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Escola pública

por Rui Rocha, em 12.05.17

Devido à tolerância de ponto decretada pela visita do Papa, hoje as escolas públicas estão vazias. Não há auxiliares de acção educativa. Não há alunos nem professores nas salas de aula sem crucifixos.

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Upstairs, downstairs

por Pedro Correia, em 19.12.16

Começo a convencer-me que é sina nossa: enquanto a sociedade puxa para cima, os decisores políticos insistem em puxar para baixo. Neste caso, fazendo coro com o sindicalista vitalício que lidera as corporações do sector em função dos interesses partidários.

E no entanto, apesar de uns e outros, lá vamos progredindo. Com reconhecimento internacional.

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O Estado a que isto chegou

por Pedro Correia, em 02.08.16

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 Imagem: blogue Ruas de Lisboa com Alguma História

 

Num país pobre, damo-nos ao luxo de deitar para o lixo um equipamento escolar como a Escola Secundária Afonso Domingues, alvo de "obras substanciais de melhoria e requalificação" em 2009, um ano depois de encerrar por ordem do Ministério da Educação, alegando-se expropriação do terreno para a edificação da terceira travessia sobre o Tejo em Lisboa. Que não avançou, por absoluta falta de orçamento, como todos sabemos.

Ficou a falida capital sem nova ponte e Marvila perdeu a escola, onde o nosso Nobel José Saramago foi aluno entre 1935 e 1940.

A escola está a saque, alvo de constante e crescente vandalismo, como documenta o sítio Evasão, cumprindo uma verdadeira missão de serviço público. O Estado, proprietário do espaço, encolhe os ombros. A Câmara Municipal de Lisboa não quer saber.

O arquitecto que concebeu o Mosteiro da Batalha não merecia isto.

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 12.06.16

«A secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, exerceu a sua liberdade de escolha e matriculou as suas duas filhas numa escola privada. Tudo bem. Seria hipocrisia aproveitar esta sua opção para denegrir a sua sinceridade e empenho na defesa da escola pública. Pela sua inteligência, pela sua energia e pela sua convicção, Alexandra Leitão tornou-se o rosto do combate contra a continuidade dos contratos de associação que autorizavam o Estado a financiar escolas privadas em áreas onde o serviço público existe, e esse é um galhardete que ninguém lhe tira. Mas a falta de articulação entre a sua opção privada e a sua luta pública não é neutra no debate em curso. Dos políticos, para lá de palavras, esperamos exemplos. E o exemplo de Alexandra Leitão vai ao encontro dos defensores da liberdade de escolha. O racional é óbvio: a secretária de Estado fez uma opção pela escola privada e pôde pagá-la. Há milhões de portugueses que gostariam de fazer a mesma escolha, mas não têm dinheiro para tal.»

Manuel Carvalho, no Público

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O problema é geral

por Sérgio de Almeida Correia, em 31.05.16

Enquanto não aparece a factura das t-shirts amarelas, fiquemo-nos com as palavras de Francisco: “uno de los peligros que tiene la educación es que si es inclusiva para pocos y exclusiva para muchos, es comercio”.

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Deixem-se de lérias

por Sérgio de Almeida Correia, em 25.05.16

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Confesso que já estou enjoado com a conversa dos contratos de associação. Mais com a desinformação, com a chantagem barata, a politiquice e a pseudo indignação de meia dúzia de privilegiados, de alguns manipuladores e de instrumentalizados de boa fé que defendendo o seu legítimo direito de escolha querem que este seja exercido – sem perceberem o que está em causa –, com a generosa colaboração de todos os contribuintes. De igual modo, confesso que não compreendo por que razão havemos de ser todos a contribuir para pagar a alimentação dos cavalos, as aulas de esgrima e a água das piscinas de algumas instituições a que só alguns podem aceder.

O Estado tem de assegurar o direito de todos à educação e a um ensino que ensine e que forme com qualidade os seus cidadãos. E também tem de garantir a liberdade de escolha e a liberdade de abertura e de encerramento de escolas privadas; mas é evidente que não tem de estar a sustentar a educação ministrada em escolas privadas ou estabelecimentos de ensino religioso, ou os seus luxos, mais a mais sendo Portugal um Estado laico e não estando em causa a satisfação de necessidades públicas, em detrimento da escola pública.

O ideal era que o Estado, em vez de estar a subsidiar os estabelecimentos privados, atribuísse uma verba por aluno aos seus pais, dando-lhes a faculdade de depois poderem escolher a escola para os filhos. Os empresários abriam as escolas e colocavam-nas no mercado com o seu próprio dinheiro, ou pedindo a alguém – sem ser o Estado – que lhes emprestasse. Os pais escolhiam a escola e usavam o dinheiro recebido do Estado para pagar parte da educação do filho na escola escolhida. Se fosse privada e a mensalidade fosse superior ao valor do cheque teriam de cobrir a diferença do seu bolso. Mas, infelizmente, as coisas não funcionam assim. 

Por isso mesmo, se uma escola privada apresenta cem ou duzentos mil euros de lucros contando para a sua realização com subsídios públicos, o que seria justo era que o beneficiado devolvesse ao Estado e aos contribuintes que a financiaram, pelo menos, uma parte desses lucros. O facto dos contratos terem dezenas de anos não justifica que a mama continue. Tem de haver algum risco para quem investe no ensino privado na mira dos lucros. Com o dinheiro e os subsídios dos outros é muito fácil ser empresário. 

E como nestas coisas não há nada como números, o ideal não era os jornais publicarem a lista das 39 instituições que actualmente recebem verbas à conta dos contratos de associação e que vão deixar de as receber quando estes chegarem ao fim. Isso são só nomes. Importante era que fosse levada informação às pessoas e que essa informação fosse actualizada e permitisse saber se no local em causa existe oferta educativa pública, se esta é suficiente e corresponde às necessidades e, não correspondendo, o que é necessário fazer para que ela possa existir, seja melhorada e se torne acessível a todos com o menor custo possível para o contribuinte.

Porém, também seria importante que fosse devidamente publicitado (ninguém lê listagens no Diário da República) quanto é que cada uma dessas instituições privadas, que tem sido beneficiária de contratos de associação e os irá perder, tem recebido anualmente, já que só em relação a estas é que, penso eu, o problema se coloca. Atirar números para o ar, manipulá-los e depois dizer que na escola pública os alunos saem mais caros, só serve para atirar areia para os olhos das pessoas.  

Já todos perceberam que está em curso uma cruzada contra algumas decisões mal explicadas (o que não quer dizer que todas estivessem erradas), a falta de jeito e alguma sobranceria do ministro da Educação, cruzada que conta com a desinformação e a manipulação de alto coturno dos papás, das mamãs e da criançada, bem como com o trabalho de bastidores dos "interpretadores" oficiais dessa instituição de referência para alguns dos mais conhecidos cábulas nacionais. E de pessoas como a Dr.ª Manuela Ferreira Leite que, apesar de ter sido ministra das Finanças e da Educação, nestas coisas muda de opinião consoante os ventos. Mas também começa a ser tempo de se colocar um ponto final nas garraiadas dessa malta e de se fazerem as coisas como deve ser. 

Por mim, se quiserem continuar a berrar, podem berrar à vontade. É lá com eles. Agora, deixem-se de lérias e não me venham depois pedir para lhes subsidiar a aveia e as pastilhas para a garganta.

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Barões privados com dinheiros públicos

por Tiago Mota Saraiva, em 09.05.16

publicado aqui

 

Mais do que a racionalização financeira do sistema, o corte no financiamento público de colégios privados que o Ministério da Educação está a ensaiar é um acto de coragem. Desengane-se quem, a este propósito, lucubra argumentos em torno da liberdade de escolha – alguém achará que, se eu optar por beber água engarrafada, o Estado deve financiar o litro de água que bebo para que me custe o mesmo que a da torneira? – ou quem julga ser um ataque às escolas católicas – quem o diz é o PSD, e não os órgãos próprios da Igreja.

Não tendo caracteres disponíveis para relatar alguns casos escandalosos de negócios privados no sector da educação, aconselho a reportagem “Dinheiros públicos, vícios privados”, de Ana Leal, que passou na TVI em Dezembro de 2012. Nesta investigação revelava-se o caso do Grupo GPS, detentor, à época, de 26 colégios, que auferia 25 milhões de euros do Orçamento do Estado para concorrer com escolas públicas e no qual pontificavam ilustres ex-governantes, deputados e dirigentes de PSD e PS.

Sendo injusto conotar todas as instituições detentoras de colégios privados com as do Grupo GPS, talvez tivesse sido prudente que a AEEPC, associação que os representa, escolhesse para seu director executivo e porta-voz um professor de carreira ou um pedagogo com provas dadas no sector, ensaiando a despartidarização que a nomeação do ex-chefe de gabinete da ministra da Educação do governo de Santana Lopes não garante.

Como se deve imaginar, esta decisão do Ministério da Educação não será pacífica, desde logo, dentro do PS. É muito dinheiro e muita gente importante que vive na sombra destes negócios privados com dinheiros públicos que não se esgotam na educação. Seria um excelente sinal que este corte nas gorduras do Estado também chegasse a outras áreas de negócio com características semelhantes, como a saúde ou a segurança social, desmanchando o baronato financeiro que vive em torno das velhas lógicas do bloco central.

 

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"Em 14 anos de rankings das escolas secundárias nunca as públicas tinham sido tão ultrapassadas pelos colégios como agora — para se encontrar a primeira no ranking geral é preciso descer até ao 34.º lugar, que é ocupado pela Raul Proença das Caldas da Rainha, com uma média de 12,41, numa escala de 0 a 20."

 

Pois é, as escolas privadas, que vivem e enriquecem com as subvenções dos contribuintes, é que são boas.

As secundárias e também as universidades apadrinhadas pelo ex-primeiro-ministro Cavaco Silva, de onde têm saído os "visionários" que há uma década governam Portugal. Convém não esquecer.

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estudar

por Patrícia Reis, em 01.05.14

É o nono ano. A gramática? Não é nada parecida com o que estudei e os nomes? É para esquecer. Mais vale dizer que "bacia" também pode ser "anca" e "penico" e depois o miúdo lá entende que é uma qualquer coisa acabada em "minia" ou assim.

Não há nada mais frustrante do que ter de empinar a gramática sem a entender verdadeiramente e depois ver como faz bilharetes na interpretação, na composição, na riqueza de vocabulário. No fim, diz

 

Bom, pode ser que me safe se for sobre os Lusíadas ou sobre o Alto da Barca do Inferno.

 

E depois acrescenta

 

Ainda bem que o Vasco Graça Moura escreveu o livro a explicar os Lusíadas. É pena que já tenha morrido, se fizesse um livro sobre a gramática podia ser que fosse mais fácil.

 

De resto? O costume. O professor que manda para a rua, a professora que considera um determinado comentário insolente. E eu a desvalorizar, a dizer que os professores têm os seus dias e tal, sempre a defender, e o mundo não é justo e as pessoas não são máquinas, blá, blá, blá. Seja. Remate final

 

O pior é quando nos perguntam se queremos ser expulsos.

 

Como? Sem comentários.

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