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Diário Secreto

por Francisca Prieto, em 08.07.15

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Quis a vida que o dia de hoje começasse com esta imagem em cima da secretária.

Se há alguns anos me contassem que havia de começar um dia a receber um livro em hebraico, autografado, por um dos maiores escritores da actualidade, teria lançado uma gargalhada. Mais do que a oferta do livro, tocou-me o facto de as circunstâncias me terem levado, na véspera, a uma breve, interessante e até comovente conversa com David Grossman, face a face.

Amanhã, com a bênção de um marido e de quatro filhos, estarei a encher uma mochila para carregar às costas pelas rotas do Peru. Vou com uma irmã um pouco mais velha do que eu e não consigo imaginar odisseia mais divertida do que passear por um país com nome de almoço de Natal, de braço dado com uma irmã adulta.

Sinto que a vida se vai cumprindo a pouco e pouco. Com tudo o que nunca poderia ter imaginado. Sou uma pessoa de sorte.

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Diário Secreto

por Francisca Prieto, em 27.06.15

Tesourinho no email da nossa livraria Déjà Lu: “boa tarde, gostava de comprar o seu livro "descubra a cabra secreta que há em si". O que necessito fazer? como se processa o pagamento?”

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Diário Secreto

por Francisca Prieto, em 22.06.15

Acho que nunca falei aqui de uma livraria solidária que criei juntamente com uma série de gente com o objectivo de angariar fundos para projectos de profissionalização de jovens com Trissomia 21.

Depois de uns anos a marinar, a Déjà Lu viu a luz do dia, e com muita pinta, muita pompa, muita circunstância. Agora trabalho para a causa que nem uma moura, mas tenho-me divertido à brava e fico feliz por saber que há muitas pessoas que ficam extasiadas quando lá vão. Chegam à espera de encontrar umas bancas empoeiradas e aparece-lhes um portento daqueles. É cá um orgulho.

Cheguei à conclusão de que o que me dá realmente prazer na vida é criar contextos que juntam uma data de gente a trabalhar para um propósito legítimo. Às vezes sinto-me o Tom Sawyer, tipo: “olha que giro que era amanhã vires para cá uma data de horas limpar o pó aos livros”. E as pessoas vêm. Felizes e tudo. É incrível.

Juntou-se um grupo de voluntariado de arromba que faz uma espécie de círculo de energia cool. É bom fazer a diferença.

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Diário Secreto

por Francisca Prieto, em 19.06.15

Hoje ocorreu-me um aforismos de génio:

“Estou com uma depressão pós-parto. Foi agora, foi quando pude.”

Ah, ah, ah, ah. 

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Diário Secreto

por Francisca Prieto, em 16.06.15

Ando a ler o quinto livro de crónicas do Lobo Antunes e que bom que é. A prosa lembra-me sempre a do meu pai, pela época, pelos temas e pelo pingar de ternura das coisas de antigamente que amolece cada virar de página.

Ontem lia que, enquanto ele esperava à esquina por uma fulana, estava para ali “com o coração aos baldões”. O coração aos baldões é uma expressão maravilhosa. Toda a gente já andou com o coração aos baldões, mas passa a vida a dizer que o coração lhe batia descompassadamente, o que não tem nada tanta graça.

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Diário Secreto

por Francisca Prieto, em 12.06.15

Não escrevo no diário vai para uns tempos. Tenho lá paciência para andar dissecar os dias. Mas agora resolvi que uso este espaço para pequenas notas literárias que me vão ocorrendo no dia a dia.

Ainda ontem, no supermercado, pensei que era uma situação divertida ter uma personagem feminina no supermercado, com um pacotão de rolos de papel higiénico na mão, que esbarra contra o tipo por quem anda apaixonada e para quem gostaria de fazer boa figura.

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Diário Secreto

por Francisca Prieto, em 31.05.15

Ontem tive falta aqui no diário, mas era Sábado por isso não conta.

Hoje achei que, para não perder a mão, tinha de me pespegar defronte do computador pelo menos cinco minutos a dissertar sobre uma parvoeira qualquer.

Costumo dizer que o maior problema de uma mãe de família é o facto de viver numa Nova Zelândia do quotidiano. A verdadeira hora de ponta é ao fim de semana, com a miudagem a ter de ir para festas, jogos de futebol, escuteiros e afins. Nada da tranquilidade que paira de segunda a sexta, quando os abençoados estabelecimentos de ensino cumprem a sua missão.

Agora, por exemplo, é domingo à noite, o que quer dizer que venho exercitar a minha verve no estado em que estaria após uma reunião estratégica de new business para ganhar a conta do Pingo Doce. Vá lá uma pessoa arranjar criatividade para ser espectacular todos os dias.

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Diário Secreto

por Francisca Prieto, em 29.05.15

Comecei o dia a fazer de mãe horrorizada na escola dos miúdos, a propósito de um deles ter sido apanhado com um papel que continha uma canção ordinária de sua autoria. Embora estivesse mortinha para ver a prova do crime, não tive lata para pedir. De qualquer maneira, a professora deixou escapar que a trova rimava muito bem e que o rapaz tinha escrito 5 (CINCO) estrofes. Fiquei super orgulhosa do meu malcriadão.

O Rodrigo confidenciou-me que quando era mais novo e chovia ele achava que eram as nuvens a chorar. Achei tão poético.

Xiquinha, a cromossómica da família,  foi às análises. Não metia lá os pés há uns dois anos mas, assim que chegou, agarrou-se ao braço e apontou para o gabinete onde tiram sangue. Pergunto-me onde andará o défice.

Levei o pai a São Francisco Xavier para medir os níveis do Varfine. No caminho a mãe cantou uma cantiga de revista do João Villarett sobre o Salazar. Podia ter sido pior.

O pai disse uma frase inteira.

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Diário Secreto

por Francisca Prieto, em 28.05.15

Amanhã vou falar com a directora de turma de um dos meus filhos. Parece que o rapaz foi apanhado a passar um papel com uma canção ordinária de sua autoria. Rala-me a ordinarice, mas o que verdadeiramente me preocupa é saber se a canção tem génio criativo, se a rima e a métrica estão com nível. Se não se limitou a rimar palavarão com melão, ou assim.

O problema das escolas é que não dão valor à veia criativa das crianças. São uns básicos.

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Diário Secreto

por Francisca Prieto, em 25.05.15

Resolvi começar a escrever este diário porque li não sei onde (muita porcaria lê uma pessoa na internet, caramba) que a escrita é como um músculo que precisa de ser trabalhado todos os dias. De maneira que, numa tentativa de contrariar a tendência de todos os meus outros músculos, que se regozijam na inércia, meti mãos à obra.

Confesso que me sinto ligeiramente ridícula, que isto de escrever diários é entretém de miúda adolescente. Já não temos idade para vir para aqui contar segredos, não é senhor diário? Ah, ah, ah, o senhor não estava à espera que eu lhe contasse todas as minhas intimidades, pois não? Tá bem, tá.

Digamos que usarei este espaço para anotar os pormenores curiosos que me vão passando pela frente à medida dos dias.

No outro dia, por exemplo, descobri que uma senhora que anda há meses no meu curso de escrita criativa é avó do João André, colega do meu filho na escola.

É um faits divers, bem sei, mas interessa-me deixar registado, a este propósito, que a mãe da criança (ex-nora da senhora) é gótica aos quarenta anos. Mas é um gótica catequista, não façamos confusões, das que levam a viola nas festas da escola e cantam com o fervor da Maria Von Trapp.

Lembrei-me disto porque andamos a estudar a construção das personagens e discutia-se precisamente a necessidade de se criar personagens espessas, desconcertantes, com várias camadas. Ora se há personagem improvável, é a Alice. Macacos me mordam.

O filho da senhora também dava um belo protagonista. Altíssimo, sempre de gabardine no Inverno, e com chapéu de detective.

A meio da aula distraí-me e lembrei-me que aqui há uns tempos tinha imaginado a cena de um homem que queria doar o corpo à arte (vs doar o corpo à ciência) e que perseguia artistas plásticos para combinar com eles o que lhe iriam fazer assim que entregasse a alma ao criador. Tenho de procurar essas notas, que acho a ideia de génio.

Ás vezes tenho ideias geniais. E preguiça também.

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