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Frases de 2017 (13)

por Pedro Correia, em 04.04.17

«Só se Portugal enlouquecesse é que saía da zona euro.»

Cavaco Silva, em entrevista ao Público (19 de Março)

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Trumps nacionais

por José António Abreu, em 27.03.17

Catarina Martins propõe saída do euro.

Evidentemente, e não obstante a demagogia com que abordam estes assuntos ser igualzinha à do presidente norte-americano ou de Marine Le Pen (podiam ou não ser declarações de Catarina Martins?), ninguém os classifica como tal - afinal são simpáticos para os imigrantes e nem chamam terroristas aos terroristas. Por cá, raros se atrevem sequer a afirmar serem precisamente as políticas da Geringonça a empurrar o país para uma situação de insustentabilidade - e os que o fazem são corridos a acusações de ressabiamento e derrotismo. Todos sabem, porém, que ao nível da dívida pública e respectivas taxas de juro o último ano e meio poderia ter sido muito diferente, abrindo perspectivas mais optimistas para um futuro sem (tanta) ajuda por parte do BCE. António Costa, por exemplo, sabe-o perfeitamente. Os pedidos, cada vez menos subtis, para mudanças de política ao nível da União Europeia (o que representa a sanha contra Dijsselbloem senão uma tentativa para facilitar a abordagem de pontos como a mutualização e a renegociação?) constituem reconhecimento cabal de que também ele acha a dívida insustentável - sem que isso o impeça de continuar alegremente a aumentá-la (perdido por cem, dir-se-á...). Talvez um dia fique demonstrado que Costa, a mais frontal Catarina (e o mais «ortodoxo» Jerónimo) estavam certos. Mas quando alguém tem o poder para fazer cumprir uma profecia, e faz quase tudo nesse sentido, não admira que ela se concretize. Infelizmente, esse dia, como é habitual nas vitórias do populismo, não ficará para a história como um dia feliz.

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Frases de 2017 (11)

por Pedro Correia, em 27.03.17

«É urgente preparar o País para a saída do euro.»

Catarina Martins, 26 de Março

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(Euro)peu

por Adolfo Mesquita Nunes, em 12.07.16

O Europeu de Futebol, com as suas emoções, é uma -- mais uma, mas bastante elucidativa -- demonstração de que a Europa é feita de nações com histórias, culturas, emoções e percursos próprios. Cada nação a sofrer pelo seu país, a criticar a selecção do lado, a orgulhar-se do seu trajecto, chamando pelos seus, chorando com os seus. Não há qualquer problema nisso, é o que nos sai com naturalidade, sem maldade. E talvez devêssemos prestar mais atenção a essa demonstração, porque ela diz muito de nós, das nossas circunstâncias.

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Só um totalitarismo poderá impedir essa diversidade de percursos, ou pelo menos a sua manifestação. Só uma ditadura nos impedirá de nos sentirmos mais portugueses do que qualquer outra nação a competir pelo título. Só coagidos nos esqueceremos de aplaudir e chorar os nossos golos e as nossas falhas.

 

Qualquer projecto político ou institucional europeu que não dê conta dessa diversidade, que a não integre no seu processo decisório, que não faça dela um activo, só encontrará problemas e criará outros tantos. É evidente que estas nações se unem por valores comuns, e que partilham muito do que as fez sobreviver num Mundo que viu tantos apogeus e tantos declínios. Mas essa partilha, genuína, nunca as fez perder essa individualidade.

 

Num momento em que a Europa enfrenta tantos desafios, talvez fosse bom olhar para o Europeu com olhos de ver.  

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Euro-snobbism

por Adolfo Mesquita Nunes, em 22.06.16

A 15 de Maio de 1992, em Haia, Margaret Thatcher sintetizava, num discurso intitulado de 'Europe’s Political Architecture', os seus principais receios sobre a moeda única e registava a forma como esses receios, as suas dúvidas, que lhe pareciam gritantes, não mereciam, no espaço público europeu, muito mais do que desdém, como se não merecessem atenção, como se fossem umas ideias antiquadas de uma provinciana (chegou a dizer-se que ela queria voltar ao Século XIX).

Aqui ficam, de novo, para que possamos dar-lhes a atenção que então não mereceram. E que pelo menos nos sirvam de lição, não tanto sobre o euro, mas sobre a forma como muitas vezes lidamos, no debate público, com as ideias com que não concordamos (o discurso integral pode ser lido aqui).   

If the European Community proceeds in the direction which the majority of Member State Governments and the Commission seem to want they will create a structure which brings insecurity, unemployment, national resentment and ethnic conflict.

Insecurity — because Europe's protectionism will strain and possibly sever that link with the United States on which the security of the continent ultimately depends.

Unemployment — because the pursuit of policies of regulation will increase costs, and price European workers out of jobs.

National resentment — because a single currency and a single centralised economic policy, which will come with it, will leave the electorate of a country angry and powerless to change its conditions .

Ethnic conflict — because not only will the wealthy European countries be faced with waves of immigration from the South and from the East.

Also within Europe itself, the effect of a single currency and regulation of wages and social costs will have one of two consequences.

Either there will have to be a massive transfer of money from one country to another, which will not in practice be affordable.

Or there there will be massive migration from the less successful to the more successful countries.

Yet if the future we are being offered contains so very many risks and so few real benefits, why it may be asked is it proving all but irresistible ?

The answer is simple.

It is that in almost every European country there has been a refusal to debate the issues which really matter.

And little can matter more than whether the ancient, historic nations of Europe are to have their political institutions and their very identities transformed by stealth into something neither wished nor understood by their electorates.

Yet so much is it the touchstone of respectability to accept this ever closer union, now interpreted as a federal destiny, that to question is to invite affected disbelief or even ridicule.

This silent understanding — this Euro-snobbism — between politicians, bureaucracies, academics, journalists and businessmen is destructive of honest debate.

So John Major deserves high praise for ensuring at Maastricht that we would not have either a Single Currency or the absurd provisions of the Social Chapter forced upon us: our industry, workforce, and national prosperity will benefit as a result.

Indeed, as long as we in Britain now firmly control our spending and reduce our deficit, we will be poised to surge ahead in Europe.

For our taxes are low: our inflation is down: our debt is manageable: our reduced regulations are favourable to business.

We take comfort from the fact that both our Prime Minister and our Foreign Secretary have spoken out sharply against the forces of bureaucracy and federalism.

Our choice is clear: Either we exercise democratic control of Europe through co-operation between national governments and parliaments which have legitimacy, experience and closeness to the people.

Or, we transfer decisions to a remote multi-lingual parliament, accountable to no real European public opinion and thus increasingly subordinate to a powerful bureaucracy.

No amount of misleading language about pooling sovereignty can change that.

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Penso rápido (69)

por Pedro Correia, em 01.09.15

PSD, PS e CDS - partidos que no seu conjunto representam três quartos dos eleitores portugueses - convergem no essencial: querem cumprir as regras definidas no quadro institucional da União Europeia. Incluindo as metas fixadas no Tratado Orçamental, sem as quais o euro não sobrevive a médio prazo.
Resta-nos sempre a alternativa de não cumprirmos essas regras e darmos enfim o grito do Ipiranga (ou do Trancão, à escala lusitana), entricheirando-nos enquanto nova Albânia do extremo ocidental da Europa, como proclamam as forças eurofóbicas, minoritárias em Portugal. Sem euro, seguramente. Sem inflação nem juros baixos. E também sem Erasmus, sem livre circulação no espaço Schengen, sem Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Tudo a quanto já nos habituámos em matéria de cidadania europeia. Orgulhosamente sós, como pretendia Salazar.

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Um crime.

por Luís Menezes Leitão, em 29.07.15

A esquerda nacional andava deslumbrada com Tsipras e Varoufakis. Como quando se zangam as comadres, sabem-se as verdades, ficou agora claro o que esses dois andavam a arquitectar desde o início: a saída do euro. Se a medida em si é legítima, parece óbvio que os meios não o eram. Estava em causa fazer um ataque informático à autoridade tributária, apreender as reservas em euros do banco central, que é independente do governo, e se necessário prender o seu governador. Temos aqui medidas ao puro estilo do PREC, que é o que actualmente se vive na Grécia. Isto em política tem um nome: golpe de Estado. E o mesmo é um crime em qualquer país do mundo. O Ministro que chamava terroristas aos seus parceiros do Eurogrupo, afinal comportava-se como um verdadeiro terrorista. Não admira por isso que se multipliquem as acções contra ele na Grécia. Mas se Varoufakis vier a ser preso, já se sabe que iremos ter uma peregrinação internacional de apoiantes a protestar, e a qualificá-lo como preso político. Coisa que nunca aconteceria ao desgraçado do governador do banco central, se por acaso o golpe de Estado tivesse tido sucesso. Como salientava Orwell, há sempre uns mais iguais que outros.

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O cavalo de Tróia do euro.

por Luís Menezes Leitão, em 27.07.15

Há dias escrevi aqui que me parecia que a situação na Grécia tinha atingido uma irracionalidade de tal ordem, que não se sabia o que o governo grego pretendia. O tempo levou a descobrir que, com ou mais ou menos planos rocambolescos, o que ele pretendeu desde o início foi a saída do euro e o regresso ao dracma. Tsipras parece por isso Hamlet, de quem se dizia que estava numa verdadeira loucura, mas havia método nisso ("Though this be madness, yet there is method in't").

 

Efectivamente, Atenas só não saiu do euro porque não teve apoio externo para o fazer. O problema de um país adoptar uma moeda própria é que ninguém a aceita no estrangeiro. Por isso, em ordem a poder manter o pagamento dos bens importados, esse país tem que antes de tudo ter uma reserva grande de divisas. Ora, a Grécia não tinha quaisquer reservas. Correu por isso literalmente seca e meca para as arranjar. Tsipras pediu auxílio aos EUA, à Rússia, à China e até ao Irão, para obter um financiamento que lhe permitisse sair do euro. De todos estes países ouviu um sonoro e terminante não. Pode haver desavenças com a Europa, mas a nenhum destes Estados interessava contribuir para o colapso da zona euro. Por isso Krugman, um dos maiores apoiantes do Grexit, acabou a chamar incompetente ao governo grego.

 

Rejeitado por todos, Tsipras voltou, qual filho pródigo, para os braços do Eurogrupo. Mas voltou sem qualquer convicção, referindo que um dia a batalha vai dar frutos. Parece que estamos assim perante a velha estratégia leninista de dar dois passos atrás para dar um passo em frente.

 

Em qualquer caso, não parece que as feridas tenham ficado minimamente saradas e que Tsipras tenha desistido dos seus intentos. A Grécia é por isso hoje o cavalo de Tróia do euro, de onde os seus soldados estão preparados para sair a qualquer momento, voltando a fazer colapsar a cidadela.

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Profetas da nossa terra (68)

por Pedro Correia, em 22.07.15

«A Grécia vai sair da eurozona nos próximos 12 meses.»

Paul Krugman, 30 de Maio de 2012

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Competências sobrestimadas

por Rui Rocha, em 19.07.15

Paizinho Krugman vem agora dizer  que sobrestimou a competência do governo grego. Pelo visto, não passava pela cabeça de Paizinho Krugman que Tsipras & Varoufakis não tivessem um plano de urgência para o caso de as negociações com os credores levarem a resultados inaceitáveis. Pois muito bem. O que eu gostaria realmente de saber é que tipo de plano poderia ser esse, dadas as circunstâncias. É que uma saída do euro e a sua substituição pelo dracma, ou coisa que o valha, pressuporia sempre a existência de reserervas cambiais significativas. E isso é coisa que a Grécia não tem. Ora é surpreendente que Paizinho Krugman (ou Varoufakis), proficientes como são em questões económicas, desconheçam a impossibilidade prática de a Grécia optar por moeda própria nesse cenário. Por isso, das duas uma: ou alguém anda aqui a enganar deliberadamente a opinião pública ou, então, teremos de concluir que não é só a competência do governo grego que tem sido sobrestimada.

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A saída da Alemanha do euro.

por Luís Menezes Leitão, em 18.07.15

 

Num texto mais abaixo, o Sérgio Almeida Correia cita um autor a defender a saída da Alemanha do euro. Essa hipótese já tem barbas, sendo desde 2013 defendida na Alemanha pelo partido Alternativ für Deutschland. Há, por isso, um forte receio que um dia os alemães se fartem mesmo da irresponsabilidade orçamental dos países do Sul e abandonem o euro.

 

É por isso que para aliviar consciências se sugere que seria bom para o euro a saída da Alemanha, uma vez que levaria a uma depreciação da moeda europeia, que hoje é considerada demasiado forte para os países do Sul. Só que as consequências económicas do Germanexit seriam desastrosas, fazendo o Grexit parecer uma brincadeira de crianças. Basta ver que a Alemanha é a quarta economia do mundo e, se esta abandonasse a zona euro, a moeda perderia o seu principal sustentáculo, desencadeando uma forte apreciação do novo marco e uma inflação geral em toda a zona euro sobrante. Por isso, os restantes países do Norte sairiam também a correr da moeda única, que se transformaria assim na moeda descredibilizada do Sul da Europa, aumentando ainda mais a inflação nessa zona. Enquanto que o Grexit geraria inflação apenas na Grécia, o Germanexit provocaria uma inflação galopante em todos os outros países que permanecessem no euro.

 

Um dia assisti a uma conferência de um professor de economia em Dublin sobre as dificuldades que a Irlanda tinha com o euro, defendendo ele, porém, que, apesar disso, se devia manter na moeda única. Pedi-lhe então que contemplasse a hipótese de ser a Alemanha a decidir abandonar o euro. A resposta dele foi elucidativa. Simplesmente, benzeu-se.

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Leitura recomendada sobre o euro

por Sérgio de Almeida Correia, em 18.07.15

"A German return to the deutsche mark would cause the value of the euro to fall immediately, giving countries in Europe's periphery a much-needed boost in competitiveness. Italy and Portugal have about the same gross domestic product today as when the euro was introduced, and the Greek economy, having briefly soared, is now in danger of falling below its starting point. A weaker euro would give them a chance to jump-start growth. If, as would be likely, the Netherlands, Belgium, Austria and Finland followed Germany's lead, perhaps to form a new currency bloc, the euro would depreciate even further.

 

O texto completo está no site da Bloomberg News e nele se contém todo um conjunto de argumentos passível de discussão, e que eu gostaria de ver discutido de forma séria, no sentido da saída da Alemanha, e não da Grécia, do euro. Não quero tomar partido sobre a questão mas os argumentos parecem-me interessantes. Vale a pena lê-lo sem palas nem preconceitos, até porque quem o assina não é um perigoso radical comentador de blogues ou um borra-botas qualquer.

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Em que ficamos?

por Sérgio de Almeida Correia, em 17.07.15

"Por acaso, a ideia para o fundo de privatizações da Grécia, o trust de 50 mil milhões de euros que vai absorver o espólio que for vendido nos próximos anos, foi ideia do primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, revelou Donald Tusk, o presidente do Conselho Europeu. O primeiro-ministro português disse na segunda-feira que a ideia foi sua."

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Em quatro frases

por José António Abreu, em 14.07.15

O governo grego perdeu porque, na vigésima quinta hora e após cinco meses e meio de um comportamento que, fosse o Syriza de direita, teria levado as mentes bem-pensantes do planeta a despejar sobre ele uma chuva de acusações impregnadas de desprezo e salpicadas de impropérios, renegou todas as promessas que jurara cumprir. O governo alemão perdeu porque não somente foi mais uma vez coagido a manter no euro quem recusa comprometer-se com as regras deste, num processo que tenderá a arrastar a economia alemã para uma lógica terceiro-mundista, como tem de arcar com a imagem de polícia mau. Hollande ganhou porque saiu das negociações como o polícia bom e, mesmo forçado a aceitar o dano colateral (menor) de obrigar Syriza e Grécia a meter o socialismo na gaveta (até ver), atingiu o seu objectivo de conservar o destino da Alemanha preso ao da França. Quanto à União Europeia e, em particular, à Zona Euro, aparentemente ganhou (oxalá), provavelmente perdeu.

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Alguém tinha que dizer-lho

por José António Abreu, em 08.07.15

A intervenção de Guy Verhofstadt no Parlamento Europeu esta manhã.

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Em 24 horas tinham um acordo, garantiam...

por José António Abreu, em 07.07.15

E, todavia, 48 horas após o referendo surgiram em Bruxelas sem propostas. Amanhã, juram eles agora. Como dizia o advogado interpretado por John Cleese ao gago interpretado por Michael Palin em Um Peixe Chamado Wanda: «Plenty of time.»

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Austeridade.

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Constatações e cenários (todos maus)

por José António Abreu, em 06.07.15

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1. O referendo na Grécia vincula o governo grego, não os restantes. Os gregos apenas têm legitimidade para decidir sobre o seu próprio orçamento. Não sobre o português, o espanhol, o alemão ou o eslovaco.

 

2. Mostrar solidariedade com a Grécia não é ajudá-la a manter as distorções que sempre lhe caracterizaram a economia (como, de resto, a Portugal). Não é dar-lhe o peixe (ainda que, provisoriamente, algum deva ser dado), é ensiná-la a pescar (como, de resto, a Portugal).

 

3. Se tal sucedesse, nunca mais seria possível convencer qualquer dos governos do Sul da Europa (começando pelo próprio grego) a efectuar reformas com um mínimo de dificuldade. Aberto o precedente, os referendos ou, onde constitucionalmente proibidos (em grande medida porque, colocadas perante a questão de pagar ou não pagar, as pessoas tendem a escolher não pagar), outras formas de manifestação de desagrado tratariam de o garantir. O resultado? A implosão da UE ou a sua transformação numa Venezuela com 500 milhões de pessoas, onde a riqueza hoje produzida seria rapidamente desbaratada. Outros blocos políticos e económicos agradeceriam. De resto, talvez não por acaso todos pressionam (sem que alguém os acuse de ingerência nos assuntos alheios) no sentido da Grécia obter as condições que pretende.

 

4. O incumprimento da Grécia teria efeitos potencialmente perigosos nas contas públicas dos restantes países (através dos fundos de apoio e da eventual necessidade de recapitalizar o BCE) mas ceder a uma chantagem feita por um governo com as políticas do governo grego (i.e., que nunca colocarão a Grécia a crescer de forma sustentada) apenas adia e agrava o problema. Sendo certo que as instituições europeias têm hoje mais instrumentos para lidar com a saída da Grécia do que há alguns anos, não é líquido que cheguem. Ironicamente, o alargamento de prazos de que a Grécia goza facilitará um pouco a tarefa, adiando a conta e distribuindo-a por mais anos. Mas o efeito de contágio não está afastado e este escalonamento não se aplica à dívida (do Estado e dos bancos gregos) ao BCE. Seja como for, se pode defender-se a tese de que teria sido preferível deixar cair a Grécia em 2010 ou 2012, em vez de continuar a emprestar-lhe dinheiro, mais difícil de entender é prosseguir na mesma via, sem existirem indícios que permitam acreditar que, dentro de dois ou três anos, a situação terá evoluído para melhor. Pelo contrário: tudo indica que a bola de neve aumentará de tamanho.

 

5. O próprio corte de 30% na dívida grega, como exigido por Tsipras, também teria custos para os cidadãos dos restantes países e, acima de tudo, feito desta forma, abriria a porta a outros perdões logo que a dívida atingisse patamares considerados «injustos» (imagine-se Iglesias como primeiro-ministro de Espanha, Berlusconi ou similar à frente de Itália, Le Pen na presidência francesa). A dada altura, este cenário confundir-se-ia com o de default total pois entrar-se-ia numa via de insustentabilidade. Chegaria também o momento em que os contribuintes e/ou depositantes seriam chamados a cobrir as perdas decorrentes do accionamento dos famosos CDS, ou seguros contra incumprimento (a dívida de Itália, de Espanha ou de França encontra-se essencialmente em mãos privadas), que têm potencial para arrasar muitas instituições de crédito.

 

6. Perdoar dívida a uns significa aumentar dívida a outros. E, mesmo no caso dos credores serem privados, toda a gente acaba atingida.

 

7. Muitos na esquerda sabem isto. (O governo grego joga com isto.) Mas que melhor forma de tentar fazer implodir o sistema capitalista, mantendo a retórica de que foi ele próprio o causador da queda? (A acontecer - ver-se-á então o que é recuar dezenas de anos em termos de rendimento disponível -, tê-lo-á sido em parte; governos irresponsáveis fizeram o resto.)

  

8. A situação actual valida a posição dos que, um pouco por toda a Europa, receavam que a compatibilidade entre uma moeda assente na responsabilidade (como as do Norte da Europa tendiam a ser) e políticas centradas na demagogia (como as do Sul da Europa quase sempre foram) se revelasse impossível. Poucos terão hoje mais razões para dizer "bem vos dissemos" do que os cépticos que, na Alemanha, contestaram o abandono do marco. A Alemanha cedeu porque desejava apoio político para a reunificação e a França exigia o euro, invejosa que sempre esteve da força do marco e incapaz de perceber o que ele implicava em termos de contas e políticas públicas. Ilusões da França (e de Espanha, Itália, Portugal e Grécia), ingenuidade da Alemanha (e da Holanda, Áustria, Finlândia e - quão estranho é escrevê-lo - Irlanda). Moral da história: por norma, é preferível considerar como correctos os melhores cenários dos pessimistas - e não misturar mundos incompatíveis.

 

(Fotografia: Alamy Alamy / Alamy, recolhida no Bing.) 

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A semana do desespero.

por Luís Menezes Leitão, em 03.07.15

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Um leitor deste blogue chamou-me a atenção para estas imagens publicadas pelo Observador, demonstrando as filas dos reformados gregos, tentando receber as suas pensões de bancos que têm que estar fechados pois de outra maneira não resistiriam perante os contínuos levantamentos por parte dos depositantes. Os reformados gregos são as vítimas inocentes desta estratégia do Syriza, que de um momento para o outro pode deixá-los sem nada.

 

Isto porque provavelmente estes levantamentos serão os últimos que terão em euros e o novo dracma só pode significar a miséria na Grécia. Diz-se que a saída do euro implicaria em Portugal uma desvalorização de 50% enquanto que na Grécia chegará aos 80%. Ou seja, Portugal entrou no euro com este a valer 200,482 escudos e agora sairia com o novo escudo a valer 1/300 avos de um euro. Já quando a Grécia entrou no euro o dracma foi convertido a €0.0029 e agora seria convertido a €0,00058. Ou seja o novo dracma será equivalente a 1/1724 avos de um euro. Podem naturalmente dar outros valores às novas moedas criadas mas a realidade económica subjacente é esta. 

 

O problema é que isto não vai ficar por aqui, pois como se viu depois do confisco de Collor no Brasil em 1990 ou do corralito argentino de 2001, o resultado destas brincadeiras é sempre uma hiperinflação, com uma alta do custo de vida que destruirá completamente o valor das pensões. Estes reformados já viveram muito e sabem bem o que os espera. O sarilho em que o governo do Syriza fez cair a Grécia vai-lhes custar muito caro.

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Stiglitz dixit

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.06.15

"That concern for popular legitimacy is incompatible with the politics of the eurozone, which was never a very democratic project." - Joseph Stiglitz  

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Em Harare também não se reuniram porque se sair um ficam 18

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.06.15

"Em quase todas as capitais da União — Lisboa foi a grande excepção —, os governos reuniram-se de urgência para avaliar o referendo anunciado por Tsipras na madrugada de sábado. Houve conselhos de ministros extraordinários, reuniões de chefes de Estado com os seus núcleos duros, encontros com os responsáveis dos respectivos bancos centrais ou até, no caso de Berlim, uma inédita reunião que juntou os líderes de todos os partidos com representação no Parlamento." - Sofia Lorena, Público, 30/06/2015, p. 2

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Onde tudo começou

por José António Abreu, em 29.06.15

A Grécia entrou no Euro em 2001. Desde essa altura, teve um crescimento imparável.

Muito superior ao registado em Portugal - ou na Alemanha. Convém ver os números (PIB, salários, consumo) e perceber porquê. Leitura essencial, n'O Insurgente. Por Carlos Guimarães Pinto.

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Coerências (auxiliar de memória para os fãs)

por José António Abreu, em 29.06.15

Varoufakis afastou a possibilidade de um referendo aos termos do acordo dizendo que seria efectivamente um voto à manutenção do euro como moeda.

«Seria injusto para os cidadãos gregos terem de tomar uma posição sobre o assunto, respondendo com um sim ou um não», disse ele.

19.05.2015. Tradução minha.

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Pescadinha

por José António Abreu, em 28.06.15

Falando acerca disto após o Eurogrupo, o loquaz ministro das finanças da Grécia, Yannis Varoufakis, tombou em incoerências. A recusa dos ministros em aprovar uma extensão do programa, disse ele, causou «danos permanentes à credibilidade da UE». Porquê? Porque havia uma «muito elevada probabilidade» de que os gregos ignorassem o governo e aprovassem a proposta dos credores. A Grécia, parecia estar a argumentar o Sr. Varoufakis, merecia ainda mais uma extensão do programa para dar tempo ao governo para aconselhar os eleitores a rejeitar os seus termos porque esse conselho poderia bem ser rejeitado.

The Economist. Tradução minha.

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Timings (e felicitações)

por José António Abreu, em 27.06.15

O referendo constituiria uma opção razoável se realizado antes do final de Junho. Para que tal fosse possível, o governo grego não poderia ter queimado meses em manobras dilatórias. Mais: considerando o apelo ao voto no «não» por parte do Syriza, seria de toda a conveniência garantir uma margem de várias semanas, uma vez que a vitória do «sim» deixaria o governo numa posição insustentável, podendo ser necessário realizar eleições antecipadas.

Agora tudo se precipita e, a menos de um golpe de teatro de último instante, o referendo nem sequer faz sentido (no próximo domingo, a proposta terá perdido a validade). Como, de resto, a análise acima também pode não fazer - porque é bem possível que Tsipras tenha conseguido o seu verdadeiro objectivo: retirar a Grécia da zona euro sem, junto dos seus cidadãos e de ingénuos espalhados um pouco por toda a Europa, parecer ter manobrado para o fazer. Caso em que restará dar-lhe os parabéns por um trabalho bem feito.

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O genial plano de Varoufakis

por José António Abreu, em 28.05.15

1. Fazer sair a notícia de que está iminente um acordo com as «Instituições»;

2. Assistir à valorização do euro;

3. Trocar os euros disponíveis por dólares (ou recolher os benefícios de apostas no mercado de futuros);

4. Aguardar enquanto os desmentidos e a passagem do tempo mostram a falsidade da notícia;

5. Assistir à desvalorização do euro;

6. Trocar os dólares por euros (ou recolher os benefícios de apostas no mercado de futuros);

7. Voltar a 1.

Depois de meses a lançar rumores falsos, vai-se a ver e o governo grego está a nadar em dinheiro.

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Já não há pachorra

por Rui Herbon, em 13.05.15

greece-bankrupt

O governo do Syriza tem sido um desastre:

 

1 – Ao mesmo tempo que o executivo admite ficar em breve sem liquidez, a sua maioria no parlamento aprovou a readmissão de 13.000 funcionários públicos, aos quais deviam explicar como vão pagar a médio prazo. Talvez Varoufakis pense já fazê-lo em dracmas (cuja desvalorização nas primeiras semanas do eventual regresso é estimada por alguns em 80%) ou em dívida pública que, evidentemente, não irá pagar (recorda o peronismo argentino – les beaux esprits se rencontrent).

 

2 – Em apenas 100 dias, o governo de Tsipras conseguiu que as estimativas de crescimento do PIB grego para este ano passassem de 2,5% para a estagnação. Ao mesmo tempo o desemprego mantém-se nos 25%.

 

3 – O sistema financeiro grego apenas funciona à custa de empréstimos do BCE. Os cidadãos confiam tanto no seu governo e na sua capacidade para dirimir a crise que estão a tirar o dinheiro dos bancos, praticamente insolventes, para colocá-lo fora do país ou, em alternativa, manter os euros debaixo do colchão.

 

4 – O prémio de risco sobre obrigações do país do Egeu voltou a níveis insustentáveis e, se não forem os parceiros europeus e entidades comunitárias a fornecer liquidez a Atenas, a bancarrota será inevitável.

 

Claro que o discurso do Syriza é culpar os credores pela situação. O que havia que explicar-lhes, pela enésima vez, é que o que se pede a Atenas é que adopte um modelo económico sustentável. A Grécia viveu as últimas décadas à conta de dinheiro emprestado. Quando se verifica os défices públicos dos últimos 15 anos, a sua percentagem relativamente ao PIB atinge, na maior parte dos casos, os dois dígitos. Se nos voltarmos para o défice comercial, os números são igualmente maus. É esse défice duplo, público e comercial (para além de ser cronicamente um país de evasão fiscal e de capitais), a causa da situação grega; não os credores. As contas públicas foram aldrabadas durante décadas (os dados anteriores a 2011 nem constam no Eurostat, por serem fantasiosos), para conseguirem a adesão à CEE, a entrada no euro e os empréstimos que foram mantendo o país à tona. Mas nunca Tsipras e companhia admitirão essa evidência, porque seria o seu fim político. A sua estratégia é tentar manter um nível de vida incompatível com a riqueza que o país cria; à conta do dinheiro dos outros, claro, inclusive de países (como os do Báltico) onde o salário mínimo é metade. O que me espanta é ainda haver na Europa quem os ature.

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No seguimento do texto anterior

por José António Abreu, em 28.02.15

(Este texto.)

Os partidos populistas, baseando a conquista de votos não apenas em promessas impossíveis de concretizar mas na denúncia da promiscuidade entre os governos dos partidos «tradicionais» e o sector privado, caem numa aparente contradição quando exigem uma moeda - seja esta um euro fraco ou novas-velhas moedas nacionais - capaz de a disfarçar. Uma moeda fraca está inextricavelmente  ligada a regimes mais corruptos e a menores níveis de riqueza geral. Compare-se outro Sul com o Norte de sempre. Os países da América Latina têm tradicionalmente moedas que acomodam a corrupção e os exageros populistas dos políticos - até ao momento em que mesmo isso deixa de ser possível. Os países do Centro e do Norte da Europa favorecem tradicionalmente moedas fortes e estáveis, que obrigam os empresários a apostar na competitividade e os políticos a justificarem opções perante o eleitorado. Por não disfarçar os problemas, a moeda forte torna os eleitores mais exigentes e dificulta a realização de promessas vãs. Ou seja, dificulta os populismos. É por isso que a contradição não passa de aparência e é também por isso que os políticos minimamente honestos enfrentam enormes dificuldades em épocas de crise.

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O objectivo

por José António Abreu, em 27.02.15

Acontece que para os gregos, o euro não é apenas uma moeda a que a sua economia esteja mais ou menos adaptada. É um projecto político, um ideal: é a possibilidade de, um dia, viverem num país onde o Estado, dominado por interesses de todo o tipo (sindicais, empresariais, corporativos, clientelares, etc.), não abuse da moeda para servir esses interesses à custa de todos os outros cidadãos. É isso que os exercícios de análise económica não apanham, nem o discurso corrente da integração europeia, que reduz tudo a uma questão técnica: como conter, numa união monetária, economias divergentes e políticas contraditórias.

Rui Ramos, no Observador.

 

Não somente para os gregos. Para os portugueses também. De resto, não será apenas coincidência que, em Portugal, não obstante as incapacidades próprias do governo, as mil e uma obstruções que enfrentou e os interesses corporativos dos partidos que o formam, os últimos anos tenham revelado uma progressiva «limpeza» na relação entre o Estado e outras entidades. A forma como não se salvou o grupo Espírito Santo, a profusão de casos judiciais contra políticos e empresários, a limitação do (ou, pelo menos, a pressão pública contra o) poder discricionário de conceder favores (veja-se a polémica actual sobre o planeado perdão da autarquia de Lisboa a uma entidade com tantos fãs como o Benfica) são também efeitos de uma moeda que deixou de ser um fantoche nas mãos dos políticos.

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Leituras recomendadas

por Pedro Correia, em 27.02.15

Syriza dumps Marx for Blair. De Robert Peston, na BBC.

 

Syriza's scattergun. Na Economist.

 

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'Destroikando' em miúdos

por José António Abreu, em 21.02.15

Quem ganhou? Acima de tudo, a Grécia perdeu. O governo aceitou quase todas as exigências e o país está hoje pior do que estava há três meses. Sobra a retórica imbatível de Varoufakis, o sexy e sincero, que conseguiu uma provável descida do objectivo para o excedente primário e que «a Troika» fosse substituída no léxico oficial por «as Instituições».

O acordo é para levar a sério? Sem sombra de dúvida, talvez. Para já, é preciso concluí-lo e para isso as medidas a apresentar pelo governo grego na próxima segunda-feira têm de ser credíveis (nada menos certo). Depois, ninguém estranhará se for desrespeitado nos meses seguintes, através da aplicação de medidas não previstas ou da recusa em corrigir eventuais desvios orçamentais. Hipótese mais divertida: não passar de um estratagema para ganhar tempo e preparar a saída do euro.

Porquê quatro meses e não seis? Porque em Julho e Agosto a Grécia tem de efectuar pagamentos de quase 7 mil milhões de euros e um bocadinho de pressão extra sobre Tsipras e Varoufakis só pode ajudar nas negociações para um novo plano de financiamento. Porque Portugal e Espanha têm eleições antes do fim do ano e convém ter o governo grego domesticado – ou a Grécia fora do euro – a tempo dos eleitores perceberem a inutilidade que é votar em Syrizas.

E por cá? Tem piada ver bloquistas a comemorar.

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As razões do pânico

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.02.15

"Seven years into the crisis, the eurozone economy is doing much worse than the United States, worse than Japan during its lost decade in the 1990s and worse even than Europe in the 1930s: GDP is still 2 percent lower than seven years ago and the unemployment rate is in double digits. The policy stance set by Angela Merkel’s government in Berlin, implemented by the European Commission in Brussels, and sometimes tempered — but more often enforced — by the European Central Bank (ECB) in Frankfurt, remains disastrous. (...)

The belief that Greece has little leverage in its negotiations with eurozone authorities is false. If no agreement is reached and Greece is illegally forced out of the euro by Berlin and Frankfurt, it would doubtless default on all its debts to both eurozone governments and the ECB, as well as the Bank of Greece’s Target 2 liabilities. Speculation would soon start about which country might be next to exit the euro — Portugal? — and the single currency would suddenly look eminently revocable.

Do Berlin and Frankfurt really want to push Athens over the brink? I doubt it. Especially since, freed of its external debt and an overvalued exchange rate, Greece would doubtless be growing again once the immediate chaos subsided. After all, even an economy as badly managed as Argentina started growing again only a year after the government defaulted and junked its dollar peg in 2002." - Foreign Policy

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No deal.

por Luís Menezes Leitão, em 17.02.15

As relações entre Estados não se baseiam em juízos de culpa, moralismos ou piedade. Baseiam-se em encontrar hipóteses de acordo que permitam chegar a um ponto de equilíbrio. E quanto aos tratados, eles não são imutáveis, podendo e devendo ser rapidamente modificados se as circunstâncias se alteram. Hoje já ninguém se lembra de quando a Senhora Thatcher descobriu que o Reino Unido estava a ser o maior contribuinte líquido para a então CEE. Chegou ao Conselho Europeu e disse apenas as seguintes palavras: "I want my money back". Os restantes membros do Conselho deram-lhe razão e o Reino Unido passou a receber anualmente uma devolução das suas contribuições, o famoso cheque britânico. Na altura ninguém falou em tratados e compromissos e se tivesse falado, já se sabe a resposta que teria da Dama de Ferro.

 

Hoje a situação é similar: a Alemanha é o único país que está a ganhar com o euro, estando todos os outros a perder. Tem por isso toda a lógica que a Alemanha pague em contrapartida dos benefícios que está a ter. Caso contrário os outros países terão que sair do euro, tornando a moeda insustentável. Hoje é a Grécia, amanhã será Chipre, e depois virão os outros. Pode levar décadas, mas depois de um sair, o dominó será implacável.

 

É por isso que não vale a pena esperar por um acordo em relação à Grécia. Tsipras e Varoufakis preferem sair do euro, a continuar com estes resgates disparatados, como bem aqui se salienta. E Schäuble não prescinde da sua irredutibilidade, preferindo acusar os eleitores gregos de irresponsabilidade. Por aqui se vê como a União Europeia não passa afinal de um gigante com pés de barro.

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O mercado interno, o euro e os encantos do passado

por José António Abreu, em 12.02.15

Resumindo, não é possível um mercado interno com união aduaneira, a funcionar correctamente – e durante muito tempo –, num ambiente de distintas moedas. Não é possível na União e não foi nunca em parte alguma do Mundo. É bom que os detractores do euro pensem nisso quando pensam nisso: sem moeda única, não há mercado interno.

[...]

Duas coisas me irritam, confesso, nos cépticos do euro: a constante referência à soberania nacional e o apelo ao regresso ao tempo do escudo, quando o mel e o leite corriam abundantes pelas doces encostas pátrias, concedendo a todos o benefício do progresso e do bem-estar. Quanto à soberania, lamento, não sei do que falam: há quanto tempo não é Portugal verdadeiramente soberano nas matérias que transferiu para a União e cuja recuperação formal não serviria de qualquer modo para nada? Num Mundo global, países da nossa dimensão e com os nossos recursos têm pouca soberania – sustento aliás que Portugal ganha soberania na condição de membro da União. Quanto ao argumento do passado, de um tempo em que um escudo pujante nos garantia um lugar cimeiro entre as nações ricas do Mundo: quando foi isso? Portugal tinha em 1985, ano anterior à adesão, um PIB per capita pouco superior a 50% da média comunitária, tendo crescido desde então acima dos 70%. Querem comparar o país com escudo com o Portugal de hoje? Era melhor em quê? Havia desemprego, inflação, juros altos, salários em atraso. Melhor em quê? E ao que voltaremos no dia em que, recuperado o amado (e não assim tão velhinho) escudo, sucessivas desvalorizações empobrecerem o país como fizeram tantas vezes ao longo da nossa História, pondo-nos ainda mais longe dos tais países ricos que alegadamente nos exploram dentro da UE (coisa que não farão quando estivermos fora, claro – isto é uma ironia)?

[...]

E não sendo novidade, também é facto que está feita boa parte do caminho da integração, logo da resolução dos defeitos da concepção da zona euro. Como escreveu Alberto Gallo do Bank of Scotland, a zona euro está cada vez mais unida, com união bancária (ainda incompleta, é certo), união financeira (a meio caminho), união orçamental (a fazer-se) e até com a prometida compra de títulos da dívida soberana e sua mutualização (parcial, nos 20% assumidos pelo BCE do Quantitative Easing). Pediam solidariedade europeia? Pediam injecções de dinheiro “à americana”? Pediam a diminuição do preço do euro para beneficiar os deficitários? Check, check, check. Quando a crise começou e sobretudo a partir daquilo a que chamo o tempo dos resgates (2011), nada do que desde então se fez era previsível. Muitos eurocépticos (contra o euro, pelo menos), previram então a saída da Grécia – e de Portugal – e a desagregação iminente da zona euro e da própria União. Já lá vão 4 anos, eles continuaram a prevê-la a cada sinal de crise, muito mudou mas a união não se desagregou. A Europa, quer queiram quer não, está unida. A Alemanha, tão e sempre odiada e apontada como responsável pela crise, continua a ser o travão contra os excessos e as euforias induzidas pelos Syrizas do dia, ainda que continue a ceder sempre que é preciso – sempre que a Europa precisa.

 

Paulo de Almeida Sande, no Observador. Há muito mais no artigo, sobre passado, presente e eventual futuro. O risco não abordado - com potencial para tornar excessivo o optimismo revelado no final do texto - é que os populismos destruam um processo forçosamente lento, pela necessidade de efectuar reformas difíceis em alguns países (que lhes permitam não constituir um peso excessivo e permanente) e de levar outros a aceitar uma progressiva união fiscal e orçamental (através de um orçamento comunitário reforçado, por exemplo).

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O castelo de cartas.

por Luís Menezes Leitão, em 10.02.15

Por acaso acho que Varoufakis tem inteira razão. O euro não passa de um castelo de cartas e a retirada da carta grega vai ser a queda de todo o castelo, a começar por Portugal e Itália.

 

Bem pode o Ministro das Finanças italiano proclamar que "a dívida italiana é sólida e sustentável". Não só a dívida italiana já atingiu os 132% do PIB, como a Itália tem uma população idosa a rondar os 30%, cinco pontos acima da média europeia e continua a crescer. Quem hoje empreste dinheiro a longo prazo à Itália, arrisca-se daqui a uns anos a que o devedor seja um Estado em que a maioria da população é pensionista. Não sei como é que alguém pode considerar uma dívida destas sustentável.

 

Já Portugal, que também tem uma dívida que já ultrapassou os 130% do PIB, e uma população idosa acima dos 20%, reagiu ao anúncio grego com a antecipação do reembolso ao FMI. Sabendo-se que o total da dívida pública portuguesa é de € 217.126.401.453 o reembolso antecipado de 14 mil milhões de euros, totalmente financiado com a aquisição de nova dívida, não me parece que faça grande diferença. É verdade que os juros estão a cair, mas estamos praticamente em deflação, a qual é mortal para quem tem dívidas. Não foi Cavaco Silva que disse que precisaríamos de um crescimento nominal de 4% todos os anos para conseguir baixar a dívida para 60% em 2037? E onde pára esse crescimento?

 

O único país que me parece que está verdadeiramente a ganhar com o euro é a Alemanha. E como isto é um jogo de soma zero, os benefícios da Alemanha são negativos para os outros países. Não sei por quanto tempo iremos continuar nesta viagem na irrealidade quotidiana, em que ninguém assume o que parece óbvio para todos. A Grécia pelos vistos já se fartou disto. Vamos ver quanto tempo os outros Estados aguentam.

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A primeira barricada do imobilismo

por José António Abreu, em 10.02.15

Sem as chamadas “reformas”, o dinheiro, só por si, nunca será mais do que um paliativo temporário, tal como os perdões de dívida, porque a economia da Grécia não é capaz de usar os recursos de outra maneira. Muito provavelmente, serviria apenas para aumentar as importações com origem na Alemanha, como já está a acontecer em Portugal. Ora, ao eleger o governo do Syriza e da extrema-direita, o eleitorado grego sinalizou que não quer adaptar a sua economia para funcionar dentro da zona Euro. É este o problema que não cabe na análise de Vítor Bento.

Neste ponto, chegámos ao maior erro da zona Euro, e que, esse sim, é o erro fatal: a ideia de que o enquadramento e a pressão externa bastariam para provocar mudanças na Grécia e em outros países, independentemente das configurações de forças políticas internas. Bem apertados, os gregos arranjar-se-iam para resolver o problema. Não se arranjaram. Pelo contrário: a pressão externa serviu apenas para fazer os partidos europeístas parecerem agentes de um castigo estrangeiro, e deu a bandeira da soberania aos populismos da extrema-esquerda e da extrema-direita. Mais: o enquadramento do Euro criou a expectativa de que, para preservar a união monetária, toda a UE acabaria por submeter-se ao Syriza, cujo despesismo pareceu assim credível aos eleitores gregos. Ironia da história: o Euro, que se julgava fosse o instrumento de transformação do sul, funciona agora como a primeira barricada do imobilismo.

Rui Ramos, no Observador. Convém ler o resto.

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A bordo do Titanic.

por Luís Menezes Leitão, em 20.01.15

Parece claro que o ano de 2015 se arrisca a ser o ano que comprovará o falhanço definitivo do euro. Curiosamente o programa "quantitative easing", que parece vir a ter luz verde do Tribunal de Justiça da União Europeia, pode ser o teste decisivo que comprovará a inviabilidade do euro. Pelo menos vai inviabilizar qualquer tentativa dos outros bancos centrais em manter a paridade com o euro, que vai ter uma desvalorização clara. A Suíça já desistiu de manter a paridade entre o euro e o franco suíço, fazendo este apreciar-se para valores estratosféricos. E a Dinamarca pode ser obrigada ao mesmo, já que só baixando a taxa de juro para valores negativos consegue manter a paridade entre a coroa dinamarquesa e o euro.

 

Se esta depreciação do euro é positiva para os países da zona euro, não deixa de sinalizar alguma desconfiança, quer na economia da zona euro, quer no futuro da sua moeda. E neste caso, a saída da Grécia da zona euro, que a vitória anunciada do Syriza pode tornar inevitável pode ser o icebergue que afundará definitivamente este Titanic. É pena que a Alemanha, que tanto ganhou com o euro, não tenha compreendido a tempo útil que só partilhando esse ganho com os outros países poderia salvar a moeda única. Agora é tarde. Depois de o Titanic se romper, nada o pode fazer manter-se à tona de água.

 

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Vanguarda suíça ou o Draghi dos Cantões

por José António Abreu, em 16.01.15

O Banco Central da Suíça deixou ontem de defender a cotação do franco em relação ao euro, que desde 2011 mantinha em torno de 1,2. O franco valorizou quase 20%. Há três possíveis explicações para esta decisão:

 

1. Num país onde muitas vozes se opõem a políticas de estímulos financeiros (e onde até já se fez um referendo questionando os suíços acerca da conveniência do banco central reforçar as reservas de ouro), o Draghi dos Cantões pretendeu validar a posição mantida nos últimos anos (durante os quais comprou Eigers, Matterhorns e Jungfraus de euros com francos fresquinhos), mostrando aos cépticos quais as consequências de deixar os mercados funcionar livremente (atitude que, refira-se, muito desagradou a vários agentes dos mercados). Como tudo não passa de uma brincadeirinha (esta hipótese pressupõe que os banqueiros centrais têm sentido lúdico mas convém despachar a teoria da conspiração logo no início), deverão ser anunciadas medidas em sentido contrário a muito breve prazo.

 

2. Sabendo que o BCE vai iniciar um programa de compra de dívida, o Draghi dos Cantões (a minha inércia impede-me de lhe pesquisar o nome) decidiu que o esforço necessário para continuar a assegurar a cotação do franco era suicidário e abandonou o barco dos que acreditam que os estímulos financeiros vão resultar, aceitando as perdas a curto e médio prazo para os sectores exportadores da economia suíça.

 

3. Prevendo que o BCE não possa – ou, apesar de todos os soundbites em sentido inverso, não queira – iniciar o programa de compra de dívida, o Draghi dos Cantões (que, aposto, não fala cantonês) antecipou a subsequente queda do euro para, permitindo agora uma valorização do franco, conseguir que, apenas por acção dos mercados, ele acabe o processo com uma cotação não demasiado penalizadora para as exportações suíças.

 

No caso de qualquer uma das duas últimas hipóteses ser a verdadeira, a mensagem do Draghi dos Cantões é tão cristalina como pingentes de gelo em chalé alpino: o esquema de Ponzi com que tantos bancos centrais andam entretidos não funciona e tem de acabar. Esperemos que ele seja apenas um suíço pessimista.

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Grexit?

por Luís Menezes Leitão, em 06.01.15

 

O grande problema da zona euro é a sua total falta de controlo democrático, o qual estaria necessariamente associado à criação de uma moeda sem Estado. Na verdade, nem sequer os órgãos da União Europeia, como o Parlamento Europeu e a Comissão Europeia, estão minimamente vocacionados para gerir esta zona, até porque a sua legitimidade eleitoral abrange quer os países que estão na zona euro, quer os países que ainda não aderiram a esta moeda. Assim sendo, as decisões acabam de ser tomadas apenas por um país: a Alemanha.

 

Até agora o que permitiu salvar o euro foi Merkel ter dado a entender que nenhum Estado-Membro abandonaria a moeda única, o que eliminou alguma desconfiança dos mercados nesta moeda peculiar. Mas Merkel nunca disse a palavra decisiva que os mercados tanto querem ouvir: que a Alemanha assumirá a dívida dos outros Estados-Membros, seja qual for a forma que revista essa assunção de responsabilidades. Não o fez porque a nível interno as consequências de dizer algo semelhante seriam catastróficas para a popularidade do seu governo, uma vez que em termos económicos o euro está a ser um excelente negócio para a Alemanha, mesmo que esta tivesse que intervir em auxílio dos Estados do Sul. Já a imposição de uma austeridade extrema aos "preguiçosos do Sul" agrada aos alemães, que nunca viram com bons olhos a irresponsabilidade na gestão das contas públicas, de que o nosso disparatado investimento no TGV é um bom exemplo.

 

O problema deste raciocínio é que é necessário que os governos colaborem com a austeridade, o que até agora tem acontecido com os governos dos Estados do Sul a acatarem atentos, veneradores e obrigados, os ditames de Merkel. Mas, pelos vistos, depois de medidas de austeridade cada vez mais extremas, os gregos chegaram ao ponto em que já não aguentam e estão dispostos a levar o Syriza ao governo. Merkel já está absolutamente farta desta deriva grega e prepara-se por isso para não aceitar qualquer chantagem de Alexis Tsipras e indicar à Grécia a porta da saída do euro. A Comissão Europeia já apareceu a protestar e a proclamar irrevogável a presença no euro. Mas os portugueses já aprenderam o significado dessa palavra em política. E depois dos dez anos da presidência de Barroso, já todos sabem que a Comissão Europeia nada manda na Europa.

 

A questão é que a saída da Grécia, com a natural bancarrota associada, lançará um descrédito mortal sobre os outros países do Sul e sobre o euro em geral, podendo levar ao colapso definitivo da moeda. Não parece, porém, que neste momento Tsipras e Merkel se preocupem com as consequências. Cada um deles parece mais apostado em levar a água ao seu moinho. Parece que voltámos à velha política de Mao Tsé-Tung: "Há um caos total debaixo dos céus. A situação é excelente". Bom ano de 2015.

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Pós-eleitoral (2)

por Pedro Correia, em 26.05.14

1. O PCP rejuvenesceu, o Bloco envelheceu. Trocaram de papéis. Isso reflectiu-se nos votos.

 

2. Aumentaram os nulos, baixaram os brancos. Culpa das redes sociais, que já intereferem nas câmaras de voto. A malta adora fotografar o boletim de voto riscado e divulgá-lo nas redes sociais. Nítido nulo.

 

3. Os partidos que defendem a saída de Portugal no euro, todos somados, recolheram ontem apenas 15% dos votos expressos. As coisas são o que são.

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Profetas da nossa terra (26)

por Pedro Correia, em 22.05.14

«Fim do euro deverá ocorrer até ao final deste ano.»

Pedro Braz Teixeira, 28 de Setembro de 2012

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Sentido de perspectiva.

por Luís Menezes Leitão, em 03.05.14
Neste post, José Manuel Fernandes procura demonstrar que a queda do rendimento nacional não foi afinal tão acentuada em Portugal desde que a crise começou, considerando que o problema já vem de trás, atendendo ao magro crescimento do país desde 2000. Refere que "no período que vai de 2000 a 2013 só a Itália cresceu menos do que nós. O que significa que, se calhar, os nossos problemas não derivam só, nem sobretudo, da austeridade recente. Têm raízes mais antigas". E de facto têm. Não se pode esquecer o absurdo sistema de arrendamento, que só agora começa a ser paulatinamente resolvido, e que empurrou a dívida privada para valores estratosféricos. Mas também não se pode esquecer que nas décadas anteriores à de 2000, que não são citadas por José Manuel Fernandes, o país crescia a níveis muito razoáveis, tendo deixado apenas de o fazer precisamente a partir de 2000. Para "ver as coisas com algum sentido de perspectiva", conforme defende o autor, é precisamente necessário perguntar o que se passou em 1999 que levou a que a partir de 2000 as taxas de crescimento passassem a ser tão anémicas. Ora, a resposta é simples: a adesão ao euro. Está demonstrado por este estudo que se Portugal não tivesse aderido ao euro teria tido taxas de crescimento muito superiores.

 

Espanta por isso que, em alturas de eleições europeias, os políticos do arco da governação não discutam a questão que verdadeiramente interessa, que é a de saber se temos ou não condições para permanecer no euro. Na verdade, parece que o colete de forças do euro se estendeu de tal forma aos políticos portugueses, que eles não conseguem discutir nada de relevante. Paulo Rangel, depois dos seus tweets a lembrar os 101 dálmatas, discute agora coisas tão importantes como a nacionalidade do próximo Presidente da Comissão. Francisco Assis propõe uma "leitura inteligente" do Tratado Orçamental que o seu partido aprovou, julgando se calhar que os outros países europeus são estúpidos e não irão exigir a aplicação do tratado até à última linha. Passos Coelho, depois de ter sido obrigado pela troika a reformular o DEO, entrou agora em estado de negação e proclama que não está a aumentar impostos, enquanto não diz ADEO definitivamente. Já António José Seguro, estimulado pelas sondagens, entrou em estado de euforia tal que já propõe constantemente que sejam os alemães a pagar a crise, deixando o seu candidato Martin Schulz sistematicamente em estado de choque. É manifesto que isto não vai acabar bem.

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Paraísos de crescimento económico e justiça social

por José António Abreu, em 14.02.14

Argentina is once again at the centre of an emerging-market crisis. This one can be blamed on the incompetence of the president, Cristina Fernández, but she is merely the latest in a succession of economically illiterate populists, stretching back to Juan and Eva (Evita) Perón, and before. The Chilean and Uruguayans, the locals Argentines used to look down on, are now richer. Children from both those countries – and Brazil and Mexico too – do better in international education tests.

[…]

On Europe’s southern fringe, both government and business have avoided reality with Argentine disdain. Italy’s petulant demand that rating agencies should take into account its “cultural wealth”, instead of looking too closely at its dodgy government finances, sounded like Ms. Fernández. The European Union protects Spain or Greece from spiralling off into autarky. But what if the euro zone broke up?

The Economist, número saído hoje.

 

Nada que assuste os populistas de esquerda, tão activos como os de direita mas com muito melhor imprensa. Das duas, uma: como a Sra. Fernández e, um pouco mais a norte, o Sr. Maduro, não vêem os riscos ou estão mesmo convencidos (e iludidos) de que será possível forçar parte da Europa a cobrir-lhes a demagogia.

 

(Para que conste, no final de 2012 escrevi: Em 2013 continuará a discutir-se por cá a relação custo/benefício do euro. Na Argentina continuará a discutir-se a relação custo/benefício da inflação.)

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A ruína do euro.

por Luís Menezes Leitão, em 07.02.14

 

A visão que existe sobre a moeda europeia no estrangeiro é a de que não só o euro foi mal construído, como os europeus estão a fazer tudo para o destruir. E de facto a destruição do euro é o que parece ser o resultado mais provável da recente decisão do Tribunal Constitucional alemão que decidiu efectuar o reenvio prejudicial para o Tribunal de Justiça da União Europeia para esclarecer se considera a actuação do BCE de compra de dívida em conformidade com os Tratados, adiantando desde já a sua reprovação a essa actuação. Não sei qual será o pior dos resultados que daqui pode advir. Ou o Tribunal de Justiça da União Europeia declara a actuação do BCE em desconformidade com os tratados — e já se sabe que o BCE estará de futuro proibido de qualquer outra intervenção nesta área — ou dá a sua cobertura a essa actuação e o resultado pode ser a futura declaração de inconstitucionalidade dos tratados por contrariedade à constituição alemã. Em qualquer caso, estamos perante uma demonstração de que o Tribunal Constitucional Alemão se leva a sério e é imune a todas e quaisquer pressões. Este pode ser assim o dia da condenação definitiva do euro à ruína. Vamos ver as cenas dos próximos capítulos.

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Manias

por Sérgio de Almeida Correia, em 07.02.14

Então e agora? Ninguém se queixa do Tribunal Constitucional alemão?

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O que Nouriel Roubini disse sobre a crise em geral e Portugal em particular:

 

Julho de 2009

O pior da crise já está para trás: recessão acaba este ano.

 

Junho de 2011

Uma "tempestade perfeita" pode afectar a economia mundial a partir de 2013. (...) Dívidas da Grécia, da Irlanda e de Portugal precisam de ser reestruturadas o mais rápido possível. Adiar essa decisão pode resultar num processo de default mais desordenado.

 

Junho de 2011

A zona euro encaminha-se para uma ruptura, com a saída dos membros mais fracos, incluindo Portugal, com a actual abordagem à crise.

 

Setembro de 2011

Portugal e Grécia são os países da zona euro com maior probabilidade de abandonar a moeda única, podendo fazê-lo num horizonte de três a cinco anos.

 

Setembro de 2011

A zona euro é uma fonte de risco sistémico. Se existir uma situação de desordem na zona euro, será pior que o Lehman Brothers.

 

Março de 2012

A Grécia sairá da zona euro, talvez no início de 2013. Portugal também pode abandonar a moeda única.

 

Julho de 2012

Hipóteses de Portugal e Grécia saírem do euro é de 85%

 

Julho de 2012

Zona euro vai desmoronar-se dentro de seis meses

 

Setembro de 2013

Se o Tribunal Constitucional chumbar mais medidas no corte da despesa em Portugal, um segundo resgate pode ser inevitável.

 

Novembro de 2013

A dívida de Portugal precisará de uma reestruturação. A situação de Espanha é insustentável.

 

 

O que o mesmo especialista diz agora (teme-se o pior):

 

Janeiro de 2014

A zona euro já está no ponto de viragem no que toca à superação da crise das dívidas soberanas na região e os riscos de um país abandonar o euro são hoje menores. O pior da crise já passou.

 

Gravura: "quadradinho" do álbum Le Devin, de Astérix (Uderzo/Goscinny)

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O fim do euro.

por Luís Menezes Leitão, em 12.05.13

 

Parece evidente que os países do Sul da Europa precisam de imprimir dinheiro como de pão para a boca, sem o que vão continuar com um sufoco absoluto nas suas economias. Os Estados Unidos da América têm aliás dado o exemplo, uma vez que não têm parado de imprimir dólares desde que começou a crise, e não se têm dado mal com isso, não sofrendo o dólar da mesma desconfiança com que o euro é encarado a nível internacional. A Câmara de Nápoles já assumiu a dianteira e decidiu criar uma moeda própria, o napo, que faz circular em complemento com o euro, aumentando assim a massa monetária em circulação na sua cidade. Ora, é manifesto que se a moda pega, haverá imensas cidades a repetir a mesma iniciativa, a começar por Lisboa, onde António Costa não se deverá esquecer de lançar o lisbo, uma vez que, como se vê pelo amontoar de lixo nas ruas, Lisboa quase parece gémea de Nápoles. A questão é que os alemães, com a sua obsessão pela disciplina orçamental, acharão que os latinos os estão a tomar por "napos", inventando este tipo de estratagemas. É por isso manifesto que o euro não tem salvação possível.

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Claro como a água

por José Navarro de Andrade, em 04.05.13

O exemplar de hoje do Expresso gratifica-nos com uma conversa protagonizada pela magistral Clara Ferreira Alves que por uma vez, excepcional e extraordinariamente, se coíbe de tratar o entrevistado tu cá tu lá com’ós caldeireiros. Do outro lado da mesa assentou João Ferreira do Amaral (JFA), mais um prócere da economia, uma ciência cujas benesses e maravilhas temos vindo a experimentar e sobre a qual uns certos espíritos contumazes ultrajam ser mais aparentada com os princípios da alquimia do que com as exactas chatezas newtonianas.

JFA não hesita em desqualificar o actual rumo das finanças públicas: “O grande erro desta política foi exagerar na austeridade. É possível aplicar uma política com menos austeridade e melhores resultados orçamentais.”

A receita para tão suave milagre anda JFA a bradá-la há anos neste deserto: sair do €. Limpo, cirúrgico e indolor, ou pelo menos sem austeridade exageradas como a que hoje penamos – certo?

Vai daí e Clara, senhora de grande astúcia, pergunta pelas consequências de tão elegante e airosa magicação segregada pelo auspicioso cérbero de JFA:

Como seria pagar a dívida externa nesse cenário de saída ordeira?

Seria o cenário argentino. Teríamos dois anos infernais e depois resolvia-se. O pior seriam os dois anos, do ponto de vista democrático. A violência, a bandidagem… a dívida externa, a pública só me preocupa na media em que é externa, é brutal.”

Persiste Clara:

Mas as prestações sociais teriam sempre de aumentar, o que aumenta o risco de hiperinflação.

E aí, o que me preocupa mais são os medicamentos, que são quase todos importados. Teria de ser feito um programa especial para isso. A despesa também não seria por aí além.”

Ou ainda:

As pessoas fazem perguntas concretas sobre a vida delas. Se tiverem uma dívida ao banco de uma casa, como é que essa dívida vai ser paga? Em euros? Em escudos?

Acho que o Estado se deve substituir ao devedor na proporção que resulta da desvalorização cambial. Pode fazer um empréstimo junto do banco de Portugal. A outra hipótese é a bonificação da taxa de juro. Ou se reduz o capital ou se reduz a taxa de juro.”

Temos assim que o remédio para nos livramos das diabólicas privações deste último par de anos, seria portanto mergulharmos em mais dois anos de caos absoluto. Os quais minusculamente perturbam o intrépido JFA e tão só “do ponto de vista da democracia.” Quanto às reles aflições dos cidadãos, mesquinhamente mais preocupados com as suas vidinhas do que com a democracia, quer os velhotes medicamentados, quer os vaidosos com casa própria, o Estado haveria de vir, suponhamos, a tapar o buraco precisamente com o dinheirinho de que tanto carece. Lógica perfeita: sair do € para pagar a dívida, de tal modo que se tenha de endividar brutalmente mais.

O resultado do questionário é ficarmos na dúvida acerca do género de avareza que tolhe JFA, se é uma pura avareza de espírito que o torna incapaz de medir como puro horror o resultado por ele mesmo explicado das suas maravilhosas teses, e então teremos que o ter na conta de alvar; ou se é uma avareza das que são inatas aos cândidos que de tanto contemplarem o firmamento caem num poço cavado a seus pés, o que nos obrigaria  infelizmente a reputá-lo como ridículo.

De qualquer modo estamos esclarecidos quanto à bondade da saída do € como alternativa aos tempos que correm.

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 28.03.13

«O princípio de confiança [na União Europeia] foi agora quebrado. A partir deste momento, o euro já não é uma só moeda. Só por retórica se poderá dizer que Berlim e Nicósia têm a mesma moeda. Haverá bancos sediados em 'zonas' mais seguras do que outras. A confiança dos mercados não poderá também ser igual na zona euro.»

Pedro Lomba, no Público

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Take the money and run!

por Luís Menezes Leitão, em 25.03.13

 

Foi mais ou menos o que acabou de dizer aos depositantes dos bancos europeus Jeroen Dijsselbloem, este rapaz com ar simpático, que ostenta o título, atribuído sabe-se lá por quem, de Presidente do Eurogrupo. Se o euro sobreviver a este Eurogrupo será um milagre, a agradecer a Deus e a todos os anjinhos.

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