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solidão com vista para o mar

por Patrícia Reis, em 07.04.13

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Ai! meu coração vagabundo...

por Helena Sacadura Cabral, em 01.07.12

E este presentezinho que vos dou neste belo Domingo?!

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Domingo

por Patrícia Reis, em 24.06.12

Dormir mal é um aborrecimento, em especial para o corpo, embora não favoreça a cabeça, já se sabe. A mulher saiu do banho com este pensamento e, ao espelho, julgou-se numa barraca de feira popular, uma tenda de espelhos mágicos de aumentar e diminuir.

A cabeça dela estava - sem dúvida - muito mais pequena e as pernas mínimas.

Não se preocupou muito com isso. Quando quis chegar à torneira percebeu que a mão, o ante braço, o braço, não conseguiam alcançar o pretendido. Estava a minguar, tal como a bisavó lhe dissera em tempos. A mulher viu-se, assim, nua, na casa de banho, a perder tamanho, sem qualquer dor.

Quando estava já sem corpo, restando apenas a cabeça minúscula, fechou os olhos e suspirou. Podia acordar.

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Lembra de Mim

por Helena Sacadura Cabral, em 24.06.12

Lembra de mim!
Dos beijos que escrevi
Nos muros a giz
Os mais bonitos
Continuam por lá
Documentando
Que alguém foi feliz...

Lembra de mim!
Nós dois nas ruas
Provocando os casais
Amando mais
Do que o amor é capaz
Perto daqui
Há tempos atrás...

Lembra de mim!
A gente sempre
Se casava ao luar
Depois jogava
Os nossos corpos no mar
Tão naufragados
E exaustos de amar...

Lembra de mim!
Se existe um pouco
De prazer em sofrer
Querer te ver
Talvez eu fosse capaz
Perto daqui
Ou tarde demais...

Lembra de mim!...

Lembra de mim!
A gente sempre
Se casava ao luar
Depois jogava
Os nossos corpos no mar
Tão naufragados
E exaustos de amar...

Lembra de mim!
Se existe um pouco
De prazer em sofrer
Querer te ver
Talvez eu fosse capaz
Perto daqui
Ou tarde demais...

Lembra de mim!...

 
Também se pode acordar ao Domingo com esta canção sussurrada aos nossos ouvidos. E é bom!

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Bom domingo

por Patrícia Reis, em 05.02.12

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Domingo, pingo a pingo (5)

por Ana Vidal, em 02.01.11

 

Ainda em balanço de velho ano mas, infelizmente, com consequências muito sérias que perdurarão por muitos mais anos novos que aí venham, não posso deixar de destacar as conclusões deste relatório do GAVE sobre o ensino em Portugal. Arrepiante e demolidor, deixa-me com a sensação de que nenhuma notíca pode ser pior do que esta para o nosso futuro como país: "(...) os alunos do secundário são incapazes de estruturar um texto encadeado e têm dificuldade em explicar um raciocínio com lógica."

 

§

 

Dizem-me que quem ganhou o big brother da TVI foi um rapazinho que representa uma nova versão do célebre Zé Maria (lembram-se dele?). Ou seja, um rústico chico-esperto, um "bom selvagem" meio apatetado, manhoso qb, mas aparentemente lírico e ingénuo. Não discuto as qualidades verdadeiras do rapaz, que não conheço, e que podem até não ser aquelas com que ele nos é apresentado. Há que ter em conta que todo o programa se baseava num perverso trompe l'oeil que pretendia enganar tudo e todos, durante o máximo tempo possível. O que eu questiono é o baixíssimo grau de exigência que preside ao espírito de quem vota (a votação foi pública), premiando e incensando um perfil deste género. É a elegia da mediocridade, preocupante porque reveladora da nossa tendência para nos contentarmos com pouco, para confundirmos bondade com imbecilidade e para o medo pueril de tudo o que foge ao mediano. Não é com gente assim que um país progride, seguramente. Sempre embirrei com o filme Forrest Gump por causa dessa mesma mensagem perigosamente enganadora.

 

§

 

Graças às inesperadas e arrasadoras medidas recém anunciadas quando às prestações para a Segurança Social, a  imensidão de portugueses que trabalhava a recibo verde vai ter de correr a uma consevatória para criar uma empresa unipessoal. Quem não o fizer será ainda mais penalizado do que já era, e acrescentará à precaridade da sua situação uma pesada contribuição para o famigerado Estado Social de faz-de-conta, que cada dia lhe garante menos apoio em todas as frentes. Mais uma esperteza encapotada deste (des)governo criminoso, que anunciará - aposto! - uma "explosão de novas empresas que revela uma economia florescente e saudável", e arrecadará cerca de quinhentos euros por cada uma delas (o custo inicial aproximado da criação de uma "empresa na hora"). Quantas sobreviverão já é outra história, irrelevante para as estatísticas de crescimento a apresentar, triunfalmente, aos vorazes "mercados" que têm de ser acalmados. Simplex, não?

 

§

 

Entretanto, e ainda sobre o mesmo tema, esta vergonhosa notícia vem gozar com a nossa cara. Que tal denunciarmos e revoltarmo-nos contra estes abusos? É que, apesar dos pesares, é mais urgente do que nunca que saibamos reagir à apatia e à depressão que tudo isto nos provoca. Criatividade, imaginação, solidariedade e optimismo, são as armas a que temos de deitar mão para arregaçar as mangas e enfrentar 2011. Não basta desejarmos saúde e paz, por muito que elas sejam fundamentais para tudo o resto. Vamos precisar de mais do que isso, desta vez. A bem da nossa sobrevivência e da viabilidade deste país. A bem de todos nós e de cada um.

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Domingo, pingo a pingo (4)

por Ana Vidal, em 20.12.10

Mais uma pequena pérola do livro de que já falei aqui, "Notas de Cozinha de Leonardo Da Vinci". Desta vez, no capítulo sobre A etiqueta à mesa do Senhor Ludovico, meu amo, e dos seus comensais. Ora vejam e aprendam:

 

O meu Senhor Ludovico tem o costume de atar coelhos adornados com fitas às cadeiras dos seus comensais, a fim de que estes possam limpar as mãos engorduradas às costas do animal, costume que eu considero impróprio da época em que vivemos. E quando, depois da refeição, os animais são recolhidos e trazidos para a lavandaria, o fedor infiltra-se nos outros panos que são lavados conjuntamente com eles. Também não me apraz o hábito de o meu Senhor limpar a faca às vestes do vizinho. Por que razão não lhe é possível fazer como os outros membros da corte, que a limpam à toalha trazida para tal efeito?


§

 

 

Destaque também, agora bem mais sério, para o filme magnífico que vi ontem: "Dos homens e dos deuses" (tradução literal do título francês), que relata de forma admirável a história verídica de oito frades católicos missionários na Argélia, vivendo o início do terror fundamentalista nos anos 90. Um lote superlativo de actores da velha guarda da escola do cinema europeu - Lambert Wilson, Michael Lonsdale, Olivier Rabourdin, Philippe Laudenbach, entre outros - acrescentam à realização primorosa de Xavier Beauvois uma inesquecível lição de representação. Entramos na intimidade do dia-a-dia de um mosteiro de oito frades despojados de tudo, teimosamente dedicados ao serviço dos habitantes de uma pequena aldeia miserável do Atlas, que vêm nascer e crescer a violência e o ódio num país onde não se sentem, mas são, inapelavelmente estranhos. Comovemo-nos com a sua grandeza, sofremos com os seus dilemas, alegramo-nos com os seus humilíssimos e inocentes momentos de prazer. E admiramos-lhes, sobretudo, a coragem que os leva finalmente ao martírio, por amor aos outros e apego à missão que os levou até ali. O filme é-nos apresentado com a mesma desarmante simplicidade, carregada de significado, que espelha a vida dos oito estoicos monges. Há uma refeição - uma espécie de última ceia - que valeria todo o filme, mesmo que ele começasse e acabasse ali. Ganhou o Grande Prémio em Cannes e é um sério candidato ao Oscar para melhor filme estrangeiro deste ano. Para ver, rever e reflectir sobre o que nos move e nos exige compromissos, neste estranho mundo de fast feelings em que vivemos.

 

§

 

É bom ler notícias como esta. Uma boa semana para todos.

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Domingo, pingo a pingo (3)

por Ana Vidal, em 05.12.10

Deve haver centenas de histórias semelhantes, mas é engraçado como estas coisas acontecem: escrevi estes "Exercícios filosóficos" (uma brincadeira sobre os dois Sócrates) aqui no Delito, em  Fevereiro de 2010. Hoje, passado quase um ano, recebi de quatro pessoas diferentes o meu próprio texto - com ligeiríssimas alterações e um título diferente - como  sendo uma graçola dessas que circulam na net sem autoria definida.

 

§

 

Este foi um fim-de-semana de emoções fortes, em família. Um regresso à terra onde passei a minha infância, para dois momentos igualmente emotivos, apesar de em polos opostos: Um casamento e um funeral, no espaço de 2 dias. Ambos na mesma igreja, ainda imponente apesar de tragicamente amputada e saqueada, em plena revolução de Abril, sob o absurdo  motivo da classificação como monumento nacional. Com esse pífio pretexto, foram-se irremediavelmente os santos e os castiçais de talha dourada dos altares laterais, foram-se as toalhas de linho e renda, foi-se a riquíssima teia e os passos da via-sacra, foi-se um enorme Cristo crucificado de pau-santo, marfim e prata, foram-se até os degraus de pedra em caracol que levavam ao púlpito, agora ridiculamente "pendurado" no vazio e sem acesso. Todo este precioso património desapareceu liminarmente, sabe Deus para  que feiras de antiguidades, e foi orgulhosamente substituído por modernos mamarrachos de gosto mais do que duvidoso. Teria sido bem melhor que nunca ninguém se tivesse lembrado de tão "honrosa" classificação. Mas naquele tempo (e não só, infelizmente) muitos abusos e crimes patrimoniais foram cometidos, naquela e em muitas outras igrejas, pelo país fora. Para mal dos nossos pecados, quem se manteve desde essa época foi o padre, apesar de detestado por toda a gente. Graças a um talento de político para manter-se sempre à tona, respirando a cada momento l'air du temps, o homem piedoso que vociferava do altar abaixo, nas missas dominicais, contra as famílias (entre as quais a minha) que na sua douta opinião tinham casas grandes de mais, exortando o povo a invadi-las e esquecendo-se de que ele próprio ocupava - sozinho! - uma enorme casa pertencente ao patriarcado onde caberiam várias famílias sem grande risco de se cruzarem no belo claustro do séc. XVI, foi a mesma criatura que agora se derreteu num bajulador elogio fúnebre a um dos últimos patriarcas da minha família. E a mesma que, horas depois, proibiu que uma modestíssima urze branca permanecesse a enfeitar a igreja mal acabasse o casamento do dia seguinte. E ainda a mesma que declara, sem qualquer pejo ou noção do seu papel, que não visita os paroquianos doentes porque "lhe faz muita impressão". Enfim, há coisas que nunca serei capaz de entender.

 

§

 

Recebo habitualmente os convites para as actividades do MNAA (Museu Nacional de Arte Antiga), e graças a isso vou estando a par de alguns acontecimentos interessantes, que não perco sempre que me é possível. Mas fiquei abismada com  os ridículos floreados protocolares de um dos últimos que recebi, para a inauguração de uma exposição. Dizia o convite, literalmente: "Ao evento digna-se comparecer o Exmo Secretário de Estado da Cultura (...)". Digna-se? Digna-se comparecer?? Mas então não é essa a obrigação de um secretário de Estado? E afinal estamos a falar do principal Museu de Arte do país ou de alguma venda de Natal numa Junta de Freguesia?

 

§

 

E pronto, deixo-vos com duas sugestões divertidas para desanuviar destes temas menos edificantes:

 

1ª. Um anúncio: a um original torneio de sueca (infelizmente já não vamos a tempo da inscrição), com prémios apelativos e muito adequados aos tempos de crise que atravessamos. Pergunto-me o que teria sido o lanche no final do torneio...

 

 

2ª. Uma adivinha: como podemos saber que o dono deste conjunto de mesa e cadeiras (posto à venda no e-bay) é homem e muito distraído? Venham de lá os vossos doutos palpites...

 

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