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Ainda há boas notícias

por Sérgio de Almeida Correia, em 22.04.16

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Ainda poderemos ter muitos anos pela frente até que se obtenham resultados com alguma expressão, mas o simples facto de haver uma possibilidade de não apenas se atrasar ou paralisar os efeitos da doença de Alzheimer, fazendo reverter os pacientes a uma fase anterior ao início dos efeitos do processo degenerativo da doença, podem vir a mudar a vida de milhões, dando-nos, mais do que a ilusão, a esperança de que os avanços da Ciência estão efectivamente ao serviço da humanidade e daquilo que esta tem de melhor.

A Professora Nancy Ip, responsável pelo departamento de investigação de neurociência molecular da Universidade de Hong Kong apresentou os resultados de uma investigação de três anos que são no mínimo surpreendentes. Em resumo, e de acordo com a notícia do South China Morning Post, o resultado a que se chegou consistiu em restaurar a memória das cobaias afectadas através da injecção de uma proteína. Se bem percebi, a IL-33 restaurou a memória para um nível normal. 

Num universo que já é actualmente de mais de quarenta milhões de doentes, que se projecta vir a atingir em 2025 mais de 131 milhões, os resultados revelados podem mesmo vir a ser mais do que uma janela de esperança. Dez anos é muito tempo, dirão alguns, mas ainda que esses dez se viessem a transformar em 15 ou 20 sempre teria valido a pena. E nada nos garante que a esperança trazida por Nancy Ip não venha, no final, a concretizar-se em menos de dez anos. Por agora, Nancy Ip será só Nancy Hope. Esperemos que em breve seja para muitos milhões e respectivas famílias Nancy Life. Nem tudo é assim tão mau neste mundo.

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Do estar desempregado

por Marta Spínola, em 10.06.14

Eu já não estou, é a primeira novidade. Apareceu finalmente o meu emprego e eu acredito com alguma força que vai correr bem. Mas não é disso que venho falar. Tentarei em poucos posts descrever alguns aspectos do lado de quem está nessa terrível posição.

Enquanto se está desempregado passa-se pelas mais diversas situações, observações e opiniões. Mas o pior de tudo é quando o telefone toca, é um contacto para uma eventual entrevista, um teste de idioma, uma hipótese "que pode vir a acontecer, mas ainda sem certezas". Não me interpretem mal, não é o interlocutor ou o que/quem nos levou até ele que está mal, as pessoas fazem o que podem ou está ao seu alcance, e eu tenho algumas a agradecer por terem ajudado na minha busca de trabalho, ainda que sem sucesso.

O pior é mesmo o outro lado, o nosso. O que procura, tenta, ouve e espera uma oportunidade e uma segunda chamada. Sabe que é capaz, pode fazer aquele trabalho sem problemas ou se lho explicarem, deixa-me lá pensar o que levo vestido para a entrevista. E o novo contacto tarda, e acaba por não chegar. Mas sempre que há um novo, toda a esperança se renova e recomeça, vai ser bom, aquela zona até é boa e eu não me vou atrapalhar, eu faço o que for preciso. É como se o que está para trás não importasse já, deixa lá, alguma coisa havia de haver para ti caramba, já chega de esperar. E foram algumas vezes em que afinal ainda não era desta.

Comigo foram dois anos. Não estive parada e tive experiencias enriquecedoras, estive em lugares onde não me imaginei, vi o lado bom de muita gente. O mais difícil foi mesmo esse jogo esgotante da energia para começar de novo e a desilusão de ainda não ser dessa vez.

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as coisas pequenas

por Patrícia Reis, em 07.05.12

As coisas pequenas são aquelas que importam, garantem-me pessoas mais espertas do que eu.

As coisas pequenas podem ser gestos ou palavras.

Em momentos de crise como este, para quem tem uma pequena empresa, uma coisa pequena passa a ser um gigante.

A responsabilidade face aos empregados e ao Estado é já do nível da ficção científica.

As decisões que se tomam são incompreendidas ou nem por isso, mas sabem sempre mal, a injustiça, a desilusão.

Ao fim de 25 anos de trabalho posso concluir que, apesar dos avessos da vida, tenho tido sorte nas pessoas que encontrei e encontro e até nas coisas pequenas. Quando estas se tornam gigantes eu tenho tendência a minguar. Foi o caso nas últimas duas semanas. Deixei de ter um metro e 64, para ter uns meros 50 cm. Depois aconteceram outras coisas, muitas coisas mais fortes, duras, profundas, coisas de uma vida, e comecei a voltar ao meu tamanho normal. Por isto tudo, aqui estou de volta ao Delito.

Não tenho por hábito comentar a vida política, como já devem saber, e tão pouco quero escrever sobre a vidinha (como diria Alexandre O'Neil "nunca contes a vidinha"), no entanto não me resta outra solução. Qualquer coisa que me possa ocorrer de momento está ligada à crise, ao desemprego, à falta de dinheiro para pagar subsídios, aos amigos que optam por ir viver para fora, aos filhos que querem saber do futuro, aos amigos que estão pendurados apesar de serem excelentes profissionais. Diria, para simplificar, que não estando zangada, estou frustrada e, como não me apetece mudar de país, tenho de arranjar alguma coisa para fazer. Refilar não está no meu feitio. Ir para a rua manifestar-me tão pouco, portanto optei por escrever cartas e emails a todos os responsáveis, eleitos ou nem por isso, que existem por aí e que afectam a minha vida e a dos meus. Não terei respostas, dirão. Se tiver alguma darei conta. Enquanto há vida, há esperança.

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