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Elefantes Brancos

por Francisca Prieto, em 19.05.16

As redes sociais têm sido um suporte insuperável na missão de trazer à tona episódios embaraçosos que a nossa memória selectiva já tinha atirado para o subconsciente há séculos e que agradeceríamos que por lá permanecessem. É certo e sabido que, mais cedo ou mais tarde, alguém nos adiciona a um velho grupo da faculdade e que, de repente, desatamos a ser identificados em fotografias onde nos apresentamos de franja, camisa com chumaços e rosetas estampadas nas bochechas.

Mas se é verdade que há coisas que preferíamos esquecer, também é verdade que há momentos que merecem ser relembrados.

Hoje, quando me dei conta de que andava a circular pelo facebook de sombrero mexicano, mão na anca e cara de quem já tinha dado conta de um par de tequilhas, rendi-me à nostalgia e ingressei numa viagem no tempo à Meca dos finalistas universitários – Cancún.

sombrero.jpg

A viagem há-de ter sido idêntica à de tantos outros finalistas, mas, para além dos episódios previsíveis, ficou-me na memória a relutância em comprar um sombrero. Enquanto todos os colegas escolhiam o seu exemplar, entre várias cores e modelos, alguma coisa me dizia que importar sombreros não era a melhor ideia do mundo. Tinha muita graça no local, mas não conseguia vislumbrar qualquer utilidade para um chapéu daquelas dimensões, à chegada a Lisboa. Vieram-se a confirmar os meus piores temores logo à entrada do avião, quando cinquenta viajantes tentavam, em gestos épicos, arrumar cinquenta sombreros nas bagageiras.

Depois desta aventura fiz várias outras viagens e, sempre que me sentia a ceder à tentação consumista que nos invade em terras estranhas, lembrava-me do episódio dos sombreros e resistia estoicamente.

Até que uns anos mais tarde, em Banguecoque, dei de caras com um cozinheiro de madeira maciça com uns quarenta centímetros de altura, que resolvi que era imprescindível para decorar a cozinha da nossa casa nova. Não me ocorreu que depois da visita à capital, íamos em périplo para Puket, Ilhas Pi-Pi e Krabi. De maneira que, após o entusiasmo inicial, andei a rogar pragas ao malfadado cozinheiro que foi arrastado por terras tailandesas, entre ventos e intempéries, durante mais de duas semanas. Mas o pior é que ainda hoje, volta não volta, dou com o raio do boneco numa qualquer arrecadação, de onde nunca saiu porque era um mono tão grande que nunca coube numa bancada de cozinha.

Voltei assim aos bons hábitos de viajar com pouca bagagem e de, sobretudo, não me lançar em compras estapafúrdias. Isto, claro, até me ter lembrado de comprar um poncho peruano. Dos genuínos.

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A luz ao fundo do túnel

por Pedro Correia, em 30.12.15

Portugueses gastaram mais 289 milhões de euros em compras de Natal

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Digerindo o relatório da OMS

por Teresa Ribeiro, em 30.10.15

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Nada disto é novidade. Notícia foi a OMS tê-lo assumido, contra o poderosíssimo lobby dos produtores de carne. Chapeau!

Não li o relatório e através dos media não apurei o principal. E o principal seria saber quanta carne se pode consumir sem arriscar um cancro. Um bife, duas vezes por semana, pode ser? Um cozido só no pino do Inverno e de 15 em 15 dias é razoável? 

A moderação, sobretudo num tempo em que praticamente nada do que se consome para alimentação é isento de contraindicações, é tudo. 

Dito isto, o alerta da OMS pode suscitar alarmismos se não convenientemente enquadrado, mas tem o grande mérito de nos chamar a atenção para a percentagem de carne que a nossa cultura alimentar nos coloca no prato. Com ou sem cancro no horizonte, comê-la quase todos os dias é uma escolha que nos é induzida pela indústria, que está sempre atenta às nossas necessidades e fraquezas. Necessidade, temos sempre a de poupar tempo. Fraqueza temos a da preguiça de cultivarmos hábitos mais saudáveis, mas que dão trabalho. Da sandes de fiambre, à bifana, passando pela empada de galinha e o icónico hamburguer, é de carne que se fazem quase todos os expedientes a que recorremos para saciarmos a fome sem grandes maçadas.  

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A Origem Transmontana

por Helena Sacadura Cabral, em 30.09.15
"...Uma empresa com o nome (um pouco estranho, há que dizer) de "Origem Transmontana" - e pergunto-me como foi possível ser autorizada uma designação tão enganadora como esta - foi acusada de comercializar produtos que se provou associados a uma doença derivada da cadeia alimentar, felizmente sem consequências mortais."
 
Este excerto pode ler-se no blogue - http://duas-ou-tres.blogspot.pt - do Embaixador Seixas da Costa e eu faço eco dele, porque lhe reconheço carradas de razão. 
Como é que a autoridade competente deixou registar uma marca que corresponde a uma designação de origem? E já agora como é que as autoridades locais e os concorrentes não reclamaram de tal autorização?
A região ficou com a sua imagem prejudicada, o que é profundamente injusto porque a generalidade deste género de produtos alimentares transmontanos é de excelente qualidade 
Este incidente, ao lançar um tal labéu, deveria levar à revisão da legislação que se ocupa de marcas e patentes, de modo a não permitir que tal possa repetir-se.

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GOLDENERGY - Nem a morte nos separa

por Teresa Ribeiro, em 13.08.15

Pouco tempo antes de morrer, a minha tia Ivone, de 92 anos, achou por bem informar-me que um dia tinha sido abordada, à porta de casa, por "umas meninas muito simpáticas" que a fizeram assinar um papel. Só não sabia era dizer qual era o assunto e se tinha ficado com uma cópia.

Quando ela deixou este mundo, coube-me a mim tratar da sua ex-vidinha terrena e foi então que descobri, no meio da papelada, uma factura da Goldenergy, empresa de distribuição de gás e electricidade, ainda recente no mercado. Lembrei-me logo da conversa sobre as "meninas muito simpáticas" e imaginei como devem ter salivado ao verem diante de si uma idosa confusa e solitária, ávida de uns minutos de atenção.

Soube entretanto que a nóvel empresa está sediada em Vila Real e tem um único balcão de atendimento em Lisboa, na loja do cidadão. Assim que me foi possível entregar os documentos comprovativos do óbito rumei às Laranjeiras para cancelar o contrato e foi aí que deparei com a primeira bizarria: a bicha que aguardava atendimento superava as homéricas bichas da Segurança Social. Era um sinal inquietante, mas como o meu objectivo era rescindir, não me preocupei.

Fiz mal. Esta cena passou-se no final do ano passado e a Goldenergy não desiste da minha tia nem por nada. Consegui, depois de muita insistência, que lhe selassem o contador, mas nem assim. Não sei se no céu também se cozinha e toma duche de água quente, a verdade é que  já estamos em Agosto, o gás cá em baixo foi cortado em Março, e as contas dela não páram de crescer. Na última factura que recebi, onde a Goldenergy ameaça cortar o gás que já cortou, a conta chega quase aos 500 euros!  

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 28.06.15

«Enquanto na TAP a greve prejudicou a empresa, na Carris/Metro esse tipo de prejuízo não ocorre porque os consumidores não têm mecanismos eficazes para actuar contra a quebra de contrato.
Assim, para a direcção desses monopólios uma greve é um dia de grande lucro, já que nesta bandalheira de terceira república nunca foi criado nenhum organismo que defenda os consumidores.

A DECO é apenas um dos muitos membros franchising da organização privada "Consumers International":
https://en.wikipedia.org/wiki/Consumers_International

Na prática este tipo de organizações privadas são os principais interessados em angariar sócios, que é o seu negócio, e não lhe interessa nenhuma outra estrutura que faça o serviço.
Por isso, quanto mais desprotegidos estiverem os consumidores, mais candidatos a sócios podem ganhar.
Uma das suas eficácias é na implementação de normas da treta (tal como outra fachada de lóbis que é a Quer-cus), já que normalmente há normas ou detalhes que favorecem um produto X relativamente ao Y.

Há uma série de pretensas "entidades reguladoras", que normalmente são outro nome para "grandes tachos do partido", que igualmente nada fazem, e lembro-me de terem arranjado um tacho socialista ao Acácio Barreiros como provedor dos consumidores... O que fez esse grande ex-UDP? Nada!

Pode parecer estranho, mas na prática, pela sua rotunda ineficácia, o sindicalismo de inspiração comunista tem sido um dos, senão o principal, destruidor de toda a estrutura estatal. E não é por acaso... pode ser por ignorância dos militantes e funcionários, mas não é por simples estupidez do "comité central", é por ortodoxia a um nível, e manipulação a outro.

Uma das principais degradações da sociedade actual está justamente na fragilidade do consumidor. Pressionado para contratos com cláusulas leoninas, desde o consulado de Sócrates que o consumidor passou até a arriscar-se a injunções com penhora, se não pagar logo as contas, por mais astronómicos e injustificados que sejam os valores. Casos vergonhosos são o pão-nosso de empresas de telecomunicações e serviços cabo, exploração de portagens, onde os enganos são sucessivos e sempre à conta do consumidor.
Na injunção há o requinte de ser o consumidor a ter que accionar o tribunal e pagar as despesas (muito aumentadas) se quiser se livrar da penhora. Todo o estado foi recrutado para actuar contra os cidadãos.

Conforme o Pedro bem refere, o Carris/Metro não devolve nos "passes lisboetas" o valor dos dias em que não prestou serviço.
Não precisa, porque todos, desde a DECO até às entidades reguladoras, todos se calam ou ficam apanhados de torpor, como se isso fosse normal. Pior, acresce que a Câmara alfacinha foi penalizando sucessivamente as viaturas, por ter o delírio dos ciclistas de montanha nas colinas lisboetas, e tudo isto se passa como num filme surrealista.

Quando ocorreram os aumentos exorbitantes dos preços dos bilhetes de Metro/Carris, aí não vimos os trabalhadores preocupados com os consumidores. Agora com a privatização é que os sindicatos se lembraram de invocar solidariedade com a penalização dos futuros consumidores... enfim, um espectáculo de retórica numa sociedade decadente.»

 

Do nosso leitor daMaia. A propósito deste meu texto.

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A luz ao fundo do túnel

por Pedro Correia, em 19.06.15

Portugal volta a liderar o crescimento das vendas de carros na Europa. Em Maio foram comercializados em Portugal 18.343 automóveis ligeiros de passageiros, o que suplanta os 13.782 carros vendidos no mesmo mês de 2014. As vendas cresceram 33,1% em termos homólogos, a maior subida de toda a União Europeia. Nos primeiros cinco meses deste ano, as vendas acumuladas em Portugal totalizaram 79.585 veículos, o que representa um crescimento de 32,5% face ao mesmo período de 2014.

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Peixe fresco só no... mercado ou na lota

por Teresa Ribeiro, em 13.05.15

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Aprendi há pouco tempo um novo cheiro: o cheiro a peixe de hipermercado. Lembrei-me disto a propósito da campanha que tem passado na televisão sobre o "peixe fresco" de uma grande superfície. O peixe de hipermercado tem um cheiro indefinível. Não é a mar (que é ao que cheira o peixe realmente fresco), nem sequer é a peixe (que é ao que cheira o peixe que já não está assim tão fesco).

Se não cheira a podre (já me aconteceu algumas vezes ser enganada pelo brilho das luzes e do gelo e levar para casa peixe que não estava em condições), cheira a... não sei quê. Eu digo que é a "hipermercado" porque, verdade seja dita, não encontro paralelo a este cheiro a não ser noutro hipermercado. Nisto, afianço, há um padrão e que reflecte, como é óbvio, uma forma específica de tratamento da mercadoria.

Ignoro pormenores, mas um dia, quando eu passava pela peixaria de uma grande superfície à hora de chegar o peixe, fez-se alguma luz. Numa azáfama as peixeiras tiravam de caixas vindas de uma câmara frigorífica o "peixe do dia", em estado de pré-congelado. Percebi então a rotina. Diariamente e até que se venda aquele peixe quase congela em câmaras frigoríficas quando é recolhido à noite e descongela na banca durante as horas de expediente do dia seguinte. Diariamente até ao dia em que for vendido vogará nesta alternância térmica. Não por acaso cada vez são mais os pediatras que recomendam o peixe congelado para consumo das criancinhas por ser um alimento mais seguro. Percebe-se porquê.

A publicidade ao "peixe fresco" das grandes superfícies, diga-se em abono da verdade, é rigorosa. Lá fresquinho é todo ele. Os termómetros não mentem. Quanto à sua frescura, é uma questão de sorte. Se acertou em peixe com pouco tempo de casa, não terá razão de queixa, embora mesmo nestes casos do cheiro a hipermercado não se livra. Cheiro a mar, ou mesmo a peixe, só no mercado ou  na lota.

Será que a ASAE anda em cima disto?

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A luz ao fundo do túnel

por Pedro Correia, em 05.01.15

Venda de carros aumentou quase 40% em 2014.

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Os "colaboradores" do Estado

por Teresa Ribeiro, em 21.10.14

Enquanto consumidores já todos percebemos que a idade da inocência passou e que aos balcões de atendimento público das mais variadas organizações o que encontramos são "colaboradores" cujo rendimento varia conforme as metas atingidas - nomeadamente ao nível de vendas - e que são pagos para defender os interesses da empresa que representam e não os dos clientes. Hoje em dia confiar num mediador de seguros ou num gestor de conta é tão arriscado como ir na conversa de um vendedor de pacotes de telecomunicações.

Podemos não gostar desta cultura que se instalou, mas reconhecemos que às empresas privadas lhes assiste o direito de operarem no mercado segundo as suas próprias regras, desde que não excedam limites legais. 

O que surpreende é verificar que o l'air du temps também foi impregnando os serviços do Estado, à medida que nos balcões de atendimento público foram substituindo funcionários por pessoal precário formado à pressão, sem conhecimentos adequados para prestar um bom serviço à comunidade. Nestes centros de atendimento ainda não há gente a vender por objectivos, mas quem sabe ainda lá chegaremos. O resto, ou seja a preocupação em cumprir níveis de "eficiência" como o tempo dispensado a cada utente e a incapacidade para resolver algo que ultrapasse meras questões formais, configura a nóvel cultura do "não estou aqui para te ajudar, estou aqui a zelar pelos meus níveis de produtividade".

Se em sectores mais sensíveis como a banca e os seguros faz sentido discutir os efeitos da agressividade comercial na degradação da relação de confiança com os clientes, nos serviços do Estado, onde supostamente o lema é "servir", tal discussão nem deveria ter razão de ser. Mas onde no sector privado é a concorrência feroz que dita as regras, no público a "racionalização de serviços" deve ser o que está por detrás desta "mudança de paradigma". Não se entende é porque em nome da racionalização não se pode apostar na eficiência, trazendo dos gabinetes para os balcões pessoal qualificado em vez de pescar nos centros de emprego gente impreparada cuja principal função é alindar as estatísticas do trabalho.

Há dias no Instituto de Seguros de Portugal quem me atendeu não foi capaz de me ajudar numa questão que depois um amigo, que é profissional de seguros, esclareceu em poucos minutos. Das "entrevistas personalizadas" na Segurança Social - e já fui a várias - nunca saio com os assuntos tratados, servindo as meninas que me atendem apenas como receptáculo de documentos, que depois seguem os trâmites burocráticos normais. 

Mais grave foi o que aconteceu a um pensionista meu conhecido. Ao balcão da Segurança Social de Entre-Campos uma "colaboradora" informou-o de que "é impossível requerer a reavaliação do grau de incapacidade nas reformas por invalidez". Dias depois, noutro balcão, disseram-lhe que tal não só é possível, como implica benefícios importantes nas taxas de juro de crédito bancário e em despesas várias.

Qual das informações está certa? Vai ter de investigar, com tempo e paciência, pois trata-se de um "detalhe" que tem reflexos importantes no seu orçamento familiar. Pode admitir-se este nível de incompetência  num serviço tão sensível como a Segurança Social? Não devia esta gente, que põe o atendimento nas mãos de pessoal estranho ao serviço e o vende como uma mais valia para o cidadão, ser responsabilizada pelo embuste?

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Manchetes que nos fazem pensar

por Pedro Correia, em 08.12.12

 

Dois jornais, exactamente com o mesmo título principal. A mesma realidade. Chocante.

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Menino não entra

por Rui Rocha, em 02.12.12

A Honda acaba de lançar uma viatura pensada só para mulheres. O Fit She, assim se chama o bólide, não impressiona pelas acelerações ou recuperações. Em contrapartida, dispõe de um utilíssimo pára-brisas que bloqueia os raios ultra-violetas, ajudando a evitar as rugas. Conta ainda com um sistema de ar condicionado que promove a hidratação da pele, tornando-a mais suave e macia. O modelo está disponível em 5 cores, entre as quais se inclui o rosa (que surpresa, não é?) que, dizem, correspondem às das sombras mais utilizadas na maquiagem feminina. Tão atenta que está ao cliché, imagino que a Honda não se terá esquecido de incluir um sistema de ajuda ao estacionamento:

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Até que a morte nos separe

por Teresa Ribeiro, em 03.09.12

Soube agora que só por morte podemos rescindir os contratos de fidelização por dois anos que celebramos com as operadoras de telecomunicações para instalação de telefone, internet e cabo em casa. Mesmo em caso de ausência forçada por período indeterminado, por motivo de doença ou de trabalho, não é possível pedir a cessação do serviço.

Sei de uma idosa que, mesmo depois de ter deixado a casa onde vivia sozinha para ir para um lar, foi informada pela Meo de que tinha de continuar a pagar as mensalidades até ao final do período de fidelização. O Instituto de Defesa do Consumidor lamenta, mas diz que mesmo nestas situações não se pode fazer nada. Neste país os utentes, consumidores, contribuintes e mexilhões partilham a mesma triste sina.

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Isto, sim, é um bonito apelo ao consumo

por José António Abreu, em 04.05.12
 

Gostas muuiiiiito da tua mãe? Então diz-lhe com um presente no Dia da Mãe!

E o coraçãozinho a transformar-se numa carteira. Lindo. Só um mau filho poderá resistir.

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Suicídio.

por Luís M. Jorge, em 30.01.12

A Deco informa que um terço dos jovens com mais de 18 e menos de 34 anos pensou em matar-se. Está mal. Numa altura destas, não me parece recomendável que as associações para a defesa dos consumidores andem por aí a dar ideias ao Governo.

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Correspondência de Natal

por Teresa Ribeiro, em 01.11.11

 

A Cartier escreveu-me. Mandou-me num encarte de luxo, com o retrato de uma mulher tão linda como eu gostava de ser, um baiser volé. Diz que é "um perfume de paixão, com uma esteira desconcertante". A mim o que me desconcertou foi o contraste entre o que gastaram no mailing e a forretice na oferta do produto. Não dá sequer para experimentar na pele. Reduz-se a uma lágrima cativa no cartão por um adesivo. É como se a Cartier me dissesse: "Querida, se a sua ideia é só aproveitar uma borla, esqueça".

Em legenda, a marca esclarece que Baiser Volé se trata da "expressão original de uma flor majestosa e inalcançável, o lírio". O lírio? Logo a flor bíblica que simboliza a simplicidade?

Na hora de produzir estas vacuidades, os publicitários, não duvido, sofrem muito à procura de palavras. Para tocar nas cordas frívolas das potenciais consumidoras da nova fragrância da Cartier, eles acrescentam que o lírio em causa "é extraordinário", porque "fresco, floral e empoado", ou seja, indicado para quem queira parecer extraordinariamente fresca, floral e empoada. Os termos quase se contradizem. Os oxímoros são um lugar comum neste género de textos, que se destinam a vender coisas praticamente impossíveis.

Não tenho dúvidas, o Baiser Volé vai vender-se neste Natal. As mulheres adoram coisas praticamente impossíveis, aliás é isso que explica o sucesso da indústria cosmética. Quanto a mim, passo. É que ando sem t€mpo para isto.

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Banha da cobra de luxe

por Teresa Ribeiro, em 04.05.10

 

À falta de testosterona, quando vejo um belo par de pernas femininas sou atraída não pelo desejo, mas pelo impulso atávico de as avaliar (Beauvoir tinha razão até certo ponto: neste como noutros aspectos, não nascemos assim, mas fazem-nos assim, desde a mais tenra idade).

No caso, como as ditas não eram de carne e osso mas de papel, permitiram-me imaginar, desdenhosa, quanta daquela perfeição que se via no cartaz da montra da farmácia se devia a trabalho de photoshop.

Ao lado, lia-se: o primeiro cuidado lifting inspirado no laser infravermelho de remodelação à base de turmalina. Alguém sabe o que é um laser infravermelho de remodelação à base de turmalina? É evidente que não, mas ninguém, a começar por quem concebeu o texto, está preocupado com isso.

Antes a cosmética adulava-nos com eufemismos incompreensíveis, agora os publicitários que se ocupam das campanhas para a dermo-estética atiram-nos com um impenetrável fraseado pseudo-científico, só para não pensarmos que a relação qualidade-preço da banha da cobra que nos estão a impingir não compensa.

Em destaque, logo abaixo da marca, aquele produto anti-celulite era identificado como uma "mousse crocante". Mousse aplica-se, com propriedade, à textura de muita coisa, incluindo cremes de barbear, protectores solares e até substâncias usadas em bricolage. Mas... crocante? Crocante só pode ser o qualificativo de um produto alimentar.

A falta de subtileza do sub-texto, que associa pernas a uma sobremesa, e a certeza de que apostaram milhões na eficácia desta campanha que, note-se, visa conquistar as mulheres, irritaram-me solenemente. E se fossem chamar oferecidas às vovozinhas deles?

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Concorrência desleal?

por Teresa Ribeiro, em 11.01.10

Oxalá que sim. Há muito que se sentia esta lacuna no mercado. É que assim poupa-se muito em jantares, divórcios e mal entendidos. E ficamos todos felizes.

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Estamos taxados

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 03.11.09

A sociedade de consumo tem destas peculiaridades. Oferece-nos  gratuitamente um produto ou um serviço mas, no momento em que o retorno dessa “oferta” se esgota, passa a cobrá-lo.
Foi o que aconteceu com os cartões multibanco, por exemplo. Ao lançar o cartão multibanco e a generosa rede de caixas automáticas que nos permite levantar dinheiro com a sensação de que estamos a sacar dinheiro de uma “slot machine”, os bancos não estavam apenas a facilitar-nos a vida. Estavam a incentivar os consumidores a  utilizar   um serviço que, num breve prazo, lhes iria diminuir os custos de funcionamento, mediante a dispensa de um grande número de trabalhadores. Por isso, os cartões multibanco  começaram por ser gratuitos.
Depois, a pretexto da introdução de novas funcionalidades, como a possibilidade de fazer transferências e efectuar pagamentos de serviço,  passaram a cobrar anuidades. A fase seguinte consistiu em estratificar socialmente os utilizadores dos cartões de crédito, com a criação dos cartões de ouro e platina, cujas anuidades eram directamente proporcionais à conta bancária do seu possuidor.
Agora, que os cartões dourados estão mais disseminados na sociedade portuguesa do que as falsas loiras, e os bancos já não podem reduzir mais o número de funcionários, pretendem aplicar uma taxa por cada operação realizada.
Não é a primeira vez que os bancos ensaiam esta proposta. Já o fizeram em 2001 e, na altura, tive oportunidade de alertar os consumidores portugueses para as acções que deviam tomar, no caso de a ameaça se concretizar.
Nem de propósito. Uma directiva comunitária vem  permitir aos comerciantes cobrar uma taxa aos consumidores que pretendam pagar as suas compras com cartão de débito ou crédito. Provavelmente, a maioria dos comerciantes não  a aplicarão, mas muitos sentir-se-ão incentivados a fazer repercutir esse “extra”no preço dos produtos. É que isto do mercado livre e da concorrência é uma treta, quando as associações incentivam os seus associados a aproveitar janelas de oportunidade…
Assim, como a moda corre o risco de ser mais contagiosa do que a gripe A, aqui fica uma lista de eventuais taxas que podem vir a ser aplicadas aos consumidores, num futuro próximo, se a influência de alguns grupos de interesses, em Bruxelas,  almejar os seus objectivos e conseguir alargar o âmbito da Directiva.

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Está tudo doido?

por Teresa Ribeiro, em 17.10.09

E se deixassem a infância em paz?

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Filmes e jornais

por Pedro Correia, em 07.04.09

 

 

Acontece-me cada vez com mais frequência. Ainda hoje aconteceu: estar numa sala de cinema sem mais ninguém em redor. Hoje a sessão das 13.50, num cinema de Lisboa, só aconteceu porque comprei o único bilhete para toda a sala. É óbvio que os actuais hábitos de consumo estão a condenar as salas de cinema à extinção a curto prazo. Tal como estão a condenar sucessivos jornais a fechar de vez. Já imagino até os ares pesarosos e as palavras de imensa comiseração que muita gente soltará quando se fechar a última sala de cinema e se extinguir o último jornal, acusando a sociedade de consumo, a “crise”, o sistema capitalista e sei lá que mais de ter destruído os sacrossantos marcos da arte, da cultura e da informação. Mas as perguntas podem e devem ser dirigidas a nós próprios: Há quanto tempo não vais a uma sala de cinema? Há quanto tempo não compras um jornal? Um filme que se vê num DVD doméstico nada tem a ver com a experiência única de seguir um filme em ecrã panorâmico, na sala escura, totalmente concentrado no que se passa na tela. Um jornal lido na Net não substitui, de modo algum, a leitura em papel impresso.

Boa parte da crise actual começa afinal no comodismo de cada um de nós.

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