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  • A taxa de desemprego subiu para 14,9%;
  • A taxa de desemprego jovem subiu para 36,6%;
  • Foi aprovado o novo "Plano para a criação de emprego - Impulso Jovem", através do qual 344 milhões de euros estarão a serviço da precariedade e do patrocínio de uma ilusão de emprego para os milhares de jovens que sabem que regressam ao desemprego 18 meses depois;
  • Despedimento por inadaptação mais abrangente;
  • Corte nas horas extraordinárias;
  • Compensação no despedimento sofreu cortes;
  • Redução de um a três dias de férias e menos quatro feriados, ou seja mais uma semana e pouco de trabalho sem qualquer compensação;
  • Subsídios de maternidade sofre corte de 14%;
  • No sector imobiliários foram aumentadas as rendas e a facilidade dos despejos;
  • Na Justiça foi decidido o encerramento de múltiplos Tribunais do interior com critérios questionáveis e acima de tudo mal explicados;
  • Ainda na Justiça vai haver lugar a julgamentos sumários em 48 horas numa gritante diminuição de garantias e segurança jurídica;
  • Os portugueses têm menos poder de compras que os gregos e, já agora, que os restantes cidadãos europeus;
  • 70.000 portugueses emigram por ano, a maioria dos quais é jovem;
  • Três votos a favor e dois contra ilibaram o Ministro Miguel Relvas da acusação de pressões ilicitas que ficou mais do que provada. Entretanto a jornalista Maria José Oliveira demitiu-se misteriosamente e apresentou, contra o Público, uma queixa na Comissão Nacional de Protecção de dados por violação de endereço electrónico;
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    Incentivos ao visionamento do Euro 2012, #4

    por Ana Cláudia Vicente, em 02.07.12

     

    Menção honrosa a Pedro Proença, líder da equipa que apitou quatro partidas na competição acabada de acabar. Não sabemos se a cabeçada que o não derrubou o tem tornado mais forte, mas lá que faz o seu trabalho com galhardia e salero, isso faz.

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    Olé, España!

    por Rui Rocha, em 01.07.12

    A Espanha venceu o Euro 2012 com inteira justiça. Merece o título pelo que jogou nos trinta minutos do prolongamento contra Portugal e pela primeira parte que fez contra a Itália. Hoje, contra os transalpinos, soube gerir o espaço e o passe. E os tempos do jogo. E conseguiu dar-lhe, quando foi preciso, uma terceira dimensão de profundidade. É justo dizer que o sucesso da Espanha em três competições internacionais sucessivas não acontece por acaso. Está, naturalmente, sujeito às contingências da sorte e do azar. Mas, existe um trabalho de formação consistente e contínuo que faz com que a Espanha seja uma fortíssima candidata à vitória em qualquer situação, mesmo ao nível das camadas mais jovens. Para os portugueses, fica a consolação de terem feito um campeonato honesto e de a selecção ter parecido a única realmente capaz de parar a Espanha. O árbitro da final, Pedro Proença, tal como a selecção, falhou nas grandes penalidades. Hoje ficou por marcar uma contra a Itália, o que em nada lhe retira o mérito de ter sido escolhido para apitar as duas grandes finais futebolísticas do ano. Na competição dos comentadores, a vitória foi, por goleada, para Carlos Daniel. Resta agora esperar por 2014. Como diriam os vencedores de hoje, todos queremos más, más y más y mucho más.

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    O comentário da semana

    por Pedro Correia, em 01.07.12

     

    «EU ADORO OS RELATOS TELEVISIVOS DA SELECÇÃO: é o filmar deles no hotel, a vista, a cama que vão ter... é o olhar embevecido, com ternura igual à do Santo Sudário pelos calções e pelas peúgas pousadas nas cadeiras do balneário... é o conjunto... de antigos jogadores, pagos a peso de ouro, como médicos especialistas, à roda do apresentador, todos meios tontos e com discurso simplório dizendo o que "acham"... sem se saber nada de jeito... É a atenção cuidada dos jornalistas, quase a terem um orgasmo, com a saída das estrelas, dizendo se vêm corados, bem dispostos, se dormiram com as perninhas abertas ou fechadas... se algum falta ou se ficou para trás... Depois é a saída do Hotel Vitória (se os outros ficaram aqui , nem que pagássemos o dobro, este sítio tinha de ser nosso!!... ou não fôssemos os campeões nas caganças, mesmo que se perca o jogo... Homessa!!!)... é o rodar soberano e quase protocolar da camioneta ao estilo de carruagem real, devagar, com batedores, homenzinhos de aparelho no ouvido e mais três carrinhas atrás (coitados, os convidados não cabiam todos na camioneta... toca a alugar umas carrinhas de boa marca para levar os convidados, tudo bem pago pelos contribuintes...) enquanto o povinho aplaude e puxa pelos cabelos... outros berram... outros gritam com vivas de apoio... (apoio que se calhar não dão à mulher, sozinha a lavar pratos em casa...)

    Pois é! Eu adoro estas reportagens que me lembram Fátima, só que no andor vão mais... E isto são coisas que marcam um homem... e logo vou ver se há reportagem sobre o que comeram depois do jogo e se algum teve diarreia e se isso teve impacto psicológico na equipa... e no treinador! Depois eu faço um post e conto tudo...»

     

    Do nosso leitor Pedro Gonçalves. A propósito deste texto do Rui Rocha.

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    Muito mais do que um desporto

    por Pedro Correia, em 29.06.12

     

    Fértil em imagens iconográficas, este Euro 2012 acaba de fornecer-nos mais uma: o abraço emocionado de Mario Balotelli - herói da meia-final de ontem entre a Itália e a Alemanha, que afastou a equipa germânica do embate final contra a Espanha em Kiev - à sua mãe adoptiva. O futebol é muito mais do que um desporto: este abraço, ganhando a força de um símbolo, adquire dimensão universal.

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    Spain x Italy

    por Rui Rocha, em 29.06.12

     

    Who will rwin the Euro?

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    Incentivos ao visionamento do Euro 2012, #3

    por Ana Cláudia Vicente, em 29.06.12

     

     O jovem Mats aparenta estar um bocado em baixo (e com frio?), o que se compreende: quando a nossa selecção tem uma grande final à vista e lá não consegue chegar, a coisa maneiras-que-mói. 

    Nome: Mats Hummels

    Selecção: Alemanha

    Clube: Borussia Dortmund (alias Ballspiel-Verein Borussia 1909 e. V. Dortmund)

    Posição: Defesa Central

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    Hallelujah!

    por Rui Rocha, em 28.06.12

    De facto, já ninguém suportava os comentadores de futebol, as reportagens dos bastidores de selecção, as conferências de imprensa dignas da descendência, por linha directa, de Monsieur de La Palisse e as notas biográficas sobre a adolescência dos jogadores nascidos na freguesia vilacondense das Caxinas. Menos mal que agora, com a eliminação do Euro 2012, podemos voltar a nossa atenção para notáveis momentos televisivos como as Manhãs da Júlia, o Prós & Contras, os debates entre o Alfredo Barroso e o Ângelo Correia ou as análises políticas do Pacheco Pereira, do António Costa e do painel residente do Eixo do Mal.  

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    Reflexão do dia

    por Pedro Correia, em 28.06.12

    «O futebol não é a coisa mais importante do Mundo. Mas às vezes faz-nos sentir importantes no Mundo. Assim foi ao longo das últimas semanas. Assim foi ontem, mesmo perdendo contra a Espanha. Não apenas porque a equipa perdeu de pé. Mas porque a Selecção pôs de pé o país que anda de rastos. A bandeira esvoaça hoje por nós em cada cidade. Mesmo nas cidades estrangeiras. A Selecção fez um campeonato extraordinário. Do princípio ao fim. Quando teve o melhor Ronaldo e quando não o teve. O seu desempenho foi não só notável como surpreendentemente melhor do que esperava. Antes, muitos, como eu, descreram da equipa, mal embalada por jogos particulares medíocres. Antes, alguns, como Manuel José e Carlos Queiroz, chamaram os jogadores de vedetas coquetes. Pedirão agora desculpa? Não precisam: devem estar suficientemente corados de vergonha.»

    Pedro Santos Guerreiro, no Record

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    Não podemos pedir mais aos rapazes

    por Rui Rocha, em 27.06.12

    Afinal de contas, só grandes penalidades marcadas contra Portugal foram praí umas cinco.

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    Força, PORTUGAL!!!!!!!!!!!!!!!!!

    por Leonor Barros, em 27.06.12

    Noventa minutos de evasão total e nervos de aço.

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    Incentivos ao visionamento do Euro 2012, #2

    por Ana Cláudia Vicente, em 26.06.12

     

    Podemos não ter ficado tristes com a saída de Inglaterra do Euro 2012, mas Scott Parker, o mais trim and dapper deles todos, deixa saudades. Sniff. Ei-zi-o aqui a dizer farewell - confio que, em estrita observância ao velho Tratado de Windsor (ou, como disse em tempos uma aluna minha, ao «Tratado de Whiskas») - à Selecção Espanhola.

     

    Nome: Scott Parker

    Selecção: Inglaterra

    Clube: Tottenham (alias Tottenham Hotspur Football Club)

    Posição: Médio

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    Sim. Temos Ronaldo, Nani, Pepe e os outros todos. Incluindo nestes, aqui a pedido expresso de A Bola, o Nélson Oliveira. Todavia, sinto que nos falta qualquer coisa. E não, não me refiro ao Postiga. Não quero com isto diminuir o valor dos bravos rapazes que enfrentarão a armada espanhola, também dita invencível. Recorde-se, a propósito ou não, que disseram exactamente o mesmo da frota organizada por Felipe II  (para nós o primeiro e a contragosto) e da bolha do imobiliário. E foi o que se viu.  Da mesma maneira, longe de mim a intenção de apoucar a mestria táctica de Paulo Bento. A que chamam também rei do losango. Não se trata disso, claro. Mas, em 14 de Agosto de 1385 também tínhamos o Mestre de Avis, D. Nuno Álvares Pereira e uma táctica imbatível. A do quadrado. Sendo que este, se virmos bem, mais não é do que um losango que não pretende fazer-se passar por papagaio de papel. É certo que já então (isto é, em 1385) nuestros hermanos tentaram pôr em prática o famoso tiki-ataka, tendo sido repelidos pela Ala dos Namorados que aplicou no campo de batalha todos os seus vastos conhecimentos em matéria de triqui-triqui. Aqui chegados, dois ou três leitores perguntarão se será então isso que nos falta, referindo-se, claro, à garbosa Ala dos Namorados ou ao próprio triqui-triqui. Digo que não. Não faltam nas filas da selecção rapazes namoradeiros e nas bancadas uma nutrida ala composta pelas suas namoradas. O que nos falta, em verdade vos digo, é uma padeira. Afirmo-o, naturalmente, influenciado pela história. E também pelo facto ter ouvido uma intervenção da Ana Gomes há menos de 10 minutos. Daí o desafio que lanço de elegermos juntos a nova padeira. Não a de Aljubarrota, mas a da Bancarrota. Que ostentará, e a isto chama-se modernidade, uma vuvuzela ali onde a Brites segurava uma pá. Para além da referida Ana Gomes, sugiro ainda a Heloísa Apolónia (caso em que a vuvuzela poderá dispensar-se). Mas, naturalmente, estou muito interessado em registar as vossas escolhas sendo que nada tenho a opor, até porque em matéria de concursos de emprego não podemos discriminar, a que o papel de padeira possa caber a um padeiro.

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    Mais uma de bola

    por Rui Rocha, em 25.06.12

    Pois muito bem. Se os espanhóis são nuestros hermanos, podem chamar-me Caim.

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     Diz "Paulo Bento dá a tua camisa!"

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    Outra de bola

    por Rui Rocha, em 25.06.12

    No fundo, as meias-finais do Euro 2012 são um remake de O Lobo Mau e os Três Porquinhos...

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    Incentivos ao visionamento do Euro 2012, #1

    por Ana Cláudia Vicente, em 25.06.12

     

    Como em série que ganha pouco se deve mexer, repito aqui o dever cívico de chamar a atenção feminina para os discretos valores que, por estes dias, voltam a dotar a relva de algum esplendor metadesportivo. Comecemos por este meu homónimo, o qual na competição se apresenta (tal como Xabi Alonso, etc, deve ser moda...) barbado e temível qual Hanibal Ad Portas:

    Nome: Claudio Marchisio

    Selecção: Itália

    Clube: Juventus (alias Juventus Football Club)

    Posição: Médio [Ofensivo]

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    Uma de bola

    por Rui Rocha, em 24.06.12

    Depois da qualificação de Portugal, Espanha e Itália, os alemães bem vão precisar de Schweinsteiger.

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    Ele não é só bom a jogar à bola

    por Pedro Correia, em 22.06.12

    «As críticas fazem-nos crescer.»

    Pepe, ontem, após a vitória contra a República Checa (1-0)

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    Grécia x Alemanha: as equipas

    por Rui Rocha, em 22.06.12

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    Um nome para a selecção

    por Rui Rocha, em 22.06.12

     

    A selecção portuguesa já merece um nome. O problema é encontrá-lo. Podíamos ser Os Magricelas, atendendo ao tempo de crise. Mas parece que alguém já registou coisa parecida. Por outro lado, a designação não fica bem a uma equipa que tem como titular o Miguel Veloso. Os Patrícios seria uma homenagem ao guarda-redes. Mais uma vez alguém chegou primeiro. Já vi sugerir Os Relvas. Bem visto. Mas tenho alergia a gramíneas. E temo que os rapazes se sentissem pressionados. O upgrade para Os Coelhos também não entusiasma. Relativamente à alternativa Os Cavacos estamos conversados. Os Ronaldos não me parece bem. Por um lado, remete para o imaginário dos trios mexicanos dos anos 40. E para viagens no tempo já nos basta o penteado do Ronaldo. Por outro lado, destacaria um único jogador, o que seria injusto para os outros. O mesmo pecado poderia ser identificado se optássemos por Os Cristianos. Para além disso, ia jurar que esse é o nome de uma trupe de trapezistas de circo (não, Manuel José, ninguém te chamou). E, embora esta solução pudesse ser apoiada pela Igreja Católica, com excepção de D. Januário, o que diriam os mouros? Claro, podíamos tentar Os Críticos, numa genial fusão das letras iniciais do primeiro nome do Ronaldo com as finais da designação da doença de que padece o Carlos Queiroz. O problema é que já vai fora de tempo: Os Artríticos andam muito calados. Já Os Resgatados viria a propósito. A equipa pareceu moribunda antes de se lançar na senda das vitórias. Todavia, não é diferenciador. Neste Euro, não faltam os que já foram ou ainda vão ser. Os Austeros seria pretensioso. Vai-se a ver e o governo ainda não cortou quase nada nas gorduras do Estado. Os Contribuintes seria adequado, como sabemos. Não creio, em todo o caso, que seja momento para recordar coisas tristes. Pela mesma razão, excluo Os Bentos. Só poderia ser considerado se um dia destes o homem se risse. E não é previsível que tal aconteça mesmo que Portugal ganhe a final por goleada. Como se vê, não é fácil. Tudo somado, estou capaz de propor Os Coisos. É actual, presta homenagem ao Álvaro e, com a mesma cajadada, atinjo o Coelho. Aguardo, todavia, as vossas sugestões. 

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    Os golos que a Alemanha meter na baliza grega terão de ser devolvidos. Com juros.

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    Quando diriges a proa visionária a uma estrela e estendes a asa para essa excelência inalcançável, no afã da perfeição e rebelde contra a mediocridade, levas em ti o recurso misterioso de um Ideal. É fogo sagrado, capaz de temperar-te para grandes feitos. Cuida-o; se o deixares apagar não se reacenderá jamais. E se ele morre em ti, ficas inerte: fria bazófia humana. Só vives por essa partícula de sonho que se sobrepõe à realidade. Ela é a lis do teu brasão, o penacho do teu temperamento.

     

    José Ingenieros,  "El Hombre Mediocre" (tradução livre).

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    Ai os boémios

    por José Navarro de Andrade, em 21.06.12

     

     

    Hoje talvez seja um bom dia para relembrar qual foi o pontapé – não foi bem um pontapé… – de saída para os 30 anos de guerra que racharam a Europa ao meio. Calhou-nos ficar no lado que se triunfasse não teríamos acabado à ponta perdida – azares. Nem com os ansiados golos do CR7 haveremos de tragar tanta cevada como eles, falta-nos costela de boémios, é o que é. E embora jogue o Postiga no lugar do Hugo, alma até Almeida rapazes!

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    Futebol também é isto

    por Pedro Correia, em 20.06.12

     

    O Euro 2012 tem sido fértil em imagens icónicas que se projectam muito para além das convenções "técnico-tácticas" da modalidade e fazem deste jogo o maior espectáculo do mundo. Pepe beijando o símbolo nacional impresso na camisola logo após marcar o primeiro golo contra a Dinamarca. Cristiano Ronaldo de polegar na boca, dedicando o golo ao filho que naquele dia festejava dois anos, quando fez o remate vitorioso que anulou a vantagem inicial da selecção holandesa. O colega que num impulso solidário tapa a boca do destemperado Balotelli que aparentemente, após marcar contra a Irlanda, começara a soltar impropérios contra o treinador por o ter deixado inicialmente no banco. Ibrahimovic ao marcar ontem um fabuloso golo com um "pontapé de moinho", inaugurando a merecida vitória sueca por 2-0 contra a França.

    Futebol também é isto.

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    Frases de 2012 (32)

    por Pedro Correia, em 18.06.12

    «Alguns já estarão a afiar as facas e a comprar cachecóis da República Checa para ver se saímos na próxima quinta-feira.»

    Paulo Bento

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    Gostamos de te ver feliz, Ronaldo

    por Rui Rocha, em 17.06.12

    Um jogo perfeito. Os holandeses marcaram primeiro. E nós sabemos como é preciso que nos espicacem para darmos o nosso melhor. Depois, um Ronaldo soberbo. Um Nani desequilibrador. Um Pepe sempre ao melhor nível. Moutinho imperial com Meireles no meio campo e Veloso pendular. Coentrão sempre impecável. Houve de tudo e do melhor. Até uma assistência para golo de João Pereira. Hélder Postiga cumpriu. Até na previsível saída aos 65 minutos. Faltou o terceiro golo a Ronaldo e um para Nani? Não faz mal. Ficam para os quartos de final. No fim, depois de uma exibição monumental, quase que jurava que vi Paulo Bento sorrir. Quanto aos críticos de Ronaldo, que Cri Cri tiquem agora.

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    A Grécia sobrevive no Euro

    por Rui Rocha, em 17.06.12

     

    Que os gregos são maus gestores, pouco produtivos, falhos de eficiência? Não em matéria de bola. Na verdade, não deve haver por aí outra selecção que, de tão pouco futebol, faça tão extraordinários resultados. A selecção grega, no passado com Rehagel, agora com Fernando Santos, não herdou o ideal de vida bela e feliz da antiga Atenas. Não encontraremos em Karagounis, em Katsouranis ou nos seus companheiros preocupações de estética futebolística ou de sensibilidade no trato de bola. Dir-se-ia, em contrapartida, que são descendentes directos dos velhos espartanos e que foram submetidos aos mesmos princípios de educação que estes defendiam. E que tinham como objectivo último desenvolver soldados exemplares em termos de combatividade e bravura. Sem heróis que se destaquem do conjunto porque heróis são todos. A selecção grega é, por ironia do destino, o exemplo acabado de que, em futebol, a austeridade funciona. E que, ao contrário de originar espirais recessivas, pode revelar-se extremamente expansionista. O PIB do futebol grego, medido em títulos e qualificações, é altíssimo nos últimos anos. Sobretudo se tivermos em conta a escassez de matéria prima com talento. A selecção grega faz mais com o menos que obriga os adversários, muitos deles com grandes orçamentos, investimentos e estímulos, a jogar. Portugal em 2004 e a Rússia em 2012 que o digam.

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    O tiki-taka, mais do que futebol, é bola. E há equipas de futebol que detestam a bola. Maltratam-na. Dão-lhe pontapés. Algumas até aliviam. A bola é tormento. Quando a afastam, suspiram de alívio. Não se pode jogar tiki-taka sem amor, posse, partilha e saudade. Da bola. Quem tiki-taka quer bola. E quando passa, tem sempre esperança de a reaver. O tiki-taka é um jogo de crianças que adquiriu maturidade. Que percebeu que pode ser gratificante dar e receber. O tiki-taka nunca foi uma táctica (a tiki-táktica). Mais do que a disposição da equipa no campo, o que importa é a posição dos jogadores em relação à bola. Em busca da proximidade, do contacto, de um afago. E é provável que o  tiki-taka, na versão mais pura, não possa funcionar como estratégia (a tiki-tégia). Para ser uma estratégia futebolística, teria de ter a intencionalidade do golo. Ora, a consequência do golo é a perda de posse de bola. Uma contradição com a essência do tiki-taka. Digo que o destino do tiki-taka é tornar-se uma manifestação cultural. A tiki-tura. Com uma estética. A tiki-tética. Os jogos serão manifestos. Ou instalações. Os campeonatos de tiki-taka disputar-se-ão em Florença, na Piazza del Duomo. Os jogadores equiparão com os trajes de luzes do toureio. Os relatos trocarão a ansiedade pelo temple e pela pausa. As transmissões televisivas não irão bem com cerveja e tremoços. E serão instalados écrans gigantes na Ópera de Viena. Podem não ter percebido, mas Silva deu um passo decisivo nesse sentido no jogo da Espanha contra a Irlanda. Até agora, o tiki-taka sempre fora mais tiki do que taka. Muito tiki-tiki no meio-campo. Mas, perto da baliza, remate, pontapé ou cabeçada. Com Silva, descobrimos a dimensão ataka do tiki-taka. Quando dominou a bola, mais do que isso, parou o tempo. E não procurou, como se faz no futebol, descolocar os adversários. Pelo contrário, com o fio do tempo suspenso, indicou-lhes, com uma finta de corpo, o ponto exacto do espaço em que se deviam colocar. Depois, não rematou. Passou para as redes. No passo seguinte da evolução, um avançado fará uma tabela com o poste da baliza adeversária, prescindindo do golo em nome da perpetuação da posse de bola. Nesse dia, o tiki-taka autonomizar-se-á do futebol. Não será modalidade olímpica. Mas poderá ganhar um Prémio Nobel ou a Palma de Ouro em Cannes.

     

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    As continhas

    por Bandeira, em 15.06.12

    Penso ter finalmente compreendido. Se Portugal vencer a Holanda mas a Dinamarca ganhar à Alemanha por 3-2, caímos fora. Caso Portugal perca com a Holanda por 1-0 e a Alemanha vença a Dinamarca, estamos dentro. Imagine (faça um esforço) que Portugal vence com triplo hat-trick de Postiga e a Alemanha se vai abaixo com um auto-golo de Mario Gomez: A dívida pública portuguesa desaparecerá sem deixar rasto e Ratzinger, que ficará com muita vergonha, abdicará, sendo Paulo Bento eleito papa com o nome de Bento XVII. A Irlanda regressará ao Euro, tendo Leopold e Molly Bloom como adjuntos de Trapattoni, na eventualidade de todas as selecções (todas mesmo) perderem amanhã, Bloomsday. Caso a Dinamarca vença a Alemanha e Portugal perca contra a rainha da Holanda em badminton, Passos Coelho enviará um beijinho à senhora Merkel (que perderá o cargo de chanceler para António Borges), mas não conseguirá evitar que a Moody's atire Portugal para a categoria de Vinagre de Tinto- (com perspectivas negativas). Se, porém, a Alemanha perder por 50 golos ou mais, a Grécia será repescada do fundo lodoso do rio Meandro, onde agora se encontra, e atirada ao Egeu (perdoe a vírgula antes da copulativa), desta feita com cópias em tamanho real do Hermes de Praxíteles presas aos artelhos ou, em alternativa, artigos seleccionados das nossas sucessivas Leis do Arrendamento Urbano. Se acha que nada disto faz sentido, consulte as regras da UEFA e depois falamos.

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    Vai uma apostinha?

    por Pedro Correia, em 14.06.12

    Confesso: ando cansado de ouvir falar do Nélson Oliveira. E tenho bons motivos para isso. Na segunda-feira, 48 horas antes do Portugal-Dinamarca, dois diários desportivos puseram o jovem suplente do Benfica em destaque nas suas primeiras páginas. "Estamos de cabeça levantada", dizia o jovem, cujo retrato ocupou praticamente a capa inteira desse dia do diário A Bola. A justificação para o destaque fotográfico, esclarecia o jornal, tinham sido os três golos apontados pelo rapaz... no treino da véspera.

    Como não há coincidências, no mesmo dia O Jogo apressava-se a antecipar a presença do jovem Nélson no lugar de Helder Postiga como ponta-de-lança da selecção. A sua inexperiência em jogos internacionais, o facto de nem Jorge Jesus o incluir no onze titular das águias e a certeza de não ter marcado um único golo no campeonato pareciam irrelevantes perante a onda mediática que ia engrossando em torno do seu nome, agigantando-se qual tsunami a chegar à costa. "Nélson Oliveira ganha espaço", titulava nesse dia o Record, tentando não perder a corrida. "Nélson Oliveira é um trunfo para Paulo Bento", dizia a RTP no dia seguinte, citando o treinador Rui Vitória.

    Foi preciso Paulo Bento pôr fim a tanta especulação com quatro palavras apenas: "Vai jogar o Helder." Que por acaso até marcou contra a Dinamarca.

    Nélson jogou meia hora, como suplente de Postiga. Sem marcar. Mas nem por isso desaparecerá das manchetes. Vai uma apostinha?

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    Reflexão do dia

    por Pedro Correia, em 14.06.12

    «Cristiano Ronaldo precisa agora mais da equipa do que a equipa dele.»

    José Medeiros Ferreira, no Correio da Manhã

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    10 por todos

    por Rui Rocha, em 13.06.12

     

    Jogar com um falso ponta-de-lança não é o mesmo que jogar com um ponta-de-lança falso. Um falso 9  não é um ponta-de-lança, é certo. Mas é, veja-se o caso de Fabregas na selecção de Espanha, outra coisa qualquer. Extremo, armador de jogo, trinco, o que quiserem. É um pouco como ter 5 euros e escolher entre comprar laranjas ou maçãs. A opção é discutível. Em qualquer caso, de uma maneira ou de outra, há sempre o que comer. Isto é, o falso 9 não joga na posição de ponta-de-lança. Mas joga. Ainda que noutra posição. E por isso a equipa apresenta-se, efectivamente, com 11 jogadores. No caso do ponta-de-lança falso a coisa é diferente. O 9 falso joga realmente no lugar de ponta-de-lança. Só que, realisticamente, não joga nada. Apostar no 9 falso é como ter os mesmos 5 euros disponíveis e não comprar laranjas, nem maçãs. Nem nada. Pior do que isso, é deitá-los fora atirando-os para dentro de campo. Isto é, a opção pelo falso 9 não é uma fórmula matematicamente errada. Embora possa estar, ou não, futebolisticamente equivocada. Já no caso do ponta-de-lança falso, o 9 vale matematicamente 0. Nessa situação, a nulidade matemática resulta irremediavelmente em erro futebolístico. Jogar com um 9 falso equivale, na verdade, a jogar apenas com 10.  É verdade que Pedro Abrunhosa não sabe cantar. É, se quisermos, o equivalente musical do falso ponta-de-lança. Joga com o 9 do vocalista nas costas mas, não fazendo aquilo que alguém naquela posição deve fazer, faz outras coisas. Fala, sussurra, declama, proclama. Abre outras linhas de passe e, no final, pelo menos para alguns, aquilo resulta. Bem diferente seria ter um cantor calado. O problema com a nossa selecção não é, por isso, de táctica. É de matemática. Não faz qualquer sentido insistir em jogar com um ponta-de-lança falso quando podíamos, pelo menos, experimentar jogar com um falso ponta-de-lança. Nada, nem sequer o memorando da troika, impõe esta espiral recessiva de transformarmos, ainda antes de entrarmos em campo, os 11 a que temos direito nos 10 que temos visto. É que, ao contrário de Pedro Abrunhosa, Postiga nem sequer esperneia. A responsabilidade, é claro, não é dele. É de quem não o deixa sair de cima.

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    É o melhor sem dúvida ou talvez não

    por Pedro Correia, em 11.06.12

     

    Confesso que ainda consigo espantar-me com certos comentadores futebolísticos. E ninguém me espanta tanto como o omnipresente Rui Santos, o homem que anda há vários anos à procura dos pontos finais sem conseguir encontrá-los, motivo que o leva a produzir as frases mais quilométricas da história da TV em Portugal. A necessidade de encher chouriços em televisão é tramada. Só isto explica que o prolífico comentador da SIC Notícias tenha ontem transmitido duas ideias aparentemente contraditórias. Por um lado, emitiu este juízo categórico: «Potencialmente, Nélson Oliveira é já o melhor ponta-de-lança português. Não temos melhor.» Por outro, minutos adiante, foi deixando este judicioso conselho a Paulo Bento: «No jogo contra a Dinamarca eu defenderia um Nani atrás dos pontas-de-lança, que deveriam ser Cristiano Ronaldo e Quaresma.»

    Descodifiquem-me este raciocínio, como se eu tivesse cinco anos: como é que num jogo que precisamos mesmo de ganhar o seleccionador nacional pode dar-se ao luxo de deixar no banco «o melhor ponta-de-lança português»? Padecerá o jovem Nélson de alergia aos dinamarqueses, altos e loiros? Não poderia formar ele com vantagem a dupla atacante com Ronaldo? E, sendo tão bom ao ponto de se considerar que «não temos melhor», porque não deixá-lo sozinho à frente? O Quaresma amuaria com tal escolha? Será a lógica uma batata?

    Vou reflectir sobre tão magna questão nas próximas 48 horas. Usando, de preferência, frases mentais sem ponto final. Pois do meu ponto de vista a intangibilidade do esférico decorre das sinuosidade tecnico-tácticas adjacentes à linearidade do relvado e a verdade desportiva depende em alto grau e larga medida da disponibilidade de todos os agentes envolvidos na condução do processo dentro das quatro linhas de jogo mas principalmente nas estruturas que enquadram este fenómeno capaz de mobilizar a massa adepta e também os milhões que se acumulam sobre as mesas directivas em razão do qual eu não me calarei e sempre relatarei aqui tudo quanto sei e julgo saber ou talvez nem saiba nada por aí além mas mesmo assim contem com a minha voz que ressoará qual trombeta contra a investida castelhana nos plainos de Aljubarrota naquele ano em que a Ala dos Namorados conquistou a Taça Ibérica.

     

    ADENDA: o mocho é um convidado especial, com presença fixa neste blogue

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    A vaca alemã anda a brincar connosco

    por Rui Rocha, em 10.06.12

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    Uma de bola

    por Rui Rocha, em 09.06.12

    O futebol é um jogo em que Portugal alinha com dez jogadores e o Hélder Postiga e no fim ganha a Alemanha.

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