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O Mundo Às Avessas

por Francisca Prieto, em 30.11.16

Há um par de anos, a Associação Italiana de Pessoas com Síndrome de Down produziu este filme, com jovens de toda a Europa, como resposta a uma carta que tinha recebido de uma futura mãe grávida, a quem tinham diagnosticado Trissomia 21 no feto.

Recentemente, a Alta Autoridade Para a Comunicação Social Francesa proibiu a passagem do filme por considerar que era ofensivo para mulheres que tivessem abortado bebés com Trissomia 21.

Este é talvez o filme mais realista que já vi sobre o assunto. Não doura a pílula, não diz que é fácil. Limita-se a dizer que ter um filho com Trissomia 21 não é o fim do mundo. E que, apesar das dificuldades, podemos hoje esperar que estas pessoas tenham vidas relativamente normais.

Não compreendo como é que num país onde se grita por toda a parte que se é Charlie, se censura um filme que mostra o lado bom da moeda de uma situação que parece a priori tão difícil.

Esta censura amordaça o direito dos jovens com Trissomia 21 de gritarem que são felizes. Diz-lhes que a sua felicidade pode magoar mulheres que tenham abortado pessoas como eles. Manda-os serem deficientes lá no cantinho deles, sem fazer muito estrilho.

Se isto não é o mundo virado ao contrário, vou ali e já venho.

 

 

 

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Critérios... er, jornalísticos?

por José António Abreu, em 13.08.16

Ontem, a RTP1 abriu o telejornal com os incêndios. Depois passou para os últimos dados do INE sobre a evolução da economia portuguesa. A TVI também abriu o noticiário das 20 horas com os incêndios. E depois também passou para os últimos dados do INE sobre a evolução da economia portuguesa. Por seu turno, a SIC abriu o noticiário com os incêndios. Depois fez intervalo. Depois continuou com os incêndios. Depois passou para a peregrinação a Fátima. Depois para um alcoolizado apanhado em contramão na A22. Depois para os protestos dos lesados do BES. Depois para os Jogos Olímpicos. Depois para a abertura do campeonato nacional de futebol. Depois para a presença de Paulo Bento no Olympiakos. Depois para reportagens turísticas em São Miguel e no Porto. Depois para o Festival Sol da Caparica. Depois para a previsão meteorológica. E depois Rodrigues Guedes de Carvalho desejou-nos boa noite e bom fim-de-semana.

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Efeitos secundários patuscos da «geringonça»

por José António Abreu, em 13.01.16

Deixou de se discutir a privatização da RTP para se começar a discutir a estatização da imprensa.

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Apoiar é sinónimo de exigir.

 

Notas.

1. Ironicamente, revelando um Passos prudente e sensato e mantendo vivos os esforços de desculpabilização de Sócrates (não excluir a hipótese de ter sido ele a cedê-la ao Público), a carta beneficia um e outro. Para Costa, fica o habitual papel de número dois do amigo de Carlos Santos Silva.

2. Ah, dirão alguns, Passos pode não ter exigido a vinda da Troika mas desejava-a. Creio que, dispondo da escolha, ele teria preferido governar sem tutelas mas, na verdade, não faço ideia. Sei é que, em 2011, eu desejava a vinda da Troika. Como desejarei uma intervenção tão rápida quanto possível da polícia se assistir a um crime ou do INEM perante um acidente grave.

3. Devia haver assuntos mais merecedores do principal título da primeira página de um jornal dito «de referência». Notícias, talvez.

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Das saudades da «asfixia democrática»

por José António Abreu, em 15.09.15

Ao caso Sócrates pode responder-se com a teoria que o próprio tem avançado: perseguição política. (Na situação dele, é compreensível; que tantos outros socialistas «ilustres» usem o argumento mostra bem como estão habituados a que o sistema de Justiça seja controlável.) O caso GES pode tentar justificar-se com desejo de vingança, tão alinhado com o governo socialista Ricardo Salgado se revelou. Fica mais difícil atribuir o caso dos Vistos Gold e a constituição como arguido do ex-ministro Miguel Macedo a manobras governamentais. Na verdade, por muitos defeitos que possam apontar-se a este governo, tudo indica que, no que respeita à corrupção, o sistema de Justiça funciona hoje bastante melhor do que nos tempos dos governos PS. O mérito do actual governo pode até não passar da nomeação de uma Procuradora Geral da República à altura das responsabilidades do cargo (outras medidas, como a reorganização do mapa judiciário, são aqui pouco relevantes) mas hoje investiga-se e preparam-se acusações sem que os magistrados envolvidos sejam penalizados ou forçados a destruir meios de prova. Os socialistas, claro, não gostam disto nem que se fale disto. Por isso fazem estardalhaço quando um programa televisivo pretende debater o sistema de Justiça e a actuação do Ministério Público. Por isso se mostram escandalizados - uma especialidade da esquerda - quando Paulo Rangel diz o que, no fundo, toda a gente pensa.

E grande parte da comunicação social dá-lhes cobertura. Uma agremiação curiosa, a comunicação social e os seus comentadores mais ou menos profissionais. Tanto quanto se percebe, não houve por parte do actual governo qualquer tentativa séria para a controlar. Miguel Relvas, ainda ministro, telefonou para o Público ameaçando com represálias no caso da publicação de uma notícia e o marido da ministra das Finanças ameaçou por sms «ir aos cornos» a um seu ex-colega do Diário Económico, numa reacção tão destrambelhada que se tornou anedota (e que lhe valeu até agora um termo de identidade e residência), mas não foram instaurados processos por delito de opinião nem parecem ter sido montados esquemas para, em conluio com grupos económicos privados, comprar canais de televisão ou jornais, de modo a controlar-lhes a linha editorial. Na RTP (um problema mais adiado do que resolvido, que os cidadãos pagam todos os meses), o governo instituiu um modelo de gestão independente, similar ao da BBC, que resultou na nomeação para o conselho de administração de gente tão alinhada com Passos e Portas como Nuno Artur Silva. E, no entanto, a maioria da comunicação social (começando pelos órgãos de dois grupos pretensamente capitalistas - Sonae e Impresa) e dos comentadores apoia claramente o PS, ainda que António Costa, embalado pelo facto de uma postura agressiva lhe ter valido - de acordo com esses mesmos comentadores - a vitória no debate com Passos, mostre no vídeo acima como existe em cada socialista um «animal feroz» prestes a saltar sempre que alguém faz as perguntas certas. (OK, talvez não em Guterres.) Pelo que das duas, uma: ou imensos jornalistas e comentadores sofrem de síndrome de Estocolmo e têm saudades dos anos em que eram maltratados (o que, configurando uma condição médica, tem que se desculpar - mas, por favor, procurem tratamento) ou estão de tal modo comprometidos ideologicamente (e talvez socialmente, que Passos sempre foi um outsider nesta coisa tão importante dos círculos bem-pensantes - e quiçá apenas por isso o GES não tenha sido salvo) que merecem não apenas a pressão que um eventual governo socialista venha a aplicar sobre eles no futuro como o crescente desinteresse que a generalidade do público, fora da histeria das redes sociais ou das acções de campanha, parece revelar pelas «informações» e opiniões que transmitem.

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«Coligação apresenta pouco programa e muito medo»

por José António Abreu, em 30.07.15

Houve uma época em que eu comprava e lia o Público. Fazia-o pelas notícias, pelas críticas a livros, discos, filmes, peças de teatro e exposições, pelas colunas de opinião. Hoje, não o compro e raramente o leio, mesmo online. Julgo que continua a ter críticas a livros, discos, filmes, peças de teatro e exposições. Tenho a certeza de que continua a ter colunas de opinião. Parece-me é que quase já não tem notícias.

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Jornalismo (ou talvez: «jornalismo»)

por José António Abreu, em 01.07.15

Por esta razão não houve lugar a réplica ou contraditório, apesar de algumas das afirmações o exigirem. O texto final foi manuscrito por José Sócrates, datilografado fora da cadeia e regressou às suas mãos para sucessivas revisões. A versão definitiva acabou por chegar ontem, ao fim da manhã.

TSF, sobre a «entrevista» a José Sócrates realizada em conjunto com o DN. Duas questões: foi mesmo ele quem escreveu o texto? E quantos exemplares do jornal foram comprados pelos seus amigos e familiares?

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Chamam-lhe informação...

por José António Abreu, em 22.02.15

Há pouco mais de uma hora, no Jornal da Tarde, a TVI noticiou que Fernando Alonso sofreu um acidente esta manhã, nos treinos para o Grande Prémio de Espanha. Isto quando o campeonato de Fórmula 1 ainda nem começou (trata-se de uma sessão de testes de pré-temporada). Talvez seja preferível os canais de televisão generalistas limitarem-se a falar de futebol, tema para o qual parecem dispor de várias centenas de especialistas.

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Poirot precisa-se

por Ana Vidal, em 25.10.13

A comunicação social portuguesa no seu melhor:

"Bárbara Guimarães apresentou uma queixa-crime à PSP, no dia 19 de Outubro, por violência doméstica." E, logo a seguir: "Os motivos para o divórcio ainda não são conhecidos."

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O mundo em que vivemos

por José António Abreu, em 29.08.13

Convém ter presente que em Portugal, como em muitos outros países, sempre ocorreram incêndios. Em 1980, por exemplo, arderam mais hectares do que em 2008 (44.251 contra 17.565). Mas é verdade que, ao longo das últimas duas décadas, a tendência foi de subida, tanto ao nível de número de incêndios (na década de 80 apenas em 1989 ocorreram mais de 10.000 enquanto na primeira década deste século apenas em 2008 o valor ficou abaixo de 20.000) como da área ardida (duas vezes acima dos 100.000 hectares na década de oitenta, quatro na de noventa, seis na de 2000), tendo-se registado picos de destruição em 2003 (recorde de área ardida: 425.839 ha) e 2005 (recorde de número de incêndios: 35.824 e segundo valor mais elevado de sempre de área ardida: 339.089 ha). Isto enquanto os meios de detecção e combate eram progressivamente reforçados e a formação dos bombeiros melhorada. Explicações para o aparente contra-senso? Ouve-se diariamente falar no interior cada vez mais desertificado, na alteração de espécies plantadas (com o crescimento das áreas de eucaliptal), nas florestas por limpar, em comportamentos negligentes. Serão factores importantes. Mas permitam-me acrescentar mais dois. O primeiro não ajudará a explicar o aumento (a  menos que se adopte uma perspectiva decididamente maquiavélica) mas talvez ajude a explicar a inexistência de diminuição. É tão politicamente incorrecto que, tivesse eu algum senso, esperaria pelo final da «época de fogos» (fantástica designação, que por um lado parece tentar empurrar os incêndios para uma normalidade similar à «época balnear» mas por outro contém um horror implícito, como que antecipando épocas ainda piores: a «época oficial das mortes na estrada», por exemplo, ou a «época dos afogamentos em massa») antes de o abordar, ou, se tivesse ainda um pouco mais de senso (o nível adequado às noções do politicamente correcto), nem sequer o abordaria. É, no entanto, muito simples: como noutras áreas, por incompetência e por interesses, do investimento efectuado nem sempre terão saído os resultados esperados. A prevenção dos incêndios e o combate aos mesmos são uma realidade com bastante que elogiar (acima de tudo, a abnegação de tantos voluntários) mas também são um negócio, um emprego para muita gente e um universo de hierarquias, jogos de poder, interesses cruzados e aparências. Nem sempre se terá comprado o equipamento mais adequado. Nem sempre se terá ministrado a formação mais útil. Nem sempre a competência terá sido premiada. Nem sempre o dinheiro terá chegado onde era suposto chegar. Nem sempre se terá funcionado de acordo com regras de sensatez financeira e operacional. Adoptando a tal visão maquiavélica, talvez até se possa acrescentar que nem sempre terá existido interesse em que os incêndios deixassem de assustar a população e, mais importante (mas uma coisa decorre da outra), os responsáveis políticos que assinam a maioria dos cheques (passatempo para um fã de teorias de conspiração: tentar estabelecer uma relação entre as épocas de cortes orçamentais e o valor da área ardida).

O segundo factor gera menos polémica. Muita gente já o referiu mas (desta feita, compreensivelmente) também é pouco abordado nos meios de comunicação social. Trata-se da histeria televisiva, inexistente há vinte e tal anos. Do mesmo modo que noticiar suicídios tende a fazer com que ocorram novos suicídios, o espectáculo televisivo das chamas, do fumo, do medo, da impotência, opera simultaneamente como prémio e incentivo aos pirómanos.  Há pouco mais de vinte anos somente existia a RTP e os incêndios ocupavam dois ou três minutos de um noticiário que demorava meia hora. Há pouco mais de trinta, as chamas nem sequer tinham cor. Hoje, as televisões dedicam aos incêndios mais de meia hora de cada serviço noticioso (alongado para hora e meia) e mostram aos pirómanos, com som, cor, transpiração, desespero, a grandiosidade dos seus actos. O que fazer? A única solução credível passaria pela auto-regulação e isso significa que dificilmente algo mudará. Continuaremos lamentando e protestando, horrorizados (mas também mais do que ligeiramente fascinados), diante dos televisores. O mundo em que vivemos é o mundo em que vivemos.

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Desabafo

por José António Abreu, em 02.07.13

Dizer que Paulo Portas «bateu com a porta» é tããão básico...

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O «controverso»

por José António Abreu, em 05.03.13

No Jornal da Noite da SIC Notícias, a propósito da passagem de 60 anos sobre a morte de Stalin:

O papel de Stalin na História continua a ser controverso. A imagem é utilizada nas celebrações que marcam o fim da Segunda Guerra Mundial mas os opositores defendem que Stalin foi responsável pela prisão, tortura e morte de milhares de pessoas.

E Hitler, claro, só é um monstro segundo meia dúzia de judeus vingativos.

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Funcionária – «jornalista» parece-me exagero – da SIC Notícias entrevista criança de 5 ou 6 anos no Terreiro do Paço.

«Porque estás aqui?»

«Porque… não sei.»

«Não sabes? Mas percebes que é importante cá estar?»

«Uhhh…»

«Um dia perceberás.»

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Só pode ser culpa do Excel...

por José António Abreu, em 21.10.12

Um gráfico é sempre uma excelente forma de visualizar a evolução de uma variável ao longo do tempo, não é verdade? Isto, claro, desde que se possa confiar na escala.

 

(No Correio da Manhã de ontem.)

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Espirro

por José António Abreu, em 25.09.12

«Sr. Ministro, o que tem a dizer aos portugueses, nesta altura em que enfrentam tantas dificul…»

«Aaaaaaatchiiim!!! Peço desculpa, nas deslocações oficiais do último fim-de-semana apanhei chuva e constipei-me. Pode repetir a pergunta?»

***

Meia hora depois, nos sites dos principais meios de comunicação social encontram-se os seguintes títulos:

Público: Ministro mostra desconforto ao ser questionado sobre as dificuldades enfrentadas pelos portugueses.

Diário de Notícias: Ministro usa estratagema para escapar a pergunta incómoda.

i: Ministro ignora dificuldades dos portugueses.

Jornal de Notícias: Ministro alérgico a pergunta sobre dificuldades dos cidadãos.

Visão: Ministro culpa chuva pelas dificuldades dos portugueses.

Sábado: Ministro revela sinais de desgaste.

Renascença: Ministro diz que carga de trabalho começa a afectar-lhe a saúde.

Diário Digital: Ministro constipa-se em actividades de fim-de-semana.

TSF: Ministro queixa-se de excesso de trabalho.

Antena Um: Ministro insinua que trabalha mais do que a maioria dos portugueses.

Diário Económico: Ministro pouco à vontade gera receios de novas medidas de austeridade.

Jornal de Negócios: Governo mostra fragilidades: remodelação iminente?

Correio da Manhã: Mata pai à facada e a seguir vai comer bife com batatas fritas.

Sol: Cavaco não foi informado sobre espirro do ministro.

Expresso: Paulo Portas não concorda com espirro.

De imediato, nos blogues atingem-se níveis de ultraje não experimentados desde a véspera.

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Jogos

por José António Abreu, em 26.05.12

O Miguel vai-se lixando por, desde há muito, estar demasiado embrenhado nos jogos do poder, incluindo no da relação com a comunicação social e, através dela, com a opinião pública. Já o Álvaro vai-se lixando por nem saber que está a jogar. Apenas num dos casos o resultado pode ser considerado justo.

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O frio polar em Lisboa

por Rui Rocha, em 09.02.12

 

Previsão de descida de temperaturas a partir de hoje. Uma das televisões generalistas (confesso que não as distingo) cumpre o ritual da reportagem sobre o frio polar em Lisboa. Arrepio-me no sofá só de imaginar a superfície solidificada do Tejo e as piruetas dos patinadores a exibirem-se no gelo, mesmo ali à frente do Cais das Colunas. Por momentos, admito até que ainda possa aparecer algum pinguim. Afinal de contas, não seria a primeira vez que eu próprio, com estes que a terra há-de comer, veria tais criaturas na capital. Se bem me recordo, da última vez a coisa aconteceu em pleno Oceanário. Corro a preparar um chá. Bebo-o a escaldar para me recompor. No regresso ao sofá, previno-me. Luvas, cachecol, gorro e, para me enroscar, o cobertor eléctrico que a Tia Marquinhas nos ofereceu pelo casamento. Protegido, arrisco uma consulta ao site do Instituto de Meteorologia. De facto, em Lisboa vai fazer um frio de rachar. Já em Bragança deve estar prestes a abrir a época balnear nas praias fluviais do Rio Fervença que, como o próprio nome indica, é uma quentura. Deve ser por estas e por outras que os jovens e menos jovens quadros das empresas lisboetas usam, entre Outubro e Abril, para além do fato esticadinho, da gravata estreitinha à Guardiola e do sapato engraxadinho, um sobretudo indispensável nos Invernos agrestes destas latitudes. Já a suar as estopinhas, dou por mim a pensar, enquanto tiro o gorro, as luvas e o cachecol e ponho o cobertor eléctrico na máquina de lavar, que as coisas de facto mudaram. Houve um tempo em que a comunicação social só dava relevo ao que se passava em Lisboa. Agora, ocupa-se das possíveis consequências em Lisboa daquilo que, na verdade, se passa em outros pontos do país.

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O povo é quem mais espeta

por João Carvalho, em 27.10.11

 

O «Theatro Circo assinala hoje cinco anos da reabertura e um balanço de 300 mil espetadores». A notícia é da Lusa, que escreve o seguinte em lead: «O diretor do Theatro Circo [em Braga] considera "positivo" o balanço dos cinco anos após a reabertura, hoje assinalados, e revela que a "sala" que se tornou "espaço da memória coletiva da cidade" recebeu mais de 300 mil espetadores neste período.»

Portanto, a Lusa não só dá voz ao diretor do teatro que é memória coletiva, como garante que ele recebeu centenas de espetadores. É por estas e por outras que o povo quer espetar uma lança na comunicação social do Estado que anda a pagar a peso de ouro.

 

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Mais um processo?

por João Carvalho, em 10.02.11

«Compreendo que haja, num Estado de Direito, esta espécie de parceria entre a Justiça e a comunicação social» — disse Armando Vara na qualidade de arguido no processo "Face Oculta". «A parte má é que há um linchamento na praça pública, porque uma parte vai deixando sair peças ao longo do tempo de forma a criar na opinião pública um culpado e as defesas não têm os mesmos meios.» E ainda acrescentou: «a mediatização do processo tem sido milimetricamente comandada pela acusação» e é «óbvio» que o acusador, o Ministério Público, está «obcecado pelo primeiro-ministro».

Com esta denúncia sobre o comportamento do MP feita publicamente, Vara candidata-se a mais um processo. Ou não?

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É natural

por João Carvalho, em 22.01.11

O Estado só tem perto de 30 mil viaturas oficiais. É natural que tenha aberto um concurso para comprar mais 2655 viaturas pela módica quantia de 35 milhões de euros.

As empresas públicas pagam mal e são exemplarmente poupadas. É natural que a EPAL, empresa pública, tenha aumentado os salários de 40 funcionários.

A Águas de Portugal, grupo público, tem uma frota de 1200 viaturas e um plano em execução para trocar 400 automóveis de luxo que foi descoberto pela comunicação social. É natural que nada se saiba sobre a exigência que o Governo lhe fez para explicar tudo direitinho até 15 de Outubro passado.

A crise acabou. É natural que as medidas de austeridade tenham sido revogadas.

Os portugueses têm dinheiro a mais. É natural que vão para a porta do primeiro-ministro entregar-lhe umas boas sobras e que a pedagogia policial lhes mostre como se investe.

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Nada a dizer?

por João Carvalho, em 15.12.10

O Governo soube da escandalosa frota automóvel da Águas de Portugal pela comunicação social e pediu ao grupo que apresentasse detalhes sobre o que tem andado a passar-se lá dentro. E deu-lhe um prazo para informar: 15 de Outubro. Estamos hoje a 15 de Dezembro. Não há nada sobre o assunto?

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Águas continuam muito livres

por João Carvalho, em 15.11.10

«Cento e dez mil euros. Foi esta a indemnização recebida pelo motorista do presidente da Empresa Portuguesa de Águas Livres (EPAL), um valor mais de três vezes superior ao previsto na legislação do trabalho. O trabalhador, há 26 anos na empresa pública, é apontado como militante socialista e casado com uma funcionária da Federação da Área Urbana de Lisboa do PS — avança o Correio da Manhã.» A explicação da EPAL é interessante: «A rescisão surge no seguimento de "uma política de racionalização e renovação dos trabalhadores da EPAL." A parte mais interessante é a da "racionalização", como está bom de ver.

Já agora, como a EPAL pertence às Aguas de Portugal, como se trata de um motorista e como estamos a 15 de Novembro, que é feito disto?

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Águas de Portugal: novidades?

por João Carvalho, em 02.11.10

O Governo soube da escandalosa frota automóvel da Águas de Portugal pela comunicação social e pediu ao grupo que apresentasse detalhes sobre o que tem andado a passar-se lá dentro. E deu-lhe um prazo para informar: 15 de Outubro. Estamos em Novembro. Novidades?

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Investigar e informar

por João Carvalho, em 27.09.10

 

O grupo empresarial público Águas de Portugal tem uma frota de cerca de 1200 veículos, incluindo quase 400 automóveis de gama alta, 34 dos quais foram trocados este ano por carros também de alta cilindrada e cuja utilização (pelos quilómetros percorridos e consumos de gasolina apresentados) levanta dúvidas.

Ao mesmo tempo, a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos propõe aumentos de tarifa entre os 19 e os 42 por cento, coisa que as câmaras municipais recusam aceitar, como está bom de ver.

De momento, o Governo decidiu suspender a plano de renovação da frota de automóveis da Águas de Portugal e deu a esta um prazo para que dê conta dos respectivos impactos financeiros, critérios de atribuição de viaturas e regulamentação sobre o assunto.

A Águas de Portugal vai ter umas semanas para estudar e apresentar a resposta ao Governo, mas não perdeu tempo a adiantar-se com uma nota dirigida à comunicação social para dizer patati-patatá.

Independentemente da continuação e desfecho deste folhetim, duas conclusões podem já tirar-se e nenhuma delas é novidade:

— mal estará o país em que a comunicação social não puder investigar por sua conta e substituir-se às autoridades que não tomarem a iniciativa;

— a comunicação social não pode andar de lupa a cobrir todo o território nacional e é bom reflectirmos e termos isso presente.

Em suma: a justiça há-de ser sempre necessária e precisa de funcionar para podermos acreditar que não será tudo eternamente mau, mas é essencial que a seriedade, a correcção, a verticalidade, a moral, a palavra, a responsabilidade e todos esses valores em torno da coisa pública regressem ao ponto de partida. A ética, enfim, não pode continuar a ser excepção, ou não há sociedade que resista muito mais.

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Vestida para matar

por Ana Vidal, em 23.02.10

 

Ai,  se a moda pega por cá...

 

 

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Estão a gozar connosco?

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 20.01.10

Não é raro ler, na imprensa nacional, notícias que já lera uma ou duas semanas antes na imprensa estrangeira. 
Agora ver como destaque de primeira página uma notícia que tem pelo menos três meses é que já me parece ser gozar com o pagode.
 

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O poder dos títulos

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 15.01.10

 

Embora estando de acordo com este post do Pedro, gostaria de referir um outro poder dos jornalistas, relacionado com os títulos das notícias. Todos os dias leio títulos que desvirtuam total ou parcialmente o sentido da notícia, ou lhe conferem uma conotação ideológica. 
Dedico-me, com alguma frequência, à comparação dos títulos escolhidos por  diversos jornais para uma mesma notícia, exercício que aplico também em algumas acções de formação. Não se trata de perda de tempo, ou curiosidade mórbida. A maioria das pessoas só lê  o título e os “leads” de  grande parte das notícias, tirando a partir dele as suas conclusões, pelo que a escolha do título pode, de algum modo, “formatar” o juízo dos leitores. É uma espécie de "poder oculto" utilizado por alguma imprensa.

A  comparação permite ainda tirar conclusões assaz curiosas, sendo uma delas que a escolha de um título nem sempre é inocente. Poderia aqui trazer inúmeros exemplos, mas deixo-vos apenas um, escolhido de forma aleatória, na imprensa de hoje.
Estado gasta mais 500 milhões para suportar emprego de 760 mil pessoas”.

A leitura deste título permite diversas interpretações que deixo ao vosso juízo. Apenas gostaria de salientar que, referindo-se a notícia a um plano de combate ao desemprego ontem apresentado pelo ministério do trabalho (“Iniciativa  Emprego 2010”),  talvez fosse mais ajustado  um título que se cingisse ao teor da notícia e evitasse  interpretações dúbias. Por exemplo: “Estado disponibiliza 500 milhões para combater  desemprego”.  Ou então, numa versão mais curta: “Plano de Emprego abrange 760 mil pessoas”.  Títulos inócuos, argumentarão alguns. Talvez... mas, pelo menos, terão a vantagem de não suscitar interpretações dúbias. 

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Mais do que fazer perguntas

por J.M. Coutinho Ribeiro, em 14.01.10

Uma ligeira discordância em relação ao excelente post do Pedro Correia, logo abaixo, sobre o poder dos jornalistas. Apenas para dizer que aos jornalistas incumbe mais do que fazer perguntas - cumpre-lhes obter respostas, mesmo quando as perguntas não são respondidas. Ou, sobretudo, quando elas não são respondidas. Ou quando são mal respondidas. É o que se chama de jornalismo de "investigação". Que, aliás, anda a ser muito mal tratado entre nós.

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Uma ideia para ontem

por João Carvalho, em 04.11.09

José Medeiros Ferreira apelou aqui para que as Redacções dos órgãos de imprensa comecem a assinalar as matérias provenientes das agências de comunicação, do mesmo modo que sempre fizeram com as notícias das agências de informação (Lusa, Reuters, AFP, etc.). Realmente, torna tudo mais claro: a imprensa assume a selecção das matérias e respectivas origens e o público-leitor fica esclarecido.

«É um objectivo saudável para a relação de transparência que deve existir entre a imprensa e público» – defende com razão Medeiros Ferreira. «Portanto acabará por entrar nos costumes, ou nos livros de estilo. Quanto mais depressa melhor.» Só acho estranho que esta ideia (que é uma ideia de princípio) ainda não funcione. E não devia ser para começar já, mas para começar ontem.

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Hoje, na RTP 2

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 30.09.09

José Carlos Vasconcelos, Vicente Jorge Silva e o juiz Eurico Reis vão estar hoje no programa do Clube de Jornalistas (RTP 2, 23h30m) para um debate sobre o tratamento jornalístico  do caso das alegadas escutas.

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Comunicação e chavões

por João Carvalho, em 24.09.09

A SIC anda a promover o programa que vai emitir a partir da tardinha de domingo. É normal. Porém, fecha o anúncio a dizer: «na noite em que escolhemos o primeiro-ministro de Portugal». É muito grave? Não é, certamente, mas pode ser mentira e, sobretudo, manifesta pouco respeito pelo autêntico objectivo de um acto eleitoral que faz parte da essência do nosso próprio regime. Da parte de um meio supostamente especializado em comunicação, então já começa a ser grave, pela falta total de rigor.

É igualmente certo que a comunicação em geral tem descido de nível a cada passo, da expressão à criatividade, passando pela generalidade das vertentes que quisermos encarar. A título de exemplo, veja-se o chavão da SIC-Notícias num dos seus preparados de autopromoção: «O orgulho de poder dizer». Ou ainda aquele do Banif que aparece por todos os cantos: «A força de acreditar». Muito imaginativos e interessantíssimos, estes e outros que tais.

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Mais um tiro no porta-aviões

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 20.09.09

A notícia de primeira página do "Expresso" sobre os PPR de Louçã  é do mais ridículo que alguma vez li. Quando um semanário "de referência"  faz notícias deste jaez, não faz mais do que confirmar o que venho dizendo há muito: o jornalismo em Portugal está pelas ruas da amargura.

Não terá havido nenhuma cabecinha naquele jornal que percebesse o ridículo da notícia? É evidente que, em vez de denegrir Louçã, apenas legitima a sua posição face aos PPR. Nada melhor do que a experiência, para fundamentar as afirmações. 

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A boa moeda...

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 18.09.09

..expulsa a má moeda. 

Espero que esta teoria se aplique à comunicação social. na generalidade, e aos jornalistas em particular.

Ler tudo aqui

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Provedor do Público esclarece caso do espião de S. Bento

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 13.09.09

O caso do assessor do PR que, refugiando-se no anonimato, lançou a suspeita de o governo andar a escutar Cavaco, deixou de ser notícia mas o Provedor do Público não esqueceu  o assunto e hoje, na sua coluna, começa a desvendar os contornos de uma notícia com 18 meses, mas que o jornal apenas divulgou em Agosto deste ano. Ficam muitas interrogações no ar, mas  Joaquim Vieira promete voltar ao assunto na próxima semana.

Para já, tece duras críticas ao jornal e a um certo tipo de jornalismo e fica-se a saber que o jornal omitiu as informações do jornalista que contrariavam as informações do assessor anónimo. Parece que José Manuel Fernandes privilegia as informações de assessores anónimos à investigação feita pelos seus jornalistas, o que é esclarecedor.

Curioso é também o facto de, confrontado com esta questão pelo Provedor, JMF se ter remetido ao silêncio.

Embora o texto e respectivos anexos sejam longos, vale a pena ler para se ficar com uma ideia dos contornos da telenovela lançada pelo Público. Com sorte, talvez ainda venhamos a saber se  Fernando Lima é, realmente, o assessor anónimo. Francisco Louçã garantiu à SIC que sim mas, estranhamente, a revelação do líder do BE não teve qualquer eco na imprensa.

Ler desenvolvimento aqui

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Também concordo com estes...

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 05.09.09

João Marcelino no DN - o importante no caso da TVI

 

Joel Neto no- DN- é a economia estúpido

 

Manuel António Pina no JN- outra cabala

 

Ex-editor acusa Moniz no DN- de ser obrigado, por Moniz, a alinhar o seu jornal pelo de Moura Guedes.

 

 

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Eu também não

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 05.09.09

"Eu não percebo como é que andam pessoas a chorar lágrimas de crocodilo por ter terminado um espaço que violava as leis, violava os códigos, violava as regras do jornalismo,que envergonhava os jornalistas em Portugal".

(Emídio Rangel na TSF cit "P2)

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Talvez valha a pena pensar um pouco sobre o assunto

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 04.09.09

Não entro em histerias. Não faço acusações sem provas inequívocas. Não elejo alvos para desferir ataques pessoais ou fazer auto promoção. Cultivo o rigor e a isenção.
Estas são as regras que utilizo enquanto jornalista mas, obviamente,  que não são aplicáveis nos blogs onde escrevo, porque nestes espaços não me sinto vinculado a essas regras. O blog é um espaço de opinião. A que me sinto com direito como cidadão, que não está desligado da vida social e política do país.
Vou tentar, porém, analisar - na pele de jornalista - o caso do momento. Nessa perspectiva, penso que ainda não é o momento de tirar conclusões do caso MMG.
Aguardo serenamente pelas 20 horas. Se a TVI divulgar INTEGRALMENTE as investigações feitas pela equipa de MMG, fico com a (quase) certeza de que não houve mãozinha do governo. Se, pelo contrário, optar por esconder as investigações, fico com uma dúvida: atendendo a que a decisão foi tomada em Espanha, será  que as peças revelariam alguma coisa inconveniente para o governo de Zapatero e as suas relações com o PS? Penso que não. É  já conhecido o corte de relações entre a PRISA e o PSOE, pelo que alguma ligação do caso com acontecimentos em Espanha não estará relacionada com quem está actualmente no governo. Para bom entendedor…
Vejamos então a hipótese de a investigação ter encontrado mais provas contra Sócrates e aí, sim, pode levantar-se a possibilidade de ter havido intervenção do governo. Fico, no entanto, sem encontrar respostas para as razões que terão levado o governo a manobrar no sentido de suspender o Jornal de MMG. E aí entra outra hipótese, que só MMG pode ajudar a deslindar: que razões a  levaram  a dar uma entrevista ao “Público” no dia em que foi conhecida a suspensão do seu jornal?  Por que razão lembrou, nessa entrevista, que “seriam estúpidos” se acabassem com o Jornal dela? E, ,já agora, seria interessante que ela desvendasse as conclusões a que chegou porque, se não o fizer, é legítimo levantar a hipótese de a peça não existir, ou não trazer nada de novo.
Não creio que a TVI deixe de divulgar a peça. A razão é simples. Apesar de demissionária, a direcção de informação  continua a exercer funções, pelo que só não divulgará a investigação se não quiser. E se a opção for não divulgar, a solidariedade manifestada pela direcção de informação com MMG terá de ser posta em causa. Ou, então, a direcção de informação abandona de imediato as suas funções e denuncia que foi proibida de exibir a investigação e voltamos ao princípio.
Finalmente, se a investigação for divulgada, conclui-se que o objectivo da PRISA foi  apenas afastar – não despedir - MMG (tem toda a legitimidade para o fazer) e, eventualmente, alguns dos elementos do “inner circle” de José Eduardo Moniz. O que também é legítimo. Normal na Administração Pública e nas empresas.
Este post é um mero exercício especulativo. Mas é com todos os pressupostos colocados  em cima da mesa que um jornalista deve trabalhar. Depois deve comparar informações, confrontar fontes, pesquisar, ligar as pontas e tentar tirar as conclusões. Só nessa altura estará em condições de produzir a notícia.
Dir-me-ão que o jornalismo, hoje em dia, não se compadece com este tipo de jornalismo, por ser muito moroso. É uma verdade apenas parcial. Trabalhei em Inglaterra e nos Estados Unidos e lá é frequente um jornal destacar um ou dois jornalistas para, durante um  ano, investigarem  determinado assunto. Por aqui, há mais preocupação em vender jornais e andar atrás do mediatismo das notícias, do que em ser rigoroso. O caso Freeport surgiu em 2005. Durante quatro anos, ninguém se interessou pelo assunto. Foi um tempo perdido, que poderia ter sido muito bem aproveitado para fazer investigação. Agora, para recuperar esse tempo, fazem-se notícias à pressa.
Claro que lá fora também existe este tipo de jornalismo. Como bem demonstram os casos Aznar/PP em relação ao 11 de Março (rapidamente desmascarado) ou a tragicomédia da invasão do Iraque. No entanto, se queremos jornalismo sério, em Portugal ou em qualquer parte do mundo, é obrigatório que a comunicação social invista na investigação. Sem deixar cair determinados casos no esquecimento e ressuscitá-los quando dá mais jeito a interesses que nada têm a ver com jornalismo. É que, ao contrário do que muitos defendem, nem sempre as notícias mais importantes são as que se relacionam com o presente. São, sim, aquelas que influenciam o nosso futuro.

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O maior

por João Carvalho, em 03.09.09

O presidente da ERC não está à mesa do café a falar com amigos e conhecidos. Azeredo Lopes está à mesa de um programa de televisão a ser observado por telespectadores. Mas não se sente inibido: Pacheco Pereira é o Pacheco Pereira, António Costa é o doutor António Costa ou o senhor doutor,  António Lobo Xavier tanto é o António como é o António Lobo Xavier ou o doutor António Lobo Xavier. E o moderador? O moderador é o Carlos.

E o presidente da ERC? O professor Azeredo Lopes? Ora: Lopes é o maior.

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O lamentável caso TVI

por J.M. Coutinho Ribeiro, em 03.09.09

Não sendo especial adepto do jornalismo de Manuela Moura Guedes, nem do seu jornal das 6ªs feiras, fico, ainda assim, perplexo com a anunciada decisão da administração da TVI de suspender o programa. Sobretudo depois de se ter tornado público que seria transmitida uma peça sobre o caso Freeport.

Se, apesar da suspensão do programa, a peça for para o ar em algum serviço noticioso da TVI, a situação será menos grave. Se não for para o ar, dificilmente algum português ficará convencido de que a suspensão do programa não teve a ver com o Freeport e que o governo não teve a ver com a suspensão do jornal.

Apontemos para a segunda hipótese. E, nesse caso, seremos levados a pensar que algo de muito grave seria revelado na reportagem sobre o Freeport. Só assim se percebe que José Sócrates tenha optado por pôr a cabeça a jeito, sujeitando-se à suspeição de ter interferido nos critérios editoriais da TVI.

A questão que sobra é a seguinte: quem irá ser o próximo director de informação da TVI? Há, no meio, quem aponte para Emídio Rangel. Ora, se tal acontecer, passa o canal a ser liderado por um impenitente "socratista". E, aí, ficaremos completamente esclarecidos sobre a forma como este governo lida com a comunicação social. E sobre a forma como (alguma) comunicação social se deixa domar pelo poder. Lamentável, num caso e noutro.

 

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Post para os mais esquecidos

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 26.08.09

É só para lembrar que quase toda a imprensa que deu grande destaque ao pseudo atropelamento pura e simplesmente omitiu isto.

 

Gosto de debater ideias. Detesto gente de má-fé.

 

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Jornalismo de sarjeta*

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 26.08.09

“As explicações com a aparente cumplicidade de fontes anónimas da PSP, que se apressaram a dar uma versão benevolente dos factos, tentam fazer o controlo de danos. Mas olhando para o curriculum de Pinto da Costa, é muito difícil conceder benefícios de dúvida…”
Isto não foi escrito no Jornal do Benfica, nem na sua sucursal que se vende a 80 cêntimos e se apelida de jornal desportivo. Foi escrito no “Público”, um jornal que pretende ser credível, por um jornalista que assina P.F.  mas presumo sofra de dislexia.
Um jornal que criou uma novela de Verão com base em fontes anónimas,não tem legitimidade para fazer juízos de valor  sobre outras fontes.
Um jornalista não pode escrever na última página uma série de atoardas tendenciosas, pondo em causa fontes anónimas da polícia, quando a notícia do mesmo jornal, ( página 9) fala de “fonte oficial da PSP”.
Nenhum jornalista, mesmo só com meio neurónio,  invocaria o curriculum de PC para colocar em causa a versão oficial da polícia sobre um acidente provocado pelo motorista do presidente do FC. Porto. Isso não é jornalismo, é má fé!
Nenhum jornal que se serviu de um assessor cobardolas do PR, para incendiar as relações entre PR e PM e vender mais alguns exemplares, tem o direito de fazer as insinuações que este P.F. faz, nem de escrever uma notícia sobre um atropelamento que não existiu ( saberá AAM o significado de atropelar?) como se pode ler na própria notícia que AAM redigiu: “ sendo atingido ( o repórter) pelo espelho retrovisor do lado direito, que lhe provocou a queda”.
Quando se escreve em jornais é preciso ter a noção do rigor. Um jornalista não pode escrever atoardas, só porque lhe dá jeito e, quando escreve uma notícia, deve evitar contradições, para evitar cair no ridículo. Já agora, devia saber que ao associar por três vezes  -  numa notícia de meia dúzia de linhas - o nome de Pinto da Costa ao “atropelamento”, só porque ele ia na mesma viatura,  está a ser insidioso e a prestar um mau serviço ao jornalismo. Se quer emitir opiniões, ou fazer juízos de valor sobre um acontecimento em vez de escrever notícias, o melhor é criar um blog.


*Não  utilizo a expressão “jornalismo de cano de esgoto” para não  ofender alguns leitores mais puritanos.
 

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O lado B da Ética

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 10.08.09

Dizem os jornais que Cavaco Silva ficou estupefacto com a não inclusão do Professor  Lobo Antunes no Conselho Nacional de Ética e Ciências da Vida. Sinceramente, duvido. Não estou a ver o PR estupefacto. Não encaixa no seu perfil. Quando muito terá ficado irritado. Com razão, porque LA é uma figura de mérito inquestionável.
Há muito percebi como Sócrates é hábil a afastar pessoas incómodas. Faz parte do seu carácter só apreciar pessoas que lhe prestem vassalagem. Por isso não me espanto.
Espanto-me, todavia, com a forma como a questão tem sido analisada a nível da imprensa e de grande parte da blogosfera.
A ser verdade que o governo se comprometeu com o PR a nomear LA, não terá o PR exorbitado um pouco as suas funções, ao interceder pelo Conselheiro de Estado?
Ainda não li um comunicado da PR confirmando a estupefacção. Apenas notícias citando fontes não identificadas e eu sei bem o que isso pode significar.
Não sendo as nomeações da exclusiva responsabilidade do governo, por que razão não foi LA indicado pelo PSD, ou por alguma das instituições não tuteladas pelo governo? Confiaram na palavra do governo? Mas não foi MFL que disse não acreditar numa única promessa de Sócrates? Importam-se de me dizer quem se comprometeu?
Quando se quer fazer barulho, é fácil. Quando se opta por ser objectivo e dar aos leitores notícias em vez de ruído, é que se torna mais difícil.

Em minha opinião, alguma imprensa perdeu uma boa oportunidade para  demonstrar que se pauta por princípios éticos. Foi pena.

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A negação do jornalismo

por José Gomes André, em 22.07.09

Não gosto do estilo (nem da substância, na maioria dos casos), mas Pacheco Pereira tem razão numa coisa: o jornalismo que se pratica em Portugal baseia-se cada vez mais na insinuação, na opinião subjectiva, na notícia mal fundamentada, nas generalizações apressadas. Vejam este texto, da autoria de Margarida Gomes, sobre a composição das listas do PSD para Lisboa. A notícia, que dá conta dos nomes escolhidos e das alterações relativamente ao passado, termina com esta atoarda: "Uma fonte do PSD disse ao PÚBLICO que [...] existe um enorme descontentamento pelas escolhas da distrital para a lista de candidatados a deputados."
Mas que diabo de informação é esta? Há uma pessoa que diz que existe descontentamento com as escolhas. Porquê? Porque os nomes são maus? Porque faltam certas figuras que têm apoio no PSD? Porque há renovação a mais? Porque há renovação a menos? Por causa do ordenamento dos lugares? Porque a referida fonte ficou de fora? Não sabemos. A única coisa que sabemos é que um anónimo diz que há algumas pessoas (muitas? poucas? duas?) que não estão contentes. Isto, meus amigos, nada tem a ver com jornalismo, mas com um mero boato. Ou nem sequer isso, se calhar.

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Quem te viu e quem TV

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 03.06.09

Hoje pelas 23h30m, na RTP 2, o programa  quinzenal do Clube de Jornalistas vai debater a discussão entre Manuela Moura Guedes e António Marinho Pinto, em directo, no Jornal de 6.ª.

Uma oportunidade para debater a degradação progressiva do jornalismo português, cuja  credibilidade se tem esvaído entre a mediocridade técnica e o aviltamento deontológico.

Sem puxar a brasa à minha sardinha, parece-me oportuno este debate alargado, que terá como convidados:

Francisco Sarsfield Cabral – Jornalista;
João Miguel Tavares – Jornalista;
António Marinho Pinto – Bastonário da Ordem dos Advogados
(Nota: Manuela Moura Guedes não aceitou o convite para participar no programa)

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ERC reprova actuação da TVI

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 28.05.09

Não faltará por aí quem critique a decisão da ERC mas, face às queixas apresentadas, o regulador não podia deixar de tomar posição, sob pena de perder toda a credibilidade.
Em causa está um conjunto de peças a propósito do caso Freeport, exibidas no Jornal da sexta-feira onde, a coberto de jornalismo de investigação, se torpedeou constantemente o Estatuto do Jornalista.
A TVI pode preencher todo o horário nobre com  telenovelas, o que não pode é fingir que faz informação quando está a produzir apenas uma telenovela informativa, desrespeitando o Estatuto do Jornalista e as regras mais elementares do jornalismo.
Na sua deliberação, o Conselho Regulador considerou "verificada, à luz da análise efectuada, a possibilidade de a TVI ter posto em causa o respeito pela presunção de inocência dos visados nas notícias (tal como resulta do artigo 14.º, n.º 2, alínea c) do Estatuto do Jornalista)". Afirma ainda o Conselho que a TVI se afastou de alguns princípios expostos no seu Estatuto Editorial, a cujo cumprimento se encontra vinculada, e onde se compromete "a observar, nomeadamente, nos seus programas de Informação, regras estritas de honestidade, de isenção, de imparcialidade, de pluralismo, de objectividade e de rigor".
Poderá haver quem acredite que aquilo que a TVI anda a fazer é jornalismo, mas compete à ERC, enquanto entidade reguladora, esclarecer os cidadãos sobre as diferenças entre jornalismo, opinião e “vendetta”.
Texto da deliberação e peças analisadas, aqui.

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"i" Nós?

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 09.05.09

Tinha muita expectativa quanto ao suplemento de sábado do “i”. Hoje, logo pela manhã, fui comprar e, mesmo antes de ler o jornal, estive a ler a “Nós” enquanto tomava o pequeno almoço, no sítio do costume.
Os que esperavam um “remake” do saudoso DNA, talvez se tenham sentido defraudados. No entanto, o ADN está lá. Uma revista (chamemos-lhe assim) diferente, uma lufada de ar fresco no cinzentismo das revistas de fim de semana que os jornais oferecem. Um grafismo diferente, aqui e ali arrojado, rejeitando o estilo “arrumadinho” que torna todas as revistas portuguesas iguais.
Pode haver quem não goste. Aceito. Eu também não fui um entusiasta de primeira hora do DNA, mas ao fim de meia dúzia de edições fiquei apanhado.
Pedro Rolo Duarte sabe marcar a diferença naquilo que faz, sabe escolher os  colaboradores, conhece os meandros da edição, gosta de apostas arrojadas e sabe o que é unidade editorial. Não percebo a razão de ter estado tanto tempo impedido de fazer aquilo que gosta e tão bem sabe fazer.
Ainda não li tudo, mas a avaliação é francamente positiva. Voltei a sentir o prazer da leitura descontraída das manhãs de sábado, que já não sentia desde que o DNA foi relegado  para a sexta-feira, antes de um fim prematuro. As manhãs de sábado na esplanada, em frente ao mar, voltaram a ter o sabor de outros tempos.


adenda: Numa proposta de 50 números que pretende abordar “qualidades, defeitos e  características que podemos identificar como associadas aos portugueses”, eu não teria começado pelo romantismo, é certo, mas isso fica para outro dia. 

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O público, o privado e a notícia

por J.M. Coutinho Ribeiro, em 08.05.09

Interessante a divergência que aqui se nota sobre a importância pública dos comportamentos privados de quem nos governa e a possibilidade desses comportamentos privados serem ou não escrutinados pela comunicação social.

Há quem entenda que a esfera da vida privada dos governantes não tem qualquer interesse para o cidadão. Pelo menos, um interesse legítimo. Que não importa, designadamente, se um governante é viciado em casinos, desde que jogue com dinheiro seu; que não importa saber se um governante compra roupa na loja mais cara do mundo, desde que o faça com dinheiro seu. E, obviamente, há quem entenda ser sagrada, por exemplo, a não violação da privacidade de um governante quanto, por exemplo, à sua orientação sexual.

A questão não pode ser vista de forma tão linear. Mesmo que o governante gaste apenas o que é seu, nos seus vícios ou hábitos privados, ficamos a saber duas coisas: em primeiro lugar, que o governante é honesto porque não gasta os dinheiros públicos. Mas ficamos, também, a saber que o governante tem uma compulsão para o jogo ou para um ostensivo modo de vida. Ou que, enquanto pede contenção aos seus governados, ele vive na ostentação. Não é relevante? É. Não o será quando se fala do rico empresário (que será escrutinado pelos seus trabalhadores ou pelos seus credores, mas isso é outra história), mas é-o quando se fala de quem elegemos para determinado cargo. Porque quando votamos em alguém, votamos não apenas na sua competência, mas também no que conhecemos do seu carácter, na sua capacidade para se adaptar aos sinais dos tempos que correm e na sua capacidade para dar exemplos de cidadania. Daí que os limites da liberdade de expressão se alarguem quando escrevemos sobre as designadas as figuras «da história do tempo».

Mais complexa é a questão da orientação sexual do governante. Se um governante é homossexual, ninguém tem nada a ver com isso. Se o é e o assume, não dever ser fustigado ou vangloriado por isso. É-o. E, sobre isso, cada qual tirará as suas conclusões na hora do voto, se achar que é uma questão relevante.

Mas já será escrutinável pela comunicação social - porque tem interesse público - saber se, por exemplo, um deputado faz hoje uma violenta intervenção no Parlamento contra a homossexualidade e, dias depois, se descobre que ele próprio é homossexual. Como é evidente, ele poder ser o que queira. Mas os eleitores têm o direito de saber se um dos seus eleitos é pessoa de carácter e se as suas intervenções públicas são concordantes com os seus comportamentos privados.

E, neste caso, ouso ir um pouco mais longe: se as acrobacias sexuais de uma figura pública - mas sem responsabiilidades públicas, mesmo que seja, por exemplo, um arquitecto do regime - não são escrutináveis, o mesmo não se aplica, por exemplo, ao padre de uma qualquer paróquia, que nas missas defende a moralidade e os bons costumes e acaba descoberto numa orgia. Neste caso, os paroquianos que o ouvem, também terão direito a saber que o homem faz o contrário do que prega.

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Isto é bom jornalismo

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 18.04.09

A Visão vai acompanhar, durante um ano, o percurso de vida de 14 desempregados e  a sua luta para regressar ao mundo do trabalho.
Num período em que o desemprego é um dos maiores flagelos da população portuguesa, este trabalho da Visão enquadra-se naquilo que considero bom jornalismo.
Já agora, chamo a atenção para a evolução da taxa de desemprego desde 1986. Os dados publicados pela revista merecem uma leitura muito atenta…
 

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À sexta, a dose do costume

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 18.04.09

Eu estava a pensar escrever um post sobre o Jornal da TVI, à sexta-feira, relacionando o seu conteúdo com as ameaças lançadas há umas semanas por José Eduardo Moniz mas, depois de ler isto, já não preciso de escrever mais nada. Só pergunto uma coisa: porque é que a TVI se aprimora tanto à sexta-feira?

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Gosto da Fernanda. E depois?

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 13.04.09

Declaração de interesses - Nunca votei em Sócrates; o PM  provoca-me urticária; em minha opinião, Sócrates traiu a confiança de muitos que nele votaram; gosto de Fernanda Câncio que “conheci” em Macau, através da “Grande Reportagem”; admiro o seu profissionalismo e a sua combatividade, embora por vezes discorde das suas opiniões.
 

Posto isto, apenas quero dizer o seguinte:


1) O artigo de Carolina Reis no “Expresso” é um nojo;
2)  Um jornal que puxa para primeira página um artigo sobre uma jornalista, fazendo referência ao facto de ser namorada do PM, é um tablóide;
3) Admito que haja jornalistas no DN incomodados com as posições de Fernanda Câncio mas, se eu fosse jornalista do DN, estaria muito mais preocupado por ver colegas minhas serem despedidas, enquanto estão em licença de maternidade;
4) Se fosse jornalista do DN ter-me-ia solidarizado com os colegas despedidos;
5) Se fosse jornalista do “Expresso” teria criticado o artigo de Carolina Reis;
6) Sendo jornalista, preocupa-me constatar que a comunicação social anda há quatro anos a levantar suspeitas sobre o PM do meu país, que já foi condenado em praça pública, sem que se conheça qualquer acusação formal;
7) Como jornalista e cidadão estou mais interessado em julgar Sócrates pelos erros de governação do que em andar  atrás das declarações de magistrados do MP sobre o caso Freeport;
8) Como jornalista e cidadão, estou mais interessado em perceber as causa do atraso da justiça deste país e o comportamento de alguns dos seus agentes do que especular sobre um único caso, dando ouvidos e voz a pessoas cuja credibilidade e interesses colaterais me levantam sérias dúvidas;
9)  Como jornalista estou-me marimbando se Fernanda Câncio é namorada, filha, enteada ou madrasta de Sócrates, porque a única coisa que me interessa no jornalismo é a investigação e não o folclore popularucho;
10)  Como jornalista, não deixaria de investigar casos como o de Benavente, ou do BPN, só porque o que está a dar é “malhar” no PM;
11) Como jornalista, sei que o caso Freeport  dá um grande jeito à oposição mas, como não tenho a memória curta, sei que se o PSD vencer as eleições em Outubro os jornalistas  (que entretanto não se desviem para os “aliciantes” cargos de assessores de imprensa do governo laranja) vão ter saudades de Santos Silva;
12) Como jornalista solidarizo-me com Fernanda Câncio, porque acredito que o único interesse dela seja  a  procura da verdade. Não acredito que o facto de ser namorada do PM a desvie do seu caminho e acho muito bem que, quando toda a imprensa tenta culpabilizar Sócrates, ela utilize os meios de que dispõe para fazer acusações a um tipo de jornalismo que ela (como eu)  detesta, por ser a negação da profissão.

 

Teria sido mais fácil calar-me sobre este assunto ou cavalgar a onda dos que na comunicação social e na blogosfera criticam Fernanda Câncio. Uns fazem-no por inveja, outras por despeito, outros ainda apenas "porque sim".

Acontece que, desde sempre, tive tendência para estar do lado do elo mais fraco, do lado de quem serve de saco de boxe a quem  necessita de aliviar as frustrações. Nunca gostei de  meninos(as) que  integram  os coros só para poderem fazer ouvir a sua voz.

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