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Sede interminável

por Pedro Correia, em 20.03.17

- E para beber, o que deseja?

- Uma cola.

- Não temos. Só Pepsi. Pode ser?

- Pode. Pepsi também é cola.

- Como disse?

- Nada...

- E deseja a Pepsi fresca?

- Claro.

- Gelo e limão?

- Limão, não. Só gelo.

- Não deseja limão?

- Não. Só gelo.

- E quantas pedras?

- Duas ou três.

- Uma palhinha?

- Não é preciso. Detesto palhinhas.

- Como disse?

- Nada...

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Assim feia é que eu gosto de ti

por Pedro Correia, em 28.12.15

- Toma cuidado com os piropos: podem dar-te o passaporte para três anos no chilindró!

- Ficas descansada. Nunca me passaria pela mona gastar o meu dicionário de piropos numa abécula como tu.

- Olha quem fala! Já te viste ao espelho? Caganda frasco me saíste...

- E tu? És mesmum coiro...

- Quem desdenha quer comprar, ó boi-cavalo!

- É isso mesmo. Tens troco, trinca-espinhas?

- Vai-te catar, filho dumaganda égua! O que tu queres sei eu...

- Eheheh. Dá-me pica.

- Dá-te pica o quê, rafeirote?

- Seres tão... feia. Mas assim mesmo é que eu gosto de ti.

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Os coentros

por Helena Sacadura Cabral, em 20.12.15
 

Eu tinha organizado a minha vida toda para não ter que andar na rua nestes dias. Mas, azar dos Távoras, a minha plantação de coentros não chegava para as necessidades e resolvi dar um pulo ao supermercado mais perto de casa, visto que na zona onde vivo foi morrendo de morte lenta tudo o que era comércio de bairro. Agora existem cinco restaurantes, quase pegados uns aos outros, e a única mercearia que sobreviveu pratica preços de monopólio.
O meu problema foi mesmo ter ido ao super porque antes de chegar aos coentros fui "atacada" por uma pessoa que só reconheci quando me disse o nome. E que ficou atónita por eu não me lembrar dela, que não via há cerca de vinte e cinco anos.
Além de me brindar com um "estás na mesma, rapariga", perguntou-me pelo Natal, se continuava a ir para a neve, se estava só ou acompanhada, se agora estava mais cá ou em França, se, se, se. Tive de cortar o inquérito pessoal, mas fiz mal, porque se lhe seguiu a sua história que eu não tinha pedido para ouvir e em que os "ses" de que dependia o seu Natal - eu diria mesmo a sua vida - eram tantos, que nem consigo enumerá-los. E os ditos pareciam, de facto, estar a dar-lhe cabo da existência. 
Quando pude finalmente falar, tentei explicar-lhe que não adianta nada sofrer por antecipação e que, possivelmente, nada do que ela estava a imaginar iria acontecer. Atrevi-me, até, a sugerir-lhe que fizesse o raciocínio ao contrário, ou seja que pensasse na alegria que ia ter porque, "se" Deus quisesse nenhuma das suas pessimistas previsões iria acontecer.
Quando, por fim, cheguei aos coentros já só havia salsa e hortelã...

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a vida com os adolescentes

por Patrícia Reis, em 21.07.15

Frase do dia: "Eu é que sou teu filho a sério, não é ela!", ou seja, Micas e Madalena a tentar perceber, há uma hora, quem é que tem razão e quando eu desempato é nisto que dá!  Micas e Madalena, vocês são o meu orgulho, mas, francamente, estão ligados à corrente.

"Ó mãe, dás razão à Madalena porquê?"

Resposta: "Porque ela é minha filha durante uma semana!"

Micas reclama, virado para a Madalena: "Admite que eu tenho razão, admite".

E ela? "Não."

Para fazer as pazes, o Micas pergunta a coisa do Forrest Gump:

"Mãe, achas que a vida é como uma caixa de chocolates?"

Dizemos a frase do filme em coro e pronto, acho que vão ver a Brave e falam em surdina:

"Vais parar com essa merda? acabou a brincadeira, se faz favor, sempre a insinuar, tens noção de que me imitas bué mal, não, por acaso imito bem, capto toda a tua essência, vai bugiar, chega para lá..."

Amanhã eles continuam o drama class, dentro e fora da escola, e eu estarei agarrada a mais um livro novo da Carolina. Life is like a box of chocolates, you never know what you are going to get.

 

P.S.: O Micas diz, depois de uns minutos de silêncio:

"Olá pessoa sem razão!"

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Entre homens...

por Helena Sacadura Cabral, em 15.06.15

Num bar.jpeg

Eles estavam no bar de um bom hotel. Já tinham falado de tudo e mais alguma coisa. Ambos empresários, criticavam a política como se dela fizessem parte. Um, situacionista, ainda não estava contente com a TSU e defendia que a mesma teria de descer mais. O outro nem queria ouvir falar da dita embora não se percebesse porquê. Finalmente falaram de mulheres.

- Tu já viste a sorte do Zé?
- Sorte porquê?
- És parvo ou quê? Então o gajo não anda com a Marta?
- É pá, mas a Marta é casada com o teu sócio.
- Por isso mesmo. Aquela já tem editor responsável...
- Ah! De facto, é um ponto de vista. Não tinha pensado nisso.
- Pois é. Ele é que a sabe toda. Assim alarga o negócio!

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Diálogos dominicais

por Helena Sacadura Cabral, em 15.06.15

Bear.jpeg

Era Domingo e na praia o sol estava insuportável. Manuel e Maria abrigavam-se debaixo de um chapéu de sol. A geladeira estava à sombra, mas um pouco distante. O Zezinho brincava a fazer castelos de areia.

- Maria, dá-me uma cervejola.
- Estou muito cansada. Vai tu buscá-la.
- Ó Zezinho, traz uma cerveja ao Pai.
- Agora estou a fazer castelos, não posso.
- Traz já a cerveja se não queres apanhar uma nalga...

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Uma de lavandarias

por Rui Rocha, em 09.02.15

- Ansiedade, inquietude, tensão!

- Noite de Óscares?

- Nope. Vésperas de divulgação dos nomeadados na Lista Falciani.

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Diálogos ideológicos

por Pedro Correia, em 22.07.14

 

Ela - Nada é mais natural do que a defesa dos mais fracos.

Ele - Discordo. Eu defendo os mais fortes e os mais aptos.

Ela - Que é isso?! Eu sou defensora dos fracos e dos oprimidos. E com muita honra, ficas a saber!

Ele - Dos fracos não reza a história. Os fortes é que têm de ser defendidos.

Ela (cantarolando) - "Avante camarada, avante / junta a tua à nossa voz."

Ele - Cala-te. Odeio isso! Quase tanto como odeio o direito à igualdade.

Ela - Não me mandas calar! Os direitos são iguais.

Ele - Não existe igualdade. Não existe fraternidade. Não existe sociedade. Só existe indivíduo. Cada um por si. Este é o conceito que nos une, a nós, neoliberais.

Ela - O conceito que vos une, o caraças! Tu vais acabar por sair da caverna, seja a bem seja a mal. E sou eu que te vou reabilitar para a sociedade.

Ele - Na caverna é que os homens eram iguais. Esse é o problema da esquerda: nunca saiu da caverna.

Ela - Vocês é que são homens das cavernas. Todos uns trogloditas! E o vosso pensador de cabeceira chama-se Fred Flintstone.

Ele - A desigualdade é o motor do mundo.

Ela - 'Tás-me a irritar. Hei-de evangelizar-te, nem que seja à porrada.

Ele - Hum. Dessa linguagem já estou a gostar. Vê-se que começas a assimilar as minhas lições.

Ela - Há-de haver sempre desigualdades, a esquerda democrática assume isso. O nosso objectivo não é acabar com as desigualdades, mas diminuí-las.

Ele - A esquerda, se fosse verdadeiramente pela igualdade, seria igual à direita, que chegou primeiro.

Ela - Mas a direita nem quer ouvir falar em igualdade de oportunidades!

Ele - Quem chega primeiro dita as regras. Se vocês defendem a igualdade, então tornem-se iguais a nós.

Ela - Iguais a vocês? Nem penses, meu reaccionariozinho fofo.

Ele - Não me chames isso!

Ela - Reaccionariozinho?

Ele - Não: fofo. Para mim reaccionário é elogio.

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Do Prosaico

por Francisca Prieto, em 06.05.14

Par que acaba de se conhecer em contexto zen:

 

Ela: “Então e fazes o quê?”

Ele: “Sou professor de Ioga”

Ela: “Ai sim? que giro”

Ele: “Bem, é um hobby. Profissionalmente trabalho com fotocopiadoras”.

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Diálogos futebolísticos

por Pedro Correia, em 17.01.14

 

Ela - Tens pensado muito em mim?

Ele - Já pensei mais. Ando a enfastiar-me.

Ela - Que é isso?! Não tens nada de deixar de pensar em mim, ouviste? Isso é influência daquele teu amiguinho que não resiste a um rabo de saias...

Ele - Influência, não: inveja. Ele tem um verdadeiro harém.

Ela - E tu achas o máximo, não achas?

Ele - Qualquer homem acha.

Ela - As namoradas do teu amigo não têm nomes: têm números (de anca, cintura e mamas).

Ele - Isso agrada-me.

Ela - Idiota! Comunista!

Ele - Não admito que me chames comunista!

Ela - Cavaquista! Esclavagista! Ferreiraleitista!

Ele - Pior só se me chamasses benfiquista.

Ela - Tomaras tu que eu te chamasse benfiquista, ó seu lagarto encardido. E não voltes nunca mais a dizer que te sentes enfastiado comigo! Fiquei chocada com a forma como me disseste isso.

Ele - Estava na brincadeira. Achas que eu falaria assim se fosse verdade?

Ela - Estúpido! Não consigo viver sem ti.

Ele - Só viverás sem mim se quiseres.

Ela - Não quero. Nunca.

Ele - Vivò Sporting!!!

Ela - Vivò Sporting?! Eu declaro-me a ti e tu respondes-me uma coisa dessas?!!!

Ele - Isto anda tudo ligado.

Ela - Parvalhão. Se continuares com essa conversa ainda acabas por marcar golos só na própria baliza.

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Diálogos televisivos

por Pedro Correia, em 16.01.14

 

Ele - Não podes estar um dia sem mim... Hoje não pareces nada bem humorada.

Ela - Pois. O dia de ontem foi para esquecer. O meu momento alto aconteceu às 11 da noite, quando vi O Sexo e a Cidade.

Ele - Detesto que vejas essa série.

Ela - Porquê?

Ele - É uma série feminista, não é? Nunca vi...

Ela - Nunca viste?! Não acredito... A um título destes a tua curiosidade não resiste.

Ele - Espreitei uma vez. Eram umas dondocas que só pensavam em compras e em ser sustentadas por gajos ricos. Uma merda. O que eu nunca vi foi as Donas de Casa Desesperadas. Confundo sempre essas duas.

Ela - São ambas séries de gajas. Mas não és tu que gostas de decifrar o cérebro feminino?

Ele - Não preciso de ver séries americanas para entrar na cabeça das mulheres europeias. As que me interessam.

Ela - Devias ver. É pedagógico.

Ele - A série das dondocas, nem pensar. Assisti a uns minutos do filme na televisão e achei-o pavorosamente mau. Apenas pretexto para vender marcas. Como podes seguir aquilo?

Ela - O filme não tem nada a ver. A série é muito melhor.

Ele - Mas não é com as mesmas actrizes? Aquela baixinha e nariguda irrita-me.

Ela - E do meu nariz gostas?

Ele - Não conheço nenhum outro tão parecido com o da Cleópatra.

Ela - Hum... Se há coisa que aprecio em ti é isso.

Ele - Isso o quê?

Ela - A tua cultura clássica.

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Diálogos pós-festivos

por Pedro Correia, em 15.01.14

 

Ele - Já estás a almoçar?

Ela - Já. Sandes de queijo.

Ele - Isso não é almoço! E o que tencionas jantar?

Ela - Linguado grelhado. É para compensar os doces que tive de comer no Natal.

Ele - Não tens nada que compensar!

Ela - No Verão tenho de caber dentro do biquini.

Ele - Mas que disparate!

Ela - Disparate é ter de comprar um biquini um número acima.

Ele - Qual é o problema de comprares um número acima? Tens de passar a comer o que eu disser.

Ela - Tu de dieta não percebes nada.

Ele - Mas dieta para quê?! Estás magra!!

Ela - Tenho barriga. E coxas para abater.

Ele - Isso é para manter!

Ela - Gajos não percebem nada de estética. Só se forem gays.

Ele - Gajos percebem de gajas.

Ela - Gajos são volátis nas avaliações estéticas. Dizem gostar de banhas mas babam-se com manequins.

Ele - Que disparate! Para que queres tu competir com manequins? Pretendes abrir alguma boutique na Rua dos Fanqueiros?

Ela - Pensando bem, hoje não me apetece linguado. Tens algo a propor?

Ele - Claro que sim. Vamos jantar ao nepalês. Achas bem?

Ela - Hum... acho. Esta conversa acabou por abrir-me o apetite.

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Diálogos literários

por Pedro Correia, em 23.12.13

 

Ela - Hoje estás tão sisudo...

Ele - Não admira, ando a ler A Peste.

Ela - Nunca leste?

Ele - Li há uns anos. Mas apeteceu-me reler.

Ela - Também li. Aliás tive a minha fase Camus, na adolescência. E O Estrangeiro é um dos livros da minha vida.

Ele - Todos os livros dele são da minha vida: O Estrangeiro, O Mito de Sísifo, A Queda, O Exílio e o Reino, O Homem Revoltado...

Ela - Só li O Estrangeiro, A Peste e O Homem Revoltado.

Ele - São livros mais para menino do que para menina.

Ela - Não. Camus é unissexo.

Ele - Recomendo-te antes a Condessa de Ségur. Que não é unissexo.

Ela - Eu a ti recomendo o Batman. Tem muitos bonecos, pouco texto e muita acção. Ideal para qualquer menino.

Ele - Não precisas de recomendar. Leio desde os oito anos. Batman, Fantasma, Mandrake. Só para meninos.

Ela - Como o Clube do Bolinha?

Ele - Isso mesmo, Luluzinha. Menina não entra.

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Diálogos ideológicos

por Pedro Correia, em 20.12.13

 

Ela - Como foi o teu dia?

Ele - Menos mal. O pior é ter de aturar a brigada politicamente correcta: preciso de duplicar as minhas habituais doses de paciência.

Ela - Falas de quem?

Ele - De algumas amigas tuas. Vegetarianas. Devotas das lagartixas e das abóboras. Esquerdistas em geral e ambientalistas em particular.

Ela - Fica sabendo que se não houvesse esquerdistas, amigos dos animais e ambientalistas, o mundo seria muito pior.

Ele - Faltou-me ainda mencionar as esquimós frustradas, sempre com afrontamentos perante o "aquecimento global".

Ela - A direita só se preocupa com dinheiro. A esquerda preocupa-se com as pessoas, os animais, o ambiente... Enfim, essas pieguices que tu tanto desprezas.

Ele - A direita preocupa-se com o dinheiro, sem o qual não se pagaria nenhuma pieguice da esquerda.

Ela - Deixa-te desses chavões e convida-me para jantar. Eu escolho um restaurante "piegas".

Ele - Qual restaurante?

Ela - Qualquer um. Desde que seja vegetariano. Com produtos naturais.

Ele - E quem paga é aqui o cavalheiro?

Ela - Naturalmente.

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