Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Entrevista literária.

por Luís Menezes Leitão, em 24.11.17

Pode ver-se aqui uma entrevista sobre os livros de um autor consagrado e que tem tido um enorme sucesso de vendas em Portugal. A não perder.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A entrevista de Felipe González

por Luís Menezes Leitão, em 04.11.17

 

Os jornais espanhóis, com o El País à cabeça, demonstram uma parcialidade e um ódio ao independentismo catalão, como eu nunca vi em jornal algum, nem sequer nos jornais portugueses de 1975. Não há um mínimo esforço de objectividade, tudo aquilo é propaganda, e a mesma parece ter contaminado todo o Estado espanhol, desde os políticos à magistratura, que se unem no ódio aos independentistas. Esta entrevista de Felipe González é um cabal exemplo disso. Por muito que eu concorde que a fuga de Puigdemont foi um acto de cobardia, acho que um político não deve chamar cobarde a um seu adversário, ainda mais quando esse adversário fugiu para não ser preso. Aliás, corre o risco de lhe devolverem essa acusação, sabendo-se que Felipe González também se exilou em França, depois de ter sido detido por participar em manifestações contra o regime franquista. E falar na independência de uma juíza que colocou todo o governo catalão na prisão é perfeitamente ridículo. Para sermos independentes, termos que estar distantes de ambas as partes em conflito. Não está a ser o caso.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Provocações (4)

por Rui Herbon, em 25.09.17

21687573_1528060907232232_8772147757882775302_n.jp

 

De uma entrevista da Adília Lopes, que pode ser lida na íntegra aqui.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A entrevista de Passos Coelho.

por Luís Menezes Leitão, em 07.04.17

A entrevista de Passos Coelho à SIC foi um monumental vazio político. É perfeitamente espantoso que perante a desastrada governação do actual governo, o líder da oposição passe o tempo a justificar-se a si próprio, nada tendo para dizer de relevante ao país. A única mensagem efectiva desta entrevista foi para o interior do PSD, ao dizer que não se demite se tiver um mau resultado autárquico. Passos Coelho parece continuar convencido de que ainda é primeiro-ministro, onde de facto faz sentido que não abandone o governo por causa de eleições autárquicas. Só que Passos Coelho, apesar do pin da bandeira nacional que insiste em pôr na lapela, é neste momento apenas um líder partidário. E um líder partidário que não consegue ganhar eleições que utilidade tem para o seu partido?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Arturo Pérez-Reverte

por Patrícia Reis, em 13.09.16

Amanhã, no âmbito do FIC (Festival Internacional de Cultura), entrevistarei Arturo Pérez-Reverte, ele que é o escritor espanhol mais traduzido (40 países), com cerca de 17 milhões de livros vendidos. Passei o verão a ler e a reler a sua obra, terminando com o novo livro Homens Bons (edições Teorema), uma aventura no século XVIII e, a propósito, várias considerações filosóficas da época sobre a luz e as trevas, a razão e a ciência, a fé e a religião, e até as mulheres e as suas coisas. Pérez-Reverte é um dos nomes grandes da Literatura e é, sobretudo, um homem livre, para muitos politicamente incorrecto, para outros corajoso e lúcido na forma como vê o mundo. Repórter de guerra durante 21 anos, este autor dedicou-se aos livros e à navegação, as duas artes que o salvaram. Será uma conversa e tanto e tenho quase a certeza de que falaremos de História, de memória (ou da falta dela), de xadrez, barcos e livros, muitos livros. Por isto e mais, tragam o corpo. É às 22h00 na Casa das Histórias Paula Rêgo em Cascais.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Que força é essa, camarada?

por Pedro Correia, em 02.09.16

Rita-Rato[2].jpg

 

"Que força é essa
que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer?"

 

O PCP fala sempre em nome da "classe trabalhadora". Mas muitos dos seus dirigentes não têm experiência do mundo laboral: a única entidade patronal que conheceram foi o próprio partido, de que são diligentes funcionários.

É o caso de Rita Rato, que em 2009 irrompeu no Parlamento como símbolo do "rejuvenescimento" do partido. A renovação foi apenas etária: nada do que a simpática deputada alentejana disse ou fez até hoje difere um milímetro do que disseram ou fizeram os comunistas de gerações precedentes.

Numa entrevista de quatro páginas concedida à jornalista Céu Neves e hoje publicada no Diário de Notícias - coincidindo com o início de mais uma Festa do Avante! -, Rita Rato, hoje com 33 anos, alude ao seu percurso profissional. Pouco depois de se ter licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais fez um estágio não remunerado no Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral e trabalhou "uns meses numa seguradora". Tirando isso, o mundo do trabalho para ela circunscreveu-se ao reduto partidário. Como acontece aliás com muitos deputados e membros do Comité Central do PCP, apresentados profissionalmente  como  "empregados", "intelectuais" (biombos eufemísticos) ou "licenciados em" , como se licenciatura fosse profissão.

 

Rita, sendo deputada, entrega parte do salário ao partido. Está há sete anos no Parlamento e confessa que nunca votou contra a orientação do partido, sequer em questões menores. Talvez até nem lhe tenha ocorrido questionar, através dos discretíssimos circuitos internos que filtram qualquer indício de discussão na Soeiro Pereira Gomes, por que motivo um partido que tanto apregoa a igualdade só teve homens nas funções de secretário-geral e líder parlamentar. Ou por que razão ainda hoje, dos 149 membros com assento no Comité Central comunista, menos de 25% são mulheres.

Até para conceder esta entrevista a jovem parlamentar informou previamente a estrutura dirigente do partido - gesto que justifica com estas cândidas palavras, sem um aparente sobressalto de dúvida metódica: "Sim, até porque não estou a dar esta entrevista a título individual. Sou deputada do PCP e é na ligação com o PCP que estas coisas se tratam."

 

Conclusão: a assalariada Rita Rato, defensora nominal dos direitos dos trabalhadores, é uma trabalhadora-modelo, daquelas que fariam os sonhos de qualquer patrão. Acata obedientemente as orientações superiores, não cria conflitos laborais, contenta-se com um salário modesto e não imagina sequer a vida fora da conspícua estabilidade que lhe é proporcionada pela entidade patronal, aparentemente alheada do real valor da sua "força de trabalho", para recorrer ao jargão do velho Marx.

Chego ao fim desta longa entrevista e vêm-me à memória aqueles versos do Sérgio Godinho: "Não me digas que nunca sentiste / uma força a crescer-te nos dedos / e uma raiva a nascer-te nos dentes / Não me digas que não me compreendes."

Autoria e outros dados (tags, etc)

Verdades simples de um homem às direitas

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.11.15

ribeiro e castro.jpg

"Foi indigitado na terça-feira o novo Primeiro-Ministro. Como olha para este Governo, resultante de uma maioria de esquerda no parlamento? Na ala direita houve quem falasse em golpe de estado...

Esses qualificativos são um disparate. Eu creio que que a PÀF [coligação Portugal à Frente] se bateu pela maioria absoluta, era indispensável ter a maioria absoluta. A coligação de listas conjuntas era um tiro de uma só bala. Ou se tinha a maioria absoluta, e se ganhava, ou não se tinha, e se perdia. E não se conseguiu e perdeu-se. Tem havido grandes discussões sobre o funcionamento da Constituição: "criou-se um precedente gravíssimo, a direita não poderá governar sem ter maioria absoluta". Sempre foi assim. Esta legislatura teve algumas coisas que são completamente novas e que não tinham acontecido. O PSD é o maior grupo parlamentar e a PÀF não tem maioria parlamentar. Nunca tinha acontecido que o partido mais votado não tivesse uma maioria no seu campo, ou à direita ou à esquerda, e isso aconteceu. E aconteceu existir uma maioria de esquerda e o partido líder de uma maioria de esquerda não ser o partido mais votado, também nunca tinha acontecido. É uma coisa que é frequente noutros países. Fartamo-nos de ver isso na Bélgica, na Dinamarca. Um Governo ser liderado não pelo partido mais votado, mas pelo segundo. Mas, de facto, era evidente na noite das eleições que, havendo uma maioria de esquerda, que havia uma possibilidade de se entenderem para formar Governo e foi isso que aconteceu. Eu acho que é perfeitamente normal que isto acontecesse, anda aí uma grande perturbação de ânimos quanto a isso. Acho, todavia, que tem uma legitimidade questionável. Eu não vou dizer que é ilegítimo. É um Governo perfeitamente legítimo, só que tem uma componente política que é nova e de que ninguém estava à espera. Sou completamente contra governos de gestão, o Governo de Passos Coelho caiu no Parlamento, acho que Cavaco Silva fez bem em designar Primeiro-Ministro o líder do segundo maior partido. Nem podia ter sido feito de outra maneira: nós temos um país democrático, temos um Parlamento a funcionar, o Parlamento exerceu as suas prerrogativas constitucionais. Concordemos ou não concordemos, rejeitou a investidura do Governo, há uma maioria parlamentar que oferece uma outra solução de Governo, tem que se seguir. Depois é uma questão da legislatura poder ser abreviada, e termos eleições antecipadas, que se realizariam em fim de Maio ou Junho, na melhor das hipóteses, e isso é que eu acho que um candidato presidencial devia dizer. Há aqui um fenómeno que cria instabilidade, que cria incerteza, que cria falta de cooperação parlamentar entre os partidos, porque a PÀF sente-se desrespeitada, diz que não colabora e está numa atitude de grande confrontação, e portanto devemos ouvir o soberano. O soberano é o povo. Se se mantiver a situação deteriorada, irmos para novas eleições. Essa é a solução que eu daria. Acho que este debate político que aqueceu o nosso dia-a-dia devia ser canalizado para as eleições presidenciais, porque é o Presidente que viermos a eleger que tem uma palavra a dizer sobre isso."

 

Não superando a falta que nos irá fazer no Parlamento, a excelente entrevista que José Ribeiro e Castro deu ao Ponto Final poderá, mais logo, ser lida (e relida) na íntegra aqui.   

Autoria e outros dados (tags, etc)

A entrevista de António Costa.

por Luís Menezes Leitão, em 06.11.15

Da entrevista de António Costa de hoje retira-se o seguinte:

1- Ainda não conseguiu qualquer acordo com o PCP, esperando, no entanto, vir a consegui-lo no fim-de-semana.

2- Não haverá qualquer acordo único, mas antes três acordos, com o PCP, o BE, e o PEV.

3- Os partidos celebrantes desses acordos não irão para o governo, limitando-se a viabilizar o governo do PS:

4- Para as questões da NATO e do Tratado Orçamental, António Costa está à espera de acordos pontuais com a PàF.

 

Eu, se fizesse parte da Comissão Política do PS, perguntaria se o líder tinha enlouquecido. Não há memória em Portugal de um "acordo" destes, nem sequer quando o PS fez um governo com personalidades do CDS, em que ao menos havia algum envolvimento do parceiro no governo. O que António Costa propõe é apenas trocar um governo minoritário da coligação por um governo ultra-minoritário do PS, que obviamente se estampará na primeira curva, se Cavaco Silva alinhar nisso. Em qualquer caso hoje ficou muito claro o amadorismo político e a irresponsabilidade de António Costa. Mas como os partidos políticos estão cheios de seguidores acéfalos, calcula-se que o PS o acompanhe neste caminho até ao desastre total. Para mal de todos nós.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Bom jornalismo

por Pedro Correia, em 17.08.15

joao-semedo-894c[1].jpg

 

Há entrevistas e entrevistas. A maioria serve apenas para preencher agenda política de circunstância. Mas algumas constituem preciosos documentos humanos. Porque são feitas com sensibilidade e genuína intenção em escutar o que o entrevistado tem para dizer. Mesmo que seja alguém que tenha perdido a voz, como infelizmente sucedeu com João Semedo. Numa entrevista à edição do jornal i deste fim de semana, muito bem conduzida por Ana Sá Lopes, o ex-coordenador do Bloco de Esquerda pronuncia-se (por escrito) sem complexos nem rodeios sobre a doença que o afecta e do combate sem tréguas que lhe vai dando com a lucidez do médico competente que sempre foi.

Mais do que uma entrevista, é um notável testemunho que deve ser lido com atenção muito para além da espuma política que domina o quotidiano português. João Semedo justifica, mais que nunca, o cognome de João Sem Medo. Conheço-o há vários anos - ainda antes de ter ingressado no Bloco de Esquerda, onde se notabilizou como parlamentar respeitado por todos, aliados ou adversários - e não tenho a menor dúvida sobre a qualidade do seu contributo para a política portuguesa em geral e a Assembleia da República em particular.

Nesta fase difícil da sua vida, merece uma palavra de louvor pelo desassombro com que fala de uma doença que afecta tantos portugueses, conhecidos ou desconhecidos. Aqui lhe deixo essa palavra. E uma outra, tornada ainda mais obrigatória após ter lido esta entrevista, de incentivo pelo seu pronto e total restabelecimento.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Uma vez que de concreto — ou de útil — nada disse (para gáudio dos seus apoiantes no twitter, para os quais o importante é discutir política, como se o objectivo desta não fosse operar — de preferência positivamente — sobre a vida dos cidadãos, o que requer a tradução de princípios ideológicos em medidas concretas), podemos resumir a entrevista de Costa em alguns apontamentos: 

 

  • Costa contribuiu para a vitória do PS nas autárquicas. [Como qualquer presidente de câmara eleito pelo partido. No seu caso particular para desgraça dos lisboetas, que levam por tabela com Sá Fernandes que, depois de arrasar com os brasões das colónias na praça do império por serem símbolos colonialistas, se prepara para mudar o nome da própria praça, o do bairro das colónias e, quando Costa saltar para primeiro-ministro, como parece provável, propor a implosão do Mosteiro dos Jerónimos, esse edifício cúspide do imperialismo europeu.]

 

  • Costa criticou o que Seguro fez na noite da derrota de Sócrates nas legislativas de 2011. [Basicamente o mesmo que ele fez nas noites das vitórias de Seguro nas autárquicas e nas europeias.]

 

  • Costa quer mobilizar os melhores quadros do PS. [Analisando quem possam ser, entre os seus apoiantes, e tendo em conta que o PS provavelmente vencerá as próximas legislativas, só me vem à mente um quadro: O Grito, de Edvard Munch.]

 

  • Costa: «As pessoas querem um valor seguro». [Um slogan a rever.]

 

  • Costa: «Um partido não é feito só pelo seu líder, é feito por equipas». [Pelo que se tem passado nos últimos tempos podemos concluir que, no caso do PS, as equipas são tipo Benfica-FC Porto.]

 

  • Costa: «A dívida é maior agora do que há 3 anos». [Uma vez que no período a economia se encontrava em recessão e que o Estado, apesar de melhorar as suas contas, continuava deficitário, esperava o quê? Logo ele, que quer reduzir a velocidade de ajustamento sempre à espera do miraculoso crescimento baseado no investimento público, o tal que, como Dom Sebastião, há-de chegar numa manhã de nevoeiro.]

 

  • Paulo Magalhães: «Consigo regressa ao PS a tralha socrática?». Costa: «Comigo regressa o PS». [Ou seja, sim. Estamos bem tramados.]

 

Resumindo: Se Seguro são duas linhas paralelas (a contra a austeridade imposta pelo governo, e a que se for governo pouco ou nada do que foi feito modificará), Costa é uma esfera: um discurso redondo e polido que substancialmente não tem ponta por onde se lhe pegue.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Recordando Medeiros Ferreira

por Pedro Correia, em 20.04.14

 

Há pessoas que partem cedo de mais. Aconteceu há um mês, com José Medeiros Ferreira. Neste Domingo de Páscoa apetece-me recordar a excelente entrevista que concedeu em Novembro ao jornal i, muito bem conduzida pelos jornalistas Rita Tavares e Luís Claro.

Nem entrevistado nem entrevistadores imaginavam, mas esta conversa acabaria por ter o valor de um testamento. Por ser a última entrevista do ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, uma das vozes mais estimulantes das últimas quatro décadas da política portuguesa.

É um documento impressionante. Tenho-o arquivado na pasta dedicada às melhores entrevistas que já li. E hei-de citá-la com frequência nos tempos que hão-de vir. Porque Medeiros Ferreira, com a inteligência e a elevação intelectual que o caracterizavam, sabia falar para um tempo que já não seria o seu.

 

Deixo aqui alguns excertos. Todos de uma lucidez arrepiante:

«Em 1992 Portugal teve a primeira presidência da União Europeia e, por essa razão e não por qualquer raciocínio económico ou financeiro, resolveu aderir ao sistema monetário europeu, cujas negociações a Grã-Bretanha tinha declinado. Portugal avançou, mesmo aceitando uma taxa de câmbio que sobrevalorizava o escudo.»

«A primeira grande talhada na competitividade internacional da economia portuguesa foi dada pelos nossos negociadores financeiros: o ministro das Finanças e o governador do Banco de Portugal, no dia 4 de Abril de 1992.»

«O governo de Guterres até fez uma missa em Madrid e disse que sobre a pedra do euro - a literatura evangélica é muito poderosa, tal como a pedra onde Pedro assentou a Igreja - era aquela sobre a qual ia assentar a União Europeia. O euro foi uma âncora continental para a Alemanha, depois da unificação, ficar amarrada à União Europeia.»

«Tenho esperança na racionalidade do comportamento internacional dos Estados. Não tenho nenhuma esperança na capacidade de previsão programática ou na capacidade ideológica de uma social-democracia em frangalhos, desde que se tornou numa espécie de colónia do liberalismo. Quando os filhos dos sindicalistas passaram a ingressar nas boas universidades ocidentais perderam a liberdade de espírito.»

 

ADENDA: não celebro o título do Benfica, mas gostaria muito que José Medeiros Ferreira, benfiquista do coração, cá estivesse para celebrar a conquista do campeonato nacional de futebol.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Uma entrevista exemplar

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.04.14

Quer queiramos quer não, a entrevista de José Manuel Barroso ao Expresso foi uma excelente entrevista.

Ao contrário de muitos fait divers, reportagens e artigos absolutamente inócuos que preenchem as páginas dos jornais e revistas nacionais, uma entrevista é uma peça jornalística de interesse inquestionável pelo que revela das ideias e personalidade do entrevistado e da argúcia e perspicácia do entrevistador. Dessa perspectiva, a entrevista de Barroso é um tratado que durante muitos e bons anos será objecto de estudo e análise.

Confesso que graças a essa entrevista, pela primeira vez, pude compreender o verdadeiro alcance do pensamento barrosista e a forma como a cartilha maoísta se entranhou no espírito do ainda presidente da Comissão Europeia. Repare-se que a clareza, tantas vezes ausente do discurso de Durão Barroso, esteve agora insofismavelmente presente.

Clareza na forma como fazendo apelo ao interesse nacional - o mesmo que o levou a negociar a sua ida para Bruxelas depois de dias antes ter desmentido com toda a convicção que estivesse de partida ou interessado no lugar, manifestando inclusivamente na ocasião a sua intenção de levar o mandato em que fora investido até ao fim -, afirma a necessidade do próximo Presidente da República ser mais um fruto da trapalhada ideológica e da vacuidade em que medram os partidos do centrão. Estão lá tudo e todos, incluindo o apelo a essa desgraça chamada consenso, espécie de mistura de águas e detritos de variadas origens que conduziu a democracia portuguesa, formalmente inquestionável, à substantiva podridão actual.

Clareza também na afirmação de que não tem qualquer intenção de ser candidato às presidenciais, o que deve merecer tanta credibilidade quanto as declarações de Passos Coelho em campanha eleitoral sobre os cortes dos subsídios de férias e de Natal, a defesa do Serviço Nacional de Saúde, a reforma do Estado ou a redução défice pelo lado da despesa. Ou, se quiserem, colocando as coisas no seu devido lugar, dou-lhe o mesmo valor que às prédicas semanais de putativos candidatos presidenciais e ex-primeiros-ministros em final de sabática.

Clareza igualmente na forma como se predispôs a atacar Vítor Constâncio mais de dez anos depois dos factos que relatou na entrevista e de ter estado calado todo este tempo relativamente aos pornográficos negócios do BPN/SLN, fazendo de conta que o silêncio e a passividade não teriam consequências. A deficiente supervisão de Constâncio e do Banco de Portugal, sobre esse e outros assuntos, embora coloque em causa o seu desempenho e a eficácia da instituição no cumprimento das suas atribuições, em nada belisca a sua seriedade. Daí que não tenha podido deixar de registar, à semelhança de Silva Lopes, Beleza, Vilar, Santos Silva e Teodora Cardoso, o ataque doloso, que alguns diriam canalha, que foi feito ao ex-governador. Tendo sido o próprio Barroso, a fazer fé no relato, quem se quis chegar à frente, querendo substituir-se ao entrevistador na escolha e oportunidade do tema, atirando voluntariamente para a fogueira as achas com as quais pretendia continuar a imolação do infeliz Constâncio, a intenção letal do ataque foi manifesta, colocando-o ao nível de um qualquer desses deputados saídos das "jotas" que se apressam a dar lustro à voz de quem lhes garante o emprego. Atitude que, convenhamos, está ao nível de quem se afadigou em chegar às Lajes a tempo de se acocorar perante um dos mais vis - pelas consequências - ataques à verdade e ao direito internacional de que há memória. 

A entrevista de Barroso ao Expresso, sendo ele um ex-primeiro ministro e ex-titular dos Negócios Estrangeiros, por tudo aquilo que põe a nu, é o espelho da ambiguidade europeia, do permanente desencontro em que vive a União, da ausência de um líder e de um pensamento ideológico estruturado e coerente. Incapazes de encontrarem um líder que a una e prestigie, os burocratas eunucos que mandam na União preferem figuras menores, inconstantes, de pensamento proteiforme e com uma visão enviesada e ajustável à medida dos seus interesses.

Percebe-se, por isso mesmo, que a recente anexação da Crimeia pela Rússia não foi fruto de um acaso. Putin sabia que o barrosismo, digno sucessor do blairismo, tomou conta da Europa e se assume como uma espécie de wilsonianismo tardio e à deriva. Os resultados das municipais francesas são a melhor prova do triunfo da estupidez e do esgotamento da paciência dos eleitores.                                                                                  

Autoria e outros dados (tags, etc)

Hoje, na Visão

por Patrícia Reis, em 20.03.14

DOM JOSÉ POLICARPO

(1936-2014)

O cardeal que não queria ser Papa

 

O patriarca emérito de Lisboa morreu no dia 12, durante uma cirurgia, devido a um aneurisma da aorta. Foi sepultado em São Vicente de Fora, no panteão dos patriarcas

 

 

A minha vocação sacerdotal vem desde miúdo e o modelo era o prior da minha aldeia [Alvorninha, Caldas da Rainha, onde nasceu]. Era um homem que nos marcou a todos. Nunca pensei chegar a cardeal. Preparei-me para ser o melhor possível no que faço, sempre com um sentido de serviço.

 

A memória mais antiga que tenho é a morte da minha avó paterna. Lembro-me da imagem dela na cama onde morreu. Eu tinha três anos. Com a mesma idade, lembro-me do meu pai ter chegado a casa anunciando o início da Segunda Guerra Mundial. Vivemos um século XX carregado de atrocidades, porém com coisas igualmente maravilhosas e apaixonantes. Recordo que vivemos com profundo entusiasmo o Concílio Vaticano II, processos de paz e aproximação de nações, o desenvolvimento da ciência, da medicina, das tecnologias.

 

O mundo é complexo. Eu sou do tempo da segunda guerra, da guerra fria, da bomba atómica... Houve passos importantes, como a autonomia dos povos e o fim do colonialismo. Apesar dos percalços houve períodos de otimismo. Nos últimos anos, o horizonte ficou mais negro. A minha primeira reação é tentar salvar a esperança. A Humanidade tem a possibilidade de vencer, mas também a possibilidade de se autodestruir. A dimensão da esperança é essencial.

 

A Igreja Católica é, no mundo de hoje, o último baluarte na defesa de uma ética e de valores transcendentes. Às vezes fica acantonada, dá ideia de ser retrógrada, mas é, realmente, este baluarte de defesa. Nunca assumi, no meu percurso de Fé e intelectual, um conflito entre a Fé e a Ciência. São dois universos diferenciados que têm de convergir naquilo que é fundamental: o sentido e a verdade do Homem. Não há dúvida que a Ciência é um bem precioso para a Humanidade.

 

No caso da sexualidade, julgo que devemos ensinar duas coisas: que as soluções facilitantes não levam a nada e que é preciso aprender a amar. É importante descobrir a generosidade do amor. Aquilo que se complica na comunicação da doutrina da Igreja é quando surge reduzida à casuística, traduzida em casos. A doutrina é mais ampla. É o desafio da liberdade, do amor e da dignidade do Homem.

 

O pecado supõe uma opção de consciência, quando sabemos que estamos a fazer o pior. Há circunstâncias em que as pessoas fazem o mal sem pecar, porque já não têm a clarividência de consciência, nem a liberdade interior para optar. O pecado, no sentido teológico do termo, é uma opção.

 

Ser católico é muito exigente. Sempre foi e continua a ser. É um caminho de audácia. Digo que é difícil, contudo também afirmo que é um caminho libertador, porque quando o experimentamos e o percorremos traz-nos tanta alegria, abre de tal forma o horizonte e o sentido da vida, que vale a pena.

 

Há muito tempo que espero um movimento dentro da Igreja que há de ajudar a purificar o Conselho Vaticano II. É um movimento inevitável de verdade e visão da Igreja no mundo.

 

Houve um momento em que se especulou sobre a possibilidade de ser escolhido para suceder a João Paulo II. Rezei muito a Nosso Senhor para que me protegesse... Um conclave é um momento único. Foi uma experiência extraordinária. No meu caso concreto, senti muito o efeito da pressão da comunicação social. Foi de tal forma que eu, que por norma resisto bem a este tipo de situações, comecei a ficar nervoso. Depois entrámos em conclave e a coisa pacificou. Não posso contar o que ali se passou... Mas fiquei muito contente por voltar para casa.

 

Penso que valeu a pena seguir o caminho do sacerdócio. Poderia ter sido melhor, mais perfeito na maneira como servi a Deus e aos irmãos, mas julgo que valeu a pena.

 

Quando me perguntam o que vou fazer a seguir, digo sempre: só sei o que não vou fazer. 

 

Acredito em Deus. Acredito que o mundo depende mais de Deus do que dos homens.

 

 

Excertos de uma entrevista de Patrícia Reis, publicada na revista Portefolio, da Fundação Eugénio de Almeida

Autoria e outros dados (tags, etc)

Alguns entrevistados que "matei"

por Pedro Correia, em 11.12.13

Houve uma altura da minha vida profissional, ainda muito no início, em que pensei seriamente que dava azar às pessoas que entrevistava. Isto porque foram várias as últimas entrevistas que fiz a diversas figuras públicas. Lembro-me que apenas num ano faleceram pelo menos quatro delas, recém-entrevistadas por mim.

O primeiro foi o poeta popular Carlos Conde, velha figura da Lisboa castiça - um nome quase lendário do mundo fadista, autor de letras de vários temas interpretados por Carlos do Carmo. Pouco tempo depois de o ter entrevistado na redacção do jornal onde eu então trabalhava, soube que havia falecido..

Aconteceu algo muito semelhante com o general Fernando Santos Costa, o todo-poderoso ministro da Defesa de Salazar, que me recebeu de luto carregado num apartamento de Campo de Ourique que mal deixava entrar a luz do sol. Entrevistei-o durante uma longa tarde em que foi desvendando algumas memórias, com a condição de a conversa decorrer sem gravador nem fotografias. Foi a última entrevista que sairia dele na imprensa: morreu pouco tempo depois.

 

                                                            

                                                         

Outra destacada figura do regime salazarista, Jorge Jardim, deu-me também a última entrevista. Era já na época uma figura quase lendária, misto de Zorro e James Bond. Vivia no Gabão e encontrava-se esporadicamente em Lisboa, onde o entrevistei numa suíte do hotel Sheraton. Não parou quieto durante a entrevista: levantava-se, agitava-se. Usava um bigode à Clark Gable e pintava o cabelo. Desta vez levei gravador e a entrevista saiu no formato pergunta-e-resposta, com direito a capa do principal suplemento e várias páginas no interior, sob um título garrafal: "Lawrence de África". Que eu saiba, Jardim não voltou a dar nenhuma outra: morreu alguns meses mais tarde, sem concretizar nenhum dos sonhos que traçara naquela agitada conversa do Sheraton que não esqueci.

Maria Leonor, uma das figuras mais populares e mais queridas dos portugueses, vedeta da rádio e da televisão, foi outra das minhas entrevistadas. Estava já muito doente então, lutando contra um cancro, mas persistia em manter as rotinas, como se a doença não a perturbasse. Eu conhecia desde criança aquela voz inconfundível, aquele rosto já marcado pelo mal que a viria a vitimar. A conversa decorreu numa espécie de tom antecipado de homenagem póstuma, o que não me orgulha como jornalista mas creio ser desculpável em termos humanos.

O certo é que algum tempo depois, quando soube que a Maria Leonor tinha falecido, adquiri a convicção de que dava azar aos meus entrevistados. Tanto mais que o caso viria a repetir-se, nessa década de 80 e no início da de 90, com outras personalidades bem conhecidas: o escritor Adolfo Simões Müller (autor de várias obras que devorei no início da adolescência), o pintor Thomaz de Mello (Tom) e o cineasta Jorge Brum do Canto, por exemplo.

 

Só aos poucos fui adquirindo a noção de que tudo não passara de um conjunto fortuito de coincidências. De facto, fiz centenas de entrevistas de então para cá - e não me recordo de que alguma delas fosse a derradeira dos meus interlocutores embora tenha publicado no saudoso suplemento DNA, do Diário de Notícias, duas grandes entrevistas de capa com o escritor e crítico televisivo Mário Castrim e o dirigente comunista João Amaral que figuraram entre as últimas que ambos concederam.

Mas aquela espécie de superstição que começava a apoderar-se de mim tinha alguma razão de ser: que jornalista gostaria de arrastar um peso desses na consciência?

 

Fotografias, de cima para baixo e da esquerda para a direita: Tom, Brum do Canto, Jorge Jardim e Santos Costa

Autoria e outros dados (tags, etc)

Espinha

por Ana Vidal, em 09.11.13

O actor RICARDO DARIN, entrevistado por Alejandro Fantino para o programa "Mano a Mano". Ainda há gente com espinha. 

 


Fantino: ¿Es cierto que vos rechazaste una oferta para filmar en Hollywood con Tarantino?.
Darín: Sí, claro.
F: Y ¿Por qué?.
D: Porque me ofrecieron el papel principal pero tenía que hacer de narco mexicano, y yo le pregunté a su productor por qué los mexicanos tienen que seguir haciendo de narcos si los que más consumen merca a nivel planetario son los Yankees.
F: ¿Y qué te contestó?.
D: Bueno…a ver…la respuesta que me dio me molestó tanto que afirmó que estaba en lo correcto no filmar con Tarantino. Me dijo: “Entonces es una cuestión de plata, diga cuánto más quiere que se la pagamos, usted ponga la cifra”. Es decir, no pueden llegar a ver ni comprender que hay códigos por fuera del dinero que algunos todavía portamos, ¿me explico?.
F: Mmm...no…la verdad que no.
D: ¿Cómo que no?, Ale, vos sos un tipo piola, tenés que comprender de qué te hablo.-
F: Pero podrías haber tenido más plata.
D: ¿Más plata? ¿ser millonario?...y…¿Para qué?.
F: ¿Cómo para qué?...para ser feliz!.
D: ¿Feliz con más plata?, ¿De qué me hablás?.
F: Bueno…todos quisiéramos tener más plata y ser felices.
D: Ale, yo tengo plata, tengo un auto importado de alta gama. Desayuno, ceno y almuerzo lo que quiero y puedo darme dos duchas calientes al día ¿vos tenés idea de cuánta gente del mundo puede darse dos baños calientes al día?, muy poca gente puede darse ese gusto. Y como no me considero un excelente actor, siempre digo que lo mío fue pura suerte ¿me entendés? En este mundo capitalista salvaje yo soy un tipo de muchísima suerte. Yo soy un privilegiado entre millones de personas, y además tengo la suerte de poder ver eso en mí, que me permite tener una buena cuenta bancaria y no creérmela. Yo me puedo ver desde afuera y me digo “Puta, loco, qué suerte que tuviste”.
F: Pero hubieras filmado en Hollywood…y no podés negarme que de Tarantino al Oscar hay un paso.
D: Creo no me sé explicar bien…yo ya estuve en la ceremonia de los Oscar y no me gustó, todo es de plástico dorado, hasta las relaciones entre las personas. Fui, la pasé lindo, lo disfruté…pero ese mundo no es lo mío, no es lo que yo elegí en esta vida.
F: Realmente me asombrás, Ricardo…te hacía más realista…más con los pies sobre la tierra.
D: Mirá qué casualidad !!!…yo a vos también.

 

(Aqui o link da entrevista)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Bom jornalismo

por Pedro Correia, em 04.11.13

I

Fala-se quase sempre do jornalismo em tom de crítica. O que se compreende e até certo ponto é indispensável, pois todos temos muito a aprender com as críticas -- incluindo, por vezes, com críticas que são injustas.

Mas também é salutar falar do jornalismo de forma positiva. Elogiando, incentivando, aplaudindo o que é bom.

E não se diga que não existe jornalismo de qualidade em Portugal. Isso é falso.

Durante algum tempo, mantive num blogue entretanto posto a hibernar, o Forte Apache, uma rubrica simplesmente intitulada Bom jornalismo. E cheguei a reproduzir aqui alguns dos textos lá publicados. Textos em que procurava contrariar essa tendência tão portuguesa de dizer mal com muito mais frequência do que se valoriza aquilo que deve ser elogiado.

 

II

Lembrei-me dessa rubrica, e decidi retomá-la no DELITO DE OPINIÃO, ao ler a edição deste fim de semana do jornal i. É um periódico que compro regularmente e de que sempre gostei -- pela irreverência, pela originalidade, pela aposta sempre tão difícil e arriscada que faz ao conciliar tradição jornalística com inovação. Por cultivar o nosso idioma sem conivência com o assassínio de consoantes. E também por ter os mais apelativos títulos da imprensa portuguesa, na linha do desaparecido semanário O Independente, onde cheguei a colaborar.

O i é um pequeno jornal, dir-me-ão. Certo. Mas ganhou uma influência desproporcionada para o seu modesto tamanho. Por mérito próprio. Ainda que às vezes pareça não ter consciência disso, o que aliás lhe fica bem.

Posso dizer que raramente dei por mal empregue o dinheiro que me custa. Voltei a pensar nisto este fim de semana: por apenas um euro tive boa leitura para dois dias. Com quatro entrevistas, muito diversas mas de inegável qualidade, duas reportagens que gostei muito de ler, textos de opinião com a variedade e a acutilância habituais, um suplemento cultural recomendável e um trabalho de investigação que presta serviço público até por revelar algo cada vez mais raro nos jornais: boa memória.

 

III

Esta investigação a que faço referência prolonga-se por dois textos -- ambos de duas páginas, ambos assinados por Catarina Falcão -- que lembram os percursos simétricos de António José Seguro e Pedro Passos Coelho como líderes das organizações juvenis do PS e do PSD há mais de 20 anos. Merecem leitura atenta. Para que comparemos como eles eram com o que são. E o que diziam com o que dizem hoje.

Uma frase de Seguro à época (1990): "O PS é um partido triste e amargurado consigo próprio."

Uma frase de Passos também à época (1990): "Rejeito os discursos de mera tecnocracia que esquecem o lado humano da política, recitando estatísticas."

 

IV

De facto, o bom jornalismo é inseparável da memória. Como é inseparável da eterna pulsão de narrar boas histórias com o entusiasmo de quem gosta de partilhar aquilo que vê e aquilo que sabe.

Senti isso, uma vez mais, lendo nesta edição dois textos de teor muito diverso.

No caderno principal, uma grande reportagem sobre catadores de lixo em Lisboa, acertadamente intitulada "O proveito de cada dia vem do desperdício dos outros". É um texto que só poderia ter sido feito por uma equipa de verdadeiros repórteres -- no caso, Diogo Pombo, autor da prosa, e Rodrigo Saraiva, responsável pelas fotografias. Profissionais que gostam de sair à rua, procurando as mil expressões deste duro quotidiano português de 2013.

No suplemento de fim de semana, acompanho com prazer dois outros repórteres -- Mónica Menezes e António Pedro Santos -- num fim de semana passado estrada fora, pelos socalcos do Alto Douro Vinhateiro, eleito Património Mundial da Humanidade. Uma reportagem de outro tipo, mas que também justifica destaque.

 

V

E há as entrevistas, que já fazem parte do código de identidade deste jornal que se publica todos os dias excepto ao domingo (daí a edição reforçada de sábado, equivalente ou superior a alguns semanários).

Nesta encontro nada menos de quatro -- e todas muito bem conduzidas e editadas.

Ãngelo Correia é o primeiro. Com declarações polémicas e sonantes, como se pretende em matéria política. A entrevista, assinada por Isabel Tavares, faz a manchete do jornal. Com esta frase: "Parlamento devia decretar estado de emergência nacional".

O segundo entrevistado é Carlos do Carmo, à conversa com Maria Ramos Silva a propósito do lançamento de mais um disco e em vésperas de dois espectáculos destinados a assinalar as suas bodas de ouro discográficas. O título, em discurso directo, tem algo a ver com fado: "Se não fosse fadista, seria hoje um ilustre jurista de olho azul".

Terceira entrevista: ao ex-seleccionador nacional de futebol Carlos Queiroz, agora responsável pela selecção do Irão, já qualificada para o Mundial de 2014. Três páginas que merecem ser lidas de uma ponta a outra, num bom trabalho do jornalista Rui Miguel Tovar.

E há uma quarta, no suplemento, com o escritor José Rentes de Carvalho. É uma entrevista de pequeno formato, ao contrário das restantes, mas também muito bem feita, por Vanda Marques. Título: "Não compro e-books, nem vou comprar".

Só estas quatro peças já justificavam a compra do jornal.

 

VI

Frases que destaco destas entrevistas -- um género jornalístico que sempre pratiquei e de que sempre gostei:

 

"A crítica também é uma forma de lealdade" (Ângelo Correia)

"Até um Ferrari precisa de quatro rodas" (Carlos Queiroz)

"Sou um privilegiado. Não sonhei ser Sandokan: fui Sandokan. Tive paraus, mandei em piratas e, imaginando vagamente o que lá acontecia, também tive haréns. Andava sempre acompanhado de dois tigres" (Rentes de Carvalho)

"Não tem nada que agradecer. Basta que me empreste os seus olhos" (a primeira frase que Carlos do Carmo disse à futura mulher, Maria Judite, com quem está casado há 49 anos e recordada nesta entrevista).

 

O bom jornalismo é assim. Aquele que empresta os seus olhos e os seus ouvidos a qualquer leitor.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

De esquerda

por Pedro Correia, em 23.06.13

«O PSD sempre foi um partido de esquerda, com Sá Carneiro. É por isso que mais de metade ou dois terços do PSD não estão com este Governo. Manuela Ferreira Leite, Pacheco Pereira, muitos outros, António Capucho, Rui Rio, Miguel Veiga, todas estas pessoas estão tão desesperadas como eu, no fundo.»

Mário Soares, hoje, em entrevista ao Público

Autoria e outros dados (tags, etc)

Leiam esta entrevista: vão gostar

por Pedro Correia, em 09.05.13

 

Raras vezes tenho lido uma entrevista tão emocionante, tão comovente e ao mesmo tempo tão reveladora da personalidade da entrevistada, sem nunca a entrevistadora confundir acutilância com impertinência. Aconteceu-me há pouco, ao ler com atenção a entrevista que a nossa Helena concedeu à edição de hoje da revista Sábado. Título da entrevista, cuja leitura naturalmente recomendo: «O Miguel não era um herói, era o meu filho.»

Parabéns à entrevistada, que "não se furtou a nenhuma pergunta", como revela a revista. E parabéns também à entrevistadora, Dulce Garcia. Já fiz centenas de entrevistas e sei bem como é um género jornalístico muito mais difícil do que parece. Um dia destes falarei de algumas delas aqui: há matéria para uma nova série neste blogue.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Duas entrevistas

por Helena Sacadura Cabral, em 15.02.12
 
  

Ontem assisti a duas entrevistas. Uma ao Prof. Sobrinho Simões que falou de assuntos vários todos eles ligados por esse tema maior que é a educação. A outra ao Procurador Geral da República, Dr. Pinto Monteiro, sobre os temas da Justiça. Ambas tiveram interesse.

Para mim, a primeira, como sempre, confesso, encantou-me. Porque - e cada vez mais corroboro esta minha opinião -, o Professor continua a ser uma das mentes mais lúcidas que o nosso país tem. Lúcido e sem medo de usar as palavras, seja na crítica, seja no elogio. No fundo, é alguém que já não necessita de provar nada a quem quer que seja. A sua carreira fala por si. Mas é a dimensão do homem que está por detrás dela que importa conhecer.
Na segunda, Pinto Monteiro quis mostrar o que de novo tinha acontecido na sua área, nos seis anos em que exerceu as funções de Procurador Geral, e falar das dificuldades que teve de enfrentar, num Ministério Público que lhe era parcialmente adverso.
Para quem esteja longe destes assuntos, a mesa redonda que se seguiu a esta entrevista foi de enorme utilidade, porque permitiu desmontar o que não era inteiramente verdade e já estava esquecido e salientar o que merecia ser apreciado.
Uma frase houve, nesta última conversa, na qual não acredito de todo. É quando ele afirma que "em 23 anos de carreira e em particular nos últimos seis, jamais tinha sido submetido a pressões políticas".
Não pode ser verdade. Até eu, que não sou rigorosamente ninguém, já as tive...

Autoria e outros dados (tags, etc)


O nosso livro


Apoie este livro.



Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D