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Olé!

por Teresa Ribeiro, em 04.10.12

Como bem sabem os aficionados, nem todos os touros são mortos nas arenas onde é permitido matar. Os animais que revelam excepcional bravura são poupados. Não se trata de um acto de misericórdia, mas apenas de um processo de selecção dos exemplares mais bravios para futura reprodução.

O El Mundo publicou há dias um artigo sobre Ingrato, um touro de 530 quilos que foi indultado na arena de Nimes, no sul de França. Quem aprendeu a assimilar esta cultura feita de elipses, desde logo a que elimina a consciência do sofrimento dos animais que fazem a festa, dificilmente terá passado dos primeiros parágrafos.

Neste artigo conta-se que durante a corrida Ingrato perdeu 25 quilos e que dias depois, quando regressou a "casa", em Sevilha, já teria abatido mais 50. Nova viagem na camioneta que o transportara anteriormente para a arena ter-lhe-á despertado tal pavor que deixou de comer. Mas bebia. Bebia compulsivamente devido à desidratação sofrida durante o toureio,  provocada pela intensa sudação que o stress e o sofrimento lhe induziram e também porque lhe subiu a febre aos 43 graus.

Dos ferimentos que resultaram da lide, dois apresentavam-se particularmente fundos, com 35 cm e 22 cm. Os que foram provocados pelas seis bandarilhas que lhe espetaram tinham "apenas" 10 cm cada. Ingrato foi sujeito a tratamentos com antibióticos e desinfectantes. Tantos cuidados têm um único objectivo, o de lhe enfiarem no recto um tubo até à próstata assim que estiver em condições. Esse tubo, ligado a uma bateria eléctrica, disparará pequenas descargas por forma a induzir-lhe uma ejaculação. O sémen recolhido será depois enviado para análise. Se o trauma da "festa" não lhe tiver afectado a fertilidade, então sim, poderá gozar mais uns anos de vida na companhia de meia dúzia de fêmeas simpáticas e bem parecidas.

Ingrato será, assim esperam os criadores, replicado em toda a sua pujança, assegurando uma estirpe que mais tarde lutará desesperadamente pela vida no meio dos gritos e das palmas de gente que sabe apreciar a beleza de uma chicuelina. Gente que sabe preservar as tradições porque partilha com os nossos ancestrais a paixão pelas lutas de morte e rituais de sangue. Gente que ferve quando assiste ao jogo sensual do predador a brincar com a presa e partilha com deleite o silêncio religioso que precede o momento do sacrifício da vítima.

A bravura do toureiro que encarna, no seu traje de luces, a superioridade da raça humana é o espectáculo. Que adrenalina vê-lo aos poucos a vergar a besta, a estocá-la com elegância e requinte. Quanta testosterona em cada farpa. Algumas penetram fundo no lombo. Há golpes que chegam aos 35 cm de profundidade, se calhar até mais. É sublime esta catarse colectiva, não é? Olé!

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