá assumir as responsabilidades e o espírito do país irá unir os jogadores. Tudo isso se juntará para fazer a França campeã europeia.

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Pré-Visões do Euro 2016 - Nota intermédia

por João André, em 15.12.15

Uma pequena adenda aos posts sobre as minhas antevisões: foram todos escritos (excepto os que virão sobre Portugal) antes do sorteio da passada sexta-feira. Por isso terão alguns deles uma referência ou outra a ter sorte com as equipas que calhem.

 

Uma (pré-)visão mais específica sobre o torneio só virá, da minha parte, daqui a uns meses, quando for para mim mais claro que jogadores estarão em forma, lesionados, que esquipas parecem estar a evoluir, etc.

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Pré-Visões do Euro 2016 - Alemanha

por João André, em 14.12.15

E prontos. A Alemanha é a campeã mundial em título, continua a ter uma equipa temível e uma máquina de produção de talentos excepcional. Só pode ser a favorita ao título europeu.

 

Em princípio seria difícil dizer outra coisa. A qualificação não foi tão simples quanto desejariam os alemães, mas a verdade é que o formato os deixou relaxados. Joachim Löw tratou os jogos como amigáveis mais intensos e usou o tempo possível para procurar soluções e alternativas aos jogadores que abandonaram após o Mundial e outras hipóteses para certas posições.

 

Neste aspecto parece ter encontrado uma solução para defesa esquerdo em Jonas Hector, jogador do Colónia. Não tem muita experiência mas adaptou-se bem e parece ser o tipo de jogador sólido e pouco espectacular que vai sendo necessário em qualquer grande equipa. A grande questão é como reagirá quando enfrentar directamente alguns dos melhores jogadores do mundo. Na lateral direita está o principal problema para Löw, onde existe um buraco enorme buraco na forma gigante de Phillip Lahm para tapar. Löw tem promovido muitas experiências (com centrais e médios testados ali) mas ainda não encontrou soluções. O progresso de Matthias Ginter nessa posição é promissor, mas Löw tem a fama de preferir não usar jogadores do Dortmund.

 

No resto da equipa já vão sobrando as alternativas. Num meio campo cheio de excelentes jogadores a tratar a bola, a recuperação e forma de Sami Khedira será essencial, já que é a cola e o músculo da equipa. No mundial a sua reentrada na equipa (e subsequente passagem de Lahm do meio campo para defesa direito) foi fundamental para a caminhada para o título. No presente meio campo apenas ele e Kramer têm a capacidade de emprestar força a um meio campo capaz e fazer 300 passes em meio minuto mas que tem dificuldades quando enfrenta jogadores durinhos.

 

Para a engrenagem do ataque, muito dependerá de manter Gündoğan em forma, já que é o motor do meio campo e compensa o declínio de Schweinsteiger. Com o Dortmund a competir na muito longa Liga Europa pode acontecer no entanto que Gündoğan chegue ao Europeu com as baterias vazias. Kroos é também importante, mas neste momento ocupa uma posição semelhante à de Gündoğan e nessas funções este é actualmente um jogador superior (e Kroos também poderá chegar exausto ao final da época, à semelhança da passada).

 

No ataque o jogador mais excitante será talvez Marco Reus que é fenomenal mas não parece ser capaz de jogar mais que quatro jogos sem se lesionar por dois meses. Claro que uma equipa que tem o Raumdeuter Thomas Müller, Mesut Özil, Julian Draxler, André Schürrle, Mario Götze, etc, nunca deixará de ter poder de fogo suficiente. O problema é a falta de um ponto de referência no centro como Klose o era e em redor do qual os restantes jogadores se podem mover e criar espaços.

 

Não deixa de ser curioso que aquele que é potencialmente a estrela da equipa seja o seu guarda-redes. Manuel Neuer não é só possivelmente o melhor guarda-redes do mundo, oferece também uma capacidade de jogar a líbero (defensiva e ofensivamente) que liberta outros jogadores como Hummels e Boateng para participarem no ataque. Para o sucesso da equipa muito dependerá do trabalho de pré-competição desenvolvido por Löw no mês antecedente ao torneio e que tão bons resultados deu no Brasil. Também será fundamental que alguns jogadores cheguem relativamente frescos a França, sem jogos a mais nas pernas.

 

Quando tudo se proporciona, a Alemanha é provavelmente a melhor equipa do mundo. Neste momento, no entanto, sinto que lhes falta um bocadinho assim...

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