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PCPês

por Tiago Mota Saraiva, em 12.10.16

 

É sabido que o PCP, na linguagem usada por quem o representa, tem uma forma de expressão muito própria que não encontra paralelo noutros partidos. Termos como “governo patriótico e de esquerda” são repetidos pelos seus dirigentes de uma forma exacta pelo facto de serem o produto da discussão colectiva e o seu significado estar perfeitamente definido no seio do partido. Todas as palavras contam: “preparar o país para a saída do euro” não quer dizer “saída do euro”.

O que perde em eficácia na comunicação com o seu exterior e na ambiguidade de que tantas vezes se faz a política, ganha na seriedade dos limites e objectivos do que se diz e das palavras que se empregam. Dando mais um exemplo, o PCP não aceita ou utiliza o termo “geringonça”, tanto por ter uma conotação negativa como por o englobar num mecanismo de governo do país do qual, objectivamente, não faz parte. Só por lapso, algum dirigente do PCP referirá a palavra.

Há três semanas foi publicado o projecto de resolução política proposto pelo Comité Central, resultado da discussão ocorrida dentro do partido nos últimos seis meses, e que será debatido e discutido em todas as suas organizações até ao XX Congresso no mês de Dezembro. Em PCPês: “As Teses”.

O documento não é de leitura fácil mas exigia-se que lhe fosse dado maior atenção no espaço público. Afinal, uma qualificada interpretação do que o PCP foi declarando antes das últimas legislativas, quando se referia que tudo faria para “derrotar o governo de direita”, já prenunciava muito do que se veio a passar. Não existindo, em 95 anos da sua história, muitos momentos em que a acção do PCP vá muito além do que está escrito nas suas Teses – e, repito, ainda que o actual documento vá sofrer alterações até ao último dia de Congresso -, ali estão bem claras a forma como caracteriza a actual situação governativa e as iniciativas que deverão ter o seu apoio parlamentar.

 

(publicado a 10/10 no i)

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PSD: um congresso em dez nomes

por Pedro Correia, em 04.04.16

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Carlos Carreiras. Sai do congresso de Espinho com uma missão crucial: será o  coordenador da campanha autárquica laranja, que decorrerá em 2017. É um desafio acrescido para o presidente da Câmara de Cascais num partido com forte implantação autárquica, mesmo após o desaire de 2013 face ao PS de Seguro. Vitórias em praças-fortes como Lisboa poderão prenunciar o regresso do PSD à liderança do poder central.

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Francisca Almeida. É um dos raros rostos da renovação geracional nas estruturas dirigentes do partido. Ex-deputada, apoiante da candidatura de Paulo Rangel em 2010, esta advogada minhota de apenas 32 anos a quem alguns auguram voos mais altos nas fileiras sociais-democratas regressa agora como vogal da Comissão Política Nacional de Passos, eleita por 79,8% dos congressistas.

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José Eduardo Martins. Pode suceder a Passos quando o actual ciclo no partido se esgotar. Enfrenta vários concorrentes - Moreira da Silva, Montenegro e Rangel, por exemplo - e por isso tem de marcar território desde já. Não por acaso, inicia esta semana uma participação regular como comentador da RTP3. Foi ao congresso e fez a única intervenção crítica digna desse nome, escutada com atenção. As grandes corridas começam com pequenos passos.

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José Matos Correia. Deixa uma das vice-presidências da Comissão Política Nacional mas recebe em troca a presidência de um novo órgão do partido: o Conselho Estratégico, um órgão consultivo que funcionará junto do líder social-democrata e por onde passará a definição das principais linhas de orientação do PSD enquanto força de clara oposição ao Executivo de António Costa. Um justo prémio para um dos melhores parlamentares da bancada laranja.

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Maria Luís Albuquerque. É talvez a mais "passista" dos membros da nova direcção política do partido. Iludiam-se os que davam como certo o seu afastamento na sequência das recentes revelações em redor do seu nome. Bem ao seu estilo, Passos elevou-a a uma das vice-presidências do partido - onde a partir de agora há quatro mulheres e apenas dois homens. As notícias do funeral político da ex-titular das Finanças eram manifestamente exageradas.

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Nuno Morais Sarmento. É um eterno candidato a candidato e goza de um restrito mas fiel círculo de adeptos entre os jornalistas políticos. Vai produzindo provas de vida, em  entrevistas aos meios de  informação que lhe garantem presença periódica nas primeiras páginas. Mas primou pela ausência em Espinho, parecendo dar razão àqueles que o acusam de dissonância entre as palavras e os actos.

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Paulo Rangel. Fez aquele que foi, de longe, o melhor discurso do congresso. Dando o tom para o que deve ser a marca dos sociais-democratas na oposição, lançou como bandeira do PSD o tema da mobilidade social como forma de reaproximar o partido das gerações mais jovens. E apelou ao fim da discriminação académica entre cidadãos nos documentos oficiais - começando pelo Diário da República - nesta nação de doutores e engenheiros.

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Pedro Passos Coelho. A agremiação dos "analistas políticos" já profetizou mil vezes a sua derrocada. Sem perceber que ele é incapaz de agir em função de estados de alma: quem aguardar que deitará a toalha ao chão, cedendo o lugar a quem o PS mais deseje no PSD, pode esperar sentado. Sai de Espinho com a liderança incontestada. Mas perdeu uma oportunidade para renovar amplamente o partido: no congresso pouco mais houve do que um jogo de cadeiras.

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Pedro Santana Lopes. Voltou com visível agrado aos tempos em que lhe cabiam as declarações mais sonantes dos conclaves laranjinhas. Menos cáustico do que outrora, na respeitável pele de provedor da Santa Casa da Misericórdia, não resistiu no entanto à tentação de lançar farpas a Pacheco Pereira e Rui Rio enquanto deixava em aberto o cenário do regresso à política activa. Se quiser candidatar-se a Lisboa em 2017 terá sem dificuldades o partido a seus pés.

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Rui Rio. Procurou a quadratura do círculo: influenciar o congresso sem lá comparecer. Antes, com uma entrevista à TSF em que prenunciava uma espécie de bloco central, entre tímidas críticas a Passos. Depois, com um artigo - saído já hoje - no Jornal de Notícias em que se confessa "triste" por ter sido alvo de críticas em Espinho. Recusar falar no lugar próprio foi um erro. Mais um, somado aos que o fizeram ziguezaguear durante tempo de mais ao longo de todo o ano que passou.

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Ceci n´est pas une arrow

por Rui Rocha, em 02.04.16

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Este fim de semana foi assim. Seria uma espécie de redenção? É que nem sempre a importância do Cante foi tão óbvia para os socialistas.

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O Congresso do PS constituía um tremendo desafio. Costa não podia permitir que o partido ficasse refém dos graves acontecimentos mais recentes e que esta reunião magna viesse a tornar-se apenas mais um elo dessa cadeia de acontecimentos. Tinha ainda que demontrar que este novo PS não foi capturado pelos interesses que têm dominado a sociedade portuguesa nos últimos anos. Por motivos pragmáticos, era ainda fundamental que não ficasse cativo da agenda política dos partidos da esquerda mais radical, nem confinado a um espaço ideológico que não lhe permita apelar aos eleitores mais à direita. O país pede um PS que não se vire para si próprio, que não fique aferrolhado a ideias velhas ou pré-concebidas, nem trancafiado nos seus próprios problemas, sob pena de a curto prazo ficar condenado à irrelevância. Um partido enclausurado nunca serve, sequer, os seus próprios interesses.  Qualquer propósito de cegueira perante a realidade deve ser imediatamente detido. É, em qualquer circunstância, imperioso saber resistir à coacção dos media e da opinião pública que exigem acções que, quantas vezes, são irreflectidas. Os dados estão lançados. O futuro dirá se o PS ficou ou não prisioneiro das circunstâncias e se está preso ao passado.

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PS em congresso (10)

por Pedro Correia, em 30.11.14

António Costa falou bem a abrir e a fechar um congresso que pouco teve de empolgante - como era de prever, dadas as circunstâncias. É certo que quase nada detalhou das receitas que preconiza para o crescimento económico do País e a sua reiterada intenção de obter maioria absoluta nas legislativas parece um alvo inalcançável. Mas interpelou com vigor as forças à sua esquerda, exigindo que abandonem o gueto do protesto. Demonstrou sensibilidade social com a surpreendente homenagem às vítimas de violência doméstica. Declarou que continuará a celebrar com orgulho o dia da restauração da independência, que o Governo absurdamente riscou da lista dos feriados nacionais. E sobretudo vincou a sua autoridade, impondo que a questão Sócrates ficasse à margem dos trabalhos e dos discursos.

Este era o principal desafio e acabou por ser ganho - em benefício do partido e, por extensão, da democracia portuguesa. Porque um PS que permaneça órfão ou refém do rasto de Sócrates será incapaz de trilhar com sucesso as rotas do futuro.

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PS em congresso (9)

por Pedro Correia, em 30.11.14

Com Assis de fora e Seguro ausente, Pedro Adão e Silva fala na SIC Notícias em "pacificação interna". A fé move montanhas.

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PS em congresso (8)

por Pedro Correia, em 30.11.14

Em nome do "combate à direita", muitos socialistas insistem em imaginar coligações com o PCP e o BE. Esbarram no entanto com um obstáculo óbvio: estes partidos também querem "combater a direita". E, para eles, a direita inclui o PS.

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PS em congresso (7)

por Pedro Correia, em 30.11.14

Há quem troque a reunião do partido em Lisboa por uma ida ao Alentejo. Informava ontem a TVI, com um toque de humor talvez involuntário: «Em dia de visitas para os presos preventivos, foi agitada a tarde no estabelecimento prisional de Évora. José Sócrates recebeu a visita de três deputados do PS.»

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PS em congresso (6)

por Pedro Correia, em 30.11.14

Até ao momento não ouvi uma palavra sobre o assunto, mas talvez algum congressista ainda acabe por fazer um apelo enérgico ao combate contra a corrupção.

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PS em congresso (5)

por Pedro Correia, em 30.11.14

Francisco Assis, líder dos deputados socialistas na Europa e uma das vozes mais lúcidas do PS, viu-se impedido de falar por alegadas falhas na gestão de tempo do congresso. Não merecia ser tratado assim.

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PS em congresso (4)

por Pedro Correia, em 30.11.14

Dir-se-ia que o nome dele queima. De tal maneira que ainda ninguém ousou pronunciá-lo no palco do congresso. José Sócrates, o inominável.

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Caras novas no Congresso do PS

por Rui Rocha, em 29.11.14

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Em jeito de balanço do primeiro dia

por Rui Rocha, em 29.11.14

Desculpar-me-ão os caríssimos congressistas, mas já vi arguidos em preventiva bastante mais animados.

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O PS não renega o passado

por Rui Rocha, em 29.11.14

Muito bem. Mas, pelo que se vê, também não tem ideiazinha nenhuma do que vai fazer com o presente de Sócrates ou com o futuro do país.

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Acabam de sobreviver a mais um discurso do Ferro Rodrigues.

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PS em congresso (3)

por Pedro Correia, em 29.11.14

Sócrates igual a si próprio: na manhã da abertura do congresso do PS não resiste em dominar as atenções com uma declaração telefónica que fez a manchete do Expresso. Como costumava dizer Hercule Poirot, «o fundamental é conhecermos a natureza humana».

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PS em congresso (2)

por Pedro Correia, em 29.11.14

José Lello à RTP: «Mantenho Sócrates no coração.»

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PS em congresso (1)

por Pedro Correia, em 29.11.14

Carlos César, na primeira intervenção de maior fôlego no congresso do PS, lança a sua pré-candidatura à Presidência da República.

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Diziam (4)

por Pedro Correia, em 23.02.14

Era um congresso "sem história", diziam. O PSD sai deste congresso com um cabeça de lista às europeias e um candidato presidencial. O novo ciclo político já começou.

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Diziam (3)

por Pedro Correia, em 23.02.14

Era um congresso de ex-líderes "ausentes", diziam. Apareceram Balsemão (em vídeo), Machete, Menezes, Mendes, Santana e Marcelo. Vou conferir no dicionário o significado da palavra ausência.

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Diziam (2)

por Pedro Correia, em 23.02.14

Era um congresso onde haveria pouco ou nada a declarar, diziam. Antes de fazerem elogios, aliás merecidos, aos discursos de Nuno Morais Sarmento, Paulo Rangel e Marcelo Rebelo de Sousa.

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Em resumo

por Sérgio de Almeida Correia, em 23.02.14

Tirando os habituais números de circo e os discursos entusiasmantes que mantêm as massas animadas, uma pequena frase de Boileau, retirada de L´Art Poètique (1674), pode resumir o essencial da festa: "Un sot trouve toujours un plus sot qui l'admire" (Chant I).

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Diziam (1)

por Pedro Correia, em 23.02.14

Era um congresso "sem notícia", diziam. E no entanto gastaram horas e horas e horas de transmissão directa para noticiar a não-notícia.

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O discurso de Marcelo

por José António Abreu, em 22.02.14

Pode analisar-se-lhe a sinceridade, as motivações, a oportunidade, a coerência, as consequências (por exemplo: será lamentável se vier a atenuar os efeitos do excelente discurso de Paulo Rangel). Prefiro salientar outro ponto: a utilização do humor. Há falta de humor nos discursos políticos nacionais. Por insegurança (parente muito chegada da arrogância), os políticos portugueses – na verdade, os portugueses em geral – levam-se demasiado a sério, tendo dificuldade em lidar com a ironia, que consideram falta de respeito. Não se passa o mesmo noutros países, em especial nos anglo-saxónicos. Aí, o humor é uma velha e insigne tradição, surgindo nos discursos políticos como sinal de desprendimento e inteligência. Foi isto que Marcelo trouxe ao congresso do PSD.

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Finalmente, um convidado que aceitou o convite...

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.02.14

Só espero que o deixem discursar. Sabendo-se que desde os tempos de Santana Lopes que não aparece um "estadista" por aquelas bandas que dispense o lençol escrito e o estrado, seria uma pena que não o deixassem falar. Temas não lhe faltam. Da CPLP de Obiang aos cortes permanentes na função pública, sem esquecer as questões do referendo, os leitões, os sorteios do fisco, as reformas e a emigração de jovens com mais de 65 anos, será um rosário sem fim. Com sorte ainda passa em revista todos os temas do Carnaval da Mealhada.

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Só um acrónimo infeliz...?

por Ana Lima, em 08.06.11

O VIII Congresso Europeu de Tribunais de Contas decorreu a semana passada em Lisboa. Os cartazes ainda se encontram em alguns mupis na cidade.

Eu sei que o nome da organização é mesmo assim: European Organisation of Supreme Audit Institutions. Mas há alturas em que mais vale substituir as siglas pelo extenso. Ou será que nos estão a querer dizer alguma coisa? 

 

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Vitorino (e outros) a torcer o pepino

por Rui Rocha, em 14.04.11

Este artigo de Manuel Maria Carrilho é demolidor. Mas, o que diz não é novo nem original. Relativamente às posições de Carrilho poderá sempre lançar-se a dúvida sobre os reais motivos que justificam a sua divergência. O certo é que o que Carrilho diz sobre o recente Congresso do PS, muitos outros disseram, nos últimos dias, por outras palavras. Trago-o aqui, sobretudo, porque um parágrafo do texto me parece uma excelente legenda para algumas imagens que é importante registar para memória futura. E também para entendimento do presente. Não chegámos aqui por acaso.

 

O parágrafo é este:

"Como na história ficará também a indigência intelectual e o perfil ético de tantos "senadores" do PS que subiram ao palco para - com completo conhecimento de causa sobre o gravíssimo estado do País - acenar cinicamente aos militantes e aos Portugueses, por puro e interessado calculismo político".

As imagens são estas:

 

 

 

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Este tem-nos no sítio

por Rui Rocha, em 10.04.11

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O Congresso do PS (Partido de Sócrates) não pode ser entendido sem que se enuncie uma distinção entre os conceitos próximos, mas não coincidentes, de ilusão e de alucinação. A ilusão não vive sem a realidade. Constrói-se a partir dela, transformando-a e deformando-a. A alucinação é uma percepção sem objecto. Vive por si, sem qualquer dependência da realidade. Sócrates já foi um vendedor de ilusões. E os resultados eleitorais demonstram que teve um certo talento nesse ramo de actividade. O problema de Sócrates é que tem tanto mérito na venda de ilusões como demérito na actividade de pagador de promessas. E isso é fatal no ramo das ilusões. Recorde-se: estas não sobrevivem na ausência de um nadinha de realidade. A reserva de realidade nas ilusões vendidas por Sócrates esgotou-se. Por isso, Sócrates decidiu mudar de ramo. Agora, está no negócio das alucinações. A moção global de Sócrates aprovada no Congresso de Matosinhos com mais de 97% dos votos é um bom exemplo. Dei-me ao trabalho de a ler de fio a pavio (pode obter-se aqui). O que impressiona é a total ausência de realidade. É uma moção de apoio ao programa de um governo, que define uma estratégia de defesa face à crise da dívida soberana e que salienta a importância da estabilidade política. Entretanto, o governo já caiu, foi formalizado o pedido de ajuda externa e foram convocadas eleições. E isto leva-nos a um aspecto fundamental. As ilusões vendem-se a quem procura a esperança. As alucinações são impingidas a quem se encontra numa situação de delírio. A esperança é o estado natural do ser humano. O delírio é a consequência de uma situação patológica. O Congresso dos Amigos de Sócrates revela um partido doente. As próximas eleições permitirão, antes de mais, avaliar o estado de saúde do país.

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Interrompemos a programação... [Actualizado]

por Paulo Gorjão, em 20.01.10

... para informar que o sr. Nuno Cabral de Montalegre acaba de comprar o PSD, que passará a ter um congresso 24 horas por dia, sete dias por semana, 365 dias por ano. Gratos pela atenção.

 

ADENDA

Notícia de última hora: A ERC está a estudar a aquisição do sr. Nuno Cabral de Montalegre.

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Falta de pontaria (2)

por Pedro Correia, em 01.03.09

 

Os socialistas transformaram o Bloco de Esquerda no adversário principal, o que só confirma a actual irrelevância do PSD. Sócrates mandou alguns dos pesos-pesados do partido 'malhar' nos bloquistas, que vão subindo de sondagem em sondagem. António Costa, um dos que mais se destacaram nesta função, acusa o BE de só servir de "voto de protesto". Isto pretende ser uma crítica, mas acaba por ser um incentivo suplementar a votar no partido de Louçã já nas próximas europeias. Porque se existe algo que em 2009 pode motivar um eleitor português a ir às urnas é o protesto.

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A frase

por Pedro Correia, em 01.03.09

"Graças ao PS, fizeram-se as reformas necessárias em todas as áreas."

José Sócrates, no discurso de encerramento do congresso do PS

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A rosa em Espinho (3)

por Pedro Correia, em 01.03.09

 

Muito se tem falado em "maioria absoluta", como se o PS a merecesse. Inútil falar tanto. Uma palavra de Manuel Alegre pode ser mais decisiva nesta matéria do que todos os discursos que José Sócrates for deixando pelo caminho.

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A rosa em Espinho (2)

por Pedro Correia, em 28.02.09

 

Horas e horas e horas e horas de emissão televisiva, que tenho evitado cuidadosamente, só com a reunião socialista em Espinho. Como se alguma coisa se debatesse por aquelas bandas. Significativamente, a figura deste congresso nem se dignou lá pôr os pés. E fez Manuel Alegre muito bem.

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A rosa em Espinho

por Pedro Correia, em 28.02.09

 

Dizem-me que o PS está reunido em congresso. Em Espinho, nome adequadíssimo ao partido da rosa. Não tenho acompanhado a referida reunião, aliás certamente destinada a debater coisa nenhuma, mas já fui brindado com alguns comentários à dita cuja. Escutei alguém preocupadíssimo com o futuro político de José Sócrates, alertando os portugueses para o "perigo" de não haver maioria absoluta na próxima legislatura: por momentos, imaginei este eminente vulto a emitir um apelo à ressurreição da defunta União Nacional. Escutei também uma isentíssima análise de alguém que dá já como garantida a renovação da maioria socialista, esquecendo que todo o mundo é composto de mudança: por momentos, imaginei tão imparcial analista proclamando aos indígenas que o S de Sócrates é sinónimo de sucesso. E exibindo até essa consoante gravada na fivela do cinto.

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