Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Sempre ao lado dos ditadores

por Pedro Correia, em 12.04.17

O PCP votou na Assembleia da República contra a condenação do uso de armas químicas na Síria, colocando-se assim ao lado do ditador Assad.

É de assinalar, esta linha de rumo dos comunistas portugueses. Sem "desvios burgueses", sem brechas na muralha.

 

Já em Dezembro de 2016 tinham alinhado com a ditadura de Assad quando foram a única bancada parlamentar a opor-se em São Bento a um voto de condenação dos bombardeamentos e outros crimes contra a população civil praticados na cidade de Alepo.

Já em Novembro de 2014 o partido liderado por Jerónimo de Sousa recusara subscrever um voto de congratulação pelo 25.º aniversário do derrube do Muro de Berlim.

Já em Fevereiro de 2014 o grupo parlamentar do PCP se isolara das restantes forças parlamentares ao negar-se a  condenar os crimes contra a humanidade cometidos pelo regime totalitário da Coreia do Norte.

Já em Dezembro de 2011 a bancada comunista se mantivera fiel à cartilha ideológica, isolando-se na rejeição de um voto de pesar pelo falecimento do escritor e dramaturgo Vaclav Havel, ex-preso político da ditadura comunista em Praga e primeiro Chefe do Estado da República Checa democrática.

 

Sempre ao lado de regimes tirânicos, sempre contra quem os combate: assim se vê a coerência do PCP.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pós-eleitorais (7)

por Pedro Correia, em 03.02.16

É algo normal. Os partidos comunistas italiano e francês, outrora os mais poderosos do Ocidente, desapareceram do mapa. Deixaram de apresentar-se com as suas siglas (o que, de resto, também o PCP faz desde 1979) e viram os eleitores, em certos casos, transferir o voto directamente para a direita soberanista e xenófoba. Também em Espanha o PC deixou praticamente de existir. O mesmo sucede nos países do Leste da Europa, até há um quarto de século submetidos ao jugo do "socialismo real".
Os 4% agora obtidos pelo candidato presidencial Edgar Silva são o pior resultado desde sempre registado nesta área política em Portugal. Mas ainda são muito superiores à média eleitoral dos comunistas na Europa. O PCP resiste, logo existe.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Os comunistas, por si, não são perigosos

por Rui Rocha, em 09.11.15

Os donos é que os treinam para serem assim.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Marxista, tendência Google

por Pedro Correia, em 15.01.15

Ah, como é cómodo ver a realidade a preto e branco.

Ah, como é útil definir tudo como um confronto entre imperialismo capitalista e socialismo revolucionário, à boleia do que escreveu um senhor de longas barbas no século XIX.

Ah, como é intelectualmente estimulante solucionar cada dilema vergastando verbalmente os Estados Unidos da América com as palavras de ordem que constam do manual.

Ah, como faz bem ao espírito bradar contra o actual inquilino da Casa Branca, Richard Nixon.

zoom[1].gif

 

Ah, como é revigorante contemplar o Muro erguido para a eternidade como sentinela de cimento do bloco soviético nestes tempos de Guerra Fria.

Ah, como é doce lançar anátemas contra a Europa democrática sentado no conforto de um sofá da Europa democrática.

Ah, como é revolucionário escrever incansavelmente as palavras burguês e burguesia, à semelhança do que faz qualquer genuíno marxista, tendência Google.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Penso rápido (22)

por Pedro Correia, em 11.07.14

Os eleitores não estão só cansados com o comportamento dos partidos de governo (e englobo aqui também o PS, partido de governo): deploram também uma certa maneira de fazer oposição protagonizada pelo comunistas, que jamais conseguiram vencer uma eleição a nível nacional e persistem em ser apenas uma força de protesto inconsequente.
Exigem que tudo mude para que tudo fique na mesma, como o Príncipe de Salina. Já deixaram há muito de ser revolucionários. Ficaram a meio caminho. Fazendo de conta que o são.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Os extremos tocam-se

por Pedro Correia, em 06.06.14

«O programa que a Frente Nacional apresentou ao povo francês não era de extrema-direita.  Muitas das suas propostas eram perfeitamente razoáveis, corajosas e até meritórias, como a saída do euro e da UE, a defesa de indústria nacional, a ruptura com a globalização, a independência frente aos ditames estado-unidenses. Teses como essas não são de extrema-direita. São, sim, progressistas.»

Editorial do Resistir.info: os comunistas eurofóbicos rendidos ao putativo charme de Marine Le Pen 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 05.06.14

 

 

Pavel - Um homem não se apaga, de Edmundo Pedro

Prefácio de Mário Soares

Biografia

(edição Parsifal, 2014)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Aqui escrevem os comunistas puros e duros. Sem punhos de renda, como antes da queda do Muro de Berlim. Com linguagem típica de Guerra Fria. Querem derrubar nas ruas o Governo português, que recusam qualificar de democrático, aplicando a cartilha marxista-leninista sobre "violência revolucionária". Enquanto se enfurecem ao ver as ruas da Ucrânia e da Venezuela encherem-se de protestos do povo, a quem não hesitam em chamar fascista.

 

Sobre Portugal:

«Urge apressar o derrubamento deste governo de máscara democrática que é na prática uma ditadura do capital.»

Sobre a Ucrânia:

«Uma vaga de anticomunismo selvagem varre grande parte da Ucrânia. Na capital e nas cidades da Ucrânia Ocidental, organizações de extrema-direita praticam crimes abjetos, perante a passividade do exército e das polícias. Desde o III Reich nazi que não acontecia algo comparável na Europa. O fascismo exibe na Ucrânia, com arrogância desafiadora, a sua face hedionda.»

Sobre Portugal:

«Anima-me a convicção de que o povo português, ao reencontrar-se com a História, volte em breve a assumir-se como sujeito. O aumento torrencial das lutas sociais e da combatividade das massas reforça a esperança de que os trabalhadores, liderados pela CGTP, se mobilizem para enfrentar e afastar do poder os que hoje os oprimem, roubam e humilham.»

Sobre a Venezuela:

«Uma campanha de desinformação, que envolve os grandes media dos EUA e da União Europeia, transmite diariamente a imagem de uma Venezuela onde a violência se tornou endémica, manifestações pacíficas seriam reprimidas, a escassez de produtos essenciais aumenta, a inflação disparou e a crise económica se aprofunda. Ocultam a realidade. Quem promove a violência é a extrema-direita, quem incendiou lojas da Mision Mercal que vende ao povo mercadorias a preços reduzidos, quem saqueia supermercados é essa oposição neofascista que se apresenta como "democrática".»

Sobre Portugal:

«A demissão deste governo, que há muito já deveria ter ocorrido, torna-se cada dia mais urgente. Não é previsível que Cavaco Silva assuma – como não assumiu outros – o dever constitucional de o fazer. Está nas mãos e na luta do povo realizar essa tarefa essencial de saneamento político e democrático.»

Sobre a Ucrânia:

«Os desmandos e violências em curso dos grupos fascistas são inquietantes. Nas cidades que controlam destruíram estátuas de Lenine, ilegalizaram o Partido das Regiões (que apoiava o Presidente) e o Partido Comunista da Ucrânia e em alguns casos fecharam as suas sedes. É transparente que o fascismo ucraniano exibe o seu rosto hediondo.»

Autoria e outros dados (tags, etc)

A peculiar geopolítica comunista

por Pedro Correia, em 30.11.12

 

Jerónimo de Sousa quer "devolver a palavra ao povo", com o recurso a eleições antecipadas. Num discurso em que defendeu o "pleno direito do povo português a decidir do próprio destino" no quadro de uma União Europeia que no seu entender é "irreformável".

 

Declarações do secretário-geral do PCP na abertura do XIX Congresso do partido, em Almada. Lendo no entanto a proposta de resolução política que será votada nesta reunião magna dos comunistas, que países merecem elogios rasgados do partido que Jerónimo de Sousa lidera? Os do costume. Por exemplo, a República Popular da China do partido único, com todo o "pujante desenvolvimento das suas forças produtivas" - em contraste com o "marasmo japonês". Com um ano de atraso, chora-se a "agressão à Líbia" que permitiu derrubar a velha ditadura de Kadhafi, vigente durante 42 anos. Os comunistas saem em defesa da criminosa dinastia de Assad, que oprime há quatro décadas o seu povo, denunciando a "gigantesca campanha de desinformação, desestabilização e agressão à Síria". E do odioso regime teocrático implantado em 1979 em Teerão, vociferando contra "as provocações e a escalada belicista contra o Irão". Vergastam a "contra-ofensiva do imperialismo" em Cuba, país dominado há 54 anos pela família Castro, sempre pronta a asfixiar as mais tímidas manifestações de reformismo interno. Não esquecem entretanto uma palavra solidária à tirania norte-coreana, lamentando aquilo a que chamam "provocações à República Popular Democrática da Coreia".

 

E, para que não restem dúvidas, entoam hossanas em louvor muito especial dos cinco países ainda governados por comunistas que restam no globo, concedendo-lhes o nobre título de nações "resistentes": "No quadro da resistência ao domínio hegemónico do imperialismo, assumem particular relevo no plano internacional vários países (China, RPD da Coreia, Cuba, Laos e Vietname) que, não se integrando no sistema capitalista, constituem objectivamente um factor de contenção dos seus propósitos de domínio planetário."

Países que não respeitam os mais elementares direitos democráticos e cujos regimes ditatoriais, somados, totalizam 258 anos.

 

Já os EUA e a França, países democráticos onde a palavra foi recentemente "devolvida ao povo", são brindados com severas críticas do PCP. "A realidade desmente as campanhas de branqueamento do imperialismo em torno de fabricadas «mudanças» como as da eleição de Barack Obama ou François Hollande. A natureza e objectivos da política dos EUA e da União Europeia – em que a NATO desempenha um papel de primeiro plano – mantêm-se inalteráveis", lê-se na proposta de resolução política. Nada de novo: é mais do mesmo.

 

Passam as décadas, mas o PCP permanece igual a si próprio: tolerante e solidário com ditaduras, implacavelmente crítico com as democracias. Imaginam por instantes um partido da oposição - assumindo que ele existisse - reclamar hoje, como reclama Jerónimo de Sousa, que a palavra seja "devolvida ao povo", senhor do seu "próprio destino", através de eleições democráticas e livres, em Havana, Pequim ou Pionguiangue?

Pois, ninguém imagina. Nem sequer os dirigentes do PCP, que têm um discurso para consumo interno e outro, muito diferente, em matéria de política internacional. Reivindicando mais democracia aqui enquanto aplaudem ditaduras noutros quadrantes.

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

«As ideias são muito mais poderosas do que as armas. Nós não permitimos que os nossos inimigos tenham armas, porque deveríamos permitir que tenham ideias?»

Estaline

 

O camarada Estaline revive de boa saúde nas caixas de comentários de alguns blogues onde não é difícil encontrarmos quem lhe teça loas com o mesmo fulgor orgástico de uma Mariana Alcoforado suspirando na cela do Convento de Nossa Senhora da Conceição pelo conde de Saint-Léger.

Eis aqui alguns comentários dados à estampa por discípulos espirituais do "Guia Genial dos Povos", responsável apenas por quatro milhões de condenações políticas - incluindo 800 mil execuções sumárias e cerca de 2,6 milhões de internamentos no Gulag - no seu glorioso consulado de três décadas à frente dos radiosos destinos da União Soviética, farol da Humanidade:

 

«A imaginação não tem limites e dá sempre jeito meter Estaline (a quem a imaginação já acusou de tudo) para compor o ramalhete.»

 

«Estalinismo é um conceito inventado pela direita e pela esquerda que ataca o leninismo.»

 

«O grande inimigo da pequena burguesia urbana é o camarada Estaline.»

 

Hossana, camaradas, Hossana. A memória gloriosa do grande Estaline, pai dos povos e libertador de nações, permanecerá eternamente viva no coração dos verdadeiros comunistas. Construtor do socialismo, artífice da vitória dos povos na guerra contra o fascismo, defensor da independência e da soberania dos povos, arquitecto do comunismo, o maior defensor da paz e da felicidade do homem.

Alguém ousa duvidar?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Prosa de general birmanês

por Pedro Correia, em 19.11.10

 

No Avante!, nada de novo. Na sua mais recente edição, o órgão central dos comunistas surge em defesa dos direitos humanos no Sara Ocidental - e muito bem - mas páginas adiante lá vem a habitual condescendência com as ditaduras "amigas", desta vez num texto abjecto do misógino de serviço, Correia da Fonseca, sobre a Nobel da Paz Aung San Suu Kyi. "Imagino que deve ser terrível para uma mulher, para mais senhora de boa disponibilidade financeira, não poder sair de casa para ir às compras no hipermercado mais próximo", assinala o escriba comunista. Reduzindo a privação da liberdade da oposicionista birmanesa durante duas décadas a uma laracha machista de péssimo gosto.

Qualquer membro da junta militar de Rangum seria capaz de dar à estampa um escarro destes. Por momentos imaginei até Correia da Fonseca com divisas de general. Birmanês.

 

Ler também:

A Ana Matos Pires, a Joana Lopes, o João Tunes e o José Simões.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A cassete comunista

por Pedro Correia, em 18.11.09

No debate do Estado da Nação de 2007, em 20 de Julho desse ano, Jerónimo de Sousa afirmou na Assembleia da República que Portugal se havia transformado num "país mais injusto".

Em 15 de Outubro de 2008, falando em Aveiro, afirmava que "o nosso país está hoje mais injusto e desigual, mais endividado e mais dependente".

Um ano depois, em 14 de Março de 2009, o diagnóstico do secretário-geral do PCP foi muito semelhante: "O país está pior, mais injusto, desigual e endividado." Na Festa do Avante!, em Setembro, o mesmo mote: "O país está agora ainda mais frágil e mais debilitado do que estava em 2005", declarou Jerónimo a 6 de Setembro. Alguns dias depois, a 18, o líder comunista atacava o Código de Trabalho sublinhando que José Sócrates havia tornado o País "mais desequilibrado e mais injusto".

Já este ano, a 23 de Março, ao convocar uma manifestação de protesto contra o Governo o PCP lamentava que o País se tenha tornado "mais desigual, mais injusto, mais dependente e menos democrático".

Mais recentemente, no editorial do jornal Avante! de 5 de Novembro, pode ler-se:"Com o capitalismo dominante, o mundo é, hoje, menos democrático, menos livre, menos justo, menos fraterno, menos solidário, menos pacífico."

Depois disso, a 7 de Novembro, o secretário-geral do PCP justificou o facto de não celebrar o derrube do Muro de Berlim por haver hoje “um mundo mais injusto, mais desigual, menos democrático, com mais guerra”.

Sempre a música do costume: vira o disco e toca o mesmo. Deve ser a isto que alguns chamam a cassete comunista, que remonta aos tempos pré-históricos. Ninguém lhes arranja um DVD?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Vinte anos de liberdade a Leste

por Pedro Correia, em 09.11.09

 

Hoje o mundo celebra a queda do Muro de Berlim, o símbolo mais inequívoco de um universo opressivo, nascido do equilíbrio do terror nuclear entre as duas superpotências que dominaram a geopolítica do pós-guerra. O mundo inteiro? Não. Numa 'aldeia' de irredutíveis comunistas há quem prefira celebrar não o muro caído mas o muro ainda erguido, entre 1961 e 1989, cortando ao meio um país, cortando ao meio uma cidade de onde os próprios habitantes não podiam sair por imposição de uma potência estrangeira - a URSS - que a ocupava militarmente. Este Astérix de sinal contrário, adepto das legiões romanas com sotaque russo, é o Avante! , órgão central do Partido Comunista Português, que em editorial derrama lágrimas pela queda do império soviético, suspirando de nostalgia pela Revolução de Outubro.

"A constituição do primeiro Estado operário; as conquistas civilizacionais – políticas, sociais, económicas e culturais - alcançadas na União Soviética nascida da Revolução de Outubro; o processo de construção do socialismo então iniciado e os seus êxitos; as múltiplas repercussões no mundo de todo esse exaltante processo, dando nova dimensão à luta de libertação nacional dos trabalhadores e dos povos e à luta pela paz – e, com tudo isso e por tudo isso, o papel que a URSS passou a desempenhar à escala planetária, criaram novas e promissoras perspectivas num mundo até então submetido ao domínio absoluto do sistema capitalista, apresentado como uma «inevitabilidade» decorrente de uma «ordem natural das coisas» fabricada pela ideologia dominante à medida dos interesses do grande capital internacional", escreve o Avante!. Como se vivêssemos no mundo pré-1989, antes da queda do comunismo nas capitais do Leste. Como se vivêssemos no mundo pré-1973, antes de Soljenitsine ter feito a minuciosa descrição do universo concentracionário dos gulags na mais emblemática das suas obras. Como se vivêssemos no mundo pré-1956, antes da revelação - pelo próprio secretário-geral do Partido Comunista soviético, Nikita Khrutchov - dos crimes cometidos por Estaline, o czar vermelho desse falso "primeiro Estado operário" que os comunistas ortodoxos portugueses, possuídos de um saudosismo serôdio, agora glorificam.

"A derrota do socialismo, com o desaparecimento da União Soviética e da comunidade socialista do Leste da Europa, constituiu uma tragédia, não apenas para os povos desses países mas para toda a humanidade: com o capitalismo dominante, o mundo é, hoje, menos democrático, menos livre, menos justo, menos fraterno, menos solidário, menos pacífico", refere ainda o editorial do órgão oficial do PCP.

Nem por um momento ocorre ao Avante! reflectir sobre o que levou essas sociedades tão progressistas a implodir estrondosamente e os trabalhadores 'libertados' de Leste a correr rumo à 'opressão' do Ocidente. É que essas sociedades se fundavam numa mentira que o PCP gosta de repetir ainda hoje: não havia Estados-operários mas ditaduras burocráticas, assentes num capitalismo de Estado para o qual cada cidadão era um sujeito destituído de direitos - começando pelos direitos laborais. O próprio direito à greve era severamente reprimido, como experimentaram na pele os operários que se rebelaram em Berlim-Leste (1953) ou na Polónia (1956, 1970, 1981), já para não mencionar a Roménia do camarada Ceaucescu, que mandava construir os seus faustosos palácios com mão-de-obra escrava.

Este era o falso ''paraíso socialista' que terminou em 1989. O mundo ficou mais livre depois da queda do Muro - depois da queda de todos os muros do Báltico ao Adriático. E ficou também mais igualitário e justo. Porque nenhuma liberdade era realmente digna desse nome na Europa quando permitíamos, por acção ou omissão, que metade do continente ainda não tivesse perdido as grilhetas, para usar uma expressão marxista que o Avante! só emprega quando lhe convém. Como se houvesse alguma superioridade moral nas grilhetas comunistas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Os saudosistas do Muro

por Pedro Correia, em 04.11.09

 

Por estes dias, o mundo assinala o 20º aniversário da queda do Muro de Berlim, um dos mais tenebrosos símbolos da Guerra Fria e do 'socialismo real' que vigorou durante quase meio século no Leste da Europa. Uma data que devia ser festiva para todos. Mas há sempre alguém que diz não: o PCP recusa associar-se às celebrações de júbilo pelo derrube do sinistro bloco de betão que dividiu a capital alemã durante 28 anos, chamando uma manobra da "contra-revolução" a essa incomparável explosão de liberdade ocorrida a 9 de Novembro de 1989.

Em comunicado hoje distribuído à imprensa, os comunistas portugueses exprimem a sua dolorosa nostalgia pelo caduco sistema soviético que implodiu há duas décadas. Celebrar para quê? Na óptica do PCP, "o mundo está hoje mais injusto, mais desigual, mais perigoso e menos democrático". De então para cá, conclui o partido liderado por Jerónimo de Sousa, aumentou a "opressão e exploração dos povos - a começar por muitos dos ex-países socialistas, com a regressão de direitos laborais, a privatização de funções do Estado, com a ofensiva contra direitos e liberdades historicamente alcançados". Como se vigorasse alguma liberdade na Europa de Leste anterior a 1989, mantida sob a tutela pura e dura dos blindados soviéticos.

O cenário actual é todo negro: "Em Portugal e no mundo, se há coisa que estes 20 anos confirmam é que o capitalismo não só é incapaz de resolver os grandes problemas da humanidade e do planeta, como é o principal factor do seu agravamento". Antigamente é que era bom.

O que mais impressiona, neste comunicado, é a defesa - cega e surda às evidências da História - de um sistema que acorrentou milhões de pessoas, impedindo-as até de circular dentro do seu próprio país. O PCP de hoje, nesta matéria, é mais fechado e mais sectário do que o de Maio de 1990, reunido no congresso extraordinário de Loures, onde Álvaro Cunhal deixou bem claro: "O nosso partido rejeita e condena situações, orientações e práticas negativas que conduziram países socialistas a crises e a derrotas."

Gostaria de saber se comunistas lúcidos e moderados - como António Filipe, Honório Novo, Rui Sá, Octávio Teixeira, Ruben Carvalho e Manuel Gusmão, só para mencionar alguns - se revêem no lamentável comunicado difundido hoje pelo gabinete de imprensa do PCP.

 

ADENDA

O último líder do Partido Comunista da Alemanha de Leste, Egon Krenz, disse ao correspondente da Lusa em Berlim, Francisco Assunção, que "cada morto foi um morto a mais", referindo-se aos 140 alemães de leste abatidos por guardas fronteiriços quando tentavam fugir para Berlim-Oeste entre 1961 e 1989. Mortos que o PCP esquece enquanto chora pelo muro que caiu.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um crime é sempre um crime

por Pedro Correia, em 02.11.09

 

Tiago Mota Saraiva limita-se a chamar "erros" aos crimes do estalinismo. Nada mais que isto: erros. Um termo que podemos usar ao referimo-nos a uma simples operação aritmética. Espantoso: mais de meio século após estes crimes terem sido denunciados pelo próprio secretário-geral do PCUS, Nikita Khrutchov, numa sessão à porta fechada do XX congresso do partido soviético, ainda há quem ande à cata do eufemismo mais à mão, numa desesperada tentativa de apagar as evidências da História. Posições destas representam o equivalente moral às teses negacionistas, capazes de jurar que o Holocausto nunca existiu.

Lamento contrariar o Tiago, mas nenhuma sociedade justa se constrói sobre um cortejo de crimes. Um crime, por ser praticado em nome da "esquerda", não deixa de ser um crime. E jamais alguém deve considerá-lo um mero erro, sob pena de se desqualificar em termos intelectuais e éticos. Um crime é sempre um crime. Ponto final.

 

Ler também

- Alguns erros, claro. Do Tiago Moreira Ramalho, no Corta-Fitas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Guerra é paz

por Pedro Correia, em 26.08.09

Uns defendem os aiatolás, outros justificam os talibãs. No sítio do costume. Sempre em nome da liberdade, do socialismo e do 'progresso' - algo que faz lembrar a Novilíngua do 1948, de Orwell. E provavelmente até acreditam no que dizem: a fé anti-EUA é capaz de mover as mais intransponíveis montanhas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um estalinista convicto

por Pedro Correia, em 19.08.09

 

Miguel Urbano Rodrigues defende o indefensável. Sem que ninguém no seu partido (o PCP) se demarque disto:

"O Relatório Secreto de Khruchov trouxe um poderoso estímulo à campanha de demonização de Stalin.
A abertura dos Arquivos soviéticos e as memórias de marechais que desempenharam um grande papel na derrota militar do III Reich constituem o mais eficaz dos desmentidos a afirmações caricaturais desse Relatório que apresenta de Stalin a imagem de um dirigente que caíra em depressão com a invasão alemã e sem influência directa na condução da guerra patriótica.
A tese provocatória dos 'monstros gémeos', difundida por Ana Arendt e outros escritores anticomunistas, não passa de uma grotesca operação de marketing político. Mas continua a ser tempero utilizado nas campanhas de satanização de Stalin.
Losurdo chama a atenção para o protagonismo que Arendt mais uma vez assumiu nessa ofensiva, na tentativa de forçar um paralelo entre a Alemanha nazi e a URSS Staliniana.
A escritora sionista pretende iluminar "a origem do totalitarismo", mas na realidade o seu ensaio agride a História, configurando aquilo a que Lukacs chama o assalto à razão."

Autoria e outros dados (tags, etc)

Avante, FARC!

por Pedro Correia, em 06.08.09

É enternecedor saber que as FARC têm um jornal em Portugal disponível para lhes servir de porta-voz. José Saramago é que é capaz de não gostar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Coerência exemplar

por Pedro Correia, em 05.08.09

 

Em 1939, aplaudiram o pacto germano-soviético e a partilha da Polónia entre Hitler e Estaline.

Em 1956, festejaram a aniquilação do levantamento nacional em Budapeste, afogado num banho de sangue.

Em 1961, deram vivas à construção do Muro de Berlim.

Em 1968, vitoriaram o brutal esmagamento da Primavera de Praga pelos blindados de Moscovo. 

Em 1989, celebraram o massacre de Tiananmen.

Vestiram luto pela queda do império soviético.

Em 2009, defendem a mais repugnante ditadura que subsiste no planeta. Nestes termos exactos: "Hoje como há 60 anos, o povo coreano está na primeira linha dos alvos do imperialismo norte-americano, o maior inimigo dos povos e da paz mundial. O povo coreano tem o direito soberano de decidir o seu futuro, sem ingerências externas, nem agressões imperialistas. Tem o direito soberano de alcançar a reunificação pacífica da sua pátria, libertando-a da ocupação pelo imperialismo norte-americano."

Se há coisa que eu admiro nos comunistas é isto: a sua coerência exemplar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Governo iraniano diz...

por Pedro Correia, em 12.07.09

 

"O Governo iraniano diz ter provas de iniciativas destabilizadoras desenvolvidas por organizações estrangeiras – nomeadamente a CIA – envolvidas em acções terroristas nas fronteiras e na capital. Jornais web estadunidenses têm a mesma opinião.

O Ayatollah Khamenei nas suas criticas à ingerência estrangeira, afirmou que a esperança dos EUA de promover no Irão uma «revolução de veludo», ou «laranja», etc., como as que tiveram êxito na ex-Checoslováquia, na Ucrânia e na Geórgia, é reveladora de um profundo desconhecimento da história milenar do Irão. As circunstâncias e a realidade social são outras."

Blogue comunista O Diário.info, assumindo-se como caixa de ressonância do Governo iraniano e da elite religiosa que o domina

Autoria e outros dados (tags, etc)

Os órfãos de Brejnev e os aiatolás

por Pedro Correia, em 01.07.09

 

Teerão é hoje, como nunca, uma cidade amordaçada, à mercê das tenebrosas milícias bassidji do tirânico regime islâmico cada vez mais divorciado da realidade, cada vez mais repressor. Desde a fraudulenta eleição de 12 de Junho, contestada até por sectores da nomenclatura clerical, a ditadura teocrática mandou prender centenas de opositores - políticos, jornalistas, estudantes - e proíbe agora todas as manifestações de protesto. Com a complacência (e até o aplauso) de uma direita europeia que aprecia regimes 'fortes' (e anti-Israel) e uma esquerda que apoia as mais desprezíveis tiranias desde que tragam o selo anti-EUA.

"Prometeram-nos a liberdade, mas quem disser uma palavra vai parar à prisão. Quanto à república islâmica, a palavra república compreende as noções de democracia e de liberdade. Onde estão elas?" Este sombrio diagnóstico não foi feito por um falcão de Washington, mas pelo aiatolá Hossein Ali Montazeri, uma das figuras mais prestigiadas da elite religiosa do Irão, em declarações hoje transcritas pelo Le Monde.

Outros dirigentes religiosos, citados pelo mesmo jornal, não escondem críticas ao regime ilegítimo de Teerão, tornado ainda mais ilegítimo pela fraude eleitoral nas presidenciais. Como o aiatolá Golpayegani, que se insurge contra a "grande mentira [actual] que atenta contra os próprios fundamentos do islão".

Le Monde chega mesmo a titular em manchete: "Os aiatolás contra Ahmadinejad". Isto enquanto alguns, por cá, continuam a defender e justificar a corrupção política vigente na chamada 'República Islâmica' do Irão, que perverte em simultâneo os ideais islâmicos e o próprio conceito de república. Com a mesma lógica que usaram para aplaudir cegamente as ditaduras comunistas da Europa de Leste no tempo da Guerra Fria: tudo quanto merecia reprovação dos Estados Unidos justificava o aplauso pró-soviético. Estes órfãos de Brejnev ainda não perceberam que esse mundo acabou há exactamente 20 anos e nunca mais regressará.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Na China comunista (2)

por Jorge Assunção, em 15.03.09

Foi dada "liberdade" e "paz" ao povo tibetano, isto segundo a marioneta que o regime colocou como líder espiritual da zona.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Na China comunista

por Jorge Assunção, em 14.03.09

Na China, a concentração do poder no povo em poucos, permite que as marcas populares de luxo Louis Vuitton, Gucci, Hermès e Mont Blanc, entre outras, não tenham muitas razões de queixa neste mês de Março.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Visão de passado

por Jorge Assunção, em 25.02.09

A Megan McArdle a desmontar a possibilidade da frase que o Carlos Barbosa de Oliveira cita mais abaixo ser de Karl Marx, interroga-se sobre quem inventa estas coisas e porquê. Eu coloco as mesmas questões, algum dos leitores quer tentar responder?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Afinal há paraíso: fica na China

por Pedro Correia, em 15.02.09

 

Países escandinavos? Esqueçam. Estado social europeu? Nem pensar. São modelos ultrapassados. Devemos todos aprender com as maravilhas da legislação laboral da China. Um país onde não existe mão-de-obra escrava, onde a exploração do trabalho infantil é inexistente, onde os horários de trabalho são cumpridos, onde o direito à greve é uma realidade pujante, onde os sindicatos são totalmente imunes às pressões do poder político. São os camaradas d' O Diário comunista que nos apontam o dedo inspirador. "Um patrão [na China] não pode terminar o contrato de trabalho durante o período experimental, a não ser que haja motivos evidentes de prova de que o trabalhador falhou no preenchimento das condições necessárias à execução do trabalho. E o patrão terá sempre de explicar as razões ao trabalhador", escreve Alexandrino Saldanha num texto cujo título já diz tudo: A nova lei de trabalho Chinesa - Estabilidade Laboral, uma opção progressista.

Lê-se uma coisa destas e até apetece, sei lá, emigrar para a China. Mas é melhor o camarada Saldanha ir à frente. E depois esperarmos que nos escreva outro simpático artiguinho a partir de lá.

 

(via Entre as Brumas da Memória)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Espanha e Portugal

por Pedro Correia, em 07.01.09

O Partido Comunista de Espanha, que em 1996 chegou a eleger 21 deputados, com 10,54% dos votos, sob a sigla IU – Esquerda Unida – está hoje reduzido a dois parlamentares no Congresso em Madrid e fragmentado em várias tendências, cada vez mais microscópicas, cada vez mais irreconciliáveis. Nas legislativas de Março de 2008, obteve apenas 3,77% dos votos – e um dos dois deputados que elegeu nem sequer é militante comunista. O outro é o coordenador-geral cessante da IU, Gaspar Llamazares, que deixou estas funções por vontade própria, embora conserve o lugar no Parlamento. O PCE tornou-se uma força quase residual. Nada que se pareça com o partido que chegou a fazer tremer a ditadura de Franco e a ter uma considerável influência na vida intelectual e sindical de Espanha.

Lá é assim. Por que motivo será tão diferente em Portugal?

Autoria e outros dados (tags, etc)


O nosso livro


Apoie este livro.



Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D