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Mais plágios

por Gui Abreu de Lima, em 09.01.13

 

Terça bateu o feriado desci ao Chiado.

Quarta acordei para vida em grande euforia.

Quinta olhei as estrelas, vi uma cadente.

Sexta, três dias passaram deste novo ano.

Sábado, aleluia!, um sono decente.

Domingo nós aqui por casa é tudo boa gente.

Segunda, foi o começar de uma pergunta.

Terça era o Tejo cheio a brilhar ao sol.

Quarta, ainda cá estamos e amanhã é dia!

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1 de Janeiro, terça-feira

Há um ano, a hora era dos semeadores de catástrofes em forma de profecia que rasgavam as vestes em dobre a finados pela União Europeia. Que a Grécia entraria em colapso e seria expulsa da zona euro, vaticinavam. Que o projecto europeu implodiria, proclamavam. Que a moeda única chegaria ao fim, uivavam. Um imbecil chegou a antever que seria Portugal a "destruir o euro". Curioso: estas previsões nunca são confrontadas com a realidade no ano seguinte. Como se nunca tivessem existido.

 

 

2 de Janeiro, quarta-feira

Morreu Marques Júnior, que conheci bem no Parlamento. Era o que antigamente se chamava, sem sombra de ironia, um homem bom. Foi o mais jovem capitão de Abril - tenente ainda - no movimento militar que pôs fim à ditadura. No Verão quente de 1975, combateu a esquerda alucinada que queria transformar Portugal na Cuba da Europa. Desaparece sem ter sido alvo da homenagem nacional que merecia. Ficámos a dever-lhe essa homenagem. Estamos ainda a tempo de reparar tal falta em relação a outros capitães de Abril que foram também capitães de Novembro. No lado certo da História.

 

3 de Janeiro, quinta-feira

Alguns jornalistas concederam estatuto de especialista em macro-economia mundial a um burlão relapso e contumaz, conferindo-lhe uma respeitabilidade que o indivíduo nunca teve. Sempre prontos a invocar a ética da responsabilidade nos seus ralhetes aos políticos, estes jornalistas são incapazes de aplicar a receita a si próprios. Houve até quem achasse graça ao impostor. Sabe-se agora que o sujeito chegou a cumprir pena de prisão por homicídio: atropelou duas senhoras, em ocasiões diferentes, e pôs-se em fuga - o que diz tudo sobre a figura em causa. Lamento, mas não acho a menor graça.

 

4 de Janeiro, sexta-feira

Espreito o mapa da Economist com as previsões da economia mundial para 2013: apesar de tudo, o planeta move-se. Por todo o lado? Por todo o lado menos num pequeno continente chamado Europa. O Oriente vai bem, obrigado. A África subsariana regista índices de crescimento impensáveis há meia década. Américas e Austrália recomendam-se. Só o Velho Continente - na solitária companhia do Japão - vive sob o espectro da estagnação económica. O fim dos mercados coloniais, das matérias-primas a baixos preços, dos combustíveis que pareciam inesgotáveis e da expansão demográfica ocorrida nas três décadas posteriores a 1945 ditou o crepúsculo do milagre económico europeu. Haveremos de recuperar. Mas, para o bem e para o mal, deixámos de estar no centro do mundo.

 

 

5 de Janeiro, sábado

Manoel de Oliveira, com sabedoria eterna, num admirável diálogo com Pedro Mexia publicado na edição de hoje do quarentão Expresso: "A vida é uma derrota. A gente vive da derrota. Nasce contra vontade e não é senhor do seu destino." Provérbio russo, no livro que ando a ler (Os Ditadores, de Richard Overy): "Até o mais pequeno dos peixes agita as profundezas do oceano."

 

6 de Janeiro, domingo

Andam por aí uns democratas ilustres, de candeia acesa, à procura de um homem. Mas não de um qualquer: buscam um Monti. O Mario Monti português. Querem que ascenda ao poder para "endireitar o País". Apontam-me a ilustre personalidade que estará disponível a assumir tão espinhosa missão: a imitação tem curiosas semelhanças físicas com o original italiano. Falta apenas submeter-se ao sufrágio popular. Para espanto meu, os montistas lusitanos dizem que não: há que evitar essa maçada. Nunca vi democratas com tanta alergia ao voto, prontos a abraçar o primeiro Sidónio que lhes surja ao caminho. Sem sequer precisar de farda nem de trotar num cavalo branco.

 

7 de Janeiro, segunda-feira

Há dez anos Portugal parecia um país de abusadores sexuais: não havia manchete de jornal ou noticiário televisivo sem a notícia da praxe: agarra que é pedófilo. De então para cá ganhámos juízo: hoje parecemos um país de constitucionalistas: debatemos a lei fundamental com o sapiente fervor de um Miranda, com a respeitável autoridade doutoral de um Canotilho. Antes assim.

 

8 de Janeiro, terça-feira

Arménio Carlos no Telejornal. Apela aos juízes do Tribunal Constitucional para "não se deixarem pressionar" na apreciação do Orçamento do Estado a pedido do Presidente da República, do PS, do PCP, do Bloco de Esquerda, dos Verdes, do Provedor de Justiça e do Governo Regional dos Açores. E se o documento for considerado constitucional? Seria uma "ilegalidade monstruosa" pois o OE representa uma "violação grosseira" da Constituição. Diz isto sem a menor intenção de pressionar, como é evidente.

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