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da dificuldade de se ser adolescente (ou adulto)

por Patrícia Reis, em 07.08.16

Não tenho muito jeito, nunca tive, para ficar calada. É um defeito e uma virtude. Por vezes gostaria de voltar a engolir as palavras. Outras, seria magnífico deixar que o chorrilho de disparates na minha cabeça encontrasse eco no exterior. É que, apesar da fama, ainda vou engolindo uns sapos. E sobre isto e mais estive eu à conversa ontem à noite com duas adolescentes. O que as magoa, o que lhes faz confusão - elas com 15 anos - é muito parecido com aquilo que me magoa e me faz confusão, no entanto concluí que ser crescido tem inúmeras vantagens e uma delas é aceitar que é preciso fazer rupturas, chamar os bois pelos nomes. Durante a nossa conversa, ouvindo o mais atentamente possível, voltei a sentir o mesmo que sentia na minha adolescência: incompreensão. Caramba, ser jovem não é um posto, nunca foi, mas é muito difícil. Será sempre muito difícil. E, talvez por isso, acabei por mandar para a outra parte um adulto que teve a infelicidade de dizer: ah, o que eu dava para ter a vossa idade. As minha interlocutoras olharam para o senhor com incompreensão. Eu também.

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Da importância de ser amizade

por Patrícia Reis, em 21.07.14

A melhor forma de amor é a amizade, é quase banal dizer ou escrever, mas talvez não seja tanto assim.

Quantas vezes pensamos nós nos amigos? Quantas vezes telefonamos para saber deles e não contar a nossa vidinha?

Quantas vezes é que somos mesmo amigos: sentados à mesa, a partilhar uma refeição, a rir, perdidos no tempo, sem noção das horas, petiscando pedaços de pão (ou, muito melhor, pedras de Santiago)?

Este sábado, com o miúdo-quase-homem, uma amiga e apenas nós, o meu marido e eu, corremos tudo: política, sexualidade, direitos e deveres, histórias mal contadas, acontecimentos de vida marcantes.

E, quando a nossa amiga falou da avó Joana, os olhos ficaram do tom mais profundo do mar e o nosso coração encolheu, viemos à superfície e sobrevivemos na conversa. Por amor. Por amizade. Por estarmos todos com os telemóveis desligados. Sem preocupações de monta. Das oito da noite até quase às quatro conversámos.

Caramba, uma conversa é tão importante!

E tudo foi recíproco. Nada foi dito a medo, com formalidade.

Quando é assim, posso garantir, é um privilégio.

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Deixa lá isso

por Patrícia Reis, em 06.06.14

Os filhos podem ser mais intrusos ou mais íntimos. Depende de cada um, da personalidades da fase em que estão (na adolescência é para esquecer). Hoje, o meu filho mais novo disse-me que a vida seria diferente se as pessoas fossem diferentes. Menos auto-centradas, foi o que ele disse e respondi Deixa lá isso. Depois compreendi que o meu adolescente é um quase-homem, o mundo roda, a vida atrapalha, o tempo corre. E tudo passa.

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Pouco barulho

por Gui Abreu de Lima, em 12.04.13

Há dias falava de palavras, do estardalhaço ininterrupto que fazem dentro de nós, dos estragos capazes de provocar. Há-de ser assim com todos, fazendo menos mossa a uns, que as gerem melhor, mais a outros, que sufocam se lhes não dão primazia, andamento e caminho visível. Tempos houve em que me acalorava a conversa, a comunicação, a fala, o desabafo, as ideias. Hoje, nada disso me interessa como outrora. Chego a ter saudades do silêncio. Palavras leva-as o vento, estrebucha o ditado em mim. Estafam-me conversas sérias, cansam-me as opiniões sobre tudo e mais alguma coisa. Os porquês disto e daquilo, que se exigem a ferro e fogo, servindo umas poucas de inverdades e de loucuras. Encantam-me os que sem abrir boca dizem tudo. E vou à lua com os que teimam fazer com o gesto o seu discurso, a sua declaração de amor. Hoje, percebo uma série de homens calados que havia antigamente. E as mulheres que agora me dizem “fazes-me rir”. Conversas, de facto, só para rir. Para chorar, para ensinar, para guardar, escrevam. Mergulhem no silêncio, oiçam-se e escrevam como souberem. Nas mãos, nas paredes, nos panos da loiça. De resto, poupem-se. Senão um dia ninguém vos ouve.

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