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Estágios não pagos

por João André, em 23.08.16

Nos EUA tenho notado que existe um debate constante acerca do pagamento a estagiários. Numa das perspectivas, os estagiários trabalhariam de graça, recebendo em troca a possibilidade de obterem experiência, conseguirem contactos e poder observar "como o mundo real funciona". Na outra perspectiva... bom, é tudo o mesmo mas os estagiários recebem um vencimento.

 

Ninguém duvida que um estagiário não oferece o mesmo valor a uma empresa que um profissional mais experiente (mesmo que apenas um tudo nada). Os estagiários recebem habitualmente as funções de base e mesmo quando são empregados em funções teoricamente em linha com as suas qualificações, acabam por fazer fotocópias, ir buscar café, transportar equipamento e observar. Observar muito.

 

Por outro lado um estagiário é um ser humano cujo tempo vale alguma coisa. Se a empresa contrata um estagiário, é porque coloca um valor, por pequeno que seja, nas funções do mesmo. Caso não o fizesse não precisaria dele, uma vez que apenas estariam a ocupar espaço e o tempo dos outros profissionais. Nesta lógica faz sentido que recebam um salário. Além disso, antes do início das funções não é certo que um estagiário vá de facto receber essa experiência valiosa que tanto é prometida. Se ficar encafuado num cubículo sem janelas a tirar fotocópias, certamente que isso não o enriquecerá. Para cúmulo, contratar um estagiário sem lhe pagar é um mau passo pela empresa: estão a investir (o tempo dos outros empregados) numa pessoa a quem não dão incentivos para se ligar à empresa nem para se valorizar (além de ter uma entrada extra no currículo).

 

Há no entanto um outro argumento contra os estágios não pagos: estão abertos essencialmente a quem tenha outras formas de rendimento. Ou os pais pagam, ou há outro trabalho com o qual se pode viver (neste caso ambos os trabalhos sofrem devido ao excesso de tempo neles). O primeiro caso será o mais comum e o pior, porque perpetua o ciclo dos conhecimentos. Quem tem conhecimentos consegue o tão desejado estágio para o filho e pode pagar esse custo e o filho, beneficiando disso, poderá fazer o mesmo para os seus filhos. É um ciclo vicioso que fecha portas a quem não tenha alternativas a trabalhar para poder sobreviver.

 

Claro que há quem quebre o ciclo. Normalmente são pessoas que trabalham 20 horas por dia e que depois vendem a sua história como um sucesso e um exemplo do que pode ser alcançado com trabalho duro. É verdade, mas pelo caminho provavelmente ficará a grande maioria que não aguentará tais exigências.

 

Não posso falar do caso português porque o conheço mal, mas por vezes tenho a sensação que está a piorar. Há quem se insurja contra os estágios não pagos, mas não é o meu caso. Eu revolto-me simplesmente com trabalho não pago. Os estágios são casos específicos que podem estar abrangidos por regulamentação especial (isentos de segurança social, menos impostos ou outros), mas que devem ser pagos como trabalho que são. Permitir que os jovens (a maioria destes estagiários) sejam usados desta forma não passa de um abuso do direito ao trabalho.

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Demagogia salarial

por João André, em 20.01.16

O nosso José António Abreu fez abaixo um post demagógico acerca da diferença de salários médios entre público e privado. Digo que é demagógico não porque o JAA seja um demagogo, mas porque escrever o que escreveu, sem falar em mais nada (mesmo que invocando razões com que se possa discordar) é demagogia pura. Seria o mesmo que eu escrever que os CEOs portugueses ganham "x" vezes mais que o Presidente da República para indicar o mal que se paga aos titulares dos cargos públicos. Se queremos abordar o tema, temos que o fazer pelo lado da interpretação, caso contrário parecemos novos Grillos.

 

O primeiro ponto é simples: no público os trabalhadores têm qualificações superiores ao privado. Não sei valores actuais, mas sei que há uns 5 anos os trabalhadores com formação superior eram 10% no privado e 50% no público. A média europeia dos ganhos salariais por ano extra de educação superior é de cerca de 10%. Com cursos entre 3 e 5 anos, pode-se esperar que a formação superior traga benefícios salariais de 40%. Se aplicarmos um peso de 50% desta componente ao público (20% aumento em vez de 40%) para 50% dos trabalhadores, temos que explica cerca de metade do diferencial (1140 € - Privado; 1140 x 120% = 1368 €).

 

O segundo ponto volta às qualificações, mas no outro lado do espectro. Se o sector público terá mais tendência a empregar pessoas com qualificações superiores, também empregará menos com qualificações abaixo da escolaridade mínima. Aqui não tenho valores, mas posso facilmente imaginar que os trabalhadores com a 4ª classe ou um ensino secundário incompleto serão muito mais facilmente empregados como empregados fabris, lavadores de pratos ou terão outras funções não qualificadas que os do público. Isto aumentará também o diferencial.

 

Por último há um aspecto importante: o simples facto de existir este diferencial não significa que deva ser abatido pelo lado do público, como o JAA implicitamente sugere. Poderá não ter sido a sua intenção, mas ao escrever como o fez, dá a entender que o que está mal é o salário público, não o privado. Nos comentários fala da asfixia do sector público ao privado, o que vejo como um disparate em si. Há de facto uma enorme lacuna na legislação em Portugal que permita ao privado poder desenvolver-se, mas o público não asfixia o privado, antes o estimula (pelo menos alguns actores do mesmo) em relações muito pouco saudáveis.

 

Eu gostaria muito de ver o diferencial a desaparecer, mas pelo lado do aumento do salário do privado. Para tal é necessária legislação mas também mudança das mentalidades canhestras dos empresários portugueses. Enquanto continuarem a ver pessoas com formação superior como tipos a quem têm de pagar mais; mulheres como aquela gente que vai ter de ir parir; e os trabalhadores em geral como "colaboradores", o diferencial continuará a existir. E os rendimentos (não necessariamente sob a forma de salários) mais elevados continuarão a existir no lado do privado. E aqui os diferenciais não se medirão em um salário mínimo.

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A reforma do Estado dá sempre frutos antes das eleições

por Sérgio de Almeida Correia, em 20.08.15

"Os dados do Governo, divulgados recentemente pela Dire[c]ção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP, Finanças), permitem ver que, no primeiro semestre do ano, foram recrutadas 13 519 pessoas, uma subida significativa de 49% face a igual período de 2014. Há um ano, a nova contratação tinha aumentado 24% face a [J]aneiro-[J]unho de 2013."

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Onde é que eu já vi isto?

por Luís Menezes Leitão, em 19.08.15

Eleições: PS estima criar 207 mil empregos e défice de 1,4% em quatro anos.

 

Ah, foi aqui:

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Como ainda não perdi completamente as esperanças de um dia voltar a Portugal, continuo a receber semanalmente as actualizações sobre empregos nas minhas áreas de interesse e, de tempos a tempos, dou uma espreitadela ao que vai sendo publicado em jornais. Uma coisa que vou notando com frequencia é a aversão que os anúncios (ou anunciantes) parecem ter a identificar a empresa ou frequentemente sequer a área de actividade. Nas descrições de anúncios, as funções são igualmente de tal forma vagas que quase qualquer pessoa com as habilitações literárias indicadas se poderia candidatar. Há, por último, um curioso hábito de pedir para posições de chefia experiência em funções semelhantes.

 

Este é o tipo de anúncios que via quando andava a estudar (já lá vão 15-20 anos) e que parecem não ter mudado em Portugal. Estranhamente, as empresas parecem não ter ainda entendido que é do seu interesse anunciar que estão a contratar (sinal de saúde). No caso das descrições de funções ou qualificações, têm uma rede de captação tão grande que irão apenas aumentar o trabalho de triagem de cartas e anúncios (perdendo assim tempo e dinheiro). Por fim, parece ainda não se ter percebido que, alguém que suba dentro de uma empresa a cargos de chefia, dificilmente mudará de empresa (com todas as dificuldades subjacentes) para o mesmo cargo (ou, pelo menos, para um salário semelhante).

 

Estas são lições que vejo aprendidas por toda a Europa. O tecido empresarial português ainda não o parece ter percebido. Também nisto há muito que mudar a nível de mentalidades.

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Entretanto...

por Luís Naves, em 05.08.14

No último ano foram criados 90 mil empregos. Espero que a esquerda tenha uma boa explicação para o fenómeno. Será a emigração ou a sazonalidade de 2014?

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A importância da indústria

por Rui Herbon, em 01.04.14

 

Tudo aponta para que o pior da crise tenha ficado para trás. As perspectivas são encorajadoras, inclusive as previsões de crescimento do PIB em 2014 e anos seguintes têm vindo a ser revistas em alta pelas mais diversas entidades. Talvez por isso começam a recrudescer os discursos extremistas: seria um fracasso para a esquerda que nos próximos anos tudo estivesse muito melhor, até porque temos legislativas para o ano. Contudo, sendo evidentes os sinais de recuperação, não são menores os desafios. Muito especialmente no que se refere à criação de emprego.

 

Quando se olha para trás, e se tenta aprender com os erros, percebe-se porque ninguém – ou quase ninguém – previu a profunda crise que nos atingiu. De 1995 a 2007 produziu-se um dos períodos de maior crescimento da história. Baixas taxas de inflação, baixas taxas de juro e uma menor volatilidade do ciclo económico deram a impressão de que se havia dado com a pedra filosofal da gestão económica: riscos controlados e um crescimento constante – o que alguns designaram como a grande moderação. A isto juntou-se a enorme liquidez dos mercados, que permitiu financiar os activos que se usavam para múltiplas operações financeiras. Daí a enorme procura que se produziu de derivados financeiros e todo o tipo de instrumentos, incluindo os famosos subprime. Na Europa, além disso, a criação da União Monetária veio aumentar esse estado de tranquilidade económica onde se pensou que nunca ocorreria nada senão crescimento e riqueza: desapareciam os riscos cambiais, parecia assegurar-se a convergência económica dos seus membros, os prémios de risco eram baixíssimos e as balanças correntes demonstravam que dentro da Zona Euro era tudo segurança.

 

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A luz ao fundo do túnel

por Pedro Correia, em 15.03.14

«Pelo terceiro trimestre consecutivo, Portugal criou postos de trabalho. O País tinha começado 2013 com uma queda de 1,7% na taxa de emprego mas a partir daí, na comparação trimestral, o registo foi sempre positivo até ao final do ano.

No segundo trimestre a taxa de emprego cresceu 0,7% e no terceiro registou uma nova subida de 0,8%. Os dados do Eurostat revelam agora que os últimos três meses de 2013 também foram de criação de emprego: de Outubro a Dezembro a taxa cresceu 0,7%, o equivalente a mais 33.800 postos de trabalho.

No conjunto dos países que aderiram à moeda única, Portugal registou mesmo a maior subida, a par da Irlanda.»

Notícia de ontem, no Jornal da Noite (SIC)

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Fazer de cada português um fiscal da Autoridade Tributária e Aduaneira. O facto de ser um emprego não-remunerado é um detalhe. 

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  • A taxa de desemprego subiu para 14,9%;
  • A taxa de desemprego jovem subiu para 36,6%;
  • Foi aprovado o novo "Plano para a criação de emprego - Impulso Jovem", através do qual 344 milhões de euros estarão a serviço da precariedade e do patrocínio de uma ilusão de emprego para os milhares de jovens que sabem que regressam ao desemprego 18 meses depois;
  • Despedimento por inadaptação mais abrangente;
  • Corte nas horas extraordinárias;
  • Compensação no despedimento sofreu cortes;
  • Redução de um a três dias de férias e menos quatro feriados, ou seja mais uma semana e pouco de trabalho sem qualquer compensação;
  • Subsídios de maternidade sofre corte de 14%;
  • No sector imobiliários foram aumentadas as rendas e a facilidade dos despejos;
  • Na Justiça foi decidido o encerramento de múltiplos Tribunais do interior com critérios questionáveis e acima de tudo mal explicados;
  • Ainda na Justiça vai haver lugar a julgamentos sumários em 48 horas numa gritante diminuição de garantias e segurança jurídica;
  • Os portugueses têm menos poder de compras que os gregos e, já agora, que os restantes cidadãos europeus;
  • 70.000 portugueses emigram por ano, a maioria dos quais é jovem;
  • Três votos a favor e dois contra ilibaram o Ministro Miguel Relvas da acusação de pressões ilicitas que ficou mais do que provada. Entretanto a jornalista Maria José Oliveira demitiu-se misteriosamente e apresentou, contra o Público, uma queixa na Comissão Nacional de Protecção de dados por violação de endereço electrónico;
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    Despedimento colectivo

    por José António Abreu, em 26.09.11

    É a pessoa que tratou das minudências de um despedimento colectivo. No final do processo viu-se incluída no grupo de despedidos. Ficou surpreendida. Não devia. Qualquer empresa de média dimensão (nas pequenas nem se conhece o conceito de gestão de recursos humanos enquanto nas grandes o ambiente está de tal modo impessoal que ninguém conhece realmente ninguém) tem interesse em evitar que o rosto de um despedimento colectivo permaneça nos quadros. Trata-se de um elemento em quem os restantes trabalhadores jamais voltarão a confiar. Despedi-lo permite aos verdadeiros responsáveis arranjar alguém para quem medo e raiva podem ser canalizados e marcar um ponto de viragem na empresa. É como se dissessem aos que ficam que também acharam mal o que se passou e garantissem que não voltará a acontecer. E quem fica esforça-se por acreditar porque precisamos sempre de acreditar em alguma coisa, por muito ilógica que seja.

     

    Ingenuidade excessiva é estupidez e eu tenho dificuldade em sentir empatia por esta pessoa. Especialmente quando sei que tratou do assunto com um entusiasmo raiando a insensibilidade. Acreditando genuinamente estar a fazer o melhor para a empresa. Talvez estivesse. Tal como quem a despediu.

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