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Linhas trocadas

por Pedro Correia, em 13.07.12

Sempre me fez alguma confusão haver quem chame ditadura a uma democracia e democracia a uma ditadura.

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Tiques de ditadores

por João Carvalho, em 30.12.11

 

Mais um "milagre" do Photoshop ao serviço dos ditadores: à esquerda, a foto do funeral de Kim que um free-lancer registou; à direita, a foto do mesmo momento e que as autoridades norte-coreanas distribuíram às agências noticiosas internacionais, depois de "restabelecida a ordem" por via do computador.

O processo é velho e conhecido, desde a era pré-Photoshop na União Soviética ao regime egípcio recentemente deposto. Estes retoques têm todos uma coisa em comum: são tiques que só lembram aos ditadores, que gostam sempre de experimentar se o poder os deixa apagar ou modificar a História.

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O olhar opaco de um torcionário

por Pedro Correia, em 20.12.11

Há blogues para todos os gostos. Há até um blogue sobre Kim Jong-il a olhar para não importa o quê. Agora que o torcionário fechou os olhos vale a pena dar-lhe uma espreitadela. Ao blogue, não à múmia.

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Um ditador é um ditador

por Pedro Correia, em 19.12.11

 

A palavra ditador parece ter caído definitivamente em desuso em Portugal. Só isto explica que a SIC Notícias tenha hoje revelado ao País que "morreu o líder da Coreia do Norte". E no entanto não conheço nenhum outro dirigente mundial, na actualidade, que merecesse tanto o epíteto de ditador como Kim Jong-il, herdeiro da mais longa dinastia comunista do planeta. Nem conheço nenhum país que ostente um nome oficial tão desfasado da realidade como a chamada República Democrática Popular da Coreia. Um país que nada tem de republicano, pois o poder transita ali dentro do mesmo ramo familiar, como era costume na corte absolutista de Versalhes: o tirano agora falecido herdara o ceptro do pai, Kim Il-sung, e o seu indigitado sucessor será o filho mais novo, Kim Jong-un. Um país que nada tem de democrático: a transmissão do comando supremo ocorre em Pyongyang por simples decreto emanado da cúpula do partido único, enquanto os direitos mais elementares são ferozmente espezinhados. Um país que nada tem de popular: os norte-coreanos continuam a fugir para o exterior, com risco da própria vida, para escapar às tenebrosas condições proporcionadas pelo regime estalinista implantado em 1948. Um regime que condena a sua própria população à miséria e à fome, em flagrante contraste com a vizinha Coreia do Sul.

Morto o ditador, quem se apressou a endereçar condolências ao "povo coreano"? Naturalmente o PCP, que em vez de se insurgir contra a tirania prefere lançar farpas aos Estados Unidos. Omitindo a prática de tortura, as frequentes execuções públicas e a existência de dezenas de milhares de presos políticos na monarquia vermelha.

Nada que nos deva espantar: nas teses ao XVIII congresso do partido, em 2008, os estrategos da Soeiro Pereira Gomes elogiaram o regime de Pyongyang nestes termos inequívocos: "Importante realidade do quadro internacional, nomeadamente pelo seu papel de resistência à 'nova ordem' imperialista, são os países que definem como orientação e objectivo a construção duma sociedade socialista - Cuba, China, Vietname, Laos e R.D.P. da Coreia" (destaques a negro das próprias teses). Um facto que mereceu críticas de alguns dos mais prestigiados militantes do PCP, como o ex-líder parlamentar Octávio Teixeira.

O que seria de esperar de um partido que, nas páginas do seu jornal oficial, considera a Rússia estalinista "a mais brilhante conquista da história da humanidade"?  

 

ADENDA: O Estado de São Paulo chama ditador a Kim Jong-il. E o New York Times também. Ao contrário do que fizeram, por exemplo, o JN e o Público. É reconfortante saber que na grande imprensa internacional ainda há quem chame as coisas pelo seu nome. Porque um ditador continua a ser um ditador. Tenha a cor política que tiver.

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A ditadura da República

por Laura Ramos, em 05.10.11

 

A Constituição não serve para nada?

Ao que chega o novo-riquismo da democracia, que desdenha a sua identidade e desbarata o que tem por certo e garantido...

Tempos perigosos, estes: obrigam-nos a uma pragmática saudável, mas também abrem portas, na enxurrada do imediatismo, à incultura consciente e dirigida dos utilitaristas.
A lei fundamental não é descartável.

Não admito que a diminuam.

Não temos a 'Magna Carta', paciência... Mas temos tido muitas outras Cartas Constitucionais e esta, em particular, custou a construir. Reflecte-nos a nós todos, seus constituintes. E limita os impulsos reguladores dos poderes, executivos ou legislativos, que nos governam.

Acresce que é um diploma em permanente construção. Imperfeito, sim. Com vestígios ditatoriais como o artigo 288º, que vale a pena lembrar hoje, porque impõe a forma republicana do regime e proíbe liminarmente a opção por uma monarquia.

Não sou monárquica, em sentido corporativo.

Mas votaria claramente a favor de um regime monárquico, porque, entre muitas outras razões, é o que melhor serve a estabilidade e o que mais respeita a matriz identitária de um país, algo de que precisaremos cada vez mais nesta Europa em desconstrução.

Além disso, já sabemos (nós, os que queremos saber) que é um regime mais barato do que a república.

- Não dispomos de um Mestre de Avis, nem de um Príncipe Perfeito? Pois não, nem eu os queria assim, lendários e irreais.

Mas irrita-me uma tal norma, digna da assinatura de um caudilho apostado em manter um monopólio desleal. Enquanto se assusta o povo com fantasmas e papões, explorando a sua privação de escolha e descredibilizando constantemente, com recurso a chavões primários e aldeões, toda e qualquer figura, ou simples cidadão, que ouse desafiar-lhe a autocracia ilegítima e forçada (tal como aconteceu em Espanha em seu tempo, com Juan Carlos). 

 

- E a sociedade 'pensante', o que é que faz? Prega a doutrina e retribui-lhes ao nível. Aplaude.

 

Não, não sou catequética na minha escolha: sou apenas livre. Além disso, não suporto que me inibam de exercer um direito.

E para quem ainda não percebeu bem o que está em questão, declaro que, tanto quanto a parvoeira republicana nacional  - provinciana, complexada e tacanha - consegue irritar-me o fenómeno correspondente nos monárquicos 'de seita' (radicais, fundamentalistas e fixados no seu umbigo, porventura tatuado com ferro de armas).

Uns e outros tiram-me do sério.

Mas que fazer? Tolos há em todo o lado e em todas as frentes.

Dão é muito mais nas vistas do que os outros cidadãos.

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A revolução é contagiosa?

por Laura Ramos, em 23.02.11

Barómetro de sobrevivência dos déspotas do médio-oriente, até final de 2011.

Vai ser interessante observar a correlação entre essess movimentos.

 


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Há-de acabar

por João Carvalho, em 21.02.11

A UE e os EUA parece que usam libré e luvas brancas de serviçais com medo de chamar os bois pelos nomes. Já há um banho de sangue e a artilharia pesada nas ruas prepara o massacre anunciado. Espera-se que o exército perceba quanto antes que também é povo. Porque...

... mais-gravata-menos-gorro, mais-petróleo-menos-tenda...

... é tal-pai-tal-filho sempre de dedo pronto a disparar...

... mas isso há-de acabar por mudar.

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1 - Decretar o estado de excepção e mantê-lo pelo período mais longo que for possível;

2 - Impedir qualquer manifestação (caso não seja possível, passar para o ponto seguinte);

3 - Proibir a cobertura jornalística, sobretudo televisiva, de qualquer manifestação (caso não seja possível, passar para o ponto seguinte);

4 - Reprimir duramente qualquer manifestação (matar não é conveniente, mas às vezes tem que ser);

4 - Não renovar as acreditações de enviados especiais e recusar a aprovação de novos pedidos;

5 - Reduzir a velocidade da Internet, filtrar os conteúdos da rede e das ferramentas sociais ou, cancelar o serviço;

6 - Cortar o serviço de comunicações móveis: voz e sms;

7 - Em caso de dúvida sobre a dureza das medidas a aplicar, ter presente os recentes e maus exemplos da Túnisia e do Egipto. 

 

*A designação Internacional Autoritária é da autoria de Vitali Silitski e encontrei-a aqui, a partir daqui, sendo que recomendo vivamente a leitura de ambos os textos.

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There are no Mubaraks on the Forbes list of the world's richest people, but there sure ought to be.

The mounting pressure from 18 days of historic protests finally drove Egyptian President Hosni Mubarak from office, after three decades as his nation's iron-fisted ruler. But over that time, Mubarak amassed a fortune that should finance a pretty comfortable retirement. The British Guardian newspaper cites Middle Eastern sources placing the wealth of Mubarak and his family at somewhere between $40 billion and $70 billion. That's a pretty good pension for government work. The world's richest man – Mexican business magnate Carlos Slim – is worth about $54 billion, by comparison. Bill Gates is close behind, with a net worth of about $53 billion.

Mubarak, of course, was a military man, not a businessman. But running a country with a suspended constitution for 30 years generates certain perks, and Mubarak was in a position to take a slice of virtually every significant business deal in the country, from development projects throughout the Nile basin to transit projects on the Suez Canal, which is a conduit for about 4 percent of the world's oil shipments. "There was no accountability, no need for transparency," says Prof. Amaney Jamal of Princeton University. "He was able to reach into the economic sphere and benefit from monopolies, bribery fees, red-tape fees, and nepotism. It was guaranteed profit." (...)

U.S.NEWS /  / Yahoo Finance

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A mesquinhez do ditador

por João Carvalho, em 02.02.11

Lembrei-me do que anotei há tempos aqui. Não tanto pela importância isolada do caso, mas porque mostra bem o que podem ter de mesquinho os excessos de um ditador. Não admira que Mubarak esteja a sentir tanta dificuldade para largar o poder que tem há 30 anos.

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Lula de hoje renega Lula de ontem

por Pedro Correia, em 12.03.10

 

Luís Inácio Lula da Silva foi preso político durante a feroz ditadura militar brasileira (1964-85). Mas nem isso o tornou mais sensível, aparentemente, ao drama dos prisioneiros de consciência que permanecem no mundo - a começar pelo próprio hemisfério onde o Brasil se insere. Cuba, a última ditadura das Américas, já justificou quatro deslocações oficiais de Lula como presidente. Em nenhuma destas visitas a Havana, onde gosta de se fazer fotografar ao lado de Fidel Castro, o antigo operário metalúrgico encarcerado pelo general Ernesto Geisel se dignou receber delegações de familiares de presos políticos cubanos. A máxima desqualificação do seu próprio percurso de lutador pela liberdade sucedeu agora, com a declaração boçal que proferiu sobre os opositores que fazem greve de fome na prisão - único e último recurso ao seu alcance para chamarem a atenção do mundo, num desesperado grito pela liberdade que lhes é negada. Orlando Zapata morreu ao fim de 86 dias. Guillermo Fariñas está há 16 dias sem comer, tendo já perdido 13 quilos.

Zapata era operário, como Lula foi. E opôs-se tenazmente a uma ditadura, como Lula fez. Apesar disso - e da coincidência de ter chegado a Cuba no próprio dia da trágica morte do opositor dos Castro - o presidente brasileiro foi incapaz de pronunciar uma simples palavra de pesar. Pelo contrário, de volta ao seu país, ousou fazer uma declaração que certamente justificaria o aplauso dos tiranos - de todos os tiranos. "Greve de fome não pode ser usada como um pretexto de direitos humanos para libertar pessoas. Imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem libertação", afirmou, confundindo deliberadamente presos políticos com delinquentes comuns. Pondo-se ao nível dos editoriais do Granma, o actual inquilino do Palácio do Planalto considera a greve de fome uma "insanidade".

Noutros tempos, Lula diria que a insanidade não está no prisioneiro de consciência, mas no regime opressor que encarcera mulheres e homens por delito de opinião. Tempos em que o próprio Lula fez greve de fome, quando esteve detido em São Paulo. Felizmente para ele e os seus compatriotas, a ditadura brasileira terminou há muito. Infelizmente para os cubanos, a ditadura dos irmãos Castro parece interminável.

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A trágica sombra da História

por Pedro Correia, em 03.10.09

Os polacos alimentam um poderoso ressentimento histórico contra a Rússia, como ficou bem patente na recente aprovação - por unanimidade e aclamação - no Parlamento de Varsóvia de uma moção que apela aos russos "de boa vontade" para criticarem os "crimes do estalinismo". Este facto, que irritou Moscovo, ocorreu a 17 de Setembro, dia em que se cumpriam 70 anos sobre a entrada dos blindados soviéticos no Leste da Polónia, que prontamente ocuparam, como consequência do pacto Molotov-Ribbentrop, assinado a 23 de Agosto de 1939: uma cláusula secreta deste acordo previa a partilha do território polaco por Hitler e Estaline, dando assim início à II Guerra Mundial - a mais mortífera da História.

No próprio dia 17 de Setembro de 1939, o ministro dos Negócios Estrangeiros soviético, Vyacheslav Molotov, emitiu em Moscovo uma declaração na qual comunicava ao mundo o fim da existência do Governo polaco, destroçado pela acção conjunta dos dois inimigos ideológicos tornados aliados de circunstância na mesma ambição imperialista de expandirem as fronteiras dos respectivos países.

 

"Os polacos, tão desesperadamente empenhados em fugir à ofensiva alemã [desencadeada duas semanas antes, a 1 de Setembro], não tinham meio de resistir", assinala Martin Gilbert na sua magistral obra A Segunda Guerra Mundial, agora finalmente lançada em português (edição da Dom Quixote, com excelente tradução de Ana Luísa Faria e Miguel Serras Pereira), 20 anos após a edição original no Reino Unido.

Os polacos foram as vítimas imediatas desta guerra apocalíptica - a última em que houve cargas de cavalaria e a primeira que registou o lançamento da bomba atómica. A sua heróica resistência durou um mês incompleto: a rendição ocorreu às 14 horas de 27 de Setembro, quando 140 mil soldados - incluindo 36 mil feridos - depuseram as armas perante os alemães que sitiavam Varsóvia. A tropa nazi demorou três dias a entrar na capital em chamas, tolhida por um temor quase supersticioso. "Eles têm medo de mandar entrar os soldados numa cidade que não tem água nem luz e está cheia de doentes, de feridos e até de mortos", escreveu um oficial polaco no seu diário.

A 28 de Agosto, Joachim von Ribbentrop - o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, que viria a ser executado em 1946 por decisão do tribunal de Nuremberga - voara para Moscovo. E ali, após dois dias de negociações, fechou um acordo com os soviéticos, concedendo-lhes, em nome de Hitler, o domínio da Polónia do Leste e também da Lituânia. "Foi o próprio Estaline quem desenhou a nova fronteira no mapa, que em seguida assinou", escreve Martin Gilbert no seu livro, de 1080 páginas. Em troca, o ditador de Moscovo comprometia-se a fornecer à Alemanha 300 mil toneladas de petróleo por ano - promessa que cumpriu.

 

A 8 de Outubro de 1939, Hitler anexou formalmente a Polónia mais ocidental ao Reich, dividindo-a em três províncias: Prússia Oriental, Danzig-Prússia Ocidental e Posen. O que restava do país sob domínio alemão foi transformado em Governo Geral, com sede em Cracóvia, sendo a capital, Varsóvia, despromovida a sede provincial. "A Polónia será tratada como uma colónia. Os polacos converter-se-ão nos escravos do Grande Império Alemão", afirmou na altura Hans Frank, que Hitler escolheu para governador-geral.

No dia 27 de Outubro, Hitler proclamava a Ordem Nova na Polónia anexada. Agindo como agentes de uma potência colonial, os ocupantes mandaram os polacos "deixar os passeios livres" para os alemães, pois "as ruas pertencem aos conquistadores e não aos conquistados". Os invasores germânicos tinham também prioridade em lojas e mercados, sendo os polacos obrigados a tirar os chapéus a todas as "personalidades importantes do Estado, do Partido [Nazi] e das Forças Armadas".

A História ajuda-nos a entender a posição actual do Parlamento polaco: sete décadas é um prazo demasiado curto para esquecer  o brutal totalitarismo soviético, cúmplice activo das atrocidades nazis.

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