Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



A luz ao fundo do túnel

por Pedro Correia, em 30.12.15

Portugueses gastaram mais 289 milhões de euros em compras de Natal

Autoria e outros dados (tags, etc)

2011: breve cronologia da crise

por Pedro Correia, em 16.09.15

1. «O cenário de ajuda externa é um cenário de último recurso. Farei tudo para evitar que isso aconteça.»

José Sócrates em entrevista à RTP (segunda-feira, 4 de Abril de 2011)

 

2. «É urgente pedir um empréstimo intercalar já.»

Ricardo Salgado, presidente do Banco Espírito Santo, em entrevista à TVI (terça-feira, 5 de Abril)

 

3. «A notícia é falsa. Não passam de rumores sem fundamento.»

Gabinete do primeiro-ministro, reagindo à notícia do Financial Times sobre um pedido de ajuda de Portugal à União Europeia (manhã de quarta-feira, 6 de Abril)

 

4. «É necessário recorrer aos mecanismos de financiamento disponíveis no quadro europeu.»

Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos (quarta-feira, 7 de Abril, 18 horas)

 

5. «O Governo decidiu hoje dirigir à Comissão Europeia um pedido de assistência financeira, por forma a garantir condições de financiamento a Portugal.»

José Sócrates em comunicação ao País (quarta-feira, 7 de Abril, 20.30)

Autoria e outros dados (tags, etc)

A luz ao fundo do túnel

por Pedro Correia, em 14.07.15

Produção industrial em Portugal regista terceira maior subida da União Europeia

Autoria e outros dados (tags, etc)

A luz ao fundo do túnel

por Pedro Correia, em 19.06.15

Portugal volta a liderar o crescimento das vendas de carros na Europa. Em Maio foram comercializados em Portugal 18.343 automóveis ligeiros de passageiros, o que suplanta os 13.782 carros vendidos no mesmo mês de 2014. As vendas cresceram 33,1% em termos homólogos, a maior subida de toda a União Europeia. Nos primeiros cinco meses deste ano, as vendas acumuladas em Portugal totalizaram 79.585 veículos, o que representa um crescimento de 32,5% face ao mesmo período de 2014.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Falharam

por Pedro Correia, em 22.04.15

Previram uma irreparável "espiral recessiva". Não houve.

Previram um ameaçador "programa cautelar". Nunca apareceu.

Previram um  "gigantesco risco sistémico" no sistema financeiro português. O colapso jamais ocorreu.

Previram um inquestionável "segundo resgate". Ninguém o vislumbrou.

Previram até, com ênfase de profissão de fé, a saída de Portugal do euro. Que só existiu em sonhos. Ou pesadelos.

 

Durante um par de anos levámos com todos estes profetas da desgraça, num concurso de cassandras levado ao domicílio antes, durante e depois dos telediários. Dia após dia, noite após noite.

Nunca ninguém lhes pedirá contas sobre o imenso rol de profecias falhadas. É o que lhes vale.

 

Mas a maior prova desse falhanço está no pacote de medidas de carácter económico que o PS acaba de desvendar para um hipotético executivo a sair das eleições do Outono. Os socialistas - ultrapassando agora o  Governo (2,3%) e o  Banco de Portugal (1,9%) em optimismo - antecipam um crescimento médio anual da economia portuguesa de 2,6% no período em que vigorar a próxima legislatura.

Contagiados por este optimismo, que avaliza afinal o desempenho do executivo ainda em funções, os do costume - aqueles que falharam todas as previsões - voltarão aos jornais de sempre e às televisões da praxe a dar o dito por não dito. Só nessa matéria conseguem ser exímios.

 

Leitura complementar:

Cautela. De Vital Moreira, na Causa Nossa.

O irrealismo dos cenários macroeconómicos do governo e do PS. De Ricardo Paes Mamede, no Ladrões de Bicicletas.

Texto do PS: boa jogada política a curto prazo mas sem credibilidade económica. De Luís Salgado de Matos, n' O Economista Português.

PS prescinde de quase 1% do PIB no Orçamento e diz que baixa défice. De Sérgio Aníbal, na Economia Info.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Isto que nos tem

por Teresa Ribeiro, em 20.04.15

"Dificilmente escaparemos ao degredo do baixo crescimento sem que duas coisas aconteçam: concorrência que dê cabo da má gestão dos instalados (e, já agora, nós também pertencemos ao lóbi dos instalados se queremos manter as nossas pensões à custa de cortar drasticamente as daqueles que ainda não começaram a trabalhar); e políticas macroeconómicas assimétricas na União Europeia, vulgo a Alemanha aumentar os salários e promover a importação de produtos de países como Portugal. Ainda não ouvi melhor medida do que a que Roubini uma vez metaforizou: que Merkel desse um cheque de mil euros a cada alemão para passar férias no Algarve.

Se não tivermos isso, o que temos é isto. Isto que nunca mais acaba, esta matança lenta de uma sociedade exausta e rasgada, que consome o presente dos velhos e o futuro dos jovens. Não é isto que queremos mas é isto que temos. Ou, pensando bem, é isto que nos tem a nós." - Pedro Santos Guerreiro, na última edição do Expresso papel.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Leitura recomendada

por Pedro Correia, em 18.03.15

A retórica do crescimento. De Manuel Villaverde Cabral.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Draghi e a Yellen deviam ouvir este chinês

por José António Abreu, em 06.02.15

E depois não se diga que as agências de rating não avisaram.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Vanguarda suíça ou o Draghi dos Cantões

por José António Abreu, em 16.01.15

O Banco Central da Suíça deixou ontem de defender a cotação do franco em relação ao euro, que desde 2011 mantinha em torno de 1,2. O franco valorizou quase 20%. Há três possíveis explicações para esta decisão:

 

1. Num país onde muitas vozes se opõem a políticas de estímulos financeiros (e onde até já se fez um referendo questionando os suíços acerca da conveniência do banco central reforçar as reservas de ouro), o Draghi dos Cantões pretendeu validar a posição mantida nos últimos anos (durante os quais comprou Eigers, Matterhorns e Jungfraus de euros com francos fresquinhos), mostrando aos cépticos quais as consequências de deixar os mercados funcionar livremente (atitude que, refira-se, muito desagradou a vários agentes dos mercados). Como tudo não passa de uma brincadeirinha (esta hipótese pressupõe que os banqueiros centrais têm sentido lúdico mas convém despachar a teoria da conspiração logo no início), deverão ser anunciadas medidas em sentido contrário a muito breve prazo.

 

2. Sabendo que o BCE vai iniciar um programa de compra de dívida, o Draghi dos Cantões (a minha inércia impede-me de lhe pesquisar o nome) decidiu que o esforço necessário para continuar a assegurar a cotação do franco era suicidário e abandonou o barco dos que acreditam que os estímulos financeiros vão resultar, aceitando as perdas a curto e médio prazo para os sectores exportadores da economia suíça.

 

3. Prevendo que o BCE não possa – ou, apesar de todos os soundbites em sentido inverso, não queira – iniciar o programa de compra de dívida, o Draghi dos Cantões (que, aposto, não fala cantonês) antecipou a subsequente queda do euro para, permitindo agora uma valorização do franco, conseguir que, apenas por acção dos mercados, ele acabe o processo com uma cotação não demasiado penalizadora para as exportações suíças.

 

No caso de qualquer uma das duas últimas hipóteses ser a verdadeira, a mensagem do Draghi dos Cantões é tão cristalina como pingentes de gelo em chalé alpino: o esquema de Ponzi com que tantos bancos centrais andam entretidos não funciona e tem de acabar. Esperemos que ele seja apenas um suíço pessimista.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Portugal, passado e futuro próximos

por José António Abreu, em 06.01.15

A grande diferença entre Portugal e a Grécia foi que, aqui, houve uma coligação de governo que, sob escrutínio do Presidente, durou e sustentou o ajustamento durante quatro anos. A actual maioria de direita teve ainda este efeito fundamental: dispensou o PS de se comprometer e deu-lhe uma razão para se impor, à esquerda e entre os descontentes, como o líder necessário de uma maioria alternativa. Deste modo, os partidos tradicionais do regime retiveram os seus eleitorados, sem deixar muito espaço até agora para novos populismos e extremismos.

[…]

Convém não esquecer como isto começou. O projecto do Euro pressupunha uma nova fase de modernização das sociedades inflacionistas do sul da Europa. Em vez disso, o crédito barato do euro serviu para alimentar o endividamento e adiar o confronto com os parasitismos (sindicais, empresariais e corporativos). O resultado foram economias ainda menos competitivas e sobrecarregadas com a incerteza das dívidas.

A questão continua a ser política: é preciso que o regime, se quer preservar o quadro da moeda única, adquira o poder necessário para resistir ao facilitismo e contrariar os interesses instalados. Ora, neste momento aproximamo-nos do prazo de validade das condições de estabilidade dos últimos quatro anos. Em 2015, a actual maioria pode não ser renovada. Em 2016 o Presidente será necessariamente substituído. Como será encontrada uma “solução governativa estável, sólida e consistente” numa assembleia em que, por hipótese, nem a aliança do PSD e do CDS, nem o PS sozinho possam garantir uma maioria absoluta?

Rui Ramos, no Observador.

 

E depois há a questão do PS, garantindo uma maioria absoluta, ter de esquecer o futuro cor-de-rosa com que anda a acenar (enfim, Costa pode sempre torcer para que a Grécia conquiste para os países do Sul o direito ao laxismo orçamental, à custa de transferências massivas de fundos a partir dos do Norte) e continuar (ou, em alguns casos, iniciar) reformas que actualmente contesta. A mudança (implícita no texto de Rui Ramos) apenas surpreenderia os ingénuos do costume mas são eles que lhe podem dar a vitória nas legislativas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A luz ao fundo do túnel

por Pedro Correia, em 05.01.15

Venda de carros aumentou quase 40% em 2014.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A deflação não é ter preços mais baixos. A deflação é as pessoas não consumirem, depois as lojas baixarem os preços porque ninguém compra, depois as empresas despedirem os seus funcionários, e depois irem à falência. Lavar e repetir. Menos consumo leva a preços mais baixos que leva a mais desemprego que leva a menos capacidade de consumo. Se isto não é claro, não se preocupem; vê-lo-ão tanto que não conseguirão que vos passe despercebido.

E não pensem que os EUA estão imunes. A maioria das vendas da Black Friday e do Natal serão plástico, i.e., mais dívida, e mais dívida significa menor capacidade de consumo no futuro. A não ser que se possua uma economia crescendo suavemente, mas isso não sucederá quando a Europa, o Japão e em breve a China se encontrarão em deflação.

E, sim, petróleo a 50-60-70 dólares o barril acelerará o processo. Mas não será a causa principal. A deflação era um ingrediente do bolo desde o momento em que a desalavancagem de dívida em larga escala se tornou inevitável, e podem escolher qualquer instante entre a administração Reagan, que primeiro começou a subir os níveis da dívida, e 2008 para isso. E todos os estímulos combinados dos bancos centrais apenas significarão maior necessidade de desalavancagem em cima da que já existia. 

No ZeroHedge. Tradução e destaques meus.

 

Os optimistas acreditam que os estímulos dos bancos centrais levarão à concessão de mais crédito, que este conduzirá a mais consumo, que o consumo gerará crescimento económico suficiente para subir a taxa de inflação e reduzir o nível de endividamento existente na maioria dos países ditos desenvolvidos. Alguns optimistas um pouco menos optimistas, como os que definem a linha editorial da The Economist, acrescentam à política monetária agressiva a necessidade de reformas estruturais um pouco por todo o lado e de políticas fiscais expansionistas onde tal ainda se revelar possível. Por seu turno, os pessimistas acreditam que a «desalavancagem» (certos termos nunca deveriam extravasar do universo técnico onde nasceram) é inevitável, dado grande parte do crescimento das últimas décadas ter sido obtido precisamente através do aumento da dívida (pública e privada), que a acção dos bancos centrais só está a adiar e agravar o problema, gerando uma bolha nos mercados financeiros que pode estoirar a qualquer momento, que não há forma de sair disto sem um empobrecimento colectivo de vários anos (que já começou mas irá piorar). No que me diz respeito, tendo ainda por cima perdido quase todas as esperanças na capacidade de vários países levaram a cabo reformas estruturais significativas, estou no campo dos pessimistas. E se esse posicionamento permite a vantagem intrínseca do pessimismo (não ser apanhado de surpresa), não evita que se sofram as consequências nem permite usufruir da bênção de um período de inconsciência.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Números

por José António Abreu, em 18.11.14

Blog_PIB1.jpg

Aproveito o facto de ter mencionado a Finlândia no texto anterior para voltar a esta tabela. Publiquei-a há quase dois anos, acompanhada da frase «se em 2013 o PIB português cair menos de 3% e em 2014 já crescer qualquer coisinha poderemos dar-nos por muito satisfeitos». Sempre achei curioso o post não ter suscitado um único comentário. Pois bem, apesar de tudo, podemos dar-nos por satisfeitos: entre 2011 e 2013 o PIB português caiu cerca de 60% do que caiu o finlandês entre 1991 e 1993 (dados actuais do FMI: -1,3/-3,2/-1,4 contra -6,0/-3,5/-0,8) e caiu igualmente menos do que qualquer dos restantes casos apresentados na tabela. Se é verdade que, no primeiro ano de recuperação, o PIB finlandês cresceu 3,6% e o português deverá crescer aproximadamente 1%, nessa altura a taxa de desemprego na Finlândia ainda andava pelos 16,6% e apenas desceu dos 14% no terceiro ano de crescimento do PIB. Pertencer à União Europeia (esse monstro incapaz de solidariedade a que a Finlândia aderiu logo a seguir) e ao euro (que diminui o ritmo da recuperação mas aumenta as probabilidades de que ela seja sustentável) é de facto trágico.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A corda cada vez mais esticada

por Pedro Correia, em 20.10.14

Gabriel_Viegas_-_Maya_-_xadrez[1].jpg

O cenário está longe de ser brilhante. A Europa em risco de enfrentar a terceira recessão desde 2008, a Grécia às portas de outra intervenção financeira externa de emergência, italianos e franceses incapazes de cumprir as metas do Tratado Orçamental que dita as condições de sobrevivência do euro, perspectivas de estagnação da economia da Alemanha (principal parceira económica de Espanha, por sua vez principal parceira económica de Portugal).

Enquanto isto acontece, PSD e CDS enfrentam-se irresponsavelmente por interpostas notícias de jornal a ver quem estica mais a corda antes de rebentar, deixando antever uma coligação em estado pré-comatoso. O assunto do momento é qual dos partidos poderá beneficiar mais com os efeitos mediáticos de umas quantas migalhas fiscais, invocadas sem sombra de pudor ao fim de quase quatro anos de sacrifícios colectivos. Isto enquanto a esquerda mais extrema persegue sem fadiga a quadratura do círculo, exigindo em simultâneo o reforço das prestações sociais e a redução de impostos.

Tudo isto se desenrola na espuma dos dias como se o monstro da dívida pública não permanecesse incontrolado. Como se a despesa do Estado não cessasse de aumentar. Como se houvesse petróleo ao largo das Berlengas. Como se jogássemos uma tranquila partida de xadrez na Bizâncio sitiada.

Autoria e outros dados (tags, etc)

As conclusões são minhas

por Sérgio de Almeida Correia, em 27.09.14

"Assim devera eu ser:
de patinhas no chão,
formiguinha ao trabalho
e ao tostão."

 

Depois de muito matutar, creio que partilho do ponto de vista (implícito) dos meus amigos que auferem despesas de representação.

Em rigor, isto devia tudo funcionar apenas com despesas de representação. Qualquer que fosse o montante em causa. De preferência dedutíveis na totalidade em sede de IRS. Dez milhões de portugueses a receberem o salário mínimo e auferindo despesas de representação que incluíssem água, luz, as propinas dos filhos, o seguro de saúde, a renda de casa, a ajuda ao Banco Alimentar, o bilhete de época no Estádio do SLB, o carro, a gasolina, a conta do Elefante Branco e do Gigi e os copos em Bruxelas. De preferência pagas por uma ONG. Do Panamá. Gerida pelo Dr. Salgado ou por aquele senhor do Pingo Doce.

Maria Luís Albuquerque devia pensar nisto. O sonho de todos os portugueses é viver só com a representação. Só com o palco. Para poder colocar todo o salário em certificados de aforro. Numa espécie de modelo cor-de-rosa. Como as revistas. E com um cartão de crédito, de preferência dourado ou platina, dessa mesma ONG, que contasse milhas até se chegar ao pacote das Maldivas. Ou da Manta Rota. E depois com a reforma toda em despesas de representação. E em tacos de golfe e senhas para análises e ecografias. Lá chegaremos. O próximo passo, para já, será converter robalos, charutos e isqueiros Dupont em despesas de representação. E depois pedir pareceres à PGR sobre a qualidade do peixe, o grau de humidade dos charutos ou o nível de gás nos isqueiros.

Num país de grilos e cigarras, a formiguinha do O'Neill encarna sempre em artistas da representação. Nunca há mais ninguém disponível. O La Féria devia estar dopado.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Alguma coisa deve recear o BCE para no início deste mês ter colocado no terreno toda a artilharia pesada. O objectivo das medidas (novo programa de injecção monetária no sector bancário e compra de activos titularizados, incluindo créditos ao sector imobiliário) é combater uma situação pré-deflacionária, em que a inflação subjacente para o conjunto da zona euro é de 0,9%, para situá-la em torno dos 2%. Mas confundir a inflação resultante de um desajustamento temporal dos factores de produção quando a economia cresce impulsionada por uma procura robusta, com a taumaturgia de que aumentando a massa monetária e desencadeando um processo inflacionário conseguiríamos espicaçar a procura, isso, lamento, é absurdo.

 

Mas o dislate é apenas aparente, porque as medidas monetaristas adoptadas em 4 de Setembro são apenas o álibi que permite a Draghi enviar a sua verdadeira mensagem: com estas medidas esgotámos todos os cartuchos de que dispomos e que são permitidos pelos estatutos do BCE para estimular a procura pela via monetária; a partir de agora toca aos políticos empreender as reformas necessárias para relançar a economia. Sem reformas estruturais profundas e corajosas as políticas monetárias por si só não nos tirarão do marasmo generalizado em que a UE se encontra. É necessária uma política concertada de reformas a nível europeu, com metas e mecanismos claros de implementação, para superar a presente situação de empobrecimento progressivo. Em Portugal fez-se alguma coisa, mas muito pouco. Qualquer tentativa de reforma esbarra na constituição ou provoca o levantamento dos "defensores" do Estado Social, quando é precisamente o imobilismo face às mudanças na sociedade e no mundo que o faz perigar.

 

Só um programa de reformas europeu poderá romper os escolhos de políticas nacionais de vistas curtas e populistas, mais interessadas em cortejar votantes que em sanear estruturas e mecanismos obsoletos. Um novo Pacto de Estabilidade e Crescimento. Uma concertação indispensável para cimentar solidamente uma prosperidade que nos permita continuar a pagar o Estado Social de que beneficiamos, que constitui um dos grandes feitos da Europa e é talvez, a par do humanismo, o nosso maior património.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A decadência da Europa

por Rui Herbon, em 15.09.14

Há motivos para aceitar como algo inevitável que a Europa não recuperará das tensões provocadas pela crise e pelo extenso sentimento de que estamos no fim de um ciclo que deslocará em definitivo a centralidade do mundo para a Ásia e o Pacífico. Mas isso não vai ocorrer da maneira imediata. Arnold Toynbee estabeleceu a teoria cíclica das civilizações que nascem e morrem em companhia dos séculos que as vão sepultando. Mas as correntes de fundo que movem as culturas e os impérios não param abruptamente. 

 

Faz agora cem anos, em vésperas da Grande Guerra, Oswald Spengler concluiu a sua obra "A decadência do Ocidente", na qual expunha que as civilizações tinham ciclos de vida naturais e que o mundo ocidental havia chegado ao seu ocaso. Nas sociedades abertas e livres, a tendência para enegrecer o futuro é um recurso frequente que conduz ao pessimismo e a situações de medo colectivo. Já se sabe que o medo não é sobre o que vivemos ou sofremos, mas sobre as incertezas que os nossos presságios projectam. No Ocidente em geral, e na Europa em particular, onde o nível de vida continua a ser muito superior ao da média, parece que entrámos já, por antecipação, nesse espaço de grande sofrimento que pressagiamos. Mas o futuro reiventa-se permanentemente e todas as previsões para uma tão grande escala de tempo, espaço, economia, população, etc, são precipitadas. 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A luz ao fundo do túnel

por Pedro Correia, em 04.09.14

Competitividade: Portugal sobe 15 lugares no ranking mundial

Autoria e outros dados (tags, etc)

Penso rápido (42)

por Pedro Correia, em 21.08.14

Nunca os economistas estiveram tanto em voga: quanto maior é a crise, mais rivalizam com os futebolistas enquanto campeões da permanência nos ecrãs televisivos. A esmagadora maioria limita-se a dizer-nos o que todos já sabemos, embora o diga com indisfarçável convicção: que as coisas estão más, que a situação é difícil, que a recuperação será lenta e penosa, que os problemas sociais poderão multiplicar-se, que a criação de emprego é um objectivo prioritário mas de concretização problemática.

Ouço este corrupio de génios a desfilar na pantalha, noite após noite, e questiono-me por que motivo não terão eles surgido com a sua palavra avisada e esclarecida quando o rumo dos acontecimentos era ainda incerto e a prosperidade parecia prolongar-se em rota ascendente, ao contrário do que sucedeu depois.

Há um velho aforismo que me vem à memória em momentos destes: depois da batalha, todos somos generais.

E lembro-me de outro: Deus criou os economistas para que os meteorologistas tivessem credibilidade.

Estamos bem entregues com tantos génios a velar por nós.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A próxima

por José António Abreu, em 18.08.14

Discute-se muito o tema «regulação» mas raramente até ao seu âmago. Na maioria das vezes, fica-se pela questão da regulação bancária ou do mercado de capitais. Garantir rácios adequados nos bancos e vigilância mais apertada dos fluxos de capitais seria importante se outro elemento não estivesse desregulado: a moeda. Em tempos, as notas que trazíamos no bolso estavam ligadas ao padrão ouro; hoje, só têm valor porque continuamos a acreditar que têm. Há muito mais dinheiro em circulação no mundo do que o valor dos bens que podem ser comprados - pelo menos ao seu valor actual. (Talvez se pudesse diminuir o diferencial acrescentando à lista de bens passíveis de compra itens como a honra, a fidelidade e a amizade mas até esses - num processo a que poderíamos chamar, para usar a terminologia económica tão em voga, «deflação dos valores morais» - parecem valer cada vez menos.) Ainda assim, os bancos centrais continuam a imprimir dinheiro e a fornecer garantias, estimulando não aquilo que gostariam de estimular (a produção de bens de consumo e os serviços que lhe estão associados, criando condições para a diminuição do desemprego e para o aumento de salários) mas aquilo que pode ser estimulado: o mercado de capitais e a «especulação» (bens já não fazem dinheiro; apenas dinheiro o consegue). A verdadeira e crucial regulação seria, pois, a da moeda. Um novo Bretton Woods, que a indexasse a alguma coisa tangível (num documentário passado recentemente na SIC Notícias sugeria-se o kilowatt-hora de energia renovável ou um cabaz de produtos adequado à economia de cada país). Mas pouca gente, da direita à esquerda, quer verdadeiramente pôr fim ao nível de especulação actual: por muitas assimetrias que vá produzindo, mantém a ilusão de riqueza. Qualquer correcção, incluindo esta, seria para baixo, pelo que se adia e se finge que tudo correrá bem. Assustador é pensar (mas pensar é quase sempre assustador) que podemos estar no limiar de uma nova crise financeira sem verdadeiramente termos saído da anterior (i.e., sem margem para novos cortes de rendimento) e com os bancos centrais atulhados de garantias sem valor e praticamente desprovidos de munições (circunstância que pelo menos os deverá impedir de, mais uma vez, adiar - e agravar - o problema). A próxima correcção vai ser a sério.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Agosto

por Teresa Ribeiro, em 17.08.14

Acho que não cheguei a dizer-te que a D. Idalina deixou a loja, reformou-se, e que agora está lá um indiano. E que a prima da Paula também vai emigrar. Foi tão pouco tempo, ainda tanta coisa por dizer, não deu para nada.

- Os dias passam a correr, qualquer dia já estás cá outra vez.

Já sinto saudades e ainda nem partiste. Quem dera ter já acabado as minhas férias, para não ficar a ver o tempo passar devagar, devagarinho, sem ti.

- Pois é, o tempo voa.

A Versailles agora tem esplanada, se calhar não viste. E o jardim do Campo Grande ficou pronto.

- Puseste o bilhete de avião e o passaporte na bagagem de mão?

- Estão aqui.

Não é isto que eu te quero dizer. Vais-me fugir outra vez e não consigo dizer-te o que quero.

- Logo telefono, quando chegar.

"Adoro-te", era isto que eu te queria dizer, mas não posso.

- Sim, não te esqueças.

Em 365 dias tenho-te vinte. É uma tortura.

- Felizmente temos o skype.

- Pois, no tempo em que não havia nada, só o telefone e as cartas do correio, era muito pior.

Mas e o teu cheiro? Onde é que no skype posso sentir o teu cheiro?

- Viste como está lá o tempo?

- Sim, dizem que também vai estar calor.

Sou uma piegas, isto é bom para ele. Toda a gente diz. Lá ganha 3000, aqui ganhava 700. É bom, dá-lhe currículo, dá-lhe mundo. É tão bom. Devia estar feliz, devia sentir aquilo que toda a gente diz que eu devia sentir. Estar orgulhosa e pensar que isto é uma aldeia global e que num instante estamos em qualquer lado e a começar uma nova vida e a ter muitas experiências. Aplicar a teoria à prática e por uma vez ser também empreendedora, forjar um amor menos exigente, mais flexível e 100% digital, para substituir este que me deixa a morrer de cada vez que o vejo, analógico e lindo, e volto a perder entre aviões.

- Levas o anti-inflamatório?

- Sim, vai na mala de porão.

É bom!I like, like, like, like it.

- Bem, tenho de ir.

O pior nem é estares lá, mas saber que "nunca mais volto a viver aqui, mãe". Que nunca mais voltas a viver nesta merda de país.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Como é que se costuma dizer?

por José António Abreu, em 31.07.14

Quem contrai dívidas de 400 mil euros em seu nome junto de um banco arranja um problema a si próprio se não as conseguir pagar. Quem contrai dívidas de 400 milhões de euros em seu nome junto de um banco arranja um problema ao banco se não as conseguir pagar.

É mais ou menos isto. Mas agora também:

Quem contrai dívidas de 4 mil milhões de euros em nome do banco que dirige arranja um problema ao banco, ao governo e aos contribuintes se não as conseguir pagar.

E ainda:

Quem contrai dívidas de 140 mil milhões de euros em nome do país que dirige arranja um problema aos governos seguintes, aos bancos e aos contribuintes se… não, peço desculpa, neste caso a culpa é dos credores e o problema deve ser-lhes remetido via recusa de pagamento total ou parcial – um processo indolor, como se sabe (vide Argentina há uma dúzia de anos e, de novo, na noite passada).

Autoria e outros dados (tags, etc)

Salários reais dos portugueses caíram 10% desde 2010.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Os gananciosos do costume

por José António Abreu, em 24.07.14

É um bonito cenário, o avançado neste artigo do Diário Económico. Um cenário que talvez devesse fazer pensar que um crescimento económico reduzido, com ou sem deflação, poderá não ter apenas inconvenientes. Preferimos crescimento anémico razoavelmente baseado na realidade ou o ciclo de bolhas especulativas (e, quando rebentam, destrutivas) que tantos dos seus críticos parece afinal favorecer, ao defenderem políticas monetárias expansionistas?

 

Mas, evidentemente, a concretizar-se um cenário deste tipo, a responsabilidade não será dos bancos centrais que, pressionados por governos sediados um pouco por todo o globo, por capitalistas desejosos de lucro rápido, por socialistas e socialistas à esquerda de socialistas, por comentadores mais ou menos anónimos com agendas mais ou menos óbvias e por economistas galardoados com o Prémio Nobel, injectam há anos dinheiro especulativo na economia em nome do «crescimento». Será, como convém que seja, apenas de um dos grupos mencionados atrás: o dos gananciosos do costume.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sinais evidentes de que estamos a sair da crise - 9

por Teresa Ribeiro, em 23.07.14

Volta a disparar número de famílias que não paga a casa.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sinais evidentes de que estamos a sair da crise - 8

por Teresa Ribeiro, em 22.07.14

Candidatos ao ensino superior continuam a diminuir.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Coincidência de opiniões

por Rui Herbon, em 22.07.14

As teses de Zygmunt Bauman vão abrindo caminho sem ruído e sem que ninguém se alarme. O destino da liberdade e da democracia, diz o velho pensador, decide-se e estabelece-se no contexto mundial, e só a sua defesa em tal contexto tem possibilidades realistas de um êxito duradouro.

 

Existe um complot de medo que abarca milhões de pessoas. É um complot que já não se sustenta unicamente na perspectiva de que o Estado devore a sociedade mediante regimes dictatoriais, ou que a sociedade faça desaparecer o Estado mediante uma revolução de massas, mas na possibilidade de vir a ficar excluído ou marginalizado. A exclusão é o problema. Se o Estado Social se encontra hoje descapitalizado, se está em ruínas ou foi parcialmente desmantelado, é porque as principais fontes de benefícios do capitalismo se deslocaram da exploração da mão-de-obra fabril para a exploração dos consumidores.

 

O pensamento de Bauman não é o de um conspirador ou de um revolucionário. Contém um fio argumental que se baseia em que o poder já não está na política mas nos mercados e movimentos financeiros. Não partilho essa visão tão taxativa, mas é certo que ventos sopram nessa direcção.

 

Mas os seus argumentos coincidem com o que recentemente afirmou o papa Francisco: «instaura-se uma nova tirania invisível, às vezes virtual, que impõe de forma unilateral e sem remédio possível as suas leis e regras. Ademais, a dívida e o crédito afastam os países da sua economia real e aos cidadãos do seu poder aquisitivo real. A isto há que acrescentar uma corrupção tentacular e uma evasão fiscal egoísta que assumiram proporções mundiais. A vontade de poder e posse passaram a ser ilimitadas».

 

Opiniões convergentes vindas de posturas ideológicas diversas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sinais evidentes de que estamos a sair da crise - 7

por Teresa Ribeiro, em 21.07.14

Evolução dos preços prolonga ameaça de deflação.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sinais evidentes de que estamos a sair da crise - 6

por Teresa Ribeiro, em 20.07.14

Exportações a cair.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sinais evidentes de que estamos a sair da crise - 5

por Teresa Ribeiro, em 19.07.14

Cortes salariais ultrapassam desemprego nas causas para o sobreendividamento. No primeiro semestre 17 mil famílias pediram ajuda à Deco.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sinais evidentes de que estamos a sair da crise - 4

por Teresa Ribeiro, em 18.07.14

Devido à perda de clientes, o mercado português de transporte rodoviário de passageiros já vale menos de 600 milhões.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sinais evidentes de que estamos a sair da crise - 3

por Teresa Ribeiro, em 17.07.14

Trabalho não declarado representa 19,4% do PIB.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sinais evidentes de que estamos a sair da crise - 2

por Teresa Ribeiro, em 16.07.14

Chegam aos hospitais crianças e grávidas com fome.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sinais evidentes de que estamos a sair da crise - 1

por Teresa Ribeiro, em 15.07.14

Formação e estágios escondem reais valores do desemprego (isto para não falar dos part times que rendem por mês entre 100 a 200 euros, uma novidade que não chega para viver, mas com impacto muito positivo nas estatísticas).

Autoria e outros dados (tags, etc)

Admirável mundo velho

por Rui Herbon, em 01.07.14

Nos tempos áureos do império britânico, os diários de Londres enchiam as suas páginas com crimes cometidos nos subúrbios que bordejavam o Tamisa ou nos lugares mais remotos da velha Inglaterra. A política vivia em permanente crise devido à luta entre os conservadores de Disraeli e os liberais de Gladstone. A Irlanda era o problema interno mais complexo e acabou por tornar-se independente nos anos vinte do século passado, após muitas mortes, uma guerra civil e a partição da ilha. 

 

O capitalismo de inspiração manchesteriana seguia de vento em popa ainda que os seus excessos e abusos fossem relatados pelos jornalistas e escritores mais notáveis da época. Charles Dickens escrevia em diários e revistas. Tempos difíceis era um retrato das desigualdades sociais, mas foi em Oliver Twist que o escritor introduziu o romance social, fixando-se na extrema dureza em que viviam as crianças na Inglaterra vitoriana. O mundo dos hospícios, das fábricas em que trabalhavam crianças de tenra idade, a utilização de menores para cometer delitos, a usura e a corrupção atravessam as páginas de Dickens, que se tornou num autores com mais audiência.

 

Hoje as crianças entram no imaginário colectivo a golpe de pura estatística. A sua situação de pobreza não é relatada em jornais nem romances. Sabe-se que quase uma em cada três crianças em Portugal vive abaixo do limiar da pobreza. Uma estatística recente dá-nos conta de que o investimento médio na infância na Europa ronda os 2,2% do PIB. Em Portugal é ainda menos. Números crus e vagos, impessoais, como se se tratasse da inflação ou do rendimento per capita. A corrupção estrutural, o desemprego jovem, a pobreza e a exclusão social são ventilados de passagem nos discursos públicos. O que conta é a luta pelo poder, até no interior dos partidos. Nem sequer o voluntariado e as instituições que suprem estas carências parecem interessar. O que vende é o futebol (sobretudo o que tem pouco que ver com o desporto em si), a pimbalhice na avenida das lojas de luxo, a gravidez de uma e as mamas novas de outra. Contemplai, senhores, o esplendor de Portugal.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Da banalização da crise

por Teresa Ribeiro, em 20.06.14

Fala-se muito da banalização da violência a propósito do que vemos na TV, no cinema e na Internet, sem nos apercebermos de que as imagens que invocamos para teorizar de tempos a tempos sobre o assunto são também elas clichés. Aos palcos de guerra e histórias de banditismo que nos mostram nos telejornais e às cenas de crueldade dos filmes e desenhos animados esquecemo-nos de acrescentar as notícias sobre a miséria humana que nos chegam todos os dias a propósito dos efeitos da crise económica. Ao desemprego, à fome, à violência doméstica em crescendo, ao abandono dos velhos e às estatísticas que nos revelam assimetrias económicas e sociais que nos revoltam, chamamos coisas diferentes, mas não as agregamos sob a designação genérica de violência. E no entanto é o que isto é. Se não a pensamos nestes termos é talvez porque sendo tão próxima se torna insuportável para quem a vive classificá-la assim.

Enquanto janto, à hora dos telejornais, as imagens da Síria e do Iraque por vezes chegam-me difusas. É a banalização e a distância a produzir os seus efeitos. Os mesmos que se produzem nos decisores políticos e nos que por diversos motivos conseguiram passar pelos intervalos da chuva desta crise. Enquanto comem o bife já não vêem realmente o que corre no ecrã acerca das vidas que condicionam, regulam ou simplesmente lhes passam ao lado. Até porque à frente de um ecrã todos somos passivos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O diabo está nos detalhes

por Teresa Ribeiro, em 12.06.14

 

Ontem, no dia em que se soube que o grupo a que pertence o Diário de Notícias ia despedir 160 trabalhadores passei pelo Marquês de Pombal, depois de mais uma visita à Feira do Livro. E o que vejo a cobrir a fachada do edifício do DN? Um animado anúncio, com o slogan "O Diário das Festas", referindo-se às Festas de Lisboa, que agora começaram. Irónico. Mais que irónico, irritante, provocador, obsceno.

Alguém que habita a direcção do grupo pensou no efeito desta bestial dissonância entre o que agora se passa dentro das quatro paredes do edifício e o que a sua fachada anuncia? Talvez sim, talvez não. Em qualquer dos casos revela-se o mesmo: insensibilidade e falta de respeito pelas pessoas. E, note-se, não estamos a falar de uma empresa de lacticínios, mas sim de uma empresa de comunicação. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Mudam-se os tempos

por Pedro Correia, em 09.06.14

Mário Soares, Maio de 2010.

Sobre medidas impopulares do Governo PS: «São absolutamente necessárias, porque sem elas Portugal poderia ficar numa situação difícil e, até pior, sem meios para poder pagar aos seus funcionários.»

Sobre a austeridade: «Não sou só eu que acho que estas medidas de austeridade eram imprescindíveis. Também acha isso toda a Europa e todo o Portugal culto, que está informado das coisas.»

Sobre Pedro Passos Coelho: «Conheço Pedro Passos Coelho e considero-o um homem muito sensato, lúcido e com um grande sentido de Estado. E o que os políticos precisam de ter nesta altura é um grande sentido de Estado.»

 

Mário Soares, Maio de 2013.

Sobre medidas impopulares do Governo PSD-CDS: «É de loucos. E há quem pense que este Governo, anticonstitucional, está a destruir o país, o Estado social e a democracia, como é evidente, é legítimo porque foi eleito. Esquecerá, essa luminária, que Hitler e Mussolini também foram eleitos e isso não os impediu de produzir os estragos que são conhecidos?»

Sobre a austeridade: «Que pensam o primeiro-ministro e os ministros e secretários de Estado quanto ao futuro? Certamente julgam que vão poder fugir para o estrangeiro, porventura bem providos com o dinheiro que amealharam, enquanto o tiraram ao povo?»

Sobre Pedro Passos Coelho: «Grande demagogo, que cada vez que fala diz coisas diferentes e que tem prometido tudo e o seu contrário, ignorando os milhares de portugueses.»

Autoria e outros dados (tags, etc)

Os mesmos

por Pedro Correia, em 08.06.14

Os mesmos comentadores que há um ano consideravam "inevitáveis" as legislativas antecipadas vêm agora considerar uma "irresponsabilidade" a hipótese de antecipar as eleições.

Quem não conhecer que os compre. Eu conheço-os.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Largo dos ratos

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.06.14

O essencial da "crise" no PS já tinha sido dito por quase toda a gente. Desses textos de quase toda a gente fiquei na memória com um do João Miguel Tavares publicado no Público, de 29 de Maio p.p., com o sugestivo título de "Simplesmente patético". Hoje, o João Miguel reincide com "O Verão Quente de 2014", no que é muito bem acompanhado pela notável pena do José Vítor Malheiros. Confesso que depois de todas as desilusões dos últimos três anos prefiro ver a "crise" pelos olhos de quem está de fora. Não serve de conforto, é certo, mas pelo menos permite perceber que eu não precisava de óculos para ver o que se estava a passar. Difícil vai ser fazer a contagem dos ratos que correm desaustinados de um lado para o outro do convés, enquanto o barco adorna, por não saberem em qual dos botes salva-vidas terão mais hipóteses de sobreviver.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Mais um que vai ser proscrito pelos jotinhas que nos governam

por Sérgio de Almeida Correia, em 18.05.14

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ecos

por Pedro Correia, em 05.05.14

«A verdade é que Passos Coelho cumpriu com o que lhe foi exigido pela troika e pela Alemanha, permitindo que Portugal faça hoje boa figura. (...) Em substância pouco ou nada mudou na organização do país. Portugal só aparentemente está mais forte. Por isso, não é certo que o passo em frente, dado ontem, afaste de vez a hipótese de se dar uns quantos para trás dentro de alguns meses, na sequência de uma eventual mudança de conjuntura internacional. Esperemos patrioticamente que não.»

Eduardo Oliveira e Silva, director do i

 

«Pedro Passos Coelho, e Vítor Gaspar, primeiro, e Maria Luís Albuquerque, depois, ficarão na história, são os governantes responsáveis pelo caminho que se fez, com muitos tropeções, enganos e erros, alguns deles deliberados. Deram a António José Seguro o que o líder do PS exigia, a saída limpa. Há três anos, pedimos ajuda externa, há dois ou há um, ainda se falava em risco, real, de segundo resgate. Hoje, estamos no mercado. Devolveram a credibilidade externa ao País, qualquer que seja o ponto de análise, mesmo tendo em conta os números que estavam na primeira avaliação e os que existem hoje, seja de crescimento económico, desemprego, défice e dívida.»

António Costa, director do Diário Económico

 

«Não se pode dizer que o Governo não fez o melhor que podia e que sabia. Pedro Passos Coelho tem sido determinado e corajoso. Mas teria sido uma vítima da política se a política europeia não tivesse mudado. É aí que António José Seguro tem razão. A saída do programa de ajustamento tem este sabor amargo de ser mais suja do que limpa. A paciência dos portugueses, o acordo por omissão do PS e a determinação do Governo foram necessários. Mas não teriam sido suficientes para evitar um segundo resgate. A ajuda, agora limpa, foi viabilizada pela Europa, por uma política menos dogmática e mais pragmática.»

Helena Garrido, directora do Jornal de Negócios

 

«Não deixa de ser irónico que o Governo que anunciou ontem a "saída limpa" esteja a dar sinais tão evidentes de desistência e de erosão. Aliviar a austeridade não é um problema - afinal, andámos a criticar o aperto brutal dos últimos anos. O problema é percebermos as motivações do alívio. A "transformação estrutural" do país, prometida no início do mandato, não chegou a tempo de mudar a natureza da política.»

Bruno Faria Lopes, editor do Diário Económico

 

«A "saída limpa" é um mero momento de pose para a fotografia que não vai mudar a política a ser seguida no futuro. Incidentalmente, cabe perguntar como tenciona o PS, quando for governo, inverter o "austeritarismo" que tanto denuncia agora, quando tem de cumprir o Pacto Orçamental que ele próprio aprovou no Parlamento. Tudo isto revela a grande confusão que sempre existiu sobre o Governo desde o início: a confusão entre um programa de reforma da economia e um programa de ressarcimento de credores.»

Luciano Amaral, colunista do Correio da Manhã

Autoria e outros dados (tags, etc)

40 anos

por Teresa Ribeiro, em 25.04.14

Os políticos ensinam-nos muito. Ensinam-nos, por exemplo, a desvalorizar a retórica e a descodificar declarações evasivas. Com o tempo também nos ajudam a separar o discurso da prática política e a identificar estratégias e tacticismos em comunicações inflamadas ou iniciativas populares. 

Provavelmente no dia-a-dia os políticos esquecem-se desta coisa elementar que é a influência que exercem na educação cívica e democrática das pessoas que representam. Mas a verdade é que os seus gestos continuados não se perdem no vácuo, antes configuram aquilo que se convencionou chamar em democracia "cultura democrática". E a nossa amadureceu. Sendo que amadurecer em democracia é, como se sabe, tornarmo-nos cínicos. 

Se os nossos políticos pudessem evitar este efeito perverso da acção política sobre a educação cívica das pessoas, como seria fácil meter conversa com os eleitores durante a próxima campanha eleitoral e, antes disso, falar ao povo das "conquistas de Abril" sem tropeçar no espectáculo degradante da desilusão que é o desta democracia chegada à meia idade.     

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Cinco meses é muito tempo

por Pedro Correia, em 21.04.14

Nicolau Santos, Expresso, 16 de Novembro de 2013:

«O anúncio de que a Irlanda vai terminar o seu processo de ajustamento sem pedir a seguir um programa cautelar é negativo para Portugal. Percebe-se a estratégia irlandesa. Com taxas de juro da dúvida pública a dez anos em 3,55% no dia 14, o risco de que o País corre de regressar aos mercados pelo seu pé é bastante reduzido. Só que assim ficamos sem saber como será o tal programa cautelar. Ora as autoridades portuguesas têm seguido a estratégia de Dublin a par e passo, com um desfasamento de seis meses. Foi assim com a emissão de dívida pública a dez anos, seria agora em relação ao programa cautelar. As nossas taxas de juro a dez anos, contudo, estão mais de dois pontos acima do patamar irlandês e não nos permitem um regresso aos mercados sem o amparo do BCE.»

 

Nicolau Santos, Expresso, 18 de Abril de 2014:

«O ajustamento está a correr bem. Na imprensa internacional somos apresentados como um caso de sucesso, que ainda vai surpreender mais. Os investidores acorrem em força aos leilões de títulos de dívida pública a República Portuguesa. As taxas de juro caem de forma sistemática e a dez anos aproximam-se dos 3,5%, patamar no qual a Irlanda optou pela saída limpa do seu programa de ajustamento. Prevêem-se crescimentos moderados para os próximos três anos. Os desequilíbrios externos estão domados, a taxa de desemprego cai e a troika vai deixar o País.»

Autoria e outros dados (tags, etc)

Profetas da nossa terra (4)

por Pedro Correia, em 16.04.14

«A crise acabou.»

Manuel Pinho, 13 de Outubro de 2006

Autoria e outros dados (tags, etc)

A luz ao fundo do túnel

por Pedro Correia, em 15.04.14

Juros da dívida portuguesa caem em todos os prazos

Autoria e outros dados (tags, etc)

Não têm cortes salariais, mas também não têm filhos

por Sérgio de Almeida Correia, em 15.04.14

Autoria e outros dados (tags, etc)

A luz ao fundo do túnel

por Pedro Correia, em 31.03.14

Défice português de 2013 ficou nos 4,9%, um ponto abaixo do previsto

 

Portugal atinge primeiro excedente externo em 18 anos

 

«Sob qualquer ponto de vista, é uma óptima notícia. Não há volta a dar. Um ponto percentual abaixo do que estava previsto é uma óptima notícia que terá repercussões neste ano orçamental.»

Miguel Sousa Tavares, hoje, no Jornal da Noite

Autoria e outros dados (tags, etc)

Assim se fomenta o espírito de ajustamento dos contribuintes

por Sérgio de Almeida Correia, em 25.03.14
"Audi das facturas* pode custar até 365 euros por mês a cada premiado"


* - grafia corrigida

Autoria e outros dados (tags, etc)

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 23.03.14

«Aplaudi o Memorando quando saiu - e aplaudo na mesma a ideia geral por detrás dele, de reforma integral do País. Da mesma forma, estou agradecido aos nossos credores - especialmente os novos (BCE e FMI) - por se disponibilizarem para nos "tirar" desta alhada. Mas nada disto tem influência numa constatação (e não numa impressão) de que o volume de dívida é demasiado elevado para poder ser resolvido no curto prazo (e isto independentemente da política financeira e económica interna seguida).
O que me interessa é o aspecto moral da coisa. Este problema começou por ser um problema moral de um governo eleito (do PS) e continua a ser um problema moral para o governo em funções. Quando se olha para o conjunto de medidas tomadas ao longo deste tempo, nota-se que as mesmas têm sido (na quase totalidade) dirigidas ao tecido "não-reactivo" da despesa. Corta-se salários porque é fácil (e, apesar de tudo, reclamam pouco), corta-se reformas porque é fácil, sobe-se comparticipações pelos mesmo motivos. As verdadeiras reformas estruturais da estrutura estatal estão por fazer (quantas direcções-gerais, institutos, organismos, etc, é que foram extintos?), a reforma fiscal (tirando pequenos ajustes no IRC) está por fazer, as benesses não foram de todo afectadas (as PPP quase nada e a energia absolutamente nada), a "reforma" da estrutura administrativa do território devia ter sido liminarmente recusada pela Troika (com a justificação de que não vinham cá para gozarem com a cara deles) e exigida uma efectiva reforma, com fusão de munícipios (e deixavam as freguesias em paz) e posso continuar por aqui fora.
Moralmente, é inteiramente verdade que o governo tem sido forte com os fracos e fraco com os fortes. Os sacríficios não foram transversais nem tocaram a todos. E, assim sendo, é igualmente verdade que é legítimo que um reformado (mesmo um que receba 5000 euros ou mais) considere justo que se lhe cortam a reforma também cortem nos credores. Contratos são contratos e deveriam ser iguais independentemente do tipo e com quem são assinados.
Ao perder o pé moral, e este ajustamente peca nesse aspecto, então a única justificação seria a de eficiência. E nesse caso é exígivel que o mesmo seja processado num prazo curto (até 10 anos). Se tal não é possível, então que se passe para uma negociação com os credores. E os credores que exijam reformas DE FACTO.»

 

Do nosso leitor Carlos Duarte. A propósito deste meu texto.

Autoria e outros dados (tags, etc)




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D