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Sean Riley & The Slowriders

por José Maria Gui Pimentel, em 23.10.16

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Estive esta semana em Leiria, no Teatro José Lúcio da Silva -- o 'Zé Lúcio' , como é conhecido na cidade --, a assistir ao regresso a casa dos Sean Riley & The Slowriders. Esta banda portuguesa, formada em Coimbra, tem já alguns álbuns editados. Há alguns anos que fazem parte da minha playlist  e tinha alguma curiosidade de os ver ao vivo.

 

O concerto decorreu em ambiente familiar, mas nem por isso deixou de ressaltar o entrosamento dos elementos da banda. Foi especialmente interessante comprovar ao vivo a fantástica voz do vocalista, Afonso Rodrigues. Não se trata apenas de uma boa voz -- algo que o sem-número de programas de talentos veio banalizar -- mas sobretudo de uma sonoridade e timbre incomuns, aos quais é difícil ficar indiferente.

 

Já se sabe que o sucesso musical não segue uma equação clara, e muito menos linear, mas, na minha opinião, os Sean Riley & The Slowriders já mereciam maior reconhecimento no panorama nacional, onde muitas e boas bandas têm despontado na última década. Valeu a pena ir a Leiria.

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O nível estratosférico de Steve Vai

por Alexandre Guerra, em 25.07.16

SV-hair-up.jpegCom excepção de um ou outro site especializado, a passagem de Steve Vai por Portugal (primeiro no Sábado à noite, no CCB em Lisboa, e ontem no Hard Club do Porto) passou despercebida nos meios noticiosos, o que, por si só, é revelador dos critérios e sensiblidades dos jornalistas e editores de Cultura que, muitas vezes, denotam um certo estilo presunçoso e até arrogante de quem só escreve para "elites" ou "amigos" seguidores das tendências urbanas. Steve Vai não é seguramente um produto de tendência, que tenha lugar num dos muitos acontecimentos pseudo-culturais ou festivais da "moda" que, cada vez mais, parecem feiras de activação de marcas, onde, pelo meio, algumas bandas e artistas lá vão tocar (passe o exagero). Seja como for, a julgar pelas audiências, as pessoas parecem gostar. Mas, a questão é precisamente essa: gostar do quê? Do artista ou apenas de uma experiência social com música à mistura? Cada vez mais fica-se com a ideia de que nestes festivais a música deixou de ser o fim último, ou seja, a arte sagrada que exige total atenção e focagem. É tanto o ruído sonoro e visual, são tantas as distrações laterais, que muitas das vezes acabam por desvirtuar aquilo que devia ser uma experiência quase mística entre o público e o artista. Admito que, nos tempos que correm, seja apenas uma minoria a viver e ouvir música dessa maneira, como quem vai a um museu e gosta de estar alguns minutos em silêncio a contemplar um quadro ou como quem vai ao cinema e gosta de estar a ver um filme sem o irritante ruído das pipocas ao lado.  

 

Festivais sempre houve, mas aquilo que dantes era tido como uma espécie de homenagem à música, hoje está a transformado num evento multifacetado. Ainda recentemente no NOS Alive (uma autêntica cacofonia), no tão aguardado concerto dos Radiohead, isso era tão evidente. Para quem conhece minimamente aquela banda, já se antecipava que aquilo não ia correr bem, apesar de esgotadíssimo há meses. A questão é que não era ali o seu espaço, naquela envolvente, com aquele formato. Estranho, aliás, que uma banda como os Radiohead, tão crítica da indústria e tão zelosa da sua arte, "ceda" nesses princípios e se atire para um palco e para um espaço que em nada favorece a sua música.  Nesta fase da vida dos Radiohead, pedia-se algo mais intimista, mais fechado, mais técnico, mais virtuoso... Pedia-se arte superior. Provavelmente, para muitos ou até para a maioria dos presentes nos NOS Alive, o concerto foi espectacular, mas aqui estão, provavelmente, a falar mais alto as emoções e as sensações, porque a verdade é que o concerto não foi bom e nem sequer o som estava num nível que considero aceitável. Mas, nestas coisas não há formas correctas ou incorrectas de se ouvir música. Cada um vê e ouve o que quer e como quer. No que me toca, admito que a música é uma arte demasiado importante para que seja desvirtuada quer pelo ambiente que a rodeia, quer pelo próprio artista que a interpreta. 

 

E isto traz-nos novamente a Steve Vai, que é um daqueles músicos que não cede em nada quando se trata de apresentar ao público a sua arte. É daqueles músicos que, apesar de toda a imagem que cultiva à sua volta, quando vai para cima de um palco o que conta é a forma, a técnica, a virtuosidade da sua guitarra e dos músicos que o acompanham. Tornou-se uma figura incontornável na cena musical, sobretudo depois de ter lançado o estratosférico álbum "Passion and Warfare", que agora celebra 25 anos e que, pela primeira vez, o guitarrista apresenta ao vivo. Foram mais de duas horas de guitarradas e de batidas, por vezes, bem pesadas, mas num ambiente limpo de ruído, sem néons ou barraquinhas, sem marcas ou brindes. Eram só os músicos e o público, num palco sem adereços e numa sala feita de propósito para apreciar música e arte. Steve Vai foi ovacionado de pé por duas ou três vezes no Grande Auditório do CCB e no final todos foram para casa com o privilégio de terem assistido a um concerto virtuoso e estrondoso, o que só se podia esperar de um dos melhores guitarristas do mundo. Outro nível, portanto.

 

 

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Vi Bowie em 1990

por Marta Spínola, em 12.01.16

Raramente ganhei alguma coisa em concursos ou sorteios. Aos 13 anos tudo o que tinha ganhado foi um sumol num arraial, numa corrida de cavalos de pau ou coisa que o valha. Até aos 13 anos diria que foi tudo. Em 1990 amava Mick Jagger, os Stones e David Bowie. Isto tem explicação: tinha sido enganada pela Brosmania no ano anterior, e talvez pela longevidade tivesse optado por nomes com mais da minha idade no meio.  Assim garantia que não acabavam em meses, e tinham obra consagrada. Além disso, eram as influências de mamãe e um primo (também ele antes influenciado) a tomar o devido lugar. Nessa altura David Bowie vinha cá com a sua Sound and Vision tour, eu tinha uma Super Som a oferecer bilhetes ali à mão, e as respostas às perguntas na ponta da língua. Concorri e ganhei! Dei saltos, juro. No dia do concerto - ainda me lembro da sweat Ton Sur Ton de riscas que levei - os meus pais levaram-me a Alvalade, sentei-me na bancada perto de uma família, e vi dali o concerto. Adorei tudo, claro está. A saída, tão crescida, sozinha num concerto a sério - a propósito disto uma tola das amigas da altura dizia "ahahah vais ser uma drogada, a Christiane F também foi sozinha ver o David Bowie aos 13 anos!", todas tínhamos lido o livro nesse ano (ela tinha visto o filme). Sobrevivi sóbria, posso garantir. No palco, sem surpresas, Bowie era enorme na sua puffy shirt e poupa loira. Não foi o concerto mais concorrido a que assisti, mas nunca me esqueci dele. É o que importa.

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Os deuses desceram à cidade

por Sérgio de Almeida Correia, em 18.01.15

O início da temporada é para qualquer melómano um momento mágico. Sabe-se que em qualquer latitude uma casa que se preze não começa a época com promessas, antes optando pelas certezas. Este ano também aconteceu assim.

Ele trouxe o piano de casa, da Suíça onde reside. Dizem-me que há muito que é deste modo que passeia a sua classe nas aparições que faz. Ainda bem. O resto estava cá. Uma grande orquestra, um público afectuoso e interessado, um naipe de músicos de gabarito, um maestro de classe mundial.

Depois, bom depois veio uma peça magnífica, uma explosão de harmonia, cor, movimento, pontuada aqui e ali por momentos de paixão. O teclado deslizando frenético para cá e para lá perante mãos que pareciam imóveis. Tudo envolvido pela afirmação de uma orquestra que é em cada dia que passa uma garantia de continuidade, de trabalho bem feito, de rigor e talento na execução, dirigida por um homem que atinge hoje o Olimpo nos movimentos largos da sua batuta. Começar a temporada com o piano de Zimerman, os músicos de Lu Jia e o Concerto para Piano n.1 em D menor, Op. 15, de Brahms, foi um gosto. Tudo bem feito. Seria bom que assim continuasse, mas eu sei que os deuses não descem à terra todos os dias.

Para a segunda parte, já sem Zimerman, ficámos entregues à Sinfonia n.º 3, em Fá Maior, Op. 60, do mesmo compositor. Um momento de excelência oferecido a todos para dar as boas-vindas ao novo ano.

O programa, na linha dos anteriores, graficamente bem concebido e de leitura fácil apesar de carregar nos tons mais invernais, merece uma atenção aos textos em português. Parágrafos começados com frases do tipo "Como um compositor do século XIX que guardava grande nostalgia pelo era do classicismo,(...)" (página 18) e segue por ali fora, não podem acontecer.

A comunhão com o público continua a ser excelente. A cidade tem hoje um público mais conhecedor, mais aplicado e mais exigente, mas infelizmente nem todos estão a fazer por merecer o que lhes está a ser dado. Apesar da tolerância de 15 minutos antes do início dos espectáculos, há quem insista em chegar tarde, obrigando à abertura de portas durante as breves paragens entre movimentos de uma mesma peça e ao corrupio desagradável e incómodo que obriga orquestra e executantes a aguardarem que finalmente se instalem, acomodem e deixem de tossir. Pior quando a meio da segunda peça começam as mães e as crianças, jovens e menos jovens, a abandonar a sala, numa tremenda falta de respeito por quem actua e por quem escuta. E tudo porquê? Para não perderem o barco ou comboio? Não, nada disso, para fazerem fila do lado de fora do auditório para obterem autógrafos das vedetas. E isto para já não falar na insistência no uso sorrateiro dessa praga de smartphones e telemóveis que invadiu todos os espaços e que leva as pessoas a fazerem as figuras mais ridículas, seja por causa da inevitável selfie, seja para obterem a melhor foto possível durante as actuações, levantando braços e acertando posições para distracção e desespero de quem quer estar concentrado na audição, apostado em receber a cor que chega do palco e se reflecte nas confortáveis sonoridades da madeira. O excelente trabalho que as gentes do Instituto Cultural de Macau têm feito na promoção e divulgação cultural, trazendo gente de nível estratosférico a estas paragens, proporcionando espectáculos que arrastam até Macau o exigente e conhecedor público de Hong Kong, não pode continuar a ser torpedeado pela incultura, desprezo e arrogância cívica de alguns. Levar a cultura a todos, tornando-a acessível às massas e formando públicos exigentes não se faz só com parlapiê e boa vontade, fechando os olhos aos endinheirados ordinários. Impõem-se, por isso, medidas mais rigorosas, que evitem aos seguranças as discretas mas constantes subidas e descidas para chamar a atenção de quem prevarica sabendo que está a prevaricar. Por amor à arte. Neste caso mais pela cidadania, que é por onde passa a verdadeira revolução cultural que faz a diferença entre os homens e as nações.

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Sting: a música que faltou hoje

por Patrícia Reis, em 30.06.12

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