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Dia Internacional da Mulher

por Rui Rocha, em 08.03.17

Vamos lá ver. Não teremos verdadeira igualdade se o objectivo for que as mulheres assumam as mais diversas funções por serem competentes. Na verdade, só poderemos falar realmente de uma situação justa quando as mulheres incompetentes ascenderem a cargos em igualdade de circunstâncias com os homens incompetentes. É uma matéria em que fizemos significativo progresso mas temos de reconhecer que há ainda um longo caminho a percorrer.

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Quotas para que vos quero

por Teresa Ribeiro, em 08.03.17

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Quotas. É uma polémica recorrente, mesmo entre mulheres, portanto muito apropriada para assinalar este dia. Durante alguns anos fui sensível ao argumento de que o estabelecimento de quotas para mulheres as inferiorizava, mas depois as estatísticas entraram em diálogo comigo e falaram mais alto. Sim, felizmente há mulheres que chegam ao topo sem que para tal tenham sido empurradas por quotas. A ascensão feita assim é o que está certo. Sem equívocos, nem margem para dúvidas quanto a mérito e competência. Mas a realidade diz-nos que estas situações são de excepção. Basta consultar as primeiras páginas dos jornais de hoje para perceber qual o estado da arte: "Mulheres têm menos chances de ter bom emprego", diz o Público; "Na UE uma em cada três posições de gestão é ocupada por mulheres", noticia o I; "G20 - grupo dos poderosos só tem Merkel e May" e "PSI 20 - quatro empresas sem nenhuma administradora", anuncia o DN.

No entanto sabe-se que as mulheres estão em maioria entre os que terminam licenciaturas e que apresentam mais qualificações. E que é assim em Portugal e no mundo. Como se explica isto? Recorrendo ao primado bíblico "a culpa é delas"?

Deveremos então concluir que este enorme contingente, que não consegue subir na carreira de acordo com as suas competências e no limite franquear as portas do poder é todo desprovido de "soft skills", como agora se usa dizer? Ou o que lhes falta é - vamos lá a chamar os bois pelos nomes - tão somente algo que a Natureza não lhes deu: o sexo adequado para alcançar o topo?

Quando não existe mais nada, o que nos resta é o pragmatismo. E é por isso que me tornei a favor das quotas. Se não vai a bem, vai a mal. Porque sem quotas bem podem as mulheres esperar sentadas por oportunidades e reconhecimento iguais.

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Dia da Mulher

por Pedro Correia, em 08.03.17

Os vossos direitos, meninas e senhoras, ainda não estão plenamente alcançados. Hoje, por exemplo, só devia haver mulheres a escrever neste blogue.

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E lá vamos nós!

por Teresa Ribeiro, em 08.03.16

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"Parabéns" porque nasci mulher? "Parabéns" porque não é fácil viver num mundo de homens? "Parabéns" porque apesar de tudo já estivemos muito pior? "Parabéns" porque a luta continua? "Parabéns" porquê, senhores?

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Ui, ui, hoje é o meu dia!

por Teresa Ribeiro, em 08.03.15

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Quando me perguntam se gosto de ser mulher, respondo que não. Lamento, mas neste aspecto não soube evoluir. Desde que percebi, ainda na primeira infância, que o mundo é dos homens, este sentimento ficou-me colado aos ossos e não há campanha publicitária de pensos higiénicos que me faça mudar de ideias.

Esta rejeição, que cresceu comigo, nada tem a ver com problemas de identidade sexual. Gosto de cor-de-rosa, de bebés e de sapatos, portanto não há qualquer dúvida, sou muito estereotipada, o que paradoxalmente só veio agravar a relação conflitual que tenho com o meu género desde que me conheço.

Gostava em menina de brincar com bonecas, mas não da terna displicência do meu avô, que só tinha conversas com o meu primo, mas não sabia do que falar comigo. Identificava-me com as princesas das histórias de encantar, mas detestava que me apontassem as regras de comportamento "próprias de uma menina" - sempre mais restritivas que as dos meninos - e ainda mais que fossem a minha mãe, as minhas tias e a minha avó a ditá-las. Gostei de crescer com estas mulheres, mas revoltou-me perceber que, por razões diferentes, todas abdicaram de uma maneira ou de outra do que podiam ter sido só pelo facto de terem nascido com um par de ovários.

Na vida adulta pus-me à prova. De um lado os meus ressentimentos e reivindicações feministas, do outro a realidade, esse tapete onde caí tantas vezes por KO. E tem sido esta a minha vida. Sempre a sopesar o que sou e o que somos. Eu e as mulheres. Eu e elas. Eu que sou elas.

Admiro as mulheres que dizem que se orgulham de ser mulheres, mas quando as oiço não consigo iludir a tristeza funda que me nasce da consciência de que o fazem pela necessidade de se afirmarem como iguais.

A misoginia, a doença infantil do homem das cavernas, continuará a discriminar, segregar, matar, estropiar e escravizar milhões de mulheres em todo o mundo. E é a consciência disto que me mata à nascença o prazer de pertencer à tribo e ainda mais de festejar esta data. Festejar o quê?

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Agustina Bessa-Luís

por Patrícia Reis, em 08.03.15

A mulher, até pelo seu grande poder de insignificância, é muito menos vulnerável que o homem.

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Cem anos depois no dia delas

por Sérgio de Almeida Correia, em 08.03.15

Facto

 

Tenho aprendido muito convosco, ó amigos homens,

a gostar de aventuras e, sobretudo,

mulheres ao alto, ao lado, ao fundo

e, adormecido, sonhar fora do mundo.

 

(Ruy Cinatti, 08/03/1915 -12/10/1986)

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Tipo A rh XX

por Teresa Ribeiro, em 08.03.14

Soube, desde o começo, o que me estava reservado e não gostei. Era a menina da história. Filha única e só com primos machos. O meu pai ficou decepcionado quando nasci, porque desejava, como quase todos os pais na época, um menino "para jogar à bola". O meu avô, quando queria humilhar o meu primo mais velho, dizia-lhe que eu era mais despachada, "apesar de ser uma rapariga". Para se vingar, quando nos encontrávamos para o almoço de domingo em casa dos nossos avós, ele batia-me e eu ripostava com uma gana feita da necessidade de não me vergar. Era a minha guerra dos sexos dominical, que me deixava coberta de nódoas negras e com amargos de boca, pois ele vencia-me sempre e eu sentia - talvez por preconceito - que era por ter uma força de uma qualidade diferente da minha, mil vezes superior.

Aquelas arrochadas semanais tornaram-me competitiva. Até à mudança de idade era uma miúda empenhada em brincadeiras que exigiam competências físicas. Vencer era, numa corrida, deixar rapazes para trás. Crescer era dar rédea curta às fantasias que se intrometiam na minha luta e me levavam também a gostar de bonecas e a identificar-me com as princesas das histórias de encantar.

Com o tempo, as hormonas levaram-me a melhor. Apesar das minhas denegações infantis, fiquei na cabeça com um mapa neuronal cor-de-rosa cheio de idiossincrasias em tons fúcsia. Não consigo até hoje explicar como é que a miúda que se recusava a vestir saias acabou a adorar sapatos, malas e brincos. Não é só a cultura, Simone. Eu tive uma filha e sei. Ainda recém-nascida a pediatra topou-a: "Ela é muito feminina", disse-me. Espantei-me com esse diagnóstico tão precoce, mas depressa percebi que tinha acertado em cheio. Aos dois anos, quando a mesma médica a mandou caminhar de uma ponta a outra do consultório para vermos se ela tinha pé chato, pôs-se a rebolar as ancas enquanto andava, tal e qual a Marilyn Monroe.

Não é só cultura. É também uma coisa que nos corre nas veias, tipo A rh XX. Eu nem queria ser menina. Quando na escola aprendi que as mulheres eram consideradas sociologicamente uma minoria, houve um nó cá dentro que se apertou ainda mais. Mas apesar do desconforto que a condição feminina sempre me despertou, identifico-me com o meu género.

O que é puramente cultural é tudo o que leva uma criança a sentir que está em desvantagem só porque nasceu sem pilinha.

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Para as nossas leitoras...

por Laura Ramos, em 08.03.13


A opacidade da blogosfera não permite uma «leitura de género» dos sitemeter, baseada no número de pageviews e de comentadores segundo o seu sexo.

Será o Delito de Opinião mais procurado por homens ou por mulheres?...

Irrelevante.

O que importa é que hoje é o seu dia e por isso aqui fica, para festejar (com) as nossas leitoras!

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Ou escapar-me-á o sentido da coisa?

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A soma dos dias

por Ana Vidal, em 08.03.13


Percebo a utilidade da existência de um "Dia da Mulher" pelo muito, muitíssimo, que há ainda para conquistar até chegarmos todas (países árabes, áfrica profunda e oriente incluídos) a um patamar justo de igualdade de direitos, num mundo quase exclusivamente patriarcal. Mas não posso deixar de pensar que enquanto não houver também um "Dia do Homem", a contabilidade é desastrosa: em cada ano há 1 dia da mulher para 364 do homem.


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Sim, é hoje!!!

por Teresa Ribeiro, em 08.03.13

O dia da discriminação positiva!!!

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Dia Internacional da Costela de Adão

por Rui Rocha, em 08.03.13

No Vaticano, os cardeais interromperão o processo de preparação do Conclave para participar numa pequena celebração comemorativa da data. Oito irmãs contemplativas, da Ordem da Visitação de Santa Maria, abandonarão, por não mais de uma hora, o mosteiro Mater Ecclesiae, situado    nas proximidades da Praça de S. Pedro. E lavarão os pés dos purpurados, aliviando-os, pela água, do peso que têm suportado que é o do corpo, mas é também o da decisão que nos próximos dias terão de tomar. Se a humanidade continuar a ser o que sempre foi, a irmã Maria Begoña Sancho Navarro não conseguirá conter um levíssimo suspiro quando chegar o momento de enxugar, com uma cálida toalha de fio turco, as calosidades do cardeal Bertone.

 

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Dia da Mulher

por Helena Sacadura Cabral, em 07.03.13


Daqui a umas duas horas comemora-se o Dia da Mulher. Embora reconheça a importância da data, não sou muito dada a este tipo de celebrações colectivas. Até porque afinal há um mundo em que as mulheres praticamente "não existem" e um outro que, congratulando-se dos direitos que lhes concede, escamoteia aqueles que, na realidade, lhes não faculta.

Nunca pretendi ser igual a um homem. Gosto muito de ser mulher. Mas ainda sinto necessidade de reivindicar a igualdade de oportunidades. Que está longe de poder considerar-se alcançada, apesar de se pretender, sempre, apresentar a minoria que o conseguiu, como um exemplo do que "todas" podem obter.

Sou uma privilegiada. Possuo um curso, tenho trabalho, pertenci e pertenço a um certo meio cultural e até tive um palmito de cara, que, ao fim e ao cabo, me prejudicou mais do que facilitou. Mas sei que uma parte significativa das mulheres portuguesas não dispõe disto. É certo que trabalhei muito para chegar até aqui, porque nasci numa época em que o meu género ou era propriedade do pai ou do marido. Mas, a verdade é que cheguei e há quem não consiga.

O Dia da Mulher deixará de ter importância quando for igualmente fácil ou difícil o acesso de ambos os géneros aos lugares para que se encontram devidamente preparados!

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Um dia não são dias

por Laura Ramos, em 08.03.12

Olympe de Gouges, humanista, política e mulher de letras, autora da "Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã", que ousou tentar acordar a consciência de Maria Antonieta, Rainha de França

É quase ridículo, convenhamos, que uma efeméride de âmbito internacional tenha por objecto uma ‘entidade maioritária’ como é o caso do sexo feminino. Somos mais de metade da humanidade no planeta Terra. A que propósito, então?

Custa-me dar o braço a torcer... se custa. Mas é verdade que a batalha não está ganha. Sofisticou-se, até. E só por isso, pragmaticamente, continua a valer a pena assinalar o que parece desnecessário e anacrónico.

O machismo adquiriu manhas maquiavélicas. O feminismo pecou por excesso. O masculinismo desponta. E muitas mulheres das gerações ulteriores àquela a que pertenço conduzem-se como autênticas novas-ricas da igualdade de género. Desbaratam-na, dissipam-na, como se a sociedade lhes devesse mais do que a justiça da equidade e esperasse delas um comportamento semelhante ao da velha auctoritas masculina.

Não quero um mundo contrário ao que ainda vivi. Quero um mundo igualitário, sem desequilíbrios.

E gostaria que todas mulheres soubessem ultrapassar o estado de menoridade que as faz concorrer negativamente entre si mesmas; gostaria que deixassem de se comportar conforme os modelos ancestrais em que foram educadas, consciente ou inconscientemente, pelas suas próprias mães e pais. Gostaria de sentir solidariedade entre elas, mas uma solidariedade normal e não militante: lúcida, capaz de vencer racionalmente o instinto atávico da destruição predadora entre congéneres.

Já lá vai o tempo em que as mulheres se distinguiam e se afirmavam pelo seu homem, à sombra de quem eram alguém. Já lá vai o tempo em que se batiam por eles, resumindo a isso a sua conquista de personalidade. Portanto, haverá razão para lutarmos como se um homem, muitos homens, nos governassem? A ‘economia’ emotiva das nossas relações continua a ser isso? Eles? Teremos crescido assim tão pouco?

Há muito a fazer. E muitos Dias da Mulher por festejar…

Até que sejamos pares; até que ocupemos os postos de poder que nos competem.

Até que sejamos iguais a nós próprias.

Por mim, vou daqui festejar discretamente, relembrando o tempo em que o meu pai foi obrigado, com bonomia, a reconhecer que a vida o tinha surpreendido porque as filhas - apesar da forma e do molde e da não expectativa - tinham feito bem mais e melhor que muitos filhos. Devo dizer que, mesmo sem querer, foi a sua grande estatura que muito contribuiu para essas pequenas olimpíadas...

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Misoginias 4

por Laura Ramos, em 08.03.12

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Para a Mulher...

por João Carvalho, em 08.03.12

 

... que é graça e  luz.

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No Dia da Mulher ou noutro qualquer

por Pedro Correia, em 08.03.12

Nunca é de mais lembrar que bestas como esta andam por aí. Perto, demasiado perto.

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Dia da Mulher

por Helena Sacadura Cabral, em 07.03.12

Confesso que não aprecio ter um dia dedicado ao meu género. Mas não deixo de compreender o que devo a todas aquelas que nele estão simbolizadas.

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Repara, Hypatia, não passou tempo algum ...

por Laura Ramos, em 08.03.11

 

A noiva, a vamp, a fada do lar...

E as intelectuais: feiosas, de lunetas, desgrenhadas.

E as obedientes.

E as inteligentes.

E as pacientes.

E as irreverentes.

E as quentes.

E as descontentes.

 

Ah!

E as impertinentes

... Hypatia!

 

Mas tu sabes.

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Mulheres do Mundo (10)

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 12.03.10

 

Virgínia Woolf

(1888-1942)

 

Contemporânea da  Mulher Portuguesa que escolhi para hoje.

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Mulheres do Mundo (9)

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 11.03.10

 

Frida Kahlo

(1907-1954)

 

A mulher portuguesa de hoje, aqui

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Mulheres do Mundo (8)

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 10.03.10

 

Madres  de la Plaza de Mayo

 

Não podia deixar de prestar homenagem nesta rubrica  às mulheres argentinas que, quase 30 anos depois de ter terminado a ditadura, todas as quintas-feiras se reúnem em vigília na Plaza de Mayo, em frente à Casa Rosada ( sede do governo) reclamando informação sobre os familiares desaparecidos durante aquele período sangrento da História da Argentina.
Muitos  saberão que estas mulheres constituíram a Associación Madres de Mayo, através da qual continuam a procurar as pistas dos seus familiares e dos seus algozes. Cristina Kirchner já realçou o papel relevante destas mulheres, cuja luta tem permitido sentar no banco dos réus  alguns dos criminosos, entre os quais se contam vários membros da Igreja Católica, entretanto condenados como cúmplices.
Admito que num país sem memória, que homenageia  PIDES e onde a “bufaria” ainda é modo de vida e ganha pão para alguns, esta escolha pareça estranha. Para mim é uma escolha natural homenagear quem  tem memória e não perdoa a criminosos.
Espero, porém, que muitos guardem ainda  boas recordações da  mulher portuguesa de hoje.

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Mulheres do Mundo (7)

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 09.03.10

 

 

Margaret Thatcher

 

Foi a primeira mulher a governar uma democracia europeia e dispensa quaisquer apresentações, tal como a maioria das que se seguirão  neste  espaço até final do mês. A notoriedade que alcançaram é suficiente para justificar a escolha.

Também a mulher portuguesa de hoje estará bem presente na memória de todos.

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Violência quê?

por João Carvalho, em 08.03.10

A lembrar este Dia Internacional da Mulher, o ministro da Presidência falou a uma plateia quase toda feminina sobre preocupações que afligem hoje as mulheres. Melhor fôra que uma mulher do governo falasse para uma plateia de homens, mas adiante. Silva Pereira apontou o dedo, designadamente, ao que hoje se chama «violência de género».

Acontece que, por acaso, o Dia da Violência de Género é 25 de Novembro, mas não faz mal. Só que embirro com a expressão. É importada, obviamente, mas embirro. Violência de género, afinal, é o quê? A violência é sempre uma coisa do género mau, ou não? A violência passou a ter sexo?

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"Dias de..."

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 08.03.10

Tenho  “mixed feellings” em relação aos “Dias de…” .  O “Dia Internacional da Mulher” não é, por isso, excepção. Creio, no entanto, que por vezes vale a pena lembrar estas coisas  às mulheres mais jovens, para que não esqueçam  que ainda há pouco mais de 30 anos a mulher portuguesa  estava  totalmente sob a dependência  dos homens, para coisas tão elementares como viajar para o estrangeiro.
Vejo o DIM como uma oportunidade para enaltecer as mulheres, cuja vida  é (foi)  um exemplo que merece ser realçado.
Quanto ao  resto, expressei  a minha opinião, nesta Carta à Mulher Portuguesa.

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Mulheres do Mundo (6)

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 08.03.10

 

Maria do Céu da Conceição

 

Neste Dia Internacional da Mulher, escolhi para esta rubrica uma mulher portuguesa. Creio que perceberão a escolha se lerem isto. 

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Mulheres do Mundo (5)

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 05.03.10

  

Simone Weil
(1909-1943)

 

Dispensa apresentações e é sobejamente conhecida de todos, a história da “Virgem Vermelha”.
Nasceu em Paris e foi pelos franceses que morreu, em protesto  contra  as condições em que eram mantidos os prisioneiros  de guerra durante a ocupação alemã.
Um dos   legados  que nos deixou foi  a virtualidade de um pensamento enxuto,  descomprometido e pautado por valores, bem patente na sua vida e na obra literária, onde  o misticismo se mistura com uma filosofia de vida ascética.
Um exemplo  ilustrativo  da sua foram de pensar e viver  seu pensamento   é a resposta que um dia dá a um padre apostado em baptizá-la:  "Não quero ser adoptada por um círculo, viver entre pessoas que dizem nós e ser parte de uma gente. Sinto que é necessário permanecer só, uma estranha e uma exilada em relação a qualquer círculo humano, sem excepção".
Quanto aos partidos escreveu: "São organismos oficialmente constituídos de modo a matar nas almas o sentido da verdade e da justiça".

Mas Simone Weil tinha valores e lutava por eles. Durante a Guerra Civil de Espanha esteve ao lado dos republicanos, viajou até à Alemanha para  tentar perceber as causas da ascensão ao poder  dos nazis, trabalhou na Renault (porque quis viver como uma operária) e, embora  assumindo valores da  esquerda, insurgiu-se contra o capitalismo de Estado  instalado na Rússia, que comparou ao fascismo. Desiludida com a Revolução Russa, afirmou um dia: "O ópio do Povo não é a religião, mas sim a revolução.”

A Mulher Portuguesa de hoje aqui

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Mulheres do Mundo (4)

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 04.03.10

 

 

Rugiatu Turay

 

Rugiatu Turay nasceu na Serra Leoa . É jornalista, tem 32 anos  e foi sujeita à excisão feminina. Tinha apenas 12 anos e era órfã.
Inconformada, iniciou uma luta para evitar o sofrimento das crianças africanas a esta prática ignominiosa.
Sabe que o peço a pagar pode ser a morte, mas embora conhecendo o perigo que corre, fundou em 2002  o Amazonian Initiative Movement, com um grupo de mulheres  que conheceu num campo de refugiados na Guiné, onde esteve durante a guerra civil na Serra Leoa. Desde a criação do movimento, quatro activistas  receberam ameaças de morte e abandonaram o movimento. Apesar de ameaçada- e mesmo depois de ser raptada por outras mulheres que a obrigaram a caminhar nua pelas ruas da cidade de Knema- continua a sua luta. Visita aldeias e vai às escolas, onde esclarece as excisoras  sobre os perigos  e consequências da excisão  e tenta convencê-las   a renunciar à sua prática.
Afirma que já conseguiu demover cerca de 700 mulheres em 111 aldeias da Serra Leoa. Será  uma ínfima parte, mas é pelo menos um começo. 

Como estamos em tempo de Festival da Canção, a Mulher Portuguesa de hoje está ligada à música, mas não a estes festivais
 

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Mulheres do Mundo (3)

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 03.03.10

 

Emily Davison

(1872-1913)

 

Acto de coragem ou acidente? Esta é a pergunta que muitas pessoas ainda hoje fazem quando se fala de Emily Davison, sufragista britânica que iniciou a sua luta em 1906, ao ingressar no Woman’s Social and  Politic Union, fundado por Emmelinne Pankhurst. Foi presa  várias vezes e fez sempre greve de fome.
No dia 4 de Junho de 1913, durante o grande Derby de Epson a que sempre assistia a família real, decidiu  aproveitar a oportunidade para chamar a atenção  da realeza e da alta sociedade britânica para a luta das sufragistas.
Atravessou a cerca de segurança, invadiu a pista de corridas e quando o cavalo Anmer, propriedade do Rei  se aproximou, postou-se à sua frente.
Há quem defenda que o propósito de Emily Davison era apenas agarrar as rédeas do cavalo e fazê-lo parar, mas terá falhado a tentativa, sendo trucidada.
A verdade é que a sua morte a elevou  à condição de mártir, símbolo das sufragistas e feministas.

A mulher portuguesa de hoje é também um símbolo dos anos 60 e 70 do século passado.

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Mulheres do Mundo (2)

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 02.03.10

 

Emmeline Pankhurst

(1857-1928)

 

Será  porventura difícil a muitas mulheres portuguesas, com menos de 35 anos, imaginar um mundo sem televisão, ou  o  tempo  em que as mulheres não podiam votar. Não só em Portugal , como no resto do mundo, esse direito só foi alcançado ao longo do século XX ( apenas a Nova Zelândia reconheceu o direito ao voto das mulheres, em 1893) e, na maioria dos países, só depois da I Guerra Mundial
 Foi graças à coragem   de algumas mulheres, que iniciaram a sua luta pelo direito ao voto ( as sufragistas) sujeitando-se a sofrimentos e enxovalhos, que ao longo do século XX os países europeus foram alargando às mulheres esse direito 
 Nessa luta,muitas mulheres se destacaram. Emmeline Pankhurst foi uma delas. Líder do movimento feminista britânico, fundou a Liga para o Sufrágio Feminino em 1889. Com suas filhas, Christabel e Estrella, fundou em 1903 a União Feminina Social e Política (sufragistas). Opondo-se à discriminação das mulheres na vida pública e privada, organizaram acções ( por vezes violentas) contra polícias, ministros e Parlamento, atraindo a simpatia de muitas mulheres que a elas se juntaram.
As sufragistas inglesas consideravam legítimo o uso da violência,  pelo que eram frequentemente detidas e sujeitas a maus tratos, conseguindo assim atrair cada vez mais simpatizantes para a sua causa.
Em 1918, a Inglaterra alargaria o direito de voto às mulheres. Nesta altura, já Emmeline Pankhurst abandonara, desiludida, a doutrina socialista e passara a ser simpatizante dos Conservadores. Será por este partido que será eleita , em 1919, a primeira mulher no Parlamento britânico: Lady Astor. Curiosamente, era americana, país que só viria a reconhecer às mulheres o direito de voto, em 1920.
Em Portugal, o direito de voto só foi alargado a todas as mulheres depois do 25 de Abril. No entanto, esta mulher  votou em 1911. Foi a primeira mulher portuguesa  (e uma das primeiras da Europa) a fazê-lo, aproveitando uma falha na Lei.

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Feminino e plural

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 28.02.10

A partir de amanhã iniciarei, no Delito de Opinião, a rubrica “Mulheres do Mundo”, que se prolongará até final do mês. É uma forma de me associar à comemoração do dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher.
“Portugal no Feminino” e “Blogs  no Feminino” são outras duas rubricas que ao longo do mês de Março  poderão ler aqui.

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