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Escuta bem:

por Rui Rocha, em 07.02.15

O conhecimento é um poder por si mesmo 

France is Bacon

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Escutas.

por Luís Menezes Leitão, em 07.02.15

Depois de ficar a saber que é possível em Portugal na transcrição de escutas confundir-se a cidade de Kiel, na Alemanha, com "aquilo" ou que o canal de Kiel pode passar a Canalis, só me lembrei deste fabuloso texto de Woody Allen sobre uma escuta realizada a um telefonema entre dois chefes de gang em Nova Iorque:

«anthony: Está lá? Rico?

rico: Está lá?

anthony: Rico?

rico: Estou.

anthony: Rico?

rico: Estou a ouvir mal.

anthony: És tu, Rico? Não estou a ouvir.

rico: O quê?

anthony: Estás a ouvir-me?

rico: Está lá?

anthony: Rico?

rico: A ligação está má.

anthony: Estás a ouvir?

rico: Está lá?

anthony: Rico?

rico: Está lá?

anthony: Telefonista, a ligação está má.

telefonista: Desligue e torne a ligar.

rico: Está lá?

Por causa desta evidência, Anthony (o Peixe) Rotunno e Rico Panzini foram condenados e estão a prestar serviço, por quinze anos, em Sing Sing por posse ilegal de erva».

 

Agora num registo mais sério, lembrei-me também de ter participado num Congresso de Direito Comparado em Washington onde um professor americano fez a comparação entre os métodos de investigação criminal europeus e americanos. Segundo ele referiu, os europeus tinham uma fé absoluta nas escutas enquanto os americanos preferiam recorrer a agentes infiltrados. E, no entender dele, a perspectiva americana é mais correcta uma vez que as escutas são facilmente descontextualizadas e muitas vezes nem se percebe do que é que os interlocutores estão a falar. Quando em Portugal a próprio Ministra da Justiça assume que fala para o telefone como que para um gravador, talvez seja altura de se começar a ponderar um menor recurso às escutas como método de investigação criminal.

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César anda com algumas mulheres muito dadas ao papel

por Sérgio de Almeida Correia, em 17.04.14

"O presidente do Banco Espírito Santo (BESI), José Maria Ricciardi, foi escutado não duas, mas seis vezes, a falar com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, informações que constam do processo Monte Branco, uma investigação policial relacionada com alegados crimes de tráfico de influências, corrupção e informação privilegiada nas privatizações da REN e da EDP."

 

Na posição dele, e mesmo que tivesse o número de telefone do "facilitador", nunca lhe teria ligado. E se por qualquer razão estivesse no lugar do destinatário até poderia ter falado com o remetente uma primeira vez, por educação e cortesia, sem saber qual seria o assunto, mas depois do desabafo ter-lhe-ia seguramente desligado o telefone. Por causa das confusões. Mas de quem depois de acusar Sócrates repescou Relvas para a vida política, também não se esperaria que fosse melhor que o antecessor. Ilusões só as teve quem quis, pois que no meu caso nunca me pareceu boa solução trocar uma má opção por uma péssima.

De qualquer modo, como não sou apologista da divulgação de escutas a metro, não farei como alguns que antes pugnaram pela divulgação das escutas (ilegais e não autorizadas, convém não esquecer) do antecessor e de toda aquela cambada que andou aos robalos. Embora me pareça que se eu fosse primeiro-ministro seria o primeiro a solicitar, numa situação destas, a sua divulgação integral. Por via das dúvidas.

Gente séria não deve ter nada a temer do que faz atrás da porta, porque a vida pública não deve ser o local onde se vai branquear ou esconder o que não convém. Além de que gente séria é sempre gente séria. Em quaisquer circunstâncias da vida. Nos bons e nos maus momentos.

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Telefonema Alemanha-EUA

por João André, em 24.10.13

- Boa tarde, serviço de escutas da NSA, em que lhe posso ser útil?

- Estou sim, daqui fala a Angie, és tu Barack?

- Peço desculpa Sra. Merkel, mas temos aqui uma pequena confusão nas linhas. Eu vou passá-la para o telemóvel do senhor presidente.

- Mas eu liguei-lhe directamente para o telemóvel, queria perguntar se me têm o telemóvel sob escuta.

- Senhora Merkel, por favor, nunca faríamos isso. Ter acabado nos nossos serviços foi... hmmm.... um engano. Uma consequência do shutdown, nada mais... É isso... Vou passar a chamada.

- ...

- Sim? Daqui fala Barack.

- Barack? Aqui é a Angie. Que coisa é esta? Afinal temos os dois os telemóveis sob escuta da NSA?

- Sim, nem queiras saber. Da última vez que quis encomendar uma pizza não me deixaram. Disseram-me que na pizzaria trabalha um tipo chamado Mohammed e que não podia encomendar ali.

- Mas isso não pode ser. Vou fazer queixa nas Nações unidas!

- Estás a gozar não? Se lhes ligas levas com uma musiquinha do Barry White e uma voz da NSA a dizer que a tua chamada está a ser autenticada e que quando puder te passam ao Ban.

- Há alguma forma de falarmos sem sermos ouvidos?

- Creio que há uma hipótese, mas não sei se temos um fio longo o suficiente...

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Eu não devia ler notícias logo de manhã,

por Ana Margarida Craveiro, em 19.01.12

porque isto me deixa muito irritada, e não é suposto eu enervar-me. Portanto: a Optimus faz um inquérito interno logo que sabe do caso, identifica a toupeira, despede a toupeira, e pelos vistos é castigada com a maior multa de sempre. O SIED mete toupeiras, viola direitos constitucionais, e ficou tudo na mesma. País mais estúpido, caramba.

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O que realmente me interessa

por João Carvalho, em 16.02.10

Estou-me nas tintas para os segredos de alcova. Nada me atrai do que seja da vida privada de qualquer um. Nem quero duvidar das decisões judiciais sobre a ausência de matéria criminal deste ou daquele. Mas interessa-me muito tudo o que diga respeito à gestão da coisa pública feita atrás da porta. Mesmo que isso se esconda numa falsa privacidade interceptada. Interessa-me como interessa aos que recorrem às escutas institucionalizadas. Interessa-me para que eu possa fazer o meu próprio juízo. De carácter também.

Interessa-me que se faça justiça. Interessa-me que as escutas institucionalizadas sirvam para fazê-la. Interessa-me saber em que medida elas permitem culpar alguém. Interessa-me ajuizar por e para mim próprio. Por isso é que pode interessar-me o mesmo nos casos inversos. O meu juízo sobre o carácter de alguém que gere a coisa pública atrás da porta não é jurídico nem incriminatório. Apenas me interessa para participar com mais consciência na vida colectiva e no exercício individual da cidadania como parte do todo.

Isto interessa pelo menos a um: a mim.

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Boca na botija

por Adolfo Mesquita Nunes, em 30.09.09

Sentindo-se vigiado, eventualmente pelo Governo, Cavaco Silva foi apanhado com a boca na botija a tentar resolver o assunto através da pequena intriga jornalística. A sua declaração de ontem mais não foi do que a desesperada tentativa de fazer sobressair as suas desconfianças e de camuflar a desastrada e pouco digna forma como procurou fazer-lhes face. Vitimizar-se, no fundo. E dizer-se cercado pelo Governo.

 

Sendo impossível escapar à querela institucional com o Governo, a vitimização de Cavaco Silva poderia, apesar de tudo, servir-lhe para arregimentar numa qualquer indignada vaga de fundo o eleitorado de direita que nele votou e que ainda não digeriu bem a reeleição de Sócrates. Acontece que Cavaco Silva foi precisamente um dos artífices da vitória de José Sócrates e o PSD é, neste momento, o último partido com vontade de manifestar comiseração pelo cerco feito pelo Governo ao Presidente.

 

A declaração de Cavaco Silva teve, por isso, um efeito contrário ao pretendido. Alargou a vitória de José Sócrates e reduziu em muito a margem de manobra de uma oposição que poderia e deveria continuar a insistir no espírito controleiro do governo socialista, levando de caminho a credibilidade de um jornal que cometeu o erro de acreditar que a Presidência jamais poderia estar a meter-se na pequena intriga. O que não deixa de ser irónico, uma vez que, tanto quanto posso adivinhar, o Presidente considera mesmo que o Governo andou a vigiar a Presidência.

 

A Cavaco Silva resta aproveitar a lição e, desta vez com tino e rigor, colocar a circular um bom e insuspeito motivo para não voltar a candidatar-se à Presidência.

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Será?

por João Carvalho, em 25.09.09

Já é público que Bento XVI vem a Portugal no próximo ano. Parece que a Conferência Episcopal anda a ser vigiada...

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Fontes de desgraça

por Paulo Gorjão, em 22.09.09

Maria João Avillez, ontem, em conversa com Mário Crespo na SIC Notícias chamou a atenção para o facto de o Público ter duas fontes. O que, aliás, na sua entrevista com Ana Lourenço, o próprio José Manuel Fernandes já tinha revelado. Dito de outra maneira, a fonte de Agosto de 2009 não é Fernando Lima, i.e. a fonte de Abril de 2008.

Este dupla confirmação tem relevância na medida em que confirma que a Presidência da República acreditava mesmo que poderia estar sob vigilância e/ou sob escuta.

A partir daqui há diferenças cruciais entre as duas fontes. Lima tomou a iniciativa de estabelecer o contacto. Tinha um guião e uma agenda. A "encomenda", porém, não podia ser atribuída à Presidência da República.

O Público investigou e não publicou a história. Dito de outra maneira, a encomenda foi enviada ao Público, mas não foi entregue, i.e. não foi publicada. Até Agosto de 2009, um ano e meio depois. O que mudou? Várias coisas, entre elas o facto de a Presidência da República poder ser citada, na sequência da autorização dada pela segunda fonte. É nesta altura que o Público decide dar luz verde à história, neste caso claramente sem "encomenda".

 

P.S. -- Questão interessante, não sendo Lima, quem tem espaço na Presidência para falar com a comunicação social e autorizar a citação? Esta segunda fonte tinha conhecimento da operação de Lima? E Lima terá tido conhecimento das declarações desta fonte?

 

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Adensa-se a trama

por Paulo Gorjão, em 20.09.09

Depois da notícia de ontem no Correio da Manhã segundo a qual a Presidência da República teria solicitado, depreende-se que à DIMIL/CISMIL, uma busca de equipamentos de escuta, hoje o EMGFA desmente categoricamente qualquer envolvimento da DIMIL/CISMIL em qualquer operação desse tipo.

Se mal se estava, pior se ficou. Se a DIMIL/CISMIL não esteve envolvida, não sei que outra estrutura militar possa ter participado nesta operação. Tentativa de desinformação?

A bola está, no mínimo, no lado do Correio da Manhã, que tem a obrigação de confrontar as suas fontes com o desmentido e esclarecer os seus leitores.

P.S. -- Mário Soares, entretanto, deve pensar que está tudo a correr demasiado bem a José Sócrates. Logo, decidiu dar uma ajuda a Manuela Ferreira Leite...

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