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Frases de 2017 (7)

por Pedro Correia, em 02.03.17

«Até certo ponto, houve um milagre no défice [de 2,1% em 2016].»

Teodora Cardoso, presidente do Conselho de Finanças Públicas

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Frases de 2017 (7-bis)

por Pedro Correia, em 02.03.17

«Milagres, este ano em Portugal, só vamos celebrar um, que é o de Fátima - para os crentes, como é o meu caso - com a presença do Papa. Tudo o resto não é milagre. Saiu do pelo e do trabalho dos portugueses desde 2011-12.»

Marcelo Rebelo de Sousa, comentando declaração de Teodora Cardoso

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Resumindo

por Rui Rocha, em 17.01.17

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Isto deve ter sido encomendado pelo Costa

por Sérgio de Almeida Correia, em 06.12.15

Não há nada que um tipo possa fazer bem que eles não venham logo desfazer com a porcaria dos números.

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Frases de 2015 (53)

por Pedro Correia, em 03.11.15

«Eu nunca consegui que nenhum economista me explicasse porque [a meta do défice] tem de ser 3% e não 4%.»

Jerónimo de Sousa em entrevista à SIC Notícias, 29 de Outubro

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Previsões, leva-as o vento!

por Helena Sacadura Cabral, em 02.09.15

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O drama das previsões é a frequência com que elas falham... Mas, quando isso se passa no campo financeiro, os resultados podem ampliar-se muito para além do que se espera.

Decorrido um ano o Novo Banco ainda não foi vendido. Ou seja, os 4,9 mil milhões de euros que o Estado disponibilizou através do Fundo de Resolução – indexados ao défice – fazem com que o sonho dos 2,7% como meta, possa atingir mais do dobro.

Goradas as negociações com a Anbang seguem-se as negociações com a Fosum, que já entrou na Fidelidade e no Hospital da Luz.

Duas preocupações me surgem neste momento, se estas negociações não chegarem a bom termo. Uma, julgar que Maria Luís Albuquerque não poderá cumprir o défice. Outra, considerar que, em Portugal, a China se está a expandir demasiado, num período que me parece o menos propício para tal.

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Profetas da nossa terra (65)

por Pedro Correia, em 05.02.15

«Partindo de um défice de 5,8%, o Governo estima reduzir o desequilíbrio orçamental em 2 pontos percentuais, para 4%, com 4 mil milhões de austeridade. Como e porquê? Ninguém sabe. A loucura prossegue, enquanto assistimos ao espantoso exercício que é queimar dinheiro na praça pública para satisfazer os desejos sado-masoquistas dos credores.»

Pedro Adão e Silva, 18 de Outubro de 2013

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E as reformas, pá?

por Rui Herbon, em 03.06.14

Ainda que costume reputar-se o FMI como um organismo criado para fomentar o avanço do liberalismo mais radical, o certo é que as suas intervenções nos países que o solicitam (por vezes omite-se ou esquece-se que o fundo só entra onde é chamado) têm sempre uma forte carga estatizante. A sua missão original, quando ainda vigoravam as taxas de câmbio fixadas em Bretton Woods, era relentar o processo de ajustamento dos países com graves desequilíbrios externos oferecendo-lhes empréstimos mais suaves em moedas fortes; actualmente, quando já não existem taxas de câmbio fixas, é relentar o processo de ajustamento de países com intensos desequilíbrios internos oferecendo-lhes créditos igualmente suaves e promovendo a adopção de políticas keynesianas de esbanjamento. 

 

Fazendo gala desta tradição, o FMI publicou há pouco as conclusões preliminares da sua última avaliação sobre a economia alemã. A principal recomendação voltou a ser que a Alemanha deve incrementar o investimento público em infra-estruturas (mais um exemplo do ultra-liberalismo do fundo) para impulsionar a sua procura interna e, com ela, as importações do resto da debilitada Zona Euro. Segundo parece, o vício dos alemães é a poupança, o que impossibilita que os países periféricos cresçam pela via exportadora. A nossa única esperança é pois, segundo os economistas do fundo, que os alemães sejam invadidos por um tresloucado impulso gastador e que parte do pilim desembolsado aterre nas economias do sul. 

 

Certamente a correcção dos desequilíbrios dentro da Zona Euro requer uma redução do superávit alemão e do défice dos periféricos. Mas essa correcção não pode conseguir-se de qualquer forma e a qualquer preço: não deve o governo germânico obrigar os seus cidadãos a consumir qualquer coisa que seja fabricada nos periféricos; pelo contrário, esses países devem esforçar-se por converter economias viciadas no cimento e na dívida em economias capazes de gerar bens transaccionáveis com procura internacional. O sul da Europa não devia procurar mendicante os subsídios no norte, mas ambicionar o dinamismo interno que lhe permita gerar riqueza. Não é algo impossível: desde o início do programa de ajustamento as nossas exportações aumentaram significativamente e o défice da nossa balança comercial tem vindo a reduzir-se. E isso não ocorreu porque os consumidores dos outros países tenham sido obrigados a comprar massivamente as nossas mercadorias, mas porque os empresários portugueses conseguiram encontrar novos mercados para os seus produtos (os tradicionais e os novos e inovadores).

  

O inimigo da recuperação europeia jamais foi a exagerada austeridade alemã, mas a prodigalidade dos periféricos cujos governos têm tentado perpetuar por todos os meios ao seu alcance — e quando não são eles lá estão as respectivas constituições a assegurar o statu quo. Em vez de baixar impostos libertando rendimento disponível para famílias e empresas, os governos do sul aumentaram-nos até níveis inimagináveis para assim consolidarem o seu idolatrado Estado; longe de cortar os gastos públicos para deixarem de fagocitar a nossa escassa poupança interna no financiamento do seu monstruoso défice, os governos do sul reduziram o orçamento o mínimo indispensável para evitar uma eminente bancarrota e continuar a gastar sem controlo; longe de liberalizar a economia para não obstaculizar o engenho empresarial, limitaram-se a retocar alguns pontos da legislação laboral com a esperança de que uma certa deflação salarial permita manter todas as restantes regulações; longe de fazer recair as perdas das entidades financeiras sobre os seus accionistas e credores através de um justo bail-in, optaram por socializar as perdas através de um desonesto bailout.

 

Resumindo: uma despropositada política económica destinada a travar o rápido reajustamento interno necessário para corrigir os nossos desequilíbrios externos, que contou não só com o apoio das instituições europeias e dos governos que a aplicaram, como com o aplauso entusiasta do supostamente liberal FMI. Mas sim, o nosso problema é que Merkel não gasta o suficiente em estradas.

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A luz ao fundo do túnel

por Pedro Correia, em 31.03.14

Défice português de 2013 ficou nos 4,9%, um ponto abaixo do previsto

 

Portugal atinge primeiro excedente externo em 18 anos

 

«Sob qualquer ponto de vista, é uma óptima notícia. Não há volta a dar. Um ponto percentual abaixo do que estava previsto é uma óptima notícia que terá repercussões neste ano orçamental.»

Miguel Sousa Tavares, hoje, no Jornal da Noite

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De aquém e de além troika

por Rui Herbon, em 29.03.14

 

 

Perante um certo jornalismo, que relata ou serve de simples partnaire ou muleta nos espaços de comentário, mas que não investiga nem questiona, e uma certa política, ou politiquice, mais preocupada em procurar pentelhos (como o João de Deus, de César Monteiro) que em discutir substância, certas expressões/proposições têm-se tornado axiomáticas, isto é, parecem não carecer de demonstração, quando na realidade se tratam de falácias. Uma delas, ir para além da troika, tem circulado pela linguagem política impávida e serena, sem que ninguém se dê ao trabalho, nem mesmo nos partidos da coligação, de desmontá-la cada vez que é usada. (Assim de repente, só Rodrigues dos Santos, no seu pas de deux com Sócrates, o tentou, com mais arquivos que preparação.)

 

A ideia de quem usa essa expressão, sobretudo gente ligada ao PS e como forma de se desligarem das consequências do Memorando de Entendimento (MdE) que subscreveram, de sacudirem a água do capote, é que o governo implementou mais medidas do que aquelas que estavam previstas. É verdade. Mas o compromisso de Portugal, exposto logo no início do MdE (nos objectivos da política orçamental) e repetido no primeiro ponto do detalhe de cada ano em que o programa vigora, é com um valor de défice, para o qual contribuiriam as medidas descritas. A relação do primeiro com as segundas é um "e" e não um "ou", ou seja, o cumprimento destas não desvincula do cumprimento daquele; portanto, se as medidas não fossem suficientes para alcançar o défice pretendido, haveria que encontrar outras. E das duas uma, ou o governo as tomava por sua iniciativa, como fez (se foram as mais adequadas ou não, é outro assunto e cada qual julgará), ou teria sido a troika, em cada avaliação, a impor as suas. Prefiro um governo que age, aproveitando a pouca soberania financeira que nos resta e arriscando-se a errar, a um que apenas reage (como o de Sócrates, com os sucessivos PECs rumo ao abismo) e espera cobardemente que as medidas lhe sejam impostas de fora para não se comprometer com nada.

 

Se o governo em algum dos anos em que o MdE vigorou tivesse obtido um défice orçamental significativamente abaixo daquele com que estávamos comprometidos, aí sim, teria ido (mal) além da troika. Assim, ao implementar mais medidas não fez senão tentar cumprir as metas definidas com os parceiros externos e subscritas por PS, PSD e CDS. O governo, mal ou bem, e sem ir para além da troika, governou. É, parece-me, o que se espera dele. Critique-se as opções, mas deixemo-nos de embustes.

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Uma estratégia brilhante

por Rui Rocha, em 18.09.13

O PS avançou de forma decidida com uma proposta de flexibilização do défice de 2013 para 5%. O PS reuniu com a troika e é justo presumir que terá defendido essa proposta com unhas e dentes. Apesar desse esforço titânico, tudo o que o PS conseguiu foi retirar uma conclusão. Na verdade,  o secretário nacional do PS veio acusar a troika de ser inflexivel. Pelo visto, e de acordo com Eurico Brilhante Dias, "a percepção é que há uma enorme relutância na flexibilização [da meta do défice]".. Isto é, o PS apesar dos dentes e das unhas afiadas com que terá entrado na reunião, nada conseguiu. Dando de barato que a flexibilização do défice teria efeitos positivos e que o governo tentará igualmente defendê-la, Passos Coelho ganhou o dia graças a esta, chamemos-lhe assim, estratégia do PS. Se não tiver sucesso, a coisa é compreensível: pois se o próprio PS não conseguiu e se a troika é inflexível... Pelo contrário, se conseguir obter uma margem de flexibilização, terá obtido sucesso onde o PS falhou. Se é certo que o PS foi representado na reunião por Brilhante Dias, não é menos verdade que há dias em que a estratégia do PS é brilhante.

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Um sucesso esta política.

por Luís Menezes Leitão, em 25.06.13

 

Juros da dívida portuguesa perto de 7%.

 

Gaspar admite défice acima dos 10% no primeiro trimestre.

 

Quantas mais derrapagens serão necessárias para que se mande embora de vez Vítor Gaspar? Ou vai-se continuar a defender que a culpa é do mau tempo?

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Back to basics

por Pedro Correia, em 01.11.12

«É preciso dizer às pessoas que se o estado social não for pago com impostos, é pago com défice. E se é pago com défice, é pago com mais impostos. O combate ao endividamento e o combate à despesa pública é o combate para pagar menos impostos.»

O nosso delituoso Adolfo, ontem, no plenário de São Bento

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Sonhos de Verão.

por Luís Menezes Leitão, em 03.09.12

 

O Governo estava a preparar-se para atirar para a troika as culpas pelo falhanço clamoroso do objectivo do défice para este ano (já vai em 6,9% só no primeiro semestre!), alegando que o programa de ajustamento estava mal concebido.

 

Para isso contava com o apoio expresso de Cavaco Silva que, num intervalo do golfe, lá veio dizer que não seria por causa de umas décimas (3, 4, ou 5) que se  iria dizer que o Governo falhou a meta do défice, provavelmente apostando que a troika nos reconheceria algum handicap. Mas as décimas já vão em 24, o que é um desvio colossal em relação às expectativas do Presidente.

 

Apesar destes dados, no seu patético discurso num dos encontros partidários a que pomposamente se chama Universidades de Verão, Passos Coelho diz que "o défice está cair" e que "não há evidência de ciclo vicioso de recessão económica". Uma vez que na mesma Universidade de Verão, António Borges tinha dito que as coisas estavam a correr melhor que o que se esperava e Cândida Almeida também garantia que não havia corrupção em Portugal, parece que aquele encontro deveria chamar-se antes de sonhos de Verão.

 

Na sua crónica de ontem João Pereira Coutinho pôs o dedo na ferida: "O défice de 4,5% para 2012 converteu-se em anedota. Mas governantes e comentadeiros não estão horrorizados com este falhanço. Pelo contrário: ele é providencial e só mostra que o aluno é um bom aluno. O problema está na professora, que exagerou na matéria e vai agora conceder equivalências à malta, na melhor tradição nativa".

 

Estas declarações do responsável da Comissão Europeia mostra para quem tivesse dúvidas que é também um sonho de Verão o Governo contar com alguma compreensão da troika, devido à sua pretensa imagem de bom aluno. Os bons alunos não são aqueles que se esforçam arduamente sem conseguirem atingir os resultados propostos. São aqueles que atingem efectivamente esses resultados. Agora que é o tempo do regresso às aulas, era bom que o Governo se deixasse de sonhos de Verão e preparasse de vez o país para o pesadelo outonal que aí vem.

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O remake

por João Campos, em 06.07.12

Tenho a sensação de que este "princípio da igualdade" evocado pelo Tribunal Constitucional vai ser o remake de segunda categoria do Governo de Passos Coelho ao célebre episódio do défice de 6,83%, calculado à centésima por Constâncio, que tanto jeito deu ao Governo de Sócrates.

 

E, como todos nós sabemos, raramente os remakes são melhores que o original.

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O mago das Finanças.

por Luís Menezes Leitão, em 22.06.12

 

A previsão que aqui fiz de que Cadilhe, ao propor um imposto extraordinário de 4% sobre o património líquido dos contribuintes, estava a anunciar uma medida já decidida por Vítor Gaspar, vai confirmar-se integralmente. Vítor Gaspar já admite que o défice está descontrolado e os resultados da execução orçamental que vão ser divulgados hoje irão seguramente demonstrá-lo, por muito que os assessores de comunicação o tentem maquilhar. Bem pode o Governo andar a repetir o mesmo discurso cacofónico de que "Portugal não precisa de mais tempo nem de mais dinheiro". Pelo menos de mais dinheiro precisa desesperadamente, tanto assim que vai continuar a sugar os portugueses até ao tutano.

 

Ao contrário da maioria das pessoas da minha área política, nunca acreditei em Vítor Gaspar. Estava à espera na sua primeira comunicação ao país de assistir à apresentação de um programa ambicioso e exigente de redução da despesa pública. Em vez disso, ouvi-o a anunciar em voz arrastada o lançamento de mais um imposto extraordinário, sem nada dizer sobre a redução da despesa. Durante este ano tive oportunidade de confirmar que a sua política financeira é tão arrastada como o seu discurso. Quanto à redução sustentada da despesa, nicles. Os buracos do défice tapam-se sucessivamente à custa de receitas extraordinárias ou de cortes de salários. Mas com estes sucessivos aumentos de impostos, o efeito mais provável é o aumento da recessão e até a diminuição da receita fiscal, como qualquer estudante de economia sabe.

 

Vítor Gaspar tem sido qualificado por alguns como um mago das Finanças. Mas a sua gestão do Ministério das Finanças está a ser a de um aprendiz de feiticeiro.

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Decidam-se!

por José Gomes André, em 10.01.12

Há uns dias, face ao défice de 4,5%, o PS indignava-se com o excedente orçamental. Agora, apelida o défice de 5,4% de "desvio colossal" (João Galamba) e pede explicações ao Governo. Em que ficamos?

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Portugal a caminho da Grécia.

por Luís Menezes Leitão, em 03.10.11

 

Conforme era previsível, mesmo depois das loucas medidas de austeridade, a Grécia vai voltar a falhar as metas do défice em 2011 e 2012. Portugal, pelos dados que foram recentemente conhecidos, também vai falhar essa meta, tendo mesmo conseguido, depois de todas as medidas de corte de salários e aumento de impostos, que o défice se elevasse de 7,7 para 8,3% do PIB só no segundo trimestre. Não é novidade nenhuma, uma vez que se sabe perfeitamente que introduzir medidas de agravamento dos impostos em épocas de crise só serve para gerar ainda menos receita fiscal. Mas provavelmente Portugal irá mascarar esse falhanço com um qualquer fundo de pensões, pensando que os mercados são parvos e não sabem distinguir receitas extraordinárias de ordinárias.

 

Confesso que, assistindo ao falhanço total do programa da troika na Grécia, fico preocupado que se insista em que essa via continua a ser a mais adequada para Portugal. Conforme tenho salientado, a definição perfeita de irracionalidade é repetir várias vezes o mesmo comportamento, esperando que ele alguma vez conduza a um resultado diferente.

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Acreditem

por João Carvalho, em 27.04.11

Para aqueles que ainda não acreditam que é com trabalho que isto lá vai, o recente período de cinco feriados permitiu comprová-lo amplamente. Vejam só. Enquanto a maioria dos portugueses folgou dias a fio como a cigarra, um pequeno grupo de estrangeiros do FMI ocupou o Ministério das Finanças a trabalhar como a formiga e, num abrir-e-fechar-de-olhos, aumentou rapidamente o nosso défice. Acreditam agora?

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O não-comentador

por João Carvalho, em 19.02.11

José Sócrates respondeu hoje a Soares dos Santos, presidente do Grupo Jerónimo Martins, na sequência de este ter acusado o Governo de mentir sobre a situação do país: "Nem merece comentário" — comentou o primeiro-ministro — "e só prova que não basta ser rico para ser bem-educado."

Soares dos Santos tinha dito ontem que "não vale a pena continuarmos a mentir", que "não vale a pena pedir sacrifícios às pessoas sem lhes dizer a verdade", porque "as pessoas têm de saber para que estão a fazer os sacrifícios".

Curiosamente, disse também que "truques é para o Sócrates", pois "ele é que gosta de truques", no dia em que se soube que não-sei-quantos imóveis do Estado libertados pelo Governo e supostamente vendidos a privados foram, afinal, "comprados" por uma, mais uma, empresa pública, a Estamo-Participações Imobiliárias (que agora tenta vender esse património) — uma manha que baixa o défice e esconde as contas públicas, mas mantém a realidade na mesma para sermos os mesmos a pagar. Se isto não é um truque...

Curiosamente, Soares dos Santos responde ainda ao i que "seria uma bênção que o FMI entrasse em Portugal", no dia em em que se soube pelo JN que o "TGV entre Caia e Poceirão fica 25% mais caro que na versão anterior". Se não é uma mentira ter suspensa (?) uma obra que, afinal, avança à velocidade de milhões de euros...

O primeiro-ministro, assim apanhado em mais um périplo folclórico de primeiras-pedras e inaugurações, fez de conta que não sabe que há quem não tenha precisado de prometer empregos para empregar e conseguir crescer, mesmo perante um Governo que prometeu empregos para só empregar boys que todos pagamos e continuarmos a descer. Por isso é que Sócrates comentou que não comentava.

Fez também de conta que não sabe que a opinião sobre ele está longe de ser coisa de ricos. "Nem merece comentário e só prova que não basta ser rico para ser bem-educado" é mais do que um comentário: é uma não-verdade e um não-não-truque de retórica.

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Explicação

por António Manuel Venda, em 09.11.10

«Portugal não tem dimensão para se roubar tanto.» Continuo a achar que nesta frase de Pedro Ferraz da Costa, dita numa entrevista ao «Expresso» em 2009, está muito da explicação para a tragédia do nosso défice.

 

Entrevista aqui.

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Como passa Senhor Contente...?

por João Carvalho, em 12.10.10

No Prós e Contras, Mário Soares recordou um encontro que teve com o primeiro-ministro “há já algum tempo” e que este lhe manifestou a sua satisfação “por estar a reduzir o défice”. O antigo Presidente disse ter alertado Sócrates para uma “situação mais difícil” que viria aí e em que “o défice iria subir”. “E o que lhe disse o primeiro-ministro?” — perguntou Fátima Campos Ferreira. Soares respondeu: “Disse que talvez não, talvez não seja bem assim”, mas bastava ler os jornais internacionais.

Contente, Sócrates cometeu o erro fatal dos felizes: estava satisfeito com o que fizera sem cuidar de saber se podia fazer mais e melhor. E depois... aquela de ter de ler a imprensa internacional... Ah!... O inglês técnico também não ajuda muito...

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Ninguém nos dá uma dica?

por João Carvalho, em 01.05.10

Portugal fica sempre na cauda. Ninguém quer saber dos portugueses. Andamos nós para aqui a penar, às voltas com o défice e com a dívida externa, e não há meio de alguém nos acudir. Somos sempre esquecidos. Ora vejam bem.

Os carecas e os homossexuais podem acabar de um momento para o outro. O presidente boliviano Evo Morales já disse que resultam da proliferação de galináceos de aviário alimentados a hormonas femininas. Fechem os aviários que o mundo ficará mais perfeito.

Os sismos e todas as calamidades naturais que têm agitado o planeta também podem estar em vias de extinção. Um líder religioso de Teerão (que deve ser da família do vulcão da Islândia, a avaliar pelo nome) já explicou que tais catástrofes se devem às mulheres-cabriolets que não se tapam da cabeça aos pés e que não levam uma vida recatada. Enrolem a mulher num cobertor e não se deixem encornar que a natureza se encarregará de nos deixar dormir em paz.

Portanto, os problemas que restam insolúveis e crescentes continuam a ser o nosso défice e a nossa dívida externa. Não há por aí alguém que nos dê uma dica sobre a maneira de encerrar as agências de rating como quem fecha a mulher no galinheiro?

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A magia de Teixeira dos Santos

por João Carvalho, em 25.03.10

O ministro das Finanças deve ter andado a aprender magia. Como se sabe, Teixeira dos Santos disse ter-se enganado no défice do ano passado, que ele garantia em plena campanha eleitoral ser o antes previsto e que passou a ser outro muito superior depois das eleições legislativas. Um erro monstruoso que só foi alterado semanas mais tarde, em tempo conveniente para o PS. Agora, ao falar do PEC e de 2013, Teixeira dos Santos declara que não quer apenas aproximar o défice dos três por cento, nem sequer chegar ao objectivo desejável dos três por cento certos. Não. O que o ministro das Finanças declara é que o défice em 2013 será de 2,8 por cento.

É obra. Em curto tempo, comete erros grosseiros; mas, a três anos de distância, é de uma precisão impensável. Se não é alguma bola de cristal que recebeu por conta do IRS de um vidente, então o mágico é ele. O que significa coisa nenhuma, porque já ninguém acredita em mágicos.

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Menos conversa e mais acção

por João Carvalho, em 29.01.10

«O governo apresentará "em breve" a Bruxelas um Plano de Estabilidade e Crescimento que "dará a indicação clara" de que vai seguir políticas que garantem a redução do défice.» Por outras palavras: uma indicação clara para escamotear uma situação negra?

Ora, Bruxelas já deve saber algumas histórias sobre o cumprimento de promessas do governo que temos. Por isso, talvez fosse melhor menos indicações e mais indicadores. Em suma: menos palavras e mais trabalho.

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A língua acrobática dos gurus

por João Carvalho, em 27.01.10

Gosto sempre de ouvir as explicações oficiais sobre os supostos méritos do projecto do Orçamento de Estado, minuciosamente descritas pelos seus insuspeitos autores. Destaco dois aspectos desde já, os quais não fogem à regra número um: utilizar muito tempo de antena com amplo recurso à linguagem acrobática que for possível.

► O primeiro é a pretendida descida de «um ponto percentual» do défice, de 9,3 por cento para 8,3 por cento. Na minha condição de leigo, jamais conseguirei abarcar a diferença subtil entre "um ponto percentual" e "um por cento", minudência que encontro nos financeiros.

► O segundo aspecto é sobre a diminuição gradual do número de funcionários públicos, através da admissão de um único funcionário por cada dois que saem (método já conhecido como "dois-por-um"). Dizem os gurus institucionais que vai ser «reforçada a medida do 'dois-por-um'». Reforçada? Não entendi. Não vejo como se reforça uma medida que já vigora faz tempo e não é alterada. Por cada dois gordos que saem só entra um magrinho, é isso?

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P'ra pior já basta assim

por João Carvalho, em 27.01.10

O ministro das Finanças levou a proposta do Orçamento de Estado ao Parlamento. Portugal precisa de baixar o défice para três por cento até 2013. Teixeira dos Santos garante que vai já este ano baixar (repito: baixar) um por cento em relação ao ano passado, para que o défice de 2010 desça (repito: desça) aos 8,3 por cento.

Já liguei ao James Cameron a pedir uns óculos do Avatar, para saber se estou a ver bem a coisa. Só tenho medo que a 3D seja pior do que me parece.

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Nacionalizações

por Jorge Assunção, em 17.08.09

O Público, na edição de hoje, dedica duas páginas ao tema das nacionalizações, que voltou à agenda devido ao caso do BPN, mas também porque PCP e BE estabeleceram a nacionalização de alguns sectores como proposta nos seus programas.

A propósito do tema, Louçã refere que os lucros da EDP e da Galp seriam "suficientes para equilibrar as contas públicas num país com um défice orçamental crónico". Curioso, como é que Louçã nacionalizaria as duas empresas para que os lucros desta revertessem a favor do Estado? Não teria isso impacto negativo no défice orçamental? Se calhar teria, talvez por isso o mistério, uma vez que como conta o Público, "PCP e BE são vagos quando chamados a explicar como se desenrolariam, na prática, estes processos de indemnização". O comunista Octávio Teixeira, com alguma sinceridade, admite que "numa primeira fase" o Estado teria de recorrer ao aumento da dívida pública ou financiamento bancário. Como sabemos, problemas com endividamento excessivo é coisa que o Estado português não tem. E os juros da dívida pública não teriam qualquer impacto no défice orçamental, o tal que é crónico e Louçã pretende equilibrar. Demagogia em estado puro.

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Aumento dos impostos

por Jorge Assunção, em 12.05.09

Diz a TSF que Lobo Xavier defende aumento dos impostos alargado a todos os contribuintes, sendo explicado no corpo da notícia que "o fiscalista, apesar de ressalvar que quer apenas responder a uma tendência socialista de aumento de impostos, gostaria, caso isso aconteça, que todos levassem pela mesma tabela". A reportagem é do jornalista Emídio Fernando, o mesmo autor do texto que o André Couto tinha feito referência aqui. Gostaria? Será mesmo isso que Lobo Xavier disse? Obviamente que não. O que é dito é que em caso de combate ao défice via subida dos impostos (refira-se que Lobo Xavier defende a diminuição da despesa), esta irá verificar-se para todos os contribuintes, ou seja, pensar que ficará limitada aos ricos é pura ilusão. Não se trata, portanto, de uma questão de gosto, mas tão só de uma inevitabilidade. Lobo Xavier procura chamar a atenção para aquilo a que Luís Campos e Cunha há uns dias fazia referência nas páginas do Público, dizia o ex-ministro das finanças que vamos ter um "aperto orçamental, para 2011 e anos seguintes, nunca visto na história da democracia portuguesa". Campos e Cunha dizia também que o aumento dos impostos estava "fora de causa", por isso previa que fosse a despesa a sofrer uma redução. Lobo Xavier, por outro lado, refere uma previsível "tentação muito grande" para usar os impostos no combate ao défice e é para isso que alerta. A avaliar pela história recente, acredito que é Lobo Xavier quem acerta, muito embora Campos e Cunha tenha razão. Claro que podemos sempre acreditar nas palavras do querido líder, quando questionado sobre os previsíveis sacrifícios futuros, respondeu que o "défice será reduzido com estabilizadores automáticos, não é preciso pedir sacrifícios especiais a ninguém". O primeiro-ministro tem parcialmente razão, mas está aqui espelhado o pensamento do optimista permanente, espero que por esta altura os eleitores já tenham percebido onde este tipo de pensamento nos colocou.

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Por uma questão de coerência

por José Gomes André, em 04.05.09

Parece que o défice de 2009 será de 6,5%, e o de 2010 de 6,7%. Será que o PS vai ficar "chocado" com estes números, à semelhança de outros tempos?

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