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Há-de aparecer alguém para pagar

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.01.16

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Nestas coisas, como nas PPP, convinha ter alguma cautela para depois não faltar dinheiro para pagar a conta. Eu bem sei que no fim há-de aparecer alguém para pagar, que até poderá ser o próprio, mas estar a contrair encargos sem saber como se irá pagá-los, estar a contar com a subvenção estatal e os donativos dos contribuintes sem saber se os irá receber, tudo isso me parece pouco sério e uma imprudência.

Vi o seu apelo à recolha de donativos para fazer face à factura das presidenciais e só estranhei que no pedido que fez não tivesse logo avisado os potenciais doadores de que irá recusar todos os donativos que possam vir de pessoas singulares ou colectivas que estivessem na disposição de ajudar mas que andaram a ganhar a vida emitindo pareceres, foram ou são deputados ao serviço dos grandes interesses empresariais, advogados que trabalham em grandes escritórios, gestores e administradores de empresas com grandes negociatas com o Estado, de gente que trabalhe ou tenha trabalhado para o BES, para o BPN, para o lobby dos construtores, da banca, dos laboratórios médicos, dos manuais escolares, das farmácias, das autarquias, e por aí fora. Isso teria sido coerente e consequente com o que antes defendeu.

Sei que as contas da campanha serão apresentadas, serão claras e que baterá tudo certo, mas é pena que em questões tão sérias como as que abordou tivesse andado a dar tiros para o ar, acabando a acusar tudo e todos e desperdiçando o capital de simpatia e apoio que inicialmente gerou para a sua causa. A causa do combate à corrupção, aos lobbies, ao clientelismo político e de Estado, ao tráfico de influências, à fraude em geral, é um combate e uma causa de todos os cidadãos portugueses livres e sérios, que não pode continuar a ser tratada da forma que Paulo Morais tem feito. E não pode servir de bandeira para alimentar egos e protagonismos. Por isso, lamento ver Paulo Morais, por cuja causa tenho simpatia e na qual também me tenho empenhado à minha maneira e com os meios que tenho, a acabar assim a sua participação, desta forma inconsequente. 

Já não bastava o resultado miserável que obteve como ainda acaba a pedir dinheiro aos contribuintes para pagar os custos da sua campanha. Se não tinha dinheiro não gastava. É tão simples quanto isto.

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Era só o que faltava...

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.12.15

A simples perspectiva de haver coisas nos Açores que reeditam os maus hábitos da Madeira, aproximando a governação socialista da de Alberto João Jardim, tira-me do sério. Com tudo o que já aconteceu seria bom que as coisas ficassem em pratos limpos. Limpos e transparentes. Ninguém está disponível para daqui a uns tempos cobrir os buracos do anticiclone.  

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Nova matemática: 107 > 86+19+17+1

por Tiago Mota Saraiva, em 13.11.15

Que eu saiba,a soma de três perdedores não dá um vencedor” - João Machado, presidente da Confederação dos Agricultores.

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Dura lex

por Pedro Correia, em 21.04.15

O Tribunal Constitucional foi auditado pela primeira vez. Conclusão do Tribunal de Contas: "viaturas para uso pessoal de todos os 13 juízes, com cartão de combustível e via verde, gastos sem justificação, pagamentos indevidos."

Há sempre uma primeira vez para tudo. Só é de espantar que até agora o Palácio Ratton tenha permanecido imune a estas vistorias. Obviamente constitucionais.

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A ler

por Sérgio de Almeida Correia, em 20.02.15

"Neste plano, a Alemanha surge como a maior detentora de dívida contingente, que atinge 145% do PIB, seguida da Holanda com 111%, apresentando a Grécia um dos valores mais baixos com cerca de 17% e Portugal cerca de 70% do PIB. Quer isto dizer que se fizermos uma análise mais rigorosa e transparente da dívida pública teremos de adicionar a divida formal à dívida contingente, o que tem como resultado que a Irlanda terá a maior dívida pública com 234% do PIB, seguida da Alemanha com 222%, à frente de Portugal com 198% e da Grécia com 192% do PIB." - Miguel Santos Neves, OJE

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O milagre de que falava Pires de Lima

por Sérgio de Almeida Correia, em 25.02.14

"A economia portuguesa conseguiu registar em 2013 um excedente externo de 2,6% do PIB, mas, apesar dessa melhoria, a posição líquida de investimento internacional (PLII) agravou-se em 2,7 pontos percentuais, segundo dados do Banco de Portugal (BdP) na sua Nota de Informação Estatística.

Este indicador, no caso português, é negativo, sendo o mais elevado da zona euro em relação ao PIB, superior inclusive ao registado para a Grécia e Irlanda. A PLII da economia portuguesa subiu de -116,1% do PIB em 2012 para 118,9% em 2013. A posição de Portugal como devedor líquido face ao exterior piorou. (...)

Em relação aos dados finais do terceiro trimestre de 2013, as posições eram a seguintes entre os periféricos da zona euro: -115,7% do PIB para Portugal; -108,2% para Grécia; -107,8% para Irlanda; - 96,6% para Espanha; - 88,3% para Chipre. O rácio para Itália não estava ainda disponível; é negativo, também, mas é muito inferior." - Expresso, 24/02/2014



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Verdades inconvenientes

por Sérgio de Almeida Correia, em 16.02.14

"1. Tendo em conta que dos objectivos iniciais do Memorando, considerados fundamentais (e que eram apresentados como a cartilha inexorável do governo até à demissão de Vítor Gaspar), se contava conseguir controlar o défice para os seguintes números: 5,9% em 2011, 4,5% em 2012, 3% em 2013 e se chega ao final de 2013 com o défice previsto de 5%, como é que se pode afirmar que o “cumprimento” do Memorando foi um “sucesso”?

2. Tendo em conta que a dívida máxima prevista no Memorando era de 114,9 % do PIB, e a dívida no final de 2013 era de perto dos 130% do PIB, como é que se pode afirmar que o “cumprimento” do Memorando foi um sucesso?" - José Pacheco Pereira, no Público, 15/02/2014

 

Já se sabe que muita gente vai voltar a insultá-lo, a ficar zangada, incomodada, à beira de um ataque de nervos, mas não há nada como pôr as coisas em pratos limpos para se perceber a dimensão da ilusão que os jotinhas têm andado a vender. Como sempre acontece em Portugal, os culpados dos erros e dos falhanços nunca são os próprios. E daqui a vinte anos, quando o país perceber que retrocedeu outros tantos, ainda havemos de ouvir dizer que a culpa foi de Sócrates, de Teixeira dos Santos e dos tipos que desenharam o memorando com a troika. Nunca mais ninguém se lembrará das achegas ao memorando de que Catroga se ufanava, da carta de Gaspar, da teimosia de Passos Coelho, ou das revisões feitas à socapa que conduziram ao agravamento da situação da economia nacional. E tal como qualquer filho de boas famílias que nunca fez a ponta de um chavelho e acaba a dirigir as empresas que leva à falência, também nesse dia, se ouvirá dizer que se fez o melhor possível. No fim, cá estaremos todos para pagar a factura da inconsciência, da desonestidade intelectual e política e do "milagre económico". Nada que não se estivesse à espera.

 

P.S. Quanto à última frase, escuso de vos remeter para o meu Diário Irregular ou outros textos mais incómodos. Basta que dêem uma vista de olhos a este, a este outro ou ainda a este. Estávamos então antes das legislativas de 2011. E continuo hoje a pensar e a escrever o que estão pensava e escrevia. Nem todos poderão dizer o mesmo.

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Dignidade e constitucionalidade

por Helena Sacadura Cabral, em 09.01.14


Ouvi ontem Bagão Felix no seu comentário televisivo das quartas feiras, confirmar umas meras contas que eu havia feito por alto e que afinal não estavam assim tão longe dos resultados a que ele chegara. Mas o que me ficou a ruminar foi a sua afirmação sobre "dignidade" e "constitucionalidade".

Com efeito, a agressão das medidas deste governo em relação a certa categoria de pessoas até poderia estar eivada de constitucionalidade, que isso pouco importaria, face à falta de dignidade as mesmas representam.

Não sei o que iremos ouvir, hoje, por parte de quem nos governa. Espero, confesso, mais umas falaciosas justificações para a dureza das medidas que vão ser anunciadas. 

Estes senhores podem recalibrar, requalificar, fazer o pino. Não podem é continuar a perseguir uns e a poupar outros. Não podem é dispor da nossa vida como se nós fossemos meras rubricas estatísticas. Não podem roubar a nossa dignidade, por mais constitucional que isso possa ser! 

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As contas que nunca se farão

por Sérgio de Almeida Correia, em 27.12.13

Alertado por um amigo para a notícia do sempre bem informado Diário Económico, pelo menos junto de fontes governamentais, de que a remodelação provocada pela decisão "irrevogável" do então ministro dos Negócios Estrangeiros se demitir custou ao País, isto é, a todos nós, a módica quantia de € 2,3 mil milhões de euros em perdas bolsistas, para além do rombo na credibilidade e de nos aproximar de um segundo programa de ajustamento, dei comigo a pensar sobre o custo das oito-quase-nove remodelações, mini-remodelações ou ajustamentos do executivo a que assistimos em pouco mais de meia legislatura.

Naturalmente que, para quem sempre apregoou aos quatro ventos o seu elevado sentido de estado e profundo desconforto pelos desperdícios socialistas, chegando ao ponto de demagogicamente anunciar o mais pequeno governo de sempre, a revelação deste escandaloso número devia causar algum incómodo e merecer justificação. Porém, como é usual, o silêncio que impera é a melhor prova da irresponsabilidade política e da falta de autoridade ética e moral de quem nos governa. Nada com que, aliás, o senhor primeiro-ministro ou a ministra das Finanças se incomodem depois de se já se saber que os mesmos que queriam impor a quem está reformado e tem de se sustentar com € 600,00 mensais sacríficios inqualificáveis, pagaram a uma sociedade de advogados, sem concurso e escondendo esse facto ao Parlamento e à opinião pública durante mais de três meses, a quantia de € 418 000,00 (quatrocentos e dezoito mil euros) para assessoria jurídica aos famigerados swaps.

Desconheço a quantas horas de trabalho isso corresponde nem qual o valor hora que a senhora ministra se predispôs a tão rapidamente pagar, sabendo que há quem em Lisboa cobre por hora mais do que o salário mínimo nacional para esse tipo de assessorias. De qualquer modo, os factos falam por si e dizem muito sobre a cerviz política, ética e cívica de quem tanto criticou (e insultou) os antecessores. Os restantes comentários guardo-os para casa e para as poucas tertúlias em que ainda vou participando.

Em todo o caso, gostaria de chamar a vossa atenção para um artigo publicado em 2012, na Party Politics, 18 (I), 61-80, com o título Givers and takers: Parties, state resources and civil society in Portugal, cujos autores são três investigadores da Universidade de Aveiro (Carlos Jalali, Patrícia Silva e Sandra Silva). Conforme se pode retirar do estudo ali revelado, a explicação para o que está a acontecer poderá residir, por um lado, no facto da participação militante dos portugueses em organizações voluntárias estar muito abaixo da média europeia (2004), apenas ultrapassando por escassa margem a Roménia e a Bulgária, dados confirmados pelos números do Eurobarómetro 2005 (Special Eurobarometer on Social Capital), e, também, na conclusão que a investigação sublinhou de que em matéria de gastos "on average, the right-wing PSD/CDS coalition governments were more generous than their Socialist counterparts, particularly if we take into account the different duration of the governments".

Bem sei que são dados desagradáveis para o cinismo e a hipocrisia dominantes de quem se pela por uma boa "privatização" ou assessoria à custa da mama do Estado, e que sem esta tem dificuldade em mostrar os seus méritos na sociedade de mercado desregulado que defende, como se vê pelas inúmeras empresas dirigidas por gente ou dos partidos ou com ligações a estes que foram à falência, mas talvez não nos fizesse mal nenhum pensarmos um pouco naquilo que por ali se ficou a saber.

Tal como já escrevi, continuo convencido de que os portugueses não voltarão a ter uma oportunidade tão boa como a presente para se emanciparem da tutela das oligarquias que dominam os actuais partidos, aproveitando o momento para fazerem a sua reforma, criando uma sociedade civil mais forte, atenta e participativa, capaz de escrutinar e responsabilizar a tempo e a horas quem tanto tem contribuído para a sucessão de desmandos e de comportamentos inaceitáveis em democracia, e tão pouco republicanos, que nas duas últimas décadas foram protagonizados sempre pelos mesmos actores. Presidente da República incluído. Pelas declarações e exemplos com que ciclicamente nos brinda, pela cobertura que deu - e continua a dar - aos responsáveis pelos mais 2,3 mil milhões de euros de prejuízos que o DE referiu, e em razão da sua timidez institucional, ausência de estamina política e desconcertante enviesamento na análise política e constitucional das situações que exigem a sua intervenção.

Sobre isto creio que nunca ninguém se atreverá a fazer as contas. Para vergonha já basta assim.

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