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O palácio a arder

por João André, em 29.06.15

Quando o Syryza foi eleito governo terão soado as campainhas de alarme em Bruxelas e Berlim (e Amesterdão, já agora). Quando Tsipras e Varufakis andaram a passear ideias limite pela Europa em alegres passeios, as reuniões terão começado com um objectivo: trazê-los à terra. Havia esperanças e um ou outro sinal de abertura iriam nesse sentido. Quando Tsipras e Varufakis demonstraram a sua completa inabilidade política e diplomática, o objectivo tornou-se um e um só: fazer um exemplo da Grécia.
Que tipo de exemplo não faz muita diferença, na realidade. Ou os gregos aceitariam as propostas iniciais das "instituições" sem qualquer alteração e assim levariam à queda de tão radical governo; ou então deixar-se-ia cair o próprio país. Foi esta opção que, com a colaboração de Tsipras, acabou "escolhida".
A esmagadora maioria dos comentários que leio vão no sentido de culpar a "Europa" (pode até ser o FMI, ou o BCE, ou Merkel, ou o senhor X que fez a folha de Excel) ou de culpar os gregos (os extremistas do Syryza, os abusadores do passado, os radicais disto ou aquilo). (In)felizmente existe culpa suficiente para distribuir: das "instituições" por tratarem a Grécia como uma folha de Excel onde as pessoas serão pouco menos que células; dos líderes europeus que nunca se preocuparam com a Europa em si mesmo mas apenas e só com a próxima eleição; do acutal governo grego que julgou que a Europa era uma manif mas em grande e com alguns tipos de gravata; dos governos gregos antigos que fizeram pela vida dos amigos e trataram a UE como uma cornucópia; dos diversos líderes europeus dos últimos 20 anos que não souberam assumir a construção europeia como ela precisava de ser assumida; (continuem a preencher, isto pode levar muitos outros alvos e nem importa de que lado vocês se posicionem, a vossa atribuição de culpas estará muito provavelmente correcta).
No meio disto tudo há um povo que será culpado de ter feito pela sua vida perante as circunstâncias que lhes eram oferecidas. Culpar os gregos não faz muito sentido: seria como culpar quem faz compras numa loja que anuncia dumping. Só que é esse mesmo povo que agora irá sofrer com a estupidez, ganância e mesquinhez dos líderes europeus (incluindo os seus próprios). Estas cimeiras deveriam ter sido feitas com a intenção de lhes minorar esse sofrimento. Não houve essa preocupação. Agora que o palácio está em chamas, ninguém se preocupa com os habitantes, apenas com quem deixou o gás ligado e a tostadeira ligada.
E agora? pelo que tenho lido de toda a gente que faz previsões: ninguém sabe. Podem uns, outros ou ninguém ter razão. Da minha parte não faço ideia. Sei que haverá quem lamba os beiços e quem avalie os méritos da varanda do quinto andar e cobice acesso à do décimo. A ver vamos onde chegarão as chamas e se haverá bombeiros disponíveis.

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O desacordo de perdição nacional.

por Luís Menezes Leitão, em 19.07.13

 

Sempre me pareceu que este desfecho era inevitável. É por isso óbvio que os partidos fizeram uma triste figura em aceitar a imposição do presidente para uma reunião tripartida, na qual acho que nem sequer ele acreditava. Na verdade, parece-me que tudo isto não passou de uma encenação para Cavaco demonstrar que não assinava de cruz a proposta de remodelação do Governo.

 

Como bem foi salientado por inúmeros militantes, o PS não podia aceitar agora dar a mão ao governo, a não ser que a sua direcção se quisesse suicidar. Ao contrário do que Soares afirmou, nunca esteve em causa uma cisão no PS, mas apenas a defenestração de Seguro, inevitável se este subscrevesse o acordo. A saída de inúmeros deputados depois da votação da moção de censura foi aliás um recado claro sobre o que se iria passar a seguir.

 

O PSD e o CDS também não podiam aceitar o presente envenenado que Cavaco queria dar a Seguro de marcar eleições no prazo de um ano. Efectivamente, nessas condições ninguém quereria ir para o Governo, nem o Governo teria coragem de fazer as reformas absolutamente necessárias e que já há muito deveriam ter sido feitas. Acresce que, se houvesse acordo, daqui a um ano seria provavelmente António Costa quem lideraria o PS, combatendo sem quartel os partidos da maioria a partir de Lisboa.

 

É por isso que um acordo entre os três maiores partidos seria sempre impossível, pelo menos nos termos que Cavaco queria. Os três partidos, no entanto, não quiseram ficar mal na fotografia e envolveram-se nestes últimos dias num verdadeiro jogo de sombras, simulando uma negociação que já se sabia que não iria dar em nada, apenas para tentar atirar para o outro as culpas do fracasso.

 

Custa-me ver, no entanto, o Presidente e os partidos a fazerem os eleitores de parvos. Nunca o Presidente deveria ter proposto semelhante aberração política e, se o tivesse efeito, os partidos deveriam tê-la liminarmente rejeitado. E não é por se chamar de salvação nacional que este compromisso mereceria a mínima credibilidade. A seguir ao 25 de Abril também se constituiu uma Junta de Salvação Nacional. A mesma foi logo substituída por um Conselho da Revolução que mergulhou o país no PREC.

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A coisa aqui está preta.

por Luís Menezes Leitão, em 18.07.13

 

Os acontecimentos dos últimos tempos fazem-nos perguntar se é possível existir um país assim.

 

Primeiro o Presidente não aceita uma remodelação governamental e propõe eleições a prazo, mas ao mesmo tempo propõe qie cheguem a acordo três partidos que ultimamente não se têm entendido sobre coisa nenhuma.

 

Um partido que não existe, e só tem dois deputados, apresenta uma moção de censura no Parlamento. Quer a maioria quer a oposição aplaudem a iniciativa que consideram clarificadora. O maior partido da oposição acha normal estar simultaneamente a negociar com os partidos do Governo e a censurar o Governo. Já o Governo acha que a moção de censura do partido inexistente reforça a sua legitimidade.

 

Entretanto o Presidente mostra que tem outras prioridades. Afasta-se da confusão do continente e vai para as Selvagens agarrar calca-mares e anilhar cagarras. A não ser que a iniciativa seja um estágio para aprender a agarrar os partidos e anilhar os seus dirigentes, não se percebe a sua utilidade neste momento. Mas os Portugueses já se habituaram a considerar insondáveis os desígnios do Presidente.

 

Como cantava o Chico Buarque: "Uns dias chove, noutros dias bate o sol. Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui está preta". Alguém transmita esse recado ao Presidente.

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